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O cerne da questão

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 | 23:08
Uma resposta impensada pode ajudar a pensar. Num dos pots, indaguei:
“Em que momento e fundamentada em que valor a sociedade vai declarar que a vida é inviolável?”

Ai me responde o leitor:
No momento em que existe um indivíduo dotado da faculdade da razão. Vida, afinal, não vale nada por si - matamos coisas vivas todos os dias sem a menor preocupação. É a vida de um ser racional que é preciosa, exatamente por ser ele dotado da capacidade de autodeterminação. A autodeterminação, no entanto, só pode ser exercida por um indivíduo - um ser independente. Não dá pra exercer autodeterminação quando sua existência é condicionada à de sua mãe. O ser humano, por ser dotado da faculdade da razão, adquire direitos no momento que nasce - quando se torna independente. E isso não é convenção social nem dogma religioso - é um fato.

Comento
Com mais ou com menos elaboração, a resposta padrão é essa mesmo. E é por isso que estou com a Igreja Católica nesse caso — como em muitos outros. O aborto, assim, poderia ser feito até minutos antes da plena maturidade do feto para o nascimento. Em nome do pragmatismo, estariam abertas as portas — e me digam por que não — para a produção de seres humanos que serviriam apenas ao propósito de funcionar como banco de órgãos. Aí, sim, de maneira inédita, a vida humana seria mercadoria — não mais uma metáfora, mas um fato.

Sim, leio uma coisa ou outra a respeito. “Ah, mas só seria permitido o aborto, por exemplo, antes da formação da estrutura neuronial” — ou coisa do gênero. Por quê? Ela é dotada de alguma vontade reconhecível, explicita, manifesta? Acho que não. E o que fazer com os deficientes, alguns deles brilhantes, mas dependentes, muitas vezes, da existência de terceiros, assim como um feto depende de sua mãe? Vamos atirá-los no precipício, como em Esparta? Sufocá-los com matinho no nariz, como os ianomâmis? Criaremos a hierarquia das vidas que valem a pena ser vividas?

Negar o princípio da inviolabilidade da vida já na concepção transfere a necessidade de um marco definidor para algum momento da trajetória humana. Quando? Que homem se sente à vontade para substituir a inspiração do Deus que consideram tão ditatorial e imperfeito?

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66 comentários em “O cerne da questão”

  1. Fabricio disse:

    “O ser humano, por ser dotado da faculdade da razão, adquire direitos no momento que nasce - quando se torna independente.”

    Doce ilusão desse povo, né? Se o problema é esse, então tem que inventar um novo argumento. Dizer que um recém-nascido - que depende da mãe para absolutamente tudo - é um ser independente é ridículo. Esse pessoal nunca viu um bebê pela frente, só pode…..

  2. Anônimo disse:

    A questão é simples como o Papa Bento 16 coloca:
    1 - de um lado o relativismo individualista que não vê o filho como sequência de nada e que logicamente será a favor da liberdade individual da mulher dispor do próprio corpo e abortar se assim desejar.
    2 - do outro lado o conservadorismo tentando passar os valores para os filhos e onde o indivíduo vale menos do que a família e seus valores.
    Senhores, façam suas escolhas.
    A primeira opçao é moderna, porém isto não quer dizer que é a melhor opção.
    Antigamente só existia a segunda opção.

  3. ph disse:

    eu sou a favor da liberalizacao do aborto até os 3 meses de gestaçao. ainda assim, seu argumento cheira a esquerdismo. o que é bom. apesar de que, nesse caso, é tao coservador quanto os esquerdistas estatistas. Para um bom argumento racional, com fundamentaçao kantiana, no mesmo sentido que o seu, deverias ler o “futuro da natureza humana”, na traduçao brasileira… do Habermas, um liberal qutem restriçoes caretas à qualquer tipo demaipulaçao genetica.

  4. Anônimo disse:

    Brilhante comentário, exemplos perfeitos.
    Precisamos continuar perguntando o que queremos como futuro. Até agora as repostas são de arrepiar o cabelo.

  5. jeanbafedonce disse:

    Esse discurso regado de números e curvas parece conversa “boa pra burro”.
    Parece. A fé é inquestionávelmente perene.
    Quem tem fé não está preocupado se “Deus está diminuindo” porque sabe de sua infinita grandeza.
    Se atentarmos bem, veremos que quem está à beira da extinção somos nós.O mundo caminha para uma nova era, sem o homem.
    Assim como os dinossauros, o homem está cumprindo um ciclo na Natureza, com o fim adiantado por ele mesmo: não vai precisar um meteoro gigante chocar-se com a terra.
    Quem herdará a terra? Talvez quem goste de heranças…
    Segundo a NASA, a calota polar se degela completamente até 2012.
    Antes da copa.
    Daqui a pouco. Rezem.

  6. Anônimo disse:

    Ao Johnsson

    Vc escreve muito mas deveria se interar de quem foi Teilhard de Chardin

    ele foi um teólogo farsante q chegou a falsificar provas a fim de comprovar a teoria da evolução

    Vide:

    http://www.montfort.org.br/

    em cadernos - sobre a evolução

    Mais. Não há nenhuma prova científica da evolução. Todas as reações químicas são comprováveis por experiênicas de laboratório. entretanto, a evolução baseia-se numa reação química que desconhece e por probabilidade em milhões de anos poderia acontecer sem comprovação no mundo empírico

    Muito científico aevolução, né ?

