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Um caso evidente de mau gosto. E de censura!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008 | 5:17
Um carro alegórico com bonecos simulando corpos de judeus mortos durante o nazismo, onde está um destaque fantasiado de Hitler, é uma coisa de bom gosto? Ah, não é mesmo, especialmente se, à volta, rolam o maior ziriguidum, o maior balacobaco, o maior telecoteco.

Mas a decisão da juíza Juliana Kalichszteim, que proibiu o desfile do carro, atendendo a uma ação impetrada pela Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro), é absurda e caracteriza censura. Segundo Juliana, “um evento de tal magnitude [o Carnaval] não deve ser utilizado como ferramenta de culto ao ódio, de qualquer forma de racismo, além da clara banalização dos eventos bárbaros e injustificados praticados contra as minorias”.

Está tudo errado. Que ódio estava sendo fomentado ali? Que se saiba, era uma alegoria crítica ao nazismo, acusando a sua estupidez. A não ser que ela tenha decidido ser prudente contra a incitação do ódio aos… alemães e ao tarado austríaco. Mas não era o caso, não num desfile. A acusação de “banalização” é complicada. Quer dizer que um carro alegórico não poderia reproduzir, por exemplo, negros no tronco durante a escravidão? O holocausto não é uma tema privado dos judeus. Ele pertence à história. Não existe um Manual de Bons Procedimentos para Tratar a Questão Judaica.

“Só cogitar botar uma figura como a do Hitler em cima de um carro onde estão esqueletos de judeus mortos já representa total irresponsabilidade e maneira não-séria e não-respeitosa de tratar o tema”, afirmou Sérgio Niskier, presidente da Fierj.

Ele está errado de muitos modos. Em primeiro lugar:
- eram bonecos, não eram judeus;
- era uma pessoa representando Hitler, não era Hitler;
- sempre que alguém se referir ao Holocausto, a figura de Hitler estará presente.

Ademais, que fique claro: o conjunto da obra, ainda que possa ser de gosto duvidoso, não fazia a apologia do ditador nazista, é claro. “Não percebia atitude racista, anti-semita ou discriminatória até ontem [anteontem], mas não sabíamos que teria uma pessoa representando Hitler. Agora, perdemos a confiança de que o tema pudesse ser tratado com respeito”, afirma o presidente da Fierj.

Acho que o sr. Niskier navega em águas perigosas. Há a óbvia sugestão de que o carro fosse expressão de anti-semitismo, de racismo. E, obviamente, não era. Mais: racismo é crime. E acusar injustamente alguém de racista é calúnia, o que também é crime. Era direito seu recorrer à Justiça. A juíza deu a sua sentença. E é um dever nosso protestar contra a censura. Não se pode impedir alguém de desfilar, dizer, pintar o que quer que seja porque não consideramos o censurado profundo o bastante.

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111 comentários em “Um caso evidente de mau gosto. E de censura!”

  1. RoboCop disse:

    Jaques Gheiner, sou descendente de italianos mas apóio tudo que você escreveu.

    Também acho o fim da picada esquerdinhas “anti-nazistas” ficarem justificando as atrocidades que palestinos e mulçumanos fazem mundo afora, seja com judeus, católicos, etc, etc e etc.

    Como meu pai sempre dizia:
    Quando você critica alguém, não pode querer fazer o mesmo que este.

  2. Jaques Gheiner disse:

    Gostaria de levantar os seguintes pontos sobre o seu artigo:

    1) A questão não é se são atores vivos judeus ou não-judeus ou se são bonecos.
    Tampouco se é um boneco de Hitler ou o próprio reencarnado. A questão é
    a mensagem que se está passando.

    2) Penso num desfile em que um conhecido traficante fosse apresentado como
    figura dominante em relação a cidade em que está inserido. Poderia perfeitamente
    ser entendido como uma homenagem ao traficante, como uma apologia do poder
    paralelo. Claro que sempre se poderia dizer que ali está uma crítica a nossa realidade.

    3) Assim também a figura de Hitler “pisando” e sambando em cima de cadáveres
    (judaicos?) pode perfeitamente ser visto como uma homenagem e uma apologia
    ao que Hitler representou e representa. Como poderia ser defendido que ali está uma
    crítica a História do holocausto.

    4) Há uma diferença fundamental entre a questão da escravatura e a questão judaica.
    Explico. É que com a questão dos escravos a sociedade assume sua história e seus
    erros. E mesmo aqueles que são racistas no sentido de cor não vem a público se manifestar
    por saberem do sempre presente patrulhamento contra o racismo de cor. Também a mídia não tem
    viés racista de cor. O mesmo não se pode dizer da “questão judaica”. Os anti-judeus
    se manifestam de forma direta e principalmente indireta. O ataque a Israel travestido de
    ataque político quase sempre tem o componente anti-judaico por trás. Por outro lado
    o tratamento com mão de ferro da mídia contra os revides israelis às agressões do Hamas
    em contrapartida com um tratamento justificador do terrorismo palestino — terroristas
    viram militantes, assassinos viram rebeldes com causa e as vítimas judaicas nunca
    tem o mesmo tratamento compassivo que as vítimas palestinas — são denunciadores
    de um anti-judaísmo forte e latente na mídia.

    5) Então, dado esse ranço anti-judaico que dois mil anos de Igreja católica incutiram
    na sociedade ocidental, é de bom tom que representantes da sociedade judaica escrutinem se
    numa manifestação alegórica não poderia estar embutido uma apologia ao que foi o holocausto ao invés de
    ser uma crítica ao mesmo holocausto. De resto misturar samba e batuque com a dor que o holocausto
    provoca nos poucos sobreviventes e nos muito judeus que perderam parentes queridos no horror nazista
    não me parece de mau gosto mas de péssimo gosto correndo o risco total de falta de respeito e consideração
    com a dor alheia.

    6) Mais um ponto. Nós judeus cultuamos as nossas tragédias. Fazemos questão que
    a memória delas permaneçam vivas. É uma opção sábia para que elas não se repitam e para que reaprendamos
    sempre as lições da História. O Holocausto especificamente foi de tal ordem de magnitude e ainda tão recente que
    as feridas dele ainda estão abertas (para o bem na minha opinião) e a questão do respeito se coloca de forma
    exacerbadamente acentuada.

    7) É preciso refletir sobre a utilização do conceito censura como uma licença para se ser permissivo e desrespeitoso.
    O carnaval é uma festa permissiva e irreverente por sua natureza. Não significa que tenha a priori liberdade para engolfar
    qualquer tema nesta licensiosidade.

    Abração,
    Jaques Gheiner

  3. André Antunes disse:

    A seguir o raciocínio do presidente da Fierj e da juíza, e os filmes sobre o holocausto não trariam a figura de Hitler nem suas atrocidades. Seriam anódinos.Quem está sendo anti-semita afinal?

  4. Anônimo disse:

    Silvia,vc. bebeu,é? Você escreveu:”silvia disse…
    Permitir o mau gosto extremo ou não? está aí uma decisão complicada, os dois lados tem bons argumentos…

    8:41 AM”

    “Permitir o mau gosto extremo,ou não,tem bons argumentos”,SOBRE FATOS TERRÍVEIS COMO O HOLOCAUSTO,TAMBÉM????????O que é,pra você,o significado de “bons !argumentos!”,em casos como esses???!!!Como vc. JUSTIFICARIA o INJUSTIFICÁVEL,à luz dos valores e princípios morais cristãos,um mau gosto monumental como esse???!!!É,na minha ótica,algo muito grave alguém usar a arte para levar ao público,num momento festivo,leve,festeiro,algo MACABRO.Totalmente equivocado,abusado,tolo,infantil,estúpido,para dizer o mínimo,a iniciativa de tal “escola” carnavalesca…

    VC. ao que parece,foi cooptada ou aderiu ao mau gosto do Esquerdismo ou do ateísmo militante!Espero estar equivocado!Parece que vc. perdeu as proporções das coisas!É muito triste ver isso!Pesquise,leie,veja fotos,filmes(documentários raros e difíceis de serem vistos no Brasil,acerca dos genocídios praticados pelos nazistas e PRINCIPALMENTE pelos comunistas ao longo do Século XX-é de chorar ver até que ponto chega a insensatez e a insensibilidade humana!!!)…

    Sugiro o blog do Cavaleiro Conde,para ver fotos e textos sobre a carnificina-caso tenha estômago para isso-,sobre a covardia,a crueldade,o MAR DE SANGUE(!!!),que foi o GENOCÍDIO comunista pelo mundo,no séc. XX.

    O acesso ao blog é:http://www.cavaleiroconde.blogspot.com/

    VALE A PENA CONHECER!

    Procure-no referido blog - pelo mês de Outubro de 2007.Ali vc. terá uma pálida-mas chocante-noção sobre O QUE FOI,É e SERÁ o TOTALITARISMO ESQUERDISTA/ATEÍSTA…

    Boa Leitura!

    KIRK

  5. Quintans disse:

    Pois é. Alguém tem que fazer uso irrestrito do Holocausto, seja como ferramenta de promoção, denúncia, por vezes, até, de auto-comiseração. E esse alguém SEMPRE, segundo a visão limitada e distorcida da comunidade judaica MUNDO AFORA, deve ser judeu. Nada contra, mas é o que o reinaldo disse: fosse um tronco com escravos sendo chicoteados, aposto que os movimentos negros seriam tachados de “exagerados”.

  6. Anônimo disse:

    Referência ao Anônimo das 9:49

    Bom, não acredito que estou dando pitaco neste tema!

    Não gosto lá muito do carnaval (sou bom de cabeça e tenho um belo pé!). Acho que na grande maioria das vezes o carnavalesco não é nada feliz na representação de suas idéias. Mas no fundo mesmo, o que o pessoal quer ver são as mulatas rebolando e não a ala das baianas…

    O mais importante para mim dos comentários postados foi o do ANÔNIMO DAS 9:49!

    A comunidade Judáica não deveria usar este expediente sórdido de procurar alguem que tivesse absoluta simpatia pela causa para facilitar a decisão favorável.

    É um golpe sujo e pobre!

    A juíza descendente do sofrido povo judeu deveria se abster da decisão, já que nada tinha de urgente.

    Talvez ela devesse mandar fechar o Museu do Holocausto em Washington.

    Esse país é realmente interessante e burro!

  7. Anônimo disse:

    Talvez pelo próprio sobrenome Sua Execelência a Dra. Juíza deveria se eximir de julgar a causa. Na minha opinião nãoa haveria apologia, não seria apresentado o carro em tom de piada e sim parte de um conjunto de uma obra (como se costuma dizer, uma ópera carnavalesca). Caberia ao público e julgadores saber após o que quis dizer a Escola com aquilo, aplaudindo ou vaiando (instrumentos próprios populares).

