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USP: A greve que foi sem nunca ter sido

domingo, 28 de junho de 2009 | 8:27

Leia editorial no Estadão de hoje:
*
O fim do semestre e início das férias escolares, na próxima semana, deram à minoria de professores, servidores e alunos que está por trás da greve da Universidade de São Paulo (USP) o pretexto de que precisavam para justificar o fracasso de seu movimento. Os grevistas alegam que o recesso de julho esvaziará o protesto. Na realidade, a greve esteve desde o começo esvaziada, como ficou evidenciado mais uma vez pelo número de pessoas que atenderam à convocação das lideranças sindicais para comparecer a um ato programado na última quinta-feira, em frente à Assembleia Legislativa.

Do total de 5 mil professores, 15 mil funcionários e 86 mil alunos da instituição, só 20 compareceram ao comício. Algo semelhante ocorreu no campus da Cidade Universitária, onde faltam grevistas até para fazer os tradicionais piquetes em frente ao prédio da Reitoria. O maior dos atos de protesto marcados pelo Diretório Central dos Estudantes e pelos sindicatos de docentes e funcionários - uma passeata entre os prédios da Faculdade de Economia e Administração (FEA) e da Escola Politécnica - só reuniu 200 pessoas.

Apesar do espaço desproporcional que lhe foi dado pela imprensa, por causa da presença da Polícia Militar (PM) na Cidade Universitária, a greve em momento algum paralisou a USP. Até no dia e hora em que o professor Antonio Candido deu uma “aula” na qual propôs aos grevistas que “atuem e exagerem”, tanto na capital como no interior as dezenas de unidades da instituição funcionaram normalmente. Na biblioteca da Faculdade de Medicina, por exemplo, a lotação estava quase esgotada. Enquanto na frente da Reitoria o líder dos servidores classificava a greve como “arma histórica dos trabalhadores”, os alunos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, do Instituto de Física, do Instituto de Matemática e Estatística, do Instituto de Química, do Instituto de Ciências Biomédicas, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e da FEA assistiam às aulas e faziam provas - como mostrou reportagem do Estado publicada no dia seguinte.

Desde o início do movimento, fora do campus da Cidade Universitária, o calendário de defesas de dissertação de mestrado e tese de doutorado da Faculdade de Direito foi mantido. Nos campi de Ribeirão Preto, Pirassununga e Bauru, as atividades acadêmicas transcorreram normalmente. A rigor, só nos bandejões e creches, na Faculdade de Educação e em alguns departamentos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) é que alunos, professores e servidores cruzaram os braços.

Isso mostra a falta de legitimidade das entidades sindicais que, vinculadas a facções radicais, tentam se apresentar como porta-vozes da “comunidade uspiana” e defensores de teses libertárias. Além das reivindicações salariais, essa minoria exige a “democratização” da USP - uma proposta absurda, que diminuiria o poder dos professores titulares, permitindo a grupos sem representatividade influir nos destinos da maior instituição de ensino superior da América Latina. “Democratizar a Universidade” é apenas um pretexto para substituir o princípio do mérito pelo “participacionismo” e pelo corporativismo.

Basta ver, nesse sentido, as outras reivindicações dos grevistas. Eles querem a efetivação de servidores contratados sem concurso. E, sob a justificativa de defender o “ensino presencial”, opõem-se à aprovação do projeto de criação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, cuja finalidade é oferecer formação superior aos segmentos mais desfavorecidos da população, por meio de cursos a distância. Além disso, sem trabalhar há 50 dias, os grevistas já cogitam de incluir na pauta de “negociações” com a Reitoria o pagamento pelos dias não trabalhados, em troca das desmoralizadas “compensações”.

Ao analisar a greve em artigo publicado no Estado, um dos mais respeitados professores da USP, José Arthur Giannotti, depois de criticar as “arruaças intimidatórias” da minoria grevista, lembrou uma lição que não pode ser esquecida. A “voz libertária dos porta-bandeiras” que pedem a democratização da Universidade e criticam a presença da PM para assegurar a ordem pública na Cidade Universitária “está associada à violência dos protofascistas”, afirmou.