    Pergunto. Vc esperaria chegar numa praia e encontrar seu nome escrito na areia ? Quem teria feito isso ? O mar por probabilidade ou alguem dotado de inteligencia ?

    evolução é a mesma coisa

  7. Anônimo disse:

    Os debates mais medíocres são com os ateus, pois seus argumentos são os mais bocós q existem

    Em qq polêmica é fácil deixá-los em contradição

  8. Anônimo disse:

    Pô anônimo das 5:21

    Pelo amor de Deus , meu filho !

    A única coisa que ACONTECE de impte na europa agora é a falta de EUROPEU !!!!!

    a europa esta virando um continente islamizado e é esta a tendência segundo as pesquisas demográficas.

    PEDE PRA SAIR !

    PEDE PRA SAIR !

  9. Paulo S disse:

    A questão é muito simples: pergunte às mais variadas pessoas quando a vida se inicia. Cada um dirá um instante diferente. Na dúvida é melhor ficar com a concepção. Assim não há perigo de errar e matar inocentes.

  10. Anônimo disse:

    CONTRA FATOS, NÃO HÁ ARGUMENTOS, SÓ AGRESSÕES.

    Por mais de 200 anos, o ateísmo tem conquistado um número cada vez maior de adeptos, sobretudo entre os países sócio-econômicamente mais evoluídos. Estima-se que haja atualmente no mundo cerca de 750 milhões de pessoas que não acreditam em Deus. Um grupo que ocupa a 4ª posição no ranking composto pelo cristianismo, em primeiro lugar, com 2 bilhões de fiéis (considerando-se católicos, protestantes, anglicanos, luteranos, ortodoxos, além de mais de 39 mil tipos de denominações em 238 países), seguido pelo islamismo – a religião que mais cresce – com 1,2 milhão de seguidores, e o hinduísmo, com 900 milhões de praticantes.

    Segundo o teólogo e escritor Russel Shedd, PhD em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, os números tendem a crescer ainda mais, sobretudo entre os ” países mais ricos “. “Vai-se viver como se Deus não existisse. Isso não quer dizer que todo o mundo está se tornando ateu, mas há uma modernização. As pessoas têm o que desejam: emprego, família bem cuidada, plano médico etc., quer dizer, supostamente não precisam de nada, nem de Deus”.
    O diretor do Instituto World Values Surveys e cientista político da Universidade de Michigan, Ronald Inglehart, concorda com esse argumento e diz que nas sociedades caracterizadas pela ” carência ” na distribuição de alimentos, precariedade nos serviços públicos de saúde, de moradia etc., o índice de religiosidade tende a aumentar. Por outro lado, em nações onde há fartura e excelentes serviços nas áreas citadas, a fé tende ao desaparecimento.
    Nos últimos 100 anos, o ateísmo cresceu, na Europa, de 1.7 milhão para 130 milhões de pessoas. Porque é que este continente se está a distanciar de Deus?
    O continente que um dia foi luz para o mundo, hoje vive na escuridão da fé, no entanto, deterá para sempre o título de honra: maior propagador do evangelho no mundo, o centro institucional, de onde, por mais de 1000 anos espalhou-se as “boas novas” sobre Jesus Cristo.
    Contudo, as pesquisas mostram que este tempo está no fim. A Europa passa por um processo de secularização extremamente significativo e está excluindo Deus da vida das pessoas.
    Citado numa reportagem da CBN News, Richard Miniter correspondente do Jornal inglês The London Sunday Times, em Bruxelas, na Bélgica declara: “Quando dizes aos europeus que vais à igreja ao domingo, as pessoas olham-te como se fosses uma peça de museu”. Menos de 5% da população europeia vai à igreja, e dentro deste percentual incluem-se os católicos. Apenas 3% do público frequenta cultos regularmente e destes 3% metade são negros. Apenas 5% da população européia é negra.
    A Europa continua a ser o centro cultural e intelectual do mundo - para alguns pode ser uma realidade muito distante, para outros, mais familiarizados com a globalização, algo muito próximo. As idéias da Europa viajam o mundo como um vírus de computador. Fato é que os tentáculos da secularização européia chegarão a outros continentes e invadirão igrejas provocando efeitos semelhantes. Mais cedo ou mais tarde isto acontecerá, é só uma questão de tempo.

  11. Anônimo disse:

    Sem se aperceber, o leitor em questão atirou no próprio pé. Suas palavras são desprovidas de um mínimo de razão, o que o habilita a praticar o suicídio.

  12. Anônimo disse:

    Não faço parte da frente anti-católica,apesar de agnóstico acho mais viável um mundo melhor repleto de bons católicos do que de ateus,agnósticos,evangélicos e afins.Mas quando a Igreja Católica entra em campo tio Rei comporta-se como um mero torcedor.Digo isso por causa da discussão a respeito do uso da camisinha.Nada contra a Igreja defender a castidade e a fidelidade,eu mesmo acho que estes valores deveriam ser difundidos,principalmente entre os jovens.Me preocupa o fato das pessoas estarem iniciando a vida sexual tão precocemente.Mas o Vaticano tem uma posição muito radical em relação ao uso do preservativo.Na prática é proibido até mesmo entre casais católicos legalmente constituídos,mesmo quando um dos cônjugues é portador de uma doença sexualmente transmissível.Até aí,tudo “mais ou menos bem”,afinal só é católico quem quer.Só que a Igreja poderia ter uma postura mais sensata em relação a políticas que dizem respeito a toda a sociedade.Algo como “seja casto,seja fiel,mas se não quiser me dar ouvidos pelo menos use camisinha”.Não penso que isto iria contra seus princípios.Ao invés disso vejo religiosos fazendo campanhas absurdas contra o preservativo dizendo que o vírus é capaz de atravessar o látex.Outra questão interessante,colocada dias atrás por um leitor do blog,é que as pessoas estão casando-se cada vez mais tarde.Como farão para segurar a onda até por volta dos trinta?Afinal,masturbação também é pecado!Mas se é para criticar ou mesmo fazer algum tipo de reparo em relação as posições da Igreja,Reinaldão tira rapidinho o seu time de campo!

