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A banalização da morte banaliza a vida

domingo, 6 de abril de 2008 | 6:19
Nada escrevi até agora sobre o assassinato da menina Isabella Nardoni porque, como sabem, meu tema preferencial é a política, embora trate, amiúde, de assuntos relativos a comportamento e moral. Enfastia-me o excesso de notícias a respeito, numa espiral conhecida. O público demanda informação nova, a imprensa se mobiliza, alimenta a expectativa, que então cresce. Até a solução ou até que a coisa caia no esquecimento. É do jogo. Criticar a imprensa por isso é bobagem — desde que ela não avance em condenações prévias e sumárias. Parece-me que, em regra, há, desta feita, cuidado. Melhor assim.

Abordo aqui um aspecto aparentemente lateral à tragédia. Pai de duas meninas, é desnecessário dizer o horror que me assalta num caso assim — que não deve ser diferente do que vocês sentem. A VEJA desta semana traz uma capa sobre a persistência do Mal. O tema é caro às religiões e à moral. Pouco tenho a acrescentar, em essência, ao que está lá.

No dia 6 de outubro de 2006, já faz tempo, escrevi aqui: “Um cristão acredita em Deus, claro, mas sabe, como reafirmou o papa João Paulo 2º, que o demônio existe. O que é matéria de crença pode encontrar plena correspondência numa mentalidade agnóstica. Deus é a convicção, o princípio, o norte moral; o demônio é frouxidão da vontade, a ausência de limites, o relativismo sobre todas as coisas. Um cristão sabe que a manifestação mais clara do demônio — e, por favor, eliminem da imaginação aquela bobagens de possessão à moda do filme O Exorcista — é aquela que o leva a duvidar de si mesmo, dos seus valores; que põe uma névoa sobre os seus olhos e o impede de distinguir o certo do errado, porque, afinal, o certo de um sempre será o errado de outro, e vice-versa, e, enfim, tudo seria uma questão de ponto-de-vista.

Somos constantemente testados. Na semana passada, no artigo da VEJA, dei uma sapatada em Rousseau, aquele que acreditava que a gente é essencialmente bom, mas corrompido pela sociedade. Bobagem. Se fosse para debater essencialidades, a verdade estaria mais no oposto: somos maus. Os valores é que domam a nossa fúria. Por este ou aquele motivo, isso nem sempre acontece, e somos confrontados, então, com o horror — como agora, no caso do assassinato dessa menina; ou antes, no do garoto João Hélio. Aquele caso ainda parecia, apesar de tudo, mais compreensível: “impunidade”, disseram alguns (eu entre eles); “causas sociais”, disseram outros, os de sempre (que ainda acreditam, como Rousseau, em bondades inatas). Mas e Isabella? Nenhuma vulgata sociológica explica. Daí o nosso assombro. É como se, potencialmente ao menos, houvesse um infanticida em cada um de nós.

Ao desconforto essencial diante do fato, confesso, juntou-se um outro em mim. Já disse: parece lateral, mas pode estar no centro de tudo. Vi a Missa de Sétimo Dia da garota, as pessoas ali, todas de camiseta, com a imagem da menina estampada no peito. Uma coisa era pedir o fim da impunidade de assassinos no caso João Hélio. Mas e desta vez? O que se pede? Familiares, também a mãe, desempenharam a coreografia de uma suposta causa pública. Falando a uma rádio, ela revelou a intenção de criar uma ONG ou algo assim. Talvez estivesse serena; talvez vivesse, como qualquer um de nós diante da perda de um ente querido, o seu momento patético (veja o dicionário), mas pelo avesso, como quem é atravessado por uma dor de tal sorte insuportável, que não pode ser vivida senão com o alheamento. O tempo vai, então, se encarregando de realizar o evento trágico em sua real dimensão.

Especulo, como vêem, mas não afirmo nada. A pergunta que me fiz — na verdade, fiz a Dona Reinalda, no carro — foi a seguinte: “Reparou que parece não existir mais luto?” Tenho 46 anos e formação interiorana, apesar de ter deixado a minha cidade aos 9 meses. Mas, como Lope de Vega:
A mis soledades voy,
de mis soledades vengo,
porque para andar conmigo
me bastan mis pensamientos.

¡No sé qué tiene la aldea
donde vivo y donde muero,
que con venir de mí mismo
no puedo venir más lejos!

Pois bem. “No meu tempo”, viúvas andavam de preto por pelo menos um mês. Nas Missas de Sétimo Dia, todos iam de negro, a mesma cor do véu que cobria a cabeça das mulheres. Não só a vida era mais sacralizada — também a morte tinha um peso formidável. Era grave. E um silêncio pesaroso se adensava nas cerimônias — quase podíamos tocá-lo. “Morreu gente”. E isso doía na família dos nossos amigos, ou em nossa própria família, e em toda a comunidade. Por um tempo, a viúva, o viúvo, os país que perderam um filho ou os órfãos se convertiam em seres especiais, como se fossem, vejam que curioso, donatários de uma particular capacidade de perdão — de nos perdoar, também, já que não podíamos alcançar a extensão daquela dor. Era a particular nobreza dos que sofrem.

Isso acabou. As dores individuais não têm mais lugar e se convertem em causas. Até o sofrimento mais insuportável, o inominável, o que melhor realiza o sentido da palavra “nefando” — a perda de um filho —, transforma-sae numa demanda pública. A vida nunca valeu tão pouco porque, de fato, a morte se banalizou. Não é mais preciso sofrer. O sofrimento é inútil. Necessário é oferecer respostas coletivas e ser agente de uma proposta, de uma idéia, de uma tese.

A campanha da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deste ano tem as palavras do Evangelho “Escolhe, pois, a vida”. De fato, é um convite que pode ser lido assim: “Respeita, pois, a morte” — porque é o outro extremo ausente da mensagem. A Igreja, com isso, combate o aborto, a eutanásia e, todos sabemos, a pesquisa com células tronco embrionárias. Já escrevi a respeito deste particular e do quão civilizadoras considero as restrições todas feitas pela Santa Sé.

Mais passa o tempo, mais me regozija o coração esta Igreja não abrir mão de seus princípios, não cedendo aos apelos e/ou à tentação de aderir ao pragmatismo que faz a vida valer tão pouco ou ser um vulto que cabe numa mera demanda coletiva. Se eu fosse um militante, diria assim: “É preciso (re)ssacralizar a vida” em toda a sua extensão e dimensão. E então a morte haverá de nos assombrar de novo”. Mas eu não sou militante de coisa nenhuma. Só das minhas aflições.

Não tenho nada contra aqueles que transformam a sua dor em causas. Pode ser uma forma superior de enfrentar as dificuldades. Mas desconfio de uma sociedade que fez desaparecer o luto. A banalização da morte, ainda que por meio de sua espetacularização, nada mais é do que a banalização da vida. E uma das faces do triunfo do mal.

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192 comentários em “A banalização da morte banaliza a vida”

  1. Catossi disse:

    Acho muito estranho um enfoque tão grande para o caso. É tão traumático quanto a morte de muitas crianças no Brasil. São cometidos abusos contra crianças todo dia. Reinaldo, eu pensei que essa “atenção” da imprensa seria a pedido do Franklin Martins. Parece que ele já comprou todo mundo, inclusive a Globo. Sds.

  2. Anônimo disse:

    Respostas:
    Ao grosseiro anônimo das 6:18, ainda não sei por que disse que sou eu que preciso de espetáculo e me juntar a ONGs. Você evidentente tem alguma dificuldade em interpretação de texto. Sugiro que volte à escola.

    Ao anônimo das 2:05:
    Amigo, acho que não me entedeu. Falei exatamente que o sentimento existe, independente do chamado “luto” como interpretei o que RA havia se referido. “Exteriorização” não significa “sentimento”, este existe na alma de quem sente sem necessidade de ser demonstrado.

    E, finalmente, à KK das 12;07 p.m., obrigado, foi a única e me entender.

    Henry

  3. Anônimo disse:

    Excelente texto. Foi o que mais me chocou em todo esse caso: a banalização da morte da menina. O pai e a ‘madrasta’ indiferentes. A ‘mãe’, mais ajustada ao papel de aparecer na TV, dar entrevistas, ficar “famosa”, do que à condição de alguém que acabou de sofrer a maior perda que um ser humano pode sofrer. Tres dias depois da morte da menina, ela estava sentada diante de um computador, no ORKUT, publicando fotos numa pretensa “homenagem” á filha, quando qualquer ser verdadeiramente humano não teria cabeça para qualquer coisa semelhante. Na delegacia, declarações frias e frases feitas como “Só quero que seja feita justiça” ou algo assim.
    Tragédias fazem parte da vida e sempre nos chocam, nos abalam e nos despertam a solidariedade para com suas vítimas. Mas neste caso, nós parecemos estar mais abalados do que os pais da menina. Ela, mais do que vítima do homicídio, já era vítima da banalização da vida, cuja outra face, a banalização da morte, vemos agora.
    Não tenho a menor dúvida ao afirmar que, seja qual for o resultado da investigação, “quem a matou foi o egoismo desses quatro monstros(os pais e seus respectivos parceiros)”, como li num comentário abaixo, assinado por Sérgio Brito. Tristes tempos.
    Nestor Carvalho

  4. sofia disse:

    Reinaldo, também me intrigou o comportamento da mãe.
    No mais, tudo vira um espetáculo, até missa de 7º dia. Como ficou pequeno o mundo!

  5. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo.
    A culpa deve ser minha!! Cada vez que ouço notícias sobre a morte violenta de crianças, sinto toda a dor do mundo rasgar meu coração, fico em frangalhos só de pensar no terror que esses inocentes padeceram nos seus últimos momentos de vida, que dá vontade de pedir a Deus que troque a minha vida pela vida dessas crianças. Oh Deus, como é possível existir supostos seres humanos que cometam tais barbaridades?!? A dor dos pais não pode ser menor do que a que sinto por seus filhos mortos! Talvez a alienação seja, mesmo, a melhor forma de suportar uma dor insuportável. Sei lá!

  6. Anônimo disse:

    Tomadas as proporções:
    dia desses dei ré no carro e atropelei o gatinho dos meus filhos de 9 e 12 anos. Eles não estavam em casa e eu fiquei sem saber como falar quando chegassem. Foi difícil, eu estava triste e eles ficaram tristes também. Eu cavei, então, um buraco e enterramos o gato lá. Depois nós três fizemos uma lápide com nome e datas e colocamos flores e um brinquedinho que o gato gostava sobre a sepultura. Fizemos um minuto de silêncio. Isso nos ajudou a superar a perda.

  7. Anônimo disse:

    Como diz aquela velha canção católica “QUE NENHUMA FAMÍLIA COMECE EM QUALQUER DE REPENTE”.

    Isabella nasceu de uma transa qualquer, um relacionamento fortuito, sendo assim, conheceu seus pais em ambientes diferentes.
    Conheceu e conviveu com as diferenças, pois pelo que acompanhamos, os pais brigavam entre si(pensão e outros detalhes da vida da criança)e parece que seus novos parceiros não contribuiram em nada com a melhora da situação(eu creio que a menina só estava com o pai no triste dia, porque o namorado da mãe deve ter exigido que a menina fosse para que eles pudessem ficar em paz, já que a mãe chegou a denunciar o pai duas vezes na polícia por motivos variados).
    Sendo assim, creio que a policia investiga quem executou a pobre menina, pois quem matou foi o egoismo desses quatro monstros(os pais e seus respectivos parceiros).

    descanse em paz, Isabela.

    Sergio Brito

  8. Anônimo disse:

    André 10:28, é justamente por isto que cometei o modo como a mãe está agindo, principalmente pela maneira trágica como a menina perdeu a vida.
    Não estou aqui para julgar ninguém, mas que é bastante estranho isso é. Já que ela fala que a menina era meiga, carinhosa, Sai de casa para passar um fim de semana com o pai e vem essa terrível notícia.
    Isso para um ser normal(não estou dizendo que ela não seja) me desculpe mas um acontecimento desse, é para qualquer mãe/pai enlouquecer.
    E pior já está falando em ONG.

  9. Anônimo disse:

    Henry, acho que vc não entendeu bem o que o RA falou quando citou o luto. Não se trata de usar ou não roupa preta, mas sim do sentimento das pessoas.

  10. André disse:

    Como é bom ler algo mais profundo e sem clichês sobre o tema.

    Realmente,no interior ainda existe o luto,apesar de paulistano tenho parentes no interior de MInas e da Bahia,e lá ainda há luto.

