Blogs e Colunistas

16/01/2010

às 4:13

VEJA 6 - VIVEU COMO SANTA, MORREU COMO MÁRTIR

Fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns dedicou a existência a minorar o sofrimento dos despossuídos e a evitar o desperdício da vida. Até o último minuto
Montagem sobre fotos de Rodolfo Buhrer e Yhony Belizaire/AFP
A ÚLTIMA PREGAÇÃO
Escombros da Igreja Sacré Coeur de Tugeau, em cuja casa paroquial
Zilda Arns proferiu uma palestra antes de morrer

Nascer mulher em Forquilhinha, Santa Catarina, nas primeiras décadas do século passado significava ser, no futuro, professora ou religiosa. Zilda Arns, 13ª filha de uma família descendente de alemães, contrariou esse destino por amor. Aos 21 anos de idade, apaixonou-se pelo futuro marido, o então marceneiro Aloysio Neumann, que, chamado para um conserto na casa dos Arns, encantou-se com a jovem que viu na sala tocando piano. Foi também em nome de outra forma de amor, aquele mais sublime que se devota ao próximo, que Zilda enfrentou a resistência paterna e insistiu em estudar medicina, num tempo em que ser doutor era coisa de homem. O apoio do irmão, o hoje arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, foi fundamental para dobrar a família. “Ele havia estudado na Sorbonne e convenceu o pai de que estavam começando a formar mulheres médicas lá fora”, conta Rogerio Arns Neumann, de 39 anos, um dos seis filhos que Zilda teve com Neumann, morto em um acidente no mar aos 46 anos de idade. Desde que alterou o curso do próprio destino, Zilda Arns não parou mais de mudar o dos outros, a começar por aqueles que a miséria e a ignorância haviam fadado a ter curta duração. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

25 Comentários

  1. LUCIA BRAGA - FORT- CE

    -

    06/02/2010 às 12:43

    A exemplo de Drª Zilda, que nós lideres da PdC possamos dar continuidade a esse belo trabalho de missionário voluntário da PdC, pois ela continuara sendo essa mãe para todos nós.(meire)
    Ficamos tristes com a saida brusca da dra.Zilda do nosso meio,ela estava no lugar certo na hora errada,e que por onde ela passou,nos meios em que esteve suas palavras,seus ensinamentos vão está sempre em nossa mente e em nossos corações.
    Parabens Reginaldo suas palavras nas reportagens sobre a dra.Zilda nos dar mais ânimo para continuar a missão.

  2. SergioNJ

    -

    18/01/2010 às 11:57

    Alguem vai dizer algo sobre os 3 milhoes que sumiram da ONG que ela pertencia ?
    Eh incrivel como toda religiao e todo religioso faz de tudo para que a pobreza persista e nao tenha fim. Em vez de usarem suas forcas para aumentar o nivel de educacao e cultura daqueles que estao morrendo por pura ignorancia, ajudam com esmolas e falsa solidariedade.
    Mandam o povo rezar, se ajoelhar e se humilhar frente aos seus deuses (trindade ???) para que a ajuda venha do ceu ou dos milagres.
    Cambada de ladrao !

  3. Chiquita Bacana

    -

    17/01/2010 às 0:26

    Procurando a Pastoral da Criança, por razões pessoais, pensei ter errado de endereço:
    No jardim de uma residência comum, localizada numa travessa esburacada e sem passeio, nenhuma placa gigante “divulgando A OBRA,OS COLABORADORES, OS DIRIGENTES”.
    Recebeu-me uma senhora(zinha) com cara de “Vó da gente”.
    Assim conheci o trabalho da Dra. Zilda e seus voluntários.

    Quando minhas frescuras se manifestam, lembro daquela manhã.

  4. FERNANDO

    -

    16/01/2010 às 22:24

    Dona Zilda Arns, Nobreza em todos os sentidos! Grande mulher!

