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27/06/2007

às 17:29

Bruno, na VEJA, há 11 anos: “Só entro numa universidade disfarçado de cachorro”

Há pouco mais de 11 anos, o poeta Bruno Tolentino, que morreu nesta manhã, concedia uma entrevista à revista VEJA que gerou muito barulho — e protestos daqueles que se sentiram “injustiçados” por um homem franzino, recém-chegado de uma espécie de exílio que durara 30 anos, mas dono de uma palavra contundente. São as Páginas Amarelas da edição nº 1436, de 20 de março de 1996. O título: “Quero o país de volta”. É, senhores, é impressionante. Acabo de relê-la e, confesso, somei à tristeza do dia um suspiro entrecortado pelo desalento. O feitiço do tempo nos persegue. É claro que dá para discordar disso ou daquilo, mas o diagnóstico de Bruno Tolentino é impecável. Nos dias que correm, prestem especial atenção à sua crítica à academia brasileira. O homem que ensinou em Oxford, Essex e Bristol afirmava só conseguir entrar numa universidade brasileira “disfarçado de cachorro”.
*
Por Geraldo Mayrink
Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino, menino carioca de família aristocrática, gosta de dizer que é de um tempo em que rico não roubava. O avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal e seus tios eram intelectuais, como os escritores Lúcia Miguel Pereira e Otávio Tarquinio dos Santos, além dos primos Barbara Heliodora, a crítica teatral, e Antonio Candido, o crítico literário. Ainda era analfabeto em português quando duas preceptoras, mlle. Bouriau e mrs. Morrison, o ensinaram a conversar em francês e inglês dentro de casa. Tolentino saiu do Brasil em 1964 e, no estrangeiro, ocupou-se de árvores genealógicas de origem erudita. Orgulha-se de ter filhos com mulheres descendentes do filósofo Bertrand Russell e do poeta Rainer Maria Rilke. O mais novo, Rafael, de 8 anos, nascido em Oxford, Inglaterra, onde o pai ensinou literatura durante onze anos, é filho da francesa Martine, neta do poeta René Chair. Bruno publicou livros de poesia em inglês e francês. Em 1994, lançou no Brasil As Horas de Katharina, e no fim do ano passado mais dois, Os Deuses de Hoje e Os Sapos de Ontem — todos ignorados pela crítica, pelo público e pelos curiosos.
Aos 56 anos, já de volta ao Brasil, Tolentino tem feito força para tornar-se herdeiro do embaixador João Guilherme Merchior, intelectual de boa formação e polemista musculoso. Tem conseguido aparecer. Brigou com os poetas concretos, depois com o que considera máquina de propaganda de Caetano Veloso e sua turma. Em seguida, com os críticos literários e os filósofos, elevando ainda mais o tom numa entrevista publicada por O Globo, duas semanas atrás. Fora do país, Tolentino ensinou em Oxford, Essex e Bristol e trabalhou com o grande poeta inglês W.H. Auden. Conheceu celebridades como Samuel Beckett e Giuseppe Ungaretti. Horrorizado com a possibilidade de ver o filho mais novo crescendo em escolas que ensinam as obras de letristas da MPB ao lado de Machado de Assis, abriu fogo contra o que considera o lado ruim de sua pátria, como explica em sua entrevista a VEJA:
VEJA — Por que tantas brigas ao mesmo tempo?
TOLENTINO — Para ver se o pessoal cai em si e muda de mentalidade. O Brasil é um país vital que está caindo aos pedaços. Não quero sair outra vez da minha terra, mas não posso ficar aqui sem minha família, que está na França. Não posso educar filho em escola daqui.

VEJA — Por que não?

TOLENTINO — Foi minha mulher quem disse não. Educar um filho ao lado de Olavo Bilac, última flor do Lácio inculta e bela, que aconteceu e sobreviveu, ao lado de um violeiro qualquer que ela nem sabe quem é, este Velosô, causou-lhe espanto. A escola que ela procurou para fazer a matrícula tem uma Cartilha Comentada com nomes como Camões, Fernando Pessoa, Drummond, Manuel Bandeira e Caetano. O menino seria levado a acreditar que é tudo a mesma coisa. Ele nasceu em Oxford, viveu na França e poderá morar no Rio de Janeiro. Ele diz que seu cérebro tem três partes. Mas não aceitamos que uma dessas partes seja ocupada pelo show business.

VEJA — Qual o problema?

TOLENTINO — Minha mulher já havia se conformado com os seqüestros e balas perdidas do Rio, mas ficou indignada e espantada pelo fato de se seqüestrar o miolo de uma criança na sala de aula. Se fosse estudar no Liceu Condorcet, em Paris, jamais seria confundido sobre os valores do poeta Paul Valéry e do roqueiro Johnny Hallyday, por exemplo. Uma vez entortado o pepino, não se desentorta mais. Jamais educaria um filho meu numa escola ou universidade brasileira.

VEJA — Não é levar Caetano Veloso a sério demais? Ele não é só um tema de currículo, entre tantos outros?

TOLENTINO — Não. Ele está também virando tese de professores universitários. Tenho aqui um livro, Esse Cara, sobre Caetano, uma espécie de guia para mongolóides, e a mesma editora desse livro me pede para escrever um outro, sob o título Caetano Se Engana. É preciso botar os pingos nos is. Cada macaco no seu galho, e o galho de Caetano é o show biz. Por mais poético que seja, é entretenimento. E entretenimento não é cultura.

