09/06/2007
às 5:54Veja 1 – Mais sexo, menos Aids?
“Se você sempre foi cuidadoso e seletivo, poderá elevar a qualidade média do conjunto de parceiros sexuais. Só por entrar no jogo você o torna mais puro. Graças a você, todos os que vão à caça hoje à noite têm uma chance melhor de encontrar alguém saudável.”
“O Terceiro Mundo é pobre: tão pobre quanto os ingleses e americanos da metade do século XIX. Ser pobre significa tomar decisões difíceis, como trabalhar ou comer menos.”
“O motor da prosperidade é o progresso tecnológico, e o motor do progresso tecnológico são as pessoas. Idéias vêm de pessoas. Quanto mais pessoas, mais idéias.”
As teses acima são de Steven Landsburg, professor de economia da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, e estão no livro More Sex Is Safer Sex (Mais Sexo É Sexo Mais Seguro), o terceiro que ele escreveu. Na VEJA desta semana, Marcio Aith traz um pouco do pensamento de Landsburg. Seguem trechos e link:
Equações e estatísticas se prestam a sustentar quaisquer teses e a resolver todos os problemas do mundo. Desde, é claro, que se ajeitem as variáveis direitinho, de forma a atingir o objetivo desejado. Steven Landsburg, professor de economia da Universidade de Rochester, no estado de Nova York, domina essa arte com mestria. Dotado de uma sólida formação matemática, ele se diverte construindo raciocínios lógicos para defender teses politicamente incorretas. Por exemplo: mais sexo pode retardar a contaminação pelo vírus do HIV. Ou: pornografia on-line reduz a ocorrência de estupros. Landsburg é colunista da revista on-line Slate e pioneiro no uso de métodos e ferramentas econômicas para contrariar convicções e desvendar os mistérios da vida cotidiana. O primeiro de seus três livros, The Armchair Economist: Economics and Everyday Life (O Economista de Poltrona: Economia e o Cotidiano), de 1993, serviu como referência a Steven Levitt, autor do best-seller Freakonomics e o mais notável entre a geração dos economistas pop. Ao contrário de Levitt, no entanto, Landsburg não só desafia o senso comum. Também o agride, com um humor lúgubre e com uma lógica nem sempre convincente, mas divertida e suficientemente hermética para não ser desmentida.
(…)
Escreve Landsburg: “Imaginem Martin, um jovem cuidadoso e charmoso com uma história sexual limitada e que flerta com sua colega de trabalho Joan. Martin e Joan nutrem a esperança de ficar juntos na festa de fim de ano da empresa. Infelizmente, ao ir para o trabalho na manhã da festa, Martin lê no metrô um aviso do Ministério da Saúde que prega as virtudes da abstinência e decide faltar à festa. Joan, então, cai nas garras de Maxwell, igualmente charmoso, mas menos prudente. E Joan pega aids”. Por ser mais cuidadoso, sustenta Landsburg, Martin teria o poder de tirar Joan da linha de perigo. Mas e se Martin for à festa e, em vez de ficar com Joan, cair ele mesmo nas graças de Maxwell? Responde Landsburg: “Martin nos prestaria um segundo favor, de natureza macabra: nesse caso, por ser mais recluso que Joan, Martin irá para casa, viverá solitário e, quando morrer, levará o vírus com ele”. E se Maxwell, insaciável, contaminar Joan e Martin na mesma noite? Aí está o calcanhar-de-aquiles da teoria de Landsburg.
Assinante lê a íntegra aqui



Deixe o seu comentário
Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.
» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA
10 Comentários
Anônimo
-04/04/2008 às 13:01
Concordo, em princípio, com a tese do Peregrino. Não sou economista, mas até hoje não deparei com nenhum argumento que me convencesse da viabilidade do propalado “desenvolvimento sustentável”.
Mas pergunto a todos: alguém aí já leu o livro de Landsbrug??
Locão.
-11/06/2007 às 12:40
Eu creio que o espaço dado a esse senhor é muito maior do que ele merece.Na minha infância, lá no interior, havia piadistas do absurdo melhores do que o tal de Landsburg, que conseguiu ficar milionário pregando mentiras de humor discutível. Gosto e admiro a Veja, mas desta vez ,considero lamentável a tolerância que a revista demonstra ao finalizar a reportagem, opinando:
“Além disso, propôs-se a consertar a política, o sistema judiciário e até a combater incêndios – nesses casos, com menos lógica e mais humor. É fácil discordar de Landsburg. O difícil é não se divertir com suas teses.”
Há comediantes bem melhores…
richard
-09/06/2007 às 17:43
“Puis é”, como diria a minha faxineira, o “pobrema” é que a Joan pode ter transado com Maxwell na noite anterior e agora, Martin “sifu”, ou pior, só irá descobrir que “sifu”, com o HIV ou o HPV ou a Hepatite “C”, daqui uns dez anos e ain então, mais um monte de manés do sexo masculino e manés do sexo feminino haverão de ter “sifu” também!
“Né não”?!
Eu acho que esse nosso teórico amigo sofismador é um “tostador de rosca” que quer justificar o próprio pecado e a promiscuidade de uma vida vazia de sentido mas cheia de pegação e agito.
Anônimo
-09/06/2007 às 14:53
VIU COMO POBRE É POBRE PORQUE É DIFÍCIL DECIDIR TRABALHAR???
Anônimo
-09/06/2007 às 14:42
Everett Koop, Reinaldo. Leia sobre Everett Koop. Leia sobre o que ele fez contra a AIDS quando era secretário de saúde do governo Reagan. Leia sobre como ele separava suas convicções religiosas das políticas públicas que deviam ser adotadas contra a propagação do vírus.
Anônimo
-09/06/2007 às 10:58
Porno-liberalismo? Hahaha…
Anônimo
-09/06/2007 às 10:16
imbencilidade total.
Cláudio
-09/06/2007 às 10:02
“Infelizmente, ao ir para o trabalho na manhã da festa, Martin lê no metrô um aviso do Ministério da Saúde que prega as virtudes da abstinência e decide faltar à festa.”
Esse foi um dos raciocínios mais toscos (ou desonesto, sei lá) que eu já vi.
Equivale a:
“Claudio se dirigia à concessionária para comprar seu primeiro carro mas viu um cartaz sobre os males de dirigir embriagado e desistiu de comprar o carro. Astolfo vendeu menos um carro naquele dia por causa da desistência de Claudio e perdeu o emprego. Desesperado, Astolfo assaltou uma loja e matou uma pessoa.”
Fala sério!
Peregrino
-09/06/2007 às 8:11
A tese de “quanto mais pessoas, mais idéias” consagra a explosão demográfica como meio de crescimento econômico. Isto quer dizer que, quanto mais gente, maior produção de idéias (viáveis?) e maior a renda per capita. Ora, o crescimento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento após a segunda Guerra Mundial foi muito maior do o surgimento de novas idéias. Neste caso, a análise correta tem de levar em conta (e eliminar!) o EFEITO DE ESCALA do crescimento populacional no crescimento econômico.
Peregrino
-09/06/2007 às 8:02
OK, Reinaldo!
Mas que o digníssimo chuta uma bola lá na arquibancada quando diz que quanto mais gente melhor, isso chuta. Como ele explica o fato de a China, que tem 1,5 bilhão de pessoas, ser mais pobre do que a Suiça, que tem uma população mil vezes menor?