  11. HiperBlog disse:

    Caro Reinaldo
    …”As dores individuais não têm mais lugar e se convertem em causas”
    Esse trecho de seu comovente texto confirma o grave paradoxo da contemporaneidade: o triunfo do individualismo vem aniquilando o individuo.O culto ao efemero e a banalidade encontrou em nosso tempo um clima propício para sua consagração.O imediatismo, o consumismo, a complacência, o desprezo pela dificuldade e pela critica, a apologia às celebridades e ao poder etc…, se tornaram os ícones mais estimados da vida.Muitos artistas e pensadores da atualidade, objetivando confrontar a tradição elegeram a banalidade e o cotidiano como musas inspiradoras, os confirmando como o mais proeminente paradigma estético de nosso tempo.Quando isso acontece todo o mistério da existencia se esvai nos mais ordinarios desejos.”A banalização da morte” é,no meu entender,uma das consequencias do desprezo do pensamento dominante pelo imaginário da imortalidade,fenomeno que alavancou todo movimento cultural da humanidade desde a mais remota antiquidade.Hoje,a fé cega nas idéias de progresso, evolução e desenvolvimento, essas sim, idéias efêmeras,porém sedutoras,consolidaram um sistema que atingiu seu apogeu.As seguidas ofertas de produtos e serviços e idéias “geniais” sugerem que nos acomodemos “confortavelmente” nos domínios da banalidade para assistirmos aos sucessivos episódios de seu triunfo.A morte,assistida do cativeiro,é sempre um espetaculo excitante.

  12. Anônimo disse:

    Reinaldo,
    parabéns pelo texto. Parecia que eu estava lendo, um pouco pelo estilo e muito pelo conteúdo, Nelson Rodrigues que para mim é incomparável.

    Continuando a falar em Nelson Rodrigues, ele disse certa vez que assim que a mulher foi perdendo a sua feminilidade o homem foi, automaticamente, perdendo a sua masculinidade. Uma dependia da outra. Daí que o homem foi se tornando menos homem e a mulher menos mulher.

    Do mesmo modo: assim que figuras como Ziraldo vão se tornando mais vítimas, as vítimas vão se tornando menos vítimas numa mesma proporção inversa.

    É curioso!

    Lula Palomanes

  13. Enza disse:

    Meu Rei, por essas e outras te admiro e te amo tanto!
    Sou mãe duas vezes, sou avó…se algo PARECIDO acontecesse com meu netinho, acho eu que enlouqueceriamos tanto eu como minha filha.
    Parabéns pela colocação das palavras que estavam esgasgadas em minha garganta e creio eu em muitas…milhares mais.
    Sinto-me indignada e agredida pelo comportamento dessa “mãe”

  14. Sidney Goldenzon disse:

    Caro Reinaldo,
    por lidar profissionalmente com a morte (sou especialista em tratamento da dor)tenho estudado a própria história da evolução da relação da sociedade com a morte. Nossa geração é muito diferente daquela que, como vc cita em suas memórias interioranas, via a morte de perto, dentro de casa, onde velava por seus entes queridos.
    Nós vivemos em uma época de “morte controlada”, geralmente desumanizada dentro de uma UTI. A maioria das pessoas nunca viu uma pessoa morrer.
    Assim, deixamos de aceitar a morte como uma consequência natural da vida e tratamo-na como uma falha de nossa ciência. Junto com esta morte artificial, temos uma cultura que encara o sofrimento emocional também como patológico. As pessoas não ficam mais nervosas ou tristes mas sim ansiosas ou deprimidas e para isso temos um enorme arsenal terapêutico. Ou seja, a mãe desta garota brutalmente assassinada acha que sua filha não gostaria de vê-la triste e por isso vai comemorar seu aniversário.
    Não acho que estamos banalizando a morte - vide a comoção causada por este caso específico. O que está acontecendo é uma criminalização da tristeza. Nossa sociedade não aceita mais a tristeza (ou luto) como uma razão para a pessoa afastar-se de seu dia-a-dia.
    Esta exigência, de manter-se ativo quando o que a emoção exige é o afastamento, me parece uma explicação mais plausível para estas idéias de mobilização por uma causa que vem assolando estes familiares.
    As religiões tem uma forma muito interessante de lidar com esta questão, pois geralmente tem regras de conduta a serem seguidas pelos familiares enlutados, que incluem o afastamento da sociedade por um período determinado.
    Resumindo, é normal e bom ficar muito triste quando uma grande desgraça nos atinge.

  15. Anônimo disse:

    Muito bom seu texto, traduz acertadamente a perplexidade dos que ainda não estão totalmente embotados pelo cortejo diário de desgraças em que se tranformou a vida nas grandes cidades.Porque a verdade é que quase ninguém se importa com a vida e a morte dos outros. A tal ponto nos deformamos, que tristeza. Penso na perplexidade da criança, sem entender porque sua curta vida se esvaia assim, tão cruelmente. Algum dia saberemos a verdade? e, se soubermos, o que faremos com ela? Usaremos a verdade para melhorar nossa condição tão miserável?Duvido, Reinaldo, pois estou convicta que o inferno é aqui, onde estamos para expiar nossos pecados,vendo esses fatos se repetirem. Deus tenha piedade de nós!

  16. Blog & Roll disse:

    OFF TOPIC:
    REI, ESTÁ VENDO A ENTREVISTA DO GENERAL HELENO NA BAND?
    23:50hs
    Não precisa publicar

  17. Anônimo disse:

    Quem assistiu ao fantástico,viu o que está acontecendo no Brasil das drogas.A tortura,até a morte,nos territórios do tráfico. País sem comando,estamos à deriva,vivendo enquanto os bandidos permitirem.A banalização da vida chegou no limite do suportável.Temos presidente? Depois vão dizer que é implicação das elites,mas são os pobres que estão sofrendo há muito tempo.Eles continuam sendo enganados pela esquerda representada pelo lulopetismo incompetente.Precisamos alertá-los,não sei como.

  18. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo,
    Na maioria das vezes em que venho aqui, faço críticas. Deve ser por acreditar que posso, modestamente, colaborar contigo e com os colegas a refletirem sobre os mais variados temas abordados no blog. Isto seguindo o famoso dístico de Santo Agostinho que você bem conhece. Só que, desta feita, quero apenas elogiar pelos dois posts mais recentes, que me fizeram orgulhar em ser seu leitor.

    Cordialmente,

    Léo

  19. Anônimo disse:

    Olá Reinaldo,

    Parabéns pelo excelente texto.
    Esse eu copiei prá guardar… e ler novamente… e repassar.

    Lendo os comentários percebo certas distorções.

    Eu mais jovem perdi num acidente na via Dutra minha mãe e dois irmãos pequenos (5 e 12 anos).
    Quando recebi a notícia passei não esbocei reação. Passei uma semana “tranquilo” sem externar minha dor (pois seria tamnha e insuportável). Simplesmente parecia que nada, absolutamente nada tinha acontecido… Passou uma semana… aí fiquei muito mau, muito triste, além da conta; inenarrável. Mas durante aquela semana meu “ser” se “protegeu”… de sentir, de sofrer; acho que não iria aguentar.
    Portanto, creio que não podemos generalizar. Cada caso é um caso, cada pessoa é única.
    E certamente Deus, nesses momentos, é nosso único consolo, pois nossa fragilidade é exposta ao máximo.

    Abraços

    Fábio Maranhão

  20. Anônimo disse:

    A miséria humana humana não se traduz na falta de bens materiais, mas na naturalidade com que vêm na aquisição deles a qualquer custo sua conquista.

    Hoje, no Brasil, isto é um fato. Quão mais ricos, mais miseráveis em espirito. Um povo que se constrói nesses pilares não tem um futuro promissor.

    Temos hoje um povo que urina nas ruas, que PODE mentIR sob o beneplácito do Governo, que espolia, ‘estupra”, mata, pratica toda sorte de crimes e… e… não é punido. Tudo em nome do deus maior: as urnas eleitorais, rumo ao poder.

    Repito: tenho, atualmente, neste país do Lula e de N ladrões, vergonha de ser brasileira. Carrego a minha cruz na esperança de que um dia tudo isto terá um fim.

  21. Rose disse:

    Parabéns pelo tom corretíssimo do texto. Era tudo o que eu precisava ler sobre esse assunto e que ninguém ainda havia dito.

  22. Marcelo disse:

    Ao que parece a mãe da menina optou por sumir. “Não foi mais vista desde a tarde deste domingo”. Quem sabe assim ela escapa do patrulhamento e pode chorar em paz a morte da filha? Vários comentaristas condenam a mãe, chegado ao ponto de indagar: “onde estava esta mãe na hora do crime?” É O FIM!!!! Caramba, o pai ficava com a menina nos finais de semana! Será que o bombardeio de informação não bastou para a comentarista tomar ciência disto? O moça vivia a vida normal dela e agora terá que retomá-la sob um dor imensa que, graças a Deus, a maioria de nós não irá experimentar jamais. Se não tenho a menor idéia como seria a minha reação, como posso julgar o comportamento da mãe??

  23. andre disse:

    Antes de se criticar a mãe da menina, é preciso levar em conta que essa moça engravidou aos 17, foi mãe aos 18 e perdeu uma filha dessa forma brutal aos 23.

  24. Anônimo disse:

    Vc está certíssimo. E notei que foi cauteloso ao lidar com o tema. Fez bem. De minha parte, tentei ficar alheio a tudo isso - destesto essa espetacularização da tragédia. Mas o pouco que vi, de modo incidental, me desagradou profundamente. Não quero aqui ofender ninguém, ainda mais num momento de dor. Mas acho que falta escrúpulos a algumas pessoas. Falta-lhes integridade. E a imprensa alimenta isso. Tem gente que não resiste a um holofote. As pessoas querem ter 15 minutos de fama a qualquer custo. E quanto à questão dos rituais - concordo com vc e isso é algo que também me incomoda - Sérgio Buarque de Holanda já havia notado que nenhum povo está mais distante de uma noção ritualista da vida do que o brasileiro. Pelo visto, isso segue sendo verdade, em muitos casos.
    Por fim, o contraste que se pode fazer é com a família daquele deputado do PSDB que morreu no acidente da TAM. Foram discretíssimos. Imagino que não deve ter faltado pedidos de entrevista, assédio da imprensa. Ficaram longe dos microfones e dos holofotes. Ficaram efetivamente de luto. Ainda tem gente decente neste país.

  25. Anônimo disse:

    Reinaldo:
    Tomo a liberdade de sugerir àquele anônimo que está há três décadas sem ir na Igreja, porque ela ficou”insuportavelmente barulhenta”, que medite sobre as reais causas do seu afastamento.
    Também destesto cultos barulhentos. Mas, entendo aqueles que se sentem confortáveis em deles participar, desde que o façam com respeito e fé nos princípios fundamentais da Igreja.
    E, tento procurar outras alternativas para a prática da fé, menos “barulhentas”. E, posso garantir que as há.
    Na verdade, “apesar do saudosismo” acho um exagero defender a volta ao tempo do latim e do sacerdote isolado no altar de costas para o público.
    Reconheço que a Igreja é a comunidade. E se a comunidade é “barulhenta” então pode haver motivação para o afastamento se o que procuramos é o “silêncio”.
    Mas, sempre é possível encontrar caminhos para que o afastamente não acabe virando isolamento e o isolamento não se transforme em alienação ou, mesmo, aversão.
    Em último caso, uma visita em momento em que o Templo esteja vazio e, portanto, absolutamente silencioso, é particularmente grafificante para uma “conversa sincera interior a dois”.
    Esta visita pode se transformar numa experiência renovadora.Mas, há que encontrar forças no sentido de “encontrar tempo” para que isto aconteça.

  26. Anônimo disse:

    Fernando Henrique Cardoso said:

    Seria demais esperar que Lula, que também é símbolo de uma sociedade dinâmica em que as forças da mobilidade social contam mais do que a origem, percebesse que o País, para avançar, precisa realizar o muito imperfeitamente realizado ideal da igualdade perante a lei e que a moralidade pública é condição da igualdade republicana, e não preocupação de privilegiados? Não é isso que se deveria esperar do chefe da Nação? O que se vê, porém, é um presidente que não hesita em reviver a velha cantilena dos “dois Brasis”, da elite branca e dos oprimidos, dos maus e dos bons, e não raro justificar as práticas políticas mais atrasadas. Isso num país que o colocou no topo da vida pública e que se caracteriza por ter uma elite composta pelos “brancos da terra”, tisnados com orgulho pelos mais variados sangues, do indígena ao europeu, do negro ao asiático.