    P.S.:Feliz Natal e um ótimo ano novo para você e sua família!Seu blog é um oásis de sensatez neste país absurdo.

  13. Anônimo disse:

    Parabéns,reinaldo e Jeanbafedonce,que escreveu:”jeanbafedonce disse…
    Para o Anônimo 12:22

    A sua citoteca é pobre para rebater o post.
    Citar frases ou textos de ateus brilhantes não lustram seu ateísmo de cabresto.
    Admiro o trabalho de Chaplim e o tenho como o têm outras milhões de pessoas mundo afora,por gênio. Porém isso não me move a crer - descrer no caso - em seu vazio espiritual.
    Você cita vários ateus, que têm equivalentes crentes tão ou mais brilhantes que eles.
    Mas não os citaria, isso é ridículo.
    Não tem espírito.”

    Ps.:Subscrevo o que ambos escreveram!

  14. Maria Helena disse:

    “…no momento que nasce - quando se torna independente”? Eu nunca vi um guri de idade alguma - muito menos bebê - trabalhando, pagando suas contas, dirigindo carro, casando, fazendo Supermercado, tomando decisão, fazendo opções… Está louco, ó meu?! É exatamente pelo fato de o ser humano ser dotado da faculdade da razão e por não ter sido consultado se queria ser gerado, ou não, que ninguém tem o direito de matá-lo. Porque ele é diferente de um PORCO.

  15. jeanbafedonce disse:

    Para o Anônimo 12:22

    A sua citoteca é pobre para rebater o post.
    Citar frases ou textos de ateus brilhantes não lustram seu ateísmo de cabresto.
    Admiro o trabalho de Chaplim e o tenho como o têm outras milhões de pessoas mundo afora,por gênio. Porém isso não me move a crer - descrer no caso - em seu vazio espiritual.
    Você cita vários ateus, que têm equivalentes crentes tão ou mais brilhantes que eles.
    Mas não os citaria, isso é ridículo.
    Não tem espírito.

  16. carlos alberto disse:

    Reinaldo, só mais um argumento, mostrando como a vida parece não ter muito valor.
    O código civil brasileiro tem a seguinte disposição: Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
    O Código civil trata, básica mas não exclusivamente, das relações patrimoniais. Então os direitos patrimoniais do nascituro estão protegidos desde a concepção, e ninguém fala ou pretende que isto mude.
    Quanto ao direito à vida, no entanto….

  17. Pedro disse:

    A questão, reinaldo, é muito mais complicada do que as 19 linhas da tua resposta. Impedir o sofrimento da morte de um feto é garantir o sofrimento da mãe que não quer ter aquele filho, ou, talvez, garantir que, uma vez entregue a clínica de adoção, a criança fique sujeita às repressões, mesmo que indiretas, da sociedade para com pessoas que não sabem quem são seus pais.

    Você não pode pensar na vida como uma simples chave “1 ou 0″. Ela é muito mais complexa do que isso. Envolve uma lista interminável de fatores. Eu acredito que o ponto fulcral esteja na questão de decidir a partir de que momento, quando ainda feto, as pessoas deixam de olhar para aquele minúsculo ser como uma coisa tão pequena e tão pouco desenvolvida a ponto de poder ser usada para pesquisa científica, e passam a ter afeto por ela.

    Abraços.

  18. Anônimo disse:

    Sou completamente favorável ao leitor racionalista, embora discorde do fato que o direito a vida seja no momento do nascimento, porque o bebê não é independente, não é autodeterminado e não usa a razão.
    Por que então concordo com a primeira parte referente a fundamentaçào do valor da vida? isto é, só tem valor a vida que usa da razão.
    Por que?
    Porque assim poderiamos eliminar legal e moralmente o Macunaima maximus que como sabemos é um ser que nào usa da razão. E também uma grande maioria de…

  19. Sandra disse:

    Reinaldo

    Tenho grandes dúvidas a respeito de aborto e uso de células-tronco embrionárias.

    Esses embriões pertencem ao estado? Se os pais não os usarem, o estado pode dizer: vocês estão enrolando demais; se não usarem logo esses embriões, nós os usaremos em pesquisas?
    Se o estado tem esse poder, quem garante que a gente vai para um hospital com ameaça de aborto e não tem nosso filho arrancado? Depois viria um pedido de desculpas: Não conseguimos salvar o bebê.

    Aquela lei que todo brasileiro era doador de órgãos caso não deixasse sua vontade contrária especificada na carteira de identidade não gerou pânico?

