Mas, se você não é um “deles”, ainda que fizesse milagres, eles os chamariam, a exemplo do faraó, de “truques”. A esquerda inventou a fidalguia do pensamento: prove, primeiro, que você tem pedigree para pensar e, então, pense. A imbecilidade não é monopólio da esquerda, todavia. Quando o assunto é religião, por exemplo, também há cretinos na direita. Não fosse a irrelevância do que escrevem, seria o caso de combatê-los. Por irrelevantes, ignoremo-los.
Abaixo, reproduzo um texto de Olavo de Carvalho, um pensador não-alinhado e que não se encaixa no figurino da vítima. Sabe o que pensa e paga o preço por isso. O artigo está publicado no JB Online. É de uma clareza admirável. Olavo e eu nem sempre concordamos (acho que ele e eu não concordamos sempre com ninguém…). Não é o caso deste artigo. Endosso cada palavra e, na verdade, gostaria de tê-lo escrito.
Ateus e ateus
Há dois tipos de ateus: os que não acreditam que Deus existe e os que acreditam piamente que Deus não existe. Os primeiros relutam em crer naquilo de que não têm experiência. Os segundos não admitem que possa existir algo acima da sua experiência. A diferença é a mesma que há entre o ceticismo e a presunção de onissapiência.
Acima da distinção de ateus e crentes existe a diferença, assinalada por Henri Bergson, entre as almas abertas e as almas fechadas. Vou explicá-la a meu modo. Como tudo o que sabemos é circunscrito e limitado, vivemos dentro de uma redoma de conhecimento incerto cercada de mistério por todos os lados. Isso não é uma situação provisória. É a própria estrutura da realidade, a lei básica da nossa existência. Mas o mistério não é uma pasta homogênea. Sem poder decifrá-lo, sabemos antecipadamente que ele se estende em duas direções opostas: de um lado, a suprema explicação, a origem primeira e razão última de todas as coisas; de outro, a escuridão abissal do sem-sentido, do não-ser, do absurdo. Há o mistério da luz e o mistério das trevas. Ambos nos são inacessíveis: a esfera de meia-luz em que vivemos bóia entre os dois oceanos da claridade absoluta e da absoluta escuridão.
O simbolismo imemorial dos estados “celestes” e “infernais” demarca a posição do ser humano no centro do enigma universal. Essa situação - a nossa situação - é de desconforto permanente. Ela exige de nós uma adaptação ativa, dificultosa e problemática. Daí as opções da alma: a abertura ao infinito, ao inesperado, ao heterogêneo, ou o fechamento auto-hipnótico na clausura do conhecido, negando o mais-além ou proclamando com fé dogmática a sua homogeneidade com o conhecido. A primeira dá origem às experiências espirituais das quais nasceram os mitos, a religião e a filosofia. A segunda leva à “proibição de perguntar”, como a chamava Eric Voegelin: a repulsa à transcendência, a proclamação da onipotência dos métodos socialmente padronizados de conhecer e explicar.
A religião é uma expressão da abertura, mas não é a única. A simples admissão sincera de que pode existir algo para lá da experiência usual basta para manter a alma alerta e viva. É possível ser ateu e estar aberto ao espírito. Mas o ateu militante, doutrinário, intransigente, opta pela recusa peremptória do mistério, deleitando-se no ódio ao espírito, na ânsia de fechar a porta do desconhecido para melhor mandar no mundo conhecido.
Dostoiévsky e Nietzsche bem viram que, abolida a transcendência, só o que restava era a vontade de poder. Aquele que proíbe olhar para cima faz de si próprio o topo intransponível do universo. É uma ironia trágica que tantos adeptos nominais da liberdade busquem realizá-la através da militância anti-religiosa. As religiões podem ter-se tornado violentas e opressivas ocasionalmente, mas a anti-religião é totalitária e assassina de nascença. Não é uma coincidência que a Revolução Francesa tenha matado dez vezes mais gente em um ano do que a Inquisição Espanhola em quatro séculos. O genocídio é o estado natural da modernidade “iluminada”.









Os intelectuais da esquerda levam a politização ao delírio. E a direita faz outro tanto. De ambos os lados se cai em conceitos ridículos como a “ciência judaica” de que falavam os nazistas, ou a “ciência burguesa” denunciada pelos stalinistas. Coisas existem que não podem ser politizadas, como a ciência, a arte, a religião. Porque, quando politizadas, degeneram em outra coisa, na pseudociência, na subarte e na falsa religião
1- Os ateus são donos de uma arrogância inacreditável: Por terem supostamente a ciência ao seu lado, por se sentirem o fim em si mesmo, adoram afetar superioridade mental sobre crentes.
2- Ateus sentem pena de crentes. Alguns até asco. Acham ridiculo rezar, ir em missa. Pra eles isso é perda de tempo.
3- Ateus adoram se pintar melhor que cristãos. ADORAM. Toda hora numa discussão ateus gritam aos 4 cantos o quão morais e éticos e bonzinhos são.
4- Hoje em dia, se declarar CATOLICO é que é o crime. Pq todos te acham burro, assassino da inquisição, das cruzadas, carola, conservador besta etc. Se dizer ateu não pega nada nos circulos mais altos, tipo faculdade, empresas.
Tst, tst ai ai ateus… toda hora que se fala em religião vceis tem o mesmo modo de operar. Ehehe, ainda se dizem respeitadores… Sei que no fundo vceis são bem mais maquiavélicos que parece.
Parabéns,:”Anônimo disse…
Lars,você é cego ou ingnorante?
Ateus que mandam no mundo:Vladimir Putin(160 milhões de pessoas sob suas botas e da Neo KGB),O PC chinês(1,3 bilhão de servos),Kim Jong Il(?) da Coréia(quase 20 milhões sob o comando de um louco),
Fidel Castro(~11 milhões),Hugo Chavez,Evo Morales,Robert Mugabe(um
criminoso comuna,e logo ateu,do Zimbábue),O MPLA de Angola,e por aí vamos.
Todo ateu é meio burro,pois não percebe que não dá para “provar” que Deus não existe,e ELE existe pois bilhões crêem na sua existência.ELE é,no mínimo,um fato
psico-social.Querer usar o método extrovertido e racionalista da Ciência Ocidental para abordar a religiosidade humana é muito chinfrim.Quem não tem vivência religiosa que pelo menos não vomite suas bobagens azedas nos outros.