  8. Anônimo disse:

    Anônimo,às 10:21 PM,o que é isso?Calma!Calma!Calma!larga esse ódio ou inveja do povo judeu,caramba!Vc. citou o caso dos cigano!Então,aonde estão os ciganos sendo mal representados,a exemplo desse mau gosto,motivo destes comentários!Por que os judeus deveriam abraçar TODAS as atrocidades?Cada povo deve se pronunciar contra,via a Justiça,se necessário for,caso haja crime!Assim,os povos que SOFRERAM o GENOCÍDIO pelo COMUNISMO/SOCIALISMO/MARXISMO/NAZISMO devem protestar contra a presença de símbolos e Partidos que se identificam com essas ideologias genocidas.No Brasil,por exemoplo,existe um partido que DEVERIA ser proibido a sua existência:o Partido Comunista Brasileiro.

    O jornalista Dario Di Martino,em seu livro “É PROIBIDO!”,escreve:Pedir a proibição do uso do símbolo comunista no Brasil não é um absurdo e não é novidade,pois no governo Gaspar Dutra,em 1947,o Partido Comunista Brasileiro era proibido no Brasil e colocado na ilegalidade.Mas o meu desejo é que os Direitos Humanos neste país possam fazer justiça,ao menos por aqui,a mais de cem milhões de mortos no mundo.Se o nazismo tem de ser proibido,e isso é justo,o comunismo também deve ser,afinal,matou qratro vezes mais que o nazismo e fica imune.”

    É…A lavagem cerebral via guerra cultural ou marxismo cultural-via gramcismo,Marcuse,Foucault(ESCOLA DE FRANKFURT)-,está dando certo!E o exemplo está aqui mesmo,nos participantes deste maravilhoso blog:pouquíssimos(!!!)participantes sabem o que representou,em mortes de INOCENTES,o G-E-N-O_C-Í-D-I-O ESQUERDISTA/ATEÍSTA chamado COMUNISMO/SOCIALISMO/MARXISMO/NAZISMO…

    Para encerrar,vou citar os dois primeiros parágrafos do artigo “A Direita Autocastrada”,do filósofo Olavo de Carvalho:

    “A direita autocastrada

    Olavo de Carvalho
    Diário do Comércio, 28 de agosto de 2006

    Quando me perguntam como quebrar a hegemonia esquerdista, a primeira fórmula que me ocorre é a do poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal: “Nada se torna realidade na política de um país se antes não está presente, como espírito, na sua literatura.” A palavra “literatura”, aí, tem a acepção ampla de cultura superior escrita. Criem uma cultura superior na qual predominem os valores liberais e conservadores, e a esquerda não terá mais chance na política. Este resultado não se seguirá automaticamente, é claro, mas sem essa limpeza prévia do terreno mental nenhuma iniciativa política poderá prosperar contra o esquerdismo triunfante e monopolístico.

    Entrem numa livraria qualquer e verão nas prateleiras a demonstração clara do que estou dizendo: a ascensão do império petista foi precedida de meio século de ocupação do espaço cultural. Antes de o Estado ser engolido pelo PT, impregnaram-se de esquerdismo militante as idéias, os juízos de valor, as palavras, os sentimentos, até as reações automáticas de aplauso e rejeição. A esquerda dominou de tal modo o imaginário nacional que até quem a detesta não ousa criticá-la senão nos termos dela, como se fosse possível derrotar politicamente o inimigo fortalecendo o controle ideológico que ele exerce sobre a sociedade. Políticos tarimbados como os srs. Marco Maciel, José Sarney ou Cláudio Lembo mimetizam o discurso politicamente correto, esperando atenuar sua imagem de “direitistas” e só conseguindo com isso atrair, junto com o ódio usual, uma boa dose de desprezo.”

    KIRK

  9. Ateu revoltado disse:

    Entendo a insatisfação da comunidade judaica (e, vez por outra, a católica) em se ver representada numa festa pagã com símbolos (quer negativos, quer positivos) caros as suas crenças monoteístas. No entanto, bastaria ’solicitar’ a retirada da Besta (a.k.a Hitler) e o carro alegórico seria apenas uma idéia de ´mau gosto´, fora de contexto, na grande palhaçada anômica e imbecializante (brincadeira alguém dizer que desfiles de escolas de samba ensinam - sic - algo a alguém!) que é o Carnaval brasileiro. Nada obstante o fato de várias vezes representações de escravidão e/ou genocídio de negros, índios, mulheres e crianças teram sido apresentadas, sem que NINGUÉM ousasse impedir seus desfiles, a liminar (muito provavelmente parcial e/ou tendenciosa, haja vista o sobrenome da juíza que a concedeu) é verdadeira peça de CENSURA PRÉVIA, incompatível com o Estado democrático de Direito. Lamentável a atitude “na surdina da madrugada” da FIERJ que, muito provavelmente, fará mais mal à imagem do povo judeu (ao menos no Brasil), mostrando-o, EQUIVOCADAMENTE, como um povo intolerante, auto-centrado, mesquinho e (solertemente) “influente” nas decisões (sic) do Estado brasileiro. Profundamente lamentável esse episódio.

  10. Márcia disse:

    Sugestão de tema para o próximo Carnaval da Liberdade de Expressão:

    “Protesto contra a exploração sexual infantil”

    Descrição da alegoria:

    Bonecos representando crianças de dois a treze anos de idade, nuas, sendo curradas por bonecos representando turistas europeus, adultos.

  11. Salvador de Farias disse:

    Como se vê, o problema central é a capacidade de discernimento e o bom-senso do juiz. Mas este foi escolhido em concurso público, talvez com questões de múltipla escolha ou ainda alvo de fraudes. Que qualidade pode advir daí?

  12. becky disse:

    Fiquei muito assustada com os comentários de inúmeros leitores no globo online, destilando preconceitos usando uma lógica tão duvidosa quanto a lógica que norteia o fanatismo…
    Os comentários no seu Blog são bem mais equilibrados….
    Mas não posso deixar de me manifestar em relação aos que, pelo fato da juíza ter sobrenome judeu, a desautorizam no seu julgamento…
    No Brasil, por enquanto e apesar do Lula, não há, que eu saiba, menção religiosa em qualquer documento de identificação…
    Fico muito triste, sinto discriminação nesse tipo de raciocínio!
    Essa juíza pelo fato de ser supostamente judia não tem o direito de exercer plenamente a sua profissão?

  13. becky disse:

    Me incomodou muito a ideia da figura representando Hitler sambando em cima dos corpos!
    Reinaldo, excepcionalmente recomendo
    a leitura do texto do Sergio Besserman sobre o assunto; acho que ele foi muito feliz na escolha do universo para as suas colocações:

    “Pedir bom senso no carnaval é um contrasenso já que o senso comum é que no carnaval muito senso é ruim. Mas acontece que tava tomando um blog no chope do Aydano e na mesa ao lado está rolando uma polemica interessante.

    Sobre o enredo ” É de Arrepiar”, da Viradouro, o Aydano escreveu: ” Equilibrar-se na fronteira da inovação esconde alguns perigos. E Paulo Barros pode naufragar num deles, com a idéia de carnavalizar um fato histórico tão terrível como o holocausto que massacrou os judeus na II Guerra… há temas impossíveis de carnavalizar - pedofilia, câncer, massacres étnicos. Mas o desfile tem espaço para crítica, pode-se ponderar. E ainda assim, haverá um limite…”

    Os polemistas no chope alegam que se o sofrimento dos negros, escravizados e oprimidos por séculos já foi tantas vezes retratado na Avenida, porque o holocausto não seria tambem carnavalizável?

    Temas delicados , racíocinios delicados. Entre os séculos I a.C. e I d.C. viveu um sábio rabino chamado Hilel. Certa vez um candidato à conversão o desafiou a lhe ensinar toda a Torá ( básicamente o Antigo Testamento da Bíblia Sagrada ) no tempo em que ele conseguisse permanecer em pé numa perna só. Hilel disse : “O que não desejas para ti, não faça ao teu próximo. O resto é comentário. Vai e estuda”.

    Quando Zumbi aparece na avenida não é fixando na memória coletiva o sofrimento e a humilhação dos negros massacrados na sua derrota final. É expressando o que ele era, um quilombola !Quando o navio negreiro adentra a Sapucaí, ecoam as palavras libertárias de Castro Alves.

    Vamos ver o outro lado : poderia ser tema de carnaval o sofrimento das mães de jovens negros que morrem em quantidades de navios negreiros no Brasil de hoje ? Pode ser tema da Sapucaí o genocidio em Ruanda? A multidão de indios brasileiros alcoolatras , desesperados pela falta de perspectivas e oportunidades, é um bom tema para a Viradouro?

    ” O que não desejas para ti, não faça ao teu próximo”. Os judeus vem sendo mortos, perseguidos e humilhados há muitos séculos, não apenas no monstruoso genocídio nazista. E tem resistido e lutado. Froim Besserman, meu avô ( veja a primeira postagem desse blog ) era o caçula de oito irmãos, todos mortos. Todos nos campos e acho que uma irmã resistindo no Gueto de Varsóvia. Um Besserman, não posso garantir que era parente, morreu em ação na cidade de Kiev lutando no exercito vermelho. Jack Besserman, canadense, morreu nos ares da Sicilia pilotando um caça da Air Force. Havia muitos Bessermans. Hoje no mundo todo nos contamos nos dedos das mãos.

    Apresentar a saga do judeus no carnaval? Claro, porque não? Com humor, ironia, até mesmo falando sobre o nazismo? Desde que com arte, porque não? Quem já viu o hilariante filme Primavera para Hitler, do judeu Mel Brooks, que o Fallabella montou no teatro? Em matéria de piadas de judeus, mesmo as bastante ferinas, ninguem supera os próprios judeus. E sabe porque? Bem, tem sido um bom negócio…

    Mas em um contexto onde a lembrança, o humor, a ironia, o carnaval, até mesmo a sacanagem, sejam alimento para o espírito e arma para o exercício da rebeldia e do pensamento crítico. Jamais como banalização da violência. Porque carnavalizar fora de contexto um sofrimento cujo único fruto é a permanente lembrança como uma importante e dolorosa cicatriz na consciencia da humanidade?

