Ainda há gente indignada com o que escrevi sobre educação e sobre não culpar os outros por aquilo que é de nossa responsabilidade. Quem não quer entender o que está escrito costuma ler aquilo que lhe causa irritação, não o que está na página. Ora, é claro que há uma porção de coisas alheias à nossa vontade. A vida tem leis que não fizemos, uma história que nos antecede e está sujeita, felizmente, ao inesperado. Vocês acham que não sei disso?
Acho que é o caso de reler o post. A minha questão é outra: apesar disso tudo, a despeito disso tudo – ou, se quiserem, por causa disso tudo -, cabe-nos uma arbitragem que costuma ser bem maior do que supomos. O que propus foi uma postura, digamos, moral: que o sujeito se veja menos como vítima de circunstâncias que não são de sua escolha e mais como pessoa que pode interferir no próprio destino. Isso me parece, se querem saber, óbvio, quase aborrecido.
“Vale para quem mora na Viera Souto e para quem mora na Rocinha?” Sim. O que não se pode mudar é ter nascido num barraco na Rocinha ou numa cobertura na Vieira Souto. O diabo é que as pessoas costumam confundir passado com destino.
O destino só se conjuga no futuro.









-Dois exemplos: Quênia e África do Sul
-O destino só se conjuga no futuro
Estes dois artigos seus, provam que quando você não se ocupa dos petralhas, o seu blog fica mais interessante de se ler. Os petralhas, infelizmente, tem o dom nefasto de baixar o nível de qualquer coisa que os tangencie. Até mesmo a crítica a eles fica pobre, pois se trabalha sobre assuntos idiotas, visto que são cegos que não querem enxergar. Porém, reconheço que alguém “nestepaiz” precisa surrar os petralhas. É uma pena, pois poderíamos ler coisas mais interessantes.
Centralino
Perfeito!
As pessoas que se recusam a compreender o que você disse são as mesmas que, mesmo após duzentos anos da independência, ainda põe a culpa por nossos males na colonização…
Ou aquela sujeita que, já no terceiro casamento, ainda acha que a causa de toda sua infelicidade é seu primeiro marido (ignora que, após ele, todas as escolhas que ela fez são de sua, e só sua, responsabilidade…)
Claro que concordo, mas estou curioso - onde está o post original? Dei uma vasculhada nos posts antigos mas não consegui encontrar. Coloque um link na próxima vez, Reinaldo.
O imenso problema da criminalidade nas grandes cidades
Reinaldo -
Costumo dizer : “bandido é bandido mas não é burro”.
Os bandidos olham para cima, vêem os dirigentes políticos do país; vêem a falta de SERIEDADE desses caras todos; vêem o estilo sibarita como muitos deles vivem; vêem o cinismo e a arrogância que se irradia desde os píncaros do Poder - vêem tudo isso e, por verem tudo isso, não temem uma reação enérgica contra o crime, não acreditam que essa reação possa existir.
Por outro lado, as autoridades policiais também enxergam tudo isso que os bandidos vêem. Aí eu pergunto:
- qual é o estímulo que os homens da Lei recebem para bem cumprir o seu difícil dever?
Mais um parabéns Reinaldo.
Acredito que se o brasileiro não passar por este aprendizado não teremos chances como nação.
Entender isto é o marco zero para a solução de nossos problemas.
Reinaldo,
Já assistiu ao filme “À procura da felicidade?” com Will Smith?
História baseada em fatos REAIS.
Só um exemplo.
A gente sabe que pode conseguir o mque quer, pois sabemos o que queremos…
Triste é o sujeito que nem sabe que PODE querer algo…e procurar uma maneira de conseguir.
Adi_G
Ao anônimo das 5:18 PM
Oh meu, tu é mesmo boboca, hem?
Vem aqui com esse papo mole de vida eterna! Tá pensando que todo mundo é trouxa?
Iguinho (que apelido bunitin)3:24am:
Também deveria ser feita uma constatação sobre o que levou os pais, avós e bisavós a criarem condições pra alguém morar hoje na Vieira Souto. E em contra-partida o que fizeram (ou deixaram de fazer)os mesmos ancestrais do outro que hoje mora em um terreno invadido da Rocinha.