8:44 PM “
Sugiro-lhe,caro amigo e cristão,o site:WWW.PADRE PAULORICARDO.ORG,clicar em FILOSOFIA,e,depois,em “Marxismo Cultural”,do corajoso Pe.Paulo Ricardo.Nessa palestra muito exclarecedora,o referido Pe. fala da origem,ações e objetivos dos marxistas culturais para DESTRUIR o cristianismo e a cultura ocidental,via livros,novelas “globais”,ativismo gay,”casamento” de homossexuais(BIZARRO!!!) e outras perversões,anormalidades;o “politicamente correto”;relativismo cultural;”adoção”,por “casais” homossexuais,de crianças(anormal,BIZARRO!),como JÁ OCORREU,por incrível que pareça,aqui no RS!!!…Há,também o excelente site:WWW.JULIOSEVERO.ORG,que trata dessas anomalias anticristãs e bizarras,que tem por objetivo,NÃO QUEREREM O BEM AOS HOMOSSEXUAIS,MAS SIM USÁ_LOS PARA A DESTRUIÇÃO DOS VALORES DA MORAL JUDÁICO-CRISTÃ,E,ASSIM,FACILITAR O AFROUXAMENTO MORAL E A DESTRUIÇÂO DOS VALORES EM QUE ESTÁ BASEADA A FAMÍLIA!O assunto é vasto e é MUITO GRAVE!…Um abraço aos cristãos que lutam para manter a decência,os bons costumes,a moralidade,o amor ao próximo,a caridade,a vergonha na cara,o trabalho honesto,o respeito à ordem e ao Estado de Direito,respeito à propriedade privada,ou seja,tudo o que for do BEM!!!!!!!!!!!!!!!!
Sou ateu a não concordo com quase todo texto.
Mas de qualquer, forma, nunca concordamos em tudo.
Parabéns pelo seu comentário:”lenafrota disse…
Pelo amor à tanscendência, ESCREVA, Olavo, escreva!É a única forma atualmente viável de extermínio - por inveja e auto-implosão - do pensamento totalitário. Que Deus - todos eles - abençôe a generosidade intelectual - que você divide até com os carrascos brasileiros da liberdade de pensamento! Parabéns pelo belíssimo artigo.”Parabéns,também:”mineirin disse…
O Benedictus bkackwhite (que escaramuça esquisita!) sofre do mal da inveja e da perversão intelectual. Não vale a pena comentar sua pretensão ao conhecimento filosófico. Perda de TEEEMMMPPPOOO!”
Digo mais,esse “blackwhite” é digno de pena,tamanha é a bobajada que escreve!Se vc. é ateu,vc. vai parar no inferno,religiosamente falando(REPITO,pois vc. é lerdo,”blackwhite,VC. VAI PARAR NO INFERNO,RELIGIOSAMENTE FALANDO)!Portanto,fique com o seu ateísmo(próprio dos espíritos inferiores,RELIGIOSAMENTE FALANDO,TÁ???ENTENDEU BEM???)e deixe as pessoas de bem,RELIGIOSAMENTE FALANDO,em paz.Pois a humanidade seria muito,MAS MUITO MAIS BESTIAL do que foi,é e será,sem as religiões!Pense(pensar não dói,sabia???)nisso como uma mente superior,generosa,sadia,faria!Tente…Ao menos terá valido a tentativa.Paro por aqui,pois vc. já teve mais atenção de minha parte do que vc. merecia pela sua estreiteza de visão,RELIGIOSAMENTE FALANDO!!!…
João Paulo Rodrigues (3,55):
Talvez Wells não tenha pretendido comparar o nível de carestia de cada período (apesar de o estado de miséria do povo ser sempre apontado como uma das principais causas da revolução), e sim o nível de liberdade individual.
Talvez ele tenha querido dizer que um trabalhador comum do interior da França, não interessado em política, devia se sentir mais livre da opressão dos nobres e do clero depois da Revolução do que antes dela.
Tio Reinaldo,
Bem entendo porque você demonstra restrições ao amigo Olavo de Carvalho, o filósofo intelectual. Veja o trecho de um artigo dele que ficou puto por ter sido recusado para publicação:
Na juventude, Bill Clinton foi um dos milhares de estudantes esquerdistas que se beneficiaram das verbas da KGB, ganhando uma daquelas viagens à URSS que eram o meio preferencial para o recrutamento de agentes soviéticos nos meios universitários do Ocidente. Na década de 60, isso seria impedimento bastante para qualquer candidatura a prefeito de cidade do interior. Nos anos 90, após três décadas de revolução cultural gramsciana, as ligações perigosas não impediram que Clinton fosse eleito presidente dos EUA com o apoio do Partido Comunista Americano. …
…E segue tentando provar em longas considerações que Clinton é comunista.
Dá para elogiar esse intelectual brilhante?
O Benedictus bkackwhite (que escaramuça esquisita!) sofre do mal da inveja e da perversão intelectual. Não vale a pena comentar sua pretensão ao conhecimento filosófico. Perda de TEEEMMMPPPOOO!
É impressionante a tentativa de se “romantizar” o ateísmo. É comovente como os ateus são bonzinhos, inteligentes , cultos e abertos ao conhecimento…
E como os ateus tentam caracterizar os crentes como fanáticos, dispostos a matar, crédulos e não pensam e nem estudam, pois se estudassem seriam ateus…
Por Tutákis!
Pelo amor à tanscendência, ESCREVA, Olavo, escreva!É a única forma atualmente viável de extermínio - por inveja e auto-implosão - do pensamento totalitário. Que Deus - todos eles - abençôe a generosidade intelectual - que você divide até com os carrascos brasileiros da liberdade de pensamento! Parabéns pelo belíssimo artigo.
Pelo amor à tanscendência, ESCREVA, Olavo, escreva!É a única forma atualmente viável de extermínio - por inveja e auto-implosão - do pensamento totalitário. Que Deus - todos eles - abençôe a generosidade intelectual - que você divide até com os carrascos brasileiros da liberdade de pensamento! Parabéns pelo belíssimo artigo.
Cada vez fica mais claro que os ateus militantes não conhecem nada de religião e, muitas vezes, deturpam, ou melhor estupram, a história para se sentirem confortáveis em sua crença.
Não creio que a maioria dos leitores do blog seja de ateus militantes.
O que há é uma necessidade de se auto-justificar e de se convencer sempre que um texto inteligente (não que eu concorde com tudo o que está lá) atinge a fé do ateu.
O ateísmo é uma fé. Não é uma atitude racionalmente adquirida. O agnosticismo, sim, é uma atitude racional (não necessariamente correta).
“Religião” não tem nada a ver com “religar” (?!!!) mas sim ocm o adequada disposição de culto à Divindade e suas normas.
