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08/11/2009

às 6:07

Eleição na OAB-SP repete vícios de políticos

Por Frederico Vasconcelos e Flávio Ferreira, na Folha:
Numa eleição que reproduz o clima das campanhas político-partidárias, com acusações de fraudes em pesquisas, uso da máquina e falta de transparência sobre os financiamentos, os advogados paulistas vão às urnas, dia 17, para escolher quem dirigirá a seção estadual da Ordem dos Advogados do Brasil nos próximos três anos. A eleição do Conselho Federal da OAB será em 31 de janeiro.
Ao disputar um terceiro mandato, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, deu aos três adversários -Rui Fragoso, Hermes Barbosa e Leandro Pinto- a principal munição da oposição: as críticas ao que consideram “continuísmo antidemocrático”.
Porque se filiou ao DEM em setembro, D’Urso também é acusado de usar a OAB-SP de trampolim para projetos políticos pessoais. Seu filho, Flávio, disputou pelo mesmo partido o cargo de vereador em São Paulo em 2008, mas não foi eleito. No início deste ano, democratas viam o presidente da OAB-SP como um futuro quadro, com chances de disputar a Câmara dos Deputados em 2010.
“Pretendo cumprir até o último dia meu mandato, se for reeleito”, promete D’Urso. Ele esclarece que os estatutos não vedam a reeleição. “Os opositores não querem impedir o terceiro mandato. Querem impedir a terceira derrota”, diz.
O comentário é dirigido a Rui Fragoso, que representa o grupo de advogados derrotado duas vezes por D’Urso (em 2003 e 2006). O coordenador-geral e patrono da campanha de Fragoso é Antonio Cláudio Mariz de Oliveira (ex-secretário da Justiça e da Segurança Pública no governo Orestes Quércia). Mariz presidiu a OAB-SP em 1989 e foi reeleito em 1991.
“Ainda que a administração fosse boa, e não é, não se justificaria uma permanência por tanto tempo”, diz Fragoso. Para ele, D’Urso é mais político do que advogado. “Eu sou só advogado, e a alternância do poder é uma consequência de qualquer processo democrático”, diz.
Ele considera “um equívoco histórico” a OAB-SP ter liderado o movimento “Cansei”, em 2007. D’Urso vê a iniciativa como “um movimento apartidário que tentou traduzir o sentimento da população”.
“A tentativa de reeleição nos faz lembrar os piores momentos do presidente venezuelano Hugo Chávez, que quer se perpetuar no poder”, diz Hermes Barbosa. “A reeleição deve ser extirpada de nossa sociedade”, diz o candidato Leandro Pinto.
Para D’Urso, a oposição critica a reeleição por falta de discurso, pois as finanças estão em ordem e uma pesquisa do Ibope aponta sua gestão como ótima e boa para 65% dos advogados. D’Urso diz que, ao assumir em 2003, a OAB-SP acumulava dívidas: “Hoje temos superavit”.
O uso da internet na campanha é visto como laboratório para a eleição presidencial. Há acusações de direcionamento de pesquisas e de uso indevido de listas de e-mail de advogados para envio de propaganda.
A questão do financiamento é cercada de sigilo. D’Urso não revela o valor das doações. Fragoso diz que gastará entre R$ 300 mil e R$ 400 mil. Em 2003, a eleição teve oito candidatos e foi estimado um gasto total de R$ 2,8 milhões. A legislação passou a vetar gastos com outdoor, carro de som e anúncios de página inteira em jornais, mas as projeções sugerem que os dispêndios seguem elevados. Questiona-se por que advogados gastam milhões disputando cargos não remunerados.
A polêmica sobre o terceiro mandato e as visitas do presidente da OAB-SP ao interior associam a campanha às inspeções do presidente Lula a obras do PAC. “Os encontros regionais são encontros políticos”, diz Fragoso, que se queixa do processo eleitoral desigual. Ele defende uma mudança na lei, para obrigar o candidato à reeleição a se desincompatibilizar.
D’Urso discorda de Leandro Pinto, para quem a advocacia “é uma profissão em franco processo de extinção”. Para o presidente da OAB-SP, o mercado está em expansão e o advogado é um profissional prestigiado. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