E tome cerveja, churrasco, pagode e outros “bichos”.
A inteligência e a vontade
Reinaldo -
Deus nos deu estas duas faculdades, que os anjos também possuem.Enquanto estivermos nesta transitoria vida, temos que usar as duas, sem nos esquecermos da terceira, aquela que os anjos não têm.
Ora, conforme nos ensinam os doutos, na Eternidade nossa vontade estará pacificada, não vai precisar querer mais nada. Nossa sensibilidade deixará de existir, pois - conforme nos disse o próprio Cristo - seremos como os anjos. Sendo assim, nossa alegria será por conta da contemplação que a inteligência fará, sem cessar, da Verdade, da Beleza e do Bem eternos. Como escreveu Dante: contemplando para sempre o Amor que move o Sol e as demais estrelas.
Parecerá aos desatentos que este meu comentário nada tem a ver com o assunto do seu post.Entretanto, o Cristianismo verdadeiro, muito mais que um simples código de moral consiste, sobretudo, na Esperança dessa Vida Eterna.
Tio Rei,
Concordo plenamente com a ideia de que somos responsaveis pelos nossos destinos, e atraves de nossas acoes podemos mudar a realidade. E claro que exitem leis( gravidade) e fatos ( passados) que sao alheios a nossa vontade e influencia. Mas mesmo fatores geneticos( obesidade) podem ser mudados com bons habitos. O modelo mental que impera no Brasil e de vitimização ,ou seja a sociedade e responsavel por tudo. Como se fosse uma entidade alienigina a qual nao fizessemos parte. A esquerda e sua historica inversao de valores É a grande responsavel por isto. POrque É muito mais facil acreditar que vc nao É responsavel por nada, e depois como vitimas ser indenizados.O estado como solucao de todos os problemas, inclusive como impulsionador do desenvovimento. Erro que faz parte da nossa historia. Ai que a esquerda burra e a direita cega se encontram.
Grande Reinaldo,
Tenho percebido que essa é a justificativa mais recorrente do pensamento daqueles que se consideram de esquerda. Estão prontos para justificar o resultado de sua preguiça como fruto de onde vieram. E mais, ainda conheço gente que foi rica no passado, mas que conta as mazelas do capital, no seu presente de infortúnios.
Penso calado: “vai trabalhar, vagabundo.”
Roger
Ok,nada de culpar apenas as circunstâncias externas.Mas que um morador da Vieira Souto tem muito mais oportunidades que um morador da Rocinha isso ele tem.Isso não é uma crítica.É uma constatação.
SOU RESPONSAVEL PELOS MEUS ATOS E MAIS NINGUEM !
O MERITO DE MEUS ERROS É MEU E SÓ MEU ,TANTO QUANTO O DOS ACERTOS QUE DIVIDO COM QUERO OU ACHO QUE O MEREÇA…LIVRE-ARBITRIO E RESPONSABILIDADE ANDAM JUNTOS !
O RESTO É MERDA MARXISTA…COISA DE ESQUIZÓIDES PIOVESANS E SADERES !
PARABÉNS, ANÔNIMOS DAS 11:38 AM!
Na maioria das vezes nossas próprias experiências pessoais falam mais alto do que qualquer frase escrita pelos chamados grandes filósofos.
Parabéns pela inteligência e lição de vida de vocês!
Reinaldo,
Suas palavras:
“Ora, é claro que há uma porção de coisas alheias à nossa vontade. A vida tem leis que não fizemos, uma história que nos antecede e está sujeita, felizmente, ao inesperado. Vocês acham que não sei disso?”
Perfeito.
Meu planos eram outros tanto pessoal como profissional, outras oportunidades apareceram, entrei de cabeça, não me arrependo. Temos que estar abertos.
E quem manda no final “Deus”, queremos ir por um caminho, ele quer mostrar-nos outro.
Touché! Resposta espetacular. “O destino só se conjuga no futuro.” Fora de série!