Etimologia, hein?
Só mais uma pegadinha no pé do Olavo de Carvalho.
Cito um trecho de seu texto:
“Como tudo o que sabemos é circunscrito e limitado, vivemos dentro de uma redoma de conhecimento incerto cercada de mistério por todos os lados.”
Se vivemos dentro (sic!) de uma redoma de conhecimento incerto, como ele sabe que tudo o que sabemos é circunscrito e limitado? Sei: o fato de nosso saber ser circunscrito e limitado faz com que vivamos numa redoma de conhecimento incerto. Qual é a relação entre “circunscrito e limitado” com “incerto”? Circunscrição e limitação tornam o conhecimento incerto?
Se Olavo de Carvalho convive conosco nesta “redoma de conhecimento incerto”, também ele é afetado por ela. Então ele pode não estar tão certo sobre tudo o que afirma. Por que esse tom de certeza?
Ele afirma que há mistério cercando a “redoma de conhecimento incerto” por todos os lados. Como ele sabe que é mistério o que está lá, do lado de fora da redoma? E como sabe que é por todos os lados? Estando dentro da “redoma de conhecimento incerto”, como pode fazer afirmações sobre o que está de fora dela?
Chega! Já dei trela demais!
O Olavo de Carvalho vem de um pensamento tão obtuso quanto o que ele critica. Ele precisa se atualizar em alguns temas, principalmente nas relações entre mente aberta e ciência. E o conceito de Religião com o qual ele trabalha é do século XIX, coisa que a gente nem considera mais hoje.
Não se trata de repulsa à transcendência, mas de crítica racional aos que se julgam conhecedores e intermediários únicos entre ela e a imanência. Ou seja: à religião do poder e ao poder da religião. Terá o nobre articulista pensando sobre a etimologia da palavra “religião”? O que se pretendeu e se pretende religar?
E a comparação entre o número de mortes da Revolução Francesa e da Inquisição Espanhola? Pra que isso? Pra dizer que quem matou menos é melhor?
Uma pobreza de artigo. Escrito por alguém que se intitula “filósofo” e em cujo blog não há como postar comentários.
Reinaldo, um outro tempinho pro Guerra.
Eu tenho o meu convencimento pessoal sobre tudo isso, que não comento nem discuto com ninguém. O velho ditado procede: religião e futebol…
Só acho que a Igreja católica enfrenta um problemão. As restrições que dita são criticadas e desdenhadas como posicionamentos ultrapassados. Mas o mundo todo continua na expectativa das exonerações desejadas. Se vierem, ela será a grande autorizadora. Essa é a preocupação da cúpula eclesiástica. O inferno do Papa é o seguinte: mesmo ouvindo que não pode, o pessoal tá nessa bagunça toda, imagina se ouvir que pode!
Com a Igreja católica, a coisa é assim: ela tem que liberar. Assim, todos terão como se justificar. E não estamos falando de meros costumes sociais, mas de condutas fundamentais estudadas à luz de dogmas católicos. As cristãs da linha protestante, de modo geral, ditam preceitos até mais conservadores, sem, no entanto, despertar a atenção dos críticos. Não me lembro de ter visto, quanto ao aspecto tratado, qualquer das várias igrejas protestantes preocupar a imprensa como ocorre com a católica. Isso sem considerar outras doutrinas muito mais conservadoras. Sobre estas, quando há um falatório qualquer, ele se circunscreve a alguma questão social de superfície, como a integração da mulher ao mercado de trabalho, a igualdade de direitos entre homem e mulher, a proibição da livre exposição física etc..
De modo que, nesse difícil trato da ética católica, especialmente a relacionada com o grupo familiar, a cúpula do catolicismo caminha sobre pontas de faca. O receio de ir à frente é medonho. Parece ser preferível manter posição e sustentar: a coisa está assim porque não me ouvem.
Se o João Paulo II, com todas as suas qualidades, não admitiu alterar certos posicionamentos católicos, …
Em primeiro lugar: caro “votei no gabeira”, a proposição correta de Santo Agostinho é: “O Mal é um BEM menor” e não “ausência de bem”, e destina-se a rebater definitivamente a heresia Maniqueísta que considerava a existência de dois poderes concorrentes e EQUIVALENTES, o Bem e o mal.
Em segundo lugar, a Revolução Francesa, regicida e demoniaca matou e perseguiu inúmeros sacerdotes e religiosos por conta da sua não-aceitação da apostateutica “Constituição Civil do Clero”.
Massacrou CENTENAS DE MILHARES de cristãos na Vendéia e profanou Igrejas para que fosse entronizada uma tal DEUSA RAZÃO, que deveria ser adorada nos altares, pelso “cidadãos”.
É a matriz de todos os movimentos ditos “revolucionários” desde então e que se baseiam no princípio de que “apenas pela rebeldia vem o progresso” (sendo Lúcifer o primeiro e o rebelde por execelência, e, portanto, o seu líder!).
Em terceiro lugar, o professor Olavo de Carvalho, em que pese a sua erudição, flerta gravemente com a heresia gnóstica (quem quiser se inteirar da polêmica travada por ele com Orlando Fedeli acerca, consulte o severo site de apologética católica chamado MONFORT, http://www.monfort.org.br).
Reproduzi o comentário acima porque é revelador de um estado mental, no mais das vezes impercebido, que leva os crentes de qualquer denominação a enxergar o ateu como O Inimigo, ignorando - ou decidindo ignorar - que crer ou descrer não é um ato de volição. Ele me lembra uma carta que li certa vez na Folha, em que uma senhora certamente cheia de boas intenções criticava o apartheid na África do Sul. “Afinal”, ela concluía, “eles não têm culpa de serem pretos.”
“Reinaldo,você já se perguntou por que seu blog atrai uma folgada maioria de ateus, e, PIOR AINDA, de ateus militantes…” (anônimo das 3:25 PM)
Q.O.D.
Marcos (1:41):
Na verdade, pode-se argumentar, a meu ver com maior evidência, que a ditadura do ano II foi um desvio de uma Revolução que pregava a libertação e a fraternidade universal. Sabe-se hoje, é verdade, que estes desvios soem acontecer nas revoluções de caráter social. Contudo, são sempre desvios, que tem a ver com a liberação de forças sociais que, a princípio, não são extensões da teoria ou doutrina. Já a Igreja, que também prega a irmandade de todos os homens, produziu aos borbotões documentos e escritos, quando não atos de seus líderes (infalíves, lembre-se) pregando a morte e a purificação dos infiéis em escala planetária, benzendo assassinos e conquistadores por todos os continentes, durante séculos. Ou você acha que a Europa, celtas, ostrogodos e outros foram convertidos como? No gogó? É difícil imaginar que algo sistemático seja apenas “desvio” de conduta. Concordo que em certo sentido seja, mas quando isso dura séculos, é meio estranho acreditar que seja apenas um defeito de uso. Até por que para muitos isso se justificava (e ainda se justifica) com várias passagens, digamos, pouco caridosas da Bíblia, que só recentemente passaram a ser lidas normativamente como metafóricas. Faz parte da história da Igreja, assim como todas sua belas páginas (ainda que, para mim, sejam em bem menor número que as feias).
