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17/07/2010

às 6:41

Contrabando eleitoral

Leiam editorial do Estadão:
A política do vale-tudo adotada pelo governo para eleger a candidata do chefe, a ex-ministra Dilma Rousseff, desafia a Justiça Eleitoral, a imprensa independente, a sociedade organizada e todos aqueles que sabem que não basta o voto livre, secreto, universal e devidamente contabilizado para assegurar a integridade do mais importante rito da democracia.

A garantia da chamada lisura do pleito e o ideal da igualdade das oportunidades eleitorais exigem desde muito antes da ida às urnas a ativação de tantos contrapesos quantos concebíveis dentro da lei e da ética pública à decisão do presidente Lula de perverter a administração federal em instrumento de campanha de sua escolhida. Já seria demais se fosse apenas ele, “nas horas vagas”, o arrimo de Dilma.

Na realidade, Lula lidera o mais desenvolto processo de captura do governo central para fins eleitorais de que se tem memória no Brasil desde o tempo das eleições a bico de pena. Nesta semana, a ponta do iceberg foi a desfaçatez do presidente em fazer propaganda da ex-ministra duas vezes seguidas — primeiro, em um evento oficial na sede do governo; depois, ao tornar a louvá-la no mesmo momento em que dizia se desculpar pelo ilícito da véspera.

Num dia, aparece o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, afirmando que só em 120 dias —  não antes do primeiro turno, portanto — divulgará as conclusões da sindicância interna sobre a violação do sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, com o mais do que provável intento de descobrir munição para alvejar a candidatura José Serra.

No outro dia, fica-se sabendo, em reportagem de Christiane Samarco e Leandro Colon publicada neste jornal, que o governo contrabandeou para dentro de um kit com materiais de defesa do voto em mulheres um discurso de 6 páginas de Dilma. O conjunto, com 3 mil livros, 20 mil cartazes e 215 mil cartilhas, foi produzido e distribuído pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, vinculada à Presidência da República.

O conjunto foi elaborado em 2008 e 2009, mas só foi impresso em maio último, aparentemente por atraso na liberação dos recursos. O custo total foi da ordem de R$ 70 mil, bancado por um convênio com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Dilma está presente no livro Mais Mulher no Poder: uma questão da democracia & Pesquisa Mulheres na Política com uma palestra que proferiu no ano passado em um seminário.

No texto publicado, a então ministra lembra a sua participação no combate ao regime militar e descreve a sua trajetória no governo, destacando o fato de ter sido a primeira mulher a ocupar a Casa Civil. A primeira reação da Secretaria foi negar qualquer intuito de promover Dilma. Mas em 2009 Lula já estava em campanha aberta por sua apadrinhada. E vinha de dois anos antes a informação de que ele a escolhera candidata.

A revelação de mais esse episódio de uso eleitoral da máquina administrativa acendeu o sinal vermelho no comitê da candidata. Com o jornal nas bancas, o assessor jurídico da campanha, Márcio Silva, apressou-se a procurar o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para prevenir o risco de um processo por abuso de poder econômico. Chegaram a pensar em recolher os kits incriminadores. Depois de consultar o Planalto, resolveu-se parar com a distribuição do material.

“Acabou, não tem mais”, disse Márcio Silva. Por via das dúvidas, opinou que “o material não é propaganda eleitoral”. Não é bem assim. Em primeiro lugar, só acabou porque a operação se tornou pública. Segundo, se não se trata de propaganda, por que a outra presidenciável, Marina Silva, do PV — que também foi ministra —, não foi chamada a contribuir para o livro ou a cartilha?

Por último, não se pode dissociar da campanha legítima pela maior participação da mulher nos centros de decisão política a dificuldade enfrentada até aqui por Dilma em reverter a preferência da maioria do eleitorado feminino por Serra, registrada nas pesquisas. E no Brasil há mais eleitoras (69,4 milhões) do que eleitores (64,4 milhões).

