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10/02/2009

às 16:54

O caso do caso dos dez negrinhos

A escola do filho pediu, e uma amiga foi comprar O Caso dos Dez Negrinhos, o clássico de Agatha Christie. Mas quê… Restam um ou outro de edições antigas. Nas livrarias, agora, o que se vende é E não Sobrou Nenhum, que foi o título que o livro ganhou nos EUA — And then there were none — para evitar as acusações de racismo. E olhem que a palavra “negrinhos” nem se refere a pessoas, mas a… estátuas! A assessoria da editora Globo diz que a mudança foi uma exigência contratual. Se for assim, o politicamente correto está virando uma “legislação” — sem legisladores — de alcance supranacional. “Negro”, no Brasil, não tem, obviamente, o significado ofensivo que “nigger” tem nos EUA. Se a mudança, lá, faz algum sentido (e olhem lá…), aqui não faz nenhum. Ademais, os livros, ainda que sejam atemporais, têm a sua época. Não cumpre corrigir o passado com os olhos do presente.

Daqui a pouco, vai haver gente querendo reescrever Monteiro Lobato. A boneca Emília ou vai presa sob a acusação de racismo ou termina num campo de reeducação racial para aprender a respeitar Tia Anastácia.

Por Reinaldo Azevedo
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79 Comentários

  1. Gabriel Birkhann

    -

    19/05/2011 às 20:41

    …E tentaram censurar Monteiro Lobato…

  2. fabaovb

    -

    10/03/2009 às 13:45

    “Daqui a pouco, vai haver gente querendo reescrever Monteiro Lobato. A boneca Emília ou vai presa sob a acusação de racismo ou termina num campo de reeducação racial para aprender a respeitar Tia Anastácia.”

    Perfeito!

  3. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 23:51

    What? Estou chegando tarde nessa história. Quer dizer que não sobrou nenhum negrinho?

  4. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 22:43

    E se fosse “O caso dos dez branquinhos”???Será que não precisaria ser mudado?

  5. Eduardo Bohrer

    -

    11/02/2009 às 12:49

    Daqui a poco não, Tio Rei. A vedação já existe. As professoras das escolas públicas do Distrito Federal foram orientadas a não recomendar livros de Monteiro Lobato porque não são politicamente corretos.

    Um pessoal ocioso que vive num sítio mas não trabalha na terra, uma negra em posição servil e coisas assim. Essas demonstrações do decadente espírito oligarca capitalista vão deteriorar a formação das crianças.

    Seria cômico se não fosse trágico.

  6. Marcos de Manaus

    -

    11/02/2009 às 12:00

    Arrisco dizer que a contoção de “negro” no Brasil e “nigger” (ou mesmo “negro”) nos EUA são opostas. Aqui, feio é chamar alguém de “preto” (lembremos que o feriado é o da Consciência Negra e não Preta). Já os negros americanos, ao contrário, preferem “black” (lembram do “black power”?).

  7. Laíse

    -

    11/02/2009 às 11:43

    Tem um livrinho (no sentido de pequeno) maravilhoso, tradução de original americano: Contos de fadas politamente corretos.
    É engraçadíssimo.
    Anão = vertialmente prejudicado.
    Careca = capilarmente desfavorecido
    E por ai vai…
    Os americanos estão na frente mas nós chegaremos lá e, ridículo ou não, alguém escreveu este livro, muitos compraram e deram boas risadas e o autor ganhou honestamente o seu “din-din”.
    A música Atirei o pau no gato já foi banida das escolas de elite de Salvador, prontamente substituída por sua versão pasteurizada. É divertido!

  8. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 10:51

    Bendigo aquele que colocou meu ancestral africano num navio negreiro e o trouxe para o Brasil. Livrou-me de estar hoje na África!
    Por aqui, há petralhas a enfrentar, mas isso é nada comparado ao desastre que é a África, que nunca foi “mamma” de ninguém, sempre foi madastra das mais cruéis, mais do que a da Branca de Neve.