Não se esqueça que, ainda hoje, há vários grupos cristão que pregam a tomada da Terra Santa (seria isso feito como?), o assassinato de médicos que fazem aborto, ou que apóiam/apoiaram regimes genocidas e movimentos armados, como no Líbano (alguém aqui lembra das Falanges?) e nos Bálcãs. Do outro lado, tem-se apenas meia dúzia de cientistas escrevendo livros e querendo apenas que as pessoas vejam a quimera que é Deus, sem pregar nenhum tipo de engenharia ou limpeza social a partir daí. Quem é comprovadamente mais perigoso?
Julio (10:36):
Não sei se sua citação do Wells é boa. A situação do homem comum não era melhor não. Independente da culpa, Paris passou por carestia durante boa parte da Revolução. De qualquer forma, isso não justifica a ditadura.
Reinaldo,você já se perguntou por que seu blog atrai uma folgada maioria de ateus,e,pior ainda,de ateus militantes que poderiam entrar na seita ateísta do grotesco Rodrigo Constantino?Isto se deve ao foco quase exclusivo na política em seus escritos?
Basta você colocar algum texto sobre religião…e lá vem a legião de ateus furiosos e arrogantes com bombas e porretes!Este pessoal não sabe o que significa “caritas”.
Ao “anônimo,às 10:46 PM”,pode discordar o quanto quiser!No dia em que vc. tiver um entendimente e uma cultura como a do Olavo de Carvalho,nós sentiremos que vc.não discorda SÓ por inveja do referido Olavo de Carvalho,mas por ter se aproximado um pouco do entendimento dele!A inveja é um sentimento dos pobres de espírito!Na verdade são dignos de pena!!!
Caro reinaldo e amigos,sobre o assunto Religião e as ameaçãs sofridas pelo cristianismo por parte dos marxistas culturais,sugiro o site:WWW.PADREPAULORICARDO.ORG,clicar em FILOSOFIA e,depois,em “Marxismo Cultural”.O Pe. Paulo Ricardo é um dos poucos padres CORAJOSOS de que tenho conhecimento e que vem a Publico denunciar as ameaças e ações impostas por marxistas culturais a fim de destruir a mensagem cristã!É uma palestra muito importante e muito exclarecedora,pois reporta fatos ocorridos no Brasil e em outros países!Lembro o que disse o grande Olavo de Carvalho sobre o fato de que raramente um cérebro marxista é normal!Depois de ouvirem a palestra supra sugerida,gostaria de saber a impressão dos amigos a respeito!Um abraço a todos os cristãos!
Só um comentário:
Olavo não está dizendo que os mortos dos outros são piores que os dele. Está apenas dizendo que, se uma religião de 2 mil anos matou algumas centenas de pessoas em 3 séculos (a Inquisição mais terrível, a Espanhola, prosseguiu APESAR DOS APElOS DO PAPA PARA QUE PARASSE), enquanto que uma ideologia, ainda recém-nascida, matou milhares em questão de décadas, isso mostra que, no caso da primeira, foi um desvio da sua conduta normal ; enquanto que, no caso da segunda, essa era exatamente a conduta pregada pelos ideólgos fanceses, como Robespierre.
O filósofo do nazismo foi um tal Alfred Rosenberg, alemão nascido na Lituânia e educado na Rússia czarista. Sua grande obra foi um ensaio filosófico denominado “O Mito do Século XX”, que foi aplaudido por todos os líderes políticos e “intelectuais” nazistas como a grande obra filosófica da raça ariana. Entretanto Goebbels, que tinha uma sólida cultura universitária, não resistiu e chamou-a entre amigos de “um arroto filosófico”.
Goebbels certamente diria o mesmo da obra de Olavo de Carvalho, capaz de se alimentar com a grande erudição, mas incapaz de digeri-la devido aos seus preconceitos e aos dogmas dos quais não consegue se libertar.
Pelas manifestações, parece que há uma maioria de ateus lendo seu blog, Reinaldo. De qualquer maneira, somos todos caóticos apostróficos românticos.
Selsil (7:11pm),também me interesso pela energia,no entanto,pesquisando, nunca encontrei NADA que pudesse ser chamado de “energia ruim “(talvez em algumas seitas protestantes “exorcistas”rsrsrs.”.
Agostinho,filósofo dos bons e santo para alguns, teve algumas “sacadas” muito boas .Para ele, o MAL (energia ruim) seria a AUSÊNCIA DO BEM .
Eu penso que DEUS É ENERGIA,pois gera vida.
Um famoso astrônomo disse certa vez que “não é possível provar a inexistência de Deus”.
Também acho que o artigo do Olavo, sobre as duas categorias de ateus, está muito bem posto. Seria também interessante que ele escrevesse mais detalhadamente sobre o reverso das duas medalhas atéias que são a dos crentes em Deus. Tanto o ateu e crente “lights” são passíveis de transcender o estado humano; já o ateu pernicioso e o crente fanático são cegos que se comprazem na sua cegueira…E são os responsáveis por terríveis mazelas humanas (Os que indultam o terrorismo, a guerra e outras violências em favor de suas posições pró ou contra Deus - ou seja lá que nome dão ao Eterno Inominável…).
Conheço muitos ateus que são mais cristãos (ou budistas, ou islamistas, etc…) do aqueles que se dizem ser. Acho até que são ateus por não concordarem com certos dogmas infantis cultuados pelas religiões, que afirmam serem “verdadeiros” e ditados pelo próprio Deus (No entanto uma análise mais apurada os põe por terra fácil, fácil…). - é muita arrogância achar que Este, na sua inconcebível Transcendência vá falar ou aparecer a um simples humano e lhe ditar normas religiosas.