    Vejam o samba-enredo :

    ” Eu sou sincero com esses seres eu me pelo

    De vassoura ou de c

  14. Rafael J. disse:

    É Reinaldo, costumo gostar do que o senhor escreve, mas acho q o senhor se equivocou aqui…

  15. Márcia disse:

    Foi na antiga revista Manchete que vi imagens do Holocausto pela primeira vez. Eli Wiesel disse que o Shoah foi um acontecimento de proporções cósmicas, e ele deve ter razão, porque eu tinha uns oito anos e senti um abalo terrível, que se repete até hoje por uma foto ou um livro sobre o assunto.
    O Holocausto não cabe em um carro de escola de samba, nem mesmo como homenagem. O carro era impróprio, sim; era ofensivo, sim; era chocante e de mau-gosto, sim, e a decisão da escola de mantê-lo inalterado até provocar uma ação judicial foi, acima de tudo, perversa, porque era óbvio que a comunidade judaica se ofenderia, era óbvio que reclamaria (e o fez com muita civilidade, registre-se), e era muito provável que recorresse à Justiça.
    Se estivesse interessada mesmo em homenagear as vítimas do Holocausto, a escola teria procurado um acordo mínimo com a comunidade. Mas a Viradouro preferiu silenciar, para depois jogar com a carta da liberdade de expressão cerceada. Quem não percebe aí o velho padrão de provocar ao máximo e se queixar da reação depois, de modo a culpar o ofendido? São oportunismos assim que vamos defender em nome da liberdade de expressão?

  16. Anônimo disse:

    Parabéns. Desta vêz a justiça não
    “bateu murcha.”
    O holocausto é sério demais para
    troçar sobre ele. Apologia ao na-zismo ou não,foi de uma criativida-
    de simplória.
    Na Europa chora-se nos museus e lo-cais onde eram os campos de exter-
    minios;aqui sambam sobre as repre -
    sentações esqueléticas-macabras dos
    exterminados lá.
    Nos campos “saia-se sòmente pela
    chaminé.”(na fumaça dos corpos in-
    cinerados.Aqui saiu(e bem a tempo)
    para o bem de todos, da avenida.
    Holocausto e samba não combinam.

  17. Augusto da Paz se explicando disse:

    Eu sei que é EFÊMEROS, caceta!
    Foi um lapso de digitação.

  18. Anônimo disse:

    AFF,carnaval veio da África??Como podem dizer tamanha bobagem?De lá veio muita coisa ruim e feia, mas carnaval NÃOOOOOO!

    E tem mais: por que os judeus só falam deles no Holocausto?
    Ainda não aprenderam a não olhar só o próprio umbigo?Se é uma questão de respeito a dor, com justa razão, será que se lembram da dor dos outros também?Fosse uma alegoria de uma lago coalhado de corpos afrcanos tomariam as dores e iriam à Justiça?Vamos ver no futuro se o farão,por certo barbárie semellhante em carnaval se repetirão.Fiquei decepcionada com esse detalhe: só pensaram neles.Ciganos não reclamaram? foram praticamente dizimados no Holocauto,e então?não se ofenderam também?

  19. beths disse:

    Tio Rei,
    Sei não…mas acho que o nazismo e o holocausto não são temas para carnaval. Foram horrores sérios demais e não podem ser banalizados. Podem me chamar de reacionária ou qualquer outra coisa, mas acho desrespeito. Daí a aceitar censura… nem morta!

  20. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    Pelo menos, o bom senso venceu.

  21. Anônimo disse:

    Baita MAU gosto: como tudo nesses desfiles carnavalescos de mulheres nuas rebolando seus pneus (naturais) e peitões (pagos em prestações).Essa festa brega patrocinada pelo narcotráfico é uma das vergonhas nacionais.Dê-lhe circo…

  22. Anônimo disse:

    FOI CENSURA SIM! É UM ABSURDO NÃO PODERMOS VER AQUELES CORPOS EMPILHADOS NA AVENIDA. ACHO QUE AÍNDA DÁ TEMPO…ATENÇÃO VIRADOURO! VAMOS APROVEITAR ESSE CARRO! COM UMAS PEQUENAS ALTERAÇÕES TRANSFORMAMOS ELE NUM AVIÃO E COLOCAMOS EM CIMA 200 SAMBISTAS FANTASIADOS DE TOCHAS HUMANAS. NA FRENTE UMA TABULETA DIZENDO: ACIDENTES AÉREOS NUNCA MAIS. COMO? AS FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS FICARÃO CHOCADAS? QUÉ QUÉ ISSO! QUE ABSURDO!!! E A MARAVILHOSA LIBERDADE DE EXPRESSÃO? CENSURA NUNCA MAIS!!! E VIVA A IDOLATRIA!

  23. Bruno disse:

    Reinaldo, eu concordo com você em praticamente tudo, mas não dá para você me dizer que uma imagem de Hitler sobre bonecos representando corpos de judeus, tudo balançando ao som de samba, num ambiente de euforia e alegria, pode ser considerado correto. Não era fomento ao ódio, mas a decisão da juíza ao menos repôs o bom senso no lugar. Não importa o que ela tenha escrito na decisão, tenho certeza que o objetivo era esse, e foi alcançado.

  24. richard disse:

    Katso, gente (ou “cazzo”, se quiserem)!

    É MAU-GOSTO e não MAL GOSTO, caramba!

  25. Anônimo disse:

    FALTOU ISENÇÃO À JUÍZA

    Pelo sobrenome da magistrada, ela devia ter se dado por suspeita (é uma figura processual que se usa quando o juiz não tem imparcialidade para julgar o caso)

  26. Elstir disse:

    Paulo Portinho, de 01:13PM e Paulo, das 08:19AM, voces falaram por mim.
    Elstir

    PS- Mudando de pato a ganso, acho que muitos aqui estao deixando a gramatica de lado. Eh mal gosto pra ca, mal gosto pra la…Nao ofendam o Rei, oh vassalos.

  27. Marieta disse:

    Reinaldo,
    Como as pessoas tem argumentos, hein? E ainda tem os “certinhos” que acham que o problema é dos judeus…. Fiquei assutada! Até parece que o holocausto é um problema só dos judeus!
    Que horror! Estamos mesmo sem liderança intelectual nesse país!Não aos “politica e etnicamente corretos”! Não aos exibicionistas! Não aos irresponsáveis! Não ao Carnaval de sambódromos! Não à oficialização da mediocridade! Chega! Que saco!
    Marieta (irritadíssima!)

  28. Anônimo disse:

    Na Palestina, os judeus também procuram e produzem seu “Espaço Vital”
    Imagine se por decreto da ONU, os índios Sioux retomassem o controle de parte do território Americano.
    Depois de 500 anos os Índios Tupi-Guaranis retomassem todo o litoral brasileiro.
    A ONU prometeu à um povo sem terra, uma terra sem povo.
    Mas lógico, os US$ não tiveram nada com isto.

  29. Tomate disse:

    Tio Rei,

    O que o pessoal parece ter esquecido é o senso das proporções. A idéia foi de mal gosto ? Foi, sem sombra de dúvida, mas daí até ser proíbida pela justiça há um abismo, o abismo da censura e do cerceamento da liberdade de expressão.

    O mal gosto e a falta de tato da escola deveriam ser “punidas” pelos julgadores, na hora de avaliar o desempenho da escola, por uma manifestação do público, ou qualquer outra forma de expressão da opinião “divergente”, a considerar que o ato foi impróprio.

    Diferente do que faz o ministro Temporão no caso de Recife, não acho que tenham exorbitado ou agido injustamente por entrar com a ação na justiça. A decisão da juíza é que foi desproporcional (sem entrar no mérito de como e por quem a decisão foi proferida).

    O holocausto é um fato histórico, e apesar da patrulha do politicamente correto não gostar, Hitler em cima de uma pilha de cadáveres não é uma forma tão absurda de simbolizar ou caricaturar o fato - e, novamente, os que consideram a simbolização imprópria, deveriam se manifestar públicamente a esse respeito, mas não caberia à justiça simplesmente proíbir o carro.

    Publicaram uma nota do site da escola, que fala bem sobre a restrição da liberdade de expressão, e os perigos que vem ela. Segue o link:

    http://www.unidosdoviradouro.com.br/noticias/noticias_int_120.html

    No mais, parece que a decisão da escola de não recorrer da decisão não é por aceitar ou concordar com a justiça da decisão, e sim para evitar o tanto de polêmica que seria gerada pela apresentação do carro.

    Ao que parece o brasileiro não é mesmo muito fã do debate, do dialogo racional do confronto de idéias, algumas vezes nem mesmo da exposição de algumas delas.

  30. Anônimo disse:

    Caro anônimo,às 12:05 PM,comprrendo a sua revolta!Porém discordo quando você coloca como inimigos dos judeus ou da comunidade judáica,os povos islâmicos!

    O MONOTEÍSMO é representado Pelo JUDAÍSMO,CRISTIANISMO e o ISLAMISMO.

    O problema para os CRISTÃOS,os JUDEUS e os próprios ISLÂMICOS é a existência de Teocracias no mundo árabe,e que manipulam a fé do crente islâmico-basta ver como é preparado e doutrinado um terrorista!

    É compreensível a descofiança dos ocidentais à presença de terroristas islâmicos adeptos do Islamismo!Agora,a partir disso, fazer uma GENERALIZAÇÃO paranóica de que o ISLAMISMO em si,deseja e quer DESTRUIR à força-via terrorismo-o mundo cristão e judáico,penso ser uma visão equivocada,quando não extremada!

    Peço ao anônimo para conhecer a Religião Islâmica!O crente islâmico merece o nosso respeito e admiração!Se um ocidental vivesse na pele de um verdadeiro crente islâmico,sua visão sobre o assunto em questão seria mais convergente do que divergente.Deve-se fazer um esforço para não misturar política (coisas do mundo da matéria)com religião(coisas do mundo espiritual)…

    Só discordo,respeitosamente,neste pequeno aspecto!Quanto aos demais enfoques abordados pelo amigo,subscrevo!!!

    Um abraço,amigo

    KIRK (Católico Apostólico Romano)

  31. Anônimo disse:

    Ola Rei.
    Nao acredito que seja um caso de censura.
    Isto porque ja houve um precente com a Escola de Sambar Beija Flor de Nilopolis, em que foi proibida a apresentaçao de um carro alegorico com a figura do Cristo Redentor.
    Pois na epoca houve a maior gritaria mas no final a Beija Flor, acatou a orem judicial porem, saiu com o Cristo coberto por um pano preto com uma faixa “Mesmo censurado rogai por nos”.
    O Jucdiciario foi acionado e decidiu proibir apresentar o carro alegorico.
    E mais…
    A Beija Flor foi a Campeã das Escolas de Samba daquele ano.
    Sem traumas…
    E tudo acabou em samba.
    abçs
    SRT

  32. Iguinho disse:

    Seu texto é aparentemente ambíguo.No início você considera de mal gosto um carro alegórico retratar judeus mortos pelos nazistas e no final você diz ser um dever nosso protestar contra a censura.Se você fosse a juíza qual seria seus argumentos para permitir o desfile do carro?Pessoalmente acho errado usar um evento de diversão para retratar temas sérios.Talvez seja por esse motivo que você considere o tal carro de mal-gosto.

