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RÚSSIA, OCIDENTE E APOLOGIA DA DESONRA

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 | 17:37
Já citei aqui, há muito tempo, um trecho, na tradução brasileira, de O Homem Sem Qualidades, de Robert Musil. Ele tenta identificar quando estamos diante de uma nova era: “Algo imponderável. Um presságio. Uma ilusão. Como quando um ímã larga a limalha, e esta se mistura toda outra vez. Como quando fios de novelos se desmancham. Quando um cortejo se dispersa. Quando uma orquestra começa a desafinar. (…) Idéias que antes possuíam um magro valor engordavam. Pessoas antigamente ignoradas tornavam-se famosas. O grosseiro se suaviza. (…) havia apenas um pouco de ruindade demais misturada ao que era bom, engano demais na verdade, flexibilidade demais nos significados (…)”

Como se vê, o que vai acima é um conjunto de metáforas e percepções aparentemente desconexas, mas que dizem de modo inequívoco: alguma coisa está se perdendo… já se perdeu.

Temo mesmo — meu lado apocalíptico? — que o Ocidente esteja perdendo alguma coisa… já perdeu. O que é “o” Ocidente? Defino o meu: a sociedade que considera a democracia representativa inegociável, que garante os direitos individuais, em que as decisões coletivas visam à preservação desses direitos.

Esses são nossos fundamentos, nossa “Constituição”. Mas ela traz em si alguns riscos, não é? Porque nos garante a liberdade de visitar outros mundos, outras idéias, outras concepções, sempre se pode flertar com seus inimigos, com aqueles que cultivam valores que solapam as bases de sua existência. Não custa lembrar: o século passado foi marcado pela luta desse Ocidente livre contra forças internas aliadas do comunismo. O comunismo, na sua forma original, acabou, é evidente — a China que o diga. Mas remanesce a tentação, no Ocidente (aquele de que falo), de flertar com outros mundos.

Rússia
O comportamento da imprensa ocidental diante da invasão da Geórgia pelos russos faz-me vislumbrar aquela suave degradação de que trata Musil — ou aquela perversa agregação de valores rebaixados, subtraídos de sua essência. O dado mais escandaloso da abordagem feita pela imprensa livre — que coincide com a leitura da imprensa russa, que livre não é — é o dedo acusador contra os Estados Unidos e, ora…, seu presidente, George Bush. Tão logo o mandatário do principal fiador das democracias ocidentais reagiu à invasão, jogaram-lhe na cara: “Como pode o Bush que contrariou a decisão da ONU, ao invadir o Iraque, censurar a Rússia? Com que moral?”

Bem, em primeiro lugar, não contrariou a ONU coisa nenhuma, que não deu aval para a invasão do Iraque, mas também não vetou. Em segundo lugar, houve uma coalizão de países, goste-se ou não dela. Em terceiro, não foi uma invasão feita da noite para o dia, sem qualquer comunicação prévia. Em quarto, foram dadas algumas precondições para evitá-la, que o tirano Saddam Hussein se negou a cumprir. Em quinto, está documentado, o próprio governo iraquiano plantava mentiras sobre seus armamentos. Em sexto, o Iraque estava pronto para ser abrigo de terroristas; Em sétimo, tratava-se de um facínora fora de controle. Vá lá. Nada disso justificava a invasão? A emenda saiu pior do que o soneto? Pode ser. Podemos divergir sobre tudo o que vai acima, é óbvio. Mas o que isso tem a ver com a Rússia?

Até a independência de Kosowo entrou na jogada para conferir razoabilidade à invasão russa. Sim, se eu votasse naquele caso, teria sido contra. Até cheguei a fazer uma graça qualquer, lembrando a piada do pessoal do Casseta & Planeta sobre “Os Povos Desconhecidos que Ninguém Conhece”. A facilidade com que, por ali, se alega alguma divergência, sei lá, do século 11 para reivindicar a independência de uma aldeia é impressionante.