Mas isso é problema dela. O do País é frear as violações acintosas da lei eleitoral pelo governo Lula.

Por Reinaldo Azevedo

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25 Comentários

  1. Mario Mendes

    -

    20/07/2010 às 12:16

    Nunca é demais lembrar… nunca é demais deixar claro que a constante repetição da mentira não re-escreve a história. Dilma, Palocci, Zé Dirceu e sua turma não lutaram contra ditadura alguma. Queriam tomar o poder à força, para instalar uma ditadura comunista e foram impedidos em seus intentos, pelas nossas sempre vigilantes e atendas Forças Armadas (Glorioso Exército Brasileiro), que atendeu ao chamado da população e botou a quadrilha prá correr. Uns entregaram os amigos e foram soltos, outros fugiram do país e ficaram esperando a anistia. Agora posam de “heróis revolucionários”. Bando de mentirosos, covardes, que ainda recebem aposentadorias e indenizações pelos atentados que cometeram contra a democracia e contra o povo brasileiro.

  2. Ademar

    -

    19/07/2010 às 12:00

    “Acabou, não tem mais”. Erraram a vírgula. O certo é “acabou não, tem mais”.
    Sobre o “combate à ditadura”, é sempre bom lebrar, né: Dilma, a Var-Palmares, e todos os grupelhos terroristas de esquerda daqueles tempos não lutavam pelo restabelecimento da democracia. Queriam estabelecer uma outra ditadura, comunista, muito pior do que a dos militares. Uns a queriam maoísta, outros a queriam cubana, e por aí vai, mas o que mudava basicamente era a coloração das fezes, o fedor era o mesmo.

  3. A. BACCELLI

    -

    19/07/2010 às 0:58

    Hoje, ate’ que enfim, o PSDB, na figura do candidato Indio do Brasil, comecou a bater pesado na Dilma. E’ por ai’ mesmo. Chega de lisuras e de boas maneiras com um adversario que usa de metodos torpes e infames na conducao de sua campanha. Lula e Dilma tem de ser combatidos com as armas da verdade. O eleitor precisa conhecer o verdadeiro Lula e a verdadeira Dilma. Dois personagens amorais e perniciosos.

  4. A. BACCELLI

    -

    19/07/2010 às 0:36

    Nao adianta chorar o leite derramado nem reclamar na Justica. O PT, sabendo que nao lhe acontece nada, vai praticando toda a sorte de crimes eleitorais, de caso pensado, sabendo que a punicao so’ vira’ depois de o objetivo da acao ter sido alcancado. Enquanto nao hover julgamento rapido e punicao exemplar, de nada adiantarao blogs e mais blogs como o nosso. Nos protestamos veementemente e eles riem na nossa cara.

  5. Brasuca

    -

    18/07/2010 às 21:03

    Reinaldo,
    O que dizer da situação que nós brasileiros atravessamos?
    “(NUNCA DANTES NEZTE PAÍS) SE VIU TAMANHA CALHORDICE, SEM QUE NINGUÉM COM PODER TOMASSE UMA PROVIDÊNCIA PARA ACABAR COM TAL SITUAÇÃO.”
    O Brasil e seu povo inocente em termos de comunismo, ficarão eternamente sequelados por está turba de vândalos que hora ocupa o poder.

  6. Aldo

    -

    18/07/2010 às 12:59

    Seria um episódio a lamentar em nossa história a eleição de Dilma para a Presidência da República, pois teríamos que afirmar que, durante o processo eleitoral e mesmo antes dele, lançou-se mão de incontáveis abusos para que os brasileiros elegessem a primeira mulher para o cargo.

  7. Fabio

    -

    17/07/2010 às 21:49

    Uma cartilha destas nas mãos de um bom advogado pode gerar um processo por abuso de poder que no limite pode até impgnar a candidatura Dilma. A oposição não tenha dúvida que o PT entraria com ação por bem menos que isso.