    Outra dúvida, dessa vez sobre aborto: simplesmente proibir o aborto mas não ter nenhuma preocupação com a criança que vai nascer não é uma maneira de manter a consciência tranqüila sem esforço? Obrigamos a mãe a ter o bebê, e a partir daí lavamos as mãos, já que nenhuma lei pode obrigá-la a amá-lo, ou pelo menos não odiá-lo. Quantos de nós, por exemplo, adotariam uma criança com alto grau de deficiência física ou mental? A gente até pode dizer: mas se fosse meu filho eu cuidaria e amaria. É verdade, mas e se não for meu filho? Viverá abandonado numa instituição? Virará fornecedor de órgão? Essas crianças não têm como lutar pelos seus direitos. São totalmente indefesas. São saídas fáceis tanto abortá-las quanto obrigá-las a nascer e não nos preocuparmos mais com elas.

  20. Luis Antonio disse:

    Reinaldão,

    temos hoje a fertilização in vitro onde no seu processo de seleção dos embriões, ou pré-embriões, os rejeitados são mantidos congelados por um determinado tempo até seu descarte definitivo. O apelo dos cientistas parece-me razoável, ora, se os embriões congelados serão eliminados, o que impede sua utilização para um fim absolutamente voltado para o bem, ético, ou seja, diminuir o sofrimento de uma pessoa? Não há no descarte do embrião uma providência divina, mas um julgamento baseado em critérios científicos.

    Será mais ético, então, que aquele embrião seja novamente rejeitado, impedido de, ao menos, dar a possibilidade da continuidade da vida para um outro ser humano?

  21. Anônimo disse:

    Eu discordo dessa analogia que os abortistas fazem, alegando que se uma pessoa com morte cerebral está morta então um feto que ainda não desenvolveu o sistema neural também está morto. São situações completamente distintas, já que a morte cerebral é considerada “morte” pois é uma situação de perda de consciência irreversível. Já no caso do feto a consciência está se desenvolvendo, o que só não ocorrerá se ele for assassinado antes disso.

  22. Anônimo disse:

    CITAÇÕES

    Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.
    Einstein

    Para mim, um homem rezando e outro portando um pé de coelho para lhe dar sorte são igualmente incompreensíveis.
    Mencken

    O fato de um crente ser mais feliz que um cético não é mais pertinente que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.
    George B. Shaw

    Por simples bom senso, não acredito em Deus. Em nenhum.
    Charles Chaplin

    Governar acorrentando a mente através do medo de punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força.
    Hipácia

    A religião é um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável e que, por outro lado, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustrações que tenha experimentado aqui. O homem comum só pode imaginar essa Providência sob a figura de um pai ilimitadamente engrandecido. Apenas um ser desse tipo pode compreender as necessidades dos filhos dos homens, enternecer-se com suas preces e aplacar-se com os sinais de seu remorso. Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida. Mais humilhante ainda é descobrir como é vasto o número de pessoas de hoje que não podem deixar de perceber que essa religião é insustentável e, não obstante isso, tentam defendê-la, item por item, numa série de lamentáveis atos retrógrados.
    Sigmund Freud

  23. José Marcos disse:

    Caro Reinaldo, sem querer falar sobre o mérito da questão, porque as vezes pensamos não só com a razão, sempre que vejo algum debate sobre Deus lembro-me de um texto na contra-capa do álbum Aqualung, do grupo inglês Jethro Tull, uma espécie de Eça de Queiroz da musica pop. Diz o texto: “e no início o homem criou Deus e o fez a sua imagem e semelhança, e viu que Deus era bom”.Qualquer um que saiba somar 2+3 percebe que o resultado será igual a 3+2, concorda? Então, pra que tanta discussão mesmo? Simplesmente não entendo. É como um conhecido que no msn colocou a frase “corinthias eu te amo e nunco vou te abandonar”. Ele tem mais de 55 anos, de idade…

  24. Anônimo disse:

    o problema é q o critério para a doação de orgãos é justamente o fim da atividade nervosa do doador…
    como fazer neste caso? cessar a politica de transplante de orgãos?
    eu sou contra o aborto,mas essa questão é dificil.

    humberto sisley

  25. Ubiratan Olivério disse:

    Reinaldo,

    Você conhece Peter Singer? É o filósofo líder do movimento dos animais. Leia algumas de uas idéias.
    “O seu trabalho mais abrangente, Practical Ethics (1979, com segunda edição em 1993), analisa detalhadamente porquê e como os interesses dos seres devem ser avaliados. Singer afirma que os interesses de um ser devem sempre ser avaliados de acordo com as propriedades concretas desse ser e não de acordo com o facto de ele pertencer a um grupo abstracto.

    Consistente com sua teoria geral de ética, Singer sustenta que o direito à integridade física está fundamentalmente ligado à qualidade de vida.

    Considerando que bebês em gestação e pessoas com deficiências não têm uma qualidade de vida mensurável, Singer afirma que o aborto, o infanticídio e a eutanásia podem ser justificados em determinadas circunstâncias, por exemplo, no caso de recém nascidos cuja vida iria causar sofrimento psíquico a si mesmos e aos seus familiares.

    Perter Singer também considera hemofilia e infecção urinária “doenças graves”, cujos doentes são passíveis de serem eliminado por meio da eutanásia.”

    Imagine se essa ética for considerada cientificamente superior a que temos hoje?

  26. Cris disse:

    Ah, Rei,

    E mais: será que custa tanto assim ser responsável “pelo seu corpo”?! Se a mulher não quer engravidar, se é uma pessoa RESPONSÁVEL, ela se cuida. Básico! Ninguém sai fazendo sexo por aí sem querer, sinto muito.

