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19/08/2012

às 6:07

Enfim, um diagnóstico lúcido sobre o desastre do ensino público fundamental e médio no Brasil. Ou: Reformando o ensino com parede cor-de-rosa, teatro e tablets… Funciona? É claro que não!

O governo divulgou na semana passada o resultado do Ideb, que avalia o ensino fundamental e médio. Comentei o desastre aqui em alguns posts. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no entanto, comemorou. Compreendo.

A presidente Dilma Rousseff, como sabem, está prestes a endossar uma lei verdadeiramente criminosa aprovada pelo Congresso: a reserva de 50% das vagas das universidades federais para alunos egressos da escola pública, segundo a cor da pele dos estudantes. Pesquisa recente demonstra que nada menos de 4% dos universitários brasileiros são semialfabetizados, e escandalosos 38% não são plenamente alfabetizados. É a tragédia da escola pública fundamental e média se alastrando célere no terceiro grau. Sancionada a lei — Dilma e Mercadante a aprovam —, a universidade pública estará condenada a funcionar como curso supletivo, destinado a suprir as deficiências do ensino nas etapas anteriores. Pior: diminuirá enormemente a pressão em favor da melhoria da escola pública.

Muito bem! As Páginas Amarelas de VEJA desta semana trazem uma entrevista com João Batista Araújo de Oliveira, especialista em educação que põe os pontos no “is”. Voltarei a este assunto (espero que Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio de Mello não abusem excessivamente da nossa paciência) para discutir por que, afinal de contas, o Brasil tem feito tudo errado nessa área. Destaco algumas frases de Oliveira:

Qualidade do professor:
“Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor.”

Palavrório pedagógico
“As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de ‘proposta político-pedagógica’, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves.”

Programa de ensino
“É preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar?”

Premiar e punir
“É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia.”

Pedagogos demais, gestores de menos
“O problema é que as escolas e as secretarias de Educação estão povoadas de pedagogos, e não de gestores.”

Idiotia deslumbrada
“Porque no Brasil o que importa é acessório. O legal é colocar xadrez na escola, é ensinar teatro. O brasileiro vai à Finlândia e acha que o sucesso da educação daquele país se deve ao fato de que as paredes das escolas são pintadas de rosa.”

Enem
Ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é. O Enem não tem a menor importância.”

Tablets nas escolas
Nenhum país conseguiu melhorar a educação a partir do uso da tecnologia. (…) Não adianta colocar ingredientes certos na receita errada.”

Verba para educação
“Desde 1995, o salário do professor quintuplicou no Brasil, mas não houve avanço no de­sempenho do ensino. Então, aumentar uma variável só não vai mexer no resul­tado.”

Educação em 2021
Estaremos no mesmo patamar. Não há nenhuma razão para pensar que será diferente.”

Leiam trechos da entrevista. A íntegra está na revista. Por Nathalia Goulart:
Há décadas governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a atenção da administração de plantão e que, por isso, se destacam dos demais colégios públicos pela excelência. Os governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situação, afirma o educador João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à educação. O argumento do especialista é simples: “As escolas-modelo são exceções. A regra, como sabemos, são as demais escolas do Brasil”. Para incentivar governos a corrigir a distorção. Oliveira criou, em parceria com a Gávea Investimentos e a Fundação Lemann, o Prêmio Prefeito Nota 10, que vai dar 200 mil reais a administradores municipais cuja rede de ensino fundamental obtenha a melhor avaliação na Prova Brasil, exame federal que mede a qualidade do ensino público no ciclo básico. Escola-modelo, portanto, não conta. “Não adianta o prefeito falar que tem duas escolas excepcionais se as demais não acompanham esse nível. Queremos premiar o conjunto.” Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.

O MEC divulgou nesta semana os resultados da Prova Brasil, que mostra o nível de aprendizado das crianças no ciclo fundamental das escolas públicas. Como o senhor avalia os resultados?
Eles foram divulgados com grande fanfarra, mas não há nenhuma justificativa para isso. Se você analisa a questão no tempo, percebe que existe estagnação. Há um ponto fora da curva, os resultados divulgados em 2010. Mas eles não foram corroborados neste novo exame, e já esperávamos isso. Estamos onde estávamos em 1995. Há uma melhora bem pequena nos anos iniciais da escola, e pouquíssima variação nas séries finais e no ensino médio. Os gastos em educação aumentaram — e muito — e foram criados muitos programas, mas isso não tem consistência suficiente para melhorar a qualidade do ensino. Então, temos duas hipóteses para a estagnação: ou os programas criados são bons, mas não foram bem executados, ou são desnecessários e não trouxeram benefício algum.

Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz com receitas consagradas — ou seja, sem invencionices. Quais são os ingredientes para o avanço?
O primeiro é uma política para atrair pessoas de bom nível ao magistério. Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor. O segundo ingrediente é a gestão do sistema. Uma boa gestão produz equidade: todas as escolas de uma mesma rede funcionam segundo o mesmo padrão. Hoje, unidades de uma mesma rede estadual ou municipal apresentam desempenhos díspares. O terceiro é a existência de um programa de ensino estruturado, que falta ao Brasil. As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de “proposta político-pedagógica”, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves. Os governos de todos os níveis abriram mão de manter uma proposta de ensino, detalhando o que os alunos devem aprender em cada série. O quarto ingrediente é um sistema de avaliação que possa medir a evolução do aprendizado. Para isso, porém, é preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar? De posse de bons profissionais, gestão, programa de ensino e métodos de avaliação, acrescenta-se o último ingrediente, um sistema de premiação e punição. Algumas redes começam a pensar em um sistema de premiação, mas não adianta só dar incentivo. É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia. Nada acontece com professor, diretor, secretário de Educação, prefeito ou governador quando eles falham.

(…)

Por que é tão difícil levar a qualidade das escolas-modelo para toda a rede de ensino?
Porque no Brasil o que importa é acessório. O legal é colocar xadrez na escola, é ensinar teatro. O brasileiro vai à Finlândia e acha que o sucesso da educação daquele país se deve ao fato de que as paredes das escolas são pintadas de rosa. Na volta ao Brasil, ele quer pintar todas as escolas daquela cor. Depois, ele vai à Franca, onde vê um livro que julga importante e decide introduzi-lo nas escolas daqui… Em vez de olharmos o que os sistemas de ensino daqueles países têm em comum, olhamos exatamente para o que há de diferente neles, como se isso fosse a bala de prata da educação. Por isso gestão é tão importante: é preciso focar o DNA da escola e deixar de lado o que é periférico. O problema é que as escolas e as secretarias de Educação estão povoadas de pedagogos, e não de gestores. Não conheço uma Secretaria de Educação no Brasil que tenha um especialista em demografia, que saiba quantas crianças vão nascer nos próximos anos e, portanto, quantas escolas precisam ser abertas ou fechadas.

Há alguns meses, o MEC anunciou a aquisição de milhares de tablets para professores. O senhor vê isso com bons olhos?
É mais confete. O bom professor vai se beneficiar; o mau, não. E nem o benefício ao bom professor justifica o custo. Quando a tecnologia está atrelada ao professor, ele, o ser humano, vai ser sempre o fator limitante. Nenhum país conseguiu melhorar a educação a partir do uso da tecnologia. Não estou dizendo que a tecnologia seja ruim. Ela tem potencial, desde que seja usada no contexto apropriado. Não adianta colocar ingredientes certos na receita errada.

A sensação generalizada é que o ensino público nacional é um desastre. É uma visão errada?
É uma visão correta. Sobretudo para as crianças pobres, que teriam na escola a única chance de ascensão social. A escola é um desastre quando analisada pela ótica das avaliações internacionais, e um desastre também do ponto de vista pessoal, individual. A única chance que um cidadão tem de melhorar de vida no Brasil é’ por meio da educação de qualidade. E ela não tem qualidade para a maioria das pessoas. O número de jovens que chegam ao ensino médio é baixíssimo, e, entre estes, a evasão é uma calamidade. E o governo é incapaz de entender que há um modelo errado ali, que penaliza jovens justamente quando eles atravessam uma fase de afirmação.