VEJA — O que você tem contra a música popular?

TOLENTINO — Se fizerem um show com todas as músicas de Noel Rosa, Tom Jobim ou Ary Barroso, eu vou e assisto dez vezes. Mas saio de lá sem achar que passei a tarde numa biblioteca. Não se trata de cultura e muito menos de alta cultura. Gosto da música popular brasileira e também da de outros países, mas a música popular não se confunde com a erudita. Então, como é que letra de música vai se confundir com poesia?

VEJA — O senhor não está ressentido por ele ter assinado um manifesto contra um artigo seu sobre uma tradução do poeta Augusto de Campos? No fundo, parece que o senhor está querendo aparecer à custa deles.

TOLENTINO — Não tenho ressentimento nem ciúme. Nem tenho nada contra quem assina manifesto. Se você vê um amigo seu brigando na rua, o mínimo que pode fazer é ir lá apartar. Foi o que ele fez no caso do Augusto de Campos. Só que assinou um cheque em branco. A princípio, achei que ele tinha entrado de gaiato, e lhe dei o benefício da dúvida, sobre uma questão muito delicada de tradução e de cultura que ele não está capacitado para julgar. Nem ele nem Gal Costa. Que intelectuais são esses? Se os irmãos Campos não sabem inglês, imagine eles.

VEJA — Os poetas e tradutores Augusto e Haroldo de Campos não sabem inglês?

TOLENTINO — Não sabem inglês, nem alemão nem grego. Por exemplo, traduziram Rainer Maria Rilke e criaram a frase “ele tem um pássaro”, que é literal, mas que, em alemão, quer dizer que alguém tem uma telha a menos, é meio doido. São péssimos poetas e péssimos escritores. Não sabem absolutamente nada do que alardeiam saber.

VEJA — Por que só o senhor, e não outros críticos, diz essas coisas?

TOLENTINO — Na República das Letras, ainda estamos à espera das diretas-já. A usurpação do poder legal por vinte anos deixou-nos seus legados nas patotas literárias que desde então controlam a entrada em circulação, ou a exclusão pelo silêncio, de livros, autores, obras inteiras. Nas redações dos jornais como nas universidades, prevalece a censura, e o único critério para sancionar uma obra parece ser o bom comportamento do neófito, sua genuflexão aos ícones da hora. Nossa crítica suicidou-se, matando o diálogo, o debate e a polêmica. Mascarados de universitários, esses anõezinhos conseguem dar a impressão de que a inteligência nacional encolheu, de que, em Lilliput, só se sabe da cintura para baixo. Quem já ouviu falar de Alberto Cunha Melo, que vive escondido no Recife, e é nosso maior poeta desde João Cabral? São dele estas palavras: “Viver, simplesmente viver, meu cão faz isso muito bem”. Mas José Miguel Wisnik ora é crítico, ora é letrista e compositor, portanto é catedrático. Os violeiros empoleiraram-se nas cátedras, e Fernando Pessoa virou afluente da MPB. Não é à toa que até em Portugal os brasileiros viraram piada. Ouvi uma que provocava gargalhada logo à primeira frase: “Um intelectual brasileiro ia começar a ler Camões quando a banda passou e…” É preciso perguntar dia e noite: por que Chico, Caetano e Benjor no lugar de Bandeira, Adélia Prado e Ferreira Gullar?

VEJA — Por que o senhor acha os críticos brasileiros ruins?

TOLENTINO — O que os críticos disseram sobre meus trinta anos de poesia? Só, desonestamente, que minha poesia é arcaizante e não suficientemente progressista. Que eu, o escritor Diogo Mainardi e — como é mesmo o nome do marido da Fernandinha Torres? — o diretor Gerald Thomas somos figurinhas carimbadas porque somos amigos de gente famosa. Quer dizer, chamam a atenção para a pessoa e não para a obra. E toda pessoa é discutível. Eu sou meio apalhaçado mesmo. A minha biografia é interessante, meio cinematográfica, e assim é como se eu não tivesse escrito nada. Uma espécie de Ibrahim Sued das letras.

VEJA — Mas o que aconteceu com os críticos para que se tornassem tão incapazes, na sua opinião?

TOLENTINO — A crítica brasileira não existe mais. Cometeu um haraquiri muito bem pago. Trocou sua independência por cátedras e verbas. É uma gente venal, vendida, que controla as nomeações para as cátedras, bolsas e verbas. Vão se meter com um maluco como eu? Todos, de Roberto Schwarz a David Arrigucci, foram formados pelo meu primo Antonio Candido, que é um geriatra nato.

VEJA — Caramba… Não sobra nenhum crítico brasileiro?

TOLENTINO — Sobra, evidentemente, Wilson Martins, que não tem lá muito gosto poético, mas enfim…

VEJA — O senhor também não sobra?

TOLENTINO — Em vários sentidos. Não tenho onde escrever. Sou herdeiro, e me considero assim, da combatividade crítica de José Guilherme Merquior. Crescemos e fomos amigos juntos, tínhamos idéias convergentes embora nem sempre coincidentes. Quando ele morreu, em 1991, houve um grande suspiro de alívio entre nossos críticos e poetômanos. Infelizmente, ele era embaixador. Eu não sou embaixador de nada. Essa gente está morta de medo de que eu venha a ter uma tribuna. Não me importa ser celebrado lá fora. Não faço falta lá, há muitos outros como eu. Aqui, com esta independência, cultura, erudição e combatividade, não tem outro que nem eu.