E por que se lembrou de Kosowso? Ah, se os EUA apoiaram a sua independência, então deveriam fazer o mesmo com a Ossétia do Sul. Se isso tem importância (eu acho que não tem), acato como lógico o raciocínio. Mas e da Rússia? Não se cobra o mesmo? Se o país foi contra o separatismo de Kosowo, por que é favorável ao da Ossétia do Sul?

Nada com isso
Não, senhores! O Ocidente — e os Estados Unidos — não têm nenhuma responsabilidade factual ou moral com o que acontece na Geórgia. Vamos condenar Washington por ter tentado atrair o país para a sua órbita de influência (faz o mesmo com a Ucrânia e com a Polônia)? Bem, não condeno. Aplaudo. Acho que é isso mesmo que deve ser feito. Porque prefiro esses países — e, se possível, todos os outros — sob a influência das democracias ocidentais. “Ah, mas a Casa Branca deu com os burros n’água”. E daí? Em que a impossibilidade de os americanos ajudarem militarmente a Geórgia, sem que levasse o mundo à beira do abismo, mudaria o caráter da ação russa, sua brutalidade, seu desprezo por qualquer dos valores que nos são caros? Em nada! “Os EUA que não tentassem atrair a Geórgia”. Entendi: como diz um funk insuportável, ouvido por alguns idiotas a todo volume nas ruas, “Ado, ado, ado, cada um no seu quadrado”.

Ok. Cada um no seu quadrado? Então eu escolho o meu: e o meu quadrado é o das democracias ocidentais, que precisam de quem as defenda. E noto a propósito: há uma diferença brutal de clareza entre John McCain e Barack Obama no que concerne à questão russa. O candidato republicano censurou o Kremlin com palavras insofismáveis. Obama? Usou variantes do seu “change”. A tática do democrata tem sido esta: quando não sabe o que dizer, afirma que a pergunta está errada.

Desmoralizados
Os críticos dos Estados Unidos — e, na prática, benevolentes com Vladimir Putin — foram desmoralizados pelo próprio governo russo. Este já deixou claro que não reconhece a integridade territorial da Geórgia e que dará apoio objetivo, militar, à “independência” da Ossétia do Sul e da Abkházia. A precipitação da crise serviu apenas para apressar o que já estava em curso.

Só isso? Não! O chanceler russo ameaçou — a palavra é essa — todas as nações da região que censuraram a invasão da Geórgia, em especial os países bálticos e a Ucrânia. Na prática, é como se dissesse que a independência conquistada com o fim da União Soviética é mais retórica do que real. E nem assim Putin viu seu prestígio cair na imprensa ocidental. Continua a ser tratado como um fino estrategista, quase um mago, uma espécie de redenção do velho império soviético, finalmente capaz de arrostar, de novo, com o inimigo ocidental: os EUA. Em parte é verdade. Curioso que se veja “o inimigo” com olhos… russos — ou, ainda, soviéticos.

E o tal Ocidente vai fazer o quê? A frase emblemática, infinitamente mais ampla, é certo, em horas assim é a famosa frase de Churchill referindo-se ao acordo celebrado por Chamberlain e Dalladier com Hitler: “Entre a desonra e a guerra, eles escolheram a desonra e terão a guerra”.

A palavra de ordem, nestes tempos em que se forja aquela “nova era” de que fala Musil, é escolher a desonra para evitar a guerra…

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32 comentários em “RÚSSIA, OCIDENTE E APOLOGIA DA DESONRA”

  1. Anônimo disse:

    A História é a mestra da vida

    Reinaldo -

    A frase acima, atribuída a Cícero, parece-me muito verdadeira. Entretanto - conforme todo professor está cansado de saber - se o aluno não quiser prestar atenção na aula, nem mesmo o melhor dos mestres conseguirá mudar a atitude do discente.

    Eis que estamos vivendo dias muito difíceis em todo o Ocidente, e o BrasiL não faz exceção. Ora, se procurarmos analisar, sem pressa e sem preconceito, a história desde o Império Romano até nossos dias, iremos descobrir que houve uma época em que os homens se portaram como crianças, no sentido evangélico dessa atitude (que não deve ser confundida com um tipo de infantilismo).

