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26/10/2011

às 5:27

Líbia – Mais flagrantes da civilidade dos ex-rebeldes, agora governo: expropriações, saques, expulsões…

Por Andrei Netto, no Estadão

Cidades pró e contra Kadafi acertam contas após guerras civil

Separadas por 250 quilômetros, as cidades de Misrata e Sirte começam a viver o acerto de contas pós-guerra civil. Parcialmente destruída ao longo de três meses de cerco e bombardeios do regime, a primeira celebra a vitória dos rebeldes no confronto com as tropas leais a Muamar Kadafi. Fiel ao ditador até o fim, a segunda é agora a nova cidade mártir da Líbia, completamente arrasada pelo ataque dos insurgentes.

Em meio ao conflito, moradores que deixaram as duas cidades vivem o drama de um pós-guerra civil marcado pela vingança dos rebeldes. Em ambas, os habitantes que fugiram do conflito agora enfrentam o menosprezo ou a dor de perder tudo. Em Misrata, a cidade rebelde mais bombardeada pelo antigo regime, sofreu com estupros em massa — mais de 1,2 mil mulheres teriam sido vítimas de soldados e mercenários contratados pelo coronel. Placas escritas em árabe estão instaladas nos postos de controle: “Se você deixou Misrata, não tem o direito de retornar”.

O Estado apurou que a sentença informal vem sendo executada à risca com a conivência do Conselho Nacional de Transição (CNT) da região. Nos bairros de Gasser Ahmed, Gueran e Al-Jazira, centenas de casas de famílias que fugiram durante o conflito foram ocupadas, expropriadas ou saqueadas.

Quem retorna e tem a chance de encontrar sua residência ainda desocupada corre o risco de ter a família agredida e expulsa. “É uma situação muito injusta, pois as pessoas tinham o direito de deixar a cidade durante a revolução”, diz um jovem engenheiro e morador de Misrata, cujo melhor amigo foi expulso ao retornar. Ele não pode ser identificado porque quem diverge da decisão, segundo ele, sofre ameaças. “Ainda não podemos falar sobre o assunto em público, pelo menos até as eleições e a escolha de um governo livre”, diz.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

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23 Comentários

  1. Maria

    -

    29/10/2011 às 19:09

    éééé… e o governo e a diplomacia brasileira foram amplamente criticados e ridicularizados por não apoiarem de pronto a intervenção que armou esses rebeldes. E agora? Ninguém fala nada, né?

  2. Marta

    -

    27/10/2011 às 8:45

    Reinaldo,parece que só agora estão acordando para a selvageria que foi a captura e execução de Kadafi.
    Você foi o primeiro e, acredito, o único a apontar o fato por aqui.Muitos comemoraram,inclusive o Obama,que ainda ameaçou outros ditadores com o mesmo fim.
    Reli seus textos escritos durante os últimos meses sobre a guerra na Líbia.Sua inteligência e sagacidade na análise dos fatos são surpreendentes.
    http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,video-mostra-suposto-abuso-sexual-contra-kadafi-apos-captura,790908,0.htm

  3. Fabiano

    -

    26/10/2011 às 21:13

    Ao contrário do que diz aquela frase do Tiririca, pior do que está vai ficar, e muito. A Líbia de agora está vivendo uma versão fundamentalista islãmica da Cuba pós-revolução de 59. Kadafi era mais ou menos como Fulgêncio Batista, apesar de se dizer admirador dos Castro e desse desfecho ao estilo do “Che” Guevara na Bolívia para a sua vida . Mas pelo menos a OTAN, a ONU, a França, Reino Unido e EUA daquela época não pagaram naquela época o tremendo mico que estão pagando agora de dar o poder de bandeja aos barbudos para se arrepender depois.

  4. Sherlock

    -

    26/10/2011 às 18:58

    Rei,

    Alguns dizem que, prevendo uma piora no cenário dos países da dita “primavera árabe” estamos tentando nos antecipar à história.
    Ora, não acho que se possa esperar algo novo de métodos tão velhos. A história, na verdade, já foi escrita. Mas alguns esperam, sei lá por que, um final diferente desta vez: é como ver o mesmo filme pela segunda vez esperando que, desta vez, o final seja outro.

  5. Sherlock

    -

    26/10/2011 às 18:34

    Rei,

    Hoje liguei para um amigo que estava de aniversário. Conversa vai, conversa vem, o assunto acabou na Líbia. Este amigo esteve em Trípoli no ano passado (além de outras capitais da África), e me disse que aquela foi a única cidade no continente em que ele se sentia confortável para andar sozinho, em segurança.
    Comentei com ele o que li aqui: a Líbia (e os países em volta) estão com certeza menos seguros hoje do que estavam antes da “primavera”. Ele concordou de pronto. Hoje, com certeza, não daria para visitar a Líbia sem contar com um bom aparato de segurança. Em confirmando alguns prognósticos (e este comentário fica por minha conta) não será possível entrar no país com aparato nenhum – a não ser com a bênção dos rebeldes que se fizeram governo com a força da OTAN.

  6. jayme

    -

    26/10/2011 às 18:24

    É URGENTE uma Flotilha de ajuda humanitária para a Líbia.
    O povo está sendo massacrado pelos rebeldes, estupros em massa, falta de mantimentos e de casas, etc, etc.
    Ei Yara Lee, cadê você???? Leve a sua corja contigo!!!