    Outra coisa: um aborto é um procedimento que tem riscos. Não é como tomar uma coca-cola. O bom seria avita-lo a qualquer custo, nem que seja por motivos puramente egoistas. Quem pensa que não dá problema, está redondamente enganado.

  27. Cris disse:

    Rei,

    Só queria dizer que, como mãe de tres filhos, não consigo entender como alguém pode defender o aborto. Quem já ficou grávida, quem já acompanhou a gravidez de uma companheira (não “cumpanhêra”, ok?), não conseguiria fazê-lo.
    Desde muito cedo, a mãe já sente o “peixinho” na barriga, sente a vida presente. Depois que se vive isso uma vez, duvido que se tenha coragem. Ou a desumanidade.
    Sem colocar religião no meio, ok? Nem é preciso.

  28. Carlo Rocha disse:

    Reinaldo,

    Acho que a luta contra o aborto é perfeitamente legítima, a vida humana é inviolável.
    Mas, em nome da coerência, você também deve ser contra a doação de órgãos.. afinal, para serem doados, os órgãos devem ser retirados de um ser humano com morte cerebral, mas, técnicamente vivo - suas células ainda estão vivas, seu coração ainda bate, seus órgãos funcionam e, através de aparelhos, pode ser mantido assim por muito tempo.
    A vida humana é inviolável, mas o critério para definir seu início deve ser o mesmo para definir o fim.

    Creditar os assassinatos cometidos pelo marxismo ao ateísmo é “delinquência intelectual”, fosse assim todos os assassinatos cometidos por pessoas/governos teístas teriam que ser creditados às religiões. Essa competição de cadáveres é loucura.

    O cristianismo teve sim mérito ao trazer o homem à consciência individual, mas ele não é moral por sí.
    A verdadeira moral está na consciência individual, quando o cristianismo se afasta dessa consciência (e temos diversos exemplos) ele torna-se tão imoral quanto qualquer coletivismo. O individualismo também não é dependente do cristianismo, pode existir com ou sem ele.
    Historicamente as religiões foram meios de se perpetuar comportamentos reduzindo os questionamentos sobre seus motivos. O cristianismo trouxe “comportamentos” mais saudáveis, mas os motivos eram errados. Não se deve valorizar o indivíduo porque essa é a vontade de um “ser divino”. O indivíduo existe por sí, mesmo quando contraria o “ser divino”.

    Você critica os “militantes anti-religiosos”, também acho eles um porre.
    Mas, quando se trata de religião, você é um militante..

    De qualquer forma, um feliz natal para você e sua família.

  29. Roby disse:

    Tio Rei
    Esse é um assunto pantanoso para o qual não há resposta; quanto mais racionalidade, maior o cipoal.
    Um exemplo: do ponto de vista ESSENCIALMENTE BIOLÓGICO, o portador da síndrome de Dawn não é um ser humano, posto que ele tem 47 cromossomos (trissomia do cromossomo 21), enquanto nós, que publicamos argumentos, temos 46.
    E daí?
    Um abraço
    Roberto
    Guarulhos / SP

  30. Francisco disse:

    Alguém aí já assistiu ao filme ” A Ilha”? Esse filme , estrelado por Ewan MacGregor e Scarlet Johanson, retrata muito bem uma situação dessas, em que a vida passa a ser mercadoria. Quem ainda não viu, assista.

  31. Anônimo disse:

    Se a vida por si só não vale nada, tem que ser racional, o leitor do texto acima então deve se matar ou ser morto pelo Estado. Declaro que ele não é racional e não merece viver.
    Não é brincadeira: a declaração acima pode ser feita dentro do sistema de valores do leitor infanticida. Se a definição da vida é relativa, no final das contas quem detêm o poder é quem decide quem vive. Daqui a 30 anos, quando esse cara estiver em uma cama de hospital e sofrer eutanasia, vai estar colhendo o que plantou.Ou talvez ainda antes, quando estiver desempregado e não for parte produtiva do sistema marxista, deixem ele morrer de fome. Afinal, a vida por si mesma não vale nada.

  32. Anônimo disse:

    Reinaldo, em que momento na história a igreja definiu que o momento da fecundação deve ser considerado o início da inviolabilidade da vida ?

  33. Anônimo disse:

    Muito lúcido e ponderado o comentário do marcelo 12:25
    Estou totalmente de acordo.

  34. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo,
    1-a fecundação é um marco divisório como qualquer outro.
    2- é também arbitrário como qualquer outro.
    3- não se trata da inspiração de Deus, mas de uma definição puramente humana.
    4- é um evento 100% biológico, como o momento em que o óvulo ou os espermatozoides são formados.
    5- como você mesmo afirma você escreve muito bem e muito bonito o que não significa que você esteja certo.

  35. Venezolano disse:

    Eu acrescentaria que esse limite de “autodeterminação” e “consciência racional” certamente não é o nascimento. Este mesmo raciocínio permite o infanticídio ou o homicídio de crianças até uma certa idade, assim como o homicídio de homens e mulheres de qualquer idade sem o gozo das faculdades racionais de um ser humano mediano.

    Não é difícil perceber a barbárie latente em tal noção.

    Um dos critérios de uma verdadeira civilização é o reconhecimento, aos mais humildes e mais frágeis, independentemente da faixa etária, do estado de saúde e de retardamento mental, de todas as circunstâncias especiais, de que eles possuem o mesmo grau de humanidade de todos nós.

