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04/11/2009

às 17:14

MENSALÃO DE MINAS, VERDADES E MENTIRAS

A petralhada já veio torrar a minha paciência. “E o mensalão de Minas, hein?” Pois é. Costumo dizer que quem vê o mundo segundo princípios não cai em armadilha. A minha opinião sobre o que aconteceu em Minas é a mesma que expressa num texto do dia 19 de setembro de 2007 e no dia 20 de novembro de 2008O primeiro, como se vê, há dois anos e um mês! Titulo daquele artigo: “O mensalão de Minas - igual, mas diferente”. Seguem trechos. Nada tenho a acrescentar. Ou acrescento, sim, mas no post seguinte. Seguem trechos do que afirmei há 25 meses. O vento pode mudar. Mas eu não mudo.

*
A canalha não sai daqui, não é? O que é que vou fazer? Não é falta de chute. (…): “Não vai falar nada do mensalão de Minas?” Publiquei um post a respeito no dia 16 e três no dia 17, incluindo o link do relatório da Polícia Federal. Também publiquei os valores que teriam sido repassados a cada um dos partidos. Vejam lá.

Qual é a notícia desta quarta e que deve estar hoje nos jornais? Nada além do que publiquei aqui na segunda. O procurador-geral da República analisa as provas e deve apresentar, nas próximas semanas, denúncia contra os suspeitos. Eduardo Azeredo, atual senador (PSDB-MG) e candidato à reeleição ao governo em 1998, e Walfrido dos Mares Guia, hoje ministro das Relações Institucionais, devem ser estrelas da denúncia.

Li a acusação da PF (íntegra aqui). A ser como está lá, tudo o que se viu no mensalão do PT - MENOS UMA COISA - se fez também em Minas: caixa dois, falsos empréstimos, uso irregular de dinheiro de estatais, farta distribuição de recursos, empresas de fachada. O que é diferente? Em Minas, o esquema teria sido, de fato, eleitoral - vale dizer: caixa de campanha. E ninguém ficou de fora: PSDB, PFL, PT… Sim, o PT também. O total de recursos repassado aos candidatos a deputado federal do partido, segundo a PF, é superior ao que foi repassado aos do próprio PSDB. Segundo a acusação, Mares Guia, então vice de Azeredo e candidato à Câmara Federal, era o organizador do esquema. Marcos Valério, o seu operador. No caso do mensalão federal, a eleição já tinha acontecido. Ainda que se possa dizer que uma parcela dos recursos foi destinada a pagar dívidas de campanha, há evidências - e isso está na acusação do procurador-geral, acatada pelo Supremo - de que a dinheirama comprava apoio no Congresso.

Sendo verdade o que diz a PF, é grave o que aconteceu em Minas? É. Mas se trata rigorosamente da mesma coisa que fez o PT? Não.
(…)
Vejam só: com efeito, Azeredo está nessa história como Lula está na outra. Embora Lula fosse o principal beneficiário do mensalão federal, ele não sabia de nada. Embora Azeredo fosse o principal beneficiário do esquema mineiro (só não foi porque perdeu), ele também não sabia de nada. Acho, por isso, que ele deve ser poupado? Eu não. Acho é que Lula também tem de ser processado. Entenderam o meu ponto?
(…)
Protegendo?
A “canalha” diz que estou protegendo esse ou aquele. Qualquer um que me acompanha sabe - o Google está aí para provar - que considero Azeredo um dos fatores que colaboraram com a recuperação do prestígio eleitoral de Lula no fim de 2005, quando chegou bem perto de beijar a lona. Defendi a sua renúncia com todas as letras.
(…)
Não! Não vou dizer que o “mensalão começou em Minas”. Porque o “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congresso. Não, não vou dizer que o PT só imitou os tucanos - porque o PT já imitava a si mesmo, dado que foi um dos beneficiários também do esquema mineiro. Mas que se considere: a ser verdade o que sustenta a PF, uma quadrilha também foi montada em Minas. E, se foi, seus responsáveis têm de ser processados e punidos.
(…)
Voltei
Os petralhas têm de saber uma coisa. Eu sempre lembro do que escrevo. E, gostem ou não, tenho princípio. Há mais de um ano [agora mais de dois] era o que eu pensava sobre o caso. É o que continuo a pensar. E continuo a achar que Lula deveria estar naquela lista dos 40 do procurador-geral da República.