    Exagero da minha parte? Ou a cantilena dos “dois Brasis” não foi o mote do discurso que Lula fez recentemente em Pernambuco? Para afagar Severino Cavalcanti, chamou-o de vítima do preconceito das elites de São Paulo e do Paraná, que teriam urdido uma trama para seu afastamento da vida pública. Teoria conspiratória risível, se dita por uma pessoa comum. Inaceitável, porém, vindo do presidente da República. Será a prévia do que virá pela frente na campanha eleitoral de 2010?

    Que perda de oportunidade histórica! Por que não pensar em Mandela, que saiu de 28 anos de cadeia e falou da necessidade de reconciliação entre negros e brancos na terra do apartheid? Sem negar e repudiar, é claro, a injustiça do racismo. E não se diga que os antecedentes de grandeza só vêm do exterior. Basta lembrar de José Bonifácio, que desde o início do século 19 mostrava que o Brasil, como nação, teria de fundamentar-se na diversidade das raças e no reconhecimento de que os valores da democracia e do Iluminismo não se poderiam circunscrever, como pensava Jefferson, a uma elite restrita, formada por brancos e ricos. Ao contrário, afirmava o Patriarca, se déssemos educação aos negros e aos indígenas, portadores de Razão como todo ser humano, eles se tornariam cidadãos.

    Por que, ao invés de passar a mão na cabeça de quanto aloprado exista ao seu lado, de ver amigos em quem se deixa corromper e inimigos em quem honestamente dele diverge, nosso presidente, com todas as credenciais que tem de homem que nasceu no meio do povo mais pobre e venceu, não une os brasileiros em torno do ideal fundador de toda grande República?

    Por que, ao invés de congregar e definir valores comuns, se perde em picuinhas e se entusiasma tanto em inaugurar pedras fundamentais de obras que não se constroem? Raramente o País teve conjuntura econômica e mesmo social tão favorável para dar um salto grandioso na construção de uma Nação decente. Não obstante, a oportunidade se está perdendo pela falta de visão de quem lidera.

    Blog do Noblat, 6.4.2008| 4h56m

  27. Resplendor disse:

    Caro Reinaldo,
    quem é o autor do livro Os Idos de Março?

  28. Antunes disse:

    Reinaldo,

    Acho que entendo…

    O vazio que vem da sede de convivio, da dor familiar, comunitaria… A dor expressa por alguem que faz ou fez parte de nossas vidas e uma amostra de nossa humanidade, de sentimento compartilhado, de carisma… Apesar da dor, torna-se um momento construtivo…

    Hoje, a dor e fulgaz, distante, vem pela televisao e dilui-se em milhoes de aparelhos… A familia, mesmo em luto, nao pertence aquele meio, e distante, quase uma obra ficcional!

    Sem poder compartilhar a dor verdadeira, imaginamos como seria viver dor semelhante… Entao, nesse caso, a constatacao do horror de compartilhar apenas dos defeitos, a potencialidade para o mal, inerente a todos nos…

    Por fim o incomodo desejo de desligar o aparelho, fugir do assunto, alienar-se da sociedade que nao tem mais espaco para essa dor verdadeira, amorosa!

  29. Anônimo disse:

    É REALMENTE a mãe da criança NÃO TÁ NEM AÍ!!!

  30. Anônimo disse:

    O modo moderno ou antigo de lidar com a morte e com o luto está ligado ao fim das comunidades tradicionais e advento da sociedade capitalista moderna.
    Comunidade: “União cujo laço é livre de tudo o que é estranho, de toda finalidade prática, de toda negociata, de toda racionalidade, de todo caráter terrestre, para se fundar exclusivamente no amor”.
    A comunidade supõe encontrar sua origem na grande família rural, que se estende até a nação ou a “pátria” e tem por horizonte a religião positiva, herdada dos antepassados. Os membros da comunidade, articulados hierarquicamente de modo pretensamente orgânico e natural, crêem cultivar entre si relações pessoais e cooperativas, enraizadas numa cultura particular e tradicional.Para o homem que nasceu em determinada casta, não existe a possibilidade, nem em pensamento, de mudar para outra. A casta em que nasceu faz parte do seu ser tanto quanto a família à qual pertence ou o seu próprio corpo; e é desse modo também que ele pertence à religião em que nasceu. Sua vida possui, portanto, uma estabilidade social impensável para o homem moderno. Logo, tal homem é contente, no sentido de ser livre da frustração de querer ser, ter ou saber mais do que aquilo que supõe convir a quem nasceu em sua casta.
    Evidentemente, o mundo moderno se identifica com a sociedade.
    A sociedade tem como protótipo a grande cidade. Nela, os indivíduos se agregam de modo mecânico e arbitrário e tendem a se relacionar de maneira impessoal e contratual.Qualquer homem moderno, medianamente culto, e que viva numa sociedade aberta, consideraria intolerável que lhe fosse negada a perspectiva de ascensão social, de viajar, de se mudar ou de mudar de profissão.
    Naturalmente, o fato de que o homem moderno não possa admitir tal imobilidade não significa que ele seja mais feliz -no sentido de mais contente- do que o homem pré-moderno.
    Fernando Pessoa afirma a superioridade do espírito moderno nas palavras:
    “Triste de quem é feliz!
    Vive porque a vida dura.
    Nada na alma lhe diz
    Mais que a lição da raiz
    Ter por vida a sepultura
    Mas nem todos pensam assim e, para muitos dos nossos contemporâneos, são sobretudo a instabilidade e as múltiplas frustrações que pesam. De qualquer maneira, serão essas, sem dúvida, as razões pelas quais é tão forte, no mundo moderno, a nostalgia pela comunidade tradicional. As religiões prometem não só felicidade e contentamento no outro mundo, mas a estabilidade de uma solidariedade comunitária aos que renegam a sociedade moderna, tida por caótica, atéia, infernal.
    A família, a pátria, as tradições, as religiões foram, de fato (como comemoram Marx e Engels no “Manifesto Comunista”), atropeladas pelo capitalismo.Friedrich Engels que, como Karl Marx, aplaudia a destruição pelo capitalismo das comunidades tradicionais, mas sonhava, no Comunismo, com uma espécie de síntese futura entre a sociedade e a comunidade, queixa-se, em “A Condição da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, de que, em Londres, “a multidão das ruas já tem, por si só, algo de repugnante.Essas pessoas se cruzam correndo, como se nada tivessem em comum, nada a fazer juntas. Essa indiferença brutal, esse isolamento insensível de cada indivíduo no seio dos seus interesses particulares são tanto mais repugnantes e ferinos quanto maior é o número de indivíduos confinados num espaço reduzido.” O sonho comunista se revelou um pesadelo totalitário. O capitalismo venceu no Ocidente. A comunidade ainda é forte nos países islâmicos.
    Mas, essas instituições e/ou mitos do passado não morreram completamente entre nós, e permanece entre muitos a nostalgia por uma época em que o mundo, constituído por comunidades mais ou menos fechadas, não tendia à sociedade aberta. Para tais nostálgicos do “ancien régime”, a sociedade desenraizada, cada vez mais composta de indivíduos hedonistas, representa o ápice da desagregação, da decadência

  31. ROBERTO FONSECA disse:

    Tio Rei,
    Conheço bem sua opinião sobre o celibato e quase não escrevo para confrontá-lo, porque, na maioria das vezes concordo com você e quando não concordo a desavença é quase sempre relativa ao tom ou a intensidade com que expõe seu pensamento.
    Gostaria de chamar-lhe atenção para isso. Palavras suas:
    “Mais passa o tempo, mais me regozija o coração esta Igreja não abrir mão de seus princípios, não cedendo aos apelos e/ou à tentação de aderir ao pragmatismo que faz a vida valer tão pouco ou ser um vulto que cabe numa mera demanda coletiva.”
    Evoco-o para lembrar que no caso do celibato, algo mais além do pragmatismo pode estar em jogo. Acabei de ler o O processo ritual de Victor Turner (saiu pela Vozes, nos anos 70 e está esgotado, mas em inglês é muito fácil de achar) e lembrei-me particularmente de você quando li o capítulo “Liminaridade e cummunitas”, especialmente quando Turner analisa o sacerdote como uma personagem liminar, gostaria que você desse uma lida e, quem sabe, voltasse a escrever um post sobre o assunto.

  32. Cris disse:

    REI

    Fiquei matutando sobre o assunto hoje. Vou chutar uma coisa que me ocorreu:

    Será que esta espetaculização da morte não tem a ver com a justiça lenta e falha? Pense só: as pessoas, ao que me parece, incorporaram o conceito de que, se não houver um auê em cima dos casos, se não se conseguir colocar a mídia em polvorosa, a polícia não se mexe, ninguém é preso, muito menos julgado.
    Fiquei me lembrando daquele Celso Russomano. Não sei se vc se recorda, mas naquele tempo, parece que ele perdeu um filho, por mal atendmento em um hospital, e fez daquilo um espetáculo. Só assim conseguiu que aquilo que acontece todos os dias com muita gente virasse caso de polícia.
    Daí prá frente, me parece que há uma movimentação toda neste sentido: faça espetáculo, pois enquanto o “seu” caso estiver no JN, na Record, no Datena, no Fantástico, as coisas vão andar. Melhor ainda, ninguém tem a menor chance de ficar livre, leve e solto. Mantenha a opinião pública ligaa, pressionando. Senão…ihhhhhhhh…

    Não pode ser? Se for isso, e acho que tem boas chances de ser por aí, trata-se de mais uma distorção, uma deformação mesmo, causada pela impunidade reinante.

    O Lalau, por exemplo, juiz, poderoso e RICO, estaria em prisão domiciliar, se não fosse a imprensa ter grudado no pé dele? DU-VI-DO!

  33. Anônimo disse:

    Sociedade do espetáculo. A mãe, sinceramente enlutada, se vê na obrigação de se transformar numa personagem pública, midiática. Logo, estará dando entrevista à Hebe Camargo e propiciando a esta discuros inflamados e moralizantes.

    Publius

  34. Anônimo disse:

    Belíssimas reflexões. Obrigada por ter escrito , de maneira tão genial( como sempre), algo que muitos ,certamente também sentiram. Concordo com você: o que seria do homem, não fossem os limites impostos pelos valores culturais?

  35. BOOTLEAD disse:

    Boa noite Reinaldo!

    Triste não?

    Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

    Comunicado Atlântico

    A direcção editorial da revista Atlântico decidiu suspender a sua publicação, depois de ter constatado a impossibilidade de garantir os investimentos em publicidade necessários. Apesar disso, devem todos aqueles que participaram neste projecto estar orgulhosos do que conseguimos fazer: uma revista independente, que se manteve durante três anos, saindo regularmente todos os meses, com uma tiragem e uma circulação que nenhuma revista de ideias tinha antes conseguido em Portugal. E se foi assim, tal deve-se em primeiro lugar a uma equipa de colaboradores dedicados e entusiastas, a quem agradecemos um empenho que nunca falhou. Convictos de que um projecto como o da Atlântico faz cada vez mais sentido, propõe-se a actual direcção editorial prosseguir todos os esforços para relançar a revista. Voltaremos.

  36. Anônimo disse:

    Concordo

    com o leitor que escreveu isto

    “Acredito que esta época em que vivemos hoje, da banalização da vida e da morte é reflexo do excesso de informação a que estamos expostos, meio que sem escolha, com uma mídia que não vem para trazer a reflexão, mas sim uma verdade dita absoluta, porém mais frágil que um galhinho de árvore. Neste ponto discordo do autor, pois acredito que a imprensa tem sua parcela de culpa nesta banalização da vida/morte, pois a expõe como mais um produto a ser vendido e exposto. ”

    Penacho

  37. Anônimo disse:

    Eu heim…!

    Em plena páscoa ter de aturar militância esquerdista…?

  38. Anônimo disse:

    Complementando meu comentário matinal

    Reinaldo ,

    Hoje, às 9 18 AM , postei um comentário sucinto sobre o seu belo post que teve como tema a “banalização da morte” e a conseqüente “banalização da vida”.
    Peço vênia para fazer agora um comentário ampliado.

    Faz muitos anos, um grande escritor brasileiro (infelizmente quase esquecido) escreveu uma interessante frase sobre a inteligência humana. Não me lembro bem se ele era o autor da frase ou se a estava apenas citando, porém ela diz o seguinte:

    ” Filha sou na casa de meu Pai, mas senhora na minha”.

    Pois é, durante muitos séculos a inteligência exerceu esse digno senhorio nos ambientes católicos, sem que isso a fizesse deixar de prestar a máxima reverência ao Senhor de tudo, adorando Àquele que nos criou e nos redimiu.