    Eu me reconheço no embrião, no feto, no portador de Síndrome de Down, no doente terminal comatoso - irmãos na humanidade.

  36. Mario disse:

    Repito este offtopic, principalmente, para aqueles que estão se aterrorizando por causa de um tal de aquecimento global, que é uma MENTIRA (mais uma) dos esquerdiotas.

    Neste artigo, o geofísico David Deming PROVA, COM FATOS, que, em verdade, nos 2 últimos anos, em muitas regiões da Terra, foram registradas as temperaturas mais baixas que se tem notícia. Vale à pena ler:

    http://www.washingtontimes.com/article/20071219/COMMENTARY/10575140

  37. Johnsson disse:

    A propósito, esqueci de comentar…a medicina hoje em dia é capaz de lidar com prématuros de 5 meses, ate de 4! Há casos de crianças nascidas prematuras com menos de 200 gramas! O argumento da dependência maternal é “raso”. Um feto já desenvolvido neurológicamnte é um indivíduo, capaz inclusive de manifestar-se conscientemente movendo-se no utero materno e respondendo a estímulos. Outra falácia esta em dizer que a vida só é preciosa no caso de seres racionais. TODA VIDA é preciosa, de qualquer ser, não somos especiais, predestinados, os eleitos - somos apenas diferentes, e por conta de nossa inteligência alcançamos o ápice da cadeia predatória!

  38. Léo disse:

    Três curtos parágrafos, uma aula.
    A verdade deve ter um peso insuportável para pessoas com alguma deficiência cognitiva como parece ser o caso desse leitor -isso, na hipótese mais generosa. Daí a sairem com todo tipo de argumento, dos mais ingênuos, aos mais grotescos como esse. Foi uma das coisas mais idiotas que já li. No entanto sua resposta foi brilhante, ou poderia dizer, divina. Momento de iluminação.

  39. Johnsson disse:

    Finalmente, Reinaldo, sabemos hoje que a religião cristã (a igreja católica é uma das muitas vertentes) que fundamenta-se na Biblia, principalmente no Novo Testamento. E ja não é novidade que a bíblia tal como a conhecemos, com os seus evangelhos foi compilada em Constantinópla de acordo com os interesses e crenças daquele momento, ou seja, haviam “outros evangelhos e escritos” que foram deixados de lado. Alem disso, ao longo de dois milênios as traduções e interpretações vem acompanhando a ecolução das civilizações. Cabe então a pergunta: 2 mil anos não é nada na escala evolucionaria, sequer 2 milhões representam algo muito significativo! Com os avanços científicos que cenário poderemos extrapolar para daqui a 10 mil anos?
    Gosto de pensar como Theiard de Chardin - em escala cósmica tudo é possível…e não precisamos ir longe, as ruinas de Ur, as grandes pirâmides há eras estão sob a areia, assim como os templos Maias perdidos em meio a floresta.

  40. Johnsson disse:

    Quanto ao “banco de orgãos”, não esta longe o dia em que a ci6encia permitirá o cultivo de células geneticamente manipuladas, capazes de assumir qualquer configuração. Assim como temos hoje em dia próteses sintéticas de cristalino, teremos orgãos e/ou membros “fabricados sob medida” para os usuários necessitados, sem necessidade de clonagem e/ou utilização de fetos.

  41. Johnsson disse:

    (contnuação) Por outro lado, o estudo da biologia embrionária já vinha demonstrando que nos primeiros momentos todos os embriões de vertebrados são extremamente similares. Seres humanos em determinada fase mostram sinais de cauda ou possuem algo similar a guelras!
    Sim, voce citou a “estrutura neural” - o grande ponto X da questão!
    Nos dias de hoje uma pessoa com morte cerebral (que pode ser atestada por equipamentos) segundo o codigo civil esta morta e pode ter seus orgãos transplantados por exemplo (pergunto-me qual a precisão dessa aparelhagem…). Assim, poderiamos deduzir que um embrião sem uma “estrutura neural” por mais singela que seja estaria na mesma condição (se não me engano essa estrutura só existe após a 12 semana de gestação).
    É um debate longo sem dúvida.
    Pessoalmente, sou contra o aborto, tratando-se de um embrião com a minha genética, pois entendo que ao tomar conhecimento que existe uma possibilidade de vida originária de parte do meu ser (só entro com metade dos cromossomos) já é o bastante. Mas, respeito e tolero que outros pensem o contrário. Portanto, sou favorável a uma flexibilização legal que permita ao indivíduo tomar para si a decisão de adotar ou não o aborto até a 11a semana.
    Claro que a reboque existirào muitas outras exceções, e cada uma, creio eu, a ser tratada em conformidade com a(s) sua(s) especificidade(s).

  42. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    Eh o velho fetiche utilitarista. O idolo deles eh o Peter Singer. Aquele pra quem eh injusto comer carne mas justo matar bebes.

    O curioso eh que essa mesma etica da soma dos sofrimentos embasou o nazismo.