O Enem foi criado como ferramenta de avaliação e aprimoramento do ensino médio. Porém, vem sofrendo mudanças para atender a outro fim: a seleção de estudantes para universidades públicas. Qual a avaliação do senhor a respeito?
Ninguém consegue servir a dois senhores. O Enem nasceu com um formato, mas transformou-se em outra coisa. Ele nasceu para ser uma prova de avaliação das competências dos jovens, mas não deu certo. Em seguida, tentou-se vender a ideia de que é uma prova seletiva, um vestibular barato. E ficamos com esse troço que ninguém sabe o que é. O Enem não tem a menor importância. A ideia de ter uma forma simplificada de ingresso à universidade é bem-vinda, mas isso não serve para todos os estudantes do ensino médio.

(…)
Tramita no Congresso o Plano Nacional de Educação, que prevê aumentar o porcentual do PIB destinado à área de 5% para 10%. A falta de dinheiro é a razão de crianças não saberem ler ou operar conceitos fundamentais de matemática?
O país deve investir em educação, mas colocar dinheiro na equação atual é jo­gá-lo fora. O problema mais importante é a gestão. Não adianta pôr mais dinhei­ro no sistema atual porque ele vai ser malgasto. É como pagar dois professo­res que não sabem ensinar: melhor é pagar somente um bom mestre. Temos problemas estruturais muito graves: se eles não forem resolvidos, não haverá financiamento que baste. Desde 1995, o salário do professor quintuplicou no Brasil, mas não houve avanço no de­sempenho do ensino. Então, aumentar uma variável só não vai mexer no resul­tado. A equação é mais complexa. Além disso, 10% é uma cifra descabida do ponto de vista da macroeconomia.

O país estabeleceu metas para o ensino básico até 2021. Como estará o Brasil, do ponto de vista da educação, às véspe­ras do bicentenário da Independência?
Estaremos no mesmo patamar. Não há nenhuma razão para pensar que será diferente. Não se muda a educação, estabelecendo metas, mas a partir de ins­tituições. Não há milagre. Uma vez que não existe investimento nas políticas corretas, não há por que achar que tere­mos uma situação melhor no futuro.

Por Reinaldo Azevedo

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149 Comentários

  • Luiz Carlos Silva

    -

    12/11/2014 às 1:43 pm

    A educação é uma arte e como tal não funciona por métodos adotados, senão pela intermediação do professor bem formado.

  • andré brito

    -

    3/6/2014 às 1:30 am

    parabens!!! Fora PT e comunas do meu país!! já!!!!!

  • Kellen

    -

    30/11/2013 às 1:35 pm

    Excelente entrevista. Falou tudo

  • vasco Calunga Zuela

    -

    26/7/2013 às 6:19 am

    Muito obrigado por tudo que.

  • rebeca

    -

    28/6/2013 às 4:16 pm

    você é um máximo, adoro o que vc escreve e concordo plenamente com vc, sou sua fã, um abraço e tudo de bom!

  • Carlos Destro

    -

    9/9/2012 às 5:04 pm

    • Atenção MENINOS, MENINAS, MOÇOS E MOÇAS!
    • Sigam este exemplo.
    • Fotografem e filme os descasos da sua escola e coloquem na rede.
    • A EDUCAÇÃO é o único caminho que molda um povo e seu país.
    • Se os barbados e letrados não tomam atitudes, mostrem que vcs podem e que o futuro é de vcs!
    • O nosso tempo, junto com a nossa omissão já esta findando e deixando um país esfacelado…
    • Muitos pais continuam gritando “gol”, vendo novelas, discutindo o sexo dos anjos e a vida de jogadores.
    • Desculpem porque com a minha ignorância eu nada pude sozinho fazer.
    • Nem professores quiseram fazer a CARTA EDUCAÇÃO, tornado a escola num templo educacional.
    • Esta carta é muito solicitada e que deveria ser entregue em Brasília.
    • Perdoa este pobre mortal filho de imigrantes italianos que estudou na raça
    https://www.facebook.com/DiariodeClasseSC

  • Sandra Puliezi

    -

    22/8/2012 às 10:22 am

    A sociedade brasileira precisa enxergar que os filhos dos ricos (entre eles os políticos que decidem o futuro da educação), estão nas melhores escolas particulares do Brasil e quando essas escolas não ensinam direito, os pais se revoltam e a escola tem que melhorar. E cadê a voz dos pais das escolas públicas? Me parece que as pessoas se acostumaram a ter um ensino de péssima qualidade, o que é uma pena para as crianças e jovens e para o país. Assim como em muitas outras coisas, nos acostumamos ao pior (saúde, transporte,…).
    É preciso acordar e clamar por mudanças. Como disse o Profº José Batista, não é estabelecendo metas que vamos mudar a Educação.

  • Maria Regina Maluf

    -

    22/8/2012 às 9:54 am

    Uma entrevista lúcida de quem se preocupa com professores e gestores competentes para nossas escolas públicas.Famílias com condições econômicas para pagar as escolas de seus filhos mudam de escola quando eles não aprendem. Famílias que não têm essas condições e porisso dependem da “gratuidade” das escolas públicas ficam sem alternativas. Nossas crianças têm capacidade de aprender. Basta ensiná-las, como se faz nos paises em que as crianças são alfabetizadas no primeiro ano de frequência à escola.

  • Rafael

    -

    21/8/2012 às 5:56 pm

    “As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de ‘proposta político-pedagógica’, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves.”

    vou imprimir e colocar numa moldura

  • Sandra Moreira

    -

    21/8/2012 às 11:34 am

    Senhores
    É mais que sabido que Escola hoje nada mais é que um lugar de convívio e inclusão para que os jovens não fiquem em casa incomodando sua família ou perambulando pelas ruas, onde terão alimentação, uniforme, material a vontade para desperdiçar, lazer e muitos amigos para poderem se divertir! Escola agora é clube, o ensino ficou em segundo plano e, com tantos direitos não sobra tempo para os deveres. Uma escola de Ensino Médio que recebe alunos analfabetos,que não conseguem realizar as quatro operações matemáticas e sabe que será promovido, serve pará quê? Para fazer parte das estatísticas e maquiar sua ineficiência. Estamos muito próximos de um apagão da educação. Não estamos muito longe do dia em que os alunos não conseguirão entrar em suas respectivas salas de aula porque não conseguirão identificar os símbolos escritos nas portas! Mas, quem não sabe ler direito não interpreta seus direitos e quem não sabe contar não calcula seus impostos! Precisa dizer mais?!!!

  • Mara

    -

    21/8/2012 às 10:42 am

    Disse tudo: o artigo do Gaspari é oco. Ela não tem nenhum argumento e opta por desqualificar os críticos.
    No livro didático de minha filha, da 4ª série, num capítulo sobre formação social do Brasil, propunha-se à classe “discutir a questão indígena” e a última pergunta era sobre o que o aluno achava da demarcação das terras indígenas. Na 4ª série! Fui falar com a coordenadora e ela disse que o livro “foi aprovado pelo MEC” – claro! Foi assim que conheci o “Escola sem Ideologia”. É desalentador. Educação a serviço de um projeto político partidário. Mao sentiria orgulho do Brasil.

  • Thiago

    -

    20/8/2012 às 11:09 pm

    É difícil discordar do REinaldo. Geralmente os seus artigos são tão elucidativos que fica difícil comentar. No entanto, nesta questão da má qualidade da educação no Brail eu não deposito toda a culpa nos governos ou no fato de a população ser pobre. A desgraça deste país é culpa do povo e de sua cultura medíocre e ausência de valores familiares e religiosos. Nem que gastemos 50% do PIB a nossa educação vai melhorar. Uma coisa é investir na educação de finlandenses ou coreanos, outra é gastar dinheiro na educação de um brasileiro que só quer saber de futebol, barzinho, funk e maconha. A diferença entre uma escola privada e uma pública não são os professores e nem o currículum. A diferença é de quem as frequenta.

  • Jorge L

    -

    20/8/2012 às 8:26 pm

    Concordo plenamente. Está na hora de trocar esse monte de pedagogos teóricos, beócios e que só sabem citar Paulo Freire por gestores competentes.

  • BENDER C3

    -

    20/8/2012 às 7:30 pm

    A educação brasileira não precisa ser a salvação do país, a educação deve ser um repassador de conteúdos, e quanto mais melhor, chega de ideologias, chega de frufrus rsrsrs no ensino brasileiro, o povo de bem quer uma escola que ensine a base, as coisas comuns, e ensine bem, hoje os alunos chegam a uma faculdade sem o mínimo, completamente perdidos, com seus laptops em sala de aula vendo futebol. Tenho a sensação que vivo num país de crianças.