  33. Anônimo disse:

    O PROBLEMA É O PRECEDENTE QUE ABRE.
    Talvez os carros alegóricos não sejam vistos como ARTISTICOS.
    Se for arte pode fazer qualquer alusão a Hitler e ao Holocausto?
    Se não for arte, não pode. É isso? Então a sra. Juíza precisa entender que mesmo de mau gosto o assunto decidido por ela incide numa manifestação artistica.
    E SE FOSSE EM FILME OU NUMA OBRA DE ARTE OU MESMO NUMA ÓPERA?
    Saudações litorâneas
    Fabio

  34. Anônimo disse:

    Reinaldo:

    É a primeira vez que o vejo pisar na bola feio. O assunto é complexo, pois envolve mau gosto, censura, interpretações diversas e potencial de ofensa aos que se sentem direta ou indiretamente atingidos com o simbolismo da alegoria.

    Qual é a proteção que a sociedade tem para exibições de mau gosto escancarado numa festa popular assistida por milhões de brasileiros e estrangeiros? Deixar acontecer e depois se lamentar e pedir desculpas? Ou dizer que não sabia de nada? E permitir que se repita em outro carnaval com, por exemplo, uma alegoria (bem intencionada, é claro!) de fetos jogados em latas de lixo com uma adolescente rebolando encima (ou mesmo sambando discretamente)?

  35. simplesmente maria disse:

    Bravíssimo, Reinaldo.

    O que deveria ser proibido é essa cafajestada de corpos nus, que virou a marca do moderno carnaval brasileiro. Isso, obviamente, por ofensa ao decoro e aos bons costumes.

  36. Augusto da Paz, soltando os cachorros contra tudo disse:

    Eu só queria ver é um desses efemêros intelectuais de carnaval ou os falsos intelectuais do mundo das artes populares colocarem na avenida uma representação dos paredón cubano ou das execuções em massa dos regimes comunistas da URSS, China e tantos outros.
    Aí eles iam mostrar que têm culhões de verdade.
    E aí eu também até pagaria ingresso no camarote para ver a reação dos nossos sociólogos, professores, políticos, religiosos e toda essa horda de esquerdistas que invadiu e povoa o Brasil.

  37. Sidney / Chapecó disse:

    Prezado Reinaldo !

    Convenhamos, esta escola se for esperta pode e deve arrancar uns bons trocados da Fierj, da juíza (deve dar no mesmo), pois se fala em liberdade de expressão, não interessa o tema. Cada um veja com seus próprios olhos, como o controle remoto da TV. Quem são os judeus para se considerarem no direito de impedir que alguém veja o que lhe der na cabeça? A atitude da juíza, só confirma o imenso poder que os judeus fazem questão de ter e quando lhes interessa exercer.
    Só confirma

  38. Anouk disse:

    Rei,

    O holocausto é um tema muito presente no emocional judaico. Os cadáveres representam os pais, irmaos e filhos dos sobreviventes. A apresentacao do tema como alegoria carnavalesca,
    seria reduzir as vítimas, dentre elas criancas, jovens, (vidas perdidas), como vítimas de guerra. O holocausto é a representacao de um sitema de extermínio aos judeus evidentemente, embora nao tenham sido os únicos, sabidamente. O tema
    merece todo destaque, mas de forma apropriada. Os sobreviventes merecem o nosso respeito.

  39. Augusto da Paz, jogando pedras pra todo lado sem s disse:

    O carnaval por si só é uma merda em fatia, assim como os “carnavalescos” que se acham intectuais tal como qualquer cantor, qualquer sociólogo, qualquer artista de novela, qualquer fazedor de funck também se acham.
    Lembro-me ainda de uma “carnavalesca”, premiada lá no final dos anos oitenta, que do alto da sua celebridade passou mais de um mês na mídia criticando as loterias do governo, enaltecendo os bicheiros e pedindo a legalização do jogo do bicho e dos bingos.
    Creio que tenho ascendência judaica através dos cristãos-novos, sou favorável aos judeus na questão palestina, mas não suporto o eterno vitimismo judeu e o seu esquerdismo fora da Terra Santa.
    Duas notas:
    1)Os palestinos sempre foram tratados como escória pelos outros árabes. Sempre os escorraçaram e durante os mais de 1300 anos que tiveram para estabelecê-los naquele território hoje disputado, não o fizeram. Só passaram a lutar pela sua “causa” depois que os judeus resolveram voltar “pra casa”.
    2)A propósito do carnaval: no antigo Império Romano durante o ano todo havia mais dias de feriados (com direito às carnificinas do circo de gladiadores) do que dias de trabalho, por isso tinham que subsidiar o preço ou distribuir de graça o trigo ( que vinha das colônias) para o populacho romano.
    Aqui tem o bolsa-tudo e os feriadões prolongados com direito às carnificinas nas estradas e nas ruas.
    Ao contrário dos Estados Unidos que tem cinco ou seis feriados (não remunerados) por ano, aqui falta pouco para se igualar ao Império Romano em feriados.

  40. turco caipira disse:

    REI,

    SERÁ QUE AO MENOS FORAM PESQUISAR O ENREDO DA ESCOLA PARA TIRAR A CONCLUSÃO QUANTO A QUÊ ALUSÃO FARIA A ALEGORIA DENTRO DO CONTEXTO DO DESFILE? SE HOUVE APOLOGIA OU DENÚNCIA A BARBÁRIE QUE FOI O HOLOCAUSTO? SEI LÁ, CARA, CREIO QUE, VÁ LÁ, APESAR DO MAL GOSTO QUE HOUVE SIM, A CENSURA E O PATRULHAMENTO DOS POLITICAMENTE CORRETOS FALARAM MAIS ALTO QUE QUALQUER COISA, MORMENTE NESTES TEMPOS EM QUE OS OPORTUNISTAS DE PLANTÃO NÃO PERDEM A CHANCE DE FAZER UM MARKETING À LUZ. ME LEMBRO DE 1990 QUANDO A BEIJA FLOR CANTOU “RATOS E URUBUS, LARGUEM MINHA FANSTASIA”: RELUZIU… É OURO OU LATA; SE FICAR O RATO PEGA, SE CAIR O URUBÚ COME; FRUTOS DE UMA IMAGINAÇÃO. SERÁ??? BEM, PELO MENOS ASSIM CANTOU A BEIJA-FLOR NAQUELE ANO.
    TÁ ESQUISITO E MAL EXPLICADO.

    ABRAÇO

    TC

  41. Anônimo disse:

    Reinaldo : decepcionante o seu texto. Fiquei até admirada de ser vc. o autor de tamanha barbaridade. Então, em nome de liberdade de expressão, vale tudo ? tudo mesmo? Olha que isso abre um precedente perigosíssimo. Não sou judia, mas o holocausto foi uma coisa tão bárbara que não merece ser vulgarizada em um espetáculo de carnaval. Que tal um desfile com carros alegóricos lembrando Hiroshima e Nagazaki? Fala sério, meu.

  42. Pedra disse:

    Reinaldo, corretíssimo! Censura não! O que Hitler fez jamais deve ser esquecido. Mas no carro alegórico, que pode ser de mau gosto, não há racismo, não há ofensa à religião, há apenas um carro alegórico expondo sua opinião. E o autor tem nome e sobrenome, não é nenhum ato escondido. A juíza extrapolou seu poder. Censura, nunca mais!

  43. Lorene disse:

    Buenas,
    reparem como muitos reavaliaram as suas opiniões depois de ler o artigo…é este o problema ,quando a gente vê está concordando com a injustiça e a censura.Como tudo na vida a democracia só se aprende no exercício da prática.Não basta ser sábio ou estar atento,temos que ser íntegros (como o REI) para não cair nas armadilhas da petralhada!

  44. Arnaldo disse:

    Caro Tio Rei, dessa vez seu raciocínio lógico deixou a desejar. Como outros comentaristas ponderaram, acho que tratar este tema no meio de ziriquidum, mulheres peladas e muita cerveja é extremamente desrespeitoso.

    Penso que a comparação com “negros no tronco durante a escravidão” não é válida, devido ao fato do Holocausto estar em um passado tão recente, e, diferentemente da escravidão, com sucessivas ameaças de voltar a ocorrer, seja por parte de mulçumanos fundamentalistas (a proposta de eliminação do Estado de Israel lhe lembra alguma coisa?), neo-nazistas (violação de sepulturas, etc.) ou devido a um anti-semitismo latente identificado tantas vezes cá no ocidente (me lembro do nosso vice-presidente apresentando a proposta de Israel mudar de lugar a fim de resover o problema na região, num programa do Boris Casoy).

    Não tenho dúvida que este carro alegórico, durante o desfile, iria despertar sorrisos e escárnio em muitos foliões, o que seria muito ofensivo aos judeus.

  45. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo:

    Este é de fato um tema polêmico e delicado sem dúvida nenhuma. Por um lado os judeus sao bastante suceptíveis a esste tema, há os que pensam que o tema do holocausto é usado pelos judeus como propaganda deles e culpabilizar os outros, pode ser. Do outro lado vejo que o problema da censura é também delicado. Mas neste caso defendo contra tua opiniao a decisao da juiza. porque?
    O tempo está delicado, de “vaca desconhecer bezerro” imagine que a banalizaçao da violencia e o culto ao odio a turma da porrada iria adorar…agora que é mau gosto é! na dúvida apoio a juiza.
    Qualquer explicaçao racional pode servir, mas que choca é evidente.
    O carnaval nao pode servir para exercicios , devaneios e discussoes teoricas, me poupe.
    abraços a todos
    APA

  46. Pedro disse:

    Ih, discordando dois dias seguidos do Reinaldo.. sobre o desmatamento e agora sobre o carro alegórico.
    Não estou gostando.

    Caro Reinaldo, nessa estou completamente com a associação israelita, o carnaval não serve para mostrar o holocausto. Dançar bêbado com roupas minúsculas sobre um carro que mostra tanto sofrimento, não dá!!
    Holocausto, eliminação de raças, não serve como tema de carnaval.Carnaval serve para mostrar a escravidão? Até pode ser, afinal o samba tem uma certa origem africana, como os escravos.

    Abraço,
    Pedro

    Abraço,
    Pedro

  47. Salomão disse:

    Você não se informou dereito sobre a história toda, Reinaldo. A FIERJ procurou antes a escola de samba, e quis chegar a um acordo.

    Eu, como judeu que sou, me sentiria ofendido ao ver alguém fantasiado de Hitler dançando em cima de uma representação de inúmeros corpos de pessoas mortas.