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24 comentários em “USP: A greve que foi sem nunca ter sido”

  1. Verônica disse:

    Enquanto os esquerdalóides cometem suas sandices, pesquisadores sérios, como meu orientador, trabalham para produzir as pesquisas de excelência que fazem a USP crescer nos rankings mundiais. Outro dia estava na biblioteca da FFLCH e vi um desses jornais de sindicato. Eles exigiam que a reitoria repassasse o dinheiro do mérito de pesquisadores como meu orientador e meus colegas de laboratório para os “trabalhadores” que suspostamente seriam os verdadeiros responsáveis pelo crescimento da USP. Que raiva senti. Enquanto trabalhamos dia e noite, essa laia - que nos boicota - ainda se sente no direito de pedir mais.

  2. rocket disse:

    Entra década, sai década e os esquerdopatas ruminantes continuam com os mesmos métodos! Não é à tôa que o ensino público, especialmente o superior, aqui no Brasil é um lixo, donde pouco se aproveita. Alguns critérios de permanência num curso superior deveriam ser modificados pela cobrança de resultados dos discentes e dos docentes. Quem não atingisse um patamar mínimo, seria excluído sumariamente. Caso quisesse retornar para a instituição, deveria voltar à estaca zero, ao início e passar por outra bateria de exames, como um vestibular ou uma banca de examinadores. Quem quer estudar, fica. Quem quer tumultuar, cai fora!

  3. Marcelo disse:

    Reinaldo, reflita sobre a Univesp.
    Será que é mesmo possível a formação de bons profissionais através de um curso a distância? O discurso da democratização do ensino é bonito no papel, mas perverso na prática. Formará profissionais de baixa qualidade sem a mínima condição de encarar uma sala de aula, já que o projeto, a priori, é para cursos de licenciatura. Dois objetivos, no mínimo, são claros: a criação de um exército educacional de reserva e redução de salário dos professores do ensino público.

    REINALDO AZEVEDO RESPONDE:
    Você já me viu aqui a apoiar essa estrovenga? Eu não! Quero saber é por que os nossos “bolivarianos” não atacam também o programa do governo federal. Só na USP ele é problema? Ora… De todo modo, acho essa possibilidade superir a algumas faculdades do ProUni, que não servem nem para catar titica.
    abs,

  4. caipira disse:

    Pagamento dos dias parados porque ?

  5. Deise disse:

    Reinaldo. Essa pseudo-greve da USP não passa de um movimento de uma minoria de estudantes e sindicalistas vagabundos, uns que não querem estudar e se transformam em estudantes profissionais alojados em cursos porcarias, e outros mais vagabundos ainda que não querem trabalhar e usam esses bobocas como massa de manobra para se projetarem politicamente. Se fizermos um levantamento, veremos que a maioria dos sindicalistas já foram candidatos, são candidatos ou se encontram eleitos para algum cargo legislativo .

  6. ALUNO DA USP disse:

    OS OBJETIVOS DA QUADRILHA DO BRANDÃO SEMPRE FORAM ESSES: FECHAR AS CRECHES E GANHAR SEM PRECISAR TRABALHAR.

    CAPITANEADOS “IMTELEQUITUAUMENTI” PELA PROFa. DRa. MARILENE CHAUI, A PROTO-FASCISTA QUE TROCOU A ÉTICA DE KANT PELO MODUS OPERANDI DA MILÍCIA BASIJ, ESSES VALENTES CONSEGUIRAM GRANDES VITÓRIAS:

    1-VANDALIZARAM E DEPREDARAM A USP
    2-ESPANCARAM ESTUDANTES E AMEAÇARAM PROFESSORES
    3-FECHARAM O BANDEJÃO
    4-IMPEDIRAM O FUNCIONAMENTO DOS CIRCULARES
    5-CORRERAM DE MEDO DA PM, COMO MARGINAIS

  7. Juliana disse:

    Falidos… adoro!

    E graças a Deus que eu estou saindo desse lugar besta que é a FFLCH.

  8. Jacaré disse:

    USP-Só mais um micro episódio de que a revulução purgadora está a caminho.
    Nesta, enterram as esquerdas!
    A mudança para o século 21 já começou.
    Fim do socialismo marxista.

  9. Carlos Magno disse:

    Finalmente uma análise lúcida desse episódio envolvendo a USP. Mas não há o que comemorar. Infelizmente, ano que vem, em meados de maio, teremos mais uma “greve” na USP protagonizada pelos mesmos acéfalos de sempre…

  10. Edna disse:

    A maioria silenciosa desmascarou e desmoralizou os vagabundos do sindicato.