    Hoje, infelizmente, a sensibilidade ocupou o lugar da inteligência. Esta acabou ficando encolhida no fundo das nossas igrejas, lá no último banco, quietinha, à espera silenciosa de um retorno à sacralidade de outras épocas.

    Esse desejável retorno não implicaria o esquecimento da sensibilidde. Restauraria, sim, a correta hierarquia.

    Nunca é demais lembrar: os anjos não têm corpo; por isso, sua alegria acontece na inteligência que possuem.

    Seu post, Reinaldo, é um tributo ao papel reitor da nossa inteligência, Congratulo-me com você. E notem bem, colegas leitores, o Reinaldo NÃO é alguém insensível, muito pelo contrário.

    Aqui fica mais uma vez o meu abraço para você.
    Boa noite.
    Que Deus o abençoe!

    Bobby

  39. Anônimo disse:

    Impecável! Sensacional! Parabéns mais uma vez!
    Luiza

  40. Anônimo disse:

    Impecável! Sensacional! Parabéns mais uma vez!
    Luiza

  41. hdrummond disse:

    Belo texto, Reinaldo!
    Já passei pela dor de perder um irmão mais novo, que foi a sensação de perda de um futuro, como de um filho.
    Senti na pele a dificuldade de vivenciar a dor, que era muito grande, inclusive na própria missa de 7o dia, que foi realizada juntamente com uma comemoração particular da comunidade.
    Foi ruim para mim, pois entendo que a paróquia estivesse comemorando, mas não gostaria de ter vivenciado a festividade em meio ao meu luto.

  42. Anônimo disse:

    Reinaldo….

    Os teus textos são claros e diretos, o vernáculo é impecável, porem o grande fragelo do nosso pais chama-se mentira, e a forma pela qual a mentira é tratada pela JUSTIÇA, o perjúrio é irrelevande, e enquanto irrelevante ele for, mas atrocidades teremos, mudar o ordenamento juridico, para que haja punição GRAVE ao perjúrio, seria a nossa solução, pois enquanto AUTOR E RÉU NÃO FOREM OBRIGADOS A DIZEREM A VERDADE, HAVERÁ A BANALIZAÇÃO E A INDUSTRIALIZAÇÃO DE PROVAS, o surgimento de dossies, e atos que nos revoltam como este.

    A JUSTIÇA COM A PALAVRA, UMA GRANDE REVISÃO AO NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO, SUJIRO O MODELO AMERICANO ONDE O PERJÚRIO É GRIME GRAVE E DE PENA TAMBÉM GRAVE.

    QUANTAS VEZES VC JÁ VIU NA MIDIA OPERADORES DA ÁREA DO DIREITO ADVOGADOS MENTIREM VERGONHOSAMENTE DIANTE DAS CÂMERAS, QUE TAL POLITICOS, JÁ QUE É O TEMA DO BLOG.. QUE TAL ???

    ABRAÇOS E ÓTIMO FINAL DE DOMINGO.

    FLÁVIO.

  43. Anônimo disse:

    Prezado Reinaldo:

    Estamos nos afogando em tantas e sucessivas informações de crimes horrendos todas as semanas que as gotas vamos ficando a cada dia mais insensíveis. Mas, não posso concordar com muitos comentários aqui, que estão “insensívelmente” reduzindo a dor insuportável da mãe. As reaçoes nestas horas jamais serão iguais, a forma como as mortes ocorrem nao são iguais e quem nunca passou pela incomensurável dor de perder um filho nao tem direito algum de julgar esta reação. Acreditar que uma mãe que perde um filho nestas circunstâncias deve ter o discernimento entre o que usa ou fala é desumano. A senhora deu uma curtíssima declaração e já estao comparando-a com ONG que sugam dinheiro. Isto também é a banalização da dor e do respeito.
    A exigência de um comportamento padrão nestas horas somente pertence a aqueles que podem ver os filhos com os seus próprios olhos, e nao para aqueles que agora só podem ver os seus através do coração, e este coração leva os pais e mães as mais variadas formas de expressão de dor, que pode também ser uma camisa branca com a foto da filha amada ou ler as mensagens de conforto que um desconhecido lhe manda pelo orkut. Não posso seguir por esta linha condenatória. No mais, só posso concordar com vc, estamos sim, banalizando a morte. Leo Santos

  44. Sergio disse:

    Reinaldo:

    Já leu Coração das Trevas de Joseph Conrad?

    ser_adv@yahoo.com.br

  45. raphael disse:

    Muito pertinente este texto, pois trata do maior mistério da vida - o seu oposto, a morte. Toda esta discussão foi gerada por causa deste fascinante assunto. Como lidar com a morte de alguém próximo, ou longínquo, ou mesmo de uma menina de cinco anos, como é o caso, é o que perguntamo-nos.

    As opiniões parecem ser as mais válidas possíveis. O que me incomoda é a pretensa generalização do luto que alguns querem pregar aqui. Ao meu ver - o autor pode me corrigir se eu estiver errado - o texto fala de um sentimento pela morte que não se vê mais, aquele em que o sofrimento era visível, até palpável, como diz R. A. Acredito que em nenhum momento o autor quis fazer um paralelo maniqueísta (um problema crônico de muitos leitores deste blog) de que tais formas de mostrar o pesar com a morte de alguém são melhores do que outros. Podemos até ficar intrigados com o comportamento da mãe de Isabella, mas não somos ela, não somos a mãe da menina, e por isso dizer que ela deveria ter feito isto ou aquilo é muito patrulhamento.
    O problema é que hoje vivemos numa sociedade de “comportamentos-padrão”, onde todos os eventos, inclusive a morte, devem ser tratados de forma única - ou todos se descabelam, ou todos vestem camisetas com fotos. Não se permite o sofrimento individual, seu, próprio, de qualquer maneira que seja.
    Acredito que esta época em que vivemos hoje, da banalização da vida e da morte é reflexo do excesso de informação a que estamos expostos, meio que sem escolha, com uma mídia que não vem para trazer a reflexão, mas sim uma verdade dita absoluta, porém mais frágil que um galhinho de árvore. Neste ponto discordo do autor, pois acredito que a imprensa tem sua parcela de culpa nesta banalização da vida/morte, pois a expõe como mais um produto a ser vendido e exposto.

    Um abraço

  46. Anônimo disse:

    Partilho da mesma opinião do jornalista sobre a banalização da dor, da morte, do sofrimento. Recentemente li um livro muito interessante que vem ao encontro dessa mesma idéia: “Transforma meu pranto em dança” de Henry Nouwen em que se fala sobre isso: permitir-se sofrer também faz parte da vida. Hoje parece que queremos “socializar” tudo, até nossa dor.

  47. Anônimo disse:

    Off topic…

    Reinaldo ,fui convidado à assistir um espetáculo da “Paixão de Cristo”
    numa grande igreja batista lá do Morumbí.

    Duas coisas:

    Primeiro: puseram um Cristo com cara de petralha.Guerrilheiro, sei lá…

    Segundo:Um dos apóstolos era negro.

    Pronto. Sei que tem um monte de gente que já vai tirar o carimbo de “Preconceito” da gaveta.

    Posso garantir que não se trata disso.
    Quando vejo esses presépios que representam a “Sagrada Família”, com uma família de negros, orientais, ou uma família indígena aceito isso como uma proposta de reflexão.
    Não foi assim, mas se fosse teríamos de aceitar a mensagem da mesma maneira. A essência da mensagem estivesse ela sob qualquer raça, côr, nacionalidade é o que tem relevancia para a humanidade.

    O que ocorreu naquele espetáculo,porém, foi uma crítica ao próprio Cristo e às Escrituras.

    Diferentemente do “Cristo” com cara de petralha e políticamente correto, o Cristo bíblico esqueceu-se de colocar um representante negro entre os apóstolos.

    A “mensagem” deixada com aquele espetáculo foi a seguinte:

    “Ou o Jesus Cristo bíblico era preconceituoso ou a bíblia é que é tendenciosa.”

  48. Anônimo disse:

    Um texto de grande sensibilidade.

    Nada a acrescentar.

    Obrigada por escrever aquilo que sentimos mas nao temos a sua capacidade de expressao.

    “A banalizacao da morte nada mais é do que a banalizacao da vida.”

    É isso aí.

  49. gonçalves de oliveira disse:

    Por que, ao invés de congregar e definir valores comuns, se perde em picuinhas e se entusiasma tanto em inaugurar pedras fundamentais de obras que não se constroem? Raramente o País teve conjuntura econômica e mesmo social tão favorável para dar um salto grandioso na construção de uma Nação decente. Não obstante, a oportunidade se está perdendo pela falta de visão de quem lidera.

    Domingo, 06 de Abril de 2008 |

    Oportunidade perdida
    Leia aquí, Link aberto:estadao online
    por Fernando Henrique Cardoso

    Preparei este artigo antes de viajar para os Estados Unidos, onde participo, hoje, de uma série de discussões na Universidade de Brown, em comemoração dos 40 anos da primeira edição do livro que fiz com Enzo Faletto sobre Dependência e Desenvolvimento na América Latina. É a minha despedida de Brown, depois de haver sido professor at large (título que requereu curta permanência docente anual) durante cinco anos.

    Confesso que não gosto de escrever com tanta antecipação. A natural falta de interesse do leitor de jornal por notícias e mesmo por análises não atualizadas requer temas momentâneos. Temas que, ultimamente, têm sido francamente desanimadores para quem acredita que a política não se limita a uma luta mesquinha pela conquista e preservação do poder. Causa-me repulsa a falta de compromisso com a verdade dos fatos, a desonestidade intelectual e, principalmente, o tratamento cínico dispensado a indícios graves de improbidade na administração pública e a benevolência com que são tratados infratores amigos ou aliados. Como ainda agora no episódio dos cartões corporativos. A insensibilidade do presidente e de seu governo é tanta que pouco se lhes dá a opinião pública. Com a popularidade inflada pelos bons ventos da economia, joga-se irresponsavelmente com a idéia de que a preocupação com a moralidade pública e o respeito à lei é coisa de elite branca que tem tempo para ler jornal.

    Quanta diferença com o que se vê hoje nos Estados Unidos. Quem não leu deve ler a íntegra do discurso de Barak Obama A more perfect Union. Nele Obama reconecta a luta política aos melhores valores de uma República que foi fundada com bases em ideais, entre eles o da igualdade. Um ideal sempre imperfeitamente realizado, mas que constitui até hoje o móvel das melhores e mais nobres lutas políticas do povo americano. Obama não se apropria do ideal para utilizá-lo como arma eleitoral e dividir o país. Mostra, assim, a grandeza de sua liderança.

    Reproduzo um trecho representativo do sentido de seu discurso. Nele reconhece e critica a agressividade do pastor Jeremiah Wright nos sermões sobre raça proferidos na Igreja da Trindade. Repudia, por outro lado, a crítica que apenas sataniza o pastor e explica: “O erro profundo dos sermões do reverendo Wright não é que ele tenha falado sobre raça em nossa sociedade. É que falou como se nossa sociedade fosse estática, como se nenhum progresso houvesse existido, como se ela ainda estivesse ligada irreversivelmente a um passado trágico. Isso numa nação que tornou possível para um dos membros da congregação disputar o cargo mais elevado de sua terra e de construir uma coalizão entre brancos e negros, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e velhos. Mas o que nós sabemos, o que nós vimos, é que a América pode mudar. Este é o verdadeiro espírito desta nação. O que nós já conseguimos nos dá esperança - a audácia da esperança - para fazer o que nós precisamos e devemos fazer amanhã.”

    Que diferença! Seria demais esperar que Lula, que também é símbolo de uma sociedade dinâmica em que as forças da mobilidade social contam mais do que a origem, percebesse que o País, para avançar, precisa realizar o muito imperfeitamente realizado ideal da igualdade perante a lei e que a moralidade pública é condição da igualdade republicana, e não preocupação d

  50. Anônimo disse:

    Talvez o luto e os símbolos da morte tenham sido banalizados exatamente pelos “atos políticos”.
    Não há um caixão em cima da mesa do Reitor na UNB? Não vestiram luto contra Collor, e não coloriram-se para o Mensaleiro? Quantas vezes “enterrou-se” simbolicamente fulano ou sicrano, por desafeto político?