  5. nei moreira

    -

    16/01/2010 às 21:59

    Reinaldo.:
    Quem não se lembra nas últimas décadas da tão falada farinha da vida, criada e distribuida pela Pastoral da criança tão bem representada na pessôa da Dra. Zilda Arns. A fórmula do amor e da esperança correu mundo, salvando milhões de crianças da desnutrição.Acredito que não existe municipio que não usou tal beneficio. Exemplo de como as coisas mais simples podem trazer resultados tão fabulosos. Sem citar nomes de planos e de politicos pediria a êles, sem cinismo, que olhassem para a nossa Teresa de Calcuta, hoje eternizada em nossa história pelos exemplos de brasilidade e humanismo.( Os verdadeiros e cristãos ,direitos humanos.)

  6. maria

    -

    16/01/2010 às 20:51

    Dona Zilda Ans, Dona Rute Cardoso… Essas sim sao Mulheres exemplares que atuaram para minorar o sofrimento alheio e melhorar o mundo. Nao mataram , nao asaltaram bancos e residencias, nao sequestraram. E nem usararam de palavras e feicoes duras como fez e faz uma tal de dona dilma., A suavidade a humildade ,os gestos de carinho e as medidas praticas salvaram vidas e espiritos. Curioso…!!! nunca ouvi falar que foram torturadas no dops. Porque sera em terrorista `diuma`?

  7. romulo

    -

    16/01/2010 às 19:04

    Ninguém é insubstituível, mas tem gente que faz muita falta.
    Zilda Arns é uma dessas pessoas.

  8. PALANQUEIRO DESCARADO

    -

    16/01/2010 às 17:18

    IMAGEM DO DIA

    A cara compungida,mais falsa que nota de 3 reais,do ator no velório: falando de cabeça baixa desviando e revirando os ozoinhos.Que alma mais generosa e sensivel!!!Muito comovente…

  9. DE LA VEGA

    -

    16/01/2010 às 15:48

    Estive com ela em meados de 2008.
    Viajava pelo Nordeste.
    Visitava as comunidades para avaliar o cuidado com as crianças.
    Já animava a frente da terceira idade.
    Suave, mansa, uma força moral granítica. Combinação irresistível. Conhecia a execução orçamentária e se entristecia com a rubrica de juros pagos da dívida pública, comparada a do saneamento básico.
    Deixava sempre a impressão de que ficara, exatamente quando partia.
    É a mesma sensação que trespassa todas as pessoas. Indistintamente, corações e mentes dizem que ela fica!

  10. renata

    -

    16/01/2010 às 14:51

    segundo paulo timbo 12.31, marina comparou dra zilda a chico mendes. credo. seria a comparação entre deus e o diabo ……. cruz credo……..amemm

  11. ney

    -

    16/01/2010 às 14:27

    Numa entrevista em 2003, onde o governo festejava a queda para 29 óbitos por 1000 nascimentos, a Pastoral da Dra. Zilda conseguia 14 e nosso Apedeuta dizendo-se seu admirador é incapaz de atitudes que ampliem a nível governamental esta competência, conclui-se que nem com uma santa iluminada mostrando o caminho o ineficiente consegue ser efetivo.

  12. Vera L.

    -

    16/01/2010 às 14:20

    Reinaldo, do irmão da Dra Zilda Arns não tenho boas lembranças porque ele sempre me retemete ao PT e a teologia da libertação, a demonização de João Paulo ll quando mudou a Diocese de São Paulo, as notícias eram sempre que os “conservadores” da Igreja haviam vencido.Dra Zilda só me faz lembrar de coisas boas,dizer sempre que a Pastoral da Criança CONGREGAVA para o bem comum, orações, sempre INCLUIU todos nós brasileiros no seu rebanho. Na conversa com seu irmão que surgiu a P da C.Dra Zilda era a pessoa certa porque sempre CONGREGOU no amor de Deus.Mostrou que não precisa andar “simplesinha” para se apresentar aos pobres,ajudá-los.Ia LINDA e PERFUMADA,com roupas elegantes, ao encontro deles.

  13. azul honduras

    -

    16/01/2010 às 13:17

    Jesus ensinou: “Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”.

  14. PAULO TIMBO

    -

    16/01/2010 às 12:31

    diz a Marina Silva que sua perda se equivale a de Chico Mendes…
    Coitada da Dra Zilda…
    Chico Mendes, pra quem não sabe foi candidato a vereador em sua terra e não obteve 30 votos.
    É mito fabricado no exterior ao contrário da Dra Zilda.