  11. BOB disse:

    SOU CAPAZ DE APOSTAR QUE A CRISE NO SENADO VAI PELO MESMO CAMINHO. LOGO TEREMOS O RECESSO PARLAMENTAR, OS NOBRES SENADORES VÃO PASSEAR COM SUAS ESPOSAS E AMANTES MUNDO AFORA, TUDO PAGO COM NOSSO DINHEIRO, E EM AGOSTO O ASSUNTO ESTARÁ ESQUECIDO.

  12. Julia disse:

    REI…a greve entrou de férias…não deixa de ser engraçado e ridículo…a turma do Brandão vai ter que trabalhar nas férias…

  13. jonas disse:

    Onde eu assino?

  14. Ed> disse:

    amigos, eu creio que essa greve tem muito com o PT e o presidente lulla…ele s querem com essa baderna, enfraquecer o ensino para que ignorantes proliferem em massa engordando assim as fileiras do partido…nao tem nada com melhoras na qualidade do aprendisado.

  15. Mariazinha disse:

    O pessoal do Sintusp já pode gozar merecidas férias depois de tanto labutar pelo fim do capitalismo e do ensino a distância, provavelmente irão para algum resort no nordeste tomar banho de sol e definir os rumos deste movimento jurássico. Enquanto isso, os 99% que não apoiaram a greve, devem continuar a fazer o que já fazem, ou seja, estudam e planejam um futuro melhor.

  16. Pantaneiro disse:

    Titio.
    Chamam esse greve de libertária, eu chamo de liberticida. Esses arruaceiros estão querendo libertar a USP depressa demais. Já vi isso ocorrer na extinta UNião Soviética, na China, em Cuba, no Vietnã, no Camboja. Lá eles assassinaram milhões, aqui vão assassinar intelectualmente uma nação inteira. É a oplítica da terra arrasada dessa gente fascista: se não for o meu pensamento, então não será o de ninguém. Sou funcionário público, professor de uma unversidade pública, professor assistente, dando um ralo para começar o doutorado e digo: Serra, corte o ponto desses vagabundos e demita se passaram de 30 dias parados. Falei?

  17. annalygia disse:

    É, Reinaldo, só o errinho apontado por Joel — ou se trataria de outra manifestação, já que a dos estudantes contrários à greve estava programada para terminar na Pça. do Relógio? — me permitiria dizer que este editorial poderia não ter sido escrito por você.

    Alías, aqui ficou evidenciado como opera a “maioria silenciosa”. Ela não opera pela via do enfrentamento, ela opera como a água que tanto bate na pedra que a fura.

    Vinte pessoas na manifestação em frente à Assembléia Legislativa. E a Laura Caprilglione não estava lá para registrar a presença récorde? Puxa, ainda bem que ela e o editor que a chancela são imparciais. ‘maginem se não fossem…

  18. PSC disse:

    As sucessivas greves que este pessoal tem realizado mostra-nos um lado positivo, a cada ano fica mais clara os motivos políticos que nada tem com o aperfeiçoamento da universidade.
    Comparando-se o Movimento passado de invasão da Reitoria e deste ano vemos o completo esvaziamento das greves e conseqüentemente do poder dos sindicatos.

  19. Hugo - Corinthians disse:

    A maioria anti-greve, em sua silenciosa manifestação de simplesmente estudar e ignorar os radicais, foi eficaz em esvaziar o movimento esquerdo-fascista dos grevistas.

  20. J.Freire disse:

    Reinaldo,
    depois dizem que voce tem preconceito com determinadas escolas. As Faculdade de Educação, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Escola de Comunicações e Artes (ECA) e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), foram alguns alunos dessa faculdades que aderiram a esta pseudo greve. Por que? Você já explicou em posts anteriores. São os alunos “cabeças”. Para eles, pensar dói.

  21. Uber disse:

    Chegou um tanto tarde esse editorial!

  22. carlos amendola disse:

    Antigamente, no Brasil, os canalhas usavam o socialismo para justificar as greves. Hoje, a gentalha usa a democracia para esconder o verdadeiro objetivo da greve. E ainda encontramos intelectuais que aprovam esse tipo de baderna que os sindicalistas promovem. É lamentável!

  23. Joe disse:

    Só houve um erro no editorial do Estadão: a passeata entre a FEA e a Poli, que reuniu duzentas pessoas, foi um ato contra a greve, e não a favor da greve.

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