  51. Anônimo disse:

    Reinaldo, PERFEITO o teu texto,tenho essas mesmas impressões, parece que a morte não faz parte da vida, e há uma fuga em viver o sofrimento, o luto que muitos psicólogos sérios dizem DEVE ser vivido, é como se a pessoa vivendo o luto se prepara para viver sem a pessoa querida é aquele hiato da presença e ausência do ente amado, se não vivermos isso individualmente do sofrimento mais com o apoio das pessoas mais próximas e mais queridas, é como queimar etapas e aí não conseguir CONVIVER, com a ausência e a dor da perda, chega o tempo Reinaldo como disse um irmão meu, só vocês daqui a um tempo terão essa dor, as pessoas vão viver suas vidas, e ELA mesmo não estando aqui ficará para sempre com vocês, sábias palavras, viver o luto sem estardalhaço e com a ajuda da fé que a pessoa professa (no caso a minha é católica)é a melhor saída, não vou dar opinião sobre a mãe desse caso, essa parece que convive bem com o assédio, porque o que me chocou mesmo foi o que fizeram com a mãe do menino João Hélio, eu me vi naquela mulher, seus olhos pediam , me deixem em paz, aquela romaria de pessoas querendo passeata, gente fiquei tão penalizada com aquele sofrimento invadido, e dei graças a Deus, pela paz que pude viver diante de hora tão trágica, ao lado das pessoas amadas, que depois foram viver suas vidas mais deixaram comigo o AMOR, A COMPAIXÃO, A SOLIDARIEDADE daquele momento, e aí é você que tem que seguir e segurar na MÃO DE DEUS. Gosto muito desse salmo “Como Deus é BOM, eterna é a sua misericórdia”. Vamos ter misericórdia dessa mãe. A vida dela NÃO será mais a mesma. Que Deus a abençoe.

  52. Daniela • Brasileira Insone disse:

    Brilhante, Reinaldo.

    E esse tipo de coisa que venho aqui buscar todos os dias.

  53. Anônimo disse:

    Aí Datena! Precisa ler esse Post como EDITORIAL do Brasil Urgente.

  54. branco disse:

    Reinaldo.
    A vida, o cotidiano esta nos ensinando a banalisar tudo.
    Enquanto tivermos militantes, dignos representantes do povo, como este tal de Lula e seus asceclas, teremos banalisação até de nós mesmo.Como um homunculo como este tal de Luiz Sérgio do PT do Rj pode ter qualquer tipo de notoriedade dentro do congresso nacional?
    Coisas do Lula, não é mesmo?

  55. Anônimo disse:

    Sugiro que vivam, transmutem a dor os sentimentos negativos, senão a vida pode colocar uma quimioterapia para que o façam. Daí não tem jeito, você vai lá fundo na sua dor a cada dose e o que mais quer é isto mesmo, ir bem fundo na sua dor emocional para que esta seja totalmente liberada para não mais voltar.

  56. Anônimo disse:

    Caro tio Rei,
    não se mede a dor pela quantidade de lágrimas…a morte assim como o nascimento é cotidiano;acredito que o ser humano deve ser reconhecido pela maneira como reage aos obstáculos de percurso que a vida apresenta;portanto o luto e a dor que se faz pública são recursos de quem não tem condições de encarar a própria realidade.Deixar nossos mortos partirem sem alarde é sinal de evolução.E com certeza quanto mais sábio menos se publica a dor.

  57. Mauro disse:

    Reinaldão…

    Brilhante esse texto.

    Rousseau disse que o homem é bom em contraposição à Biblia, que diz que somos maus.
    A possessão demoniaca mais sutil e por isso mais perigosa é aquela em que os homens trasmutam a mentira em verdade e vice e versa, coisa de esquerdistas.

    Abraços

    Mauro Mendes

  58. Anônimo disse:

    A moda da negação da dor através do espetáculo chegou aos enterros. O costume, agora, é pedir uma salva de palmas para o defunto.
    Sempre que vejo isso me pergunto: e se o viúvo (ou viúva, ou filha, ou mãe) estiver com vontade de chorar, e não de aplaudir? Não tem direito ao pranto?
    E, como salva de palmas se associa a momentos alegres, a comemorações, sempre sinto o receio de que alguém queira incrementar a homenagem e grite, depois dos aplausos:
    “E para o defunto nada? - Tudo! - É pique, é pique!”

  59. Anônimo disse:

    Henry…!

    Quem precisa de espetáculo é você as ONGs.

    Ninguém aquí está negando o fato de que existem maneiras diferentes de enfrentar o sofrimento.O problema é a exploração dêle.

  60. Anônimo disse:

    Reinaldo mais uma vez você falou o que está no coração de muitos de nós. Há uma falta de respeito pela dor do outro, mas a falta de respeito é geral, é em todos os lugares e nos escandaliza mais, quando se trata de uma tragédia como essa… Estamos perdendo todo os valores e princípios morais porque a maioria se perdeu de DEUS, mas ainda há tempo de se resgatar esses valores e o respeito ao nosso próximo e a Deus.

    Sandra

  61. Dora disse:

    Reinaldo,

    Quero deixar claro que o comentário de minha amiga sobre as reuniões dos familiares das vítimas do vôo da TAM se refere tão somente à postura de alguns representantes que não querem discutir nessas reuniões a questão da dor do luto, que certamente é irreparável e inconsolável, mas questões que também são cabíveis como reparação moral e indenização, de resto, justas, mas que, entende ela, são menores perto do luto em si. Respeitamos a dor de todos que perdem seus entes queridos.

  62. simplesmente maria disse:

    É off topic, mas pertinente ao tema.

    É de embrulhar o estômago essa manifestação dos esquerdiotas franceses para a liberação da coitada da Ingrid. Quer dizer que só interessa prisioneiro que for europeu, os outros que se lixem? Por que não saem os pasmonhas à rua para cobrar, ao invés, uma ação conjunta internacional decisiva contra as Farc?

  63. Tinkelbells disse:

    Um caso tão chocante e sórdido tem vários fatores que provavelmente contribuíram para seu triste desfecho. O aspecto levantado pelo leitor Anônimo 8:29 é um dos aspectos importantes e tem a ver com a grande questão política dos nossos tempos: como educamos nossos filhos.

    Assim que esse caso começou a se desenhar, me veio à mente um papel que recebemos de um professor para entregar a nosso pais, o qual evidentemente perdi.

    Entretanto, buscando no Sao Google, achei-o e reproduzo-o por achar que tem muito a ver com este caso.

    Aí vai:

    13 regras infalíveis para criar um marginal

    01. Comecem dando a seu filho tudo o que ele desejar. Quando crescido, ele irá pensar que deve ser mantido de graça.

    02. Se, aos dois ou três anos, ele começar a falar palavrões, dêem risada e digam que é muito inteligente. Ele se empolgará com isso e irá em frente, sempre para pior.

    03. Não lhe dêem nenhuma educação religiosa para não lhe tirar a “liberdade de consciência”. Quando crescido, ele será um perfeito ateu.

    04. Não lhe ensinem a distinguir o bem do mal para não criar nele complexos de culpa. Quando crescido, ele pensará que tanto faz roubar como não roubar.
    05. Deixem que ele leia tudo que encontrar e que faça tudo que quiser, nunca se metam na vida dele. Quando crescido, ele brilhará pela sua falta de moralidade.

    06. Façam vocês tudo o que ele deveria fazer, inclusive as tarefas da escola. Quando crescido, ele será um perfeito vagabundo.

    07. Briguem entre vocês, pais, na presença dele; ameacem a separação e o fim do casamento. Ele ficará convencido que o casamento “é uma droga”.

    08. Satisfaçam todas as exigências e os gostos dele quanto à comida. Quando crescido, ele será um perfeito egoísta.

    09. Dêem-lhe todo o dinheiro que quiser, não lhe ensinem que o dinheiro é fruto de trabalho honesto. Quando crescido, ele saberá onde roubá-lo.

    10. Defendam-no sempre, mesmo que esteja errado, especialmente diante dos professores. Quando crescido, ele será um perfeito prepotente.

    11. Nunca passem uma bronca, nem mesmo um pequeno castigo. Quando crescido, ele pensará que pode fazer tudo que quiser.

    12. Se um dia acontecer que ele tenha um caso com a polícia, digam que a culpa é das más companhias. Assim, a consciência de vocês ficará bem tranqüila.

    13. Acostumem-no a uma vida de prazeres e diversões. É possível que, quando crescido, ele passe a maior parte do tempo dentro de um presídio.

  64. Betina disse:

    Rei

    A meditação a que seu texto nos leva é: Que porcaria de transformação o país está passando? Quais serão os verdadeiros valores? Cultuar a morte para entender a vida? Ou banalizar a vida para driblar a morte? Porque a morte está presente no nosso dia à dia desde a troca diária das células, etc até o ultimo suspiro do ser vivo! O que nos entristece e constrange é quando não vem de forma natural, normal.

    E hoje no Brasil estamos passando pela morte dos reais valores que você descreveu. Termos um presidente, ministros e seguidores sem classificação, valores morais e éticos, instiga a sociedade a seguir o mesmo! E existem na história vários exemplos de sociedades que sumiram do mapa por falta de respeito a VIDA!

    Hoje no Brasil quem não tem suas convicções formadas, segue o rumo do nosso mandatário mór. Mente, embrulha, engana, trai, rouba.
    É atávico! O Rei, rainha, ditador, presidente, etc sempre foi copiado pelo povão! Eles ditam as regras e a sociedade copia! Sempre foi assim!
    É gritante a decadência moral e de valores que o País vem sofrendo nesses ultimos 5 anos!

  65. Anônimo disse:

    Eu e minha família ficamos chocados com as imagens daquela missa…

    Padres e pastores foram contaminados pela esquerdofrenia politicamente correta parecem todos apáticos e perturbados.

    Leem a bíblia, mas dão uma interpretação contextualizada com a moral,a psicologia e o politicamente correto do momento.

    Tudo resume-se à causas…Conteúdo espiritual que é bom…

    Prefiro ler seus textos que sem dúvida tem muito mais a acrescentar
    do que essa nova espiritualidade, essa teologia integral das causas sociais…

    Concordo que esse texto deveria ser lido nas igrejas…cátólicas, batistas ,presbiterianas,pentecostais, templos budistas,mesquitas, centros espírita,candomblé etc…

    E aí sim, poderíamos dizer…

    Onde está a Razão não há lugar para a discriminação…!

  66. Anônimo disse:

    triunfo do mal

    O Mal é que todos gostam e praticam. O mal também estar no japones que prega o paz e o amor e o perdão para aqueles que fazem crime: isso é talvez um mal maior do que o próprio assassinato.O perdão é um grande mal. Se Deus perdoa cria assim e criou o instituto da impunibilidade. Então aquele que perdoa produz um maior ainda maior. è a balanalização do mal.

    Zonta

  67. becky disse:

    Eu me perguntei o que poderia explicar a falta de dor, visível nesta mulher: falta de dor nas palavras, no corpo, na expressão do rosto…
    Parabéns, a resposta está na tua reflexão.
    Há muito que banalizaram a vida e com esta dessacralização, esvaziaram as palavras, o corpo, os valores…

  68. Dora M. Folla disse:

    Reinaldo,

    Excelente seu artigo, não conseguiria me exprimir como você o fêz, mas, ainda ontem, um amigo me ligou para comentar sobre esse “espetáculo”, essa necessidade de se dizer que não se vai sofrer, que se vai seguir em frente, logo após um acontecimento tão terrível e doloroso como deve ser a morte de um filho.
    Tenho uma amiga, mãe do melhor amigo de meu filho, o qual morreu em acidente de automóvel em 2004, aos 21 anos. E uma pessoa forte, extraordinária, seguiu sua vida, como de resto não poderia deixar de ser, mas viveu seu luto e ainda o vive com dignidade, mas sempre se incomoda com a pressão das pessoas para que não chore nunca, que não fale sobre a morte de seu filho, como se a morte e a imensa tristeza decorrente dela fosse um fardo e um incômodo de que nos devêssemos livrar o quanto antes, nesta nossa sociedade do “deslumbramento”, do “espetáculo”.

    Ela, juntamente com outrs mães que perderam filhos, foi convidada a participar de reuniões dos parentes de mortos do vôo da TAM e me disse que não pretende mais ir, pois nas reuniões não se quer falar do luto, da dor, mas sim de “causas”, como diz você, algumas nem sempre tão nobres, frente ao absurdo da dor da perda de um ente querido.
    Parabéns, sua percepção foi sentida por outras pessoas que, infelizmente, naõ sabem expressá-la como você o fêz.

  69. Anônimo disse:

    Querido Reinaldo!

    Como sempre, você colocou no papel, de forma clara e simples, os sentimentos mais profundo e “individuais” meus e de quase todos os seus leitores.

    O que você escreve, eu venho sentindo há vários anos na sexte-feira santa.

    Tenho 50 anos. Também “no meu tempo” a morte era tratada com respeito e muita seriedade espiritual.

    Mas principalmente as sextas-feiras santas.

    Já ao acordar sentíamos o quão especial era aquele dia. E o dia era vivido em silêncio (nem rádio se ouvia, muito menos música) e em profunda reflexão sobre o tema morte, mais especificamente, sobre o sentido da morte.

    No domingo de Páscoa era, então, toda a felicidade da vida. E ocupávamo-nos o dia todo com o tema vida, mais especificamente, sobre o sentido da vida.

    Hoje não é mais possível viver um dia de silêncio (nas cidades) pois o desrespeito para com o próximo chegou a tal extremo que somos forçados a ouvir o “som” do vizinho ou a preparação do almoço em estilo de festa dos vizinhos(necessáriamente de bacalhau ou peixe ou assemelhados), etc. Como é mesmo? ingerir carne vermelha não pode mas dançar funk pode…

    Parte da Igreja abandonou os temas essenciais do cristianismo e passou a fazer sua “revolução”.
    E parte dos “cristãos” abandonou sua transcendência e passou a viver exclusivamente sua existência física.

    Esperarmos o que senão a banalização da vida?

    Que Deus o abençôe sempre, a você e a sua família.

    Bia

  70. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    Volto ao assunto depois da minha resposta às 7:33 e ler os comentários. Por favor, me convença que eu interpretei mal, mas será que todos acham que o importante é “exteriorizar” o sofrimento? Vale mais quem se debulha em lágrimas (ou até quem dê ataque histérico) para convencer alguém que se está sentindo dor? Repetirei sempre que a dor é algo íntimo, expressado de forma diferente por pessoas (graças a Deus) diferente. O fato de não haver lágrimas ou choro não quer dizer, necessariamente, que não há sentimento…

    Pessoal, há todas as formas de se sentir perdas. A maioria parece precisar de espetáculos para se convencer que altuém está sentindo algo… É de atores que vocês estão necessitando?

    Henry (novamente)

  71. Anônimo disse:

    Reinaldo, parabéns pela coragem e autenticidade em poder tocar em temas vistos, porém evitados.Já em 1930,Freud disse:’Caminhamos para tempos sombrios.”Durante toda a semana, me questiono à respeito dessa modernidade, que nos leva à um mascaramento dos sentimentos, conduzindo à uma completa desumanização.Gosto muito de um poema de Drumond:”A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,nas forças que não usamos,na prudência egoista que nada arrisca e que,esquivando-nos do sofrimento,perdemos também a felicidade.A dor é inevitável.O sofrimento é opcional.”Por isso reafirmo, parabéns pela sua coragem!

  72. Sandra disse:

    Reinaldo
    Acho que é uma fuga. Luto é mergulhar na dor, e mergulhar muito fundo. Dói, dói e dói muito. A gente prefere ir diluindo a dor em anos e anos de sofrimento. Ou de negação. Acho que falo um pouco por mim.

  73. Fred disse:

    Caro Reinaldo,
    Assusta-me a morte torpe,vil.A fome,a doença e a maldade .Banais estamos em vida,deseducados,amoralizados e entorpecidos.Às vezes a morte é alforria,libertando seus escolhidos no seu tempo e em sua hora.
    Na época do Cristo já se chorava,e os que eram de se indignar,a minoria,só restava levar as farpas de suas cruzes e aguardar por tempos melhores.Passados milênios, chegamos agora,e nossas farpas começam a ferir e nos lembrar que devemos estar alertas neste momento nebuloso e difícil que vivemos.
    Parabéns pelo seu texto.Estamos de luto.
    Fred

  74. simplesmente maria disse:

    Belo texto.

  75. Anônimo disse:

    Nossa, perder um filho, ai, não gosto nem de pensar! Morreria junto com ele, minha vida acabaria. Peço sempre à Deus que me leve antes.

    Lou

  76. Anônimo disse:

    Não querer sofrer!!!
    É o cúmulo do egocentrismo. Não é por nada que cada vez mais aumenta o número de dependentes de psicoterapias e de “filosofias” humanistas, as quais apenas justificam o desprezo que alguém pode sentir por sí mesmo e pelo próximo. Eu sou careta, quadrado. Sou da opinião de que o sofrimento deve ser sim sentido, pois do contrário Jesus não teria suado sangue no Calvário. Que estupidez este mundo! U´a mãe perde a filha, assassinada, e diz não querer sofrer! Diz quere perdoar…
    Mas a quem ela vai perdoar se nada parece sentir?

  77. Anônimo disse:

    PROBLEMA

    O problema é que as causas defendidas são em geral equivocadas. As pessoas, por causa do patrulhamento ideológico, se sentem no dever de perdoar o criminoso.

    Ficam pedindo paz para facínoras que não tem qualquer respeito pela vida humana.

    Bandido tem que ir para a cadeia. Parece simples. Mas muita gente acha que é melhor afagar o criminoso, na ilusão de que ele vai virar bonzinho. É muito desconhecimento da natureza humana.

  78. Anônimo disse:

    Será que a vida nao se banalizou quando começamos a dar essencial importancia à matéria e nao aos sentimentos e relacionamentos?

    Esse é um dos questionamentos a serem feitos a respeito do capitalismo desenfreado.

  79. jeronimo disse:

    O anonimo das 9:50 AM

    “A religião católica ainda conserva um pouco do respeito à morte, mas seus seguidores tendem ao abandono das práticas ancestrais por influência dos evangélicos e dos espíritas, que como legítimos herdeiros do revolucionarismo são materialistas.

    9:50 AM”

    Muito bem! Continue atirando no próprio pé. Ache mais diferenças entre vocês, cristãos, e esfregue na cara de seus “irmãos em Cristo” e corra pro boteco mais próximo pra ver os comunas se rachando de rir de vc.
    Os vermelhos têm uma frase : O que nos une e muito maior que o que nos separa.

    E, parece-me, que acusar outras formas de cristianismos pelas mazelas “estrategicamente pensadas e postas em práticas” pela inteligência da Internacional Comunista deve ser o mel na chupeta que els gostam.

    Francamente! Preste atenção em quem vc está mirando seu fuzil… o alvejado pode ser seu maior aliado!

    Jeronimo, da roça…

  80. Anônimo disse:

    Tio Rei, ainda bem que ainda há quem, como você, defenda o que é certo. Grande texto.

    Grande abraço,
    Fábio

  81. Stefano disse:

    Caríssimo Rei

    Parabéns por mais um texto magnífico.

  82. Anônimo disse:

    Escreveste bonito, Tio Rei!

    Parabéns!

    obs: o embrião, mesmo “in vitro” é uma NOVA E OUTRA E INVIOLÁVEL vida!

    Nenhum petista, mesmo do STF (o tal britão, poeta e cultor da morte brega) bota a mão prá matar!!!

    A VIDA DO OUTRO, DO PRÓXIMO, desde a concepção, é lógica cristalina, É INVIOLÁVEL (pela constituição brasileira)…É SAGRADA !

  83. Paulo Boccato disse:

    HOJE LI TODOS
    OS JORNAIS DE GRANDE CIRCULAÇÃO NO BRASIL (RIO ,SP ,BRASILIA E PORTO ALEGRE)…SEM DUVIDA ,A IMPRENSA NACIONAL ESTA COALHADA ,TOMADA PELA BURRICE REDACIONAL !

    É DEFINITIVO !
    NA IMPRENSA DE BANANIA, O ‘EU’ POÉTICO FOI DEFINITIVAMENTE SUBSTITUIDO PELO ONANISMO DO PENSAMENTO ESTATAL SUB-REPTÍCIO !

    A IMPRENSA ESTÁ MORTA, VIVA A ‘ENPRENSSA’ !

  84. Chuck disse:

    Reinaldo,

    Acompanho o caso (muito) à distância, na verdade nem tive tempo para ler as entrevistas ou assistir reportagens sobre o caso. Entretanto, proponho um contraponto ao seu texto através da história de uma ONG no Rio Grande do Sul: a Fundação Thiago Gonzaga nasceu de uma tragédia talvez equivalente (porque mais fortuita), e se converteu em um caso de sucesso na ação das tão difamadas ONG’s. E para entender a motivação da mãe de Thiago em criar a fundação, recomendo a leitura do histórico da fundação: http://www.vidaurgente.com.br/historico.asp?area=1&item=1

    Abraços

  85. Juliana disse:

    Parabéns, Reinaldo. Você foi observador muito astuto. A camiseta que ostenta a foto de Isabela é um símbolo, no mínimo, suspeito. O caso virou público, mas a causa é privada. Não foi, a princípio, uma mazela social que causou a morte de uma criança, como no caso de João Hélio. Até agora nos parece que foi, sim, uma doença privada, identificada no círculo familiar.
    A luta e o luto do “caso Isabela” são micro, o(s) assassino(s) é (são) produto(s) de uma mazela privada, que infelizmente, devido à atrocidade, virou caso macro.

  86. Antonio Augusto Carvalho disse:

    Prezado Reinaldo,

    Fiquei com um sentimento dividido em relação a este post. Em primeiro lugar, por ser budista, veja a morte com olhos diferentes do que ensina a cultura ocidental, principalmente a judaico-critã. A morte, muitas vezes, está ligada ao cumprimento de um carma e, como tal, redentora. Dependendo das circunstâncias, sou tomado de compaixão diante da morte. Quando ocorre a morte nestas situações, a falta de luto, em si, não me abala. Já quando a banalização ocorre, fico preocupado com os que estão vivos, pois sua reação não é, de forma alguma, adequada e causam um mal permanente a todos nós. Parece ser este o caso.
    A menina cumpriu seu carma, seja qual for. Quam fez isto, está vivo e assumiu um carma muito maior. Os que se comportam de forma inadequada também estão assumindo um carma, apesar de deixam todos os seres mais longe do bem. Com os vivos eu estou permanentemente preocupado.

  87. Anônimo disse:

    Acauã K (11:26): garanto que a sua opinião não é isolada.

  88. Anônimo disse:

    Para a Cris das 12:33.

    Sem contar o comportamento do (da) repórter que entrevista, por exemplo, a mãe de uma garota que foi raptada, estuprada, esganada e esquartejada:

    - Como a senhora está se sentindo?

  89. Anônimo disse:

    Texto brilhante, profundo e tocante. Ajuda as pessoas a almejar um ideal mais alto e a lutar por ele.

    Parabéns

    Eduardo

  90. Anônimo disse:

    Observei nas imagens do noticiário uma ausencia de introspecçao, de algo mais silencioso, mais doido.
    Muita fala e até sorriso no rosto.
    Nao entendi a dor alheia. Se minha
    fosse essa dor, eu estaria com certeza muito triste e cabisbaixa.
    Até os sentimentos sao sentidos de maneira diferente hoje em dia….

  91. Anônimo disse:

    E o Gaspari e o voto do STF sobre o ProUni?

  92. Anônimo disse:

    Prezado Reinaldo,

    Não tenho condições de discutir Rousseau com você, mas resumiria a questão de ser ou não ser mau, numa frase menor: O Homem não é mau. Ele é frágil. Essa fragilidade se traduz inconscientemente na dominação de uma situação. Se ele não consegue dominá-la, expõe seu instinto animal na tentativa de afastar qualquer ameaça ao seu domínio. Reparemos num cão acuado. Sua primeira reação de defesa é o ataque e uma postura de mostra dos dentes arreganhados. Assim somos nós. Experimentamos todos os dias os testes de nosso domínio no trânsito, em casa, no escritório. Quando esse domínio é ameaçado, partimos na busca de uma atitude que demarque nosso território e volte ao equilíbrio natural, que chamamos de paz.
    Mas na verdade, o que eu achei interessante na sua análise foi a colocação do “luto”. Quando era pequeno, cheguei a colocar uma pequena tira de pano preto no bolso, em sinal de pesar pela morte da minha avó.
    Sim naquela época, não havia uma banalização da morte.
    Neste fim de semana, me deparei com outra triste realidade. Nós não estamos preparados para enfrentá-la ( a morte ).
    Observe que nos Colégios, somos preparados para a vida. A vida que movimenta, que nos cede oportunidades em um mundo físico. Não vejo, por outro lado, o ensino se preocupar com o inusitado e por que não, com o fato real de que todos nós vamos morrer.
    Mas como todo mundo aprende nos bancos escolares, só morreremos quando ficarmos velhos.
    O Colégio preparou um acampamento de 6a para Sábado, e para surpresa nossa e tragédia dos pais presentes, uma criança faleceu devido a uma parada cardíaca.
    O clima não podia ser pior. Mães e pais choravam pela morte prematura daquele jovem. Mais tarde, analisando essa situação e lendo sua coluna hoje, chego a conclusão que realmente estamos cada vez mais banalizando a morte sem prepararmos para a vida.
    Quanta saudade do filme a “Vida é Bela “

    Cordialmente

    Arthur Silva

  93. Anônimo disse:

    Vejo que muita gente acha estranho o comportamento de familiares da garotinha assassinada. Que alívio! Já estava preocupado com a idéia de que só eu percebia isso.