  9. Na

    -

    11/02/2009 às 10:15

    Eu sou negão, eu sou negão, meu coração é a liberdade (música de Gerônimo que é mulato, quase branco) cantam os gringos pelas ruas de Salvador, com cabelos encarapinhados pelos dreads locks (é assim?). A música do bloco afro, chamado Muzenza diz - o negro segura a cabeça com a mão e chora, e chora sentindo a falta do rei (Bob Marley). Vale dizer que essas letras são compostas por negros. E aí, como é que fica?
    Preta Maria contou que o escrivão não queria fazer o registro do seu nome, então o pai questionou - e Branca, pode? De qual lado está o preconceito?
    Aqui, preta, pretinha, minha nega, neguinha, neguinho, negona, negão, são formas de tratamento muito carinhosas, não importa a cor da pele, a textura do cabelo, tanto que um dos maiores sucessos dos Novos Baianos diz - assim vou lhe chamar, assim você vai ser - preta, preta, pretinha… E naquela época tudo que queríamos era um rapaz para nos chamar de preta, pretinha.
    Por que esse pessoal metido a politicamente correto não vai participar de missões humanitárias nos países africanos onde o bicho pega?
    Tb li. Os livros de Agatha Christie são excelentes companheiros de viagem e ajudam a desenvolver o raciocínio.

  10. Constantine

    -

    11/02/2009 às 9:25

    Ei, o que se quis dizer com
    “O apanhador no campo de centeio? (The catcher in the rye).

  11. Paulo Urbano

    -

    11/02/2009 às 8:40

    Eu estou com um problema, nasci em Rio Negro, que para ser politicamente correto devo dizer sou natural de Rio Afro-descendente, que coisinha mais fofa!!!!

  12. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 7:33

    Reinaldo
    Eu já falei aos meus filhos que se os chamarem de “branquelos” é para xingar de racista, dar queixa na delegacia e processar… Se essa imbecilidade anda solta por aí, então o “politicamente(in)correto e chato” é para todoas as raças. Se me chamarem de galega burra, eu vou processar…Se me xingarem de “dona Maria” no transito eu vou processar…Que mundinho aborrecido…

  13. Carla Pola

    -

    11/02/2009 às 1:34

    Olha,

    não é por nada não, mas teremos que mudar o nome da lenda O Negrinho do Pastoreio???

    Passará a ser O Afrodescendente do Pastoreio????

    Isso já beira o ridículo!!!

    Carla

  14. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 1:25

    MUDARAM O TÍTULO? MAS NO ROMANCE PROPRIAMENTE DITO, COMO SÃO APRESENTADAS AS ESTATUETAS? SERÁ QUE AGORA SÃO PASTOREZINHOS EM PORCELANA DE SÈVRES?

  15. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 1:14

    credo até nisso o polticamnet corretop se mete
    é ofim 0-rei, éo fim

  16. Daniel

    -

    11/02/2009 às 1:12

    Mas Lobato já foi enquadrado. O tal do pó de pirlimpimpim, nos livros, é cheirado - de um canudinho. Na TV passou a ser polvilhado na cabeça das personagens. Pobre Visconde, não pode nem cheirar seu rapé…

  17. Blogildo

    -

    11/02/2009 às 0:25

    Se nao me falha a memoria o nome do livro era “Ten little indians boys”.

  18. Anônimo

    -

    11/02/2009 às 0:00

    Pois a escuridão é preta e a claridade é branca, e continuarei a dar os nomes aos bois pelo que são, não pelo que querem que eu seja.

    Hoje, no Jornal do Rio, o apresentador falou assim: “O que o consumidor ou consumidora possa exigir para ele ou para ela…”, e terminou embaralhando o que quis dizer. Também, com sua colega, tentou a todo custo provar que um episódio ocorrido em um supermercado foi por conta de ser a consumidora uma negra (uma mulata muito bonita e simpática, por sinal). Só que o advogado entrevistado não caiu na armadilha e levou muito bem a questão até o final.

