08/11/2009
às 6:03Reunificada, Alemanha segue dividida no bolso e na mente
Por Luciana Coelho, na Folha:
Na maior parte do trajeto por onde passou o Muro de Berlim, há apenas discretos tijolos incrustados no chão e placas de metal com o tempo de vida desse monumento à Guerra Fria (1961-89). Mas, passados 20 anos desde que o ex-oficial comunista Günter Schabowski se confundiu em uma entrevista e precipitou a queda, a sombra da divisão alemã persiste.
A “Mauerfall” -o evento que acabou por simbolizar o fim da Cortina de Ferro no vácuo das reformas promovidas por Mikhail Gorbatchev na União Soviética e da fervente pressão econômica e social nos países do Leste Europeu- será celebrada amanhã, e não há por que questionar a reunificação que aconteceria no ano seguinte.
Os desníveis, claros, aos poucos vão sendo cobertos. Mas pergunte a um alemão de qualquer parte se hoje há diferenças entre Leste e Oeste. A resposta imediata será “sim”.
Forjado em 1945 pelos vencedores da Segunda Guerra quando dividiram o país em dois e sua capital em quatro (depois americanos, britânicos e franceses uniriam suas zonas de controle, deixando os russos sós), o conceito de dois lados da Alemanha ainda se reflete na política e na economia.
Com um quinto da população total, os Estados da ex-República Democrática Alemã não têm ministros no gabinete de Angela Merkel (embora ela, criada no Leste, seja a exceção à regra). O desemprego é quase o dobro do que vigora nos Estados da antiga República Federal da Alemanha, a população declina mais rápido e o PIB per capita mal chega a 70% dos conterrâneos ocidentais.
Psique
Mais do que números da economia e cadeiras do Parlamento, a divisão permeia até hoje a psique alemã. A Folha indagou historiadores, professores, burocratas, políticos, economistas, jornalistas, ativistas e estudantes nascidos na RDA e na RFA se Leste e Oeste ainda são diferentes. Todos, exceto uma estudante (leia texto na pág. A16), disseram “sim”.
Embora sem animosidade, as pessoas ainda guardam estereótipos mais sólidos do que o muro. “A arrogância do Oeste é parcialmente verdade”, diz Tobias Holitzer, curador de museu em Leipzig. “E o Leste, por sua vez, também é cético em relação ao Oeste.”
Esses papéis derivam das relações travadas por 40 anos. “Todo mundo tinha parentes ou amigos na Alemanha Oriental e lhes mandavam algumas coisas cotidianas, o que tornou a relação entre a Alemanha Ocidental e a Oriental estreita”, diz o historiador Siegfried Suckut, criado na região de Hamburgo. “Mas por causa disso os alemães orientais acabaram na posição inferior, de pedir e não ter o que oferecer.” Aqui
Tags: Alemanha


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16 Comentários
Tonazzi
-09/11/2009 às 12:16
os alemães cometeram umas das maiores atrocidades da humanidade dos tempos modernos. Espero que eles tenham aprendido a lição.
Rodesiludido
-08/11/2009 às 22:52
Acredito que o maior exemplo do fracasso da economia socialista seja o desnível das duas Alemanhas, houve quem afirmasse na época da reunificação, que a Alemanha Oriental abalou a economia da Ocidental (capitalista), então e posteriormente, uma das mais mundo sólidas do mundo.
O segundo grande exemplo é o latifúndio cubano, charfundando na miséria há meio século, quem é a favor do regime cubano deve estar muito interessado apenas nas próprias ambições.
BrunoCDP
-08/11/2009 às 20:37
…cont.
Introduzir e popularizar conceitos como a propriedade privada, a responsabilidade individual, o lucro, a taxa de juros, o espirito empreendedor e tantos outros elementos que formam o núcleo essencial da economia de mercado entre uma população que os ignorava por completo não foi nada fácil.
Vinte anos mais tarde Alemanha volta a ser um grande país, mas o mais importante daquela noite em que caiu o Muro é que aconteceu do lado correto, e que “essa porta não voltará a fechar-se nunca”.
Há vinte anos ganharam os bons.
Saludos y fuerte abrazo
BrunoCDP
-08/11/2009 às 20:36
…cont.
Os alemães ocidentais não podiam acreditar ao que encontravam na parte oriental: cidades com serviços dos anos 30, rodovías e estradas em um estado lastimável, sistemas de telecomunicação primitivos, fabricas ineficientes e superpoluidoras… Demolir o trabalho do comunismo e reconstruir algo digno de ser salvo foi e tem sido um trabalho de titãs ainda inconcluso. Porém ainda mais difícil tem sido o processo dedicado a mudança das mentes, especialmente daqueles mais velhos que estavam acostumados ao Estado organizando suas vidas desde o berçario até o túmulo.
…
Teo
-08/11/2009 às 20:34
Grande Reinaldo,
OS LEITORES DESTE BLOG ADVERTEM:COMUNISMO FAZ MAU À
SAÚDE.Deixa seqüelas psicológicas de difícil tratamento.
BrunoCDP
-08/11/2009 às 20:34
cont.
A partir daí, é conhecido o que aconteceu. O grande Helmut Kohl, desafiou por primera vez o Bundesbank e decidiu que para facilitar a integração era fundamental ser generoso com os vizinhos do leste, estabelecendo a paridade entre as duas moedas em igualdade, apesar que os analistas indicavam uma conversão de 5 por 1. Aos alemães ocidentais foi exigido 5% como imposto de reunificação.