Eu não tenho religião mas não sou atéia. Eu leio muito, pesquiso, analiso (de acordo com a minha capacidade intelectiva e grau evolutivo) e vou formulando minha própria religião interior. Isso acontece com os próprios crentes que professam externamente uma, pois dentro dela eles se posicionam de acordo com o que realmente acredita calcado em suas experiências acumuladas…
Mas, os ateus podem ficar tranqüilos porque Deus os ama e muito! Só está esperando, com infinita paciência, que eles capitulem (rs…)e passem a aceitá-lo definitivamente como PAI… A Eternidade está aí pra isso mesmo…
Ciça
vai um conselho reinaldo:
volta a escrever de politica
De fato, este é um dos melhores textos do Olavo de todos os tempos. Aliás, prefiro os textos do Olavo sobre religião.
João Paulo Rodrigues, então prove que Deus é uma hipótese. Não é como Hipótese que se dá a relação d’Ele com o fiel. O Deus-hipótese é invenção de ateu…
Por causa do meu trabalho, temos pesquisas que mensuram os valores da sociedade. Isso é necessário para que as propagandas e os projetos dos veículos caminhem na direção que os clientes vão querer quando os carros ficarem prontos. As pesquisas atuais estão me assustando. Valores, respeito, paz de espírito, tudo isso está virando fumaça. Os valores estão se resumindo ao que voce consegue mostrar, sem se importar com a fonte. É aterrador. Felizmente não é todo mundo, mas essa parcela do vem facil vai facil está crescendo. O que resolve? Estudo, exemplo e punição. Mas quem vai aplicar a punição? Aqueles que não estudaram ou aqueles que não são exemplos?
Cassio (Dir.Marketing - Renault)
O texto é brilhante e o seu primeiro parágrafo — pela maneira simples de transmitir o que é profundo –, obra de gênio.
Lá na minha adolescência achei de perceber que fé, Deus, eram experiências que não faziam sentido para mim. Daí passei a não crer, ou melhor, a assumir que não cria. No princípio me achei até superior: era eu alguém que dispensava esse conforto, capaz de enfrentar os limites da vida, “o” limite da vida - a morte - sem a certeza ou crença que algo me esperava depois. Me sentia liberto, e feliz.
Na verdade era uma certa arrogância. Achei na época de ficar pregando para amigos a descrença, o sem sentido de deus - perdi alguns por causa disso. Acho que naquela época eu me enquadrava na primeira definição do Olavo.
Felizmente amadureci. Não que eu tenha passado a crer, mas aprendi a entender a importância de crer. Para ser franco, acho hoje que quem crê é na verdade um tiquinho superior, por ser capaz de acreditar assim, apenas por acreditar. O que chamam de fé eu não quis um dia e não mais aprendi a ter.
Não vivo em contradição comigo hoje por causa disso. Sou ateu sim, mas não um pregador. Ao contrário, compreendo a importância das religiões em geral - não uma compreensão apenas sociológica, racional, mas aprendi a ficar sensibilizado com a experiência religiosa. Talvez hoje eu me enquadre na segunda definição.
Na verdade não faz muito sentido “pregar” o ateísmo, por dois motimos: porque não se pode pregar sobre aquilo que não existe, e porque não tenho o direito de privar as pessoas dessa experiência maravilhosa que é a fé.
Ser ateu não significa ser amoral. Eu fui educado numa família cristã católica, cheia de valores que prezo muitíssimo. Já perdi emprego por causa disso, por não ser pragmático, por agir pela ética da convicção mais que pela da responsabilidade.”É possível ser ateu e estar aberto ao espírito”.
Contudo, discordo do Olavo quando opõe a Revolução Francesa à inquisição. Não tenho dados para contrapor o argumento, quero seguir outra linha: a importância da Revolução Francesa até para equilibrar fé e razão. A razão possibilita a expansão do pensamento humano até seus limites, coisa que a fé por si só não permite. Mas a fé, a religião, coloca freios na razão - os genocídios da modernidade de que fala Olavo reforçam essa necessidade. Quantos outros não teriam havido se imperasse exclusivamente a vontade de poder instrumentalizando a razão.Vivo a procurar esse equilíbrio.
Chico Amaro.
Chico Amaro.
Sou piamente ateu.
Apesar disto, tenho, como Pascal, medo do silêncio eterno dos espaços infinitos do Universo. E tenho moral e ética mais firmes que a maioria dos deístas que conheço. Afinal, comportamentos altuístras são necessários para a sobrevivência da espécie.
De que deus ou deuses estamos falando? De católicos, de mulçumanos, de budistas, de shamans da Sibéria? O deus do meu umbigo é mais verdadeiro e belo que o deus do umbigo dos outros…
E assim, Olavo joga erudição para confundir adversários e tentar provar a verdade de seus sentimentos religiosos. E para sugerir que quem não acredita nele é um potencial criminoso que não respeita a vida e liberdade do outro.
Pala minha conta a Inquisição durou uns 300 anos, sem considerar o período da Idade Média em que não houve um orgão oficial de repressão da Igreja Católica. A Revolução Francesa deve ter durado uns 10 anos. Comparando em termos de opressão, quantas pessoas foram presas e torturadas por cada uma, quantos livros e obras foram censuraos, quantas injustiças foram cometidas? Prefiro 10 anos de Revolução Francesa a 300 de Inqusição; pelo menos no caso da primeira muito mais gente sobreviveu para outros tempos.
Prezado Reinaldo.
Fenomenal!… Só sinto, do fundo do coração, não conseguir ter tanta abertura assim ao transcendente…
Ótimo texto ainda que logo no primeiro parágrafo caia numa inconsistência.
Existem ainda ateus como eu que não acreditam num Deus em si, mas não que não existam mistérios, aspectos da nossa realidade que não são palpáveis ou conhecidos por nós. Reconhecer e valorizar o espiritual e o transcendental não implica em aceitar a existência de um determinado ser. Por mais que alguns queiram.
Se são irrelevantes por que a lembrança?
Ser ateu não é o “fechamento auto-hipnótico na clausura do conhecido”, pelo contrário. Ateu é aquele que admite o desconhecimento; a irrelevancia do ser humano no universo (não somos a imagem e semelhança de ninguém importante); e é aceitar que nossas ações têm consequências irreversíveis (ninguém perdoará nossos pecados).
Ser ateu não é a proibição de perguntar, e sim a permissão completa de questionar (não somos nós que temos dogmas).
Quanto à militância, acredito que ela ocorra por que os ateus que lêem seu blog não querem te ver recitando verdades absolutas à moda da petralhada.
(Obviamente, o que escrevi acima não vale para os comunas. Eles só trocam um ser super-poderoso (deus/jesus) por outro (estado/partido)).
Ah.. é claro que o cristianismo, como lembraram acima, tem méritos na formação da cultura humanística ocidental. Mas, assim como a revolução francesa, muitas pessoas foram mortas para esses avanços.