    Que vontade me deu de reler a crônica de João Ubaldo sobre a cartilha do PT! Alguém a tem para nos brindar?

    Quero a Língua Portuguesa de volta!!!!!!!!!

  19. Luiz Andrade

    -

    10/02/2009 às 23:35

    Em um país, que com a provável aprovação da lei contra a homofobia, criminalizará trechos das Sagradas Escrituras, nada mais espanta.

  20. Luiz Andrade

    -

    10/02/2009 às 23:15

    Em homenagem seguem alguns trechos da tradução Sylvio Gonçalves, para a Francisco Alves Editora, da coletânea de contos, A Tumba, de um dos pais do horror gótico, H. P. Lovecraft, antes que passem por uma revisão ou sejam proibidos.
    “Um bote desembarcou uma horda de negros desordeiros insolentes. Repentinamente o líder dos visitantes, um árabe com uma boca detestavelmente negróide…” (Horror em Red Hook, )

    “Homens de força e honra construíram aquela Rua: bons e valorosos homens de nosso sangue que vieram das Ilhas Benditas. E as crianças ouviam e aprendiam as leis e deveres dos mais velhos, e daquela bendita Inglaterra.
    Então chegaram dias de maldade, pois as suas ( dos imigrantes) línguas eram ásperas e estridentes, e seu cheiro e seus rostos desagradáveis.” (A Rua).

  21. rocket

    -

    10/02/2009 às 22:13

    O politicamente correto já transpôs o limite do ridículo.

  22. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 21:55

    Há muitos anos, duas alunas abandonaram um curso em que apresentei a “Última Crônica” de Fernando Sabino por constar lá o termo ‘negrinha’. Uma, porque era mulata (posso dizer isso?) e a outra, branca, em solidariedade à primeira.

    Imaginei um trauma de infância….

  23. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 21:26

    A publicação original,no Reino Unido,lançada em 06/11/1939,tinha o título “TEN LITTLE NIGGERS”. Já o lançamento nos USA,em janeiro de 1940 trazia o título “And them there were none”.Ver Wikipédia,inglês.Sugiro aproveitarem e lerem Niggers,é muito interessante ver a evolução histórica do politicamente correto.
    A propósito,já notaram q há anos não se escuta Nega do Cabelo Duro,Mulata Assanhada? Estão “deletando” a nossa história! E,interessantíssimo,na USSR,em 1987 foi feito o filme “DESYAT’ NEGRITYAT”(Ten little negroes).A única adaptação cinematográfica q usou o final original da novela. Engraçado,não? Parece q por lá,eles tem menos PATRULHAMENTO q aqui 21 anos depois…e um PT no governo.

  24. Marcos F

    -

    10/02/2009 às 21:22

    Desliga os tubos, por favor!

    Não dá pra aguentar. O meu primeiro livrinho da Agatha recebeu título de piada de português?!

    Não é piada coisa nenhuma. É triste e me dá muita raiva.

  25. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 21:00

    Saudades do tempo em que a turma do Casseta & Planeta usava o termo “Afrodescendentezinho do Pastoreio” e isso era apenas uma piada…

  26. marina

    -

    10/02/2009 às 20:38

    isso é só o começo:
    em Londres a filha de Tatcher,Carol, foi demitida da BBC onde fazia parte de um programa, por ter feito um comentário ( fora do ar) referindo-se ao cabelo de um tenista como “golliwob” ( boneco de tecido preto).
    no dia seguinte, descobriram que a lojinha do palácio em Windsor vendia os tais bonecos e a rainha foi pressionada a agir e os bonecos não são mais vendidos lá.
    o mesmo aconteceu nos EUA
    c/ Don Imus, tbém demitido, fazendo piada com o cabelo de um time de meninas.
    ah, e na Inglaterra, uma enfermeira foi suspensa por ter dito a uma família que iria REZAR por eles.
    socorro !

  27. Ségolène

    -

    10/02/2009 às 20:35

    Saci pererê, além de afro-descendente, seria um portador de necessidades especiais.