  • Jms

    -

    20/8/2012 às 5:11 pm

    Essa entrevista veio em boa hora, trás a tona um assunto de suma importância para educação como um todo, provocando aos envolvidos em proporcionar, as nossas crianças e aos nossos jovens, educação de qualidade. Esse e momento é de, refletir, a educação em todo Brasil, e deixar para as futuras gerações, educação com qualidade, da qual não tivemos oportunidade, de se quer, usufrui-lá. Por, esta mazela, que chamamos de educação, estamos pagando caro!!!!

  • Mário Sérgio

    -

    20/8/2012 às 5:03 pm

    “Quem faz sempre a mesma coisa, obtém sempre o mesmo resultado”
    Quando, em 1996, eu disse a um grupo de pedagogos na universidade o estrago que seria a tal “progressão continuada” quase fui linchado. Hoje temos o resultado… o conserto demorará 3 décadas e quanto mais tempo se demorar para tomar a atitude correta, pior ficará. Abandonei a carreira de professor universitário para não ter que suportar analfabetos vermelhos fazendo patrulhamento e citando jargões marxistas na sala. Abandonei a carreira de professor para não ter que repetir a um universitário que séquiço não é a mesma coisa que sexo e tampouco é matéria a ser discutida em sala de contabilidade.

  • MÁRIO

    -

    20/8/2012 às 3:31 pm

    Esse Paulo Freire fez horrores pela educação nacional !

  • zuneide

    -

    20/8/2012 às 1:59 pm

    Até que enfim gente que olha essa porcariada que é a pedagogia freiriana e dejetos assemelhados e cham isso pelo nome que merece: lixo.
    Apenas faltou tratar (talvez ele o faça na entrevista completa) da porcaria associada, que é o eca, que incentiva a delinquencia a desresponsabilização e a perda de autoridade dos pais e professores, que ficam à mercê de moleques mimados e marginais ”dimenor”. Fora freire, fora eca.

  • saulo

    -

    20/8/2012 às 12:56 pm

    Nossos governates optaram por este modelo que é uma maravilha para eles, ou seja cartão esmola para as famílias colocarem seus filhos na escola e material gratuíto isso mesmo aqui no estado de São Paulo o aluno ganha tudo, mas não aprende nada, em contra partida também não sabem votar. Cá pra nós, não é o melhor dos mundos para os políticos?

  • Surfista Prateado

    -

    20/8/2012 às 12:36 pm

    “Nada acontece com professor, diretor, secretário de Educação, prefeito ou governador quando eles falham.” Ora bolas, isso é da ESSÊNCIA do serviço público, um lugar para onde se entra para bater o ponto e esperar o holerite no fim do mês, o que acontece entre uma coisa e outra não passa de uma série de inconvenientes…

  • Anónimo

    -

    20/8/2012 às 11:33 am

    Rei,
    Com um dia de atraso, mas ainda quentinhos, seguem meus votos de saúde, fortuna e felicidade por mais um ano de vida.
    Que Deus o abençoe e continue a iluminar seu caminho, que tem sido o norte de milhares de leitores como eu.
    Parabéns!

  • Wilker Delgado

    -

    20/8/2012 às 9:56 am

    Qualquer tentativa de solução para a educação no Brasil, que não passe pela extirpação/eliminação do MEC, será sempre improfícua. Mas numa coisa eu concordo, no Brasil não se faz o básico que é ensinar a ler, escrever e contar.

  • Abelardo

    -

    20/8/2012 às 9:32 am

    Penso que a distribuição de vales-educação para a população de baixa renda melhoraria e muito a qualidade da educação desse país. De posse deles, cada um buscaria a melhor escola para estudar. Essas, por sua vez, trabalhariam para se tornar atrativas aos estudantes. Tudo custaria bem menos e poderia ser executado com 1/3 do pessoal que hoje ocupa MEC´s, Secretarias de Educação, etc…

  • Dinho

    -

    20/8/2012 às 8:54 am

    Fui aluno de escola pública, tão respeitada que tinha concurso de admissão (Pedro II, no RJ). Tive excelentes professores (fui aluno do mestre Aurélio) e nenhum pedagogo de plantão, muito menos políticas sócio-educacionais. Era estudo e pronto.

    Mae eu entendo a posição do governo: o que dá mais mídia, informar que dotará as nossas escolas de tablets ou afirmar que contratou o professor Evanildo Bechara como consultor para o ensino da lingua portuguesa (vopcês conseguem imaginar o ministro falando na “última flor do Lácio”)?

  • Andre

    -

    20/8/2012 às 8:44 am

    REINALDO, O MAU EXEMPLO COMEÇA DE CIMA….

    COM A “PALAVRA” , A EXCELENTÍSSIMA “PRESIDENTA” DA REPÚBLICA, SRA. DILLMA ROUSSEFF:
    - “Essi caminho, que é responsável pela construção de um grandi mercadu internu, e um grande mercadu internu que é um grande demandadô de produtus plásticus, porque o PIB pode ser lidu tamém pela importância que tem a indústria de plásticu, na medida em que ela está em vários segmento industriais e tamém, que ela faz parte dos bens de consumu duráveis, semiduráveis qui a população, quando a renda aumenta, demanda”. …..

    VOCÊS ENTENDERAM ALGUMA COISA? …. NEM EU…. MAS ESTAS FORAM AS PALAVRAS DELLA, EM UM “PRONUNCIAMENTO” QUANDO DA INAUGURACÃO DE UMA INDÚSTRIA DE PLÁSTICO EM ALAGOAS,.. VOCÊS CONTRATARIAM ESTA SENHORA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO DE 8 ANOS!? …. NÃO? … MAS COMO O POVO BRASILEIRO A CONTRATOU PARA SER A PRESIDENTE DA REPÚBLICA, O CARGO MAIS IMPORTANTE DO PAÍS? …. ACORDEM, BRASILEIROS…. ESTAMOS NUM ABISMOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

  • Fabio

    -

    20/8/2012 às 8:08 am

    Discordo bastante do espírito das idéias deste especialista porque ela coloca o estado como planejador central da educação. E como liberal, já estou cansado de saber que isso não funciona nem para a produção de comida, quanto mais para educação ou saúde. A informação, como diz Hayek, está dispersa na sociedade. Portanto um setor educacional descentralizado, tal qual é qualquer setor de serviços bem desenvolvido na economia, é a melhor solução para as demandas da economia moderna. E sem essa de formar cidadão, palavra mágica que só serve pra justificar doutrinação ideológica. Salvem nossas escolas, vamos eliminar o MEC e toda as suas regulamentações idiotas.

  • ricardo

    -

    20/8/2012 às 6:17 am

    Reinaldo, já viu no youtube o vídeo no Nissim Ourfali, um garoto judeu que fez um vídeo bem humorado com sua família para comemorar o seu Bar Mitzvah? o vídeo eh uma delicia de inocência e bom humor, com a letra da musica exaltando a sua bela família e os programas que fazem juntos…que falta faz famílias como a dele hoje em dia! pois bem, como esperado, o vídeo foi invadido por comentários de gente que parece ter vindo do esgoto e dos quintos dos infernos, ridicularizando o garoto e sua família, com palavrões e outras demonstrações da miséria humana…também não poderia faltar os comentários antissemitas, eh claro, agredindo a religião daquela bela família, que não faz nada de errado no vídeo a não ser transmitir a felicidade em que vivem…como tem espirito de porco nessa internet…

  • josé reis barata

    -

    20/8/2012 às 4:51 am

    Saúde é o meu desejo. Talvez a única coisa que o tempo inexoravelmente destrua.
    Uma boa dose de loucura, também. Afinal, “a loucura prolonga a juventude e posterga a malfadada velhice”

  • SERVIDOR CONCURSADO

    -

    20/8/2012 às 2:56 am

    É o efeito MENSALÃO acabando com o serviço público, hospitais públicos, escolas públicas, outros serviços públicos. Sucatearam os

    hospitais para jogar a população nos planos e seguros de saúde particulares com muito mensalão para políticos( e lucro para

    banqueiros doadores de campanhas do PT). Aviltamento das aposentadorias e forçaram os trabalhadores comprarem planos de

    previdência e complementação com muito mensalão para os políticos.A bancada das escolas particulares trocou o voto no congresso

    pelas verbas públicas nas escolas particulares, em vez de investimento no ensino gratuito, desmoralizando os professores e

    servidores das universidades federais com congelamento dos salários, com muito mensalão para os políticos. Hoje você entra numa

    repartição pública vê que servidor estatutário e concursado é minoria, lotearam tudo com nomeações, temporários eternizados nos

    cargos sem concursos públicos ganhando muito acima dos estatutários, terceirizados de empresas companheiras, quarteirizados em

    convênios que fornecem servidores sob a justificativa de consultorias especializadas(Processo: TC 034.961/2011-9; escândalo da