  43. Johnsson disse:

    Prezado Reinaldo, como leitor de Stephen Jay Gold, e portanto darwiniano compartilho do pensamento que em algum lugar, de um longínquo passado, um ser ancestral primitivo originou aqueles que viriam a ser designados pelo homo sapiens como vertebrados. Sim, todos nós vertebrados temos um ancestral comum lá no Deus me livre. Desta forma a alguns anos eu venho me perguntando, em que momento foi inserida a “alma” ou o “espirito” nesse vertebrado singular bípede capaz de raciocinar? Em que instante da evolução foi ele “eleito” sêr superior? partindo desse pressuposto, entendo que todo ser vivo é especial, e esta no mesmo patamar. (continua)

  44. Carlos Octaviano disse:

    “Que homem se sente à vontade para substituir a inspiração do Deus que consideram tão ditatorial e imperfeito?”

    Minha mulher está com seis meses de gravidez e a bebê é tão minha fi8lha agora, dentro do útero, quanto será daqui a algum tempo, fora dele.

    Quando falo junto ao ventre de minha mulher, ela se bole, interage…

    tenho uma profunda emoção ao perceber esses mexidos, e creio que não haverá nenhuma grande diferença entre o que sinto agora - obra de Deus ou minha e de minha mulher, entendam como quiserem - do que o que sentirei daqui a três meses ou mais, quando a bebê já for nascida…

    Enfim, a emoção que sinto não me permite entender aquela vida como não-vida. E tirá-la, por qualquer razão, me seria tão repugnante como tirar qualquer vida já nascida. Ou até mais…

    E assim foi durante toda a gestação. Não um marco inicial.

    Eu que passo por essa experiência, só consigo crer que o ser humano capaz de tirar uma vida uterina é, simplesmente, capaz de tirar uma vida. Qualquer que seja o adjetivo dela…

  45. LIGHT disse:

    Meu Rei,
    É muito bom ver pessoas defenderem seus pontos de vista sobre religião, fé, credo…
    Devemos respeitar a todos, pois cada pessoa é responsável pelas sua opções.
    Eu por exemplo sou agóstica, me recoloquei depois dos 30 anos pois cheguei a conclusão que SÓ SEI QUE NADA SEI.

  46. Anônimo disse:

    quando ingenuamente sao petistas , esquerdistas, humanistas…..mas mal sabem eles que sao petralhas esquedopatas, humanoides de uma ideia que nem vaga é… anatema seria elogio.

  47. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    seus posts deste dia 21 são presente de mago para o aniversariante do dia 25.

    No blog, hoje houve aquela Luz
    da Estrela de Belém.

    Que ELE te abençoe sempre.

  48. Mario disse:

    Não sei qual é a idade do sujeito que deu essa resposta, mas, independente da idade, pergunto: julga-se um ser (humano) completamente formado, como diz, com “autodeterminação”? Se positivo, com que idade?

    Pelo seu raciocínio, pode-se “eliminar” qualquer um antes de atingir essa idade, SE atingir.

    Em tempo: tenho uma foto de um útero que foi aberto para uma cirurgia num feto de 87 dias. A mão do bebê, claramente, segura o dedo do cirurgião, como que a tentar impedir que seu mundo seja invadido.

  49. Cris disse:

    Posso façlar bobagem, mas um beb~e é completamente dependente da mãe, por um bom tempo. Alguém já viu um bebê independente!? De repente, ele é mais independente dentro da mãe do que fora dela.

  50. Away de Petrópolis disse:

    Fico com Olavo de Carvalho, todos os pró-aborto devem começar dando o exemplo, abortando a si próprios retroativamente.
    Essa imbecilidade é tamanha, que não pensam nem em suas próprias vidas, pois muitos não tiveram seu próprio nascimento planejado por seus pais e, se eles (os pais) fossem abortistas…

  51. Norma disse:

    Humilha sim. Melhor pagar mico agora, diante dos homens, do que pagar mico Naquele dia, diante de Deus. :-)

  52. um leitor disse:

    “O ser humano, por ser dotado da faculdade da razão, adquire direitos no momento que nasce - quando se torna independente.”

    Independente de quem ou de quê cara-pálida?

    Que poder de escolha tem um bebê recém nascido?

    A lógica dos abortistas é bizonha…

  53. Julio disse:

    Tão animador ver alguem famoso como você e olavo de carvalho não tendo vergonha de falar de Deus. Às vezes dá um desanimo tão grande que a única vontade que fica é que o inferno venha logo para abocanhar esta corja ruim.

  54. Pepe disse:

    Eu creio que a vida humana começa um óvulo é fecundado.
    E quero que alguém prove cientificamente que isso não é verdade.
    E que prove que eu não tenho o direito de assim pensar, e agir de acordo com meu pensamento.
    A minha opinião pode ser contradita mas o meu direito a pensar não pode ser usurpado.
    Abaixo a ditadura dos politicamente corretos!

  55. Anônimo disse:

    Meu caro Reinaldo, sou eu de novo, aquele seu fã de carteirinha. Que importância tem o seu argumento, para um ateu? Pára com isso! Você é o que há de melhor para tratar das questões deste mundo. O Apedeuta, que não hesita quando lhe convém em pendurar uma imagem de nossa senhora na lapela, como o fez logo após Duda Mendonça confessar o crime, deve adorar vê-lo em apuros para defender suas convicções religiosas. Repito: você é imbatível no aqui agora… O resto é mar!

  56. Anônimo disse:

    Prezado Reinaldo,

    A parte final do seu ‘post’ está irretocável. Este é o problema: não se pode tranferir ao Estado ou a quem quer que seja o direito de julgar quando uma vida é útil ou desejada.

    De algum modo, a questão remete àquele excelente artigo seu, se não me falha a memória, “O direito de regar gerânios”, publicado por ocasião do assassinato legalmente protegido de Terri Schiavo.