    Infelizmente, faz uns cinco ou seis séculos que a sociedade ocidental vem apresentando um generalizado comportamento que lembra o de um adolescente, rebelde e cheio de auto-suficiência.

    Todos esses dramáticos problemas que você vem abordando neste corajoso e lúcido blog, no fundo, no fundo são fruto dessa teimosa adolescência.

    Um abraço -
    Bobby.

    PS: quando é mesmo o seu aniversário?

  2. Anônimo disse:

    Entre o final da Primeira Guerra Mundial e 1938, os pacifistas idiotas acreditavam que a paz mundial seria garantida com o exemplo do desarmamento. Na Inglaterra, Chamberlain, a quem coube participar da administração do salão onde Hitler havia começado a festa, incitava o parlamento contra Churchill, a quem chamava de ’senhor da guerra’. Antevendo o horror que estava por vir, Churchill pregava exatamente o contrário: o país devia aumentar a produção bélica e adequar-se para impor uma guinada à Alemanha. Mas era voz isolada. Soube-se, depois, que, ao ocupar a Alsácia/Lorena, em 1936, Hitler não dispunha de recursos materiais para uma semana de combate. Teria fugido com o rabo entre as pernas, se os franceses o tivessem enfrentado com fundamento no Tratado de Versalhes. Também nos Estados Unidos, durante as décadas de 1920/30, o discurso pacifista levou seguidos governos a eliminar centenas de belonaves que, havia muito, estavam enferrujando nos portos. E isso, incompreensivelmente, enquanto o Japão, todo simpático ao regime alemão, ostensivamente, se transformava na maior potência naval do Oriente. Alguns anos depois, em Pearl-Harbour, os japoneses puseram fora de combate praticamente toda a força naval norte-americana em atuação no Pacífico. Sorte, mas sorte mesmo, que, naquele dia, os porta-aviões não estavam ancorados, pois, como se viu, a guerra naval ali foi decidida em combates entre porta-aviões. Mas o desarmamento naval norte-americano possibilitou que, em pouco mais de 6 meses, os japoneses submetessem todo o Pacífico e chegassem a ameaçar a própria Austrália. E, a despeito da aula prática da História, o pacifismo idiota continua em alta. Os que criticam o “Buxi” por causa do Iraque não conseguem ou não querem ver o perigo que o Sadam Hussein representava para a paz mundial, mesmo após ter promovido duas guerras naquele quadrilátero encharcado de petróleo. Tratam com a mesma ignorância, ou sem-vergonhice, o Ahmadinejad. Querem saber onde está escrito que os EUA podem, mas o Irã não pode dominar tecnologia nuclear. Não vêem ou não querem ver a diferença óbvia, que tanto preocupava Churchill, entre a potência atômica norte-americana e uma eventual potência atômica iraniana!! Parece que não vivem neste mundo!! Como deveríamos raciocinar se estivéssemos diante da possibilidade de Brasil e Venezuela tornarem-se potências nucleares? Qual das bombas seria preocupante? A que estivesse nas mãos do Chávez, que, comprovadamente, financia a desestabilização da Colômbia pelas FARC, ou a que estivesse sob o controle do Lula? O fantasma do Churchill continua discursando!! Por idiotice ou sem-vergonhice, esses pacifistas gostam mesmo é de guerra. Salvemo-nos deles!!

    Guerra

  3. Anônimo disse:

    De novo tentando enganar o seu público ao querer livrar a cara dos EUA na INVASÃO do Iraque???
    O mundo inteiro e até os próprios americanos sabem que não havia justificativa para tal invasão e você ainda insiste nesta tecla. Não havia armas de destruição em massa, não havia ligação com AlQaeda. Foi um crime. As suas justificativas são ridículas; “Não foi uma invasão feita da noite para o dia…”. “foram dadas algumas precondições para evitá-las…” ou seja, as tais armas de destruição em massa que não existiam!!!!! A ONU não autorizou a invasão. Vá se informar melhor!!!

  4. Anônimo disse:

    “O Espírito dos Tempos
    Nota - Este texto é o último parágrafo da Introdução do livro Heretics de G.K.Chesterton. A tradução foi feita por mim que, também, lhe dei um título.