Mesmo quando se fala no destino coletivo, na história humana, é preciso não perder de vista que, apesar da influência de todas as circunstâncias sobre a humanidade, o espaço para o livre arbítrio dos homens é ainda enorme. Grande demais para o medo que nós humanos em geral temos da responsabilidade que a liberdade implica. Mas se a liberdade é uma sanção para o homem, como disse Sartre, sem ela não há vida humana. Ventos melodiosos sopraram na minha cabeça, quando li num ensaio de Isaiah Berlin que não existem as tão famosas leis da história que nunca funcionam. Dura de aceitar ou não, a verdade é que a história é e sempre será escrita pelos homens. Fruto de suas escolhas individuais e morais.
“O destino só se conjuga no futuro.” Olé!
Reinaldo tens razão: Eu sou filho de ferroviário minha mulher de costureira(todos os meus cunhados tem curso superior, hoje todos adultos e vivendo padrão de classe média alta). Tenho dois cursos superiores, minha mulher tem formação superior. Meus 3 filhos todos formados em universidade e tem bom padrão de vida. Na doutrina Espírita nos ensinam que”Somos Responsáveis pelo nosso próprio destino”.
O sujeito abre uma lojinha, seu concorrente prospera, ele quebra. De quem é a culpa? Dos governos federal, estadual, municipal, dos impostos, dos fornecedores, dos funcionários, da mulher que não ajudou, dos idiotas dos clientes. Jamais dele.
Esse é um traço cultural nosso que explica boa parte das nossas mazelas e deveria ser melhor estudado. Somos um povo de inocentes vítimas das circunstâncias. Nunca fazemos nada errado, mas o destino nos persegue. Nos apropriamos das parcas vitórias que não são nossas (futebol, Senna, Guga), mas as derrotas nunca nos dizem respeito. Portanto, não aprendemos nada com elas.
O que explica também por que a vaga de “pai da pátria” está sempre aberta para o primeiro oportunista que apareça, mas essa é uma outra história…
Eu entendi perfeitamente seu post original sobre o assunto. Há gente que não entende e nunca vai entender, porque está sempre esperando que o Estado faça por ela o que ela mesma devia fazer por si. Esse grupo representa 95% da população brasileira… Não somos subdesenvolvidos por acaso…
É mais fácil, Tio Rei, fazer o papel de vítima. Convivi quase 3 anos com uma pessoa assim… Só Deus sabe como consegui.
Eu costumava dizer que ela tinha a síndrome de Gabriela: Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim…
As pessoas costumam se achar vítimas seja de seu passado, seja de seu temperamento. Não sabem como é bom ser o senhor da própria vida, assumindo a responsabilidade (e, com ela, o controle).
A felicidade é uma escolha, não um golpe de sorte.
Reinaldo, o que essas pessoas esperam? Por que ficam indignadas com o que você escreveu a respeito? Quem não quer fazer o próprio destino, sofre o destino, à moda das novelas de televisão. Claro que a pessoa faz o próprio destino enfrentando as dificuldades que se apresentam no dia-a-dia. Eu nasci em um local muito pobre, em família na qual todos que conseguiam trabalhar ganhavam salário mpinimo. Pior. Não valorizavam a educação. Filho de pobre que queria estudar ou erra “besta” ou queria enlouquecer. No entanto, desde pequeno, ainda nos primeiros anos de escola, entendi que somente poderia sair daquela situação atrvés dos estudos. E saí, através do estudo. Não fiquei rico, mas escapei da pobreza. Pois, na minha família e entre pessoas vizinhas, ainda há quem diga que “tive o destino de estudar”. Só a extrema ignorância pode justificar algo assim. Assim como vale para vencer as dificuldades da vida também vale para as questões morais, para as questões de valor. Vale a vontade da pessoa. Do INDIVÍDUO . Mas, é mais fácil e ÚTIL para muita gente explicar a trajetória das pessoas por um falso coletivismo. Como se a pessoa fosse um carneiro dentro de uma manada. Óbvio, tem muito gente que ganha poder e dinheiro com êsse papo.
