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21/08/2008

às 21:17

Tapar as vergonhas

Acabei de voltar da praia. Está sol. O mar, esverdeado, transparente, está com jeito de limpinho. Me estendi na cadeira de plástico e pedi, nesta ordem, um picolé de coco, um biscoito de polvilho e um suco de laranja com cenoura. Olhando para o horizonte, com ar satisfeito, pensei: preciso me mudar daqui.

Qual é o motivo? Aí é que está: eu nunca precisei de motivos para ir embora de onde quer que me encontrasse. Ir embora sempre me pareceu imensamente mais proveitoso do que permanecer. Ir embora de uma cidade. Ir embora de um jantar. Ir embora de um espetáculo. Ir embora da praia. Eu gosto da praia. Eu gosto de mergulhar no mar. Eu gosto de ter as costas suadas, grudadas na cadeira de plástico. Eu gosto de ter a pele queimada, naquele estado pré-cancerígeno. Mas muito melhor do que tudo isso é pagar os dez reais à barraqueira e voltar correndo para casa.

Compromissos familiares tornaram bem mais árdua a tarefa de ir embora. Tenho de arrastar um monte de gente comigo. Em geral, em meio a protestos. O fato de nunca ter precisado de motivos para ir embora de onde quer que me encontrasse constitui um grande empecilho, porque me faltam argumentos para persuadir os demais.
(…)
Assim como um crente dispensa argumentos terrenos para acreditar em Deus, eu também dispenso argumentos para acreditar na necessidade de ir embora. Ir embora é meu valor supremo, absoluto. Migrar é minha única fé. Sou uma espécie de padre Anchieta dos migrantes: tento converter o gentio a tapar as vergonhas, fazer as malas e ir embora. Em se tratando de brasileiros e brasileiras, essa é invariavelmente a parte mais difícil: tapar as vergonhas. Adeus.
*
É um trecho do Podcast do Diogo, que está no ar desde ontem. Leitores me perguntam: “Mas o que Diogo quer dizer?” Quer dizer que ele deixou a praia e foi pra casa. Amanhã ele volta.
Ouça e leia a íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo
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21 Comentários

  1. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 15:20

    Petralha às 1:46 PM.

  2. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 14:36

    Diferença entre Diogo e Reinaldo:

    Diogo acha que ir embora é imensamente mais proveitoso do que permanecer.

    Reinaldo acha que permanecer é imensamente mais proveitoso do que ir embora.

  3. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 13:12

    “Anônimo disse…
    Já eu reconheço que não tenho educação mesmo e geralmente saiu à francesa.

    O momento da partida é para mim igual o da chegada, aprecio mesmo é quando fecho a porta do meu quarto, tranco e deito em minha cama.

    Evito até de repassar o que aconteceu e só penso no que de bom pode acontecer no dia seguinte.

    Ontem eu assisti a um ufanista jogando confetes nos brasileiros e dizendo que somos muito pessimistas e sempre falamos mal de nós mesmos.

    Ledo engano, os brasileiros são alaridos, palhaços sem graça, sem educação, indecorojos, jogam lixo no chão, não respeitam os outros e só pensam em si dar bem na Lei do Gerson.

    São facilmente reconhecíveis em qualquer lugar do mundo e não tem qualquer senso de ridículo.

    9:31 PM”

    Subscrevo!

  4. Goncalves

    -

    22/08/2008 às 10:54

    It would be an alert one so that let us be with ours passaport in day

  5. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 10:43

    Vergonha maior é o “benefício” pago ao presidente Lula por sua “anistia”, por alguns dias de prisão durante o governo militar.
    Para quem quiser detalhes:
    http://www.previdenciasocial.gov.br
    06 10 1945
    1025358780
    O primeiro número corresponde à data de nascimento e o segundo é o número do benefício. Podem acessar o site:está tudo lá.
    Não ha o que comentar.

  6. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 10:20

    BABACAS DAS 6:31,7:36,8:06 VÃO PARA O MÃO PELUDA,FORA DAQUI SEUS MERDAS

  7. turca

    -

    22/08/2008 às 9:11

    Lembram de outro desabafo do Diogo sobre sua imersão total na paternidade? Então, acho que, desanimado com a pouca vergonha à brasileira, resolveu ir para casa e usar uma mescalina ou, quem sabe, um haxixezinho… Tem coisas que só saindo de órbita mesmo.
    Desanima não, Diogo! Esperamos você amanhã.

  8. José Pereira

    -

    22/08/2008 às 8:34

    Comecei a ler e comecei um medo.
    É o nosso Reinaldo preparando o terreno para ir embora, sem dizer aonde (neste caso, é “[a]onde” mesmo) nem o motivo?
    Se isto acontecer é um péssimo sinal!
    Depois, passei a pensar: Não.
    É uma das melhores crônicas que eu já li e, não por acaso, do Reinaldo Azevedo.
    Mas…
    Como diz aquela frase dos infiéis em novelas, “não é nada daquilo que você está pensando”.
    E não era mesmo, era Diogo se reencontrando consigo mesmo, enquanto diz o que muitos de nós não confessam (”nós” é primeira pessoa, “muitos de nós” é terceira. Certo, Professor?).
    Vou já, já, ler o Podcast, ou melhor, ouvir.
    Abraços.
    J.P.

  9. Skorpio

    -

    22/08/2008 às 7:56

    Entendi o Diogo.
    Como é bom ir embora.
    Ir embora simplesmente porque se está com vontade de ir embora.
    Não há maior demonstração de independência do que ir embora, sem dar satisfação a quem quer seja.
    Ir embora. Fui!

  10. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 5:08

    “Dei ordem de irem buscar meu cavalo ao estábulo. O criado não me compreendeu. Fui eu mesmo ao estábulo, ensilhei o cavalo e montei. Ao longe ouvi o som de uma trombeta, perguntei o que significava aquilo. Ele de nada sabia, não ouvira nada. No portão deteve-me, para perguntar-me:

    -Para onde cavalga o senhor?

    -Não o sei - respondi -. Apenas quero ir-me daqui, somente ir-me daqui. Partir sempre, sair daqui, apenas assim posso alcançar minha meta.

    -Conheces então, tua meta? - perguntou ele.

    -Sim - respondi eu -. Já disse. Sair daqui: esta é minha meta.”

    De ‘A Partida’ (Franz Kafka)

    Qualquer semelhança é mera coincidência. De qualquer jeito: pecado que por míseros 100 anos o Kafka não tenha conhecido o Mainardi. Seria melhor personagem que qualquer letra do alfabeto. E se assim fosse, o Kafka não precisaria fazer aquele ‘charminho gay’ de pedir a um amigo que queimasse seus escritos.

  11. Lígia L. R.

    -

    22/08/2008 às 3:39

    Estive no Rio semana passada e vi o Diogo, esposa e filho (um fofo) andando de bicicleta em frente à Devassa em Ipanema. Foi horrível, pois, soltei um grito : Diogo Mainardi!!!!
    Bem, dentro de seus limites ele foi simpático e disse: Oi, tudo bem?
    Fiquei com cara de pastel. (risos).
    Também não entendi o podcast dele e sinceramente espero revê-lo outras vezes,sem gritinho de tiete é claro, andando pelo Rio, mas, se aquilo foi uma despedida, aceito, afinal, aqui ou em Paris ele continuará sendo o Diogo Mainardi

  12. Sandra

    -

    22/08/2008 às 1:10

    Puxa… Eu também me perguntei, quando ouvi o podcast: “Mas o que o Diogo quer dizer?

  13. LF

    -

    22/08/2008 às 1:04

    No Brasil da era Lula, o sonho que temos é o mesmo do Diogo. Todos os outros, comunitários e solidários, são um pesadelo.

  14. Anônimo

    -

    22/08/2008 às 0:01

    Reinaldo o Diogo tem um estilo de escrever arrebatador, numa ida à praia nos remete as nossas próprias vivências de um jeito muito legal, eu por ex. gosto demais de ir à praia, sentir o mar, comprar biscoito de polvilho, picolé e depois de bem relaxada…..Ir embora, ô coisa boa, ir embora, eu adoro ir embora, também como o Diogo de qualquer lugar. Quando as crianças eram pequenas, um monte de tralhas, baldinhos, pás, panelinhas, quando crescem nos sentimos LIVRES novamente, já não precisamos levá-los juntos, eles fazem questão de não ir. Dia desses vi Diogo no Manhattan falando da viagem com as crianças, a canseira, a camisa desgrenhada, ir direto gravar o programa. Eu pensava que essa fase NUNCA iria passar, de repente eles crescem e vem a surpresa, passou, não sinto saudades porque vivi com eles intensamente o que tive que viver e vivo hoje intensamente também, quando é assim não tem espaço pra arrependimentos e saudosismos. Pelo que eu vejo da fala do Diogo sobre seus filhos ele é um paizão e tanto, nada de fingir, tudo às claras. Muito legal.

  15. Aurora Manhães

    -

    21/08/2008 às 22:28

    Minha versão: o Diogo estava na praia e, de repente, lembrou-se do podcast e teve que ir embora. Gravou às pressas.

    Esquenta não Diogo, segundo o serviço de meteorologia vai dar praia amanhã. Mas no final de semana chove.

  16. Gilberto

    -

    21/08/2008 às 22:05

    Ô Diogo, tá louco? Logo agora que o podcast está com patrocínio?

  17. Anônimo

    -

    21/08/2008 às 22:03

    Sei bem, o que o anônimo das 9:31, esta dizendo.
    Prá azar nosso…é assim mesmo!

  18. Anônimo

    -

    21/08/2008 às 21:33

    Reinaldo,
    a petralhada se assanhou toda. Pensaram que o Diogo tinha saído do país.
    J.Freire

  19. Anônimo

    -

    21/08/2008 às 21:31

    Já eu reconheço que não tenho educação mesmo e geralmente saiu à francesa.

    O momento da partida é para mim igual o da chegada, aprecio mesmo é quando fecho a porta do meu quarto, tranco e deito em minha cama.

    Evito até de repassar o que aconteceu e só penso no que de bom pode acontecer no dia seguinte.

    Ontem eu assisti a um ufanista jogando confetes nos brasileiros e dizendo que somos muito pessimistas e sempre falamos mal de nós mesmos.

    Ledo engano, os brasileiros são alaridos, palhaços sem graça, sem educação, indecorojos, jogam lixo no chão, não respeitam os outros e só pensam em si dar bem na Lei do Gerson.

    São facilmente reconhecíveis em qualquer lugar do mundo e não tem qualquer senso de ridículo.

  20. Anônimo

    -

    21/08/2008 às 21:29

    “Fôssemos nós como deveríamos ser, não haveria entre nós necessidade de ilusão”.
    (Fernando Pessoa)

    (R)

  21. Vitor

    -

    21/08/2008 às 21:26

    eu realmente nao entendi porque nessa semana, ele não falou nada sério(ou sera que falou e eu nao entendi?)


 

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