    Suponha que uma grande comoção surja, numa rua, sobre alguma coisa, digamos um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: “Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da Luz. Se a Luz for em si mesma boa –”. Nessa altura, ele é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente em sua praticalidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; alguns outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois, seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste, outros muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais; alguns outros porque queriam destruir alguma coisa. E acontece uma guerra noturna, ninguém sabendo a quem atinge. Então, gradualmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, forma-se a convicção de que o monge estava certo, afinal, e que tudo depende de qual é a filosofia da Luz. Mas, o que podíamos discutir sob o lâmpada a gás, agora temos de discutir no escuro.”

    A tradução é do Angueth.

    Ass.: O mesmo anônimo do comentário grande aí atrás.

  5. Anônimo disse:

    A declaração do Obama sobre a guerra parecia uma resposta de aluno enchendo linguiça na prova porque não sabe a resposta.

  6. André Morais Filho disse:

    Reinaldo,

    é assim que expira o mundo, não com uma explosão, mas com um suspiro…

  7. Anônimo disse:

    Você leu o último texto de Olavo de Carvalho no JB? Lá, ele fala do mercado mais ou menos da mesma forma como aqui você fala da democracia. São dois textos sobre temas absolutamente distintos, mas que tocam o mesmo tema de fundo, quase como se houvesse uma “conjunção espiritual” entre vocês. Diz o Olavo:

    “(…)o sucesso de uma cultura anti-espiritual e até marxista nas sociedades capitalistas avançadas põe à mostra a fraqueza congênita da democracia capitalista, que é a a compulsão de gerar tanto mais ódio a si própria quanto mais generosamente cumpre sua promessa de dar a todos uma vida melhor.(…)”.

    Bingo!

    O problema que você vê não está em Putin, e a solução não está na “democracia representativa”. Você sabe disso, ou não teria citado exatamente este texto de Musil. Olavo também sabe.

    Fato é que a democracia representativa nos protege da ignomínia de uns poucos, mas não da ignomínia da maioria. É o que temos, entretanto, presos que estamos às nossas próprias limitações (se bem que uma ressalva mereça ser feita em relação ao sistema feudal, a despeito do que dizem os nossos “historiadores”, quando os servos eram MUITO mais livres que TODOS os homens de hoje).

    O que está em jogo no mundo atual não é embate entre a democracia representativa e o(s) totalitarismo(s) (Arendt), mas entre o “modernismo” e a Tradição Católica.

    Parece absurdo? Eu também achava. Como assim essa Tradição rígida que nos pede fé tão incondicional e submissão tão severa? Como assim essa ética quase sobre-humana? Como assim esta Verdade que subjuga todas as minhas verdades, com razões logicamente tão incontestáveis que se tornam mesmo detestáveis? Como assim esse paradigmas novos, estranhos? E eu lá, sempre com o “argumentum ad ignorantia”, afastando de mim uma razão que, de tão perfeita, me fazia sentir um nada.

    O texto de Musil que você transcreveu - belíssimo, diga-se - caberia certamente nos estudos de Belloc sobre as heresias. Essa história - a história da perda de nossos referenciais - começou com Ário, passou por Maomé, Lutero, Rosseau, Marx, Hitler, sempre quase em linha reta, de mãos dadas, tirando da Tradição sempre um pedacinho quase imperceptível: “apenas um pouco de ruindade demais misturada ao que era bom, engano demais na verdade, flexibilidade demais nos significados”.

    Para descobrir isso, cansei de me debater comigo mesmo, com o que me foi ensinado. Um debate simplesmente lógico, apóstata e, às vezes, com um bocado de raiva. Lendo a Bíblia e os Padres e pensando: efedepês! (Deus me perdoe!!!) Minha cabeça presa aos conceitos de meu tempo e meu coração sem fé precisaram se convecer pelo estudo da história da luta dessa Tradição contra as heresias, para, só então, encontrar em Deus uma razão tão rica e tão profunda que tudo o mais me pareceu “palha” (São Tomás). A história das heresias fez por minha razão - mais até que por minha fé - no espaço de um ano, o que o catecismo não teria feito em séculos. E foi essa nem tão súbita “clarividência” que tem me guiado para “o resto”, sempre aos poucos, que “o santo é de barro” e “a carne é fraca”.

