Os universitários brasileiros, na maioria das áreas, lêem menos de dois livros por ano, informam-se principalmente pela televisão, não falam inglês e consideram que o curso poderia ter exigido mais deles.
Esse é o quadro que surge quando são analisadas as respostas nos questionários socioeconômicos dos formandos que participaram do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Com a terceira edição do exame (que substituiu o provão), já é possível comparar o perfil de alunos das 48 carreiras avaliadas.
A insatisfação com o nível de exigência apareceu com destaque em 29 das 48 áreas. Nessas 29 carreiras, mais da metade dos estudantes afirmaram que o curso deveria ter exigido um pouco ou muito mais deles.
Pelos questionários, é possível avaliar também em que cursos os alunos mais se dedicam. Os futuros médicos são, disparados, os que mais estudam além do horário das aulas, com 41% gastando mais de oito horas semanais com a atividade.
A carga de estudos puxada diminui o tempo livre dos alunos para lerem outros livros que não façam parte dos exigidos pelo curso. É da medicina o maior percentual de estudantes que leram apenas dois, um ou nenhum livro no ano (66%).
A cor e a renda média familiar variam entre os cursos. Apenas no de formação de professores a maioria declarou ser negra, parda ou mulata (categorias do questionário). Os cursos em que é menor a presença de autodeclarados negros, pardos e mulatos foram os de engenharia e os da área médica.
Os dados de renda são praticamente iguais aos de cor. Novamente, os cursos voltados para a formação de professores se destacam como os que têm a maior proporção de alunos de menor renda. No outro extremo, foram também as engenharias e os cursos das áreas médicas -acrescidos de computação e arquitetura- que apresentaram menor presença de estudantes mais pobres.
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Voltei
Alguma surpresa no que vai acima? Nenhuma.
A universidade brasileira se tornou um supletivo de terceiro grau, com exceção, e nem sempre, dos cursos que exigem alto desempenho técnico. É assim na universidade pública. É assim na universidade privada. Um programa como ProUni cumpre a única e exclusiva tarefa de aumentar o número de universitários. A qualidade que se dane. Aliás, o desempenho assustador dos estudantes no Enade deixa isso claro de sobejo.
É uma piada macabra. A invasão da reitoria da USP evidenciou isso com clareza. Deu para perceber o nível do debate e do embate intelectual. Onde há um pouco de teoria, estamos imersos no século 19. Onde não há, trata-se de populismo vagabundo. Mais rigor? O que resta do movimento estudantil se perde no proselitismo e em reivindicações de caráter “social”. Os “intelectuais” da Universidade de São Paulo queriam bandejão aos domingos e ônibus grátis. Quando resolveram ter uma preocupação acadêmica, exigiram que se retirasse o adjetivo “operacional” que acompanhava o substantivo “pesquisa”.
Os dados também desmascaram a máxima de que o pobre está chegando à universidade. Está nada. Como também não chega à “universidade pública, gratuita e de qualidade”. Explico-me. Vejam lá: pobre se prepara para ser professor e virar depois massa de manobra dos sindicatos de docentes. É o que acontece na USP ou em qualquer universidade federal: quem não tem grana cursa letras, história, geografia, pedagogia, entre outras (e costuma ser capturado pelos dinossauros esquerdistas que dão aula), e quem tem vai fazer medicina, engenharia ou odontologia. Aí os hipócritas brandem os números: “Vejam aqui. Metade dos nossos alunos vem das escolas públicas”. É verdade. E a elas voltarão, como professores mal-remunerados. Por que não se avalia a renda curso a curso? Em tempo: é claro que há quem faça os “cursos de pobre” por vocação.
A universidade, mesmo pública, se “supletivou” para atender à demanda de quem, de fato, não teria condições intelectuais de acompanhar um curso de terceiro grau. E as particulares, do ProUni, estão é oferecendo um serviço de concessão de diploma. O governo injeta dinheiro nas mantenedoras, e elas expedem cartuchos para futuros motoristas de táxi com terceiro grau.









knux das 4:35 PM
hoje em dia não dá para falar com essa empáfia sobre a USPi, a não ser que você seja da POLI, FEA, e uma ou outra em que se estuda.
Se você fez fefelixo, eca (argh!), feducação, e outras baboseiras, saiba que as particulares são melhores que toda essa esquerdopatia uspiana
PAULO FREIRE
O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO DESTE PAÍS SE CHAMA
PAULO FREIRE
A necessidade de criar uma cultura da classe trabalhadora está relacionado com a proposta que Gramsci fez para um novo tipo de educação que pudesse desenvolver intelectuais na e para a classe operária. Suas idéias para um sistema educacional deste tipo correspondem à noção de pedagogia crítica e educação popular, segundo foram teorizadas e postas em prática décadas depois por Paulo Freire no Brasil.
te garanto que esses resultados na usp são bem opostos à média nacional que você nos mostrou.
existe alguma resultado só das estaduais paulistas?
pelo amor de deus, eu falo por mim… se me perguntassem quantos livros eu li por ano na minha graduação, eu nem saberia quantificar!
falta de respeito colocar os alunos da usp no mesmo nível dessas universidades de esquina “pagou-passou”.
Consta no site http://www.orm.com.br
(VENDA DE DIPLOMA AOS MONTES)
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Alunos aprovados no vestibular da Universidade Federal do Pará (UFPA) para as primeiras turmas dos cursos de Licenciatura Plena em Ciências Naturais e Matemática - regular e intervalar - participaram nesta segunda feira, dia 9 de julho, da aula inaugural, no Colégio Itakyra, em Canaã dos Carajás. A implantação dos dois novos cursos de nível superior é fruto de um convênio assinado entre a UFPA, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), a Prefeitura de Canaã dos Carajás e a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP) e tem como prioridade capacitar professores da rede pública municipal de educação que não tiveram a oportunidade de cursar o ensino superior.