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16 Comentários

  1. Elis

    -

    18/11/2009 às 11:31

    A alternância do poder é um dos princípios basilares da democracia, esta mesma que o Dr. D`Urso diz defender, no entanto se contradiz quando insiste em querer se perpetuar junto a presidência da OAB por mais um triênio. É o roto falando do mal-trapilho!!!! É o famoso: “Faça o que eu mando, mas não faça o que faço!” Gente, sou advogada também e cansei de pagar a anuidade mais cara do país e não saber para onde vai este dinheiro. Atuo no interior e somos esquecidos pela Secccional São Paulo, entretanto, da mesma forma como se faz no cenário político do país, somos lembrados apenas em época de eleição. De nada adianta dizer que defende o direito se possui os mesmos ran-ços da “politicagem”.

  2. HELIO ARGENTO

    -

    15/11/2009 às 11:05

    não se trata só de reeleger. Se o candidato se propõe a concorrer e for aprovado pelos votos e, ainda, se não for vedado, nã vejo mal algum nisso. Repito: se não for vedado, não vejo falta de democracia. Essa estoria de alternancia do poder depende da vontade do eleitor.

  3. barbosa

    -

    13/11/2009 às 14:50

    A verdade é uma só. se D’urso venceu as dua eleições e se vencer a terceira, afirmar-se-a a maxima: “cada eleitor tem o canditado que merece”

  4. Cristiano Anti-comunista

    -

    08/11/2009 às 23:15

    Mas a Ó-A-B’esta é o que senão um papagaio coletivo do PT para implantar a auto-legislação e a influência da Nova Desordem Mundial nos setores jurídicos em todas as representações de majistrados de todo o mundo?

    Quem vive de esperança, vive escutando e seguindo ordens de falastrões que vivem em paus de palcos de salas de conferência para lavar mentalmente sempre os mesmos lixos: invasão de terras, respeito ao desrespeito dos travestis, dos promíscuos, do PCC, das FARC e aos índios manipulados pela contaminação que tomou a Igreja Católica, aqui representada pela CNBB ou KH??, lindo, não?

  5. Do Sul

    -

    08/11/2009 às 16:32

    Da instituição OAB a sociedade esperava mais do que reserva de mercado, através da realização de prova para o exercício da profissão. Entendo que já tivemos fatos suficientes para que os Doutores tivessem provienciado a ação adequada, mas, como só funciona o corporativismo, tudo segue como …… uma disputa de poder e um péssimo exemplo, pois no futuro ouvirão: “vejam só o rôto falando do esfarrapado”.

  6. daniel c.

    -

    08/11/2009 às 15:27

    Essa história de extinção da advocacia é piada. O que esse pessoal quer é perpetuar a existência de um convênio existente entre a OAB e a Defensoria Pública, o que possibilita a contratação sem concurso de advogados para atuar em favor dos pobres.
    É um sistema que privilegia o uso de dinheiro público sem qualquer licitação, ajudando aqueles advogados incapazes de atuar no livre mercado…
    Corporativismo, tentativas de perpetuação no poder, onda de e-mails com notícias falsas sobre candidatos: este é o perfil da atual disputa!

  7. Sharp Random

    -

    08/11/2009 às 15:18

    Com uma visão dessas, SP acaba aparelhada.

  8. Esther Correa

    -

    08/11/2009 às 13:25

    Boa tarde tio Rei
    É o fim da picada o D”URSO querer se eternizar no poder. Como advogada não contribuirei p/ isso. Votarei em outro. Onde está o espírito democrático da alternância de poder? A OAB/SP não vem cumprindo o seu papel como defensora do direito ,da moral e da ética, porquanto, tem permanecido calada diante de toda essa barbaridade perpetrada pelos políticos e o Menas. É realmente desalentador…..