    Nesta pequena quase confissão, Reinaldo, fica a idéia que permeia todos os seus embates: o nosso fim começa quando falha o nosso frágil sentido de permanência.

    “O tempora, o mores”

    Ah, e antes que eu me esqueça (não tome como ofensa): faça menos “posts” sobre as contingências e mais sobre a estrutura. Você é incomum em ambos, mas sua genialidade aparece mesmo é nos comentários cujo pano de fundo se ergue como pilastras fundadas na rocha. Aproveite o que Deus lhe deu (e que você aperfeiçoou) e divida conosco um pouco mais desse raro dom.

    Abraços anônimos.

  8. Anônimo disse:

    A sua ultima frase me remete a segunda guerra, escolher a desonra p/ evitar a guerra…..foi deixando o Hitler fazer o q bem queria q chegou ao ponto de botar a frança e quase toda europa de joelhos

  9. Cris disse:

    Rei

    E ainda dentro deste assunto, ficamos com os comentários CAFONAS E JECAS, do tipo: A China tem 30 medalhas (sorriso aberto) e é seguida pelos Estados Unidos, com 20 (sorriso irônico.)

    Pena que a TV não é tão interativa ainda a ponto da gente poder dizer para o apresentador: Dãrgh, mané, vai apresentar seu noticiariozinho na China!

    Gente bocó, burra, jacú!

  10. Anônimo disse:

    A invasão ordenada por Putim é muito semelhante a invasão de Hitler na ex-checoslováquia. Os argumentos são espantosamente idênticos.

  11. ATOJR disse:

    O artigo é muito bem argumentado, como sempre. Porem, alguns trechos chamaram mais a minha atenção, em especial, o seguinte:

    “Não custa lembrar: o século passado foi marcado pela luta desse Ocidente livre contra forças internas aliadas do comunismo. O comunismo, na sua forma original, acabou, é evidente — a China que o diga. Mas remanesce a tentação, no Ocidente (aquele de que falo), de flertar com outros mundos….

    …Vamos condenar Washington por ter tentado atrair o país para a sua órbita de influência (faz o mesmo com a Ucrânia e com a Polônia)? Bem, não condeno. Aplaudo. Acho que é isso mesmo que deve ser feito. Porque prefiro esses países — e, se possível, todos os outros — sob a influência das democracias ocidentais.”

    Como faz o Reinaldo, “comento”.

    Mesmo que a China possa ser diferente, ela jamais conseguiu convergir na praxis com a ex-URSS.
    E,ambas, não deixaram de ser totalitárias.E os crimes contra os “direitos humanos” nunca foram cobrados pela “comunidade internacional,com tanto vigor como foram ou estão sendo cobrados no CHILE, ARGENTINA e BRASIL.

    Ouvindo na LULANEWS uma sra da tal Comissão de Anistia, ela argumentou que o comunismo , aqui no BRASIL, seria bastante ” diferente” do resto dos outros comunismos.Faltou pouco para dizer que seria o”reino de Deus aqui na terra”.

    Quando ilustre jornalista diz que há um flerte com outros mundos, foi cortez. Há muito mais. Há um casamento “com outros mundos”.E desse casamento, já há filhotes bastante crescidos no ocidente, porem , bem dissimulados quando convem,pois a genética , agora, já evoluiu com a proveta do GRAMSCISMO.E ai é só olhar para a Venezuela,a Bolívia, o Paraguai e o próprio Brasil.

    Quando Putin toma a decisão de invadir a Georgia, parece que quer
    fazer reviver a dicotomia da Guerra Fria, pois sabe que os tentáculos do marxismo está bem destribuidos no mundo e ele conta com isto.