Reinaldo não li seu post sobre educação, mas o que diz neste post é totalmente verdade… Minha família é nordestina chegaram em SP há 40 anos atrás, com uma mão na frente e uma atrás, de pau de arara, nasci aqui em SP… nunca fui às portas das casas pedir esmola… vivíamos com muito pouco, as vezes com quase nada, mas com dignidade, o que temos de mais valioso é o nome, príncipios morais, integridade, hoje é um tal de culpar os outros pelas nossas misérias, todos somos responsáveis pelo que vivemos… A culpa realmente é da educação, que tem que vir do berço, de casa, da escola… Infelizmente, as pessoas só querem receber e nada fazer, por isso não dão valor a nada, quebram orelhões, pixam prédios, quebram lixeiras, reclamam do atendimento público, mas não valorizam o que têm…pois chegam às 07:00 e querem ser atendidos à 07:05, muitos não precisam do serviço público, mas usam… muitos não precisam do leite, mas pegam.., muitos não precisam do bolsa família, mas se inscrevem para receber, de quem é a culpa??? Se não do próprio povo…
Acho que é de Sartre e cito de memória:
“Liberdade é saber o que fazer com o que fizeram de nós”.
Reinaldo,
Para seus leitores que não gostaram do post sobre não culpar os outros… recomendo o filme À PROCURA DA FELICIDADE (THE PURSUIT OF HAPPYNESS), história romantizada de Chris Gardner. Espetáculo.
Abraço,
Alexandre
Magnífico!
As pessoas não querem responsabilizar-se por si mesmas porque dá trabalho!
Preguiçosas que são, preferem acocorar-se frente suas palhoças mentais e morais e reclamar da vida, enquanto esperam a chegada um salvador, que lhes cobrará a alma para supostamente resgatá-las de sua miséria humana.
Você precisa reler o epílogo de Guerra e Paz.
Sobre a Rocinha
Reinaldo -
Mas, de qualquer forma teria sido muito bom se o nosso Presidente, quando visitou as favelas, tivesse falado contra os bandidos que infernizam a vida dos pobres moradores dos morros cariocas. Dizendo isso, ele teria testemunhado que os pobres, apesar da pobreza, têm senso ético.
Mas, ele - demagogicamente - falou contra …os ricos.
Tio Rei:
É obviamente muito mais fácil (e tranqüilizador para o ego) quando se pode atribuir a outros a culpa por nossas mazelas.
É assim com o traficante de drogas, “vítima dazelite”; com as repúblicas bananeiras, “perseguidas” pelo imperialismo americano; com o terrorismo palestino, que luta ingloriamente com os israelenses por um “espaço vital”.
Isso vale até mesmo para a grande maioria da população tida como “normal”, posto que não tem a necessária preocupação com o planejamento familiar e depois acha que as instituições públicas são obrigadas a cuidar de sua prole, dar-lhes o melhor ensino, a melhor saúde, a melhor segurança. Apenas direitos, nada de obrigações; isso parece inspirado na “Constituição Cidadã” de Ulisses Guimarães.
Tudo isso se corrije com cultura, ética e moral.
Um abraço
Roberto
Reinaldo
É bom que as pessoas sintam-se incomodadas. As dúvidas e as crises levam ao crescimento.
É verdade, os imprevidentes costumam culpar os previdentes pela própria maneira de ser, muitas vezes os chamam de boca de túmulo, porque aquilo que dizem acontece realmente.
Isso ocorre até na Previdência Social porque os previdentes têm de pagar aposentadoria para aqueles que não contribuíram e ainda levam a culpa pela ineficiência do sistema.
Ao ler tais palavras lembrei-me do livro “Em busca de sentido”, do Dr. Viktor E. Frankl. Há ali uma demonstração eloqüente de como podemos, sim, vencer as circunstâncias. Ainda que elas nos conduzam à morte, podemos morrer de cabeça erguida e com uma oração nos lábios!
O pais é alheio as nossas vontades. Querer o bem das pessoas passa antes pelo valor do dizimo ao partido.
Reinaldo, o mais triste é ver que há gente que não quer aprender a ler.