16/12/2006
às 5:32Veja 4 – Classe média: abandonada pelos políticos e pelos partidos, é ela quem paga a conta
Não há na história econômica exemplo de país que tenha crescido de forma vigorosa sufocando a classe média, como aqui se faz. É ela quem tem pagado, historicamente, o preço dos vários ajustes da economia — ou o da opção demagógica do governo. Veja resolveu levar essa questão para a capa e traz uma ampla reportagem sobre o assunto. Por Giuliano Guandalini e Julia Duailibi: “Na próxima semana, o Brasil viverá o seu 26º Natal em cenário de pasmaceira econômica. As feridas causadas por esse longo calvário são visíveis sobre o lombo de um segmento em particular da sociedade: a classe média. Ao fim de 2006, ela se encontra curvada sob uma brutal carga tributária, sufocada por gastos com serviços como educação e saúde (que deveriam ser financiados pelos seus impostos) e tolhida em sua capacidade de poupar e adquirir patrimônio. Mas há um segundo aspecto na crise da classe média – e ele não interessa apenas aos brasileiros que já pertencem a ela. Ao contrário do que vem acontecendo em países que estão chamando a atenção do mundo, quase não se observa expansão na classe média do Brasil.(…)
CONGELADA - Baseada em critérios de classificação do Banco Mundial e das consultorias McKinsey e Economist Intelligence Unit, VEJA estimou a evolução, no Brasil e em outros quatro países emergentes, da proporção da classe média em relação ao total da população entre 1996 e 2006. Considerou-se como classe média o universo de famílias com rendimento entre 15.000 dólares e 75.000 dólares anuais – referência semelhante ao parâmetro usado pelo Banco Mundial. No Brasil, esses valores se situam aproximadamente entre 3.000 e 15.000 reais ao mês, levando-se em conta o poder de compra local. Cálculos semelhantes foram feitos para os demais países. O resultado impressiona. A proporção da classe média no Brasil está estagnada. Ela cresceu um quase nada. Saiu de 20% para 21% da população brasileira. No mesmo período, pulou na Rússia de 9% para 34% da população (uma elevação de 278%); no México, de 19% para 43% (126%). Em apenas uma década as classes médias russa e mexicana tornaram-se mais representativas em suas respectivas sociedades do que a brasileira. Também avançaram a passos largos as classes médias da China e da Índia. Em 1996, elas representavam, respectivamente, 1% e 4% de suas populações.
(…)
SEM PARTIDO - Em paralelo a tudo isso, observa-se certa orfandade política da classe média. Não que, ao longo da história do país, ela tenha contado com partidos inteiramente associados aos seus interesses. Na década de 50, a UDN esteve próxima de desempenhar esse papel. A classe média daquele período encontrou um ídolo em Carlos Lacerda, o maior nome do partido. Mas o udenismo abrangia outros setores da sociedade – no Nordeste, por exemplo, estava ligado às oligarquias agrárias. No quadro político atual, o discurso sobre a classe média ocupa um lugar periférico.” Assinante de Veja lê mais aqui


Ministros da saúde de 194 países aprovam plano para melhorar vacinação no mundo
Conferência sobre Mudança Climática em Bonn termina sem avanços
Cientistas batizam nova espécie de aranha em homenagem a Lou Reed
Rebeldes criticam a ONU após novo massacre na Síria
Barcelona vence título na despedida de Pep Guardiola









Deixe o seu comentário
Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.
» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA
22 Comentários
Mauricio C. Pinheiro
-27/10/2010 às 14:36
O governo Lula fez uma reforma social tirando de quem trabalha e paga impostos para dar a que não trabalha ! Não mexeu com os ricos. Conservando ranço dos anos 70 e da Lei de Gerson abandonou a liderança da sociedade, por insteresses nitidamente pessoais esquecendo que mais cedo ou mais tarde seria cobrada, por fazer parte da sociedade
brasileira como um todo e foi engolida pela pobreza esperneante e o interesse excuso de lideranças boiadais
e sindicalistas oriundos de montadoras de veiculos multina
cionais. Aceita tudo com resignação de carneiro inclusive a invasão dos seus direitos !!! Paga por isso com o desinteresse de quem poderia ajudá-la !! Quem se omite se dana !! Como o tico-tico que recebe em seu ninho um ovo de um passaro chamado “chupim” muito maior que êle
de cor preta, o choca e o cria com extremo desvelo, como se fosse resultado de um adultério para o qual deve obrigação !!!! Quem deixa espaço o tem ocupado por outrem !! AQUI NO PAÍS POR CANALHAS !!!
Anônimo
-30/09/2008 às 18:05
quanto ao blog do Reinaldo e os posts…. muito bons sempre.
Carlos Pierangeli
Anônimo
-17/12/2006 às 16:43
Mas uma coisa é certa, nós da CLASSE MÉDIA somos uns tontos, concorda?
Até o Bolivianos sairam às ruas protestando contra o “ChavecoBoli” e nós somos incompetentes até pra organizarmos uma passeata!
Por isso a corda está apertando nosso gogó!
Se tivessemos metade do fogo nas ventas dos Boludos Argentinos, Bolivianos, etc……pode crer que a coisa já teria mudado!
Pelo menos os milionários já estariam pagando Impostos e já teriam cruzado o CPMF com a Declaração de Renda!
Mas a CLASSE MÉDIA ASSALARIADA? Essa fica inerte e como os Governos são incompetentes, acabam tirando de nós cada vez mais por ser mais fácil!
NÓS SOMOS UM BANDO DE BABACAS, ISSO SIM!!
Betina
Anônimo
-17/12/2006 às 10:35
Reinaldo de certa forma a culpa também é da classe média que não se organiza e não “grita” por seus direitos. Há algumas semanas Delfim estava no Canal livre e uma das coisas que disse foi: Quando os engravatados começaram aparecer em manisfestações foi quando começamos a sentir medo”. Tá aí a resposta. Até o dia que não nos organizarmos e começar o panelaço na frente do congresso a barafunda continua sem data para acabar.
Francisco
-17/12/2006 às 1:52
Pôrr…, Reinaldão, seu blog está virando o muro das lamentações, também me incluo nos indignados, precisamos começar a pensar em alguma saída… Estamos mais perdidos que cego em tiroteio…
Vou descansar minha cabeça, mandei os emails para “os novos mensaleiros legitimados” (91%), cambada de facínoras corruptos, a serviço sujo da cúpula dos “vermelhos cretinos”.
Anônimo
-16/12/2006 às 20:36
Triste história está sendo traçada np Brasil, em pensar que pelo que é o Brasil poderia estar em situação bem diferente.
Antonio Pau
-16/12/2006 às 18:49
Burilando a minha frase anterior:
“A classe média tem o ônus de dar de comer a todos, e o Executivo, o Legislativo e o Judiciário têm o ânus de todos para comer”.
Antonio Pau
-16/12/2006 às 16:44
A classe média tem o õnus de carregar a todos. E o Executivo, o Legislativo e o Judiciário têm o ânus de todos para se descarregar.
Antonio Pau
Anônimo
-16/12/2006 às 16:30
“Recolha-se à sua insiguinificância…”
Excelentíssimo Sr. Deputado
Hoje tenho certeza que, se essa frase, proferida pelo Excelentíssimo Deputado Severino Cavalcante, fosse levada em consideração por todo político brasileiro, inclusive o próprio, o Brasil caminharia para uma era de prosperidade e justiça.
A maioria dos contribuintes não compreende onde Vossa Excelência, e coligados, encontra justificativa moral para aumento tão abusivo dos vossos salários. Pois eu tenho uma teoria: “O político brasileiro se acha muito importante”, se alvora a ser Deus, salvador da pátria, papai Noel, etc.. Encontra-se auto convencido e tenta convencer o cidadão que ele é a solução para todos os problemas, ousa dizer “Eu sou o caminho a verdade e a vida”. Obviamente que criaturas tais merecem muito mais que 24 mil, merecem 48, 100, 200 mil, ou mais. Suponho que este é o vosso argumento.