  94. Anônimo disse:

    Parabéns pelo brilhante texto e por sua delicadeza em trata da vida e de como viver a morte.Sou Católica praticante e amo cada dia mais minha Igreja, não com fanatismo,mas por sua convicções que não se deixam mordar pela modernidade em todas as áreas.O que nos fere é a impunidade,mais que morte e isso nós vemos todos os dias em todas as áreas de nossa sociedade.IMPUNIDADE que conduz à barbaridade, à corrupção e a violação da visão moral e ética em todos os momentos.Os conceitos ,a educação que recebemos, nos acompanharão por toda a vida,por isso é tão importante dar-se bons exemplos,pois eles que arrastam e conduzem a criança e ser um homem de bem e isso nada tem a ver com dinheiro e poder.Dora JARDIM

  95. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo,veja o q saiu no jornal :

    05:49 - 06/04/2008
    Cartilha sobre como usar droga: polêmica

    Autor: Paula Martins

    Material lançado pelo governo de SP é classificado como muito liberal

    O mundo em que vivemos está cada vez mais liberal com relação a muitos assuntos. Hoje falar sobre drogas, sexo, homossexualidade e outros temas que antes não eram muito comentados, faz parte do cotidiano da maioria das pessoas e, às vezes, pautam conversa de famílias quando elas se sentam à mesa para a refeição.

    Os temas, porém, têm que ser tratados com cautela. Apesar do liberalismo, há vezes em que até mesmo os jovens - acostumados a falar sobre esses assuntos diariamente acabam se assustando.

    Estudantes receberam, por exemplo, com receio e espanto - em Limeira - uma cartilha intitulada “Fique só com o barato”, elaborada pela Secretaria Estadual de Saúde. A Coordenação Estadual DST/AIDS de São Paulo lançou uma série de sete cartilhas - que inicialmente foram distribuídas na Parada do Orgulho Gay em São Paulo - com o objetivo de oferecer subsídios técnicos aos profissionais envolvidos com as ações de prevenção às DST/AIDS em jovens e adolescentes nos serviços de saúde.

    Nesta cartilha há dicas de como usar uma seringa, cachimbo/latinha, canudo para cheirar cocaína, e ainda dicas de como evitar overdose, HIV e como usar preservativo masculino e feminino.

    Porém, o assunto considerado o mais espantoso de todos na cartilha, fica na última página. O material orienta sobre em que pontos a pessoa deve ou não aplicar a droga com seringas no corpo.

    Pessoas que receberam a cartilha estavam em bares próximos à faculdades, onde há maior concentração de jovens. “Fiquei assustado. Em choque mesmo, quando vi essa cartilha”, revela o gestor logístico Ricardo Scaravello Franscato, 30 anos.

    Segundo ele, a cartilha é muito explícita e pode influenciar os mais jovens. “Se o adolescente está em dúvida se usa ou não a droga e como faz, ele recorre a esse material que ensina e vai acabar usando droga. Acho que esse manual tem o poder de influenciar e pode incentivar o consumo”, opina.

    Franscato acredita que o autor até pode ter pensando em fazer algo para conscientizar, mas acha que não conseguiu. O designer gráfico Lucas Gullo, 24, define a cartilha como “sem cabimento”. “Mais parece um guia de como se matar do jeito certo”, diz.

    Para a auxiliar-administrativa, Melyna Balaben, que é mãe de uma menina de seis anos, a cartilha não influencia na escolha de crianças e adolescentes. “Vai da consciência de cada um. Por isso sou a favor de sempre os pais conversarem com os filhos sobre alguns assuntos”, opina.

    Para a psicóloga Tamara Tetzner Giordano, a cartilha não é um material educativo, pois o que deveria ser focado é a prevenção ao uso de drogas e não orientações para que o organismo sofra menos com a utilização delas. “Nos deparamos com uma aceitação absurda de tal situação. Devemos nos preocupar com algo muito anterior a isso, que é porque um indivíduo, diante de um sofrimento, busca a droga como alternativa para abrandar a dor”, afirma.

  96. sergio g disse:

    DESCULPE!!!

    Mandei um comentário no post errado sobre o ombudsman da FSP - era para colocar no post sobre o Ziraldo.

  97. Anônimo disse:

    É UMA AFRONTA AO POVO BRASILEIRO, principalmente àqueles que trabalham.Vejam senhores o jornalista Carlos Cony receber mensalmente em torno de 20.000,00 por mês.Foi perseguido pela ditadura? Para incitar, ainda mais,os jornalistas o tal de Jaguar e Ziraldo ganharam cada em torno de 1 milhão de reais.Neste momento surge a viúva do ex-governador Mário Covas,falecido,
    reividicando um valor absurdo, de 4,7 milhões por danos causados pela perversa ditadura a qual para alguns fez mais mal que bem ao povo brasileiro.Mal está fazendo essa falsa democracia recheada de ilicitudes falcatruas e pior ningúem toma uma providência.

    Infelizmente, o Brasil é um nojo, sem futuro.O PT dominando o país nos quatro cantos do continente e o nosso guia já fazendo política para fazer o seu substituto e senão der certo os seus pares tentam um terceiro mandato.

    O Brasileiro está no fundo do poço e ainda picado pelo aedes egypit e por causa da incompetência dele(lula) e seus áulicos um brasileiro adquire dengue a cada minuto.

  98. Anônimo disse:

    Brilhante.

    Havia pensado no tema do fim do luto, ainda esses dias, por ocasião da morte de minha avó. Hoje, os enterros são mais uma ocasião social ordinária. Não tenho idade para saber como eram os enterros há trinta anos ou mais, mas sinto que há algo de muito errado com essa ausência de luto.

    Depois, volto eu do interior para São Paulo, para a USP, e tenho que aguentar o discurso comunista embalado pelo aroma da maconha. De alguma forma, parecia que as duas coisas estavam conectadas.

    Abraços.

  99. Anônimo disse:

    Não “somos maus”! Cada um é o que é! Há bons e maus! Tão simples assim, como aquela propaganda telefônica!
    As pessoas no afã de buscar respostas, filosofam em cima do nada. Nós, a natureza humana não é uma fórmula, não traz no seu “dna” o caráter animalesco e, ao longo da vida busca domesticá-la. Isso é a maior estupidez que já ouvi. As pessoas nascem puras, - como esse anjinho maravilhoso que foi tragicamente sacrificado - e, ao longo da vida são acometidas por desconhecidas psicopatias, levando a produzir monstros como o que ora a polícia está à procura. Não há nada de novo nisso. Assim como o corpo é acometido de doenças físicas, o mesmo ocorre em relação à mente.

    O luto não existe mais. Primeiro as pessoas se despojaram do traje preto que, inclusive seguia uma regra, que obrigava o seu uso pelos parentes, pelo período de um ano, ou seis meses, ou ainda, a dois meses, seguindo uma gradação segundo o grau de parentesco com o “de cujus”. Como, às vezes, era impossível adquirir um guarda-roupa todo de roupas pretas, o costume “permitia” usar uma tarja-preta acima do peito, que recebia o nome de “fumo”. Havia algumas regras a seguir, como, por exemplo, não ir a festas, promovê-las, então, nem pensar! Não sorrir! Isso mesmo, se alguém de luto se atrevesse a quebrar uma regra dessa, e fosse flagrado rindo, mesmo que fosse de uma boa piada, seria execrado pelos amigos e parentes pela incontinência cometida. Devia usar roupas sóbrias, nada de vermelho ou rosa-choque!
    Para justificar medida tão “radical”, abandonando o luto e não mostrar-se insensível a uma tragédia que ocorresse consigo, as pessoas justificavam que o luto estava no coração.

    O tempo passou, e como segunda medida, o povo também abandonou o luto. Isso mesmo! Aquele lá do fundo do coração. O sofrimento, acredito, permanece no coração de quem tem uma perda irreparável. Quanto a isso, eu não tenho a menor dúvida! Mas, agora, os circunstantes cantam “Parabéns pra você!”, como fizeram com a mãe da pequena Isabella, em plenas exéquias. Dizem que não carregam ódio no coração! Declaram que perdoam o sinistro destruidor da paz com a qual conviviam. Eu não entendo muito bem porque. Sorriem sempre! Mesmo quando esse sorriso nos parece mais o triste e sem vida sorriso de um zumbi. Senti isso quando vi aquele respeitável senhor que perdeu o filho (não sei o nome, mas têm nome japonês ele e o filho morto). Como tem sofrido esse pai! Mas, sempre aparece rindo, um triste sorriso de zumbi!

    Para finalizar, a sofrida mãe – não sei se estou sendo justo dizendo isto, - ela mesma diz que não quer sofrer, não sofre, sente apenas saudade. Ele tem todo o direito de escolher isso, que deve ser uma forma de tê-la (a filha) perto de si, afinal de contas, saudades só se sente com a ausência de alguém que a qualquer tempo pode voltar. Já a depressão profunda é a consciência da perda absoluta.

    Com a ocorrência de uma tragédia de tal magnitude só há duas atitudes a tomar: aceitá-la ou não aceitá-la. Ao aceitá-la a pessoa atingida se cerca de um sem número de reconfortos espirituais para entorpecer a sua dor; e ao não aceitá-la, começa com o fato de que, primeiro não quer “superar” o infortúnio, segundo, como seguir em frente alguém que sente que, de repente, se apaga a luz que iluminava e enchia de alegria o seu caminho? Como seguir em frente na escuridão absoluta?

  100. Anônimo disse:

    Até o cortejo fúnebre deixou de existir por conta da interferência no trânsito. Assim, os valores, pequenos e grandes, vão sendo jogados fora. Não se cultua o que deeria ser cultuado. As famílias são desfeitas com a mesma facilidade com ques se troca uma camisa. Por outro lado, temos exemplos como o do nosso governo (???) onde descumprir a lei vale a pena.

  101. turco caipira disse:

    REI

    E COMO DIRIA O DIOGO, SOMOS TODOS CHIMPANZÉS, NÉ?

    HAJA VISTA O SER HUMANO TER A CAPACIDADE DE VISUALIZAR A MORTE PENSANDO NO PRÓXIMO EXPETÁCULO, ESQUECENDO-SE QUE UMA HORA, COM TODA CERTEZA, SERÁ O PROTAGONISTA DESTE ESPETÁCULO A LHE CONFERIR TAMBÉM UMA “FAMA” QUE ELE PREFERE ESQUECER, MAS…

    ABRAÇO

    TC

  102. Marcelo Viana disse:

    Que texto Reinaldo!!!!

    Eu tinha acabado de ler o texto sobre o pessoal da bolsa-ditadura. Pensei: “O Reinaldo é demais!!”

    Depois, me deparo com essa obra-prima!! Estou sem palavras.

    Vou imprimir!!

  103. ricardo-sp disse:

    Do Google, pesquisando definição de “patético

    Definitions of patético on the Web in Spanish:

    * Del griego pathétikos, que excita la pasión. Cualidad del texto o de la representación que provoca una viva emoción. …
    http://www.sitographics.com/dicciona/p.html

    * adj. Se dice de lo que conmueve … Definición
    http://www.definicion.org/diccionario/64

  104. Nicão disse:

    Nestes tempos de inversão total de valores, onde a Igreja cuida mais da política do que do espírito, onde o legislativo faz leis para proteger bandidos, e não o cidadão íntegro, onde a polícia assume o crime, deixando ao criminoso a tarefa de “cuidar” da vizinhança, onde a imprensa assume a patrulha ideologica, não a vigilância imparcial, onde a justiça julga a conveniência, não o mérito legal, casos como os do menino João Hélio e da menina Isabella não chocam mais. Acontecem, porque, cometer o mal é da natureza humana, e, em qualquer sociedade organizada política e moralmente, por mais que sejam chocantes, quando punidos, servem de combustível cívico para forjar cada vez mais o ambiente de respeito às leis, integridade e ética.
    Em ambientes distorcidos moralmente, como no Brasil atual, passam a ser motivos de espasmos ocasionais de indignação de uma sociedade que já perdeu totalmente a confiança na justiça e na autoridade, e encontra-se anestesiada, prostrada e órfâ pela chantagem das instituições corrompidas e falidas na sua missão de protegê-la.

