Há exatamente um ano, num 27 de junho como este, Bruno lançou aquela que é, no que respeita à produção poética, a sua maior obra: A Imitação do Amanhecer, um conjunto de 537 sonetos alexandrinos, que podem ser lidos individualmente. No conjunto, formam uma narrativa, um romance. Bruno me convidou para um bate-papo na livraria Fnac: também em prosa, era douto, divertido, original. Posso estar enganado, mas acho que os jornais não registraram uma linha. Ou o fizeram com tal discrição, que é impossível lembrar. Ele fora banido também da academia. Bruno podia ser um pouco humilhante — e até intimidador às vezes — em várias línguas. Menos para quem era capaz de ser generoso consigo mesmo para aprender. E então ele era de uma gentileza extrema.
Eu era seu amigo. Trabalhamos juntos. Ele sempre teve comigo uma lhaneza que talvez eu nem merecesse. Num tom entre amistoso e galhofeiro, chamava-me, às vezes, como a outros mais jovens do que ele, “filhinho”. Vivi dias felizes tendo-o como colega de redação nas revistas BRAVO! e República. Em tudo, um homem invulgar. Era a única pessoa que eu permitia postar-se ao lado do micro enquanto eu escrevia um texto. Com olhos de uma agilidade infantil, antecipava-se, às vezes, às palavras. E lá vinha: “Filhinho, por que a gente (sic) não escreve tal coisa?”. A gente? Bruno vivia dentro de muitos textos. Eles eram de todos e de ninguém.
Estou triste, devastado por sua morte, com a sensação, comum nesses casos, mas incomum quando se trata de Bruno Tolentino, de que eu poderia ter aprendido ainda mais, de que talvez eu tenha falado demais e ouvido de menos. Bruno era genial, contraditório, fabuloso, no sentido mesmo da palavra. Sou, como sabem, aborrecidamente lógico, o que vale para os amigos, que acatam o defeito, e para os inimigos, que, às vezes, se enfurecem. Muitas vezes, eu o flagrei no que, para mim, era uma contradição inelutável. Apontava-a, como é do meu temperamento: “Não, não, filhinho, você não entendeu”. E a sua resposta saía então da literatura, da sua cultura imensa, de uma certa realidade mágica onde vivia o poeta Bruno Tolentino. Eu, terreno demais, dava-me então por vencido.
Bruno fez um bem enorme à literatura e a seus amigos e, no pouco de mal que pode ter praticado, não atingiu ninguém, a não ser a si mesmo. E até isso era parte de sua obra. Foi, a meu ver, o último representante de um país que poderia ter sido. E que não foi e não será porque a política — também as políticas culturais — se amesquinha no populismo rasteiro, na apologia da ignorância, da pequenez. Bruno, ao lado de Faustino, morto tantos anos antes, tinha sede do épico.
O velório está sendo realizado no Cemitério Santíssimo Sacramento — Av. Dr. Arnaldo, 1.200, em São Paulo. Seu corpo será enterrado amanhã, às 9h. Os que vão morrer o saúdam, Bruno Tolentino.









Acabo de escrever em meu blog e citei Tolentino. Li “As horas de Katharina”. Obra-prima de narração poética. Coisa de gênio.
Vim à web com mais calma saber sobre ele. Deparei-me com seu texto sensível e com a idade de 2 anos.
Abraço.
E salve Bruno Tolentino.
1433- BRUNO LÚCIO CARVALHO TOLENTINO-*12 -11-40(RJ) † 27-06-2007(SP)
Acróstico-biográfico
Por Sílvia Araújo Motta
E-Escritor, duro crítico da realidade do Brasil,
S-Sinalizava a coragem para dizer sua verdade,
C-Combatividade aos “críticos e poetômanos.”
R-Reconhecido sábio em cultura e erudição!
I-Independência e liberdade de expressão
T-Trouxeram-lhe uns protestos barulhentos!
O-O interrogatório é seu: “Quem seqüestrou,
R-Roubou a inteligência dos brasileiros?”
-
B-Bruno Tolentino, aos 12 -11-40, nasceu no
R-Rio de Janeiro e faleceu aos 27-06-2007/SP.
U-Um Poeta Clássico.Viveu 30 anos na Europa.
N-Neto de um rico Conselheiro do Império,
O-O fundador da Caixa Econômica Federal.
-
L-Lições de francês e inglês, antes do Português!
Ú-Um amigo de Carlos Drummond de Andrade,
C-Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto,
I-Inesquecível poeta Manuel Bandeira e outros.
O-Os familiares tradicionais, críticos, intelectuais.
-
D-Durante onze anos, lecionou literatura
E-Em Oxford,Essex,Bristol e com W.H. Auden.
-
C-Com nove livros imortalizou-se trilíngüe:
A-“As Horas de Katharina”/2004.(Prêmio Jabuti)
R-Recebeu o prêmio Cruz e Souza:“Balada do Cárcere” e
V-Vencedor do prêmio: “Abgard Renault.”
A-“Anulação e Outros Reparos”/63 Prêmio Revelação”
L-Literatura contra o Concretismo pôs no ensaio
H-Histórico: “Os Deuses de Hoje”, Record, RJ,1995.
O-Os Sapos de Ontem (Polêmico, no RJ,Diadorim/1995.
-
T-Teve publicação em francês: “Le Vrai le Vain”/71.
O-Oxford/79: “About the Hunt”, livro em inglês./79
L-Livro: “O Mundo como idéia” tem 7000 versos,
E-Em 40.000 palavras, dez ensaios e 366 poemas.
N-Na obra: “A imitação do Amanhecer”/2006
T-Traz 538 Sonetos Clássicos, alexandrinos!
I-Irreverente criticou em 20/03/2003, na Veja,
N-Nomes como Caetano Veloso, Chico, Benjor,
O-Os filósofos da USP e o mal Ensino no Brasil.
-
A-A obra de Tolentino foi reconhecida no Brasil
D-Dos críticos A.Houaiss, João Cabral Melo Neto,
E-Exigente J.Guilherme Merquior-o embaixador,
U-Universais elogios:W.H.Auden,Bonnefoy,Perse,
S-Starobinsk, Giuseppe Ungaretti e muitos outros.
-
Belo Horizonte, 15 de julho de 2007.
—***–
http://clubedalinguaport.blogspot.com.br
http://www.recantodsaletras.com.br/autores/silviaraujomotta
Prezado jornalista Reinaldo Azevedo,
Não bastasse a simpatia, o respeito e a admiração que sempre tive por seu trabalho, encontro mais uma afinidade eletiva: a morte do Bruno Tolentino cala-nos a todos, os que assitimos a esse carro de miséria, essa stultifera navis a que se reduziu o país, onde pensar já é um crime. O mais criminoso é que os ceifados do pensamento, os alienados partidários propalam aos quatro ventos a ignorância como se fosse ela a maior virtude.
Num recanto qualquer do mundo que possuísse um mínimo de dignidade, a morte do poeta seria motivo de exéquias públicas.
Tive a sorte, juntamente com um pequeno grupo, de poder estar uma vez ao menos com Tolentino, numa noite alucinada, na Serra da Piedade, em Caeté, Minas Gerais, quando ele, já doente, recolhia-se àquele canto para editar definitivamente seus poemas. Naquela mistura babélica e cômica de línguas que ele falava havia uma humanidade terrível, uma certeza de que a beleza e a dignidade humanas não se prendem a fronteiras. Como se estivesse a dizer: “toda língua é minha pátria”. Ou, como diria o Jorge de Sena, outro trovador perseguido, “sou eu mesmo a minha pátria”.
A miséria que sinto nesse instante é ainda maior porque, sendo professor de literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (e poderia ser qualquer outra), vejo de perto o quanto o respeito pela busca da beleza poética, estratégia de ascensão do animal humano da sua condição de macaco à de verdadeiro homem, anda acachapada.
Se proponho que um aluno estude Tolentino no seu mestrado, ele me responde (alegre, risonho e cândido) que prefere um tese sobre Matrix Reloaded. Essa candura é que me parece ser a expressão acabada da falência. Aí já não há mais o que falar…
Camões miserável, abandonado, tornado quase mendigo na Ilha de Moçambique, depois de provar as iniquidades do império, parece-me uma imagem digna do Bruno. E assim como Camões, cuja paixão de viver e cuja busca da beleza como transfiguração da condição humana são perenes emblemas da liberdade, Bruno Tolentino vai ficar, e servirá de alimento aos que virão. Nossa única certeza é a profecia do Pessoa/Álvaro de Campos, na “Gazetilha”:
Dos LLOYD GEORGES da Babilônia
Não reza a história nada.
Dos Briands da Assíria ou do Egito,
Dos Trotskys de qualquer colônia
Grega ou romana já passada,
O nome é morto, inda que escrito.
Só o parvo dum poeta, ou um louco
Que fazia filosofia,
Ou um geômetra maduro,
Sobrevive a esse tanto pouco
Que está lá para trás no escuro
E nem a história já historia.
Ó grandes homens do Momento!
Ó grandes glórias a ferver
De quem a obscuridade foge!
Aproveitem sem pensamento!
Tratem da fama e do comer,
Que amanhã é dos loucos de hoje!
Um grande abraço
Marcus Vinicius de Freitas
marcus@letras.ufmg.br
Tolentino foi uma personalidade inimitável, extravagante, hipnótica, e como poucas houveram no país, verdadeiramente carismática. Ele tinha a força moral de um herói aliada à humildade velada dos que sempre aspiram a uma mais alta grandeza. Grande perda para seus admiradores, mas sobretudo, grande perda para seus detratores que tão cedo não encontrarão um adversário tão lúcido e valente.
Reinaldo é difícil abrir mão dos laços que cultivamos. Não gosto de fórmulas, nem acredito nelas nestes casos, mas penso que não existe interrupção enquanto houver afeto e principalmente se puderam se conhecer.Em alguns monmentos como este, foi assim que enfrentei a partida, e até hoje quando preciso eu pergunto e sempre tenho a resposta já que continuam vivos na minha lembrança enquanto eu viver. O poeta deixou as palavras escritas e o amigo as que vocês trocaram, estas creio, o teu legado.
“A vida flui dentro de você e sem você” (George Harrison, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, junho 1967).
Reinaldo,
Bruno vai embora em um momento difícil da vida brasileira. O texto que você escreveu resume a ternura e genialidade de Bruno muito bem. É dureza, mas vamos seguindo declamando os versos e lembrando dele.
Abraço, Zé.
Reinaldo. Nao o conhecia. Nao conheco, alias, muita gente. Nao tenho o habito de ler romances, poesias.
Mas pelo seu texto, alem de lamentar a morte de alguem descrito como tendo tanto valor,de forma emocionante, queria lamentar ainda mais que nao tenhas falado dele antes ,para nos dar a chance de saber algo dele ainda em vida. Me despertou curiosidade em relacao a sua obra, aos seus pensamentos. Mal comparando, (muito mal comparado) tb me senti assim , um pouco orfao, quando morreu Paulo Francis.
Os que odeiam o petismo, te saudam ,e tb aos seus mestres, em especial a Bruno Tolentino.
Mts
Tio Rei:
Meus pêsames pela morte do amigo querido.
Vou comprar os livros dele para ler com a minha filha. Será uma honra e minha forma de homenageá-lo.
Um abraço.
Triste. Fará falta.
Pena que o Brasil dos nossos tempos, tão amesquinhado, não seja capaz de dimensionar devidamente a obra de Bruno Tolentino.
Meus pêsames, Rei.
Alguns estão reclamando que a grande mídia não está divulgando a notícia da morte do poeta. É verdade. Mas parece que aos poucos um site ou outro vai corrigindo a falha.
O incrível é que essa turma ainda não entendeu a Internet. Têm coisas que não dá mais para esconder, simplesmente porque alguém irá dar destaque.
Li a notícia no seu blog, e vi que o fato também foi comentado nos sites do Olavo de Carvalho e O Indivíduo, e no blog Karaloka.
Espero que a Veja , a mesma que publicou a entrevista arrassadora, publique uma nota que faça justiça ao grande poeta.
Adeus, poeta!
Reinaldo -
Em seu livro “Ecos Eternos”, o escritor irlandês John O’Donohue fala sobre um dos grandes problemas de nosso mundo moderno: o funcionalismo.
Fazendo uma “paráfrase” do termo criado por O’Donohue, diremos que em nossos dias existe uma generalizada falta de senso poético, algo que havia, de modo inconsciente, nos homens da Idade Média, segundo nos conta o escritor judeu Egon Friedel, em sua clássica obra “A Cultural History of Modern Ages”.
Devido a essa geral carência, a definitiva viagem de um poeta autêntico, isto é, de alguém que não era um mero escrivinhador de versos, diminui em nossa sociedade algo que seria como um antídoto contra o sutil veneno do funcionalismo .
Com a ausência de Bruno Tolentino, Reinaldo, você perde um grande amigo. Todos nós perdemos um poeta.
Um solidário abraço do
Bobby
Com Bruno Tolentino e Gerardo Mello Mourão mortos este ano, o que sobra da poesia brasileira?
Belíssimas palavras, Rei.
Caro Reinaldo,
Todos nós brasileiros sentimos a perda de um irmão.
Ave, Bruno.
Rest in peace.
Primeira homenagem ao maior poeta do séc. XX após seu falecimento. Neste momento, não há a menor importância nisso, mas mesmo assim, Reinaldo, deixo aqui meu reconhecimento e cordiais saudações. Esperamos que a VEJA, a maior revista do País, tome vergonha na cara (não consigo encontrar outra expressão, honestamente) e publique uma reportagem de página e realmente substancial sobre o poeta. Se bem que não, é pedir demais à revista Óia… Enfim…
“A profusão da vida / é feita de minúcias, mas um grito / se faz de imensidões e uma ferida / de infinitas renúncias. Tudo é rito. / Tudo é ressurreição imerecida.” Bruno Tolentino
Esse país não foi, nem será. Mas Bruno Tolentino foi e será sempre. É isso o que importa. Morreu. Mas não poderia ser diferente… Teremos sua obra para sempre. Que ela nos inspire a sermos um pouquinho aquilo que ele foi, que ele é.
No Rio de Janeiro, os amigos de Bruno Tolentino convidam para uma missa nesta quinta, 28 de junho, às 17h, na Igreja da Matriz (Rua Voluntários da Pátria, quase esquina com Rua São João Batista, em Botafogo).
REInaldo ………….,…….
……………;…………. …………….!
Leia Bruno Tolentino para suas filhas. Eu, certamente lerei A Imitação do Amanhecer.
Um abraço lotado de palavras que não sabem sair.
Realmente, foi marginalizado na universidade. Suas críticas a figuras pífias da cena cultural e literária (incensadas no jornalismo show-biz como porta-vozes intocáveis da alta cultura) foram quase sempre certeiras.
Prezado Reinaldo, que texto emocionante. Que grande amor por um amigo. Católico, você deve ter as suas preces, mas lhe ofereço um pequeno ditado japonês que muito me alivia:
Morrer é leve como uma pena. Viver é pesado como uma montanha.
Reinaldo,
Mais uma vez, vc tem raz?o. Ainda n?o ouvi nem li nada a respeito da morte de Bruno Tolentino na “grande” m?dia at? agora.
Como sou catarinense morando em SP, ou?o habitualmente uma r?dio de de Florian?polis pela internet e a morte do poeta foi mencionada na l? ( CBN/Di?rio), por volta das 15:00. Foi a ?nica refer?ncia que ouvi at? este hor?rio. Pouco, muito pouco.
Para quem ainda não conhece o Bruno, vai aqui um link de um vídeo dele, em entrevista ao programa Sempre Um Papo.
http://www.camara.gov.br/internet/TVcamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=40439&velocidade=100k
Nestes tempos de baladas, me Lembrei de uma genial, A Balada do Cárcere, do Tolentino…Lembro que comprei pensando que fosse a do Oscar Wilde.
Ele era polêmico e autêntico…Vai fazer falta.
Reinaldão,
Força! Essa mensage está publicada no site do Olavo:
Bruno Tolentino (1940-2007)
Bruno Tolentino morreu hoje, às 9 h 30 A.M., no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Foi o maior poeta da língua portuguesa desde Camões e, para mim e minha família, um amigo querido, ao qual devemos inumeráveis horas de alegria que ficarão para sempre em nossos corações. Tudo o que penso dele, neste momento, assume a forma desta velha canção dos soldados espanhóis, “La Muerte No Es El Final”.
Olavo de Carvalho
27/06/2007
Cuando la pena nos alcanza,
del compañero perdido.
Cuando el adiós dolorido,
busca en la fe su esperanza.
En tu palabra confiamos
con la certeza que Tú
ya le has devuelto a la vida,
ya le has llevado a la luz.
Ya le has devuelto a la vida,
ya le has llevado a la luz.
Meus pêsames. Um forte abraço
Reinaldão,
lamento pela perda do amigo.
… e assim, ficamos mais pobres.
Lamento sua dor.
Boa tarde e obrigada sempre.
Perde o pais, perdemos nós….e os medíocres continuam a pulular por ai…..
tristes trópicos, já disse alguem mais aparelhado que eu
Meus pesames
Prezado Reinaldo:
O poeta Tolentino na lembrança vive e viverá para sempre:
“Canta a canção do lírio e do alecrim,
essa canção que és e que na treva,
na escuridão da carne, andava perto
da imensidade que te invade. E assim
como o imenso te ampara,
ó voz tão clara
que consolas e elevas,
vem, desperta,
matriz da eternidade e d’O sem-fim,
ó mãe de Deus, canta e roga por mim”
O Brasil perde mais um grande homem, sem que haja outrem capaz de preencher a cadeira agora vazia.
Flávio de Oliveira Santos
Uma tremenda perda. Resta-nos a obra de Tolentino.
Quando, no meio dessa escuridão,uma luz tão brilhante se apaga, resta-nos a indignação.
Mas, logo,logo, o brilho de sua aura retorna, agora com muito mais intensidade, iluminando o que antes não víamos.
(uma singelíssima homenagem)
Tio Rei?
Você escreve o meu necrológio?
Meu Deus Rei, você faz a gente sofrer até por quem não conhece. Sinto muito. Só o conheci aqui mesmo no seu blog em alguns posts em que você o citou. Espero ter tempo e capacidade para chegar até a obra dele.
Abraço.
Reinaldo:
Seu texto sobre o Bruno foi perfeito. Resumiu o caráter dele como poucos. Parabéns.
Abraços
Martim Vasques da Cunha
uma das mais nocivas características da estagnação em que o país se arrasta nas últimas décadas é a perda de vitalidade da produção cultural.
a retomada do desenvolvimento, o reencontro com a construção nacional sempre são acompanhados (e precedidos) de um ressurgimento cultural. uma febre de produção artística.
é a arte que sopra energia no espírito do país, para fazer com que ele mais uma vez se erga em busca de si próprio.
não tenho dúvida que Reinaldo Azevedo, ao se direcionar para a produção artística, irá surpreender a muito dos seus críticos (entre os quais me incluo).
Reinaldo Azevedo é um grande escritor, muito embora ainda não tenha publicado nenhum livro de ficção.
não basta dominar a linguagem para expressar o espírito de uma época. é preciso ter sede do épico. é preciso não se apequenar na dócil resignação de uma vida inteira que poderia ter sido, e não foi…
Caríssimo Reinaldo,
Os claros sintomas disso que você comentou no penúltimo parágrafo (o último representante de um país que poderia ter sido. E que não foi e não será porque a política se amesquinha no populismo rasteiro, na apologia da ignorância… e da mediocridade, eu acrescentaria): estou percorrendo os jornais on line desde cedo, e com exceção de uma minúscula notinha no Estadão, não encontrei a notícia da morte do grande Bruno Tolentino em nenhum outro…
Acho que era o último mesmo, não há mais ninguém…e nós ficamos mais pobres…
um abraço
Ana Luiza
Reinaldo
hoje o país fica
mais árido do que
já era.
daqui, minha reverência.
Triste, muito triste!
Certa feita, na Revista Bravo, Bruno Tolentino chamou Paulo Leminski de ‘poeta-piada’. Eu, encantada com Leminski, disse cobras e lagartos de Tolentino. Anos depois, entendi o que ele queria dizer. Estava (quase) certo. Redescobri Bruno Tolentino e desencantei Leminski, de quem tomo emprestado uns versos para homenagear o poeta que se vai:
Trevas
que mais pode ler um
poeta que se preza?
Pois é… Menos um. Estranhezas da vida: estava relendo O Mundo como Idéia e tomava fôlego para a Imitação do Amanhecer. E agora? Pausa. Que, ao contrário de nós, tenha descanso. Oremos. Quanto ao necrológico, precisamos de algo consistente sobre o homem, à semelhança do que fez o José Mário Pereira no seu “Fenômeno Merquior”, sobre o JGM. Uncle King, não adie essa tarefa. O homem merece um registro, por favor, Random Reader.
Reinaldo,
Sinto muito pela sua dor. Meus pêsames.
Um forte abraço.
Luís