VEJA — Sem embaixada, o senhor vai ser só poeta?

TOLENTINO — Minha obra poética está basicamente terminada. Escrevi poesia por mais de trinta anos e não conheço nenhum outro poeta, além de Manuel Bandeira, que tenha conseguido escrever bem além dessa média. A partir daí, decai. Estou transferindo o meu esforço para o ensaio. Falar, por exemplo, dos males que a ditadura causou ao país me parece cada vez mais um sintoma do que uma causa. É um sintoma do Febeapá, vem no bojo dele. A imbecilidade já crescia. A ditadura simplesmente institucionalizou a falta de respeito pela realidade, pelo próximo, pela legalidade. A verdade foi substituída pela verossimilhança, a literatura, pela imitação da literatura.

VEJA — O senhor poderia dar exemplos disso?

TOLENTINO — Foi Wilson Martins quem levantou essa idéia, ao dizer que as obras de Chico Buarque e Jô Soares eram imitações da literatura. Auden, o Drummond lá dos ingleses, também dizia algo parecido. A gente lia um cara e concluía que ele era muito ruim. Auden discordava, dizendo que ele era muito bom. “Faz a melhor imitação de poesia que já li”, dizia. Parecia piada, mas não era.

VEJA — O senhor acha que a imitação é ruim?

TOLENTINO — A imitação da literatura se dá quando se fecha no círculo de ferro na modernidade. Ela obriga o leitor a seguir moda, busca efeito imediato, como se tudo começasse por você, naquele momento. A verdadeira literatura está sempre acuando tudo que a precedeu. Quincas Borba, de Machado, contém toda a novelística russa, e também Balzac. Wilson mostrou com muita acuidade e mordacidade que os romances de Chico são uma reedição do nouveau roman, que já morreu. Agora morreu a última representante dele, Marguerite Duras. Conheci toda aquela gente do nouveau roman, Alain Robbe-Grillet, Michel Butor, e saí correndo. Chato existe em todo lugar, não só no Brasil. Mas Wilson foi injusto com a imitação do Jô. É uma coisa que não pretende ser mais do que aquilo mesmo, divertir.

VEJA — Por que o senhor não vai ensinar o que sabe nas universidades?

TOLENTINO — Só entro numa universidade disfarçado de cachorro ou levado por uma escolta de estudantes. Sou um vira-lata muito barulhento. Não vão me convidar para nada porque eu quero acabar com os empregos e mordomias deles. Quero que eles passem por todos os exames de Oxford para ver se sabem mesmo alguma coisa.

VEJA — Então as universidades não servem para nada?

TOLENTINO — A escola pública desapareceu. A fórmula de sobrevivência do país é a trilogia emprego público, de preferência com aposentadoria acumulada, condomínio fechado e plano de saúde. Esse é o apartheid construído por uma elite analfabeta e totalmente irresponsável que entregou nossa cultura. Nem estou falando da nossa classe média, que tem dinheiro para gastar em boates e shows e sair de lá gargarejando cultura.

VEJA — O senhor tem acompanhado a produção intelectual das universidades brasileiras?

TOLENTINO — O departamento de filosofia da Universidade de São Paulo nunca produziu filosofia nenhuma, não por inépcia ou preguiça, mas por um estranho espírito de renúncia parecido ao espírito de porco. Cultivavam a crença de que só poderia nascer uma filosofia no Brasil “ao término de um infindável aprendizado de técnicas intelectuais criteriosamente importadas”, como diz um professor de lá. Mais urgente do que filosofar era macaquear os debates dos “grandes centros” produtores de cultura filosófica. O que significava tomar o padrão europeu do dia como norma de aferição do valor e da importância do pensamento local. Imaginando ou fingindo preservar a mente brasileira de uma independência prematura, o que os maîtres à penser da USP fizeram foi apenas incentivar a prática generalizada do aborto filosófico preventivo. Não espanta que, por quatro décadas, o “rigor” (com aspas) uspiano não produziu outro resultado senão o rigor mortis de uma filosofia que poderia ter sido o que não foi.

VEJA — Mas José Arthur Giannotti escreveu um livro de filosofia, Apresentação do Mundo, que foi muito elogiado…

TOLENTINO — É, ele escreveu um besteirol sobre Ludwig Wittgenstein saudado em suplementos de várias páginas como marco do nascimento da filosofia no Brasil. É uma audácia depois de Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, Vicente Pereira da Silva e Olavo de Carvalho. Nós temos uma filosofia nativa, isso sem falar da filosofia de cunho religioso, teológico, que eu não vou citar porque sou católico e vão dizer que estou puxando a brasa para a sardinha da Virgem Maria. Passei cinco meses garimpando nas páginas daquele livro e não encontrei nada que não fosse uma leitura do que Wittgenstein acha da dificuldade lingüística de compreender a realidade. Isso a gente já sabe, a partir do próprio Wittgenstein. Uma filosofia nacional não tem nada a ver com isso.

VEJA — Tem a ver com o quê?

TOLENTINO — A cultura filosófica brasileira é quase nula. Nossos professores gastaram décadas lendo Marx, em vez de Husserl. Aqui só dá o tripé Kant, Hegel e Marx. E onde está a grande tradição escolástica que vai de Aristóteles a Husserl? Isso não é lido nem discutido aqui. Mas existe uma filosofia brasileira. Reale e Olavo de Carvalho, que não se formaram em lugar algum, não perderam tempo com essa estupidez. Foram estudar e aprender as tantas línguas que falam. Eu, quando tenho dificuldade com latim, grego ou alemão, é para eles que telefono.