    Ridícula essa novilíngua.

  28. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:29

    Reinaldo, então tá. Quer dizer que finalmente chegamos ao “1984″. Finalmente, estamos lidando com o duplipensar e a novalíngua. Quem será que está no lugar do Winston trabalhando nas modificações do passado?

  29. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:28

    Aqui no Rio Grande do Sul temos a lenda do “Negrinho do Pastoreio” que se depender deste bando de pautadores de vontades terá que virar “O pequeno afro-descendente do pastoreio” e o docinho que muitos chamam de brigadeiro, aqui no RS chamamos de negrinho, comemos negrinhos em todas as festas e como é bom! Vou ser acusado além de racista, de pedófilo!

  30. fsg

    -

    10/02/2009 às 20:27

    Ai, Jesus! Uma boa opção seria renomeá-lo para ‘O caso dos dez pequenos afrodescendentes’.

    O que fariamos com o sambista Neguinho da Beija-Flor então? Desfilará ele na Marquês de Sapucaí com a alcunha de ‘Afrodescendente da Beija-Flor’?

    Fabio

  31. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:26

    Musicas tipo: (O teu cabelo não nega mulata… Mas como a cor não pega, mulata), vão ser proibidas de tocar no carnaval????

  32. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:19

    Minimíssimo-conto:

    Lembram-se do caso dos dez negrinhos? Pois é… e não sobrou nenhum!

  33. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:16

    Tio Rei,

    “E não sobrou nenhum”???

    HAHAHAHAHAHAHAHA

    Contaram o final da história…

    JÁ NÃO VOU LER MAIS…

    BURROOOOOOOOOOOOOS!

    PETRALHAS POLITICAMENTE CORRETOS!

    ANIMAIS!

  34. Marco

    -

    10/02/2009 às 20:10

    Reinaldo,

    Será que o “afrodescendente do pastoreio” terá direito a cota entre as tiragens de livros infantis?

    Marco Antonio - Curitiba (PR)

  35. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:06

    Fico imaginado aquelas músicas que fizeram tanto sucesso no passado como ficariam…

    “ô afro-descendente assanhada que passa com graça fazendo pirraça fingindo inocente tirando o sossego da gente…”

    “Afro-descendente do cabelo duro qual é o pente que te pentea? Qual é o pente que te pentea?…”

    “Levanta, levanta afro-decendente, deixa de preguiçosa vai procurar o que fazer…”

    E a filha do Gil, hein? Na certa seria a “Afro-descendente Gil”

  36. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 20:02

    MORRO DE RIR

    E ao mesmo tempo me dá tristeza de ver tamanha boçalidade.
    Rei, como vamos chamar os moradores da cidade de Montenegro (RS)?
    - Monteafro?
    - E Rio Negrinho (SC)?

    Demitam essa turma de lá, enquanto é tempo!

  37. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 19:56

    Alguém questiona se o filme “Todos os homens do presidente” também mudará de nome.
    Que tal “A Corja”?

  38. Amigo da Democracia

    -

    10/02/2009 às 19:23

    Que nada!

    Depois do falecimento de Dona Benta (de saudosa memória), Tia Nastácia pegou o Sampaio, foi para casa de uma mulata sestreira, prima sua, que mora no morro atrás da Vila Isabel, e prestou o vestibular da UERJ. Apesar da colocação pífia (1435o. lugar) foi aprovada para o curso de Ciências Sociais. Já está falando contra a Veja, as Organizações Globo, é a favor do aborto e da eutanásia, é usuária ocasional de maconha e está se sentindo estranhamente atraída por uma professora da faculdade.

    A Emília, com bem gostava de dizer o Lobato, está enriquecendo. Através de um robô que ela pediu ao Visconde que inventasse, ela se fez passar por um sobrinho distante de Dona Benta, e assumiu a direção do sítio. Ela jogou o pó de pirlimpimpim sobre alguns animais do sítio e constitui a cada um deles uma tarefa. Está pagando regularmente os seus salários para evitar problemas com o INSS. Sua riqueza estava de tal forma chamando a atenção que ela trocou o arame farpado do sítio por um largo muro e desautorizou qualquer funcionário de dar entrevistas. Desde então não tive mais notícias dela.