Como se vê, é simples quando se é dono da própria opinião. Que se punam os que fizeram lambança. Mas mensalão, de fato, foi o crime do PT.

Já ia me esquecedo. “O que é surto exultório”? É quando um petralha bate palminha de satisfação anunciando para o mundo: “Estão vendo? Não somos os únicos corruptos. Outros também são”. Eles acham que isso os torna pessoas mais decentes. E que se note: no mal chamado “Mensalão de Minas”, os petistas receberam mais dinheiro irregular do que seus adversários. E por que vibra a canalha? Sei lá.

Por Reinaldo Azevedo

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17 Comentários

  1. Paulo

    -

    05/11/2009 às 8:54

    Reinaldo,
    corruptos são todos os brasileiros. Corruptos são aqueles que debocharam da constituição ao promover a compra e venda de votos para a emenda da reeleição; corruptos são aqueles que venderam a maior mina de ferro do mundo por ridículos 3 bilhões de reais, e financiada com dinheiro do BNDES. O mal do PT é ter vendido a idéia de honestidade, quando sabemos que brasileiro gosta mesmo é de estacionar na calçada, furar fila de qualquer coisa, dar calote no imposto de renda, de se dar bem…

  2. roby

    -

    05/11/2009 às 7:53

    A canalha vibra porque sabe que, no fim das contas, se alguém for punido por essa lambança, será alguém das “oposições”. Para assegurar esse resultado, já cuidaram de aparelhar até o STF. Quer mais garantia de impunidade?

  3. Anônimo

    -

    04/11/2009 às 23:52

    Uma frase com 2064 anos…

    “O Orçamento Nacional deve ser equilibrado.
    As dívidas públicas devem ser reduzidas,
    a arrogância das autoridades deve ser
    moderada e controlada. Os pagamentos a governos
    devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência. As
    pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de
    viver por conta pública”

    Marcus Tullius - Roma, 55 a.C

  4. Vanderlei Simionatto

    -

    04/11/2009 às 23:11

    “Estão vendo? Não somos os únicos corruptos. Outros também são”. É a verdade mais verdadeira. Apanhados com a mão na massa, sem lenço nem documento, o PT sai a, procura de outros escândalos iguais aos seus. “Não somos os únicos corruptos”. Valeu, Reinaldo. Vamos ver o Ali Babá e os 40 ladrões. Vamos esperar o voto do vagabundo do Toffoli.

  5. João

    -

    04/11/2009 às 19:52

    “mensalão de Minas”

    O próprio nome já é errado, pois o que houve na trupe de Azeredo não foi mensalão (uso do dinheiro para manter apoios), mas arrecadaçao do mesmo (o que o PT também fez, mas não só, como tentou convencer - alguns acreditaram -; fez mais. E pior)

  6. Vera L.

    -

    04/11/2009 às 19:00

    Reinaldo você estás certíssimo, eu quero mais que Azeredo pague pelos crimes que se ficar provado fez, agora que Lula tem até mais culpa no cartório que Azeredo tem. O presidente da República não sabia do esquema do mensalão? Só o ministro Joaquim e outros do STF para engolir essa. Lula sabia de tudo e o crime dos petistas só se agiganta perto do Lula do PSDB que foi caixa dois sim. O STF nesse caso repete o que o TSE faz, caÇa bagrinhos, as raposas bem gordonas ficam impunes. A petralhada tem o costume de escolher seus larápios preferidos, nós não, larápios são larápios sempre e ponto final.

  7. Alberto

    -

    04/11/2009 às 18:51

    Caro Reinaldo,

    Sabe porque o apedeuta e vagabundo (sim, VAGABUNDO, porque desde 1980, já se vão 29 anos, nunca mais trabalhou), não está na lista dos 40 do “procurador geral da república”?
    Simplesmente porque o Brasil é o país dos DOIS PÊSOS E DUAS MEDIDAS! Só se dá mal quem é pé de chinelo. Fôra o Brasil um país sério, essa CORJA PETISTA já estaria encarcerada a muito tempo. Meu Deus? E pensar que por muito menos do que isso, pusemos o Collor pra correr!