  12. Anônimo disse:

    Sem ser muito teórico. Foi uma “nice try” por parte da Georgia e amigos. Corta-luz com o ambiente das Olimpíadas, mas não deu. ONU, Conselho de Segurança e etc. só servem para arquivar os acordos, depois de toda a merda feita. A ONU não tem forças armadas. É o bla-bla-bla mais caro do planeta. O McCain pode se beneficiar. Ele em o perfil para lidar tratar de uma situação como esta.

  13. Anônimo disse:

    Conteúdo espetacular.

  14. Anônimo disse:

    A esquerda nojenta odeia os EUA, mas o povo mundial o adora e admira. Tudo não passa de inveja. Obrigado América por manter a liberdade.

    (R)

  15. Anônimo disse:

    de VENTÂNIA p/ o mundo. é por ai caro reinaldo. Russo é povo bárbaro, nossa sorte que americano é inglês e inglês é povo guerreiro, topa parada.

  16. Anônimo disse:

    É bom lembrar que a agresssão real partiu da Geórgia e não da Rússia.O que o presidente da Geórgia imaginou é que diante das Olimpíadas a questão da Ossétia se tornaria menor.Imaginou ainda que a Rússia iria apelar primeiro para os orgãos internacionais que geraria discursões diplomáticas intermináveis.Esqueceu de combinar com a Rússia que de maneira justa reagiu a injusta agressão contra os óssetios seus aliados.A Geórgia imagina que conta com o incondicional apoio ocidental.Mas lembre que a região é área de influencia russa e que eles não vão abrir mão disto.Além do mais a Rússia nem é o IRAQUE e nem o AFEGANISTÃO.Viva a Rússia.Vitória já.

  17. Anônimo disse:

    É bom lembrar que a agresssão real partiu da Geórgia e não da Rússia.O que o presidente da Geórgia imaginou é que diante das Olimpíadas a questão da Ossétia se tornaria menor.Imaginou ainda que a Rússia iria apelar primeiro para os orgãos internacionais que geraria discursões diplomáticas intermináveis.Esqueceu de combinar com a Rússia que de maneira justa reagiu a injusta agressão contra os óssetios seus aliados.A Geórgia imagina que conta com o incondicional apoio ocidental.Mas lembre que a região é área de influencia russa e que eles não vão abrir mão disto.Além do mais a Rússia nem é o IRAQUE e nem o AFEGANISTÃO.Viva a Rússia.Vitória já.

  18. Newman disse:

    E eu fico aqui tentando imaginar o que se passa na cabeça do povo checheno ao testemunhar toda essa situação. Sou contra o terrorismo, mas as imagens na tv dos sequestradores chechenos dentro daquele teatro em Moscou anos atrás ainda me chamam a atenção. Não havia raiva e nem revolta no olhar daquelas pessoas, apenas tristeza de que sabiam que iriam morrer numa tentaviva desesperada de chamar a atenção do mundo para o desprezo com que todas as nações demonstravam com o genocídio imposto a Chechenia. Espero que a Era do Petróleo chegue logo para que essa Rússia vagabunda retorne ao medíocre lugar.

  19. Fernando disse:

    Fino raciocínio na condenação da imprensa ocidental, Reinaldo, e suficientemente robusto para dispensar sua defesa um tanto quanto forçada da malograda e equivocada invasão do Iraque. Os reais motivos da invasão foram outros do que os citados por você.

  20. Anônimo disse:

    O Ocidente está caindo e não é de agora. Nossos próprios valores são sequestrados por essa canalha motivada em destruí-los. Nós, como civilização, optamos por confiar no homem (Je, 17, 5), e agora pagamos o preço. Tivéssemos sido mais cautelosos, não estaríamos no estado em que estamos.

    Agora, quantos de nós ainda estão conscientes e fortalecidos o bastante para resistir? Quando os bons estão entorpecidos ou corrompidos, os maus ficam com o caminho livre.

    “The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere / The ceremony of innocence is drowned; / The best lack all conviction, while the worst / Are full of passionate intensity.”

    Ainda assim, que tipo de gente é essa que se volta tão covardemente contra os seus?

    P.M.