    Carnaval não é lugar para discussão de assuntos delicados como o Holocausto. É mal gosto indiscutível sim, mas não houve censura. Houve sim o descumprimento de um acordo firmado entre pessoas de bem.

    Isso tudo sem dizer que o dinheiro do jogo do bicho e do tráfico entram no financiamento do Carnaval.

    Há muito essa festa não me chama mais atenção.

  48. Anônimo disse:

    ate hoje tambem nao entendo porque o Holocausto seja praticamente o unico assunto que se voce duvidar da sua existencia, vai em cana em alguns paises…

    os judeus vem pra cima de voce com uma furia impressionante! vem aos grupos numa clara tentativa de intimidacao…

    eu nao sou dos que duvida do ocorrido, mas nao consigo entender porque o assunto nao pode nem ser contestado…

    parece ate que tem alguma coisa a se esconder…

  49. Anônimo disse:

    Reinaldo,
    Concordo com você. Mas a juíza não deveria decidir já que ela faz parte do Jogo. Vê-se pelo sobrenome.

  50. Anônimo disse:

    Rei, uma provocação:

    Se o enredo da escola fosse A BANALIZAÇÃO DO SEXO e o carro alegórico apresentasse bonecos de adolescentes grávidas com um garotão sarado dançando sobre os mesmos, você acha que deveria ser proibido de desfilar?

  51. Anônimo disse:

    Rei: o fato de ser fã ardorosa de seu blog não me impede de aplaudir a decisão da Justiça. O carro erá de um mal gosto deplorável. Usar um tema tão espinhoso e dolorido para o Carnaval mostra a que ponto o Brasil do Apeduta chegou. Já não se respeita mais nada!

  52. Anônimo disse:

    Caros Comentaristas e Reinaldo,

    Sou Judeu - o que não significa mais legitimidade para opinar - e gostaria de compartilhar alguns pensamentos:

    1. Achei o carro alegórigo de extremo mal gosto, inoportuno e( por causa do sambista travestido de Hitler dançando sobre bonecos representando judeus mortos) escárnico.

    2. Não consegui vislumbrar qualquer traço de anti-semitismo ou preconceito na mensagem que o carnavalesco queria passar. Tampouco não vejo desdém pelos judeus.

    3. Porém, com a maior clareza, noto um profundo “pouco caso” com o tema Holocausto. Afinal, desfile de carnaval, não é palco apropriado para respresentar um fato tão importante assim.

    4. Quando a imagem do Cristo foi proibida, me pareceu errado também - pois não concordo com a proibição imposta desta feita. Entretanto, considerei legítimo o direito da Igreja em se sentir ofendida por ver exposto seu maior símbolo no meio de homens e mulheres semi-nús, dançando e cantando.

    5. Quanto aos enredos diversamente apresentados: escravidão, pobreza, etc… , que ora estão sendo comparados com o episódio atual, considero que possuem situação mui adversa. Jamais vi um carro alegórico apresentando negros sendo chicoteados, com um feitor “on top” dançando e sorrindo sem parar.

    6. Gostaria de chamar a atenção para dois comentários muito oportunos e - na minha opinião - corretíssimos em fundamento: O do meu xará, Ricardo, às 8:35h, e o do Erick, às 0:49h. São precisos juridicamente (quanto a não previabilidade da censura e quanto ao caráter liminar da sentença).

    É isto. No mais, bom feriado a todos!

    Ricardo K

  53. Anônimo disse:

    Quase toda a minha familia foi assassinada no Holocausto. Mais de 30 pessoas, a maioria criancas assassinadas em camaras de gas.

    Musturar esse evento com uma festa me ofende. Colocar gente fantasiada de Hitler dancando perto de figuras representando os corpos dos meus tios e primas me ofende tambem. Nao eh tao dificil entender isso, nao eh?

    A liberdade de criacao acaba no momento em que comeca a ofender outros. A liberdade de criacao tem limites, nao so no Brasil como em todos os paises civilizados.

    Nao acredito que o carnavalesco seja anti-semita; acredito que foi infeliz na sua escolha devido a ignorancia dos fatos que cercam o holocausto para a maioria dos brasileiros. A sua escolha ja foi motivo de chacota no mundo todo, tendo sido retratada em jornais dos EUA, Europa, e eh claro em Israel. De maneira geral, os jornais atribuem o evento mais a ignorancia do que racismo, mas de qualquer forma eh mais um negativo para o nosso pais.

    Pedro Mendellson.

  54. Anônimo disse:

    Tenho uma sugestão para a Viradouro: Substitua o carro por outro com o muro da vergonha do século XXI que separa israel da palestina.

  55. Fernando Rizzolo disse:

    Caro Reinaldo,

    Minimizar a morte de milhares de judeus usando como argumentação o direito dos carnavalescos usarem “bonecos” e não judeus não empresta legitimidade para tal.

    Chancelar, a imagem de Hitler como representativa, sobre os bonecos no carro alegórico que representam judeus não é adequado, para usar outro termo.

    Como judeu, acho extremamente triste seu posicionamento em relação a essa questão.

    Aliás a comunidade judaica sempre prestigiou a revista Veja. Não sei se este entendimento condiz com a linha de pensamento da revista.

  56. Anônimo disse:

    A censura no carnaval não é novidade. A Igreja Católica já impediu na justiça a saída de um carro alegórico com o Cristo Redentor, o símbolo da cidade do Rio de Janeiro. Joãozinho Trinta não se abalou. Cobriu o Cristo com um pano preto e com uma faixa que dizia: mesmo censurado, rogai por nós!

  57. paulo disse:

    Sou da opinião que não se trata só de mau gosto ou censura. É um lado da cultura brasileira que foi também tomada pela mania de achar que qualquer manifestação cultural tem que trazer alguma “mensagem”, crítica social ou sei lá o quê. Que diabos! Isso é uma variante do pensamento politicamente correto esquerdista. Arte engajada. Coisa de soviets! Que porcaria um carnavalesco tem a acrescentar sobre esse tema do nazismo que já não tenha sido dissecado nestes mais de 60 anos com maior propriedade e profundidade? Carnaval é entretenimento, ou como vc diz, balacobaco, ziriguidum e telecoteco. Que tipo de sentimento uma alegoria bisonha dessas provocaria no público? O que se estaria ganhando com isso? Já imaginaram um tema de carnaval abordando a violência no Rio com um carro alegórico representando uma chacina ou, que Deus me perdoe, o arrastamento do menino João Hélio pelas ruas do Rio? Guardadas as devidas proporções é mesma coisa! Esses caras beberam cachaça estragada, só pode ser. Fazer alegorias de temas como o nazismo antes de ser de mau gosto é um tremendo equívoco, para não dizer burrice.

  58. Giuliano disse:

    Caro Reinaldo. Sou a favor da Juíza. Não é censura. É tentativa de resgate do valor dignidade de milhões de pessoas, assim como os afros, que sucumbiram diante do genocídio. Por questão de ética, não se expressa pensamento livre em meio a pessoas semi nuas, em plena festa, tratando de uma tragédia dessa natureza. O direito de expressão termina quando começa a dignidade alheia.

  59. Marieta disse:

    Reinaldo,
    DISCORDOOOOOOOOOO!
    Que mal gosto esse tema! Que infelicidade esse modo de fazer carnaval! Que falta de criatividade! Quanta vontade de exibicionismo! Quanta falta de imaginação! O carnavalesco quer aparecer, é? Qua vá dançar com as negas dele! Não sei se um julgamento dessa natureza pode ser questionado e chamado de censura! Mas que essa juíza deu uma bola dentro, ah! isso deu!
    O que está em jogo para mim é o que tem por trás da Viradouro…. Quem manda lá? Quem escolheu essa DROGA de enredo! Quem paga o carnavalesco? A quem o tal enredo está servindo?
    Tem muito mais mistérios entre o céu e a terra do que pensa a nossa vã visão de mundo!!!!
    Não a Hitler! Não ao Carnaval desfocado! Não à Viradouro!
    Marieta

  60. João disse:

    Tudo errado mesmo

  61. Anônimo disse:

    Parabéns,Reinaldo!Quando vejo coisas lamentáveis como essas,me lembro dos artigos do Olavo de Carvalho acerca das técnicas de destruição da capacidade cognitiva das pessoas,engendrada pela ideologia de esquerda!

    Assisti,também,o referido assunto no Jornal da Globo!

    É muito triste ver a “gentalha” CANALHA não ter o mínimo do mínimo de humanidade para com a memória das vítimas do Holocausto,com os sobreviventos do mesmo,e também para com toda a comunidade judáica espalhada pelo mundo!

    VERGONHA!!!
    IGNÓBIL!!!
    ABJETA!!!
    ASQUEROSA!!!
    INSENSÍVEIS!!!
    CANALHAS!!!

    KIRK

  62. Luis Antonio disse:

    Reinaldão,

    parabéns pelo artigo. De fato, a censura ainda é muito presente no Brasil, e querem mais, como aquele deputado petista que quer criminalizar comentários em blogs. Imagine se é possível conceber no Brasil alguém tipo David Letterman gozando do presidente todas as noites. Impossível, não?

  63. Rita disse:

    Esse pessoal da escola nunca ouviu falar de Joãosinho Trinta, acho que outro gênio daqueles no Carnaval … nunca mais. Por que não seguiram o exemplo daquele famoso “Ratos e Urubus”, cobrindo o carro com plástico preto, homenageando assim o grande carnavalesco e tando um tapa na cara da censura ao mesmo tempo?
    O carro é de mau-gosto sim, mas tem que haver liberdade até para a breguice!
    E os judeus tem que decidir de uma vez : é para lembrar o Holocausto ou é para esquecer? Assim não dá.

  64. Heitor Bonfim disse:

    A justiça brasileira censura joguinhos de computador e não censura a ladroagem imperial do governo Lula e seus comensais. A Justiça prende preto pobre por 3 meses por furtar, e veja, nem roubar é, pois roubar é com caracterizado com o uso de arma. Agora preto rico pode roubar a vontade pois se igualou a raça de ladrões de elite política. Coincidentemente uma ministra negra da igualdade social se encaixa nesta situação.

  65. Anônimo disse:

    CENSURA JUDAICA
    No campo da cultura as contribuições dos judeus(praticantes ou não,e aí começa o problema:O que é ser judeu?) é inestimável,mas o espírito de gueto
    às vezes os cega.Os judeus querem exercer um monopólio sobre questões
    que a eles se refiram,só a versão judaica(religiosa,laica,atéia?) do
    “holocausto” é “autorizada”,só judeus(?) podem fazer piadas de judeus,só judeus(?) podem criticar Israel,e por aí vamos.Há uma hipersensibilidade dos judeus,e isto deriva do histórico fechamento cultural de suas comunidades bem como da sua crença de ser o “povo eleito”.Há uma paranóia absurda dos judeus com a figura do bigodinho,sendo que a maior ameaça à comunidade não vem mais,de há muito,de nazistas,e sim
    dos muçulmanos,dos esquerdistas(Lula e o PT são,na prática, favoráveis à extinção de Israel), dos globalistas(que não querem povos fortes a dividir o mundo),e de oportunistas de plantão(comunidades ricas e influentes despertam inveja e ódio nos ressentidos e medíocres).
    A comunidade judaica(?há consenso aí?Duvido,a tradição midráshica impede o “pensamento único” entre os judeus) está focando mal o problema.

  66. Helder Melo disse:

    Em tempo: representações importam, pois é como a mente humana percebe as coisas, certo?

  67. ultraconservadordaextremadireitaocidentaljudaicacr disse:

    Não sei se concordo com o Sr.
    A representação pretendida no carro alegórico abre velhas feridas dos judeus, mas não é só isso. Acredito sim que tal imagem banaliza o holocausto. Pode-se usar tais imagens em contextos apropriados, mas no carnaval? Como o Sr, mesmo disse “à volta, rolam o maior ziriguidum, o maior balacobaco, o maior telecoteco”.
    Como é que pode pessoas quererem falar de um tema altamente sério em meios a mulheres sambando peladas e sorridentes.
    Lembrando também que o desfile das escolas de samba é uma competição. O objetivo maior não é necessariamente lembrar o holocausto, e sim, mostrar alguma originalidade em um carnaval, ainda mais em uma festa que fere a moral judaica-cristã.
    Não acredito aqui que a liberdade de expressão foi ferida.
    Como católico, não ia querer ver mártires cristão representados em carro alegórico em meio ao bacanal.

  68. Maria helena disse:

    Por que não proibem logo o carnaval TODO? Essa vagabundagem de mais de uma semana, que só leva à esculhambação, num país já de sobra esculhambado? No carnaval do Brasil não se brinca simplesmente, aproveita-se a orgia, pra exercitar os instintos animalescos da turma do “quero mais”. Depois de dois meses… haja aborto!

  69. Helder Melo disse:

    Reinaldo:
    A argumentação da denúncia é furada, mas ninguém precisa gostar (e nem você gosta, que eu sei ler), claro está, da representação da desgraça humana universal que foi o holocausto no ambiente de paródia geral que é o carnaval, em que a fogueira do “show business” local arde mais forte, onde as musas do bbb vão desfilar com fio dental, onde o carnavalesco que criou a alegoria de mau-gosto quer provar que é criativo, onde as estrelas da TV vão fazer o que as estrelas da TV sempre fazem (nada), e, finalmente, onde rola GRANA, de mais diversas origens (nem sempre legais). Um amigo me pergunta: “Spelberg pode”? Repare que tudo num filme sobre o holocausto está num determinado contexto: ele nunca parodia o sofrimento. Mas na escola de samba, a lembrança do sofrimento mal passará: em cima haverá uma pessoa sambando. É o aspecto mais repulsivo da cultura nacional. Aversão à gravidade do real.

  70. Anônimo disse:

    Reinaldo:
    Pau que dá em Chico, dá em Francisco. É censura, sim, e precisa ser denunciada, pois a lei vale para todos. O Carnaval é só uma festa popular, vulgar, e seu conteúdo nada tem de real. Senão, daqui a pouco, a Liga Antidifamação (como tem nos EUA), vai querer pautar os livros escolares, expulsar os alemães do Brasil, censurar os jornais, controlar o Judiciário etc. Não podemos cair neste totalitarismo, até pela própria sobrevivência do mundo judaico-cristão ocidental. Já chega a intolerância de árabes e palestinos,que pregam a extinção do Estado de Israel, como se isso representasse a redenção de seus povos.
    Por outro lado, também concordo com você que esta parte do enredo é de extremo mau gosto. Será que estes carnavalescos não sabem que pessoas reais, que vivem no Brasil, assistirão ao Carnaval vendo seu sofrimento exposto desta forma? É zombar do sofrimento alheio de forma cruel e desnecessária.

  71. Anônimo disse:

    A humanidade realmente começa a me cansar. O Sr. Niskier afirma que “…perdemos a confiança de que o tema pudesse ser tratado com respeito”. Ora, meu Jeová, o que é que pode ser tratado com respeito em meio a um festival de glândulas mamárias fartas, traseiros calipígios e, no dizer do Reinaldo, balcabacos, ziriguiduns, telecotecos e oba-obas? É o mesmo que, num estádio, querer que se trate com respeito juiz de futebol. Ou, como diria o Nelson Rodrigues, minuto de silêncio no maracanã. Homi, me respeite! Deixe o mau gosto dos outros em paz, criatura.

  72. Idaline disse:

    Se eu fosse o carnavalesco, teria deixado o carro alegorico do mesmo jeito. Colocaria uma pessoa representando o primeiro-ministro de Israel e os bonecos representando os palestinos e arábes assasinados pelos judeus.
    Palestinos e Arábes mortos por Judeus…Pode!!!

  73. Pedro Werneck disse:

    Muitos adorariam que o mundo fosse tão simples e que bastasse determinar o que pode e o que não pode uma vez e pronto. Se fosse tão simples assim não precisaríamos de juízes.

    Se um negro se sentisse ofendido por um carro alegórico reproduzindo negros no tronco, ou qualquer outra coisa, poderia recorrer à justiça da mesma forma que a FIERJ, e esperar por uma decisão do juiz.

    Nada foi censurado. Se o carnavalesco insiste em apresentar tal tema na avenida, poderia ter tentado usar o bom senso e pedir aconselhamento à FIERJ, buscando uma maneira de fazê-lo que não fosse considerada ofensiva. Ele insistiu com essa, recorremos à justiça e houve uma decisão favorável.

  74. Anônimo disse:

    Por isso q eu te admiro, Reinaldo: pela sua imparcialidade. Queria ver qtos jornalistas, colunistas, intelectuais, etc, falariam com todas as letras q o Nazismo não é questão privada dos judeus. Depois ainda tem gente imbecil que te chama de “reaça a mando das elites burguesas”…

    Meus parabéns, um abraço.

  75. Miguel Fornari disse:

    Entendo que ver Hitler dançando sobre cadáveres de judeus é uma aprovação implicita ao Holocausto. Morreram 6 milhões de pessoas, mas no Carnaval podemos, inclusive, festejar sobre os cadáveres deles, até mesmo o líder dos assassinos pode festejar. Eu dispenso.

    Claro que a idéia de Hitler brincando com o mundo pode ser perigosa também. Mas resultou em uma das melhores cenas da História do Cinema, com Chaplin. Agora ficaremos na dúvida: Hitler seria ridicularizado ou inaltecido durante o desfile?

  76. Ricardo disse:

    Caro Reinaldo,

    Sou judeu e gostaria de lhe dizer que existem aspectos nesta história além do que foi colocado em seu post.

    O carnavalesco Paulo Barros procurou a FIERJ antes de fazer seu carro. Esta foi contra o mesmo, mas ia deixar o carro desfilar sem problemas. O carnavalesco havia informado que seria um carro respeitoso e sem pessoas sobre o mesmo, para ressaltar o aspecto absurdo do holocausto.

    Na 4a feira, com a publicação de fotos do carro e da ficha técnica do mesmo, a FIERJ viu que haveria um sambista vestido de Hitler sambando sobre uma pilha de corpos que representavam os judeus. A FIERJ procurou o carnavalesco pedindo-lhe que tirasse o sambista e colocasse uma faixa do tipo “Holocausto nunca mais”, ou algo semelhante e o carnavalesco negou-se, afirmando que sua criatividade não seria tolhida. Somente neste momento a FIERJ decidiu recorrer à justiça.

    A decisão nao configura censura prévia (nem você afirmou isto), por que o carro foi amplamente divulgado nos meios de comunicação. Apesar de ainda não ter desfilado, já é público e notório.

    Devo lhe dizer que por mais que seja uma representação, o conceito de uma pessoa representando Hitler sambando sobre corpos representando judeus me é profundamente ofensiva. De certa forma transmite a noção de uma celebração de um triunfo.

    A intenção do carnavalesco com certeza não foi esta, mas existem grandes suscetibilidades sobre este tema e esta é uma interpretação simples, direta e que pode ser inferida por milhares de pessoas que estarão no sambódromo.

    Apesar de não ser advogado, acredito que a lei brasileira considera que as representações que possam ser representações de racismo (mesmo que involuntárias) devam ser coibidas e neste sentido agiu a FIERJ, como representante de uma comunidade que perdeu tantos parentes e amigos no Holocausto.

    Ars gratia ars é um conceito muito bonito mas inaplicável quando vivemos em um país heterogêneo e existem tantas feridas recentes e que dóem muito em uma comunidade inteira. O respeito à dor alheia e o direito de um grupo de não ser ofendido também são preceitos importantes que devem ser seguidos por um país democrático.

  77. Rods disse:

    TIO REI.

    VC ME FEZ REPENSAR MEU APOIO A SENTENÇA.

    DE FATO FOSSE APLICAR COMO REGRA O FUNDAMENTO DA JUÍZA, NÃO DEVERIA MAIS HAVER CARRO ALEGÓRICO COM NEGROS ACORRENTADOS - E COMO HOUVE NO PASSADO HEIN!.

    MAS, TAMBÉM, HÁ A NATURAL ESCULHAMBAÇÃO QUE É O CARNAVAL, QUE TERIA MOTIVADO A SENTENÇA DA JUIZA.

    MESMO ASSIM, VEJO QUE SUA ABORDAGEM ESTÁ BEM EMBASADA POIS, O VITIMISMO HISTÓRICO DOS JUDEUS PODERÁ SER ADOTADO, AGORA, PELOS NEGROS E PELAS “MINORIAS’ COMO ESTE DESASTRE QUE SE CHAMA GOVERNO LULA VEM ESTIMULANDO.

    Rods.

  78. Johnsson disse:

    Prezado Reinaldo.
    Terreno deveras perigoso!
    Concordo com voce no post.
    Muito embora após ter visto as imagens do “carro alegórico” tenha formado opinião de que o “carro” era de muito mal gosto - “praladeruim”.
    Concluindo? Creio que a Viradouro saiu “ganhando” - teve visibilidade, criou polêmica, e qualuqer coisa que venha a fazer nesse novo carro ficará melhor e chamará mais a atenção.
    Quem não se lembra da imagem do Cristo redentor envolta em plástico preto a anos atrás - quando os católicos criaram celeuma com o desfile do Cristo!

  79. Anônimo disse:

    Não acho que a intenção foi criticar o nazismo, nem enaltece-lo. É mais um “samba do criolo doido”, como todo samba enredo.Não tem pé nem cabeça.