O total de vagas ofertadas para os cursos de Ciências Naturais e Matemática foi de 184, mas apenas 64 foram preenchidas. A primeira aula foi marcada pela alegria e por palavras de incentivo aos calouros. Oziel Pereira, secretário municipal de Educação, destacou que “mesmo com todas as dificuldades, nós vencemos uma batalha. Nós por este convênio e vocês por ingressarem em uma universidade”.
Claudenice Medeiros da Silva, professora do ensino fundamental, aprovada para matemática, disse ter realizado um verdadeiro sonho. “Sou professora há 15 anos e sempre quis cursar matemática. Agora que eu consegui, vou persistir, pois coragem eu tenho. Antes, eu queria deixar minha casa para ir estudar na capital, mas nunca deu. Eu tinha esperança que um dia ia o curso de matemática iria chegar aqui e chegou.”
Para Renato Ribeiro, gerente de infra-estrutura da Mina do Sossego, a abertura de novas turmas não visa apenas a formação superior dos professores. “A preocupação é com a construção de um país melhor. Essa contribuição que a Vale dá, trazendo novas parcerias, é para a melhoria da qualidade de vida da população”, explica Renato.
Para os alunos das turmas intervalares, as aulas começaram de fato nesta segunda-feira, dia 9. Para as turmas regulares, a previsão é que as aulas comecem no dia 20 de agosto.
Apenas uma ressalva: evite dizer que os universitários “não falam inglês”, é preferível dizer que “não falam nenhuma língua estrangeira”. Se já tivessem a língua materna bem consolidada, seria meio caminho andado. Não é a língua franca internacional que faz falta, é qualquer uma língua estrangeira, desde que falada FLUENTEMENTE.
Escola pra quê?
Na Europa do séc. XIX, havia a “escola dos ricos” para formar aqueles que ingressariam nas universidades e a “a dos pobres” para dar estes o mínimo necessário para conseguirem trabalhar no então crescente setor industrial. Penso que o Brasil de hoje mantém esse sistema dual, só que a “escola dos pobres” (a pública)não serve pra nada - que aluno nem aprende ler e escrever!!!
É por isso que Lula correu da universidade! Tá certíssimo! Hehehehe!
olha, anônimo das 1:34, ganhar 5 paus por mês (que é o que um titular de último nível ganha, eu acho) pode até não ser um bom salário, eu concordo (se você considerar certas outras áreas, pr ex. Direito ou alguma carreira no mercado financeiro).
mas é mais do que 90% de neguinho ganha no Brasil…pra ficar falando de motos…porra! rodar 2/3 dos alunos, caralho! se fosse empresa tava demitido.
É isso mesmo, Reinaldo: é absolutamente impossível contestar o seu comentário sobre o mundo universitário brasileiro. Isto não é o que eu acho, é apenas o que os fatos expressam.
Se a matemática é a rainha das ciências para Einstein, é - no Brasil de Lula - uma tabuada do feiticeiro: uma tabuada onde só cabe estatística. De um lado Guido preocupado com o verniz de ouro de tolo da macroeconomia e do outro lado Lula preocupado com microeconômica no seu sentido mais puro: político. A mic®o política das estatísticas macros: um sonho macroestatístico de um Estado de analfabetos funcionais e “intelectuárius”.Um Estado educado à imagem do conselheiro. Ensinando-nos com palmatória de veludo, munido com a irresistível discriminação positiva: universidade para tolos.
Eis uma tema interessante. Alguns dados para debsate:
1) No anos 50 o porgram de matemática do Brasil era do mesmo nível que EU, Europa e URSS. Hoje o que neste é equivalente ao 2º grau, no Brasil são dos dois primeirosanos do curso de negenheira e exatas.
2) De fato o salário é de docente é péssimo, quando sabemos que chega até além do dobro se você deixer de ministrar aulas e vá até cheirar suvaco de reitor para ter um cargo administrativo. Eis a distorção terrível: ganha-se mais para passar o dia asssinando memorando sem minstrar uma mísera aula. O argumento geral é: administrar é de maior responsabildiade do que dar aula, até pelo fato de que se deixa sua assinatura nos memorandos e aula vai que quer e quando quiser, nem ponto tem, por lei.
As cotas já funcionam na Ufba, e os professores de exatas dão aulas, quem tem deficiência do nível médio, paciência. Desistem muitos já no primeiro semestre ou trancam/abandonam as disciplinas do PAF. É tortura mental o que fazem com esses alunos, que são jogados nas universidades públicas.O modelo implantado de cotas foi baseado na UFBA, agora querem também ser pioneiros da Universidade Nova. Procurem saber, o digamos assim “laboratório” é feito na UFBA. Eles dizem que o desempenho é o mesmo, é estarrecedora a diferença. Na área de humanas continua como antes.
A propósito, sou contra a Universidade Pública tem que ser paga, os melhores entram. Aqueles que não podem pagar, comprovadamente, dependendo do caso, financiamento ou bolsas.
O caso da ¨supletivação¨ da UFPa merecia um estudo de caso. O governo do Estado fez convênio para diplomar professores. A maioria das disciplinas foram cursadas com 7 dias/aula. Qual a razão? Ora, serão professores dos pobre. Tanto foi assim, que o índice educacional do estado não melhou vírgula e, alguns casos, até piorou. Pior do que um professor sem diploma é um diplomado leigo.