  15. Luiz

    -

    16/01/2010 às 11:04

    Reinaldo.
    Ela salvou muitas crianças através da sua obra, foi contrária ao aborto. Contudo, contraditóriamente, ajudou o pt na conquista do poder. O partido do aborto.

  16. Randolfo

    -

    16/01/2010 às 10:43

    A Dra. Zilda deixa a todos um exemplo de vida a ser imitado. O melhor comentário sobre essa pessoa admirável pode ser resumido na seguinte frase atribuída a D. Hélder Câmara: “Há pessoas que a gente não enterra, semeia.” Que seu exemplo frutifique.

  17. Paranaense orgulhosa

    -

    16/01/2010 às 9:59

    Sabe que assisti e li todos os jornais estes dias, vi quase todas as matérias sobre o Haiti. Mas nesta manhã de sábado fico maravilhada com a forma que vc Reinaldo faz jornalismo, como trata de forma respeitosa e bela um assunto tão triste. Obrigado Deus, por ter um Jornalista assim num mundo, onde td vira sensacionalismo barato. Não me canso de dizer obrigada Reinaldo, por nos dar um pouco da sua sabedoria e sensibilidade de ver as coisas, e nos tirar da alienação. Tenha muito sucesso na vida e em seu trabalhos. Bravo, bravíssimo! Deus abençoe vc e sua família.

  18. cristina

    -

    16/01/2010 às 9:49

    Com certeza foi recebida no céu por NOSSA SENHORA!!!!!!!!!!

  19. José Pereira

    -

    16/01/2010 às 9:35

    Tocou-me particularmente este Post sobre Zilda, que faz referências a seu irmão Dom Paulo Evaristo, ocorrendo-me uma lembrança distante, lá do fundo do meu baú. Início dos anos 70, eu era 1o. Secretário de uma sociedade amigos de bairro e, com a ajuda de uma colaboradora nossa (catarinense como a família Arns, que nos montou a mesa com chá, sucos e biscoitos), eu fui anfitrião do irmão de Zilda Arns mais o pároco local, numa discussão que desenvolvíamos sobre a instalação de uma base paroquial em nossa Sede. O passamento desta grande brasileira me fez vir à tona esta lembrança de um momento longínquo da minha vida ativa, em que estive com o então Cardeal Arcebisbo, irmão de Zilda Arns.

  20. Helder Melo

    -

    16/01/2010 às 8:44

    A revista Veja podia passar sem canonizações né? Que são privilégio e decisões da Igreja ne? Thanks.

  21. eidia

    -

    16/01/2010 às 8:27

    Ouvi ontem de um amigo: “Deus é um cara de excelente bom gosto. Só carrega pra perto dele pessoas legais!” Não deixa de ser um conforto, quando a perda é enorme como foi a de D. Zilda.
    eidia
    http://www.oquevivipelomundo.blogspot.com

  22. Rubens Costa

    -

    16/01/2010 às 7:44

    Reinaldo. Bom dia! Nasci em família Espírita. Entre tantas coisas que aprendi com a codificação do Allan Kardec, uma das mais importantes é a máxima Espírita: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”. A Dra. Zilda Arns foi uma desses espíritos iluminados que, vez ou outra, passa por aqui, trazendo e implantando mais alguns metros de luz rumo à Deus. Ao invés de servir às trevas, subtraindo vidas, como por exemplo a defesa do aborto que está na cartilha do PT, ela implantou uma rede de solidariedade composta de milhares de pessoas, em todo mundo, tendo como meta fazer viver milhões de crianças. Uns servem Deus. Outros o demônio. É tudo uma questão de fórum íntimo, faz o que dentro está.

  23. Ronald

    -

    16/01/2010 às 5:12

    Marechal, para nossa tristeza os bons partem e os maus ficam e a humanidade fica mais pobre com perdas assim.
    Que descase em paz. O trabalho e a memória da Dra. Zilda nunca serão esquecidos.
    Osr
    Sds

  24. Sharp Random

    -

    16/01/2010 às 4:58

    Lulla pode dizer adeus ao Nobel da Paz.

    Nós temos gente muito mais qualificada para indicar e apoiar.

    E o dinheiro terá melhor destinação, certamente.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados