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23/06/2008

às 16:58

Tio Rei Fashion Week

Vi há pouco a reapresentação do Manhattan Connection, e a TV continuou ligada, sem som, no GNT. Vejo um monte de moças e moços desfilando. Deve ser o São Paulo Fashion Week. Vi a Gisele. Li em algum lugar que ela não desfilou no Rio, mas desfilaria em São Paulo. Bem, não importa. Prossegue o esforço da indústria da moda, dominada por homens que odeiam as mulheres, para exterminá-las, coitadinhas.

Explico-me. Os caras que desfilam — muitos com o abdômen “trincado” à mostra — têm o que se pode dizer um corpo normal, isto é, com aparência saudável. Neles, claro, tudo está no lugar idealizado pelo homoerotismo dos rapazes dedicados ao corte & costura: nada de gordurinha na barriga; braços musculosos, mas sem exageros; rostos um tanto ambíguos, apelando a certa androginia adolescente. Mas ninguém tem cara de anêmico ou de anoréxico.

Já as moças… O sucesso mundial de Gisele se explica, como já foi dito por aí. Parece que ela consegue o milagre de manter o peso e a silhueta que os invertidos consideram ideais sem ficar com a aparência famélica. Sei não… Eu não quero apelar a leis da biologia, da sobrevivência da espécie, da prevalência do mais apto, mas me pergunto: vendo aquelas moças pele-e-osso, que sementes masculinas se agitam, hein?

Vi outro dia, enquanto esperava a minha hora no barbeiro para raspar os cabelos (eu os tenho, à diferença do que pensam alguns), uma foto recente de Luíza Brunet. Continua gostosa, como sempre foi — só que agora mais madura. Está com um namorado uns 20 anos mais moço. Rapaz de sorte. Qualquer homem que veja com, como direi?, cobiça predadora o corpo de uma mulher, tenha 15 ou 80 anos, olhará para Brunet e pensará coisas… Mas o que dizer daquelas araras (dessas de loja) andantes que avançam em nossa direção, com seu ar no geral tristonho, muitas delas “enfeiadas” por maquiagens horripilantes? Luíza Brunet sempre foi digna das maiores homenagens dos moços da minha geração. É do tipo que levaria o jovem Tarso Genro a fazer muita poesia, se é que vocês me entendem… Hoje em dia, homenagear o quê? A noiva-cadáver?

Não especulo sobre sexualidade alheia: excluindo-se relações forçadas e sexo com crianças e animais, acho tudo mais ou menos normal e corriqueiro. Talvez exista quem se excite com essas moças de ar famélico e ossos pélvicos um tanto hostis, seja ao folguedo erótico puro e simples, seja à folia acompanhada da reprodução. Cadê a reserva de gordura mínima para alimentar a cria?

É óbvio que os moços do corte & costura vestem os rapazes para o seu próprio deleite. Mas e as moças? Mulheres que consomem uma quantidade de calorias que lhes permita uma vida saudável, com a necessária ovulação para o ciclo reprodutivo, jamais alcançarão aquele padrão. E bem poucos homens, estou seguro, acham aquilo atraente. A turma da moda sabe disso? Ah, sabe, né? E está aí a razão de tantos editoriais de moda apostarem em famélicas, com cara de bad girls, em sugestões lésbicas.

É… A civilização deixada por conta dos “artistas da moda” caminharia para a extinção. Ainda bem que a mulherada que conserva reserva de gordura para dar continuidade à espécie ainda se ocupa de despertar o interesse de machos imperfeitos e aborrecidos.

Por Reinaldo Azevedo
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