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Reinaldo Azevedo, jornalista, escreve este blog desde 2006. É autor dos livros “Contra o Consenso” (Barracuda), “O País dos Petralhas I e II”, “Máximas de Um País Mínimo — os três pela Editora Record — e “Objeções de um Rottweiler Amoroso” (Três Estrelas).

Presidente afastado da Andrade Gutierrez volta à cadeia

Esse caso não tem nenhum efeito de natureza legal no processo de impeachment de Dilma, que está em curso. Mas pode decidir o destino num outro julgamento: aquele que está no TSE, movido pelo PSDB, e que pede a cassação da chapa que elegeu a presidente, sob a acusação de abuso de poder político e econômico e de uso de dinheiro sujo na campanha

Por: Reinaldo Azevedo

Otávio Marques de Azevedo, presidente afastado da Andrade Gutierrez, voltou a ser preso nesta quarta, depois de ter sido libertado na sexta. Trata-se de uma atrapalhação e de uma bateção de cabeça desnecessária da Justiça Federal, ainda que na combinação, ou “descombinação”, de juízes distintos. Vamos ver.

Naquela sexta-feira, noticiei em primeira mão que os dois diretores da empreiteira que estavam presos — o outro era Elton Negrão — seriam soltos pelo juiz Sergio Moro. Tinham feito o acordo de delação premiada, que virou uma precondição para os presos de primeira grandeza deixarem o xilindró.

E escrevi também, como se pode ler aqui, que Azevedo poderia continuar na cadeia porque havia outra prisão decretada contra ele — no caso da investigação do pagamento de propina na Eletronuclear. Se eu sabia, não é possível que a Justiça ignorasse, certo? Fiquei surpreso quando ele deixou a cadeia, e ninguém mais tocou no assunto da outra prisão decretada.

Pois é… Já no sábado, o juiz que cuida do escândalo na Eletronuclear, Marcelo da Costa Bretas, mandou prender Marques de Azevedo. Mas, segundo ele, os policiais se negaram a cumprir a ordem, o que só se fez nesta quarta. O caso dessa estatal, como se sabe, foi desmembrado do processo-mãe do petrolão e saiu da alçada de Sergio Moro. Está sendo investigado no Rio.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha, se Moro tivesse informado a Bretas que Azevedo Marques estavam sendo posto em liberdade em razão de um acordo de delação premiada, a prisão poderia ter sido evitada. Mas parece que Moro não o fez. Se o acordo já tivesse sido homologado por Teori Zavascki, o presidente afastado da empreiteira não teria voltado à cadeia.

A delação da Andrade Gutierrez tira o sono da presidente Dilma e de uma fatia considerável do PMDB. Consta que a empreiteira decidiu contar que foi alvo de uma abordagem não muito amistosa de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma, para aumentar a doação à petista. O método de persuasão teria sido o mesmo usado com Ricardo Pessoa, dono da UTC: lembrar as obras que a empreiteira tinha na Petrobras. E consta que o PMDB no Rio também vai ficar bastante infeliz. Vamos ver.

Olhem aqui: com um processo de delação em curso que, tudo indica, pode revelar aspectos ainda mais cabeludos da máfia que tomou contra do país, uma trapalhada como essa é desnecessária, para dizer pouco.

E que se note: esse caso não tem nenhum efeito de natureza legal no processo de impeachment de Dilma, que está em curso. Mas pode decidir o destino num outro julgamento: aquele que está no TSE, movido pelo PSDB, e que pede a cassação da chapa que elegeu a presidente, sob a acusação de abuso de poder político e econômico e de uso de dinheiro sujo na campanha.

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Comentários

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  1. rosan

    Normal, dois crimes distintos, duas prisões distintas!!! E viva nossos juízes federais!!!

  2. Anticorrupto

    Essa pressão psicológica em cima do senhor Marques Azevedo, vai apressar as suas duas delações premiadas no Petrolão e no Eletrolão. Parece-me que esse é o único caso de duas delações simultâneas por um mesmo acusado. Isso é bom, pois ele aprende que não se deve se meter em crimes. Com toda essa pressão, ele vai contar tudo o que sabe, e com provas robustas e irrefutáveis.