    SEP-DNIT/Fundação Ricardo Franco), pessoas sem concurso público trabalhando para o governo, com salários mais elevados, dentro

    das repartições, em vagas que deveriam ser preenchidas por estatutários, como se fossem servidores concursados. NUNCA vão

    divulgar a relação desses servidores sem concurso público com base na LEI de acesso à informação, as listas divulgadas na

    internet do órgãos públicos registram apenas os estatutários e OMITEM os demais temporários(?), terceirizados e, quarteirizados,

    que trabalham efetivamente para o governo em vagas que deveriam ser preenchidas por concurso público e constitucional. Portanto,

    servidores esqueçam AUMENTO ou CORREÇÃO de salários nestepaiz…

  • FCprinceOficial

    -

    20/8/2012 às 2:20 am

    Não entendo esse Palavrório pedagógico, a presidenta disse que estava tudo 300% preparado para crise internacional? (vulgo marolulinha do ex-presidente em exercício)

  • Igor

    -

    20/8/2012 às 1:31 am

    Acho que errei na concordância. E olha que nem cotista eu sou!

  • Igor

    -

    20/8/2012 às 1:29 am

    De quantas eras geológicas os brasileiros vão precisar viver para enfim perceberem que um diploma pendurado na parede é só… um diploma pendurado na parede???

  • Cris Azevedo

    -

    20/8/2012 às 12:59 am

    Rei

    Beijo, abraço e parabéns, velhinho!

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 11:32 pm

    Prezado Reinaldo,

    a leitora, que assina Mariazinha têm razão ao afirmar sobre a Cartilha ‘Caminho Suave’, de autoria da educadora paulista, Branca Alves de Lima, que alfabetizou 48 milhões de brasileiros.

    Prezado Reinaldo,

    Foram muitas as leis definidoras da educação brasileira. Enfrentando muitos atropelos e uma vida média, em geral, inferior a dez anos, sucederam-se as reformas:

    BENJAMIM CONSTANT (1890)
    Reforma da educação primária e secundária do Distrito Federal, ensino superior, artístico e técnico no País, introduzindo de maneira profunda as idéias de positivismo de Augusto Comte.

    EPITÁCIO PESSOA (1901)
    De 1901 a 1911, a educação no Brasil se orientou pelo código dos institutos de ensino superior e secundário, conhecido como Código Epitácio Pessoa. Preocupou-se com aspectos regulamentares, baixando normas para a equiparação das escolas particulares e para o processamento dos exames de madureza. Cuidava de horários, programas, exames e salários de professores. Permitia o acesso feminino aos cursos secundários e superiores. Decreto n.º 3.890, de 01 de janeiro de 1901. Aprova o Código dos Institutos Oficiais de Ensino Superior e Secundário, dependentes do Ministério da Justiça e Negócios Interiores.

    RIVADÁVIA CORREIA (1911)
    Baseada nas idéias do ensino livre, a Reforma Rivadávia da Cunha Correia permitiu aos estabelecimentos de ensino secundário a realização de exames reconhecidos oficialmente. Estabelecia a liberdade total do ensino secundário e superior, quer do ponto de vista didático, quer do administrativo. A resposta foi a anarquia. Decretos: n.º 8.659 a n.º 8.663, de 05 de abril de 1911. Aprova a Lei Orgânica do Ensino Superior e do Fundamental da República.

    CARLOS MAXIMILIANO (1915)
    Surgiu para reorganizar o ensino, fazendo voltar o ensino secundário e superior à condição de estabelecimentos oficiais e equiparados. Foram instituídos os exames vestibulares, admitindo parcelados, que perduraram até 1925. Decreto n.º 11.530, de 18 de março de 1915.
    Reorganizava o ensino secundário e o superior na República.

    ROCHA VAZ (1925)
    Tornou os currículos escolares seriados, elaborando programas oficiais e restituindo bancas examinadoras para o ensino particular. Decreto n.º 16.782-A, de 13 de janeiro de 1925. Estabelece o Concurso da União para a difusão do ensino primário, organiza o Departamento Nacional do Ensino, reforma o ensino secundário e o superior e dá outras providências.

    FRANCISCO CAMPOS (1931)
    Reestruturou o ensino superior com a elaboração do Estatuto das Universidades, abrindo largas perspectivas para a formação de professores secundários e para a cultura em geral. O ensino secundário passou a ter sete séries, sendo cinco de estudo básico e duas propedêuticas (preparatórias) para as futuras especializações. O ensino das línguas vivas foi renovado, introduzindo o método direto e se estabeleceu a inspeção técnica, subdividida em três áreas: letras; ciências matemáticas, física e química; ciências biológicas e sociais. Decretos n.ºs 19.890, 19.851 e 19.852; Decreto n.º 19.890, de 18 de abril de 1931: exposição de motivos, reforma do ensino secundário; Decreto n.º 21.241, de 04 de abril de 1932: consolida as disposições sobre a organização do ensino secundário e dá outras providências.

    GUSTAVO CAPANEMA (1942)
    Promoveu a reforma do ensino secundário, dividindo-o em dois ciclos:
    Ginásio;
    Clássico e Científico – reagindo contra as tendências intelectualizantes e naturalistas da reforma anterior, a nova reforma colocou entre as finalidades do ensino secundário a de formar a personalidade integral do adolescente e de acentuar, na formação espiritual do educando, a consciência patriótica e humanística.

    Leis Orgânicas de 1942, 1943 e 1946.
    Decreto-Lei n.º 4.073, de 20 de janeiro de 1942. Lei Orgânica do Ensino Industrial. Decreto-Lei n.º 4.244, de 09 de abril de 1942. Lei Orgânica do Ensino Secundário. Decreto-Lei n.º 6.141, de 28 de dezembro de 1943. Lei Orgânica do Ensino Comercial. Decreto-Lei n.º 9.613, de 20 de agosto de 1946. Lei Orgânica do Ensino Agrícola.

    Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB
    Lei n.º 4.024, de 20 de dezembro de 1961

    Teve como pontos mais inovadores os que se referiam ao ensino médio e superior e aos recursos para a educação. O incentivo a um ensino mais flexível, a fim de se tornar mais eficiente; a melhor equivalência dos cursos; a determinação de elevar o padrão universitário; a flexibilidade curricular. Todas essas providências resultaram numa grande transformação de mentalidade na educação brasileira, até que sobreveio, em 1971, a reforma do ensino de 1º e 2º graus (Reforma Jarbas Passarinho). Trinta e cinco artigos da Lei n.º 4.024/61 permaneceram em vigor.

    Lei n.º 5.540, de 28 de novembro de 1968: fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a Escola Média e dá outras providências (Reforma Universitária).

    Decreto-Lei n.º 464, de 11 de fevereiro de 1969: estabelece normas complementares à Lei n.º 5.540, de 28 de novembro de 1968, e dá outras providências.

    Lei de Atualização e Expansão do Ensino de 1º e 2º Graus – Lei n.º 5.692, de 11 de agosto de 1971: fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. Procurou abranger nossa realidade educacional, focalizando as grandes linhas para uma solução adequada e buscando equacionar a ordem de problemas da escola brasileira, dando-lhe continuidade. Apresentou uma divisão tríplice do ensino: o 1º e 2º graus, precedendo ao 3º grau ou superior. O 1º grau, abrangendo os antigos cursos primário e ginasial, com oito anos de duração; o 2º grau, com três ou quatro séries, apresentando uma terminalidade para permitir o engajamento em atividades profissionais de nível intermediário e o aproveitamento de estudos específicos no curso superior.

    Lei n.º 7.044, de 18 de outubro de 1982: altera dispositivos da Lei n.º 5.692, de 11 de agosto de 1971, referentes à profissionalização do ensino de 2º grau. Com a necessidade dessas modificações, passou a ser objetivo geral do ensino de 1º e 2º graus “propiciar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, preparação para o trabalho – grifo nosso; a expressão substitui qualificação para o trabalho, prevista na Lei anterior – e para o exercício consciente da cidadania”.