  7. Mundico

    -

    26/10/2011 às 14:40

    Isso é só o começo. Provavelmente ainda teremos notícias das famosas torturas dos beduinos do deserto norteafricano. Que o diga a Legião Estrangeira.

  8. Sandra

    -

    26/10/2011 às 12:16

    Reinaldo, o que me faz brilhar um alerta vermelho não é a atitude das pessoas que rejeitam quem fugiu, mas o comentário do engenheiro que disse que não se pode criticá-la. Espero que, passado o momento de revolta, a situação tome outro rumo.

  9. Julio

    -

    26/10/2011 às 11:17

    A tal primavera árabe se transformou em outono islâmico, prenúncio de um rigoroso e radical inverno.

  10. Filipe Carvalho

    -

    26/10/2011 às 10:22

    Reinaldo,

    Achei interessante lhe mostrar que, pelo menos alguns, reconhecem que estavam errados ao comemorar a “revolução Árabe”. Hoje no brasil 247 (que geralmente é infestado de textos de militantes) tem um texto de uma mulher onde no final ela diz:
    “Exigir concessões pelo bem universal é fácil. O difícil é praticá-las. Ingênuos foram aqueles, que como eu, comemoraram o fim da repressão no Egito, com a queda de Hosni Mubarak. A Primavera Árabe serviu apenas para a troca de comando.”
    ( http://brasil247.com.br/pt/247/mundo/20370/O-fim-da-lua-de-mel-com-o-Ocidente.htm )

    Ela pode ter sido ingenua, mas nós, seus leitores, devido sua aguçada capacidade de enxergar a verdade atras dos fatos não caímos nessa.

    Obrigado e Parabéns.

  11. KARIN

    -

    26/10/2011 às 10:14

    Mas isto não é surpresa .
    No mundo sempre foi assim.
    Depois das guerras, das revoluções ou seja lá o que for que a civilização usa para mudar alguma coisa, quem perdeu perdeu. A Alemanha depois de ter seu território democraticamente dividido entre os que ganharam a guerra, é até hoje ocupada disfarçada e”democraticamente” pelo exercito americano, meio que escondidinho, mas presente.
    Cada dia mais acredito que democracia é utopia.
    Sempre vai ter um mais forte metido a besta, fazendo pose de valente e pisando na cabeça do que caiu no chão.

  12. Eddie

    -

    26/10/2011 às 10:02

    É uma pena que sejamos tão ingênuos e, pior, tão covardes!!!

  13. R.C.P. - Cavaleiro do Apocalipse

    -

    26/10/2011 às 9:56

    Parabens Obama, OTAN e demais BANANAS e IDIOTAS!

  14. Roberto

    -

    26/10/2011 às 9:54

    E eles ainda acreditam que terão liberdade, faz-me rir.

  15. LG

    -

    26/10/2011 às 9:37

    Que beleza! Que democracia! Que civilidade! Que primavera!
    Que maravilhoso trabalho fizeram ONU, OTAN e os srs. Hussein, Sarkozy e Cameron!
    Escolha de um governo livre? Ahahahahah…

  16. Mauril Guilherme

    -

    26/10/2011 às 9:00

    fizeram a troca de um ruim por um tambem ruim. no fundo, nao serviu para nada mudar o governo.

  17. Maria Helena

    -

    26/10/2011 às 8:59

    Repito: o ocidente tem de procurar urgentemente alternativas viáveis e perenes de combustíveis(quando o homem quer, faz), tratar de se defender de armadilhas do terrorismo e deixar que essa gente destrambelhada se arrebente sozinha. Eles não têm conserto. Desde quando fanático religioso violento muda de comportamento? Lembro-me de que perdi uma empregada, certa vez, porque tentei explicar-lhe – bestamente – que Padre Cícero não era tão santo assim. Está encalacrado e não há nada no mundo que faça alguém largar o osso do fanatismo. Eles se alimentam disso. E ai de quem lhe atravessa o caminho! O petismo está aí, pra não me deixar mentir.

  18. Paulo Bento Bandarra

    -

    26/10/2011 às 8:50

    É, e a desculpa da ONU era para proteger os civis! Fizeram um excelente trabalho neste sentido! Mataram mais e destruíram mais do que Kadafi seria capaz.

  19. Eddie

    -

    26/10/2011 às 8:39

    Meu Deus! O que vocês acham que aconteceu na Líbia? Qualquer das democracias ocidentais, dentre elas França, Grã-Bretanha ou Estados Unidos, foram forjadas através da violência. Não tem escapatória. O derramamento de sangue é inevitável. Enquanto ele não acontecer democrias de araque como a do Brasil continuarão a ser como são: estados fortes e povo fraco. O povo, manipulado ou não, é que é responsável pela honra.

  20. esther correa

    -

    26/10/2011 às 8:18

    Tio
    Que horror! Então quem saiu de casa para fugir da morte não pode voltar para a sua propriedade? Valha-me Deus! e ainda são expulsas se se atreverem a voltar p/ os seus lares? Que coisa horroroza! Belo regime pós guerra. Ainda sentirão saudades do Kaddaf…

  21. Anouk

    -

    26/10/2011 às 7:23

    Oi Rei,
    O difícil vai ser desarmar os rebeldes. Cada líder dos rebeldes possui cerca de cinco mil homens armados.

  22. R Junior

    -

    26/10/2011 às 5:55

    E’ a democracia que Obama, Cameron e o Anao de Paris levaram para o povo líbio!

 

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