  8. Claudia

    -

    17/07/2010 às 21:08

    Eles não desafiam a Justiça Eleitoral, eles cagam e andam pra ela. Minha filha de 12 anos me perguntou: Mãe se o Lula é tão ruim por que ele é presidente? Eu respondi secamente: Pra que tu aprendas a votar!

  9. silviop

    -

    17/07/2010 às 18:59

    Rei
    0 maior erro da Dilmaluca e do Lullarapio, parece, é tratar as mulheres como LOIRAS BURRAS, no sentido figurado. A mulher brasileira, é um símbolo de tranquilidade e equilibrio, e muita alegria, em sua maioria.E elas tem uma sensibilidade que me assombra. E pra todas que eu pergunto, a resposta vem rápido: Não vou votar nessa mulher, nem morta! Quando uma mulher risca um nome do mapa, pode contar meu amigo, a Dilmaluca já era!

  10. Vânia Cavalcanti

    -

    17/07/2010 às 17:30

    Olá, Reinaldo!

    Volta e meia o Estadão e a Folha têm estes soluções de decência e fazem excelentes editoriais sobre a deliquência da campanha da candidata-laranja, dá até vontade de voltar a ler os anteriormente mais vigilantes jornais paulistas.

  11. Tito

    -

    17/07/2010 às 16:09

    O grande medo é que as urnas eletrônicas sejam fraudadas. Com o Lewandovisky no TSE e o PT no governo, pode-se esperar tudo.

  12. Julia

    -

    17/07/2010 às 15:18

    A Dillma é uma péssima candidata a presidente, não porque é mulher mas porque é uma sombra do mito Lulla que é fruto da nossa ignorância política e da nossa má fé. A Dillma não nos representa enquanto gênero muito menos projetos, ela nos constrange com o seu despreparo e o seu servilísmo. Ela é o pior exemplo de uma candidata das mulheres no mínimo porque reproduz com o Lulla o que desejamos superar, a dependência de uma figura masculina. Dillma é uma co-dependente do Lulla e seu partido de manipuladores e mentirosos.

  13. Thiago Melo Teixeira

    -

    17/07/2010 às 15:06

    O Estadão esperava o quê? Governo federal fazendo propaganda para o PPS?

  14. Marília L.

    -

    17/07/2010 às 14:32

    Gostei da colocação feita pelo comentário Da Bahia, das 7:53. Bem que percebi algo estranho nessa estratégia de gênero, mas ainda não havia formulado opinião!

  15. Damata

    -

    17/07/2010 às 14:31

    O MOLUSCO JÀ DETECTOU QUE OS TORGADOS SÃO SUAS MARIONETES E FAZEM DELES COMEDIAS PARA QUE TODOS NÓA SAIBAMOS QUE SÃO TODOS UM MONTE DE BUNDAS MOLES PERANTE A ELE VOCES MIM MATAM DE VERGONHAS SEUS MONTES DE BOSTAS

  16. Marília L.

    -

    17/07/2010 às 14:28

    Muito bom esse editorial expondo fatos com clareza e não se omitindo e nem tentando misturar as coisas ( do governo e da oposição ) para minimizar falhas governistas.

  17. Pós-Lulla

    -

    17/07/2010 às 13:57

    Prezado Reinaldo. Estou imaginando como serão os tempos pós-lulla. Vejo o poder público como uma savana africana. A administração e o patrimônio públicos são corpos de antílopes e búfalos dilacerados por hienas implacáveis (lullas, sarneys, zédirceus, paloccis, genoinos, vaccaris, tarsos, berzoinis, renans, peemedebistas e outros prosélitos parasitários). As hienas se foram; comeram a carne, roeram os ossos e deixaram a carniça (rombos financeiros nas instituições, falta de obras, promessas não cumpridas, aposentados lesados, pilantras impunes, baixíssima auto-estima do povo, etc). Quem são os responsáveis que fazem a faxina e restituem a normalidade da Natureza? São os urubus, os servidores públicos! Ninguém dá valor aos urubus, apesar do relevante papel que representam para a Natureza. São os funcionários, principalmente os de carreira, aqueles legalmente admitidos no Estado pelo concurso público, que sempre arrumam a casa depois que as hienas e velhas raposas populistas, demagogos, pseudo-salvadores da pátria vão embora deixando lixo e podridão para trás. Você está certo, caro Reinaldo: “Governo bom, é governo chato!”.