Muito bom, o Olavo de Carvalho.
Ao Lars,
Não acha que seu comentário acerca de pessoas que você chama de “sobejamente avoadas, que costumam ver tudo errado” não poderia ser, de sua parte, uma manifestação de “muita contundência no profundo desrespeito aos que crêem diferentemente”?
Reinaldo, Olavo….
parcial, limitado, tendenciosos…
E, novamente, DISCORDO!
EF - Alemanha
Não sei se a Revolução Francesa matou mais gente que a Inquisição mas não me parece adequada a comparação entre uma revolução armada e os procedimentos odiosos empregados por uma igreja para manter o poder temporal.
De qualquer forma, há quem sustente que a Revolução Francesa não foi tão abominável como se costuma acreditar.
H. G. WELLS (aliás, cristão) escreve em sua História Universal:
“Ao todo, devemos recordar, os mortos do Terror somaram o total de alguns poucos milhares. Entre esses milhares encontrava-se certamente grande número de adversários militares que a República, por todos os padrões do tempo, tinha o direito de matar. Nêles incluiam-se traidores e instigadores de desordem, tais como Filipe do Palais-Royal, duque de Órleans (…) Se tanto se fala a respeito dos mártires do Terror francês, é que foram eles gente notável, bem relacionada, não tendo faltado certa prestigiosa propaganda de seus sofrimentos. (…) Na Inglaterra e na América, enquanto dominava o Terror em França, só por crimes contra a propriedade – muito frequentemente por contravenções inteiramente triviais - matou-se maior número de pessoas do que o total de condenados pelo Tribunal Revolucionário, por traição contra o Estado. (…) Em França, o homem comum estava em melhores condições, era mais feliz e mais livre durante o “Terror”, do que em 1787″
Ateísmo, teísmo, deísmo, animismo e outras polokices da humanidade. Não levo a sério nada que se produza neste campo, a não ser a extraordinária capacidade que os seres humanos têm de MATAR seu semelhante em nome de suas crendices. Não levo a sério além dessa perspectiva e me acautelo, NÃO PORQUE POSSA EXISTIR OU DEIXAR DE EXISTIR um deus, uma divindade qualquer. O meu instinto de sobrevivência me diz que nem todas as pessoas que acreditam em divindades são mentalmente sadias. Ser ateu não é essencial para ser um bom ou mau petralha. Basta ser ruminante da ordem dos cervídeos. Em sua maioria, os petralhas são devotos e até dentro de suas cabeças confusas misturam as duas coisas. E, se pudessem, se o medo da cadeia não os tolhesse, até matariam seus oponentes em nome de suas idéias, que são uma mistura bem crioulo-doido de petismo com cristianismo. Napoleão não era ateu, o que não o impediu de ser um estúpido sanguiinário. Hitler não era ateu, e isso não o impediu de ser o que foi. O fato de não ser ateu nunca impediu Olavo de Carvalho de ser um filósofo e dos bons. Mas a porca torce o rabo quando ele quer que OUTROS O vejam como luminar do cristianismo e que ACEITEM suas idéias, sob pena de ser alvo de suas diatribes. Eu não gosto nem desgosto dele por ser cristão. Isso para mim não faz a menor diferença. FARIA, se ele como cristão fosse se intrometer na minha vida pessoal para me dizer que eu estou ERRADO, ou que estou CERTO. Algumas amizades de longos anos eu joguei pela janeila porque pessoas imbuídas de suas escatologias se arrogaram o direito de se imiscuir nos meus assuntos. Rejeitei prontamente a teologia da libertação por vê-la como realmente é, uma aberração dos cristianismo e por me fazer ver o próprio cristianismo como uma coisa aberrante e que só nefelibatas poderiam apoiar. Ora, por índole, não teria adotado esse tipo de comportamento de rechaçar o cristianismo, porque na realidade minha atitude é reação contra a intromissão de ideologias, coisa que repudio. Rigorosamente, repudio TODAS as ideologias. É isso que o cristianismo se tornou, uma ideologia, assim como o judaísmo e o islamismo. Por isso não os aceito. Se sou ateu? Bom, se isso for ateísmo, então sou. E me afasto de todos os portadores de determinadas luzes quando se arrogam o direito de me dizer que estou errado. Sei errar sozinho, e não necessito da ajuda de nenhum avatar, nenhum profeta, nenhum luminar da filosofia, nenhum ideólogo dos incontáveis ISMOS que a mente humana engendra.
“Só sei que nada sei”-Sócrates.
lars (6:15pm) eu discordo do seu ponto de vista quanto ao Olavo.A revolução gramsciniana é uma teoria pós marxista ,que prega a luta pelo poder usando os meios democráticos para ,depois,destruí-los.Pesquise “Gramsci”e “Foro de São Paulo”.
Nietzshe era filho e neto (dos 2 avôs) de pastores protestantes, que o obrigavam a estudar a Bíblia.A sua genialidade foi oprimida pelos dogmas.Revoltou-se.Nos seus livros ele nos parece quase um ultra-humano, um Zaratrustra.Apesar de ateu ,ele acreditava no “eterno retorno”.Recentemente , acabou virando protagonista em um romance.
Ninguém deve ser obrigado a acreditar em nada.
Prezado Reinaldo!!
Não foi é vc…..Também queria muito ter escrito este texto. Olavo é para poucos….!!!!!
Um abraço.
Leandro
Categorias abstratas aplicadas mecanicamente à história não dão muito certo. Monismo misturando psicologia com história é só uma salada de uma cor só. Afinal, se fosse assim, sempre poderíamos fazer o exercício de transportar almas pelo tempo e criar hipóteses sobre os resultados. O que é um absurdo, mas ilustra como o artigo do Olavo perde o sentido, já que é a aplicação lógica da premissa adotada. Mas também se pode exigir outros testes para ver se a tese cola. E não cola.
A Revolução Francesa, de poucos anos, premida pela reação, teve circunstâncias que não têm a dimensão das experimentadas por uma instituição que possuía toda a liberdade de ação imaginável em sua época, por uma extensão de terra muito mais ampla, como foi a Inquisição. Não faz sentido comparar seus mortos, eles não são intercambiáveis. Do lado das hipóteses: tivessem os revoltosos da Vendéia chegado a Paris, o que fariam com os adversários e os suspeitos? Teria isso a ver com seu fanatismo religioso? Muitos dos que derrubaram Robespierre e Saint-Just eram antes adeptos do Terror. E o terror parou. Como pode?! A causa disso ou daquilo era o ateísmo? Que tal comparar eventos de magnitudes similares: que tal comparar os 3 mil mortos das jornadas de setembro em Paris com os 2 mil, na mesma cidade, da noite (na realidade uma semana) de São Bartolomeu? Os rituais, curiosamente, eram parecidos: uso quase exclusivo de armas brancas; morte indiscriminada de homens, mulheres, jovens e idosos; mutilações; escárnio; valas coletivas. Era isso a expressão da caridade entre cristãos? Não me parece.