VEJA — O senhor não está exagerando, sendo duro demais?

TOLENTINO — Não. Não passei nenhum dia aborrecido aqui. Sempre encontro gente inteligente. Quando cheguei à Europa, não tive nenhum complexo de inferioridade. É verdade que eu conheci em casa o que o Brasil tinha de melhor. Faço parte do patriciado brasileiro. E não via diferença entre Ungaretti e Manuel Bandeira, só de língua. Era a mesma coisa. Não havia um Terceiro Mundo na minha cabeça. Eu, quando pequeno, conheci Graciliano Ramos e Elisabeth Bishop. Só havia gente dessa categoria.

VEJA — Dá a impressão de que só agora se começou a falar e a escrever besteira no país… TOLENTINO — O besteirol, se havia, estava lá longe, nos cantos. Hoje ele está no centro. Tem razões mercadológicas, de dinheiro. Os artistas devem ganhar muito, muito dinheiro, para ir gastar em Miami. Só não é possível que esses senhores usurpem a posição do intelectual. Eles são um formigueiro com pretensão a Everest.

VEJA — Não é bom para o país ter um intelectual na Presidência da República?

TOLENTINO — Votei no Fernando Henrique Cardoso porque era uma oportunidade única, desde Rui Barbosa, de ter um intelectual no poder. E o que ele fez na sua primeira entrevista coletiva? Citou Machado de Assis ou Euclides da Cunha? Não. Citou o mano Caetano. Uma coisa tão espantosa quanto Rui Barbosa, se tivesse ganho a eleição, citasse Chiquinha Gonzaga. O Brasil que eu conheci, e do qual me recordo vivamente, era um país de grande vivacidade intelectual, mesmo sendo uma província. Não estou sendo duro com o Brasil. Quero saber quem seqüestrou a inteligência brasileira. Quero meu país de volta.
Por Reinaldo Azevedo
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60 Comentários

  1. Anônimo

    -

    29/06/2007 às 6:56

    Uma coisa tão espantosa quanto Rui Barbosa, se tivesse ganho a eleição, citasse Chiquinha Gonzaga.

    É pra rir. Eu tentei imaginar Rui falando da compositora. E na minha cabeça a Chiquinha Gonzaga é a Regina Duarte, hehehe.

    Eu não conheço ele, mas por ter falado bem do Olavo me despertou interesse.

    Melhor momento dessa entrevista pra mim é quando ele diz que não via diferença entre os escritores brasileiros e os estrangeiros. Que não havia terceiro mundo na cabeça dele. Já hoje, o brasileiro é obrigado a pensar que é um medíocre que não tem jeito - até por que, a maioria de nossos intelectuais são medíocres mesmo - e que estamos condenados a morrer assim.

  2. Anônimo

    -

    28/06/2007 às 17:44

    Seria extremamente oportuno a VEJA republicar essa entrevista na próxima edição, tanto pela homenagem a Bruno Tolentino, quanto pela atualidade das colocações.

  3. Ricardo-SP

    -

    28/06/2007 às 17:33

    A escola pública desapareceu. A fórmula de sobrevivência do país é a trilogia emprego público, de preferência com aposentadoria acumulada, condomínio fechado e plano de saúde. Esse é o apartheid construído por uma elite analfabeta e totalmente irresponsável que entregou nossa cultura.

    Aqui tem mais informação e mais denúncia do que em toda a obra da “burritsia” nacional, aquela do porte de Marilena Chauí.

    Pena que só conheci o Tolentino depois de morto!

    Sua crítica ao establishment intelectual brasileiro me lembrou outro sujeito de grande valor, e que não tem 1/100 da projeção que deveria ter:
    O Janer Cristaldo.

    Não arrisco qualquer comparação entre ele e qualquer outro, mas ele segue pela mesma direção (crítica) desses daí. Quem não conhece, procure conhecer.

  4. Direitista

    -

    28/06/2007 às 14:08

    Que bela entrevista. Muito bom. Depois de 11 anos, nada mudou..

  5. César

    -

    28/06/2007 às 14:02

    A maior tragédia é a tragédia em camêra lenta, a tragédia brasileira…

  6. Anônimo

    -

    28/06/2007 às 11:17

    Caro Reinaldo

    Figuras como essa não poderiam morrer nunca, mas pelo menos nos deixou seus escritos. Esse era de fato um brasileiro com orgulho da sua cultura. Parece que agora o que importa é não ter cultura, nem formação nenhuma, triste o nosso fim.

  7. direita x esquerda

    -

    28/06/2007 às 10:56

    Caro Reinaldo,

    Bela e terrivelmente verdadeira essa entrevista!!!!!!!!!

    A subcultura esquerdista cabe dentro da cabeça de um camarão.

    Essa entrevista é mais nova do que a cultura brasileira está produzndo hoje!!!

    Ibes - Vila VELHA/ES

  8. Anônimo

    -

    28/06/2007 às 9:57

    Reinaldo

    Ai que arrepio ! Também quero o meu país de volta. Enquanto isso vou usar protetores de ouvido, máscara contra gases e óculos escuro e, espernear o que puder.
    Imaginem o estrago (e, na sequência, a assepsia) feito pelo ninho de metralhadoras Tolentino/Reinaldo contra o lixão pseudo-intelectual brasileiro. Mamma mia !