A grande generosidade dos cidadãos e das demais empresas da RFA tornou possível a reunificação política aos 11 meses da queda do Muro, apesar da resistência da URSS, que não queria ver sua antiga aliada incorporada a OTAN de seus enemigos, e ao poco entusiasmo de alguns líderes europeos como Mitterrand.
BrunoCDP
-08/11/2009 às 20:31
…cont.
Ver aquilo ao vivo não foi somente emocionante, como também nos obrigava, de uma parte, a revisar o que tinhamos vivido no período da cortina de ferro e guerra fria, e de outra, a especular sobre quais mudanças iriam acontecer.
As reportagens buscavam as opiniões de diversos alemães, e foram recopilando pontos de vista que eram bastante coincidentes. Reunificar o país não era, até então, uma meta nacional. Os quarenta anos transcorridos tinham separado demasiado os povos. Nem como exercício retórico acreditavam que fosse possível a união, pois existiam diferenças que resultavam excessivas.
…
BrunoCDP
-08/11/2009 às 20:30
…cont.
Não sei como aconteceu, quem deu a ordem, mas em algum momento perto dàs 23hs se abriram as barreiras e o povo começou a cruzar. Milhares de alemães ocidentais com bandeiras e música recepcionavam em festa incredúlos sobre o que via. Muitos se abraçavam, saltavam e riam.
As televisões cobriram o evento toda noite e entrevistaram muita gente. Recordo de um homem que ao passar a fronteira e pedir um marco para chamar um primo de Hamburgo respondeu a pergunta se pensava em voltar: “Claro que sim! Deixei na minha casa meu cão com pouca comida… Além do mais, esta porta, acrescentou, não voltará a fechar-se nunca.”
…
(BrunoCDP) Vitória da liberdade
-08/11/2009 às 20:28
…cont.
Eram mais ou menos 20hs em Berlim e alguns canais de TV interromperam suas programações para dar a noticia. Os habitantes da lado oriental começaram a aproximar-se do temido muro de separação, ainda bem protegido por centenas de VoPos. Alguma coisa iria passar. Até então, aquele que queria saltar o muro era fuzilado. A televisão mostrava as lápides que os ocidentais tinham erguido em sua memória. Quando eram 22hs naquela noite milhares de alemães já se amontoavam junto ao Muro, em frente aos policiais. Os comentaristas e especialistas consultados pela imprensa não se atreviam a aventurar qual seria o resultado. Tudo era possível, desde uma dissolução pacífica até um massacre…
(BrunoCDP) Há vinte anos ganharam os bons
-08/11/2009 às 20:26
Lembro de assistir a transmissão da queda do muro ao vivo na TV, era de tarde no Brasil…
Os antecedentes são conhecidos: em setembro de 89 os alemães do leste começaram a “votar com os pés” através do êxodo massivo às embaixadas de Bonn na Hungria, Varsóvia e Checoslovaquia. Os protestos dos cidadãos na Berlim Oriental aguaram as festas para celebrar os 40 anos da RDA e provocaram a queda do presidente Honecker. A fuga foi ficando massiva e o momento decisivo aconteceu na tarde de 9 de novembro na coletiva de imprensa em que o porta-voz do governo tirando um papel do bolso leu a frase histórica: “ Os cidadãos da RDA poderão viajar ao extrangeiro sem necessidade de visto”.
Shariat
-08/11/2009 às 9:30
Um viva para a administração central planejada… eis os seus frutos.
Rerisson
-08/11/2009 às 9:14
A gente sabe como é. A culpa de a metade ex-comunista da Alemanha ser tão pobre é… do capitalismo!
Socialistas nascem burros ou fazem curso para isso? Ora, fazem curso! Do ensino fundamental ao médio, no Brasil…
sueli
-08/11/2009 às 8:33
Os alemães orientais acabaram na posição inferior pelo atraso que existia entre o lado oriental e ocidental.
Não adianta, a democracia capitalista é melhor que o comunismo.
Não consigo encontrar um motivo, um exemplo que me diga o contrário.
Seja em tecnologia, pesquisa, transporte, saúde, educação, trabalho e liberdade individual ou coletiva, não adianta, o capitalismo é melhor.
A necessidade de autorização do Estado para tudo nos paises comunistas é a razão do atraso. O Estado é o atraso.
O Estado Comunista transformou os alemães orientais em seus dependentes e é o que o Mula está fazendo com o bolsa-esmola.
Agora é o atraso do país chamado Brasil.
roby
-08/11/2009 às 8:18
Se os alemães orientais se sentiram em posição de inferioridade, por pedir e não ter com que retribuir, imagine se o Governo da Reunificação instituísse algo parecido com o brasileiríssimo (aliás, lulo-petistíssimo) Bolsa Família — uma esmola sem contrapartida envergonhando o cidadão da transa dos pais à cova.
É, os países desenvolvidos ainda têm muito a nos ensinar. A começar do simples e elementar respeito à dignidade humana.
E tudo em nome desse “progressismo” que levou URSS, Europa Oriental, Cuba e congêneres à falência física e moral.
Será que o miserável ser humano não é capaz de aprender com a experiência alheia? Maldita espécie, predestinada ao sofrimento.
Small Winner
-08/11/2009 às 7:11
Se a turma do pc da Albânia, digo, do b fosse menos imbecil, primeiro não seria cocomunista nem apoiaria lullalau e a falsa doutora; depois, não marcaria seu encontro para tão perto da festa da democracia, que deixa mais à mostra a herança maldita da “ditadura do proletariado”: não ter o que oferecer.