  21. Anônimo disse:

    Tio Rei,

    pois é, a era do molusco chega gloriosamente ao seu ápice com um país pra lá de ditatorial entregue ao cartel da empresas transacionais
    como é a China, e agora vem a velha Russia dando as caras do seu jeito caracteristico que é a violencia pela violencia. Não é a toa que a canalha petralha se espelha nesses dois modelitos para fazer suas armadas por aqui, claro que ainda muito subdesenvolvidos, mas com certesa são eficientes, posto que uma sociedade acomodada e apalermada como a nossa da qual faço parte, ficamos gritando e de concreto nada fazemos. Como voce bem disse a causa já está perdida, nossos netos é que pagaram o pato de um mundo comunizado.

    Burduna nelles !!!

  22. Anônimo disse:

    Pedindo desculpa antecipadamente

    Reinaldo Azevedo -

    Estou cansado de saber que você é um homem superatarefado. Manter este blog em dia, analisando fatos quase diários do Brasil e dos demais países, é um verdadeiro trabalho de Hércules.

    Entretanto, mesmo sabendo disso atrevo-me a - mais uma vez - sugerir a você a leitura deste livro: DOIS AMORES, DUAS CIDADES, de Gustavo Corção.
    Nessa obra você vai, entre outros importantes assuntos, ver como o Ocidente se desviou do Norte que durante um milênio lhe servira de referência.

    É muito fácil dizer - como fez um anônimo aí em cima - “O Bush e o Putin se merecem…” Bem mais difícil é procurar, em um passado distante, o núcleo de nossos (isto é, do Ocidente)atuais problemas.

    Me desculpe pela insistência da minha sugestão. Eu não a faria se não visse em você alguém capaz de ler e, sobretudo, entender o livro acima referido.

    Um abraço.

  23. Anônimo disse:

    Petralha às 06:01.

    E ele ainda escreve: “Reinaldo.. não seja petralha”.

    Bonito, né?

  24. Anônimo disse:

    Reinaldo eu identifiquei a ERA LULLA nos escritos de Musil, quanto à frouxidão do Ocidente diante das investidas de Putin de restaurar o poderio da antiga URSS assim pelas beradas, é porque de alguma maneira pensam que não será como antes, não tem clima de “Cortina de Ferro”, aí o Ocidente age mais ou menos como foi na ERA Hitler, o assassino foi galgando poder defendendo o nacionalismo alemão, foi eleito assim como Putin pela grande maioria do povo, o Ocidente também silenciou vergonhosamente na perseguição aos judeus, quando resolveu acordar já era tarde e o preço pago pela conivência todos nós sabemos qual foi. Quando Putin ficar incontrolável como ficou Hitler, o Ocidente vai medir o tamanho do estrago de sua omissão COVARDE. Os EUA continuarão sendo uma DEMOCRACIA e ainda vão ajudar os coniventes com o Putin de hoje.

  25. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo, texto ótimo e claro. Ontem mandei algumas críticas para alguns meios de comunicação sobre o que julgo de injustiça com os EUA. Um dos meios de comunicação não deu nem ouvidos ao que eu escrevi e manteve o mesmo tom acusador aos EUA hoje pela manhã. Que pena, um país tão bom, com pessoas tão boas e capazes sendo tratado tão injustamente. E assim, é algo generalizado, crônico. Só Bush e EUA tomam paulada. Putim sai ileso, é uma coisa expantosa. Deus abençõe o Ocidente.
    Abraço.
    Wálter Cavalcante de Assis
    Osasco - SP

  26. Anônimo disse:

    O mundo já está perdido, é só questão de tempo. Loucos são os que ainda fazem filhos. Mas pelo menos o Brasil é mais fácil de salvar (pelo menos enquanto o resto do mundo não se acabar): meia-dúzia de tanques na rua e Mula e companhia saem correndo e se borrando nas calças. Precisamos somente disso - meia-dúzia de homes com coragem. Mas cadê?