  3. Cesar Barbosa

    Reinaldo, você sempre tão antenado parece ter esquecido que são dois processos distintos; Lava jato e Eletronuclear, ambos com juízes e varas distintas. Seria uma ingerência um dos juízes opinar no processo alheio ou pedir pela não prisão de alguém, mas imagino que ambos mantenham algum tipo de diálogo. Também não podemos esquecer que o acordo foi com o juiz Moro e não com o juiz Marcelo da Costa Bretas. Entendo o estado psicológico do acusado, ser solto num dia e logo em seguida reconduzido a prisão, mas ele que faça logo um acordo com o segundo juiz e vá gozar da sua liberdade.

  4. O BOM É?

    QUE JÁ CONHECE
    O CAMINHO!

  5. Cirval

    Chega de querer perseguir o Moro. Ele deve estar tão atarefado, que não tem tempo para pensar nesses detalhezinhos. Se houve falha, que se corrija e pronto! Não se fala mais nisso. Se houvesse um link eletrônico nos Tribunais isso não aconteceria, mas, infelizmente, ainda não há. E sabe por que você está errado na sua enésima vez vez que fala em PRECONDIÇÃO? Você sabe melhor do que nós que o julgamento do mensalão estava no auge – com prisão de figurões do PT – e o petrolão corria solto. Você acha que o Moro sentir-se-ia seguro se soltasse os cabeças do conjunto mensalão e petrolão? Pasme, o Zé Dirceu agia, mesmo preso! Sei que você não é tão inocente assim, mas tem pisado na bola ao insistir em enfraquecer o Moro. Bem ou mal, o Moro foi a maior novidade judicial no Brasil, desde o seu descobrimento. Ninguém tem peito para fazer o que ele fez até hoje. Toda vez que há uma falha do Moro você cai em cima dele. Deixe disso! Aliás, se mais falhas dele ocorrerem no futuro, o que ele fez até agora já é o suficiente para considerá-lo um dos maiores homens públicos que o Brasil já teve. Mudou o país para melhor.

  6. Carlos T

    Se tivessemos justiça de fatomuitos teriam que ir tambem roubaram demais em MS o DNITde MS ex diretor cargo de confiança da Dona Presidente Dilma Marcelo Miranda Soares que ficou la por mais de 8 anos sofridos para povo,roubou bilhoes junto com Delcidio,Zeca e Vander e o Chefe que o pos la Bumlai,que por sua vez fez a campanha destes outros com 40 milhoes vindo da Petrobras interrogam Mauricio Bumlai e vao descobrir ele tem que falar pois e verdade e muitos sabem.Nao tem como negar e ele seu irmao Fernanado iam sempre ao DNIT buscar lucros com Marcelo,todos corruptos,Bumlai sobe ensinar o legado aos filhos.Melhor Marcelo Ir preso paranao mexer mais em Bumlai porque se vasculhar nao sai da cadeia nunca mais,pior arrastara os filhos juntos.Assim como Andrade para todos lados acordos para pegar obras e passar porcima dos outros.Barganhas,e acordos.DILMA tambem tem que explicar muito.Mais ele exonero Marcelo soares do DNIT tal era o rombo,da para imaginar?Andrade esta ruim a situaçao dela,por mais que falou ainda deve ter muito a que contar,nao e nao?Sera agora falar de Dilma?E a campanha?vamos ver,que tem ,tem!!

  7. kátia

    sei lá, a justiça deveria ser só uma, e ao meu ver, não existe pmdb do rio, é só um o pmdb, estão todos, o vice, os presidentes, juntos com o pt. todos no mesmo buraco, somos todos a operação lava-jato. justiça. fora pt.

  8. Adriano

    Tio Rei,
    Quem tem o controle dos mandados de prisão contra uma determinada pessoa é o responsável pela custódia do preso, ou seja, a Polícia Federal, ou o Diretor do Presídio.
    Eu trabalho na Justiça Federal no Setor Criminal, em todo alvará de soltura TEM que constar a frase “o preso deve ser imediatamente posto em liberdade, salvo existência de outro motivo que determine a manutenção de sua custódia pelo Estado…”
    Ficaria muito surpreso caso o Servidor responsável pela expedição do Alvará de Soltura tenha cometido tal erro. De outro giro, caberia ao responsável pela custódia do preso alertar ao Sr. Oficial de Justiça acerca da existência de outra ordem de prisão contra o preso.