Sou estudante da UFRGS (curso de Exatas - prefiro não dizer qual - apenas digo que é tido como dos mais exigentes da UFRGS).
Os professores da Física rodam, todo o ano 2/3 dos alunos (Física I).
Cálculo I roda metade.
Isso há mais de uma década.
Temos aulas com professores que não respondem a ninguém pela sua performance. Professores que, por exemplo, estão fazendo doutorado em algo e são chamados a darem aulas básicas que há muito esqueceram. Ou professores que não preparam as aulas. Cheguei a ter um, sem currículo no Lattes, que falava de suas motos por metade das aulas. Suas turmas têm menos de 30% de aprovação.
A resposta deles: somos todos vagabundos. Certo…Fazemos o vestibular mais concorrido do estado, temos os melhores escores e a melhor formação deo Segundo Grau e essa é a desculpa. Se fossemos assim tão vagabundos não teríamos sobrevivido à dura rotina de estudo que nos assegurou uma vaga.
A verdade é que se você for para uma Federal hoje, você vai encontrar três tipos de professores:
1) É produtivo, pesquisa, mas é sobrecarregado. Sua aula sofre com isso.
2) É produtivo e consegue planejar as aulas.
3) Não é produtivo, mal prepara as aulas. Ou é um titular que não está nem aí para nada (ninguém pode demití-lo) ou é um assistente sem compromissos maiores.
Se você reparar, 1/3 dos professores consegue te dar uma aula decente.
O impacto, inclusive econômico, é imenso.
Todavia, temo que com as cotas de alunos de escolas públicas vai haver inflacão de notas. O assunto, na verdade, não me interessa. Já tenho minha vaga. No fundo, os bons vão passar por um funil menor ainda. O nível vai aumentar dentre os que vierem de formação sólida no Segundo Grau. A distância entre cotistas e não-cotistas será um fosso. Já podemos prever o chororô para vaguinhas na pós-graduação…
Não bastasse tudo isso, as bibliotecas são pobres. A de Física, por exemplo, é ridícula. O estudante que tem recursos é obrigado a gastar uma pequena fortuna, pois os livros mais modernos não estão disponíveis, em geral. Eu mesmo compro mais livros importados por ano do que a Biblioteca de Física da UFRGS. O estudante pobre que não lê inglês…eu não sei o que faz. Uma coisa eu garanto: não está concorrendo comigo. Eu não estou sendo cínico, nem arrogante. Mas realista.
O estado das coisas é terrível. Depois, o Brasil quer concorrer com os chineses e os indianos. Sem um investimento em educação superior, vai nos restar vender sapatos baratos feitos nas fábricas - sempre falimentares - de São Leopoldo. O verdadeiro produto que o Rio Grande do Sul exporta, aliás, são cérebros.
A Universidade Pública não tem qualidade agora. Os professores gostam de dizer que é porque são mal pagos. Mas dão aulas porcas, sem preparo de roteiro, em sua maioria. E eu não minto nem exagero. O cursos top no Enade não chegam a 50% de acerto na totalidade das questões. Por que isso? Sem livros e sem aulas preparadas, o fracasso é explicável.
Vocês viram, aliás, o caso recente da Fefeléchi e o nível de alguns professores…É lamentável. Eles têm mais que a sua parcela de culpa.
Exemplo típico de uma Universidade de exatas, os que entram pelas cotas não sabem nem equação. Estão tentando colocar esses alunos numa mesma turma. Enquanto um trabalho é solicitado para entregar em uma semana com alunos não-cotistas, com os alunos das cotas o prazo é maior, pois têm dificuldades praticamente intransponíveis. É isso que a Universidade Nova pretende, nivelar por baixo, e os dois primeiros anos na verdade, tentar suprirá suprir deficiência da escola pública de nível médio, além de se fazer uma forte doutrinação de esquerda, pelo conteúdo que se pretende administrar. Todos os cursos terão as mesmas disciplinas, depois de dois anos, escolhe-se a profissão. Só que esses serão generalistas, só continuam aqueles que querem. Irão acabar com uma área, ainda, de excelência cursos de exatas e medicina. Como já viram que pelas cotas não conseguem acompanhar esses cursos, veja pelas vagas residuais, pretende-se implantar conteúdo de universidade achada na rua. Uma lástima, pobre Brasil.
Tenho uma filha que faz Engenharia Elétrica na Federal( quando ela fez vestibular, não tinha o sistema de cotas) estuda muito, sábados, domingos e feriados são contados como dia normal para esses estudantes. Essa é uma realidade que vejo em casa. Apresentar um projeto que tem que funcionar - ligou, funcionou é dez, não funcionou é zero. O mercado é assim, viram noites nos laboratórios. Fico me perguntando, que será dessa Nova Universidade? Ainda bem que forma no próximo ano, faz estágio numa excelente empresa de TI. Será contratada e vai para Houston, passar seis meses, numa representação da empresa. Essa é realidade hoje, num futuro próximo, só será possível, através de Universidades Privadas. A universidade privada vai se estruturar para absorver esses alunos, e estes migrarão, se o nível de ensino for semelhante ao da federal hoje. Tenham certeza que estamos assistindo a mesma trajetória do Colégio Público.
Uma pergunta: por que os professores que ensinam nas escolas públicas de nível médio e básico colocam seus filhos nas escolas particulares? è uma boa reflexão.
Universidade não é para todos são para os melhores, cabe ao governo igualar o nível para que alunos de escola pública concorram em igualdade, o sistema só funciona se for o mérito. Se assim não for, o mercado se encarrega de selecionar. E será meramente para uso estatístico. Lastimável, mas é assim.
Como piorou! Tenho 5 filhos bem-formados (USP e Mackenzie - os pais também).