    A idéia é de um mau gosto atroz, mas não deve ser proibida.Por mais que os judeus tenham sofrido, não podem ser elevados a uma categoria especial de seres humanos, donos de um período da história. Se não gostaram, que fossem à Sapucaí vaiar, ou escrevessem uma nota de repúdio. Eu assinaria embaixo.

  80. Luis Gustavo disse:

    Reinaldo, veja só, vou dizer uma coisa que, a princípio, pode parecer leviano, mas parte de quem tem experiência no foro e sabe como as coisas funcionam nas, digamos, “entranhas” do Judiciário: v. reparou no nome da Juíza? Muito provavelmente ela é judia. E ser for judia, pode ter ligações com a tal Fierj. E se tem ligação com a tal Fierj, poder ser o caso - E ISSO OCORRE, SIM - de esta ação ter tido distribuição dirigida para a tal juíza e, quiçá, já ter sido proposta com garantia de concessão de liminar. Não quero acusar ninguém, longe de mim. Mas acho que isso é coisa que deveria ser vista mais de perto, porque é um negócio muito sério.
    No mais, o teu artigo é ótimo, como sempre.
    Um abraço.

  81. Anônimo disse:

    Não houve precedentes?De acionar a Justiça contra publicação ou exibição de livros,filmes etc.?Fora da Ditadura e períodos de exceção?
    A alegoria em questão se referia só aos judeus ou ao holocausto também dos ciganos,aleijados,gays?
    Se não era só de judeus eles não podem monopolizar a tragédia que atingiu outras minorias, se a ação não contemplou todas as vítimas o esquecimento não foi discriminação de quem pediu proibição?
    E se fossem índios dizimados?
    Detesto Carnaval, por mim seria extinto, acho um desperdício imperdoável de dinheiro os tais desfiles de ‘escolas’, coisa pra turista, exibicionismo de gente que não serve pra muita coisa, dos ilustres desconhecidos às celebridades.Perdeu qualquer ligação religiosa, virou mero folclore que é, inclusive, tão alienígena quanto o Halloween,já era uma chatice barulhenta quando era mais uma manifestação espontânea, localizada,mais em salões de baile que nas ruas.Hoje não passa de espetáculo grotesco, caro,repetitivo,cujo lado positivo se limita ao feriado cada vez mais esticado.Houve tempo que na quarta-feira, à meia-noite,parava tudo, hoje dura meses e tem até carnaval fora do carnaval, com outro nome.
    De qualquer forma a juíza foi muito além das sandálias.
    Antes acabasse com festas raves.
    O grupo que se sentiu ofendido tinha e tem o direito de não querer ver,o mesmo foi feito com o filme Je vous salut Marie,mas entre não gostar e impor a TODOS uma interdição naõ prevista em lei, é complicado.Por que não agiram contra Mel Gibson no filme A Paixão de Cristo, considerado um libelo anti-semita?
    Tenho a impressão que o tiro vai sair pela culatra. Os criadores do carro talvez quisessem só relembrar e chocar justamente porque o perigo de coisas assim se repetirem é o esquecimento.
    Sugiro que ano quem vem façam um carro com os mortos pelo comunismo…

  82. Eduardo Chaves disse:

    Caro Reinaldo,sou judeu nao praticante,venho criticando varias vezes suas posicoes sobre pilulas e camisinhas,afirmando que a politica de saude deste desgoverno,nao pode ser pautada pelos principios da Igreja Catolica.Por isto,dou os parabens por este artigo,pelo que li,a coisa era de mau gosto,mas era critica ao nazismo.E exatamente isto que aprecio em vc,coerencia,mete o sarrafo na esquerda de miolo mole,que acha o Hamas,bonzinho,e Israel o bandidinho.Agora,critica a federacao israelita do Rio,com toda razao,por atitudes ridiculas,como esta acima.Mais uma vez,parabens.

  83. Le Cafard disse:

    O seu argumento está correto. Até lê-lo, eu também fui favorável à decisão da justiça. Mas realmente censurar uma obra, qualquer seja ela, vai no contra-senso da liberdade de expressão, ainda que nessa obra impere o mau gosto, como é o caso. Abaixo a censura, sem, inclusive, censurar a decisão da juíza. Quem discorda dela deve fazer o correto: recorrer à justiça.

  84. Luiza disse:

    Reinaldo, também não concordo com censura. Mas esse carro é uma aberração. E isso não é carnaval. Acho mesmo um desrespeito. Para mim esse Paulo Barros é um grande exxxpertinho, com sotaque mesmo. E isso é o que mais me revolta. Ele conseguiu o que queria. Aparecer. É óbvio que ele tinha certeza absoluta que isso iria acontecer. Por isso mesmo espero que essa escola seja rebaixada para deixarem de idiotas.

    Abraços

  85. Anônimo disse:

    O mais grave é que foi feita uma censura prévia, baseada em suposições, já que as escolas tentam manter o maior sigilo possível, antes do desfile. O que importa é como este tema seria tratado dentro de todo o contexto do enredo. O carro será substituído por outro de protesto contra a censura. Que tal colocar alguns palestinos famintos sendo mortos por soldados israelenses?

  86. edson luchesi disse:

    Caro Reinaldo, tenho minhas dúvidas a respeito. Acho que a juíza tomou a decisão por cautela. Dar publicidade em uma festa popular a um fato, reconhecido como um crime contra a humanidade, de forma ingênua, como têm sido as abordagens carnavalescas, pode incentivar o sentimento de ódio, seja qual for a sua natureza.
    Até penso, ao levar minha opinião ao limite, que é um caso semelhante à propaganda do uso de camisinhas ou da pílula do dia seguinte, nesta época do carnaval.

  87. Sylar disse:

    Uma sugestão a meretíssima, se os cadáveres e o pustula assassino austríaco passassem pela avenida vendados, assim como os menores infratores na TV podem, se ela liberaria o carro aberrante?

  88. Anônimo disse:

    Reinaldo, impressionante que ninguém tenha ainda comentado o óbvio nesse caso.
    O sobrenome da Juíza que concedeu a liminar demonstra que ela tem ascendência judia.
    Curiosamente, a liminar foi concedida por ela “no plantão noturno do fórum do Rio de Janeiro, durante a madrugada”, como noticiou a imprensa.
    Só para explicar o absurdo que isso significa a quem não entende: o plantão judicial noturno existe apenas para atender causas urgentíssimas, que podem implicar perecimento de direito.
    Isto é, para aqueles casos estritos em que se a ação não for julgada naquele momento, a análise no dia seguinte pelo “juiz natural” seria inútil.
    Por exemplo, isso seria razoável caso a ação fosse interposta fora do horário de expediente e tencionasse obstar a circulação do carro alegórico naquela noite.
    Mas nem de longe foi esse o caso. O que houve foi uma decisão proferia em plantão judiciário para caso que não era urgente, já que o desfile só ocorreria diversos dias depois da interposição da ação.
    Em suma: a decisão representou clara violação ao princípio do Juiz Natural, isto é, à necessidade de que a ação seja julgada por um magistrado dentre aqueles com competência originária para analisar o caso, sorteado aleatoriamente pelo sistema de distribuição forense dentre as dezenas de Juízes da Comarca do Rio de Janeiro.
    Não parece estranho que essa ação, que não era urgente, tenha sido interposta no plantão forense e despachada por uma Juíza de ascendência judia?
    Considerando que o Juiz responsável pelo plantão é divulgado com antecedência, a FIERJ pode ter esperado para interpor a ação perante Juiz que analisaria a causa com mais simpatia, em clara violação ao princípio do Juiz Natural.
    Isso é muito grave, pois este é um princípio dos mais caros ao sistema democrático. Não é razoável aceitar que quem quer que seja se utilize de artifícios para escolher o Juiz que vá analisar seu caso para aumentar as suas chances de sucesso. Já pensou então o que poderia acontecer em caso de combinação prévia entre a parte e o Juiz neste sentido? O Judiciária acabaria, bem como a democracia…

  89. erick moura disse:

    Ótimo texto. Impecável. Só tenho uma correção a fazer. A juíza concedeu a decisão em caráter liminar, e não em sentença, dado o fummus boni iuris e o periculum in mora da matéria que eventualmente poderia trazer prejuízos de grave lesão irreparável, se não fosse concedida a medida. Assim a sentença será proferida a poteriori.

  90. Anônimo disse:

    Cá entre nós, Rei, escola de samba devia se limitar a falar de mulher, saci e mico-leão.

    Sambista entende alguma coisa de nazismo, campo de concentração, guerra? Sempre que eles tentam tratar de assunto sério termina desse jeito, em ação na justiça.

    Acho errado a censura, mas a escola devia ser punida, o problema é, por quem?

  91. Helena disse:

    É isso, Reinaldo. Mostrar os males da escravidão com açoite de negros pode, os esquálidos retirantes da seca também, a desgraça do nazismo através dos corpos dos judeus, não. Será que vai rolar um manual do pode-não-pode pro carnaval também? Podemos tomar isso como discriminação? Eis uma sentença que deixa tudo mais confuso.

  92. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo, assim como a bestialidade da ditadura no Brasil, deu aura de heróis a todos que lutaram contra ela, também os crimes de Hitler encobre em suas vítimas os defeitos que elas possuem.

  93. Lorene disse:

    Querido Reinaldo:

    Viva a liberdade! Ele não navega em águas perigosas,está a deriva…

  94. Levi M. Filho disse:

    Reinaldo,

    Acabou essa de o juiz “se dar por impedido”?

    Não é uma norma ética do judiciário, p juiz se afastar do julgamento qdo ele tem alguma ligação (para um lado ou para o outro) com as partes e/ou com a causa?

    Pelo sobrenome, fica claro q a tal Juíza é judia.

    Em consequência disso, lhe faltou ética e/ou moral, em virtude de ser envolvida com a ‘causa’.

    Pelo ‘modus operando’ na falta de ética, deve ser petista além de tudo.

    Abs,

    Levi.

  95. Anônimo disse:

    Humm, sei lá, Reinaldo. Talvez a argumentação da juíza não tenha sido feliz, mesmo porque a intenção da escola foi fazer uma homenagem, mas eu acho que cada um se dá ao respeito do jeito que pode.
    Assuntos pertencem a grupos de pessoas, sim. Se o Carnaval conseguiu transformar a escravidão dos negros, por exemplo, em um motivo de alegoria, a comunidade judaica tem todo o direito de tentar impedir que se faça o mesmo com seu sofrimento ancestral.
    Eu me senti atingida com aquelas imagens, e acho que elas banalizaram, sim, o sofrimento de milhões de pessoas inocentes, não interessa que sejam de minha família ou não. Sapatear em volta de cadáveres, ainda que simbolicamente, já bastaram os nazi.
    E, no mesmo raciocínio, eu lembrei do Cristo de Joaõzinho Trinta.
    Não creio que isso se caracterize como censura. É apenas um “não, com meu sofrimento não”.

