Blogs e Colunistas

23/05/2009

às 11:17

VEJA 3 - Carlota Pérez - A Era de Ouro da economia da informação

Por Diogo Schelp:
Economistas com visão histórica e capazes de fazer análises consistentes de longo prazo parecem ser uma espécie em extinção. A esse grupo pertence a venezuelana Carlota Pérez, de 70 anos, professora da Universidade Cambridge, na Inglaterra. Seu Revoluções Tecnológicas e Capital Financeiro, de 2002, adquiriu a dimensão de clássico ao colocar o atual momento econômico no contexto das grandes reviravoltas no campo da técnica que ocorrem a cada cinquenta anos, em média. Para Carlota, estamos em plena era da informação, iniciada em 1971 com a produção em série dos chips de computador e sua quase universalização nas três décadas subsequentes, que ela chama de “fase de instalação”. Na etapa seguinte, que o mundo começa a viver em breve e pode durar de vinte a trinta anos, as novas tecnologias vão, enfim, produzir o grande salto na qualidade de vida da maioria da população mundial. A esse período Carlota dá o nome de “fase de desdobramento”. A crise atual seria, para ela, apenas uma transição dolorosa entre essas duas fases. De seu escritório em Cambridge, ela deu a seguinte entrevista a VEJA.
A crise atual não assusta tanto?
A economia de mercado é naturalmente instável. Quando está no auge, peca pelos excessos; quando está em baixa, autocorrige-se. No entanto, esta crise, em conjunto com o estouro da bolha da internet em 2000, é de uma natureza distinta. Estamos presenciando hoje um colapso de envergadura muito maior que a usual. O atual fenômeno equivale ao pânico provocado pelos investimentos em massa nas estradas de ferro, em meados do século XIX, na Inglaterra, ou à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Colapsos como esses só ocorrem a cada meio século, no meio do caminho de grandes revoluções tecnológicas.

Qual é a relação entre o recente colapso financeiro e o estouro da bolha da internet, no início da década?

O colapso atual representa a continuação da queda da Nasdaq, a bolsa eletrônica de Nova York, mas com outro foco. A bolha da internet baseava-se na inovação tecnológica; a que estourou agora, na inovação financeira. Enquanto o inchaço financeiro foi induzido pela existência de crédito abundante e fácil, o da internet atraía investimentos pela fé no poder das novas tecnologias de proporcionar lucros extraordinários. Em 1929, tudo entrou em colapso ao mesmo tempo. Desta vez, isso aconteceu em dois capítulos. Eu esperava que, depois do estouro da bolha da internet, viessem a regulação financeira e as políticas a favor da expansão produtiva. No meu livro, de 2002, eu já expressava grande preocupação com a continuidade do cassino financeiro. Mas as autoridades não prestaram a mesma atenção.
Assinante lê mais aqui

Por Reinaldo Azevedo
Share

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

9 Comentários

  1. Rafael Evangelista

    -

    25/05/2009 às 2:04

    Eu acho que esta mulher está certa. Por exemplo, existem processadores em desenvolvimento que podem ser até 100 vezes mais rápidos que os atuais. Imagino que daqui há 20 anos tenhamos computadores que tornariam os atuais algo como aquelas TVs-armário (sabe aquelas que pareciam um móvel na sala?) são hoje para nós.

  2. Jayme

    -

    24/05/2009 às 5:55

    Essa senhora só deveria citar a fonte da qual absorveu sabedoria: Schumpeter, economista austriaco.