Era outro tempo? Eu carregava (doía) vários livros de Economia pela escola e minha mulher tem uma biblioteca de Arquitetura que forra a casa inteira. Achamos sempre pouco, tanto que estávamos agora na mega-Cultura (inferno!) procurando algo sobre a Patagônia (nada).
Quer dizer que os futuros professores dos futuros engenheiros nunca viram Ceci e Peri?
Ensinarão “bater lata”? Ensinarão o perigo do neoliberalismo de FHC? Discutirão a tendência bolivarianista na cirurgia plástica?
Tem dinheiro sobrando!
Estudemos todos no exterior. Se você quer que seu filho estude em universidade privada no Brasil, é melhor mandar para uma universidade americana, canadense, inglesa ou australiana que, pelo mesmo preço, seu filho obterá um ensino melhor. O mesmo devia fazer a USP. Com o custo de um aluno da USP, seria melhor mandá-lo estudar, com dinheiro público, no exterior. O Estado estaria economizando dinheiro e os alunos seriam melhor formados. Que vergonha!
Vocês não entendem de nada do mundo universitário.
Lá se estuda: etnohistória, etnogeografia, etnosociologia, etnoeconomia, etnofilosofia, etnomatemática………
Baar ir no endereço, http://www.ufpa.br/beiradorio/artigos/art2.html, artigo do pró-reitor de graduação, A universidade e a trajetória de graduação em 50 anos, paa eu se veja no quadro matriculados & concluintes, para que seja veja o inferno ao vivo e e em tofod os tons.
Ainda dentro dessa questão sobre a qualidade dos cursos universitários, seria interessante considerar um ponto pouco ou (quase) nunca abordado nesses debates. Mesmo entre os “cursos para pobres”, que abrangem em geral aqueles integrados pelos alunos que vão cair na atividade do magistério, há uma espécie de seleção natural divisando os discentes que vêm de uma boa formação no ensino médio dos que chegam com deficiência em tópicos básicos. Falo das chamadas bolsas de Iniciação Científica concedidas por agências de fomento como CNPq e FAPESP, cujos critérios de distribuição prezam pelo desempenho demonstrado principalmente nos dois primeiros semestres da graduação. Na grande maioria dos casos, os alunos de “cursos para pobres” que conseguem essas bolsas são aprovados no vestibular com uma alta pontuação, de modo que seriam aprovados em “cursos para ricos” sem maiores dificuldades. Coincide, também, de esses alunos serem, em sua maioria, provenientes de escolas particulares e de famílias de classe média. São, portanto, os que têm coragem de fazer “cursos para pobres” por vocação, e não pelo simples desejo de ingressar custe o que custar na universidade ou de seguir uma carreira mais elitizada (ainda que não tenha vocação para tal) visando a conseguir melhores salários e empregos. Tais alunos, além do privilégio de receber a bolsa, passam a ter um tratamento especial dentro de projetos de pesquisa. Também passam a carregar o compromisso, depois de ganhar a bolsa, de manter médias altas para que o benefício não seja cortado. São esses alunos que, depois de formados, engrossam a massa dos ingressantes em cursos de mestrado e doutorado nas carreiras de humanas. São também esses os que melhor dominam o ferramental teórico-metodológico básico dentro da sua área de saber e que, nessa condição, poderiam contribuir para uma guinada positiva no ensino médio e fundamental, mas que jamais vão atuar no ensino médio e fundamental porque as instituições de terceiro grau vão lhe ser bem mais atraentes (por razões óbvias, que dispensam comentários). Quem sobra, então, para atuar nos níveis mais básicos de ensino? O indivíduo pobre que chegou à universidade cheio de deficiências, que não ingressou num “curso para pobres” por vocação, que termina o curso com um coeficiente de rendimento medíocre e que terá dificuldades para ser aprovado num programa de pós-graduação. Qual é a solução para isso? Sei lá, mas certamente passa por uma melhoria na qualidade dos cursos de ensino médio ou por alguma mudança de mentalidade (o que eu acho difícil) que leve os alunos a se imbuírem do compromisso de só ingressar em uma carreira determinada se tiverem vocação para aquela área. Talvez fosse o caso de as universidades realizarem testes de habilidade específica no vestibular para tais carreiras, da mesma forma como já é feito entre os cursos das áreas de Artes em geral. Assim, um aluno entraria para Letras ou Lingüística, por exemplo, se demonstrasse habilidade em produção e interpretação de texto, bem como sensibilidade para questões de linguagem que não ficassem restritas a um mero exercício de decoreba de regras convencionais transmitidas pelos livros de gramática. Acho, na verdade, que não existe uma solução única, mas se esse estado de coisas não for mudado, vamos continuar a reservar os bons alunos para os departamentos universitários, mantendo-os longe da realidade das salas de aula do ensino médio e fundamental, onde poderiam contribuir para a melhoria da qualidade do ensino.
Caros anônimo (4:08pm) e Neo (4:25pm)
O que vocês acrescentaram ao meu comentário das 1:03 vem ao encontro do que eu disse e penso. Eu, como professora universitária, tenho dificuldades em ensinar alunos que chegam ao curso cada vez mais mal preparados. Muito do que eu posso fazer está limitado por esse fato, além de dificuldades relativas às condições de trabalho. Também estudei em escola pública, em uma época em que ela tinha mais qualidade que têm hoje muitas das escolas particulares. E é por isso que eu acho, em consonância com o expresso por vocês, que o problema está muito mais ligado ao sucateamento do ensino básico e fundamental que à incompetência das universidades públicas em produzir conhecimento.