  27. Anônimo disse:

    Quando estava na faculdade de direito e pagava caro para receber aulas diáris de comunismo, uma comunista, digo, professora, estava enlouqeucida à época da invasão do Iraque: “é o fim do mundo, os EUA acabaram com a ONU, etc.”. Falei - “professora (sic), desde a criação da ONU até hoje passou algum ano sem que uma nação qualquer não invadisse outra em algum lugar do planeta?”. Então por que a coisa só toma ares de fim de mundo quando os EUA estão envolvidos? O resto, pode tudo, pode invadir, matar, etc. São 3 coisas que não entendo: 1) Por que os EUA ainda teimam em sustentar a ONU praticamente sozinhos, 2) Por quê o Reinaldo ainda perde tempo lendo a folha de são paulo, 3) O que Ali Kamel faz no jornalismo da Globo (eu de novo).

  28. Anônimo disse:

    Texto pra imprimir e carregar no bolso

  29. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    A solução é asfixiar a economia russa. Foi assim que acabou Guerra Fria, com o esfacelamento da URSS. O jornalismo pró-Rússia tem tentado dar à Europa um status de dependente do gás russo, como se esta estivesse de joelhos frente à Rússia. Isso é balela! Alternativas existem, basta estar disposto a pagar o preço. E eu acho que é hora de pagar este preço, antes que o sucesso suba à cabeça dos brucutus de Moscou. A hora de dar uma lição ao macho-man da estepes é agora! Cortem o fluxo financeiro e a anemia irá tirar o ânimo bélico do patético Putin.

    Esqueçam o arsenal nuclear, já que não é possível utilizá-lo. A máquina de guerra convencional russa depende de uma economia em ordem. O Rússia ainda é um urso manco, apesar de ter dado uma aprumada na pelagem nos últimos tempos. Sem os grandes investimentos externos do Ocidente, o urso perde a muleta e cai.

  30. Anônimo disse:

    “Bem, em primeiro lugar, não contrariou a ONU coisa nenhuma, que não deu aval para a invasão do Iraque, mas também não vetou”.

    Reinaldo, o Conselho de Segurança não ter vetado a invasão do Iraque não faz diferença: a invasão só poderia ter sido feita se o Conselho aprovasse. O silêncio não é suficiente, pois o único recurso à força admitido na Carta da ONU é em auto-defesa ou com a autorização do Conselho de Segurança, e o Iraque não estava invadindo os Estados Unidos.

    Assim, os EUA de fato não tem moral alguma para criticar a Rússia. O Bush e o Putin se merecem…

  31. simplesmente maria disse:

    Excelente, excelente post. E a citação de Musil é fantástica.

  32. Fabricio Faria disse:

    Reinaldo, vc afirma que a ONU não deu aval mas também não vetou.. logo não os EUA não contrariaram a ONU..

    Por favor, se quiser defender os EUA, faça com argumentos corretos.

    A ONU não vetou pq os EUA são membros do Conselho de Segurança. Assim, qualquer veto ou punição teria sido vetada pelos EUA. Assim como no caso da Rússia, a ONU não permitiu nem vetou pq a Rússia também é membro permanente do CS e tem poder de veto.

    Agora, a Carta de São Francisco, tratado constitutivo da ONU, prevê expressamente que a ONU é a única legitimada a autorizar intervenções militares e que nenhum país pode faze-lo sem seu aval.

    Logo, os EUA foram contrários não a uma decisão da ONU à epoca.. mas sim a sua carta. .ao seu tratado constitutivo…

    Os EUA devem respeito ao direito internacional e dos tratados não? E ao desrespeitar a Carta da ONU, eles contrariaram aquilo que eles voluntariamente firmaram em 1946.

    CORRIJA ESSA INFORMAÇÃO

    Quem defende que para fazer prevalecer a justiça pode se passar por cima da Justiça é o juiz De Sanctis e não você Reinaldo..

    Não defenda uma intervenção ilegítima, ilicita e ilegal com argumentos que teve aviso prévio ou que o tirano Saddam Hussein se negou a cumprir condicoes..

    Veja só.. se o MST der um aviso prévio de invasões e oferecer precondições para não invadir, isso será menos condenável??

    Reinaldo.. não seja petralha

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