  39. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 19:09

    10 pretinhos! 10 pretinhos pode?

  40. Kk

    -

    10/02/2009 às 18:58

    Minha mãe e minha irmã adoravamm a Sra. Christie. Quando fui le-la me sentí um tanto frustrada. Talvez eu não tenha sido muito feliz na seleção da obra pois achei meio chatinhos os tres únicos volumes que me animei a encarar na coleção completa de minha irmã. Me pareceu que a autora, a fim de manter a tradição de SEMPRE surpreender o leitor e faze-lo JAMAIS acertar um palpite em quem fosse o “culpado”, lança mão de truques fantasiosos, argumentos que roçam o absurdo e que, a meu ver, comprometem uma trama que poderia ser bem legal.. Agatha Christie? Passo, com ou sem afro-descendentes.

  41. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:55

    Sugiro outras atualizações de títulos de livros antigos:
    O Mulato = O Pardo
    O Bom Crioulo = O Bom afro-descendente
    O Cortiço = A Comunidade Carente
    O Corcunda de Notre Dame = O Cervicalmente Prejudicado de Notre Dame
    E, é claro, o escultor Aleijadinho deverá ser chamado, a partir de agora, de Deficientezinho Físico.

  42. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:42

    Reinaldo, certíssima a crítica com a chatice politicamente correta.
    Mas pensando de outra forma, o título “O caso dos dez negrinhos” não é tradução literal do nome original (”And then there were none”).
    Na verdade o título atual é que está traduzido corretamente. Sob esse enfoque, na verdade o erro estava na tradução do título anterior, e não na nova…
    É claro que o novo título não tem nada a ver com uma correção de tradução, pois certamente se baseou no lobby politicamente correto.
    Mas vale uma reflexão: não são absurdas essas traduções que nada tem a ver com o original? Quem é o responsável por alterar o nome conferido pelo autor a uma determinada obra em troca de outro qualquer que o sujeito ache melhor, por razões mercadológicas ou qualquer outra?
    Por que é que o filme “Giant” foi chamado de “Assim Caminha a Humanidade” no Brasil? Nada mais ridículo…
    Que tal um post sobre isso?
    Abraço,
    Eduardo

  43. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:37

    Lembrando que o “Atirei um pau no gato, to, to” já tem versão politicamente correta e … chata . E pensar que meu filho hoje com 29 anos outro dia me agradeceu por incentiva-lo a ler “Piratas do Tiete” do Laerte , quando tinha 7 anos. Não virou um monstro.

  44. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:33

    O título do livro de Agatha Christie se refere a uma canção infantil, na qual aparecem as duas expressões. Por sinal, a que se usa hoje para o título do livro é melhor para o gênero policial. Talvez por isto – e não APENAS por sensibilidades raciais - nos EUA, o livro SEMPRE se chamou “and then there were none.” Quando o livro foi publicado a primeira vez no Brasil, seus direitos autorais foram negociados com a editora inglesa e com o título vigente na Inglaterra. Mas o título americano foi o que sobreviveu internacionalmente, também por causa do filme (com Walter Huston…). Ao passar de uma editora para outra o contrato foi refeito e o nome então popular foi usado. É comum que autores e detentores de obras literárias exijam que as traduções mantenham os títulos, principalmente devido à deturpação feita muitas vezes. No Brasil, basta ver a idiotice da tradução de títulos de filmes; um bom exemplo foi a deturpação do verso de Yeats, num filme recente, premiado com o Oscar. E basta lembrar que, entre isto e colocar um título pouco inteligível no Brasil, Sallinger preferiu a segunda opção e aí temos “O Apanhador em Campo de Centeio,” que quase ninguém sabe o que quer dizer. Não creio que o problema tenha algo a ver com “politicamente correto.” Tudo indica uma clara razão comercial. E deixemos também da ideologia do “anti-politicamente correto:” o título “e não sobrou nenhum” é muito melhor que “O caso dos dez negrinhos…”
    Quanto a Monteiro Lobato – o que interessa não é Tia Anastácia, mas as comparações (e ilustrações) claramente racistas de “Emília no País da Gramática” ou a defesa do “eugenismo” nazista em “O Presidente Negro.” Sei que Lobato pensava de acordo com seu tempo – como Sérgio Buarque de Holanda elogiando os primeiros anos de Hitler, ou D. Helder Câmara declarando que “o Integralismo é o único axioma de salvação nacional” – mas isto não é razão para que defendamos idéias que eles possivelmente abjurariam hoje.