Mas que tal sair de novo da história e voltar às hipóteses? Tivessem os Cruzados a tecnologia de hoje, até onde teriam ido em matança? Tivesse Mao e seus milhares de asseclas vivido em 1500, teria ele conseguido fazer tanto mal? Afinal, os PCs e os ateus militantes que continuaram no poder após Stalin e o Grande Timoneiro passaram a “apenas” medianamente assassinos, algo assim na igual medida de um Pinochet ou de um Fidel, abaixo de um Sukarno, de um Ríos Montt, de um Idi Amin ou de um Pol Pot. Que estranho, não? Como podem regimes militantemente ateus deixarem de ser o que deveriam ser nesta estranha teoria deísta? Outro exercício possível: quem é mais perigoso e mortal hoje em dia: os ateus miltantes de Cuba, Coréia do Norte e China (será que podemos misturá-los? Bush não os mistura). Ou a Al-Qaida? Para quem daríamos uma bomba atômica? Quem faria o pior uso? Quem hoje nos ameaça por seu expansionismo, o totalitarismo islâmico ou o apaisement comunista? Como pode o paradoxo da âncora do capitalismo estar fincada em um regime ateista enquanto a liberdade ser ameaçada em escala global por fanáticos religiosos que já se confessaram prontos para perpetrar novos genocídios, só lhe faltando (Graças a Deus) os meios?
Enfim, tudo isso para dizer que, entre Paulo Maluf e Fernando Collor de Mello, não somos obrigados a votar em nenhum dos dois. Felizmente as circunstâncias mudam.
O brilhante texto e os comentários divergem entre sí.Ainda bem !Viva a diversidade! Para mim Olavo e todos os comentaristas publicados até o momento (7:22pm} estão corretos, porque não é possível a nós humanos normais termos uma visão completamente objetiva da realidade .Seremos sempre influenciados por nossas experiências pessoais.
A mente do filósofo Olavo de Carvalho no entanto foi além. Ele não se refere aos DOGMAS RELIGIOSOS.O que ele demonstra é que ao não acreditarmos em NADA SUPERIOR AOS HOMENS (metafísico),nos tornamos instantâneamente o CENTRO(em importância) DO UNIVERSO.Ou seja, arrogantes e prepotentes.
Seja em crente ou em ateu, sempre é um pensamento cretino achar que suas mortes são menos relevante que dos outros. Outro é defender que religões podem até ser algumas violenta e opressoras, e achar que anti-religião, os contrário da sua, óbvio, sempre é. Violência é desnatural seja lá em que for, mesmo quando se usa palavras lindas que objetivam unicamente ferir e jogar uns contra os outros.
Pô, meus posts caridosos passam, os irritados não? Hmmmm, magoei.
Lars,você é cego ou ingnorante?
Ateus que mandam no mundo:Vladimir Putin(160 milhões de pessoas sob suas botas e da Neo KGB),O PC chinês(1,3 bilhão de servos),Kim Jong Il(?) da Coréia(quase 20 milhões sob o comando de um louco),
Fidel Castro(~11 milhões),Hugo Chavez,Evo Morales,Robert Mugabe(um
criminoso comuna,e logo ateu,do Zimbábue),O MPLA de Angola,e por aí vamos.
Todo ateu é meio burro,pois não percebe que não dá para “provar” que Deus não existe,e ELE existe pois bilhões crêem na sua existência.ELE é,no mínimo,um fato
psico-social.Querer usar o método extrovertido e racionalista da Ciência Ocidental para abordar a religiosidade humana é muito chinfrim.Quem não tem vivência religiosa que pelo menos não vomite suas bobagens azedas nos outros.
Em minha experiência pessoal, a pior intolerância é dos crentes com relação aos que não crêem. Você diz que é ateu e é olhado como se acabasse de se confessar pedófilo ou tesoureiro do PT. Que o diga FHC, que teve que encontrar rapidinho uma fé para não abdicar da carreira política.
Embora o pressuposto básico antes de optar ou não pela religião pareça ser crer ou não crer, há algo que o antecede: considerar isso importante ou irrelevante. Não creio em Deus (embora a idéia me pareça atraente e confortável) e, pior, considero isso absolutamente irrelevante, já que nada posso fazer a respeito. Nunca perdi tempo com essa questão.
Por outro lado, embora concorde em muitos aspectos com o texto de Olavo de Carvalho, acho que ele está engando em um ponto fundamental: existe, sim, transcendência sem crença religiosa. Quem gosta de Bach, por exemplo, sabe do que estou falando.
Atravessando-se o obstáculo fundamental e inegociável da crença, resta o segundo passo - esse, sim, opcional: ter ou não uma religião. Consigo admitir a idéia de que eu esteja enganado e exista um Deus, mas parece-me absurdo que seja, digamos, um Deus tão inseguro que precise ser incensado cotidianamente. Esse Deus é obviamente moldado em nossos pais, que cuidam de nós mas exigem reconhecimento. Parece-me pouco demais, pequeno demais, para um ente onipotente. De qualquer maneira, se funciona para outras pessoas, se lhes dá conforto e proteção contra o terror do acaso absoluto, sou totalmente favorável.
Em suma: se Deus existe, ele sabe que estou aqui e é absolutamente indiferente à descrença ou à blasfêmia. O que conta são os atos - e aí, sim, o cristianismo é o germe de um processo civilizatório que me interessa. Sou, se é que isso é possível, um ateu cristão.
Mas você tem retaguarda intelectual Rei.
Com os artigos do Olavo o melhor para os que não o acompanham é ou passar a acompanhar ou ir pesquisar no site dele o resto de seu pensamento.
Vale a mesmíssima coisa daqui. O pessoal que te acompanha entende mais de cada post do que aqueles que estão chegando pela primeira vez ou que perderam dias de postagens, ou mesmo apenas os posts relevantes.
Para terminar, e Olavo concorda com isto: artigo de jornal é artigo de jornal. Ensaio acadêmico é ensaio acadêmico. Demandas acadêmicas não se aplicam ao primeiro e vice-versa.