  96. Anônimo disse:

    Se os judeus fossem substituídos por palestinos poderia? Os tempos passaram e as vítimas hoje são outras.

  97. Luiz Cezar M. Rocha disse:

    Reinaldo,
    a decisão de proibir o carro alegórico é mesmo absurda. Mas já de algum tempo a Justiça vem agindo desta forma, promovendo a censura prévia. É totalmente inconstitucional. Como sempre, o correto é a liberdade de expressão. Se, no caso concreto, verificar-se a ofensa a alguém ou a algum grupo, que se penalize o autor. O carnaval é expressão popular, e o tratamento dado aos mais diversos temas, mesmo polêmicos, faz parte da cultura brasileira. Não constitui desprezo ou chacota.

  98. Heitor Bonfim disse:

    O mais hilário é a justiça censurar um carro alegórico de carnaval e não censurar invasores de propriedades, não censurar Ministras Matildes roubando dinheiro público, não censurar Ministras Suplicys que só dizem asneiras sem fundamento mundo afora e não censurar as asneiras que o presidente da república não cansa de falar.

  99. Paulo Boccato disse:

    O BRASL NAO É UMA PAÍS SERIO;
    LEIA:

    ‘Nova alegoria será batizada como ‘Liberdade de expressão’. Saiba mais’
    (O GLOBO)

  100. Gunnar disse:

    Muito lúcida a sua análise, Reinaldo!

    Está claro que o tal carro é de muito mau-gosto, mas daí até incitação ao ódio vão léguas e léguas de distância.

    Essa sentença é sintomática: certos assuntos ainda são tabu, e, simplesmente por isso, são censurados e vetados sendo tachados de coisas que não são. O pessoal enxerga demônios onde não os há, por medo de acender a luz.

    Não deixa de ser irônico, já que o tema preferido dos mesmos batedores de bumbo que gritaram no episódio citado é uma “chaga histórica” parecidíssima na essência: a escravidão negra…

  101. Anônimo disse:

    Reinaldo, isso me lembra certa vez que no jo soares foi um colecionador de facas e punhais, e uma das peças da sua coleção era um punhal nazista, e o curioso foi que a suástica estava tampada; o colecionador explicou que na cidade de São Paulo era proibido a exibição de símbolos nazistas em locais públicos, teatros, programas de tv… O curioso é que não havia ode ao nazismo, era apenas a exibição da peça como parte da entrevista, mas estava lá com o símbolo escondido atrás de uma fita crepe… acho que a lei foi da Marta “Sou placebo”

  102. Leo disse:

    Caro Reinaldo:
    Independente das intenções dos autores do enredo, o que realmente faltou foi bom senso!
    Com tanto assunto no mundo, não precisavam escolher justo algo tão polêmico e que afeta tanto a sensível comunidade israelita.
    Proibir é censura, sim, mas às vezes as pessoas agem com tanto destempero que pedem para ser censuradas. Na minha opinião, temas que envolvam religião deveriam ser evitados naturalmente, para evitar discussões deste tipo. Lembremos do Cristo no meio do lixo…
    Se eu assoar o nariz à mesa em que estou almoçando com outras pessoas, não estou violando nenhuma lei, e posso achar que só reclama quem é cheio de frescura, mas, provavelmente vou causar mal-estar em algumas dessas pessoas. Só a consciência disto já deveria me inibir de fazer tal coisa, por uma questão de educação!
    Eu acho que no carnaval, fica bem esquisito e de mau gosto se colocar uma porção de gente sambando ao lado de cenas que simbolizam crimes e barbaridades que se sabe que ocorreram realmente.
    Apesar do presidente do Irã dizer que foi tudo conversa fiada…

  103. Ioca100 disse:

    Holocausto é uma das maiores tragédias humanas, é impensável levar esse tema para carnaval, é um deboche para com os milhões assassinados.Tenho um grande amigo que era soldado na época da guerra,recém-casado e teve a triste notícia de que sua família foi toda executada por aquele infâme, que estão achando normal ser representado em desfile de carnaval.Não estou te entendendo Reinaldo,defender essa ofensa ao povo de Israel.

  104. silvia disse:

    Permitir o mau gosto extremo ou não? está aí uma decisão complicada, os dois lados tem bons argumentos…

  105. Ricardo disse:

    Caro Reinaldo,

    Sou judeu e gostaria de lhe dizer que existem aspectos nesta história além do que foi colocado em seu post.

    O carnavalesco Paulo Barros procurou a FIERJ antes de fazer seu carro. Esta foi contra o mesmo, mas ia deixar o carro desfilar sem problemas. O carnavalesco havia informado que seria um carro respeitoso e sem pessoas sobre o mesmo, para ressaltar o aspecto absurdo do holocausto.

    Na 4a feira, com a publicação de fotos do carro e da ficha técnica do mesmo, a FIERJ viu que haveria um sambista vestido de Hitler sambando sobre uma pilha de corpos que representavam os judeus. A FIERJ procurou o carnavalesco pedindo-lhe que tirasse o sambista e colocasse uma faixa do tipo “Holocausto nunca mais”, ou algo semelhante e o carnavalesco negou-se, afirmando que sua criatividade não seria tolhida. Somente neste momento a FIERJ decidiu recorrer à justiça.

    A decisão nao configura censura prévia (nem você afirmou isto), por que o carro foi amplamente divulgado nos meios de comunicação. Apesar de ainda não ter desfilado, já é público e notório.

    Devo lhe dizer que por mais que seja uma representação, o conceito de uma pessoa representando Hitler sambando sobre corpos representando judeus me é profundamente ofensiva. De certa forma transmite a noção de uma celebração de um triunfo.

    A intenção do carnavalesco com certeza não foi esta, mas existem grandes suscetibilidades sobre este tema e esta é uma interpretação simples, direta e que pode ser inferida por milhares de pessoas que estarão no sambódromo.

    Apesar de não ser advogado, acredito que a lei brasileira considera que as representações que possam ser representações de racismo (mesmo que involuntárias) devam ser coibidas e neste sentido agiu a FIERJ, como representante de uma comunidade que perdeu tantos parentes e amigos no Holocausto.

    Ars gratia ars é um conceito muito bonito mas inaplicável quando vivemos em um país heterogêneo e existem tantas feridas recentes e que dóem muito em uma comunidade inteira. O respeito à dor alheia e o direito de um grupo de não ser ofendido também são preceitos importantes que devem ser seguidos por um país democrático.

  106. Anônimo disse:

    Rei,
    raras vezes você é frágil em seu pensamento, mas esse texto é desequilibrado.
    Estive numa festa com vários amigos ontem, nenhum de nós judeu, e ninguém teve dúvida ao afirmar que o carro alegórico é um escárnio. Fizemos até troça do carnavalesco pela sua estupidez e insensibilidade.
    O carnavalesco julgava lindo, plasticamente, que um Hitler sorridente, cantando um samba, sapateasse em cima de uma pilha de judeus mortos, esqueléticos e nus.
    Não o fez por anti-semitismo, é óbvio, o fez por total desconhecimento do que significa o holocausto e de como é estúpido e irracional tratar os horrores da guerra sem sensibilidade.
    É ridículo e, lamento, seu texto mantém a mesma insensibilidade do carnavalesco.
    O final do seu texto sugere um judicialismo à americana. Saída horrível, indigente e insensível. Ninguém tratou o carnavalesco por anti-semita.
    Todas as outras vezes em que a justiça se intrometeu no Carnaval me pareceu censura. Quase sempre por obra da igreja católica, da qual faço parte. Mesmo assim achei exageradas as ponderações da Igreja.
    Dessa vez, achei o carro alegórico de uma grosseria, de uma insensibilidade que raras vezes vi. Ganhou da insensibilidade da Marta Favre na Espanha.
    Rei, é um Hitler sorridente pisoteando os corpos esquálidos e torturados de milhares de Judeus.
    Ah, agora você vai lembrar que não é Hitler de fato, e não são judeus?
    É mesmo? Devo ser uma besta mesmo, por achar que era mesmo Hitler!
    E o que muda sendo representação e não verdade?
    A decisão foi tão acertada que o carro foi desmontado IMEDIATAMENTE, o que não aconteceu em outros casos, onde os carros saíram com algum objeto ocultando-o.
    Se ele quisesse mesmo sair, poderia pagar a multa de 200.000, qualquer traficante ou bicheiro cobriria o preço da afronta.
    Rei, repito, é Hitler pisoteando, sorridente, alegre, cantarolando, uma pilha de judeus. Representando o quê?
    O respeito aos 6 milhões de judeus mortos?
    O respeito a Hitler?
    Os horrores da Guerra?
    Se quiser fazer comédia com Hitler sugiro que assista ao filme Primavera para Hitler de Mel Brooks. Terá uma aula de sensibilidade e talento.
    Ao contrário do que o seu judicialismo bobo sugere, nossas instituições vivem da percepção do que é correto e não da verdade absoluta. Nesse caso, os ofendidos tomaram o caminho que julgaram correto. Os prejudicados poderiam ter recorrido, o que não falta é gente influente para fazer isso.
    Cara, poderia escrever contra sua bobagem o dia inteiro, mas tenho que trabalhar.
    Rei, é só minha opinião. Dessa vez você pisou na bola.
    []
    Paulo Portinho

  107. Romolo Saporito disse:

    Reinaldo eles só estavam protegendo o nazismo.

    A sindrome de Estocolmo.

    Afinal de contas o que era o nazismo se não o velho “naconal socialismo” que hoje aflige tod a AL.

    Quando eu vi judeu defendendo Castro e o Comunismo, passei a acreditar em quase tudo que é maluquice.

  108. Joaquim Campos disse:

    Reinaldo,

    alguns anos atrás um Cristo Redentor foi “censurado” de um desfile também. Gostaria de saber tua opinião sobre isso.

  109. Blogildo disse:

    Também achei de péssimo gosto. Mas não deveria haver esse tabu em relação ao tema.

  110. Anônimo disse:

    Se o filme a lista de Schindler fosse feito no Brasil ele seria proibido?Ele banaliza o sofrimento dos judeus?Em um mundo onde os secularistas estão querendo restringir o direito de expressão de judeus ,cristãos e muçulmanos,nos temos que defender o direito”sagrado” de todos se manifestarem.

  111. Otávio Augusto Martinez disse:

    Exatamente, Reinaldo. Mal gosto de um lado e censura do outro. Sem dúvidas, vivemos num mundo cheio de pessoas suscetíveis demais.
    Abraços.

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