  45. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:32

    Reinaldo,

    Você se atrasou um pouquinho. Ano passado participei de um evento numa universidade e na banca de comunicações uma aluna denunciava Monteiro Lobato pelo racismo da Emília contra a Tia Anastácia.

    Augustus

  46. Rolling stone gathers no moss...

    -

    10/02/2009 às 18:29

    Quando comecei a ler o post, tava achando até engraçado, mas é simplesmente surreal. Eu li este livro há milênios…e agora vem com esta bullshitagem? E se fossem os dez mulatinhos? Eu ia me rebelar e ainda ia pedir Direito Autoral

    É piada, né?

  47. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:26

    Oi Reinaldo,

    mas já fizeram isso com o filme O Retorno de Jedi, naquela cena em que aquele rei lesma almoça uma dancarina, logo após reduzir seu tamanho. A cena que está nos títulos à venda hoje em dia é diferente da cena original.
    Temos ainda o caso do Tintin no Congo, em que o autor é acusado de racismo. A obra agora é proibida para menores de 18 anos em alguns países.
    Esse é um mal que assola o mundo ocidental. Enquanto isso, os inimigos da democracia tem mais certeza do que nunca, ainda que isso nos leve ao abismo e às trevas.
    Esses são dias desleais, meu amigo, como diria Renato Russo.
    Tudo passa, tudo passará.

    Abraços,

    Bruno

  48. Jeff-rj

    -

    10/02/2009 às 18:21

    Este livro e Cartas na Mesa são os meus prediletos de Agatha.

  49. Jeff-rj

    -

    10/02/2009 às 18:21

    Este livro e Cartas na Mesa são os meus prediletos de Agatha.

  50. Gabriel

    -

    10/02/2009 às 18:17

    O mais trágico é que o nome novo conta o final do livro!

  51. André Henrique

    -

    10/02/2009 às 18:17

    ESSE PESSOAL É CHEIO DE FRESCURAS. UMA VEZ EU ME REFERI A UMA MENINA COMO NEGRINHA. E AMIGA DELA DISSE QUE EU ESTAVA RACISTA. NEGRINHA PORQUE A MOÇA ERA PEQUENA. ASSIM COMO DIZER BRANQUINHA. OU PEQUENININHA ETC.

    TEM GENTE QUE TORCE PARA SER CHAMADO DE MACACO, PARA PROCESSAR E TENTAR UMA INDENIZAÇÃO.

    É CÚMULO DA HIPOCRISIA.

  52. Pedro Luís

    -

    10/02/2009 às 18:14

    Podemos pedir para mudar o título “o mulato” do Aluizio Azevedo para “o Afro-descendente”,hehehe

  53. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:08

    Anota aí, veremos a HISTÓRIA ser re-escrita por completo desde o inicio.

  54. nicolau

    -

    10/02/2009 às 18:05

    Podiam chamá-lo “O Caso dos Dez Indiozinhos”. Aqui, não tem problema.
    A não ser que o politicamente correto seja importado mais ainda dos Estados Unidos, e aí “índio” vai ter de ser substituído por “americano nativo”.
    Se começarmos a ver “brasileiros nativos” na imprensa, saberemos que será o fim.

