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11/11/2009

às 19:33

Surrealismo mágico na América Latina

Descobriram o problema. Contrataram para trabalhar em Itaipu um plantonista que está convencido de que, no Brasil, não existe realidade referencial, e as palavras nunca têm valor denotativo. Nem mesmo as leis querem dizer o que querem dizer as leis.  Vejam o caso das invasões de terra no Pará, por exemplo. Assim, o pobre rapaz contratado pela binacional, um dos filhos bastardos daquele padre esquisito, entendeu que, para os brasileiros, a única linguagem válida é mesmo a figurativa. E foi aí que se deu o problema. Luguito (é o nome do rapaz…) recebeu uma ordem direta do chefe brasileiro. E entendeu a coisa pelo seu sentido hiperbólico.

— Luguito!
— Si, Mico Mandante!
— Ao sair, apague a luz!
— Todas las luces?
— Todas!
— Ninguna acesa?
— Nenhuma! É surdo, Juanito? Nenhuma é nenhuma!
— Si, Mico Mandante! Ninguna es ninguna! Osuridad total!
E o brasileiro já traindo certa impaciência:
— Total, Luguito, total!

Por Reinaldo Azevedo

 

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