  9. Antonio Augusto Carvalho

    -

    28/06/2007 às 9:10

    Uau!
    Eu não tinha lido.

  10. Ricardo Barbosa

    -

    28/06/2007 às 2:12

    Impactante entrevista . Para um classe média intelectual , como eu , teve sabor de um clássico . Que muitas novas sementes germinem para compensar essa única perda.

  11. gus

    -

    28/06/2007 às 1:36

    Tem certeza que essa entrevista é de 1996 e não de 2006?
    Parece que ele está falando das “universidades” brasileiras em frente a Reitoria ocupada da USP.
    Como certas coisas aqui não mudam nunca. No fundo, “eles” são os conservadores, já que não admitem que o mundo evolui.

  12. Anônimo

    -

    28/06/2007 às 0:56

    Para o livro “O Mundo como idéia” vale o que já se disse, salvo engano, sobre não me recordo qual texto sagrado: “que queimem as bibliotecas! Pois todo o valor da literatura universal encontra-se neste livro”. Sem exagero, há muito mais poesia ali (no sentido profundo do termo) do que em quase tudo o que já se produziu no Brasil desde o descobrimento até os dias que correm. E desconfio de que não apenas poesia: há filosofias nesta obra de fazer o departamento de filosofia da USP (se é que realmente há algum…) empalidecer. Pena que o país seja bem menor que o poeta. Os livros de Tolentino logo serão retirados das livrarias para adornar as paisagens de algum museu. Definitivamente, o Brasil acabou.

  13. Anônimo

    -

    28/06/2007 às 0:34

    Mui…………..to obrigado por reproduzir essa aula de mestre. Estou perplexo com tanta lucidez.
    Hiiiii, “a trilogia emprego público, de preferência com aposentadoria acumulada, condomínio fechado e plano de saúde”, isso é a cara do PT ou não?

  14. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 23:20

    1996? Não acredito!
    Ele poderia dizer as mesmas coisas ontem, hoje ou amanhã se baixasse num cabloco no meio de um terreiro :-)

    O Brasil tem algumas mentes brilhantes. O problema é que são muito poucas. Mas se tão pouca gente consegue fazer tanto barulho (vide este blog), as coisas não estão assim tão perdidas…

    Luiz Carlos Muniz

  15. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 22:54

    No início da década de ´80 fui surpreendido em casa com uma filha estudando poesias de Caetano e Pelé. No dia seguinte estava questionando o assunto com a madre superiora do colégio, que justificou que “assim as crianças tinha mais motivação” e eu complementei - “jogando Bilac, Castro Alves, Casimiro, Gonaçalves Dias e tantos outros no lixo.” Muito tempo depois descobri que tal atitude era consequência da reforma no ensino feita pelo então ministro Jarbas Passarinho. Dali pra cá, tudo apodreceu, tudo se decompôs. Embora a poesia de BT não faça o meu gênero, pelos temas abordados e extensão dos trabalhos, uma grande ressalva há que fazer - das que lí, eram todas exemplarmente metrificadas - detalhes desconhecido pela maioria dos poetas atuais. Quanto à sua intelectualidade, era primorosa, pois assisti um debate seu há cerca de cinco anos - foi excelente. - jrgullino@oi.com.br

  16. Ed

    -

    27/06/2007 às 22:52

    Reinaldo,

    Procuro, procuro, mas não consigo encontrar na internet alguma página que tenha uma descrição mais detalhada da famosa polêmica entre o Tolentino e os irmãos Campos. Será que existe? Será que há algum texto do Tolentino comentando a tradução do Crane? Você ou algum dos leitores tem alguma informação sobre isso?

  17. Junior

    -

    27/06/2007 às 21:52

    Genial! Essa entrevista diz tudo sobre o Brasil que é dominado em todas as áreas por uma elite burra. Realmente Bruno “Quero meu país de volta” (Gostei principalmente sobre a situação geriátrica do Sr Antonio Cândido que é idolatrado pela Burritsia acadêmica.

  18. Luís Alves

    -

    27/06/2007 às 21:41

    Confesso que não o conhecia até então. Lendo a entrevista, entristeci-me. Fará falta!
    Abraço,

    Luís Alves.

  19. MARCO ANTONIO

    -

    27/06/2007 às 20:59

    Reinaldo,

    Li esta entrevista quando foi publicada. Não a esqueci, claro que não nos detalhes. Ficou na minha mente.

    Hoje eu imprimi uma cópia e pedi aos meus dois filhos que dessem uma lida. Ficaram encantados e perplexos. A minha reação foi semelhante, tanto há 11 anos atrás quanto hoje.

  20. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 20:52

    Desde aquela época fala-se que o Brasil é o país do futuro.

    (R)

  21. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 20:39

    Reinaldo,
    Conheci o nome Bruno Tolentino através dos artigos de Olavo de Carvalho.
    Compareci ao lançamento de um de seus livros de poesia num espaço cultural do Palácio do Catete no Rio de Janeiro, onde moro.
    Quero destacar a reprodução de sua entrevista à Revista Veja.
    Quando ele fala que FHC citou o Mano Caetano na sua primeira entrevista coletiva, isto nos traz a mensagem simbólica da nossa tragédia atual brasileira.
    O PSDB, lamentavelmente, é a pilastra vergonhosa que segura o “Edifício Balança, Balança, mas Não Cai” que é o PT.
    Quando ele critica a educação no Brasil, cito Olavo de Carvalho no seu artigo Conspiração de Iniqüidades publicado hoje no MSM. Relata Olavo: “Terça-feira passada, um aluno ateou fogo aos cabelos da professora Iramar Araújo Sachetini (Escola Estadual Darcy Pacheco em São José do Rio Preto-São Paulo)”.
    A professora foi ridicularizada pelos alunos, uma aluna que a socorreu,no entanto, não tem comparecido às aulas por medo de represália de seus colegas. A Secretaria Estadual de Educação anunciou que o menino não será punido pois seu delito “não foi grave” sic.
    Bruno Tolentino anunciava profeticamente esta Conspiração de Iniqüidades, participante efetiva da Frente Ampla dos Canalhas que atualmente está no governo.
    Enquanto escrevo estas linhas há um tiroteio nas vizinhanças de onde moro. Será que o Brasil tem volta?