  3. marcelo vergara

    -

    23/05/2009 às 23:11

    -ente para uma Mulher que pode , Essa Sim Ser Chamada de DOUTORA, em Ciências Economicas, vai dai, eu ficar muito feliz por ela ter dito que essa bolha que se quer formar,(atual pseudo Recuperação Financeira, que DIZEM estarmos vivendo!), pode nos levar a um “Colapso Financeiro”, ainda maior do que este que presenciamos,(Setembro-2008).
    Fiquei com medo de fazer a mesma afirmação e ser considerado, um Grande Pessimista por todos,(acreditem se quizer, mas Eu também enxerguei assim).
    No mais é dizer o quanto é bom escutar alguem coerente dizendo coisas LÓGICAS, e racionais.
    Abs

  4. marcelo vergara

    -

    23/05/2009 às 23:01

    Tio Rei, Da. Carlota Peréz merece elogios pela sua “lúcides”, do alto de seus 70 anos, e sobretudo a forma clara com que faz seu diagnosticos macroeconomicos, e é claro que em suas “projeções”, faltará o engrediente para a diminuição do tamanho do Estado como meio regulador e monopolizador de varios setores da Economia, principalmente no setor “ENERGÈTICO”, ela diz com muita propriedade que a tendência dos “Governos”, é aumentar a normatização dos mercados de capitais, (A Maior taxação sobre o Dinheiro trabalhando), mas sem duvida que sua capacidade de previsão não poderia tender ao que adivirá em novas tecnologias, apesar de citar “superação de paradigmas”, o que é muito mais do que suficie

  5. luiz Vicente

    -

    23/05/2009 às 19:16

    Lá da terrinha alguém identificou muito bem o movimento dos comunistas-capitalistas para restabelecer o cassino financeiro que alimentava o custeio das administrações destes, comparando-o aquele bêbado que resolve beber mais no dia seguinte para ver se cura a ressaca.

  6. giselle

    -

    23/05/2009 às 18:38

    Senhor Reinaldo,

    O senhor a já leu o livro: “A Economia dos Isótopos” de Jonathan Tennenbaum? (Editora Capax Dei)
    Se não, creio de gostará muito. Ele trata de uma visão de grandíssima revolução tecnológica que tem sido retardada por interesses questionáveis.
    Parece que tem algo em comum com o pensamento de Carlota Peres.
    Faz um bem enorme à inteligência. Recomendo.

  7. hacs

    -

    23/05/2009 às 16:27

    Reinaldo, teorias sobre a ciclicidade das mudancas culturais e sociais foram bastante populares na virada do seculo 19 para o seguinte. Sob essa influencia o historiador economista J. Schumpeter formulou suas ideias sobre o creative destruction-business cycle, assim como o historiador sociologo P.A. Sorokin escreveu sobre o ideational-sensate-idealistic social cycle. Sistematizacoes do genero sao extremamente especulativas, mesmo que exaustivamente defendidas por argumentos, dados, etc. Pesquisa-se a quase 100 anos sobre business cycle, mas ainda nao se vislumbra um consenso razoavel sobre o assunto. Mas em epocas como a atual, o porvir torna-se mitico, e a jornada um epico.

  8. Fullanus de Thaal

    -

    23/05/2009 às 16:26

    É uma economista rara, sem qualquer paralero no Brasil. Nossos economistas parecem balizar suas carreiras por um único objetivo: ser ministro da Fazenda. Nada mais concebem além de políticas financeiras, fiscais e monetárias. E, vá lá, alguma teoria de comércio internacional. Não há qualquer visão histórica. No campo da esquerda, o discurso se perde em dogmas esclerosados, em imposturas ideológicas ou em simples bigotry. A intenção não é produzir conhecimento, não é lançar luz sobre qualquer aspecto da realidade, mas angariar poder com afetação de intelectual. Esses economistas são mais uma expressão acabada de subdesenvolvimento mental.

  9. marcelo vergara

    -

    23/05/2009 às 11:31

    Tio Rei, precisava mandar o livro de Carlota Pérez, para “O Boneco Olinda mantega”, quem sabe ele não aprenderia qualquer coisa sobre ECONOMIA, e também para o “Locutor da Rádio BC”, Mr Meireles.
    Eles e suas Ortodoxias vão jogar nosso País no abismo economico.
    É impossivel que todos os grandes nomes,(economistas), estejam errados, e só O Boneco de Olinda e o seu camarada Meireles, estejam certos.
    Fora rataiada!
    Fora Especialistas das “CONFORMIDADES!
    Abs”


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados