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Caros Amigos lamenta o fim de Primeira Leitura?

terça-feira, 18 de julho de 2006 | 20:25
Dentre todas as pessoas que lamentaram o fim da revista e do site Primeira Leitura, a mensagem mais condoída, sem dúvida, partiu de José Arbex, um dos mitos da esquerdista Caros Amigos. Vocês não precisam acreditar em mim. Se quiserem dar uma ajuda aos companheiros, comprem o exemplar deste mês e lá está o seu texto, intitulado: “Segunda leitura: de mercados e escorpiões”. Não sou leitor habitual da CA e fui alertado para o artigo por um internauta.

Desconsiderem o parágrafo inicial em que ele destila um pouco de ressentimento. Todo ressentimento é burro. O de Arbex não seria diferente. Faz ali uma chacota lembrando que Primeira Leitura deu uma capa com a seguinte formulação: “Os sem-terra não existem”. E aí ele tira a sua casquinha: a revista acabou, mas o MST continua firme, forte etc e tal. Huuummm… A revista disse que não existiam sem-terra, não um aparelho milionário chamado MST. Ele sabe a diferença. O resto do artigo é melhor, eu juro. Até propõe questões pertinentes, embora eu não tenha entendido as razões da sua perplexidade.

Segundo Arbex , a revista “pretendia-se (…) porta-voz do liberalismo ilustrado”. Há aí um tantinho de ironia. “Liberalismo ilustrado” talvez seja o duplo negativo da “esquerda festiva”. Mas, em seguida, ele concede: “Dada a mendicância intelectual da assim chamada elite brasileira, é apenas lamentável que uma tentativa como essa tenha fracassado”. Bem, não há contraste, mas certa relação de causa e efeito, certo, Arbex? Ele ensaia uma resposta: o punhado de famílias que domina a mídia brasileira não aceita partilhar o seu espólio nem com aliados ideológicos. Eu gostaria de concordar com ele porque, assim, teria em quem jogar a culpa. Infelizmente, não concordo.

E, por isso, ele passa um pito em mim e em Rui Nogueira: não se conforma que tenhamos fechado a revista sem acusar ninguém e assumido a inteira responsabilidade pelo conjunto da obra. Comenta o trecho da carta de despedida em que não exercermos nem mesmo aquele velho lamento: “Não fomos compreendidos”. Aí é Arbex que não compreendeu a ironia que, de tão sutil, pode ter desaparecido. Fomos bem compreendidos pelos liberais e fomos bem compreendidos pelos petistas, Arbex. Estes nos perseguiam; aqueles fugiam. A equação é simples. Descarte a hipótese da má gestão. Primeira Leitura tinha uma particularidade em relação aos chamados veículos alternativos: pagava bons salários e em dia. Ninguém trabalhava pela causa. Quando percebemos que tais condições estavam ameaçadas, fechamos as portas.

Culpa das “famílias”? Acho que não. A Folha, é verdade, nos meteu no meio de uma matéria suja, foi desmentida pela própria agência de publicidade, mas o desmentido não foi noticiado com igual destaque. Seria porque o jornal não me aceita como sócio do clube? Mas eu não quero fazer parte do clube em que vigora aquele tipo de jornalismo.

O articulista não se conforma que tenhamos fechado a revista e, ainda assim, reiterado a nossa adesão à economia de mercado. O que ele queria? Que eu tivesse cobrado, na saída, uma Imprensabras, para os desdentados de Lula financiarem o meu credo liberal? O que é isso, companheiro? Esse negócio de pôr a comunidade, a coletividade, para financiar idéias é coisa de comunista, hehe. E isso, você sabe, é tudo o que eu não sou. Também me sugeriram que montasse algum esquema para doação de recursos ou sei lá o quê… Não conseguiria. Ia me sentir um mendigo, um escravo, um dependente da boa vontade de estranhos.

Entendo a surpresa que o fim de Primeira Leitura causou em seus leitores e até em alguns de seus adversários ideológicos. Arbex não é o primeiro esquerdista que lamenta o fato. Não havia indícios. Site e revista seguiram inteiros até o último dia, sem rebaixar um centímetro a qualidade do que faziam — do que conseguiam fazer com os recursos de que dispunham. Poderiam ter demitido um pouco, cortado páginas, rebaixado a qualidade do papel. Nada! Inteiros, até o fim. Donos de sua vida e de sua morte.

Fui comprar a Caros Amigos. Um único anúncio, na contracapa, do estatal Banco do Nordeste, uma facilidade que Arbex sabe que nunca tivemos. Publicamos, é verdade, anúncio da Nossa Caixa, mas a CA também — a Folha achou que só o de Primeira Leitura tinha cheiro de pecado. Por alguma razão, a “imprensa monopolista” preservou o veiculo de esquerda e desceu o pau naquela do “liberalismo ilustrado”.

Mas volto aos anúncios da CA. Conheço esse negócio: uma única página numa edição de 48, ao preço de R$ 7,90, é prejuízo na certa. Isso caso se paguem salários decentes e em dia, com férias, 13º, etc — a menos que os “companheiros” tenham renunciado a essas regalias getulistas… É verdade que esta edição que tenho em mãos é modesta no que respeita aos anúncios oficiais. Deve ser por causa da legislação eleitoral. Caros Amigos já circulou com encartes do governo do Paraná que me faziam babar de inveja. Mas o governo do Paraná jamais concederia tal benefício a uma publicação do “liberalismo ilustrado”.

Leio pouco Arbex. Quando isso acontece, não concordo quase nunca. Mas burro ele não é. Longe disso. Passado o período eleitoral e caso Lula vença, a sua revista volta a ficar cheia de anúncios oficiais, o que lhe permitirá continuar a gesta contra o capitalismo e as famílias monopolistas da mídia. Caso Alckmin seja o vitorioso, vai acontecer o mesmo: tucanos e pefelistas podem até ignorar aliados ideológicos, Arbex, mas jamais vão deixar um inimigo sem recursos. Eles têm medo de ser tachados de malvados ou de reacionários.

Arbex não percebeu uma coisa. A esquerda perdeu a guerra da economia. Ele sabe que essa conversa de crise do neoliberalismo é delírio exultório do seu colega Emir Sader — acho que ele não dá bola para o que Sader escreve; ninguém dá… Mas ele sabe também que a esquerda venceu a batalha dos valores. Entre Caros Amigos e Primeira Leitura (se ainda existisse), muitos “monstros” capitalistas escolheriam CA. Vocês têm muito mais bondades e humanismos fáceis a oferecer do que nós tínhamos.

Fique tranqüilo, Arbex: Caros Amigos, passada a seca do período eleitoral, voltará a ter anúncios vistosos. Vença o PT ou vença o PSDB, a revista estará entre as prioridades. O capitalismo tem especial atração por seus detratores. O liberalismo, em nome dos seus princípios, faculta a seus inimigos prerrogativas que eles não lhe facultariam em nome dos deles.

Você nem precisa sair do campo da esquerda para entender. Leia Slavoj Zizek — não a versão censurada pelo Emir Sader: entre Caros Amigos e Primeira Leitura, o capitalismo globalizado não teria a menor dúvida em fazer a sua escolha por Caros Amigos. Vocês carregam aquele, se me permite o oxímoro, charme irresistível da resistência. Aliás, dê um toque aí no povo da Casa Amarela: basta procurar a Fundação Ford. É puro capim gordura em tempos de vacas magras.

Um abraço do
Reinaldo Azevedo

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17 comentários em “Caros Amigos lamenta o fim de Primeira Leitura?”

  1. mariagabrielle disse:

    O capitalismo é bom quando serve, desinformados.crítico da Primeira Leitura. Dos meus cloegas de faculdade que rezavam o credo petista, muitos abjuraram, sabe como é, quanto mais a gente estuda, menos petista nós ficamos.menos bem menos.e começa a entender o capitalismo e a forma como eles atenger o povo.

  2. Leticia Braun disse:

    O capitalismo é bom quando serve, ainda que torto, a comentários desinformados.

  3. Zeca disse:

    O fato é que CA vende e sustenta-se e PL não vende e fechou. O mercado é implacável.

  4. Costajr disse:

    Fui apresentado a Caros Amigos quando cursava História na UFPE,lá pelos idos de 1998, tive inclusive 2 cartas minhas publicadas na revista na seção Cartas, mas depois de assinar a revista por 1 ano, percebi que ela dava voltas no mesmo assunto: O Arbex falando do imperialismo ianque, jornalistas criticando israel, e todos falando mal de FHC.
    Em 2001, precisamente em julho, estava em Brasilia, onde agora estou residindo, vi no EXTRA a revista República, me interessei pela capa e comprei a revista. Aposentei a Caros Amigos e passei a ser leitor assíduo e muitas vezes crítico da Primeira Leitura. Dos meus cloegas de faculdade que rezavam o credo petista, muitos abjuraram, sabe como é, quanto mais a gente estuda, menos petista nós ficamos.

    Aproveito para convidar você Reinaldo, quando o presidente Lula estiver discursando, para visitar o meu Blog, http://zepaulojrbsb.blogspot.com/, criei ontem e me insipirei no seu. Um grande abraço.

  5. Galista disse:

    Com Arbex-pratrasex e Marilene Felinto Müller quem precisa de Emir Sádico e Mauro Sansacana?

  6. Adonai Padilha disse:

    Não tem a ver com esse post, mas graças a um dos comentários soube da publicação da cômica resposta do prof. Moniz Bandeira ao prof. Roberto Romano de quem ele “jamais tinha ouvido falar” (até Caetano Veloso nuns artigos antigos já escrevia sobre Romano). Um “risinho de canto de boca” involuntário teimou comigo desde o primeiro período da carta.

  7. Humberto disse:

    Por curiosidade, um dia desses, comprei a C.A. com entrevista de capa com o italianinho da hoje pelega C.C., aquela mesmo cujos motivos de abundantes fotografias de daniel dantas um dia um fróid da vida venha a explicar, nesse submundo dos altos poderes e da midia .
    Continuo: Escrevi uma cartinha, curtinha, mesmo, com alguns senões e contradições da própria entrevista e do entrevistador. Nas bancas (que não tenho mais saco, nem masoquismo de ler requentados, do que já adivinho que vai ter pra ler) nas edições seguntes alguma tímida carta de outros leitores, claro sempre caindo em elogios à C.A. e, claro, ao seu então entrevistado que ainda tem cara de posar de contestador ou inconformista. Claro que a C.A. não publicou minha curtinha carta de leitor (eventualíssimo leitor, não por não apreciar a diferença, mas justamente por abominar as mesmices de qualquer cor ou declarações de si mesmo).
    Claro que a C.A. , como em tudo, tem exceções (como no raro caso de Marilene Felinto, a pessoa mais livre e corajosa que já vi na imprensa nacional - apesar de já ter escrito colunas muuuuuitoo melhores - influência do meio ou o tempo, sei lá.

  8. janice tomanini disse:

    Volto a postar, Reinaldo. Duro mesmo, é aguentar Marilene Felinto nessa Caros Amigos, escrever que felizmente o povo não acompanha as CPIs e nem a grande mídia. Isso é de doer. Pior ainda, é ter estudantes de jornalismo e recém-formados por essas faculdades invadidas por petistas, corroborarem a postura dessa doida. Apesar, que há os que defendam Marilena Chauí também. Tudo pode no Bananão. Menos ser liberal. O mercado tão odiado por Marilenes e Marilenas, adoram Lula, o presidente operário. Segue o texto da infeliz jornalista:

    “Adoro ter operário de esquerda no poder

    Adoro pelo simbólico que é, pela afronta que representou e representa, pelo que esfrega na cara da classe dominante, pelo desespero em que ela tem entrado diante da possibilidade de que o operário seja reeleito, desespero expresso de maneira reiterada, pela imprensa irresponsável, covarde e, ela sim, corrupta, mentirosa. A maioria da população, felizmente, não acompanha as CPIs nem acredita na imprensa. O próprio Ibope, braço armado da Rede Globo, divulgou recentemente pesquisa em que 58% dos brasileiros dizem não acreditar ou desconfiar da televisão e 56% dizem não acreditar ou desconfiar dos jornais impressos. Isso é uma maravilha! Mas é evidente que a novela de quinta categoria continuará no ar por muito tempo ainda, tentando derrubar o presidente operário, exibida em horário nobre pelas redes de TV imorais e regurgitada no dia seguinte pelos jornalões reacionários e pelo lixo das revistonas semanais. A mídia, como diz um manifesto da Universidade Nômade, sabendo que seu candidato (leia-se, homem do PSDB) deve perder nas urnas a eleição para a presidência da República, quer voltar a ganhar do jeito de sempre: no conchavo das oligarquias. “A mídia”, diz o manifesto, “pretendendo representar e sobretudo ser a ‘opinião’ pública, apenas defende seus próprios interesses, ou seja, os interesses do monopólio privado que ela representa. A mídia não foi eleita por ninguém, a não ser pelo dinheiro da publicidade que recebe por um discurso que agrada ao poder econômico. Ela já deixou, há muito tempo, de expressar a opinião pública, desde que as concessões públicas lhes foram entregues pelo Estado, em períodos históricos que estão longe de ser éticos e democráticos: a ditadura!”

    Percebe, Reinaldo? Ela fala do dinheiro em publicidade nos jornalões e revistões. Talvez esqueceu das propagandas oficiais na sua Caros Amigos e na Carta Capital do neolulista Mino Carta. Digo neolulista, pois Mino tinha outra opinião acerca de Lula há pouco tempo atrás. Primeira Leitura voltará. E esse seu primoroso blog continuará brindando-nos com esses textos tão bem escritos.

  9. Ocram Otineb disse:

    Na edição anterior de CA,na capa tem um famoso jornalista fã de Gramsci (ouvi da própria boca dele pela rádio).Vejam a capa,pelo menos no site, merece uma olhada.Uma verdadeira Pitonisa!
    CA já teve uma edição que detalhava toda a negociata no Corinthians.De onde surgia o dinheiro da parceria,de onde veio o dirigente Kia, sua vida. Tudo nos minimos detalhes. Capa com direito ao escudo do Timão com letras em russo.Isso sim merecia uma indignação maior que as charges dinarmaquesas!Isso sim é pecado.
    Pena que não tenho mais ela.
    Não li a ultima edição nem pretendo, não quero ter uma ulcera. Mas fica uma pergunta que vale também para o entrevistado da capa da edição anterior de CA.
    Alguém aí, em algum lugar ouviu sequer alguma “suspeita” ou hipotese,ou leu alguma matéria ou fofoca ou qualquer raio que me parta relacionando a dinheirama que entra no Timão e o PT?
    Sabe porque pergunto isso? Porque eu ainda não entendi o porque do Presidente (O Incefalópode)e o ex presidente do PT (Genoino) serem nomeados CONSELHEIROS VITALICIOS DO CORINTHIANS.Só porque eram corinthianos? Eu tb sou, e nem consegui entrar no parque pra conhecer as instalações do clube com a pretenção de me tornar sócio do clube.Ficaram sem varios possiveis socios da familia.
    Pra quem gosta de investigar a tudo e a todos fica minha pergunta.Acho que ela seja bem pertinente aos tempos que vivemos.
    Eu gostaria de saber se alguem , em algum momento,alguma vez sequer! levantou pelo menos alguam hipotese sobre o tema.
    Isso sim que é revista séria!
    Fico agora só na saudade de Primeira Leitura.

  10. José Luis Bomfim disse:

    E olha que CA desovava edições e mais edições no DCE da Unicamp, Centros Acadêmicos e afins. Na capa o indefectível “Cortesia do Editor”. Na época achava que PL devia ir atrás deste mercado estudantil. Engano meu, comprar PL era coisa de indivíduo, e cada um gasta seu dinheiro do jeito que quiser. Até fiz propaganda da PL no meio mas a galera achava estranho que o Centro Acadêmico a assinasse. Preferiam aquela outro veículo três vezes mais, digamos, rubro: Brasil de Fato. Se alguém vê de perto tem a impressão que o combate que importa parece que foi vencido pela canalha, o que é um fatalismo. Faço o esforço de ver sub species aeternitatis (aliás nunca vi Marilena Xuchauí discorrer sobre eternidade… pensando bem, Graças a Deus, seja o de Spinoza ou de Jesus.) Como disse Reinaldo e Rui, a luta continua, principalmente se for contra a vulgaridade…

  11. Anônimo disse:

    Bravo! Magnífica a “resposta” ao artigo do José Arbex. Fazem muita falta pessoas – como você - com [1] o dom da palavra, [2] a capacidade de ir ao núcleo da questão, evitando os despistes, as enganações, usualmente “plantadas” para desviar a atenção do essencial, [3] a aptidão de apresentar com clareza suas idéias e conclusões e [4] a coragem de dizer o que pensa, sem floreios e subterfúgios. Todos os colaboradores da Primeira Leitura tinham essas qualidades, mas restou você como único porta-voz. Nesses tempos sombrios, em que o embuste parece estar vencendo a integridade/ honestidade/ dignidade, o seu blog merece o mais estusiástico respeito e aplauso.

  12. Motumbo disse:

    Primeira Leitura não acabou. Por ordem judicial o site traz a “resposta” de Moniz Bandeira à Roberto Romano. De chorar de rir.

  13. Anônimo disse:

    Independente do lero-lero, a revista fechou porque é a lei de mercado: quem não vende…acaba. Acontece com sabonete, salsicha e revista também.

  14. Ricardo disse:

    Prefiro ter as duas em banca do que nenhuma.
    Aliás, o primeiro ano da Caros Amigos foi muito bom: matérias sobre grilagem de terras, máfia do Dendê (sim, Caetano Veloso era espinafrado como se deve)…
    Depois, virou panfleto do PCdoB, sem critério algum a não ser desancar os “inimigos do povo”. Argh.

  15. Delsio disse:

    Outra sugestão: não dá para cadastrar os postantes e dar um status especial, tipo não passível de aprovação por você. sendo que as postagem possam ser publicadas diretamente?

    Abs.

  16. Delsio disse:

    Primeira Leitura, de quem era assinante faz muita falta. E , Reinaldo, por que não disponibilizar para compra os números atrasados. A minha revista que chegava mensalmente era disputada a tapa no meu trabalho. Não tenho os números atrasados pois gostava tanto que fazia questão de oferecê-la.
    Fica a sugestão.

    Abs.

  17. Leticia Braun disse:

    Tenho orgulho da PL, por ser o que era e ter se encerrado inteiraça. E tenho orgulho de mim mesma, por não gastar meus olhos e meus miolos com pasquim.

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