ACREDITO EM DEUS E NA TRINDADE MAS NAO PONHO MAIS OS PES NA IGREJA CATLICA BRASILEIRA !
MISSA ?
SÓ NA ITALIA E EM LATIM (FAZ BEM A ALMA) E ONDE O PADRE (COM SORTE E NAO SENDO EM BOLONHA) NAO É COMUNISTA E NAO PREGA PELO MST !!
Achei descabida a comparação da Revolução Francesa com a Inquisição espanhola. Aliás, o Olavo tem mania de promover campeonatos de quem mata mais na História. Nesses momentos, seu pensamento fica menor.
Reinaldo, aconselho um episódio do sensacional desenho South Park, onde aquele biólogo ateu xiita (Dawkins?) é ridicularizado, assim como essa balela de que a religião é causa de guerra, como se na ausência dela também não acontecessem e fossem acontecer tragédias… Apesar de eu ser ateu - e espero que Olavo de Carvalho não esteja se referindo a agnosticismo quando fala dos ateus não xiitas - concordo com o texto.
Anônimo de 7:00.
Concordo com você no reconhecimento dos ganhos dados pelo cristianismo, assim como as demais religiões. Só não esqueça também que nem tudo isso foi ” dado”. Foi preciso também apagar muito, mais muito da importância e do papel das crenças para estarmos onde estamos.
Caro Rei,
Vem cá, você também acha que a Revolução Francesa é tudo isto de negativa? Não dá para acreditar. Isto daria um bom post, mas o momento é outro.
Finalmente, um encontro com o Olavo. Saudações!
“Deus é uma hipótese, e, como tal, depende de prova: o ônus da prova cabe ao teísta”.
Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
“Quando uma pessoa jovem perde a fé na sua religião porque ela começa a estudar a ciência e a sua metodologia, não é que através da obtenção de conhecimento real ela sabe tudo, mas ela de repente percebe que ela não sabe tudo.”
Richard P. Feynman
Difícil falar de religião.
Tenho a impressão de que a religião foi “criada” para conseguir manter um contrôle sobre os humanos. Ou melhor norteá-los,criar regras para a convivência.
Com o passar do tempo, porém passou a ser usada como poder.
Tudo que nos envolve é energia, aquela energia que estudamos em física, emanada de todos os pontos do Universo. Alguns conseguem captar e usar melhor essa energia. Não consigo viver sem fé que para mim consiste em “usar” e emanar somente energia “boa”. Bom! Sei lá se consegui explicar o que entendo por religião.
Acredito que Jesus tenha sido um humano muito especial, uma grande “antena de energia boa”, senão sua “fama” não estaria durando até hoje e permanecerá, espero, até o último de meus dias. E como exemplo de energia ruim, posso usar Hitler!
Como acredito em energia, estamos em um tempo de maior concentração de energia ruim. Não só aqui no País, mas em todo nosso mundo. Quando uso tempo, é no sentido da física também.
Essa energia é vida, enquanto nos encantármos com as pequenas coisas que essa “energia” criou, vermos a beleza das cores de natureza, poderemos cada vez mais respeitármos uns aos outros, com todas as nossas diferenças.
Temos que tentar ser “antena de energia boa” para virar o jogo de vaidades que se tornou, não só nosso País, mas o Mundo o único que temos.
Ih! Não pensem que escrevo ficção ou que sou alienada. Tento ser o mais normal possível. Aliás, o que é ser normal?
A tragédia é o fanatismo, seja de religosos, ou de ateístas.
Algumas pessoas simplesmente não conseguem acreditar em Deus, não conseguem seguir uma religião. É o meu caso. Fui batizada, crismada, consagrada, estudei em escola religiosa, assisti missas. Mas nunca consegui “entrar” naquele universo. Encontrei acolhimento na dúvida, na incerteza, na tranqüila convivência com enigmas. Reconheço, no entanto, o importante papel civilizatório das grandes religiões monoteístas. Sei que pude contar com o patrimônio moral construído por elas. Se hoje uma pessoa como eu pode viver sem religião, é porque já conta com valores enraizados na sociedade. Considero que o cristianismo - a despeito de toda a crueldade, desmando e corrupção - foi fundamental na contrução desses valores que eu tanto prezo.
Tio Reinaldo,
Nada mais natural de parte de pessoas sobejamente avoadas, que costumam ver tudo errado - até planos mirabolantes e sorrateiros do comunismo (!?) para dominar o Brasil e os Estados Unidos, como é o caso ao autor - do que a defesa de uma crença, mesmo sem apresentação de evidências ou nada de novo, mas com muita contundência no profundo desrespeito aos que crêem diferentemente. Nada há de indecente na vontade de potência (wille zur macht), muito menos na idéia do novo tipo humano, o “além do homem” (Übermensch). Nenhum ateu fecha portas ao desconhecido, ainda mais para mandar no mundo conhecido. Algum ateu manda no mundo conhecido, atualmente? Lula é ateu? E Bush? Isto é alucinação e desqualificação raivosa por conta de esperar alguma recompensa de Deus. Não espere, porque não virá.
Reinaldao, eu adoro o Olavao tambem.
Tenho que dividir minha admiracao entre voces dois, alias, entre voces tres, porque o Mainardao tambem esta na minha listinha…
Beijinhos e bom findi!
BINGO, caro Soberano:
A Revolução Francesa (mãe de todas as merdas nas quais chafurdamos até a cintura) nos curtos anos do “Terror” matou bem MAIS de dez vezes o total de vítimas da Inquisição Espanhola em quatro séculos.
E pensar que eu ouvi de um professor de História da USP (!!!) que a Inquisição (o velho espantalho) havia matado MILHÕES de pessoas (despovoando toda a Europa, claro)!
Assim como as “centenas de milhares” de mulheres que morrem no Brasil, todos os anos por complicações de abortos caseiros (haja IML, papel para atestado de óbito e, principalmente, cemitérios, para essa gentarada toda, não?)!
E a “inguinorança” campeante somente se alastra e “forma” o tipo de gente que temos visto opinando neste espaço, por Vossa Majestade tão gentilmente oferecido.
Um abraço.
Faz tempo que não mando posts porque acho meus comentários irrelevantes, ante a sabedoria intelectual do signatário do Blog, bem como diante do anti-petismo radical.
Continuo irrelevante, mas como católico me sinto realemnte em paz comigo mesmo quando leio um comentário sábio sobre o porque de não se aceitar a divindade.
Sem carolismos e numa boa, arrogância e prepotência são um perigo, mas quando se associam ao “ateísmo”, então se obtém a tragédia.
Ser católico foi a melhor escolha da minha vida.