  55. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 18:04

    Monteiro Lobato já é quase um escritor proscrito. Lembro não faz muito tempo que numa escola as professoras mudaram a letra de tradicionais cantigas de roda para que as mensagens fossem politicamente corretas. Não podia mas cantar “Atirei o pau no gato” pois na cabeça das mestras isto incentivaria a “crueldade contra os animais”.

  56. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:58

    Olha, não sei não, mas pelo que ando lendo acho que esse desejo de reescrever Monteiro Lobato não é para daqui a pouco, não. Já estão todos a postos, prontos para mudar as histórias.

  57. codnome v

    -

    10/02/2009 às 17:53

    Claro! Dona Benta, aquela latifundiária neoliberal, será processada pelo ministério público e forçada a pagar uma indenização para Anastácia. O Visconde de Sabugosa será rejeitado pelo Complexo PUCUSP devido ao fato de, durante décadas, chamar a Anastácia de “Tia” sem conceder-lhe qualquer direito ou reconhecimento familiar efetivo. O sabugo reacionário, na verdade, só reforçou o comportamento opressivo da minoria branca privatista contra essa legítima filha da África.

    Na hora em que o sol se esconde
    E o sono chega
    O sinhôzinho vai procurar
    Hum hum hum
    A velha de colo quente
    Que canta quadras e conta histórias
    Para ninar

    Dá o teu grito de liberdade tia Nastácia!!!

  58. CarlosMagno

    -

    10/02/2009 às 17:52

    Outro dia vi uma nova edição de um livro do Sherlock (Um Estudo em Amarelo?) que terminava com a frase “Quanto a mim, fico com a minha cocaína”, que mudou para “quanto a mim, fico com o meu violino”.

  59. Paulo X

    -

    10/02/2009 às 17:43

    O livro foi duplamente patrulhado — chamou-se também Ten Little Indians além de Ten Little Niggers

  60. Pablo

    -

    10/02/2009 às 17:39

    Engraçado como tem gente querendo nos proteger! Sou negro, li o livro quando era adolescente e há pouco tempo o recomendei às minhas filhas. Nunca me ofendi com o título. Aliás, a edição eu tinha possuia uma ilustração bem esteriotipada na capa. Acho que essa história de “politicamente correto” já encheu o saco! Era só o que faltava. Chega de bem- feitores!

  61. Porta Torta

    -

    10/02/2009 às 17:38

    Eu li muuuuiiiito Agatha, e claro, O Caso dos 10 Negrinhos (existe um filme com ótimo elenco com o mesmo título…). Do Monteiro Lobato, nao me falta modestia: li praticamente tudo que ele publicou. E a Emília zoando a Tia Nastácia fazia parte do lado cômico das estórias. Lobato engrandeceu a participação da Tia com Estórias de Tia Nastácia. O sítio não seria encantador sem a participação das duas… Agora, tradução pretensamente antirracista (argh sem o hífen!) é de lascar. Se é para usar eufemismos, antirracistas ou não, porque a Boceta de Pandora em Machado de Assis pode?!?

  62. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:38

    Hilário.

  63. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:37

    Reinaldo,

    Ou minha memória está falhando ou era tia Nastácia.

  64. Mauro Garcia

    -

    10/02/2009 às 17:36

    Tio Rei
    Imaginei alguém reescrevendo o Sítio do Pica-pau Amarelo para torná-lo politicamente correto: vão querer mudar o nome do pássaro (pica-pau!?), perguntarão qual o motivo do saci-perere ser negro e sem uma perna (vão torná-lo “branco” para não ofender as minorias) e Tia Anastácia será “branca” também para não ofender…
    TIO REI BEM QUE AVISOU SOBRE ESTA ONDA DO POLITICAMENTE CORRETO, SÓ NÃO PENSEI NESTES EXAGEROS…

  65. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:36

    Presepadas a parte, O caso dos Dez Negrinhos é com certeza o melhor livro da Agatha Christie. Fica ai a dica. Livro de leitura rápida, instigante e divertido.

