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09/11/2010

às 6:07

O G-20 em guerra

Leia editorial do Estadão:
A guerra cambial vai ser o assunto mais importante da próxima reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), marcada para quinta e sexta-feira em Seul. Tudo está armado para um grande confronto. A palavra guerra podia ser um exagero até agora, mas o ambiente, já envenenado, piorou muito desde a semana passada, quando o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou a disposição de lançar US$ 600 bilhões nos mercados até o meio do próximo ano. Se o plano for cumprido, serão emitidos em média US$ 75 bilhões por mês. Ninguém sabe se isso ajudará a economia dos Estados Unidos a recuperar-se, mas sobre um ponto não há dúvida: com as novas emissões a depreciação da moeda americana tenderá a acentuar-se e isso agravará os problemas comerciais da maior parte dos países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento. O Brasil, já afetado há alguns anos pela valorização do real, sofrerá perdas maiores em suas contas externas, se o desajuste cambial se acentuar.

O presidente Barack Obama enfrentará, em Seul, forte resistência às suas propostas. Sem a promessa do Fed de emitir os US$ 600 bilhões, o presidente americano poderia mais facilmente mobilizar o apoio de outros países desenvolvidos para pressionar a China a valorizar o yuan. Afinal, todos se queixam, desde antes da crise mundial, da manipulação do câmbio pelas autoridades chinesas.

A nova proposta americana concentra a pressão sobre a China e é mais aceitável para os alemães do que aquela apresentada há algumas semanas no encontro ministerial, em Gyeongju, preparatório da reunião de cúpula. Naquela reunião, o secretário Timothy Geithner defendeu a adoção de um limite para os superávits ou déficits das contas externas - 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Os alemães, com superávit de 6,1% em transações correntes, reagiram muito mal e alegaram fazer parte de uma união monetária, a do euro. Não poderiam, portanto, valorizar sua moeda. Em seu novo lance, o governo dos Estados Unidos leva em conta esse argumento e, além disso, propõe uma “banda indicativa” para a adoção de políticas de ajuste. O confronto direto, portanto, é com a China, detentora de superávit de 4,7% nas contas correntes. Mas a política americana de afrouxamento monetário - embora realizada por um banco central independente do Executivo - foi recebida com críticas muito duras por governos de países tanto desenvolvidos quanto emergentes.

O presidente Barack Obama resolveu buscar algum apoio por meio de ações paralelas. Em Nova Délhi, ontem, o presidente americano declarou apoio à inclusão da Índia no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro permanente. O governo brasileiro até hoje não conseguiu esse apoio e não se pode prever se um dia conseguirá. Além disso, Obama anunciou o afrouxamento de restrições à exportação de certos tipos de tecnologia à Índia.

O governo brasileiro pretende incluir na declaração final do encontro uma recomendação para o uso de “instrumentos macroprudenciais” para controle dos fluxos de capital. Em linguagem comum, isso corresponde a “controles”. Não será uma revolução. Desde o ano passado o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem apoiado o uso temporário de controles e o governo brasileiro já os adotou. Além disso, as autoridades brasileiras têm criticado as propostas americanas de limite para os desequilíbrios externos e atribuem às políticas dos Estados Unidos o agravamento da desordem cambial. Na interpretação brasileira, o governo chinês tem apenas procurado compensar a depreciação do dólar. Essa interpretação omite um fato: o yuan já era subvalorizado antes da crise e o governo chinês continua manipulando a moeda. Só uma decisão ideológica - mais um lance terceiro-mundista - pode explicar o alinhamento brasileiro nesse caso.

Os chefes de governo deverão discutir também a reforma do sistema financeiro. O roteiro está praticamente montado. Outro dado positivo se refere à redistribuição de cotas e votos no Fundo Monetário Internacional. O esquema geral foi aprovado sexta-feira passada pela diretoria executiva da instituição. É uma boa notícia, mas não resolve a disputa cambial.

Por Reinaldo Azevedo

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19 Comentários

  1. Theresa

    -

    11/11/2010 às 4:01

    Não poderia ser diferente, os americanos não são burros e fazem muito bem em abraçar a India, aliás quem é que não sabe que dos membros do BRIC os que realmente deslancharam é a China e a India,o Brasil só é potencia para os petistas mentirosos.Ademais a India concentra uma tecnologia explendorosa, as grandes empresas europeias entregam toda a parte informatica aos cuidados de empresas situadas na India.Muito bem Obama, para um mundo livre precisamos de aliados fortes e a India o é. Aliás os islamicos radicais paquistaneses que não poucos estão avisados, mais um atentado como aquele que aconteceu em Mumbai em julho de 2006 não será tolerado e o governo paquistanes já sabe, se acontecer outra vez a India entrará com força total no Paquistão e fará a limpeza de que o mundo livre necessita.
    Radical nao sei, a India tem as sua razões.
    Quanto ao Brasil, governo que acata ordens do Chavez e se alia aos párias internacionais e terroristas do hamas sustentados pelos iranianos não merece afagos das grandes potencias, o governo petista afundado na esquerda merdosa e retrasada não significa aliado de confiança, logo o Brasil podera tornar-se um grande incomodo para o mundo livre.