Caro Neo, não acho que abandonamos o processo de qualidade no ensino em função de atingir indicadores internacionais. Para mim, o problema é que, do ponto de vista pedagógico, no ensino básico passamos a fazer experiências com teoria do aprendizado. Não tenho nada contra a trazer a teoria ao contexto do aluno, desde que isso não signifique ficar discutindo o contexto e se esquecer de ensinar português, matemática etc.
Caro anônimo (4:08 pm), não há por que ficar aborrecida com você. Você está certo, o despreparo dos alunos conta com a cooperação ingênua das famílias dos discentes. Sua formação tem sido negligenciada em prol de treinamento para o vestibular. Também conheço meus alunos e é baseada em minha experiência que digo que muitos deles chegam ao curso de engenharia sem saber as operações trigonométricas. Mais que isso, quando erram questões em prova devido a esse desconhecimento, dizem que isso não faz parte da disciplina, que é bobagem, que o raciocínio esta correto. Ou seja, não sabem e acham que podem se formar engenheiros e continuar sem saber. E isso ocorre em uma universidade pública. O exemplo de meu amigo de uma universidade privada foi apenas para mostrar nessas universidades, a situação ainda é pior e que a privatização do ensino superior não é o caminho. O capitalismo brasileiro é uma jabuticaba, como diz o Reinaldo, só dá aqui. Muitos dos empresários de ensino superior no Brasil são capitalistas de araque e muitos dos professores socialistas também.
Uma coisa que sempre me preocupa é esse oba-oba em torno da universidade pública. Eu acho que há muitos interesses diversos por trás, tanto dos que defendem a privatização do ensino superior quanto dos que são contra. Há de tudo, desde empresários querendo ter suas universidades particulares sustentadas por programas do governo até professores de universidades públicas que acham que não devem satisfação nenhuma à sociedade, passando por pessoas bem intencionadas que defendem uma ou outra posição com ingenuidade, sem enxergar nem texto, nem contexto. Mas sei que o pior que se pode fazer é, com um diagnóstico superficial, prescrever tratamentos radicais. Isso pode matar o doente em vez de curá-lo.
Reinaldo,você fez uma análise bastante lúcida.A realidade,no entanto,é ainda um pouco pior.As universidades estão sendo ‘aparelhadas’,assim como as residências,pós-graduações,onde uma apresentação de político alinhado com o pensamento do governo se tornou quase indispensável para o ingresso.Não há qualquer interesse em melhorar esse quadro,é justamente o contrário.Um sobrenome mais conhecido ou um parente em partido de oposição associados a um desempenho pouco mais que medíocre pode nos prejudicar,pois somos vistos como ameaça.Concluo um curso considerado dos bons,minha formação na área é razoavel mas sei de minhas limitações ocasionadas pela precariedade do ensino fundamental.Preocupa ver que pessoas cientes do que se passa não levantam a voz sequer para denunciar a gravidade do que vem ocorrendo e que promete nos lançar num abismo de ignorância e incompetência que-pelo menos é assim que eu sinto-vai tornar o país inviável.
Gostaria de comentar o post da Sylvia:
Com certeza o ensino básico no Brasil é uma vergonha, etc. etc.
Entretanto quando foi exatamente que abandonamos o processo de qualidade no ensino em função de atingir indicadores internacionais?
Sempre estudei em escolas públicas e me orgulho muito dos professores que tive. Vivi o final da ditadura dentro de uma escola do governo e meus professores eram inteligente e dedicados e me ensinaram a pensar e a aprender e mais ainda, a gostar de aprender.
Tá certo, nem todos tiveram essa sorte, blá, blá, blá, mas ERA uma escola pública.
Pergunto: onde se formaram esses professores? Na sua imensa maioria, em Universidades públicas!!!
Assim, ou somos capazes de calibrar a dose nas universidades dando um ensino de altíssimo nível a TODOS os que serão, futuramente, professores e, portanto formarão nossos filhos e netos ou BABAU, esqueçam! Sem universidade exigente até o limite e que forme a “aristocracia” intelectual dessepaiz não existe ensino, inovação, pesquisa, nada. É esse deserto intelectual pontuado por alguns parcos oásis de inteligência como o blog do Reinaldo.
Isso requer esforço e dedicação de professores e alunos! Isso requer uma política educacional diferente do que é estimulado pelo MEC. Não é, nem nunca será pela oferta de mais e mais cursos que sairemos do atoladeiro em que nos metemos. De outra forma ficaremos discutindo o ovo ou a galinha e não saímos da lama.
Ficará a professorinha da periferia sendo a que menos sabe ensinando para meninos e meninas que saberão ainda menos.
Acho que sim, é necessário ensinar bem as crianças e adolescentes, mas como fazê-lo com formados que mal lêem DOIS, isso mesmo, DOIS livros por ano? Como ensinar português sem amar Machado? Como ensinar matemática se o que aprendem os universitários é a tal matemática achada na rua? Como ensinar Geografia nas ruas de Gothan City?!?!?!
Desculpem o desabafo.
Neo
Mensagem para Dona Sylvia 1:03 PM
Peço sua permissão para adicionar o seguinte comentário aos que a Sra. (ou Senhorita) fez.
O problema começa no ensino Básico. A imensa maioria dos cursos colegiais (incluindo, é claro, os famosos e eficientes “cursinhos”) não forma futuros universitários. Adestra , sim, exímios resolvedores de questões de provas.
Não desperta nos moços o amor pelo conhecimento . Incentiva-os, sim, a uma nervosa procura do vencer na vida. E isso é feito com a cooperação ingênua das famílias dos discentes.
Não me contaram tudo isso.Sou professor em escola de nível Superior e conheço meus alunos.Tenho pena desses adolescentes, tenho pena do Brasil.Por favor, não se aborreça comigo.