    Lei n.º 9.131, de 24 de novembro de 1995: altera dispositivos da Lei n.º 4.024, de 20 de novembro de 1961, e dá outras providências. São revogadas as atribuições e competências do Conselho Federal de Educação e de seus respectivos conselheiros. A Lei n.º 9.131/95 – Conselho Nacional de Educação com novas atribuições “normativas e de supervisão”.

    LEI N.º 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996
    Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB

    O sistema educacional brasileiro está dividido em dois “Níveis”: Educação Básica e Educação Superior. Existem as “Modalidades” de educação para complementar esses níveis de ensino convencional. Uma colcha de retalhos !

    http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/historia-da-educacao-universal-e-brasileira-5149/artigo/

    Abraços,

    Nelson Valente

  • DrFefa

    -

    19/8/2012 às 11:16 pm

    A lei, em si é absurda, mas questiono:… terá prazo de validade?…Os alunos negros, pobres, alunos de escolas públicas “sempre” precisarão se beneficiar desta lei? Por quanto tempo ela irá vigorar?
    O governo então se acomodou, não fará nada para resolver a real desigualdade…o péssimo ensino das escolas públicas?
    Este tipo imbecil de lei deveria ter no mínimo uma perspectiva de encerramento, à medida que o Governo fosse resolvendo seus problemas de qualidade no ensino público. Então, há de se chegar um momento em que o cenário poderá se inverter e o aluno beneficiado por esta lei hoje, será a elite fabricada do amanhã, e “azelites” de hoje,logo, necessitarão no futuro de sua própria lei cotas.
    Penso que não se acabará com a desigualdade, legitimando outra forma de desigualdade, elaborada com critérios…??? que critérios???… De onde surgiram estes números , (cabalísticos?): 50% das vagas?, diferença de pontuação entre os grupos? onde basearam seus estudos e conclusões???
    Lembro-me da frase que mamãe dizia: “Continuarei lavando roupa o resto da vida, mas vocês continuarão estudando na escola particular”.
    Minha mãe e meu pai, embora pobres, formaram os três filhos. Talvez, se fosse hoje, ela não teria precisado de lavar tanta roupa.

  • Marcos F

    -

    19/8/2012 às 11:04 pm

    O que o Prof. João Batista fala em educação, serve perfeitamente em trânsito, saúde etc.
    Chama-se “boas práticas” o modo de analisar e resolver … o que nunca faremos no Brasil – nem com muito dinheiro.

  • celeraman+

    -

    19/8/2012 às 11:00 pm

    Saúde e Felicidades. Muitos anos de vida!
    É sempre um prazer a sua companhia!
    Um abraço do seu amigo de sempre.

    celeraman+

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 10:36 pm

    Prezado Reinaldo,

    O Brasil não tem uma Pedagogia. Tem modismo pedagógico.

    O Brasil não tem uma Pedagogia. Tem várias, sobrepostas, muitas vezes sem conexão umas com as outras. A história da Pedagogia brasileira é uma espécie de colagem de modelos importados, que resulta em um quadro sem seqüência bem definida.

    Não existe uma pedagogia “pura”, ou seja” sem influência de outras pedagogias ou do contexto social em que se desenvolve.

    Última moda é o Construtivismo, que nem é método pedagógico, mas sim um conjunto de teorias psicológicas sobre as estratégias utilizadas pelo ser humano para construir o seu conhecimento.

    O QUE É CONSTRUTIVISMO?

    Mais do que uma Pedagogia, é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do indivíduo no decorrer de sua vida.
    Surgiu a partir do trabalho do pesquisador suíço JEAN PIAGET (1896-1980), que mostrou que o ser humano é ativo na construção de seu conhecimento (daí o termo construtivismo) e não uma “massa disforme”, que é moldada pelo professor.
    No Brasil essa teoria é também muito influenciada pela argentina EMÍLIA FERREIRO (que estudou como as crianças constróem o conhecimento da leitura e escrita) e do russo L.S.VYGOTSKY (que ressalta a influência dos outros e da cultura no processo de construção do conhecimento). Essas teorias mais recentes costumam ser agrupadas sob a denominação Construtivismo pós-piagetiano.

    Derruba a noção clássica do erro, pois demonstra que a criança formula hipóteses sobre o objeto de conhecimento e vai “ajustando” essas hipóteses durante a aprendizagem – e portanto, o erro é inerente a esse processo. No Brasil, o termo é muitas vezes usado de forma incorreta.

    Prezado Reinaldo,

    A educação brasileira é um grande mosaico, formado por uma grande e dinâmica diversificação. Temos sistemas avançados, principalmente no Sul do país, convivendo com esquemas atrasados, sobretudo no Norte e Nordeste.

    O ensino superior é tratado como uma imensa salada de frutas, ficando pouco claro de que maneira se fará a defesa da qualidade do ensino. Com boas frases ou intenções de natureza lírica não se chegará a bom termo, no esforço de renovação de nossa educação.

    Prezado Reinaldo,

    A educação brasileira precisa ser urgentemente repensada, no bojo de uma grande reforma social. Mas enquanto as questões mais simples não forem devidamente resolvidas pela “burocracia governamental” parece que continuamos na firme disposição de enfrentar os grandes problemas educacionais através do discurso bonito, inflamado, sem consistência. É por isso que a educação brasileira continua a ser um triste pesadelo em todo o território nacional. Educação de péssima qualidade em todos os níveis e modalidades de ensino.

    Estamos formando uma LEGIÃO de analfabetos. Uma vergonha.

    Abraços,

    Nelson Valente

  • Guilherme Outeiro

    -

    19/8/2012 às 10:29 pm

    O ensino público no Brasil virou um verdadeiro balcão de negócios, pois os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e no final tudo termina em diploma. Mas o Governo pode querer se enganar ou achar que enganam os outros, mas lá fora (no exterior) o buraco é bem mais embaixo. É bom lembrar que no teste comparativo internacional de aprendizado, realizado pelo Banco Mundial (PISA), com participação de jovens de 15 anos de 57 países em matemática, ciências e línguas, o Brasil ficou em QUINQUAGÉSIMO QUARTO LUGAR!

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 10:19 pm

    -”Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz com receitas consagradas — ou seja, sem invencionices. Quais são os ingredientes para o avanço?
    O primeiro é uma política para atrair pessoas de bom nível ao magistério. Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor”.

    A “desprofissionalização” do magistério

    (*) Nelson Valente

    A formação de professores no Brasil tem vivido sucessivas alterações e reformulações normativas e, em decorrência disso, têm surgido muitas dúvidas e perplexidades sobre a interpretação da legislação no momento da contratação de docentes. A prática tem demonstrado que as situações de desconforto legal persistem, provocando interpretações variadas e muitas vezes impossibilitando a contratação de professores em regiões carentes de profissionais licenciados.O assunto tem histórias que se repetem no tempo sem uma posição definitiva, como a Deliberação nº 89, de 17 de junho de 1982, que, entre outras abordagens, concedia autorização precária, por dois anos, para o exercício do magistério nos 1º e 2º graus, para candidatos que não possuíssem, ainda, registro de professor, mas declarações de conclusão em estabelecimento de 2º grau ou de licenciatura em faculdade. Concedia-a, também, para outros que, não reunindo as condições citadas, diante de situações especiais que justificassem uma necessidade, neste caso, com autorização do CEE. Posteriormente, a Deliberação 93/82 criou mais exceções para os municípios com ausência comprovada de cursos de licenciatura de nível superior. Em 1985, a Deliberação nº 114 fortalecia a precariedade da autorização sempre que uma declaração do estabelecimento de ensino e da mantenedora apontasse o candidato que se desejava contratar. A Deliberação nº 177/92 continuou regulamentando as autorizações precárias, fixando prazos e condições para a contratação de professores não legalmente habilitados. Em 1995, o CEE, em sua Deliberação nº 212, tratou outra vez da questão ao fixar novas normas para a concessão de autorização para lecionar nos 1º e 2º graus, tendo em vista “a comprovada carência de professores habilitados em disciplinas específicas da formação especial”, possibilitando que profissionais graduados em nível superior fossem autorizados, precariamente, a lecionar as disciplinas que fizessem parte do seu currículo, com um mínimo de 160 horas de carga horária, agora por um prazo de três anos.