Pois eu, contribuinte e patrão de Vossa Excelência, já não me deixo enganar, sei quem pode tirar o Brasil da lama econômica e moral em que se encontra, e esses não são vocês. Chegou à hora de dizermos: Deixa o povo trabalhar, deixa a tão má falada iniciativa privada trabalhar, deixa o trabalhador em paz, não queremos mais a vossas esmolas nem a vossa falsa caridade, não queremos mais ver a cara deslavada de alguns em período eleitoral prometendo “mundos e fundos”, chega … basta… Sr. Excelentíssimo Deputado … “recolha-se a sua insiguinificância”.
Tenha um feliz e farto Natal, pois do meu não posso esperar tanto.
Mario
-16/12/2006 às 16:21
Só não sei se é válido citar a Rússia e a China para comparações. Na Rússia e em todos os países escondidos atrás da cortina de ferro só havia 2 classes: a dos governantes (classe A+++) e a operária (classe E—). É o que estãol tentando fazer nestepaiz.
edson luchesi
-16/12/2006 às 11:26
Perfeito. A classe média não tem um partido que a represente ou mesmo algum partido que tenha em seu programa a defesa de alguns de seus interesses.
Anônimo
-16/12/2006 às 11:19
ESTE É O SONHO DESTRUTIVO DOS ESQUERDISTINHAS QUE NÃO CONHECEM A HISTÓRIA.
PARA ELES A CLASSE MÉDIA É A BURGUESIA QUE DEVE SER ANIQUILADA.
O PROBLEMA QUE NÃO É CONSIDERADO PELOS ALOPRADINHOS É QUE A CLASSE MÉDIA É QUE SUSTENTA OS DESMANDOS DO GOVERNO VIA IMPOSTOS.
QUANDO ACABAREM COM A CLASSE MÉDIA VAMOS VER DE ONDE VIRÁ A VERBA A FUNDO PERDIDO DE TANTAS BOBAGENS TAIS COMO BOLSA ESMOLA,BOLSA GÁS,BOLSA PROUNI, VENCIMENTOS, VANTAGENS, PENDURICALHOS…
macz
-16/12/2006 às 10:45
“…pesquisa Datafolha realizada na quarta-feira, antes do aumento salarial do Congresso, 36% dos entrevistados dizem que o desempenho dos parlamentares é “ruim ou péssimo”.”
OU SEJA, 65% DA POPULAÇÃO ESTÁ SATISFEITA COM A SITUAÇÃO: TEM CERVEJINHA, MÚSICA BREGA E BUGINGANGAS CHINESAS.
Anônimo
-16/12/2006 às 10:41
Reinaldo,
A classe média está sendo eliminada aos poucos e com ela a educação, a crença na meritocracia, e o crescimento economico mais vigoroso.
Precisamos de líderes conservadores e liberais, ou seja, está claro para mim que o petismo, o estatismo e o tucanismo (atual corrente) são nossos inimigos.
macz
-16/12/2006 às 10:31
Falo da maioria, é claro: gente que só pensa no interesse próprio, que fura fila, estaciona em fila dupla e tenta passar aos filhos as maravilhas da esperteza. Como é que um grupo que só se vê coletivamente num campo de futebol vai se constituir como força política?
Anônimo
-16/12/2006 às 10:28
Com relação ao primeiro comentário vem-me a lembrança a piada da criação do mundo, quando todo mundo reclamava que o Brasil era um priviliegiado e Deus disse; “VOCÊS VIRAM A CLASSE POLÍTICA QUE EU COLOQUEI LÁ! PAREM JÁ DE RECLAMAR!!”.
macz
-16/12/2006 às 10:26
A classe média contenta-se com cerveja e churrasco, além de um passeiozinho ao shopping e praia no verão. Não se interessa por educação e nem pela melhoria da qualidade de vida nas cidades (a não ser aquelas óbvias, como trânsito e segurança). Votou em Lula, porque a cerveja continua baratinha.