  22. Locão.

    -

    27/06/2007 às 20:25

    Esta não é uma simples entrevista; é uma incrível aula de lucidez intelectual !O falecimento do poeta é uma grande perda para o Brasil nestes tempos difíceis , de pensamento ralo!

  23. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 19:53

    Petralha às 5:55 h

    art

  24. SelSil

    -

    27/06/2007 às 19:44

    Para mim o mais duro do envelhecimento não são as rugas, a memória falhando ou as limitações do corpo. Mas sim a perda das minhas pessoas queridas…
    Para isso considero que estão mais perto do que antes através do pensamento. Posso alcançá-las a qualquer tempo, estão agora em mim.

  25. Eduardo

    -

    27/06/2007 às 19:30

    Fabuloso!!! Especialmente oportuna é a condenação à equiparação dos grandes poetas aos inúmeros cantadores semi-analfabetos que pululam por aí…afinal, se Renato Russo é poeta, Luís de Camões deve ser qualquer outra coisa, ambos não podem aparecer numa mesma sentença.
    Em meio a inúmeras características e atitudes admiráveis de Bruno Tolentino, temos a lamentar apenas a revelação (pelo menos para mim, que não o sabia) de que ele votou em Lulla em 2003. Teria sido seduzido pela oportunidade de expiação da culpa coletiva ao alçar ao poder um operário obviamente incapaz de bem exercê-lo (noves-fora o proto-totalitarismo petista, então bem menos evidente)?

  26. marina

    -

    27/06/2007 às 19:29

    Reinaldo

    cirurgicamente
    incisivo.
    glorioso.

  27. William Murat

    -

    27/06/2007 às 19:22

    O Brasil é um país absurdamente triste, apesar do sol e de tudo mais.

    Ironia que Bruno Tolentino, verdadeiro poeta, verdadeiro pensador, nos deixe órfãos e que um ignorante que se jacta de sua ignorância esteja no poder.

    Enquanto os Caetanos, Chicos Buarques e Jôs tentam — e não conseguem — fazer literatura e recebem vivas da verdadeira patota que se tornou a cena cultural brasileira, um poeta da estatura de Tolentino segue desconhecido de tantos e execrado por muitos devido ao seu pensamento.

    Triste… Lamentável…

    A entrevista foi dada em época na qual ficava claro que tudo estava indo para o brejo. Que hoje em dia possamos ver Paulo Coelho na ABL é sinal de que cada vez mais chafurdamos na lama.

    Mas… Continuemos o bom combate!

  28. clePTomaníaco

    -

    27/06/2007 às 19:21

    Além de tudo, o Brasil é muito azarado. Perdeu o José Guilherme Merquior muito cedo. Agora perdeu Bruno Tolentino. Enquanto isso, o Lula vai muito bem, obrigado! Vai ver, tem ossada de jumento enterrada por essas bandas.

  29. O antipríncipe

    -

    27/06/2007 às 19:18

    Reinaldão,

    Não conheço a obra do BT, pois quase nunca leio poesia. Não posso, portanto, julgá-lo como artista. Mas posso, após ler esta entrevista, fazer breve consideração como homem de cultura. O recém-falecido estava coberto de razão, para tristeza de todos nós. É como você mesmo disse certa vez, Reinaldão: mais duas gerações e estaremos todos relinchando.

  30. daniel gil

    -

    27/06/2007 às 19:17

    Eu tive o prazer de levar Bruno Tolentino à UFRJ, numa semana em homenagem aos 90 anos de Vinicius de Moraes, organizada pelos alunos. Contra tudo e todos, um auditório lotado! de alunos, é claro!

  31. simplesmente maria

    -

    27/06/2007 às 19:13

    Uma entrevista estupenda.

    Uma tremenda perda. Enlutecemo-nos.

  32. O Lobo

    -

    27/06/2007 às 19:12

    Que não permitamos que sua vida tenha sido em vão…

  33. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 19:12

    Reinaldão, só posso dizer: “FANTASTICO”! Acho que poderemos dizer como os libaneses a propósito de seu poéta nacional, Kalil Gibran: “Aquí entre nós dorme Bruno Tolentino”
    WN

  34. luiz de matos

    -

    27/06/2007 às 19:12

    Reinaldo Azevedo [muito agradecido], você realmente é muito gentil e nos faz recordar [remomorar essa matéria de Veja: brilhante] um modo de pensar, algo sublime o qual o tempo rejuvenesceu pela razão e pela lógica: também “quero saber quem sequestrou a inteligência brasileira”. Também “quero meu país de volta”.

    Que esse nosso exemplo de virtude, para o lugar ao qual foi consiga nos irradiar alguma luz.

    GRATO, assim me sinto feliz.

  35. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 19:07

    Reinaldão, só posso dizer: FANTÁSTICO! Acho que poderemos dizer como os libanêses a propósito do seu poéta nacioal, “Aquí entre nós dorme Kalil Gibran”
    WN

  36. daniel gil

    -

    27/06/2007 às 19:05

    “Ah, desperdício, o vício brasileiro! Eu me perdi por ele. Foi ao vício do velho desperdício costumeiro que entreguei minha vida. A impropício projeto nacional voltei-me inteiro e vivi como vive o adventício pássaro solitário passageiro do vento: desde sempre, desde o início, qualquer distância parecia pouco, a asa me exigia mais que o vôo. Não me lamento. Não se lamentou o
    furacão tampouco, e nenhum louco desfaz de seu delírio. E eu amo o vício do vento, esse estrangeiro no edifício…”
    Bruno Tolentino

  37. Roberta

    -

    27/06/2007 às 18:48

    Perfeito!!!É só o que tenho a comentar!

  38. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 18:46

    Meu caríssimo Rei, a quem admiro sobretudo pela capacidade de argumentação, pela lógica, pela coerência com a qual aborda seus temas (embora não concorde com alguns posicionamentos seus: aborto, catolicismo, mudanças climáticas), a publicação dessa entrevista faz cair por terra a tese de que a mediocridade e a burrice foram inauguradas neste País com a chegada do PT ao poder e ao Governo. Necas de pitibiriba, Irmão: o buraco é bem mais embaixo e já vem de longe…Quão longe, deixo aos sociólogos, antropólogos, pedagogos e outros mais a resposta. O PT é sintoma e não causa. E não adianta atacar os sintomas se as causas da doença são deixadas incólumes. Consequencia? Lula III, Lula IV, Lula ad infinitun. Snif…

  39. Cristal

    -

    27/06/2007 às 18:41

    Tio Rei !!!

    Estou impressionada.
    Entrevista,magnífica e atualíssima.

  40. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 18:40

    Avassalador, Reinaldo. Essa entrevista deveria ser cuidadosamente lida pela esquerdalha inculta. Quem imaginaria que esse quadro descrito por Tolentino se cristalizaria na forma de um país habitado em sua maioria por ignorantes e governado por ignorantes? Várias frases merecem ser pinçadas e arquivadas.

    Dá-me alívio pensar que há onze atrás tomei o caminho do aeroporto e recomendo enfaticamente a todos que quiserem e puderem fazê-lo. O Brasil deixou de ser o país do futuro para se tornar o país sem futuro.

  41. Flavio P.

    -

    27/06/2007 às 18:36

    Eu li essa entrevista com uns 16, 17 anos e ela me marcou muito. Foi a mesma época que eu comecei a ler o Olavo, e tinha perdido o referencial Paulo Francis.

    Tolentino, alguns anos atrás, fez um bate-papo na Academia de Letras do Largo São Francisco. Felizmente, estava cercado de estudantes, e não precisou se fantasiar de cachorro. Acho que na parede da sede da Academia, ainda está um recadinho escrito por ele com canetinha hidrográfica.

    Que a terra lhe seja leve!

  42. Julio Neves

    -

    27/06/2007 às 18:27

    Essa entrevista foi um tapa na cara do Jô… Deu pena do gordo.

  43. virgínia

    -

    27/06/2007 às 18:27

    ESPÍRITO DA LETRA (Bruno Tolentino)

    Ao pé da letra agora, em minha vida
    há a morte e uma mulher… E a letra dela,
    a primeira, me busca e me martela
    ouvido adentro a mesma despedida

    outra vez e outra vez, sempre espremida
    entre as vogais do amor… Mas como vê-la
    sem exumar uma vez mais a estrela
    que há anos-luz se esbate sem saída,

    sem prazo de morrer na luz que treme?!
    O mostro que eu matei deixou-me a marca
    suas pernas abertas ante a Parca

    aparecem-me em tudo: é a letra M
    a da Medusa que eu amei, a barca
    sem amarras, sem remos e sem leme…”

  44. Marco

    -

    27/06/2007 às 18:25

    Caro Reinaldo,

    Obrigado por nos lembrar tão bem de um pouquinho preciso do Bruno Tolentino. Não sei se o poema que lhe encaminho abaixo é da sua preferência. Para mim é um texto da mais profunda afeição. Tanto que haverei de usá-lo um dia - queira o Bom Deus, o mais longínquo possível.

    Grande abraço e minhas sinceras condolências.

    A Mário de Andrade ausente

    Anunciaram que você morreu.
    Meus olhos, meus ouvidos testemunharam:
    A alma profunda, não.
    Por isso não sinto agora a sua falta.

    Sei bem que ela virá
    (Pela força persuasiva do tempo).
    Virá súbito um dia,
    Inadvertida para os demais.
    Por exemplo assim:
    À mesa conversarão de uma coisa e outra.
    Uma palavra lançada à toa
    Baterá na franja dos lutos de sangue.
    Alguém perguntará em que estou pensando,
    Sorrirei sem dizer que em você
    Profundamente.

    Mas agora não sinto a sua falta.
    (É sempre assim quando o ausente
    Partiu sem se despedir:
    Você não se despediu.)

    Você não morreu: ausentou-se.
    Direi: Faz tempo que ele não escreve.
    Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
    Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.

    Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
    A vida é uma só. A sua continua
    Na vida que você viveu.
    Por isso não sinto agora a sua falta.