Dois colegas meus que moraram com suas famílias na França, em épocas separadas por umas duas dezenas de anos, me contaram que naquele país só vai mesmo para a Universidade quem tem real vocação para estudos avançados. Lá não existe a demagógica proposta “universidade para todos”.
Bobby
NÃO É SÓ O CONGO NAO !
A AFRICA E O HAITI ,TUDO JUNTO “É” AQUI !
Talvez o dado mais importante da reportagem tenha passado em branco pelos comentários: por que a maioria dos formados considera que o curso “poderia ter exigido mais deles”?
Na minha opinião, é uma questão de seleção: quem se forma na universidade, hoje em dia, é quem quer trabalhar, quer construir uma vida, seguir uma carreira séria. Tudo isto ao contrário dos parasitas eternamente atrelados a Diretórios Acadêmicos (que se arrepiam ao ouvir a palavra “jubilamento”), ou daqueles que, por terem uma formação básica deficiente, desistem do curso no meio.
Em função do proselitismo que ocupa muitas aulas, até em matérias que deveriam ser básicas na formação profissional, o aluno que chega ao final do curso não se sente devidamente preparado para seguir uma carreira. É o mesmo aluno que, pouco depois, vai buscar algum complemento em cursos de MBA, aulas de línguas, ou mesmo em uma segunda graduação.
Enquanto isto, aqueles atrelados a DA’s ficam ocupando recursos da universidade, matriculados no máximo em duas cadeiras, “largando o osso” apenas quando sentem que podem se pendurar em alguma carreira do partido ao qual está filiado, ou passam em algum concurso público - oportunidade em que trocam o papo-furado da universidade pela “carreira” de grevista.
Abraço!
Reinaldo, concordo com a tua abordagem, de fato filhos de famílias com melhores condições financeiras fazem os chamados cursos de ponta de graça, que assim são chamados pois, em tese, dão a perspectiva de dinheiro rápido e em bom volume, e os cursos que não são de ponta, assim são denominados pois não dão a perspectiva de ganhos financeiros. Porém,deixo uma perspectiva que não foi abordada. Esse pessoal dos chamados cursos de ponta, na sua maioria são membros da pequena classe média trabalhadora brasileira (20% a 25%), de essência conservadora e que na questão fiscal leva o país nas costas, então, que mal há em pelo menos ter um privilégio, e assim é visto a coisa pelos pais dessa classe média, de pelo menos os filhos fazerem de graça medicina, engenharias, odontologia, direito, (sou advogado, hoje o curso é um curso de ponta fajuto, só se mantém de ponta em face da perspectiva de se ser no futuro promotor ou juiz, ser advogado hoje no Brasil é uma temeridade, tem muito advogado, a maioria, vivendo com R$ 1.000,00 por mês de salário, mas isto é outra história) e mais alguns outros poucos cursos. O atual sistema universitário do país é uma das poucas conquistas da classe média de direita do país, na linha eu pago mas eu tenho algo em troca, o orgulho de ver o filho numa Federal ou numa Estadual, e tudo de graça! A sorte, ou o azar, é que a esquerda, mesmo dando as cartas em face do paradigma estúpido atual que vê como vergonhoso qualquer perspectiva de se ser de direita, acho que em face da ditadura militar (que hoje eu questiono se foi mesmo um período de domínio da direita, por direita se entenda capitalismo de mercado) é tão burra que não vê isto, ou pelo contrário, é muito inteligente e não quer mexer no vespeiro. Não quer “cutucar a onça” que está quieta satisfeita com os restos de carne que lhe é dada.
Tio Rey, esqueceu de falar sobre o resultado da OAB. Menos de 20% aprovados do estudantes. Nem na rua se acha esse direito. No Brasil basta uma sala que se faz uma faculdade de direito, nem precisa do quadro-negro.
Pesquisa, assistência gratuita, biblioteca?? Para que? Vamos na rua e tentar achá-lo.
Pior: motoristas de taxi com taximetro adulterado. E com bandeiras diferenciadas, de acordo com a cor de pele do passageiro.
Caro Reinaldo,
a Universidade brasileira tem vários problemas, as públicas e as particulares. Um deles é o preparo do aluno que ingressa em seus cursos. E esse problema é maior nas particulares, mas acontece em quantidade muito superior à desejável também nas públicas. Isso gera políticas equivocadas principalmente por parte das universidades particulares.
Certa vez, queixando-me a um amigo, professor de uma universidade particular, de que meus alunos, do curso de engenharia de uma universidade pública, não dominam as ferramentas básicas da matemática, ouvi o seguinte relato. Um amigo dele aplicou uma prova na qual os alunos tiveram fraco desempenho e foram se queixar ao diretor do departamento. Ele tentou explicar, mostrando as provas, que os alunos tinham aplicado de forma errada conceitos básicos e que, caso ele não os cobrasse estaria comprometendo seu desempenho nas disciplinas futuras e formando um mau profissional. O diretor respondeu que ele tinha que entender que ele, professor, era despesa, enquanto os alunos eram receita. Ele que se enquadrasse na expectativa dos “clientes”, em uma subversão perversa da máxima do comércio que diz que o cliente tem sempre razão.
Então, caro Reinaldo, eu tenho que dizer que concordo com você em relação a muitas das críticas que faz em relação à Universidade brasileira e em especial às públicas. Mas discordo da conclusão de muitos de seus comentaristas de que a solução seria privatizar o ensino superior. Com a classe de empresários que temos, com as honrosas exceções de sempre, o que haveria seria uma queda de qualidade e a morte da pesquisa, ainda que essa esteja muito aquém do desejável. Em sua maioria, nosso empresariado é capitalista na hora de distribuir os lucros e socialista com os prejuízos. Os que advogam a privatização das universidades públicas, querem na realidade que o governo sustente as universidades particulares via isenções fiscais e programas como o Pro-uni com o dinheiro que hoje custeia as públicas. Ou seja, as despesas ficariam com o governo e o lucro com os empresários.