Anônimo
-16/12/2006 às 10:25
Estamos deixando de ser classe média para sermos classe mer…
WEIMAR
-16/12/2006 às 8:24
Reinaldo,
Sobre a inexistência de partidos associados aos interesses da classe média, você diz: “Na década de 50, a UDN esteve próxima de desempenhar esse papel. [...] Mas o udenismo abrangia outros setores da sociedade – no Nordeste, por exemplo, estava ligado às oligarquias agrárias”.
Não sei de onde você tirou essa informação, mas garanto: ela está inteiramente equivocada. Pelo menos, no que se refere à Bahia. A UDN da época era representada em sua quase totalidade por profissionais liberais, os eméritos professores das universidades: Otávio Mangabeira, Nestor Duarte, Aliomar Baleeiro, Clemente Mariani, Nélson Sampaio etc. Durante muito tempo, seu grande líder, o único que, em termos de votos, podia fazer frente ao PSD (Partido Social Democrático) era Juracy Magalhães, o avô desse deputado quase-sem-voto, Jutahy.
Juracy, também da classe média, vinha do meio militar. General, um dos “tenentes de 30”, o ACM de sua época, pelo seu temperamento. O único dos udenistas que conseguia alguma penetração no interior. Entre os “coronéis” das oligarquias agrárias, o PSD reinava absoluto. Só muito depois, o PSD passou a tomar uma feição ligeiramente social-democrata. Primeiro, com Antônio Balbino e, depois, com esse camarada que é hoje o Ministro do Desastre.
Pode ser irônico, mas: enquanto o fenômeno ACM tem raízes na classe média, o eleitorado de Waldir Pires, em sua origem, veio do velho PSD da oligarquia agrária.
Weimar
Frodo Balseiro
-16/12/2006 às 7:41
Reinaldo
A proposito do empobrecimento da classe média, volto ainda ao aumento de vencimentos dos parlamentares.
Começaram as manobras dos legislativos estaduais e municipais, para “adequar” as remunerações de deputados e vereadores aos novos valores a serem pagos aos parlamentares federais.
Com os novos salários de R$24.500,00 definidos, da-se agora o “efeito cascata”, o efeito dominó de revisões salariais.
Os salários de deputados estaduais é definido em 75% dos federais. Ou seja, a partir de uma imoralidade inicial que concedeu os vergonhosos 91% de aumento para deputados e senadores, qualquer revisão abaixo do novo “teto” é legal!
Legal para as negas deles! Eu, você, a sociedade é que pagara essa esbórnia, essa festa com o dinheiro alheio. Enquanto isso os canalhas representantes do povo, estão ainda discutindo se dão ou não um aumento de mais R$7,00 no salário mínimo. As aposentadorias e pensões dos velhinhos, nem pensar! Velho segundo essa corja, é para ficar em casa, a pão e água, esperando o dia da morte.
É nojento, mas é verdade!
Somos todos palhaços, e no picadeiro que é esse país, ainda pomos a bunda de fora numa bem humorado “bundalelê”.
O país não é sério. Eu não sou sério. Você não é sério.
Agüentemos com nariz de palhaço enfiado no nariz. Isso é o máximo que fazemos!
Rodrigo
-16/12/2006 às 7:30
Infelizmente, a classe média vai carregar o ônus de mais 4 anos de tristezas e mazelas, por culpa do povão ignorante que julga o Lula um “Messias”, graças ao bolsa esmola/cachaça.
“Tudo que importa é que a cachaça está garantida. A crasse média que se dane, cada um com seus pobrema.”
Anônimo
-16/12/2006 às 7:25
O Brasil é um país abençoado por Deus e consequentemente não é assolado por terremotos e furacões. ERRADO: Deus reservou para o Brasil a oitava praga do Egito: A Malversação do dinheiro público.