  18. Curumim

    -

    17/07/2010 às 12:54

    Mulher brasileira, inteligente e sem preconceito, é a grande maioria. Por isso elas sabem escolher o melhor candidato, independente do sexo do candidato.

  19. facenova

    -

    17/07/2010 às 11:40

    Queremos o nosso dinheiro de volta.

    Foi aberto processo administrativo para ressarcimento dos gastos com esse material eleitoral e devidas punições aos servidores envolvidos como manda a lei?

    TCU????!!!! Câmara Legislativa????!!!!

  20. Mombassa

    -

    17/07/2010 às 11:30

    Sem essa, Secretaria das Mulheres e sua dirigente mor !
    Nos mulheres saberemos votar na pessoa que acharmos que podera ser o melhor presidente do Brasil ! Nao sera por ser representante do sexo feminino que seremos obrigadas ou dirigidas a dar nosso voto a Dilma. E a Marina, como fica ?
    Desconhecida nao eh ! Alias, tem uma historia de vida mil vezes superior daquela que estao querendo nos enfiar goela abaixo !
    Sou feminista e torco para termos mais representantes do nosso sexo na politica,fazendo coisas justas, engrandecendo as mulheres que pouco a pouco estao adquirindo direitos e o RESPEITO da populacao masculina.
    Salve Katia Abreu, Marina da Silva , Denise Frossard, Denise Abreu, e tantas outras grandes mulheres! Abaixo Idely Salvatti, Marta Suplicy, Dilma Roussef, Ana Julia Carepa
    e muitas outras que tiveram seus neuronios destruidos e esqueceram da luta de grandes feministas que trabalharam arduamente, deram suas vidas para que hoje possamos ter uma justa equiparacao na sociedade. Sejam justas, facam um retrocesso em suas vidas publicas e pessoais. Nao acredito que estejam representando com dignidade (se eh que conhecem o verdadeiro sentido dessa palavra), as mulheres brasileiras.
    Muitas de nos, aquelas que sao alfabetizadas e podem ler nas entrelinhas, saberao separar as rosas dos espinhos. Infelizmente voces nos envergonham pelo passado que ostentam e pelo presente que abracam. Tiveram a grande chance de alcar voo e cairam no brejo. Que desilusao !
    Ja que os homens que pertecem ao Judiciario nao enxergam ou nao podem abrir o bico , que venham as mulheres : Juizas, Procuradoras,Desembargadoras, Promotoras e Juristas colocar ordem e fazer cumprir as leis. Vamos mostrar porque somos Melhores e cada vez Maiores !

  21. Ricardo

    -

    17/07/2010 às 10:25

    Excelente. Foi direto ao ponto.

  22. roby

    -

    17/07/2010 às 9:44

    Perfeito; o Estadão — pelo menos em sua versão impressa — nunca deixa a desejar. Essa campanha está se tornando um completo deboche.
    Um aviso, tio Rei: o seu campo de compartilhamento não está funcionando.

  23. Elouquisa

    -

    17/07/2010 às 8:24

    Existem leis neste País,ou estamos num recanto selvagem?O Molusco acusa uma procuradora e fica por isso mesmo?Será que os procuradores e promotores não se dão conta de que serão os próximos?

  24. Da_Bahia

    -

    17/07/2010 às 7:53

    Não só o favorecimento à Dilma está errado.
    O Estado pedir que mulher vote em mulher também é um erro.
    É discrimitário, preconceituoso… e fere a igualdade de condições.


 

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