    O Parecer CEE nº 139/99 (N) definiu normas para implantação de programas especiais de formação pedagógica de docentes diante da carência de professores habilitados, suprindo esta necessidade, em caráter especial, baseando-se nos termos da Resolução CNE nº 02/97, que dispõe sobre “Programas Especiais de Formação Pedagógica”, para portadores de diploma de nível superior e que se relacionavam com a habilitação pretendida. Resolução CNE/CP nº 2/97.

    Art. 1º. A formação de docentes no nível superior para as disciplinas que integram as quatro séries finais do ensino fundamental, o ensino médio e a educação profissional em nível médio, será feita em cursos regulares de licenciatura, em cursos regulares para portadores de diplomas de educação superior e, bem assim, em programas especiais de formação pedagógica estabelecidos por esta Resolução.

    Parágrafo único. Estes programas destinam-se a suprir a falta nas escolas de professores habilitados, em determinadas disciplinas e localidades, em caráter especial.

    A Deliberação nº 256/00 do CEE concedeu autorização precária, por dois anos, a portadores de diploma de Pedagogia, para, sem a devida habilitação, lecionarem na Educação Infantil e, por outro lado, nas quatro últimas séries do Ensino Fundamental, no Ensino Médio e na Educação Profissional de nível técnico, aos portadores de Diploma de Graduação que, no histórico escolar, apresentassem uma carga horária mínima de 160 horas na disciplina que pretendiam lecionar e que não tivessem concluído programa de formação pedagógica. Finalmente, o Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo, por meio da Indicação n° 53/2005, de 14 de dezembro de 2005, apresentou orientação ao Sistema Estadual de Ensino do Estado a respeito da qualificação necessária dos docentes para ministrarem aulas de Filosofia, Sociologia, Psicologia, Matemática, Física, Educação Artística e disciplinas da Educação Profissional, tendo em vista a absoluta carência de docentes habilitados, à semelhança do Estado do Rio de Janeiro, observadas as exigências legais, função que caberá à Secretaria de Educação na qualidade de mantenedora das escolas do estado. Vale lembrar que a Lei 9.394/96 – LDB, ao tratar dos profissionais de educação no seu Art. 61, estabelece: “Art. 61 – A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:

    I – a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço;

    II – aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e em outras atividades.”

    O legislador deixou expressa na lei a figura da experiência prática associada à formação teórica, tratando-se de um princípio orientador para decisões concretas em situações diversas. Os professores de fato são habilitados quando concluintes dos cursos de formação superior, quer de licenciatura ou não, que se capacitam a atuar em áreas do conhecimento; os primeiros, devidamente habilitados em suas licenciaturas e, os segundos, por meio do treinamento em serviço ou em programas de formação pedagógica. Além da disciplina específica de sua licenciatura, o professor poderá ainda lecionar outras disciplinas que pertençam à mesma área de sua formação. Não se tratando de professor habilitado, a autorização para lecionar dependerá da análise do currículo do interessado pela autoridade responsável no Sistema de Ensino, seja em estabelecimento privado ou a própria Secretaria de Educação, quando para escolas do Estado, que poderá criar formas alternativas de acesso, a fim de, em caráter emergencial, atender aos anseios da população.

    Vivemos, portanto, ao contrário do que prega o discurso oficial,um processo de “desprofissionalização” do magistério. Finalmente, após longos cinco anos de solicitações e resistências, o próprio CNE colocou em sua pauta de discussões a discussão da Resolução nº 02/97, que permite aos graduados de qualquer área se licenciarem professores, mediante uma complementação pedagógica de 540 horas, das quais 300 horas como estágio. Espera-se, com isso, que também seja revisto e revogado o item IV da Resolução, que cria os institutos superiores de educação e que estabelece como um de seus objetivos realizar “programas especiais de formação pedagógica, destinados a portadores de diploma de nível superior que desejem ensinar nos anos finais no ensino fundamental ou no ensino médio, em áreas de conhecimento ou disciplinas de sua especialidade, nos termos da Resolução CNE nº 02/97”.

    É bom salientar que a carga horária estudada pelos alunos nas Licenciaturas que precederam a entrada nos “Programas Especiais”, nas disciplinas objeto da habilitação, foi considerada satisfatória pelos professores. Na relação anexa, estão especificadas as cargas horárias das disciplinas estudadas pelos alunos, nas Licenciaturas que antecederam a entrada nos “Programas Especiais”. Pode-se verificar que é atendida a exigência legal de sólida base de conhecimentos na disciplina referente à habilitação pretendida. Conforme dispõe a Resolução 02/97, compete à Instituição verificar a compatibilidade entre a formação do candidato e a disciplina para a qual pretende habilitar-se:

    Resolução 02/97

    “Art. 2º – …

    Parágrafo único – A instituição que oferecer o programa especial se encarregará de verificar a compatibilidade entre a formação do candidato e a disciplina para a qual pretende habilitar-se”.

    A mencionada Resolução enfatiza, ainda, sob o ponto de vista pedagógico, a necessidade de assegurar o caráter interdisciplinar e a integração de conhecimentos. Ora, licenciados aceitos à época, antes que os Conselhos definissem normas restritivas, eram portadores de formação em área afim e intimamente ligada à habilitação oferecida nos “Programas Especiais…”.

    Vale esclarecer que, a Resolução CNE/CP 02/97 tinha objetivo expresso de suprir a falta de professores habilitados em determinadas disciplinas e localidades, em caráter especial, procurando seguir a orientação presente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN nº 9394/96, qual seja, a de proporcionar via de acesso ao magistério aos portadores de diplomas de cursos superiores distintos de licenciaturas.

    Assim, esperar-se-ia que nas localidades onde existisse falta de professores habilitados em Química e Matemática, por exemplo, e houvesse engenheiros químicos e mecânicos pretendendo ingressar na carreira do magistério, seria possível proporcionar-lhes a via de acesso, habilitando esses profissionais para o magistério, inclusive para ingresso regular na carreira, por meio de concursos. Tomava-se como pressuposto que os profissionais detinham sólida formação na disciplina em que desejavam atuar, adquirida em sua formação inicial, o que colaboraria para agregar qualidade à Educação Básica.

    A referida resolução não deveria ser utilizada para justificar uma “via rápida” ou “alternativa” aos cursos de licenciatura, dado que seu objetivo era o de conferir habilitação equivalente àquela que legitima o ingresso na carreira do magistério (a licenciatura, de graduação plena), fazendo com que todos os professores tivessem acesso aos planos de carreira do magistério, extinguindo a exótica figura do professor leigo com diploma de nível superior ou até mesmo pós-graduação.

    É certo que, além de ter possibilitado uma interpretação inadequada de “via rápida” para formação docente, a Resolução CNE/CP 02/97 acabou sendo utilizada, diferentemente da sua verdadeira intenção, para a “plenificação de licenciatura curta”, o que, sem dúvida, trata-se de outra forma inadequada de fazer uso dos seus dispositivos. A esse respeito, a resolução em tela está baseada no Parecer CNE/CP 04/97, o qual afirma:

    Enfocando este aspecto, faz-se necessário lembrar os problemas desencadeados com a instalação da licenciatura curta nos anos 70, que procurava também atender à falta de professores, mas produziu, e produz ainda, efeitos negativos sobre sua formação, tanto no que se refere à preparação nos domínios específicos das disciplinas científicas, quanto no pedagógico.”

    Assim, os alunos com diplomas de licenciatura, curta ou plena, que ingressaram em programas de complementação pedagógica não satisfizeram os requisitos do quadro legal de referência. Portanto o ato jurídico sob cujo manto foram realizados não é perfeito, decorrendo daí que seu certificado não gerou direito. Este entendimento está alinhado não apenas com a norma expressa no Parecer CNE/CP 04/97, mas também com a jurisprudência que se firmou a partir do Parecer CNE/CES 741/99 e se fez presente em diversos pareceres, entre eles os Pareceres CNE/CP 26/2001 e CNE/CP 25/2002.

    A LDBEN nº 9394/96 instituiu como graduação habilitadora dos profissionais da Educação Básica a licenciatura, de graduação plena (Art. 62, Art. 67 e Art. 87 – Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação ple­na, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação in­fantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a ser oferecida em nível médio, na modalidade normal.