Gostaria ainda de lembrar que, ainda que com qualidade aquém do desejável, é nas universidades públicas que se faz a pesquisa no Brasil. Muito do sucesso da nossa agricultura é produto de parcerias da EMBRAPA com universidades públicas. Até onde vai meu conhecimento há apenas uma universidade particular que tem atuação digna nessa área. Se a pesquisa realizada pelas universidades públicas é ruim, nas particulares ela é praticamente inexistente. E a pesquisa não é fonte apenas de novas tecnologias, ela força o professor a se manter atualizado, a estudar sempre. Cursos em que professor é pago apenas por hora-aula, sem ter tempo para estudar e, principalmente, sem ser cobrado por isso, caem em um marasmo que, em longo prazo, faz com que os docentes não sejam mais capazes de assimilar as novas tecnologias, quanto mais ensiná-las.
Por fim, gostaria de dizer que, a meu ver, o problema mais grave da Universidade Brasileira, é o material humano. Nosso ensino preparatório fica abaixo do desejável e praticado em países desenvolvidos. O aluno chega despreparado à Universidade, mesmo em cursos considerados de elite, o que limita seu aprendizado no curso superior. A formação dos docentes também sofre do mesmo mal, pois ele é formado pelo sistema educacional brasileiro.
Assim, se o Brasil quiser mesmo se tornar um país desenvolvido, tem que investir na melhoria do ensino básico, sem abandonar o pouco que existe em termos de ensino superior. Temos que ter alunos chegando às universidades com nível compatível ao dos alunos dos outros países. Sem isso, é como culpar o glacê pelo bolo ruim. Em alguns casos, o glacê realmente estraga o bolo mas, na maioria dos casos, o problema é que o bolo está solado. Nesse caso, glacê não opera milagre.
Sylvia
Fiz curso de pobre. Formei-me em licenciatura em história pela UFPE, e de fato, indentifico-me com a maioria dos dados da pesquisa.
Sim, passei um tempo capturado pelo esquerdismo bocó que dominava, acabou?, a UFPE. Lia Caros Amigos e desprezava a VEJA. Tudo mudou quando em viagem a Brasília, li a revista REPÚBLICA, que virou Primeira Leitura. De início me incomodei com as opiniões do senhor, mas depois fui vencido pela lógica e pelo uso invejável da língua que o senhor ostenta.
Sou professor pobre, de pele branca e graças a Deus, curado do esquerdismo que tentaram me impor. Sou professor porque é a única coisa que sei fazer com alguma competência.
Infelizmente muitos colegas, não só de história, mas de outras disciplinas, mal sabem aquilo que seria sua obrigação, que dirá outras coisas, como escrever e falar corretamente, por exemplo.
uma lástima.
Reinaldo
Todo trabalho e todo saber devem ser feitos com aplicação e orgulho. Você viu como aquele senhor que teve a filha espancada pelas “crianças” falava com orgulho sobre sua profissão?
Se você observar ao seu redor, verá que os grandes profissionais têm orgulho do seu trabalho. O dono da padaria, o pipoqueiro, o professor, o cozinheiro…
Espero que os alunos e profissionais de ciências humanas batalhem por seus cursos. Espero que se aprimorem, que se tornem grandes filósofos, sociólogos, historiadores e geógrafos, e que dominem várias línguas, principalmente o português. Espero que tenham, por sua profissão, o mesmo empenho e carinho que o pipoqueiro tem ao fazer suas deliciosas pipocas (com provolone, de preferência).
Reinaldo:
Estive a alguns meses realizando o Curso do INEP para avaliadores de universidades. Fiquei barbarizado (este é o termo) com a manifestação dos professores do curso e da direção do INEP que disseram, textualmente: ” Não esperem fechar algum curso ou universidade! O seu papel é ajudá-los a melhorar. O objetivo do governo é quantidade, portanto, não esperem…”
Esta é a mentalidade da turma que dominou o MEC e que está vendendo um peixe e entregando outro. Estamos, definitivamente, entregues ao relativismo educacional. Não podemos exigir de uma faculdade isolada o mesmo nível de desempenho que de uma universidade!!!!
Me pergunto (e nisso lembro um texto seu de algum tempo atrás) se não estamos, paulofreireniamente, entendendo os excluídos… Deixando de abordar o saber da humanidade para adotarmos um saber relativo ao ambiente em que se está inserido. Isso é o cúmolo da barbárie.
renunciamos ao perfil técnico, crítico e “pensante” da universidade para formarmos seres doutrinados, “não leitores”, desprovidos do menor senso de crítica ou de reflexão.
Era esse o desabafo mas parece que teremos que aturar isso por um bom tempo ainda…
Continue assim! O remelentos e mafaldinhas no fundo, no fundo, adoram o que você escreve deles. São crianças mimadas de quem o pai um dia dirá: “Podiam estar roubando, podiam estar matando, mas estão aqui, invadindo a reitoria e lutando pelo badejão de domingo”.
Um forte abraço
Neo
BEM-VINDO AO CONGO!