    A vida é fato, não uma tese ou fruto de um conceito abstrato. Querendo ou não, o pequeno ser que cresce dia a dia no ventre materno é-nos um semelhante. Ceifar sua vida no altar do comodismo ou da eugenia é dar a quem avoca esse direito de dispor da nossa própria vida ao seu talante.

  57. Anônimo disse:

    Que homem se sente à vontade para substituir a inspiração do Deus que consideram tão ditatorial e imperfeito?

    Ouso responder: homens do calibre do ministro Temporão, infelizmente.

  58. Benedictus Blackwhite disse:

    Ó, céus! O argumento da racionalidade é o mais pobre que há. Morte aos irracionais é o ápice da… irracionalidade.

  59. Luiz Cézar Rocha disse:

    Prezado Reinaldo,

    acho que estas questões éticas que se colocam atualmente, que envolvem vida e morte, engenharia genética, atualmente rotuladas como bioética, são fundamentais, porque nos fazer refletir sobre nossa existência e nossa essência.
    Muitas questões são difíceis de se resolver, fora do caso concreto. É claro que o feto está vivo a partir do momento da concepção. Por este raciocínio, qualquer aborto seria homicídio. No entanto, nossas leis aceitam o aborto quando a gravidez é fruto de estupro, e o feto está tão vivo neste caso como nos outros. Também uma pessoa com “morte cerebral” está viva, apenas não tem o domínio de determinadas faculdades mentais. Neste caso, desligar os aparelhos também seria homicídio. Pode-se alegar que, neste caso, a vida é mantida “artificialmente”. Ora, qualquer doente tratado com medicamentos sem os quais ele morreria, também é mantido vivo de forma “artificial”. Seria possível então deixar de dar os medicamentos, sem que fosse homicídio?
    Eu não sou simpático ao aborto, não acho que sua descriminalização seja uma vitória da libertação feminina, mas também acho que, socialmente, talvez seja melhor permití-lo do que conviver com milhares ou centenas de milhares de abortos praticados todos os antos das formas mais infames.
    Hoje o aborto é crime. Não vejo aqueles que são contra a descriminalização defender a aplicação da atual lei penal, mandando para a cadeia, todos os anos, centenas de milhares de mães e médicos. Se defendemos que o aborto é crime, devemos logicamente defender a aplicação da lei.

    Essas são só algumas reflexões sobre questões complexas, sobre as quais tenho mais dúvidas que certezas. Um abraço e parabéns pelo seu sempre inteligente e crítigo blob.

  60. Marcelo disse:

    A definição do início da vida é tão arbitrária quanto a de fim da vida. Hoje falamos em morte cerebral. Não era assim a até menos de 50 anos. Hoje retiramos o coração de um paciente em morte cerebral e transplantamos em outro indivíduo. O coração ainda bate. O sujeito ainda está “vivo”, de acordo com a tua definição de vida, iniciada na concepção, isto é, quando se forma o novo DNA.
    O óvulo fecundado está muito distante de ser um indivíduo. Se não se fixar às paredes do útero, será expelido.
    Os cientistas não podem decidir sozinhos sobre o início ou final da vida. Isto pode muito bem estar determinado em forma de lei. Impor o medo e falar em “massacre de bebês” quando se falam em pesquisa de células-tronco embrionárias é fazer terrorismo sobre algo muito sério. Sabemos bem o que é um bebê, o identificamos claramente como humano, nos horrorizamos quando mães abandonam crianças. Exite a mesma sensação com os óvulos fecundados que estão congelados em clínicas de fertilização? Ao olharmos para aqueles cilíndros temos o mesmo sentimento de quando vemos um berçario? Eu acredito que não. Respeito os teus questionamentos e sei que você está sinceramente preocupado quando vê muita gente “brincando de Deus”. Entretanto, o homem “brinca de Deus” desde sempre. Talvez tenha sido este o grande atributo que o criador nos deu.

  61. Anônimo disse:

    Quando eu leio comentários dos nossos ditos “católicos conservadores”, sempre me lembro de Bart Ehrman, que era um estudioso evangélico das sagradas escrituras.

    Ansioso por entender as palavras da Biblia no original, Ehrnam se tornou um dos maiores especialistas do mundo em escrituras.

    E qual o resultado dessa devoção, e desse estudo profundo das escrituras? Ehrman se tornou agnóstico, pois percebeu que grande parte da vida de Cristo (como nós a conhecemos hoje) foi inventada.

    Para um perfil de Ehrman, http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/03/04/AR2006030401369.html

  62. Anônimo disse:

    “Em que momento e fundamentada em que valor a sociedade vai declarar que a vida é inviolável?”

    No momento da formação da sensibilidade e não da razão, como pensa o pobre leitor “racionalista”.

  63. Anônimo disse:

    Por isso sou leitora deste blog Reinaldo. Como disse o outro leitor, xeque -mate. Ponto final.

  64. Anônimo disse:

    A pergunta certa eh que homem se sente a vontade com outro que nao Deus a fazer essa definicao.

    Candidatos a “Deus” existem varios,que se sentiriam a vontade com qualquer coisa, especialmente com poder.

  65. Anônimo disse:

    Muito chato querer ler a revista on line, usar senha e código de assinante, ligar para o 0800…, que só dá ocupado…..aborrecidíssimo!

  66. Anônimo disse:

    xeque-mate, reinaldo

    não humilha

    não humilha

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