    Oportuno esclarecer que o CNE normalizou essa formação, ao determinar que ela deve conferir habilitação específica em área própria, para a docência nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio (Resolução CEB/CNE 03/97, artigo 3°, III). Se assim é para a formação regular, assim também deve ser para os programas especiais de formação docente, os quais devem conferir habilitação específica em área própria, para a docência nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

    Embora não haja uma norma explícita para determinar quais cursos superiores de bacharelado (ou denominação específica) conferem sólida formação teórica a quais cursos de licenciatura, é razoável pensar que a comparação de históricos escolares seja feita e possa identificar conteúdos básicos comuns. É lícito supor que um curso de Engenharia confira sólida formação teórica em matemática, por exemplo, mas ela poderá ser facilmente investigada a partir do estudo da trajetória do estudante. Esta também será a justificativa de invalidar a participação de alunos já detentores do título de licenciatura, dado que obrigatoriamente já deveriam ter tido formação pedagógica, que seria redundante caso a repetissem no aludido programa especial. Não será difícil concluir que a delegação de competência à instituição não lhe conferia poder para habilitar profissionais em áreas genéricas ou impróprias. Neste caso, há que se opor reconhecimento ao ato jurídico praticado e caberá à instituição comprovar, por ocasião do reconhecimento do curso, que sua prática não usurpou a autonomia que lhe fora conferida a pretexto do caráter emergencial que revestia a iniciativa.

    (*) é professor universitário, jornalista e escritor

  • paulo

    -

    19/8/2012 às 10:13 pm

    Sou de um tempo em que o ensino tinha uma excelente qualidade. As escolas possuíam um corpo docente da melhor qualidade e que era disputado pelas diversas instituições de ensino. O tempo passou, avanços tecnológicos ocorreram e, paradoxalmente, o ensino piorou. Como explicar isso? O nível dos professores piorou, porque suas formações profissionais foram feitas em escolas com ensino deficientes e, com isso, suas capacidades de conhecimento e ensino, também são deficientes. Um aluno mal formado, torna-se um professor limitado que vai gerar a formação de mais alunos com deficiências de aprendizagem e que se tornarão professores…Virou um círculo vicioso, tendendo a piorar cada vez mais. Diversas modificações no currículo escolar só vieram complicar o que antes funcionava bem. Anualmente, universidades formam milhares de alunos sem a menor condição de ocuparem vagas no mercado de trabalho por absoluta falta de conhecimentos específicos. Falta realmente gestores que façam com que as instituições de ensino passem a ser locais de ensinamento e aprendizagem e não vazadouros de ignorantes e incompetentes como ocorre hoje.

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 10:11 pm

    A educação brasileira tem uma série de nós

    (*) Nelson Valente

    A educação brasileira tem uma série de nós. Os administradores chamam isso de entropia. Mas, a nosso ver, nenhum suplanta o fenônemo da repetência, com os seus desdobramentos.

    Vivemos um tempo em que se falava muito de evasão e repetência. Hoje, sabe-se que a evasão, na escola brasileira, não passa de 3%, o que desmente a tese de que as nossas crianças não gostam de suas escolas.

    O que existe de fato, é uma enorme repetência, além de uma escandalosa distorção idade/série. Os dois fatores são intercomplementares, o que acaba por justificar a incrível estatística de que 86% das crianças estudam fora das séries respectivas, com um atraso apreciável.

    Para completar os oito anos de ensino fundamental, é comum levar de 11 a 12 anos, gerando uma sobrecarga no sistema que é bastante onerosa.

    A repetência apresenta justificativas que se somam. Em primeiro lugar, a preocupação dos sistemas de ensino de valorizar a aprovação, como se nessa idade isso fosse importante. O que interessa, sobretudo na faixa etária dos 7 aos 10 anos de idade, é a presença da criança na escola, adquirindo hábitos de convivência, respeito aos mestres e adesão às tarefas da relação ensino-aprendizagem,

    Em segundo lugar, mas que pode ser o primeiro, a atuação das professoras, em geral com pouco preparo e salários rídiculos. Não residirá aí a falta de motivação das próprias crianças e uma boa base para se considerar o proclamado fracasso escolar?

    Em terceiro lugar, o apoio sincopado do MEC. Não são todas as escolas que recebem meranda, nem todas elas são aquinhoadas com livros didáticos ( estes, quando chegam, em geral é muito tempo depois de iniciadas as aulas). Se reduzirmos a repetência a proporções modestas, haverá vagas para todos – e não se precisará mais pensar nesses “ monstros de concretos” que fazem a alegria das empreiteiras.

    (*) é professor universitário, jornalista e escritor

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 10:08 pm

    E o Brasil, quer o que com seu ensino superior?

    (*) Nelson Valente

    Nos dois últimos governos inventaram índices, condições de oferta, Sinaes, Conaes, IGCs, CPCs, CCs ,Pronatec, sistemas de Cotas, SISU e AIEs (Avaliação Institucional Externa), produziram especiosos e detalhistas, senão ineficazes, instrumentos de avaliações, além de Enade, Enem, provinhas e provões, decretos-pontes, reformas universitárias, dilúvios de portarias ministeriais, micro (ou nano) regulatórias, enfim, uma parafernália de mudanças.

    Tudo muito bonito, mas efetivamente inócuo

    É um processo avassalador de modificações. Os governos brasileiros, federal e estaduais, têm alergia à ideia de órgãos autônomos, sejam agências reguladoras, sejam universidades, sejam conselhos educacionais. As universidades brasileiras não gozam de autonomia verdadeira. Acho que os políticos brasileiros pensam que autonomia seja equivalente à soberania. Neste sentido, é de certa forma irônica observar que foi certa autonomia do Banco Central que deu ao Brasil a estabilidade da qual hoje se beneficia o país.

    Não se discute o ensino superior no Brasil, discute-se o acesso ao ensino superior, por isso, não existe uma política universitária, uma política educacional do ensino superior. Minha decepção nesse período é que não tenhamos discutido os objetivos do ensino superior no Brasil. Hoje, o Brasil é a 6ª economia do mundo.

    Se pegarmos a lista de melhores universidades mundiais, não encontramos nenhuma universidade brasileira entre as 100 primeiras. Vemos alguma lá na 180ª posição, que são as paulistas, a USP, a Unicamp, seguidas pela UFRJ, UFMG. O Brasil nunca definiu se deseja ter uma grande universidade de qualificação mundial. A Coreia do Sul está lutando bravamente para constituir universidades de qualificação mundial.

    Vivemos um modelo de ensino superior e nas principais universidades do país que é o mesmo desde 1968 (Lei 5540/68), quando foi aprovado a Reforma Universitária. Valorizou a departamentalização e acenou com uma série de outras medidas, todas elas tornando por base a educação norte-americana ou que se pratica na Alemanha. Uma estrutura pesadíssima, ultrapassada e decadente.

    Essas estruturas revelam a permanência na USP de dispositivos de poder forjados pela ditadura militar, entre os quais: a inexistência de eleições representativas para Reitor, a ingerência do Governo estadual nesse processo de escolha e a não-revogação do anacrônico regimento disciplinar de 1972. Observe: Art. 75,§ 2º, Inciso ( Regimento da USP), como tb Art. 39, Inciso XXIII. Laconismo, ao estilo ” Caserna “.

    A China tem um plano de fazer 100 universidades de qualificação mundial até 2021. A Alemanha tem um programa de 2,5 bilhões de euros para a qualificação. O presidente francês deu autonomia para as principais universidades e exigiu que elas se qualifiquem. Portugal e Austrália também têm feito movimentos nessa direção. A Inglaterra tem pelo menos três universidades de classe mundial e os EUA tem um caminhão delas. E o Brasil, quer o que com seu ensino superior?

    O Sistema S – Sesi, Senac e Sesc

    Há outra discussão relevante, sobre a natureza jurídica e a legalidade das Instituições de Educação Superior (IES) do Sistema “S”: Sesi, Senac e Sesc. Essa discussão ficou complicada porque comprovamos que eles funcionam como IES privadas, pois cobram mensalidades a preços de mercado e hoje já possuem extensa rede nacional. Mas eles vivem de subsídio público e não oferecem serviços apenas para os trabalhadores de cada respectivo setor que contribui com parcela de sua folha de salários. Admitem todo e qualquer estudante que seja aceito. Estas IES do Sistema “S” são públicas ou privadas? Ou seriam semi-públicas ou quase-privadas, categorias estas que não existem no ordenamento legal brasileiro? Se é público, não deveria cobrar mensalidades. Se é privado, não deveria se valer do dinheiro que é retirado da folha dos trabalhadores para montar as estruturas maravilhosas que têm. O MEC não se deu conta de que o estatuto deles não continha a possibilidade de abrirem faculdades e Centros Universitários, mas a possibilidade de oferta de educação profissional. Na educação profissional eles também cobravam e o MEC fez um acordo para o Sistema “S” dar gratuidade até 2011. Houve um ajuste. Mas esqueceram do ensino superior, que não faz parte do acordo. Somos a favor de que o Sistema “S” possa oferecer educação superior, mas a questão é quem vai pagar. Seria interessante que eles pudessem oferecer educação gratuita. Essa discussão está em aberto e é muito relevante.