Gostaria de reforçar o seguinte ponto, abordado no último parágrafo de seu post: a maioria dos cursos universitários se transformou num “supletivo de terceiro grau” porque, dentre outros fatores, o nível dos alunos que chegam às universidades (mesmo naquelas com vestibulares ultra concorridos, como é o caso da maioria das universidades públicas) está muito baixo. Os docentes universitários já não conseguem “nivelar por cima”, dado que os ingressantes estão num nível deprimente de conhecimentos em relação ao programa que é cobrado em vestibulares e que deveria compor a grade curricular das disciplinas do ensino médio. Grande parte dos alunos de ciências exatas desconhece fundamentos básicos de trigonometria, geometria analítica, funções logarítmicas e tópicos afins, assuntos que devem ser dominados à exaustão pelos ingressantes em carreiras como Engenharia, Computação, Física ou Matemática; da mesma forma, boa parte dos alunos de ciências humanas desconhece fatos históricos básicos, tanto da história do Brasil quanto da história universal; no mesmo encalço, uma grande leva de alunos dos cursos de Letras e Lingüística mostra problemas com análises sintáticas das mais simples, regras de nomenclatura, classificação de orações, interpretação de textos, conhecimento literário etc., o que dificulta levar para a sala de aula, dentre outros elementos, as teorias lingüísticas mais modernas que, certamente, auxiliariam na elaboração de uma metodologia eficiente a ser aplicada no ensino de português. E assim vai… A reversão desse quadro passa, portanto, por uma transformação nos cursos de ensino médio (o que vale tanto para escolas de pobre quanto para as escolas de rico), de modo a preparar o aluno para seu ingresso na universidade. Do contrário, os nossos cursos universitários vão descer rapidamente de nível: de “supletivo de terceiro grau” para “complemento de ensino médio”.
Também gostaria de discordar da sua observação, pelo menos no tocante à totalidade dos menos abastados chegados à universidade, de que “pobre se prepara para ser professor e virar depois massa de manobra dos sindicatos de docentes”. Ao empregar o adjetivo substantivado “pobre” sem qualquer determinante anteposto, sou levado a interpretar que, para você, a totalidade (ou, pelo menos, a maioria) dos pobres que cursa uma área voltada para a prática de ensino descamba para o esquerdismo barato dos centros acadêmicos e, por extensão, dos sindicatos. Isso não é verdade, Reinaldo! Não disponho de qualquer pesquisa estatística em mãos que contemple esse ponto em particular, mas me parece claro (por mera observação assistemática, já que fiz um dos chamados “cursos de pobre” numa das maiores universidades públicas do país) que a maioria desses pobres vai se manter neutra em suas manifestações ideológicas, alguns se mostrando ora defensora de espectros mais à esquerda, ora mais à direita. Essa maioria está, assim, eleitoralmente alinhada a setores mais ao centro do PSDB e do PT, e não dos radicalismos esquerdóides à moda do PCO, PSOL e PSTU (e à do que foi o PT em passado recente) que quase sempre marcam a prática dos sindicatos de docentes. Aqui mesmo no estado de São Paulo, não vão faltar professores e alunos desses “cursos para pobres” que votaram em Serra para governador e em Lula para presidente, contrariando a tendência geral dos sindicatos e dos centros acadêmicos no apoio a candidatos do PSOL em plano nacional e estadual. O que acontece, de fato, é que os poucos alunos e professores seguidores desse esquerdismo barato e greveiro são unidos e barulhentos, o que faz parecer estar em grande quantidade e formar a maioria, condição que não passa, na verdade, de uma ilusão de ótica. E, para piorar, os que “não tem nem aí” somados aos moderados à que me referi acima, embora sejam maioria absoluta, não são unidos o suficiente (e nem o insuficiente) para provocar uma reviravolta nesse estado de coisas. Limitam-se a ficar pelos cantos, condenando aos sussurros as inv
Como tudo começou (na minha opinião, é claro)
Reinaldo -
Na segunda metade da década de 60 partiu-se na direção do desenvolvimentismo. A idéia era mesmo desenvolver o Brasil, fazê-lo crescer economicamente, reduzir a inflação, aumentar as produções agrícola e industrial, aumentar sua capacidade de gerar energia elétrica etc.
Pois é, tudo isso foi rapidamente conseguido. Entretanto, na área da mal denominada “Educação” cometeu-se um erro gravíssimo - sem nenhum exagero no advérbio - ao hipervalorizar-se o ensino universitário e, ao mesmo tempo, esvaziando-se o ensino Básico do seu papel eminentemente formador da pessoa humana.
Eu poderia escrever uma lista de fatos para comprovar a veracidade disso que acabei de falar sobre o que foi feito com os ensinos do Primeiro e do segundo Grau. Entretanto, isso aumentaria demais o tamanho deste comentário matinal neste belo domingo de sol.
Um abraço -
Bobby
Reinaldo,
Nem todos serão motoristas de táxi, não.
Uma grande parte vai integrar o movimento:
ONG : Um dia você vai ter uma.
COP
Há uma situação de graves conseqüências que resulta dos cursos de formação de professores serem povoados de alunos de baixa renda. Falta-lhes formação continuada desde a tenra infância - leitura de vários livros, gosto pela música e pela dança, conhecimento de história e geografia em geral, conhecimentos gerais de ciências, familiaridade com línguas estrangeiras, etc. São conhecimentos e gostos que se desenvolvem no ambiente familiar culto e informado, desde que a criança nasce, através da conviência com seus parentes e amigos.
Assim, esses professores levarão para a sala de aula as suas deficiências de formação. Em geral, ela é associada ao desprezo pelo conhecimento (burguês!!). São as uvas verdes dos ignorantes.
É lamentável! E só tende a piorar, agora que o nosso paradigma de presidente é de um ignorante que se orgulha de sua ignorância.
Universidade gratuita e mal paga…
Ou seja, ficaremos igual à “moderna” Cuba.