  2. Carlos E.

    -

    10/11/2010 às 19:47

    Reinaldo, uma coisa precisa ser considerada: O Brasil pleiteia uma cadeira permanente no CSO. E, para isso, tem acenado com a possibilidade de enviar tropas para áreas de conflitos, inclusive Israel/Palestina. Vocês já pensaram que, em resposta, muitos atentados,que só conhecemos pela televisão, poderão fazer parte do nosso cotidiano?Já não basta a guerra urbana que temos e que nenhum governo dá conta? Perderemos nosso espirito neutro, o que nos torna nação única? Se entrarmos nessa nunca mais sairemos.

  3. joão lavador

    -

    09/11/2010 às 16:22

    Cá entre nós, em termos de política externa em geral esse governo brasileiro é um verdadeiro masoquista, combinado com o “samba do crioulo doido” bem como o “nadar contra a maré”.Aonde vamos parar?

  4. Matilde Martins Pinheiro

    -

    09/11/2010 às 16:10

    Reinaldo, pode apostar na India.

  5. Matilde Martins Pinheiro

    -

    09/11/2010 às 16:01

    Luiz/9/11 10:00horas.
    Acho que não Luiz,muita água vai correr debaixo desta ponte,vc vai ver

  6. Marcos

    -

    09/11/2010 às 13:41

    Faz 3 anos que os blogs americanos falam dessa crise. Peter Schiff, George Celente, BobChapman. Enquanto isso, os Bettings, as Miriam Leitões, NUNCA tocaram no assunto.
    Realmente, é fáci; ser jornalista no Brasil. Bando de medíocres.
    Parabéns ao Reinaldo, um dos poucos bons que restaram.

  7. Elite 2

    -

    09/11/2010 às 13:19

    Pessoal: Votem no Reinaldo!!!!

    “The most popular journalist in Brasil”

    http://www.whopopular.com/Brazil/Journalists

    Clicar no nome que abre a página seguinte, clicar +1 voto, e preencher o “código de segurança” para confirmar.

  8. Stone

    -

    09/11/2010 às 13:10

    Para quem tem um PIB de 15 trilhões, 600 bi é uma merreca!

  9. Lilian Sun

    -

    09/11/2010 às 13:01

    Caro Reinaldo,
    Há brasileiros no exterior acreditando que o Brasil “virou” uma potência.
    Eu só respondo: calma! é melhor ter cuidado com “a melhora da morte”.
    Abraços!

  10. Antonio Carlos

    -

    09/11/2010 às 12:37

    Ora, Reinaldo, a Índia é e será o contraponto à China por muitas décadas. É só você ler o livro Riqueza Revolucionária que entenderá perfeitamente porque o Obrama tá “priorizando” os indianos!

  11. Cil

    -

    09/11/2010 às 11:54

    Eu acho que aí tudo vai depender da corrida por esse dinheiro, o valor do dólar pode ao contrário aumentar. de todo jeito, vou esperar um pouco para importar “umas cositas” da Amazon! EHEHEHHEHEEH!

  12. Cidadão

    -

    09/11/2010 às 10:27

    E, a profetiza dos Balcans apressa-se em ver uma “Guerra Mundial”, segundo ela, a exemplo da “Guerra mundial”, mas não disse qual.

  13. Ronaldo

    -

    09/11/2010 às 10:08

    Esse mundo dá voltas! O Governo pagou a dívida externa para trocá-la pela dívida interna mais cara do mundo. O fêz porquê não admitia as ‘ingerências’ e os ‘controles’. Agora vem defender os “instrumentos macroprudenciais”, que são controles! Vai entender!

  14. Luiz

    -

    09/11/2010 às 10:02

    Enquanto a Índia recebe o apoio dos EUA para uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas o Brasil com sua política externa tosta recebe o que? Nada!!! É o que dá se aliar com países medíocres como IRÃ, VENEZUELA, ARGENTINA, CUBA, HONDURAS, entre outros. Felizmente o Bozo Pinóquio de Barbas está saindo, mas infelizmente ele procriou, colocou seus ovos, estes eclodiram e dali nasceu um poste de saias que por mais 4 anos teremos de aguentar. E como sempre no país das maravilhas não iremos conseguir NADA.

  15. roby

    -

    09/11/2010 às 9:43

    A criatura eleitoral eleita deu a entender que vai entrar de sola para resolver essa guerra cambial. Talvez não tenha percebido que a participação de 1,1% do mercado mundial concede um perfil bastante esquálido — é assim um linguado num mar de tubarões. Também parece não ter percebido que o Brasil já entrou nessa guerra (e pela porta errada) quando reconheceu a China como uma economia de mercado — curiosamente, para pleitear o apoio chinês a um banquinho no Conselho de Segurança da ONU que agora o presidente americano oferece (?) à Índia.
    A ingerência lulopetista revelou-se inepta em muitas situações, mas nas relações exteriores ela é um completo descalabro.

  16. mario

    -

    09/11/2010 às 8:18

    Você não entendeu, a jogada é culpar os EUA para agradar os chineses e ao mesmo tempo por barreiras não afandegários, (por exemplo: valoração aduaneira) aos produtos chineses…

  17. Ratoeira

    -

    09/11/2010 às 7:34

    Uh, Obama apoiou a Índia para o CS da ONU como Membro Permanente??? Que DOR DE CORNO VOCÊ TERÁ, HEIN, LULA???


 

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