    Manuel Bandeira
    (Em Estrela da vida inteira)

  45. Bruno Moreira Torres

    -

    27/06/2007 às 18:24

    Não só você, Tolentino… todos nós queremos nosso Brasil de volta…

  46. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 18:23

    qual parte vc nao concorda?

  47. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 18:23

    Se FHC citando Caetano foi ruim, em que nível estamos agora com Lula citando Zezé di Camargo.

  48. Murilo Resende

    -

    27/06/2007 às 18:21

  49. Murilo Resende

    -

    27/06/2007 às 18:20

    Grande Reinaldão, segue outra entrevista (revelando seu “lado” católico) de Bruno Tolentino. Homenageie o homem, pois ele tem sido sonoramente esquecido pela mídia brasileira.

    http://www.passos-cl.com.br/cultura.asp?cod=13&tipo=0&revista=1578

  50. Sandro P

    -

    27/06/2007 às 18:18

    Isso tudo há 11 anos atrás! Parece que ele está narrando o que acontece hoje.

  51. hibnd

    -

    27/06/2007 às 18:10

    .

    Valeu Reinaldo, a entrevista é tremendamente dolorida, mas verdadeira.

    Tolentino expõe a pequenez cultural deste pais. Lula é apenas uma consêquencia de nosso ‘progressismo’ intelectual.

    Até quando teremos que suportar intelectualóides marxistas que pululam por todo canto nesta nação como arautos de uma verdade e de uma filosofia fajuta e falida?

    .

  52. Paulo Boccato

    -

    27/06/2007 às 18:08

    VOU CONFESSAR UMA COISA REI;

    A EPOCA DEPOIS DESTA ENTREVISTA ESCREVI UMA CARTA A VEJA (NAO PUBLICADA) ONDE EU ‘PROIBIA’ O SR. TOLENTINO DE MORRER…

    HOJE EU DIGO :

    ORACULO !

    POIS É REINALDO,POUCOS CHEGARAM TAO PERTO DA DIVINDADE!

    O UNICO ALENTO DESTA PERDA É ENTRE OS MEDÍOCRES NACIONAIS.

    ACREDITE,O PARQUE DE DIVERSÕES DESTA CANALHA CANTADA EM VERSO E PROSA PELA MEDIOCRIDADE REINANTE E GALOPANTE ESTA EM FESTA…DEVEM ESTAR A PENSAR :

    ‘-DA LITERATURA JÁ FOI UM ,AGORA SO FALTA O REINALDO AZEVEDO E O MAINARDI NO JORNALISMO!’

    SENDO ASSM REINALDO E MAINARDI,EU TERMINANTE OS ‘PROÍBO’…COMBINADO ?

    (SNIF,SNIF)
    HOJE MINHAS ORAÇÕES SERÃO PELO POETA E POR UMA PARTE AMADA DE MINHA FAMÍLIA QUE EMBARCOU A TARDE P. MAIS UMA IMIGRAÇÃO ME NOSSA HISTORIA…

    HOJE NO CÉU HÁ MAIS UM POETA (SERÁ QUE WHITMAN O RECEBERÁ NA PORTA COMO NO POEMA?) E MANHÃ,EM SIDNEY,UMA OUTRA GERAÇÃO E BOCCATOS FARÁ O SEU FUTURO EM OUTRA PÁTRIA MAS AFNAL ,COMO DIRIA O POETA “MINHA PÁTRIA SÃO ONDE ESTÃO PISAM OS MEUS SAPATOS”…

  53. Anônimo

    -

    27/06/2007 às 18:07

    Tio Rei

    Fantástico! Não acredito que essa entrevista tenha 11 anos… Foi a melhor entrevista que eu li em muito tempo… Obrigada por nos apresentar à lucidez brasileira…

    Lilian

  54. Bárbaro

    -

    27/06/2007 às 18:07

    “Não havia um Terceiro Mundo na minha cabeça”. Uma frase que resume toda uma (ou seriam duas?) gerações. Na minha ainda há, e muito, mas pouco a pouco, com a ajuda desse blog e das leituras que ainda tenho por fazer, espero para breve dizer que mais não há.

    Em tempo: Olavo, recupere mais textos do Tolentino.

  55. desesperançado

    -

    27/06/2007 às 18:04

    “Quero saber quem seqüestrou a inteligência brasileira. Quero meu país de volta.”

    Disse tudo…

  56. Pedro

    -

    27/06/2007 às 17:58

    Caro Reinaldo,

    Todas as respostas da entrevista são um monumento.

    Pena que muitos, inclusive eu, tenha lido Bruno Tolentino tão tarde.

    Apenas fiquei sedendo em saber mais sobre a distância entre música popular, mesmo a mais brilhante (como a encontrada em Noel Rosa), e a literatura erudita.

    Abraço,
    Pedro

  57. mac z

    -

    27/06/2007 às 17:58

    A grande sacada dos nossos doutores foi banalisar as dissertações de mestrado de modo que as suas teses pareçam mais inteligentes.

  58. mac z

    -

    27/06/2007 às 17:56

    1996….2006…….tivemos tempo pra aprimorar essa máquina de fazer idiotas: e fomos bem sucedidos!!!

  59. mac z

    -

    27/06/2007 às 17:56

    ah….os doutores do brasil…

  60. Blogildo

    -

    27/06/2007 às 17:52

    É duro constatar que Bruno faleceu sem ter o seu(dele) país de volta. Será que algum dia teremos de volta o país dele?


 

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