    O tema mais importante que está agendado no CNE (Conselho Nacional de Educação) é sobre o credenciamento e recredenciamento de universidades, inclusive as federais. Esse é um tema que está muitos anos atrasado. O governo não providenciou esse recredenciamento e as universidades federais nunca se importaram se são credenciadas ou não. As universidades federais são criadas por lei, pelo Congresso Nacional, mas a lei não as credencia. A LDBEN nº 9394/96 – diz que quaisquer universidades devem ser credenciadas. As novas universidades devem ser credenciadas e as antigas deverão ser recredenciadas. Elas apresentaram as exigências burocráticas para o MEC, mas isso não passa pelo escrutínio de uma reunião pública. Não menos importante será a discussão sobre o credenciamento e recredenciamento das universidades privadas, visto que nunca aconteceu no país este processo de recredenciamento universitário.

    Alguns dirão: a expansão, que é uma política social; outros dirão: as cotas, que também é uma política social; outros, o Prouni (Programa Universidade para Todos), que também é uma política social. Mas, as universidades devem ensinar o quê? É para continuar formando quais profissionais na graduação? Nós queremos universidades de qualificação mundial no Brasil? Queremos universidades de ponta comparadas às de outros países? O que devemos ensinar aos estudantes universitários? Não se discute o ensino superior no Brasil, discute-se o acesso ao ensino superior, por isso, não existe uma política universitária, uma política educacional do ensino superior.

    (*) é professor universitário, jornalista e escritor

  • Nelson Valente

    -

    19/8/2012 às 10:07 pm

    Ninguém vê o óbvio: a pirâmide está invertida. A maior prova disso é o abandono da primeira infância. É nela que o Brasil começa, e seu abandono é a maior das ameaças à pirâmide invertida que caracteriza nosso País.
    Mesmo a educação é um exemplo do desequilíbrio da pirâmide invertida. O Brasil dá mais ênfase ao topo, o ensino superior, do que à base, o ensino fundamental. O resultado é outra manifestação de instabilidade: a qualidade do ensino superior vem sendo puxada para baixo por causa da má qualidade do ensino médio; e este também vem perdendo qualidade por causa da piora no ensino fundamental.
    Outra insensatez é a incompetência para enfrentar o drama do magistério. Os professores são mal formados e pessimamente remunerados.
    Como pretender, assim, uma educação de qualidade? Os cursos de formação de professores padecem de um abissal anacronismo. Colocar um computador na mão de quem não sabe manejá-lo significa muito pouco. Pensando bem: desde que essas máquinas terríveis entraram no cotidiano das escolas, qual foi o aperfeiçoamento dos conteúdos?.
    Ultimamente, são raras as novas escolas construídas. Parece que houve um certo cansaço das autoridades em relação ao assunto.
    Era o melhor caminho para alcançar outra conquista necessária: o desejado tempo integral, que é uma característica básica de todo e qualquer país desenvolvido. Quando se sabe que, entre nós, no ensino médio, cheio de furos, as aulas diárias não passam de quatro horas, já se vê o tamanho do fosso.
    E tem mais um óbice: cursos médios oficiais estão sendo ministrados em escolas municipais, por empréstimo, o que dá bem a dimensão da sua ausência de prioridade.
    Nossas escolas públicas têm bibliotecas? Não. Têm laboratórios equipados? Não. A distorção idade-série está sob controle? Não. Reduzimos os fenômenos da evasão e da repetência? Não. Há iniciação científica nas escolas? Não. Os índices de leitura estão crescendo? Não. Os livros didáticos distribuídos gratuitamente são bem escolhidos e bem distribuídos? Não. Nossas escolas têm segurança? Não. E muito mais poderia ser lembrado. Até quando?
    A educação é o caminho, antes que o país afunde de vez na ignorância, miséria e violência.

    (*) Nelson Valente, é jornalista, professor universitário, jornalista e escritor

  • paulo

    -

    19/8/2012 às 10:05 pm

    Sou de um tempo em que o ensino tinha uma excelente qualidade. As escolas possuíam um corpo docente da melhor qualidade e que era disputado pelas diversas instituições de ensino. O tempo passou, avanços tecnológicos ocorreram e, paradoxalmente, o ensino piorou. Como explicar isso? O nível dos professores piorou, porque suas formações profissionais foram feitas em escolas com ensino deficiente e, com isso, suas capacidades de conhecimento e ensino, também são deficientes. Virou um círculo vicioso, tendendo a piorar cada vez mais. Um aluno mal formado, torna-se um professor limitado e que vai forças a formação de mais alunos com deficiencias que se tornarão professores…Virou um círculo vicioso, tendendo a piorar cada vez mais. Diversas modificações no currículo escolar só vieram complicar o que antes funcionava bem. Anualmente, universidades formam milhares de alunos sem a menor condição de ocuparem vagas no mercado de trabalho por absoluta falta de conhecimentos específicos. Falta realmente gestores que façam com que as instituições de ensino passem a ser locais de ensinamento e aprendizagem e não de vazadouros de ignorantes e imcopetentes como ocorre hoje.

  • vera

    -

    19/8/2012 às 9:42 pm

    Reinaldo, endosso tudo o que a Maria Costa das 20:47h disse.

  • regina santana

    -

    19/8/2012 às 9:39 pm

    parabens, meu Rei que Deus te muita saude, e vida longa e a toda sua familia um abraçao

  • hacs

    -

    19/8/2012 às 9:32 pm

    Cont…
    Usando os microdados de decadas, os paises com educacao de alto nivel criaram solucoes a seus respectivos problemas. Nao sao solucoes universais e exportaveis. O unico ingrediente exportavel eh a abordagem, isto eh, acumular e analisar os microdados. Mas os nossos “especialistas” visitam esses paises, ou mesmo leem os relatorios e artigos sobre essas revolucoes no ensino, e concluem que essa ou aquela solucao resolveria as nossas dificuldades. A “contextualizacao” fica por conta de algumas frases de efeito de algum livro do Paulo Freire, ou mesmo do Philip Kotler. Ja temos algumas bases, mas nao sabemos usa-las. Quando as usamos, a informacao eh super agregada com fins descritivos ou sob encomenda para corroborar alguma tese aprioristica. Pior, temos medo dos resultados possiveis existentes em DADOS DE DOMINIO PUBLICO. Os dados sao dados, o que os resultados significam eh outra coisa, algo que exige reflexao de quem estudou o assunto. Mas fugir dos dados beira a loucura.

    Abs

  • Maria Costa

    -

    19/8/2012 às 8:47 pm

    Meu Rei,
    Acabo de assistir ao debate na Hebraica,vc como sempre arrasa!!Foi tudibom…
    Mais um aninho hein? Não lhe conheci jovem, teria sido um geniosinho?, não sei, mas lhe garanto que a idade só tem lhe somado mais e mais inteligência,talento,sabedoria,generosidade, bom humor. Parabéns querido!! Hoje aos 56 anos, lhe descobri nos últimos 10, posso lhe afirmar que tu és meu único ídolo no mundo. A M O – T E!

  • UNK

    -

    19/8/2012 às 8:24 pm

    Reinaldo e amigos,

    finalmente o funcionalismo público federal e os trabalhadores sérios deste país tomaram coragem e colocaram (atendendo aos meus insitentes pedidos) vários cartazes de ……FORA DILMA!
    Isto sim que é reinvindicação correta , tirar esta incompetente eleita numa eleição fajuta patrocinada pelo Lullo-Mensaleiro-petismo!!
    Para dar uma apimentada nas greves continuo sugerindo o bordão abaixo: ….PELO CONJUNTO DA OBRA..
    ========================================================
    …FORA LULLA, FORA PT, FORA DILL-MÁ , IMPEACHMENT JÁ!
    ========================================================

    ….USEM COM MODERAÇÃO.NÃO TENHAM MEDO DA PF-DO-PT NÃO!!

 

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