  8. tiãoserra

    -

    04/11/2009 às 18:44

    Petralhas, vai encarar, esse é Reinaldo Azevedo:

    O homem é uma corda atada entre o animal e o além-do-homem - uma corda sobre um abismo.
    O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir.
    Amo aquele que não reserva uma gota de espírito para si, mas quer ser inteiro o espírito de sua virtude: assim ele passa como espírito por sobre a ponte.
    Amo Aquele que faz de sua virtude seu pendor e sua fatalidade: assim é por sua virtude que ele quer viver ainda e não viver mais.
    Amo Aquele que não quer ter muitas virtudes. Uma virtude é mais virtude do que duas, porque tem mais nó a que suspender-se a fatalidade.
    Amo Aquele cuja alma esbanja, que não quer gratidão e que não devolve: pois ele sempre dá e não quer poupar-se.
    Amo Aqueles que não procuram atrás das estrelas uma razão para sucumbir e serem sacrificados: mas que se sacrificam à terra, para que a terra um dia se torne do além-do-homem.

    (Friedrich Nietzsche)

  9. Yara Chiara

    -

    04/11/2009 às 18:43

    Lindo, você escreveu: “Eu sempre lembro do que escrevo”. Essa é uma dúvida minha porque já me corrigiram quando escrevi algo semelhante.

    O correto é “Eu sempre me lembro do que…” ou “Eu sempre lembro do que…? Ou as duas formas?

    Dúvida boba, mas como nós sempre temos de recorrer a esse verbo, porque as lambanças do governo são muitas, quero utilizá-lo direitinho. ; -)))

    Beijo, lindo!

    E não comentei de novo, né? Risos. Me expulsa do blog? Me chuta, assim, pra longe? : op

  10. simplesmente maria

    -

    04/11/2009 às 17:44

    E por que a Oposição não cobra o indiciamento do Lula, citando o processo contra o Azeredo como precedente?

  11. Pensando

    -

    04/11/2009 às 17:35

    É simples, beneficiário que foi de um esquema de caixa dois e exercendo um cargo público, independente de saber ou não sobre o mesmo, o sr Azeredo deve ser punido.
    É igualmente simples, beneficiado do grande sistema de corrupção e de compra de votos, o Mensalão, e exercendo um cargo público, mesmo “ignorando” o esquema, o sr Luís, igualmente, deve ser punido.
    Não é simples?

  12. leo

    -

    04/11/2009 às 17:33

    Um petralha com surto exultório acaba quebrando o nariz.
    Tira as mãozinhas do chão e acaba com a cara no mesmo.

  13. Sergio G

    -

    04/11/2009 às 17:28

    Erro de digitação no último parágrafo:

    Ç no lugar do vizinho L gerou Mensação

    Talvez seja uma boa maneira de diferenciar os dois esquemas: um foi Mensalão, esquema de compra do congresso; o outro foi Mensação, uma ação de caixa dois…

  14. anônimo

    -

    04/11/2009 às 17:25

    o “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para comprar o Congressoo “mensalão” foi um esquema montado para

  15. Yara Chiara

    -

    04/11/2009 às 17:24

    Gente apaixonada é besta, né? Ah, mas também é minha vida, ora: eu vivo cercada de texto, livro e jornal. Mais da metade é coisa de trabalho, que eu preciso traduzir ou, em casos que envolvam números, revisar; o restante é leitura que faço por conta própria.

    O amor da minha vida está sempre a alguns cliques de mim. Eu vou me impor a abstinência? Ah, não. : -))

    Dona Reinalda, você já aditou a certidão de casamento para incluir uma fiadora? Risos.

  16. Yara Chiara

    -

    04/11/2009 às 17:18

    Lindo, há um errinho de digitação no último parágrafo: saiu “Mensação de Minas” em vez de, creio, mensalão.

    Beijo. Depois comento esse e o outro e os outros. ; -)))


 

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