  66. Marcos Otterco

    -

    10/02/2009 às 17:32

    Reinaldão, logo-logo nosso gloriso Corinthians não será mais conhecido como Aliv-Negro do Parque São Jorge, mas Alvi-Afro Descendente do Parque São Jorge, mesmo que tenha sido inspirado em autêntico british team.

  67. tchó de conga

    -

    10/02/2009 às 17:30

    Tio aqui no Sul tem a fábula do negrinho do pastoreio, você deve conhecer, agora temos de ensinar a estória do afro-descendentezinho do pastoreio?

  68. Therese

    -

    10/02/2009 às 17:29

    meu Deus, que patrulha!!
    Que besteiras sem fim.
    Só não tem discriminação contra ladrão e sem vergonha.
    Estes estão sempre nas mais altas esferas do governo. Vide casos de deputados trambiqueiros, temos aos montes.

  69. Tibiriçá Ramaglio

    -

    10/02/2009 às 17:27

    Nesse compasso, o romance noir logo será um gênero proibido.

  70. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:24

    Reinaldo você TAMBÉM leu esse livro? Gente, esse homem é uma BIBLIOTECA AMBULANTE, quando li adorei, mas nunca pensei que você também leu Agtha Christie, que bom, isso faz eu te admirar mais ainda. Voltando ao assunto do post, que VERGONHA viver num mudo de cabeças tão PRETAS, NEGRAS, ESCURAS, BURRAS. Para os “politicamente corretos”, pretas, negras, escuras, quer dizer AUSÊNCIA de LUZ.

  71. paulo silveira

    -

    10/02/2009 às 17:22

    que seja
    os dez afrinhos

  72. Rose

    -

    10/02/2009 às 17:22

    Já li e reli “O Caso dos Dez Negrinhos”. Clássico, sim! Agora o livro virou “E Não Sobrou Nenhum”???

    Nosssaaaaa!! Chegamos ao fim (do poço)? Ou estamos só no início (da queda)?

  73. Cris

    -

    10/02/2009 às 17:20

    Meeeeeeeeeeus deuses! Rei, que coisa ri´dícula! Que lamentável!

  74. Angelo Losguardi

    -

    10/02/2009 às 17:19

    Acho que o equivalente a nigger no Brasil seria crioulo.

    Bom, sou das antigas… li o livro no tempo dos “negrinhos” ainda. Repare uma coisa: essa linguagem de militância. Nos EUA, a militância considera ofensivo nigger, querem-se nominados blacks. Mas aqui no Brasil, pretos já eram chamados de pretos. Ora, deixar por isso mesmo não excitaria a militância, a vontade de acuar as pessoas e não daria o gostinho fascista de pôr o dedo na cara dos outros e tecer acusações. Então decidiram que queriam ser chamados negros. E venceram: dificilmente na imprensa alguém tem colhões para usar o termo preto.

  75. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:14

    No RS o governo olívio criou um arremedo de universidade, a natimorta UERGS, pretensamente para atender “as classes sociais economicamente prejudicadas”,sendo esse o nível dsa língua.Claro que nesse rótulo não se enquadram os camaradas-professores, pois, enquanto o pessoal do ensino médio recebe menos que um SM regional, os nababos-companheiros têm o décuplo desse valor.A

  76. André Couto

    -

    10/02/2009 às 17:12

    é o Newspeak!

  77. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:06

    E quanto ao filme:

    “Todos os Homens do Presidente”

    Terá também um novo título?!

  78. Anônimo

    -

    10/02/2009 às 17:03

    Põ, Reinaldo

    Não dê idéias…

    Ivo

  79. Paulo Boccato

    -

    10/02/2009 às 17:02

    PQUE NÃO ASSIM?…:

    “O INCIDENTE PENAL-MORTAL-INVESTIGATÓRIO COM A PARTICIPAÇÃO ABSTRATA DE UMA DEZENA DE
    AFRODECENDENTES ICONIZADOS”

    …LINDO NAO ?

    POBRE AGHATA!!


 

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