  9. LIMA

    -

    08/11/2009 às 13:21

    REINALDO.
    A CLASSE DOS ADVOGADOS DEVERIA SER MAIS SÉRIA E, A GRANDE MAIORIA DE SEUS MEMBROS, MAIS PREPARADA E ETICA.

  10. Elcio

    -

    08/11/2009 às 12:28

    Para o QUAKER: amigo, sem querer levantar polêmicas, mas acrescento isto apenas para defender minha profissão. Você tem uma visão falsa da advocacia brasileira. Essa sua postura está mais para a visão americana, onde o sistema atua de forma mais dinâmica e o advogado tem mais atuação e voz (e por isso é odiado de forma caricatural e estereotipada). Por aqui, ultimamente, o advogado é cada vez mais um pobre diabo, com a conta negativa no do banco e a toga maltrapilha.

    Vi certa feita Evandro Lins e Silva dizer que mantinha a sua velha toga rasgada por mania e superstição. Hoje em dia, seria por necessidade.

    Abraço.

  11. Rolando

    -

    08/11/2009 às 11:59

    Esse Mariz é um sujeito da extrema esquerda, ele criticou o movimento Cansei chamando-o de elitista e de ultradireita.

  12. Elcio

    -

    08/11/2009 às 10:39

    A OAB pratica uma política medíocre. Apesar de exercer o papel de entidade de classe, nada oferece ao profissional da advocacia. Apenas cobra a mais cara anualidade dentre todas as entidades de classe.

    E pior, assiste complacente e omissa a aprovação de leis que prejudicam o ganha pão da profissão que vê chegar todo ano ao mercado de trabalho milhares de novos profissionais, ávidos por serviço.

    Falo, por exemplo, da Lei 11.441/2007, que alterou o Código de Processo Civil para permitir partilhas amigáveis em cartórios.

    Retiraram o pão da boca da advocacia para oferecer a cartórios, sob o argumento de que a jurisdição é lenta.

    Falo, claro, como advogado. Para quê, afinal, eu pago a OAB?

  13. QUAKER

    -

    08/11/2009 às 10:23

    REI VOCÊ JÁ VIU ADVOGADO SER SÉRIO?

    EU JÁ VI.SÓ QUANDO ELE VÊ A COR DO CHEQUE.
    O INFERNO SÓ JUSTIFICA A SUA EXISTÊNCIA ATÉ QUANDO HOUVER UM SÓ ADVOGADO NA FACE DA TERRA.
    ELES GOSTAM MUITO DE DINHEIRO.SÓ QUE AQUELE QUE ESTÁ NO BOLSO DOS INFELIZES QUE OS CONTRATAM.

  14. O Comentarista

    -

    08/11/2009 às 8:16

    O movimento “cansei” foi idealizado para abafar o movimento popular que estava surgindo expontaneamente contra o governo a partir do assassinato de 199 pessoas pelo jato da TAM no Aeroporto de Congonhas em SP.

    Estranhamente encabeçavam esse movimento esse d’urso, o presidente da philips do brasil (nunca vi presidente de multinacional participar desse tipo de ação), a cantora ivete sangalo (que coincidentemente virou garota propaganda da philips) e alguns outros artistas.

    Mais estranhamente ainda foi o desaparecimento do movimento “cansei”, uma verdadeira sublimação!

    E assim se conseguiu abafar o movimento que surgia pelas 199 vítimas e contra a irresponsabilidade governamental !!!

  15. Marília

    -

    08/11/2009 às 7:53

    É importante que a OAB nos dê um exemplo de Democracia não reelegendo ninguém. Mirar um bom exemplo se estenderia a todo o país, com as devidas repercussões!


 

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