  105. Anônimo disse:

    Vivemos numa sociedade exacerbadamente narcisista e arrogante e a morte nos envergonha por nos reduzir impiedosamente ao que realmente somos, e sem cerimônia atira-nos na cara a glória vã e passageira a que nos agarramos.
    São tempos hipócritas, há que escondê-la e fingir que o nosso orgulho não se arranhou.

  106. sergio g disse:

    Mais um arquivo salvo na pasta “TEXTOS DO REINALDO”

  107. Anônimo disse:

    A propósito desse caso da menina Isabela não sei se se trata de um esgar, mas as fotos em que sua mãe aparece há sempre uma fisionomia de aparente sorriso.
    Provavelmente se trata de uma contração pela dor da perda, mas transmite uma sensação realmente estranha.

  108. Anônimo disse:

    Reinaldo,
    Há tempo venho lendo seu blog que passei a admirar tanto pela sua opinião sempre coerente como pela forma de expressa-la em textos tão agradáveis à leitura.
    Este, em particular, motivou este comentário. Ao assistir as reportagens sobre a morte da menina Isabella algo me incomodava e não sabia definir. Você o expressou muito bem.
    Um comentário anterior ressaltou sobre a o luto existir mesmo que não se use as vestes pretas, mas acredito que você se referia à expressão do luto e a vivência da dor e não à defesa das vestes (mas você não precisa de um interprete, com certeza).
    Trabalho na área da saúde e você precisa ver o que é a banalização da dor e do luto quando as pessoas solicitam pelos Prozacs da vida, e recebem! Sem ignorar a doença e o seu tratamento, parece que estamos sendo obrigados a sempre parecer felizes e bem resolvidos.
    Já prestou a tenção as cerimônias de casamento atualmente? Tão teatralizadas que tem ensaio.
    Um abraço para você e Dona Reginalda e tenha um bom Domingo.

  109. turco caipira disse:

    AH, REI

    E POR QUE SERÁ QUE TODAS, OU, SEI LÁ, A MAIORIA DAS PEÇAS ESCRITAS POR SHAKESPEARE DEMARCAVAM O PESSIMISMO DE CABO A RABO AO PONTO DE PASSAR UMA IDÉIA DE QUE A EXISTÊNCIA HUMANA NÃO PASSA DE UMA PENOSA FUTILIDADE?

    É, SOMOS MAUS MESMO. E AS RAZÕES HUMANAS TÊM VALORES QUE A PRÓPRIA RAZÃO DESCONHECE…

    ABRAÇO

    TC

  110. Akva disse:

    Reinaldo,

    Não sei por que, sempre leio os seus posts de trás para frente (só agora me dou conta disto) e depois de gargalhar com o “eu punhético”, passo a meditar com este seu texto.

    Realmente, ler o blog tornou-se um hábito para mim.

  111. Maria Inez disse:

    Parabéns Reinaldo seu texto está excelente.

  112. Paulo Boccato disse:

    RÉQUIEM PARA UM PÁIS ,UMA NAÇÃO !

    O dias de hoje em dia, são dias tristes !

    Valores que são importantes apenas porque são valores, nada mais valem…a vida então, de longe, a mais desvalorizada em uma nação onde a esperança foi vencida pelo mêdo…mêdo e enfado do amanhã por conta de cada novo escândalo noticiado pelos jornais e que a cada manchete revelada, mostra que nos aproximamos de um estado policialesco e nada democrático intentado por quem entende o poder do estado como ferramenta para fazer do próprio estado, propriedade a serviço de si mesmo,
    da família, de suas ganâncias e ideologias, da burocracia, do compadrio, da corrupção e que se dane a liberdade do individuo !!

    Que sociedade pode sobreviver (ou existir?) enquanto o que compreendemos tal e qual sociedade qualificada, quando todo dia um pouquinho morre, mingua, fenece, definha o que é bom, justo e de direito, por conta das gentes podres que nos governam e que fazem apodrecer a cada dia um pouquinho, as gentes boas que nos cercam !?

    Nenhuma…

    O Brasil é uma nação em coma, vive e respira por aparelhos deitado em leito explêndido em uma U.T.I moral já faz tempo.

    A constituição ‘cidadã’ de 1988, em minha opinião um golpe branco legislativo dado por quem não foi eleito para ser constituinte, em seu pretencioso choque de democracia, enfartou a nação !

    Réquiem para um país, os que sobrarem no velório !

    Paulo Boccato

  113. Anônimo disse:

    Só faltou citar Hannah Arendt. Noto claramente a influenciado pensamento da autora em seu artigo.

  114. turco caipira disse:

    REI,

    TÔ CONTIGO, MEU AMIGO!

    BANALIZOU GERAL.

    E A DOR…, QUE DOR??

    MORREU? ORA, FUNDA-SE UMA ONG PARA “AJUDAR” AS PESSOAS - VIVA - PORQUE ESTA CONVERSA DE DOR, ANGUSTIA E AGONIA DESVIAM O “FOCO” E PASSAM DESPERCEBIDAS PELA MÍDIA.

    OS 15 SEGUNDOS DE FAMA E O IBOPE É O QUE IMPORTAM, NÃO É MESMO???

    ABRAÇO

    TC

  115. J. Antônio Fernandes disse:

    Perfeito!

  116. eduardo f netto disse:

    O Pai e a madrastra da Isabella foram condenados no mesmo dia, o delegado disse que eles inventaram uma história “fantasiosa”, eu não posso julga-los.
    A Dilma que já fez umas 5 histórias “fantasiosas” deve estar inventando outra história. E com certeza já esta perdoada.

  117. Gonzalez disse:

    Reinaldo, você foi muito bonzinho com a imprensa.Não apenas neste caso, mas em outros parecidos, alguns programas “mundo cão” e seus apresentadores,repisam a coisa para exacerbar as emoções. Eles acham que o povão gosta disso. Lêdo engano. É por isso que a Globo continua imbatível. Ela sabe dosar.
    Eu estava num consultório, e fui obrigado a ver um cidadão na TV Record,repisar,com uma fingida indignação/compaixão,o caso da menina que caiu/foi jogada da janela.
    O apresentador me fez lembrar de um filme com Kirk Douglas, que assistí há muitos anos, cujo título em português era” Montanha do Abutre”.
    O abutre no caso era o Kirk,que fazia o papel de um reporter cobrindo um desastre em uma mina.
    O apresentador me fez lembrar o abutre,ops, o filme.
    Gonzalez Pereira

  118. Anônimo disse:

    Tudo que envolve esse crime é tão absurdo - a começar pelo comportamento dos envolvidos, que eu começo a me perguntar: onde estava essa mãe no momento do crime?

    Num filme policial americano ela teria que apresentar um bom álibi…

    Absurdo? Então leiam a matéria do Le Monde de 3/4/2008:

    Como a justiça francesa perdoou uma mulher que matou a sua filha

    Está em
    http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2008/04/03/ult580u3002.jhtm

  119. Anônimo disse:

    Precisava que esse discurso fosse feito do cume do Everest, de modo a ser ouvido por fiéis e infiéis, de manhã e ao entardecer. Ou, pelo menos, da sede da ONU.
    Tudo o que o mundo atual representa em apenas algumas linhas. Fenomenal!!

    Guerra

  120. Cris disse:

    Rei

    Por que me vem à cabeça cenas de TV, que vemos todos os dias?

    Gente, alguém aqui já deve ter visto, numa enchente, por exemplo, gente que se comporta normalmente, até que…SURGE A REPORTAGEM! Aí, abrem, do nada, um chororô danado!
    E gritam: ‘QUERO JUIIIIIIIIISTIÇA!”

    Tudo é espetáculo, todos querem se ver na telinha. Isso contamina? Acho que sim.

    Não quero julgar, mas acho que se fosse eu a mãe, FICARIA HISTÉRICA ao ver tanta gente querendo explorar o caso. TV? Nem PEN-SAR!
    Mas sou mais velha. Sou da idade do Rei, e no “nosso tempo”, luto era mesmo uma coisa vivida com sobriedade. Também era “feio” fazer escândalo, berraria. Era um momento em que as pessoas “se doíam”, solitárias como só pode ser. Hoje? Não consigo entender.

    Bicho que sofre se recolhe na toca. Gente, antigamente, também. Não compreendo o luto que vira causa.

  121. Anônimo disse:

    A mãe criando ONG já na missa de sétimo dia?
    Não sei não.
    Qual a causa?
    ONG Contra os Ex-Maridos?

  122. Anônimo disse:

    Eu estranhei, desde o início da cobertura jornalística, o comportamento dos “atores” desta tragédia, principalmente o da mãe da menina assassinada. Prefiro pensar que ela se alienou da realidade como forma de “fugir” da dor. Os aproveitadores de plantão continuam os mesmos: tudo vira propaganda.
    Seu artigo tem o mérito de nos propor uma realidade mais humana, como indivíduos, enquanto critica o “comportamento da sociedade”. Eu lamento que valores humanos individuais estejam sendo constantemente obscurecidos por valores “filosóficos, políticos, econômicos e sociais”. A religíão continua sendo uma forma de salvação.
    É bom lembrar que somos indivíduos.

  123. Anônimo disse:

    Reinaldo,
    Gosto e concordo com quase tudo que você escreve. Mas este seu lado religioso é de matar. Acho você inteligente acima da média, mas fico a me perguntar como é que pode uma pessoa inteligente acreditar no deus da igreja católica ou qualquer deus. Como nada é perfeito, sigo lendo o que você escreve.
    Goiânia

  124. andre disse:

    Ontem, assistindo ao JN fui informado sobre o que o pai e madrasta da criança comeram no jantar. Daí, eu que moro sozinho, gritei vai tomar no…e desliguei a TV. Sensacionalismo barato! No próximo Fantático teremos certamente uma longa matéria sobre o tema, e que sabe uma “consulta interativa” com os internautas para saber quem matou a pobre da criança… Lastimável!

  125. Cris disse:

    OPA, OPA,

    O ombundasman da FSP rodou! Já não era sem tempo! O cara é um ZERO em moral e ética!

    Bom descanso, fulano!

  126. tantotempo disse:

    Reinaldo
    você foi ao ponto!Até agora eu me pergunto como aquela mãe consegue dar entrevista,consegue sorrir.Está serena demais,está forte demais.Nossas dores devem ser vividas,devem ser sofridas.Meu Deus,penso que nunca mais sorriria se perdesse um filho.Estou em luto por ela,e ela não está pela filha!
    Um leitor seu,Henry,nos diz que não é preciso 30 dias de luto para demonstrar que estamos em sofrimento.Claro que não,quando a dor não nos atinge tão forte,tão violentamente conseguimos direcioná-la para outro alvo,que não nós mesmos…criamos ONGs imediatamente,lideramos passeatas,etc.E mais tarde,nos tornamos aquelas pessoas atormentadas,ou vingativas,ou alienadas.
    A impressão que tenho é que só eu e maia dúzia vamos sofrer a morte desta doce menina.Os protagonistas estão ocupados com outras coisas mais importantes:dar entrevistas,tornar-se símbolo de alguma luta qualquer,virar garoto propaganda de algum produto,posar para alguma revista.
    Não sei o que me choca mais.Se são esses pais que têm tido pouco tempo para chorar os seus ou se a insegurança que temos vistos nos lares onde,teoricamente deveríamos ter máxima proteção,onde os menores ,indefesos,deveriam encontrar o único lugar seguro no mundo.
    Ju

  127. Anônimo disse:

    Reinaldo,tudo o que foi escrito,por você está no meu modo de pensar,analisar.Quanta tristeza vivemos nos dias de hoje.
    Parabéns.

  128. Kk disse:

    Ia fazer meu comentário, não sem antes ler os demais, e dei de olhos no que diz anônimo das 7:33, pós-assinado Henry.
    Não será necessario que eu me alongue. Ele tirou daqui o que eu tinha a dizer.
    A dor é de quem a sente e expressa-la é algo de foro íntimo e pessoal.

  129. Anônimo disse:

    MUITO BEM DITO, principalmente porque enaltece os valores preservados pela Igreja Católica diante dos tantos apelos do mundo moderno.
    (”mais me regozija o coração esta Igreja não abrir mão de seus princípios”)
    Um abraço.

  130. Badger Vicari disse:

    Sabe quando dizem: “o cara escreveu o que eu penso”? Foi o caso. Muito bom.

  131. JACOVAZZO disse:

    Muito estranho essa saida repentina da dona Erenice da casa civil para o BNDES, o que voce acha?

  132. economista disse:

    Reinaldo e colegas,

    Quem quiser saber mais um pouquinho sobre o mascate, o Mino e o Demarco, dê uma olhada:
    http://arrastao.apostos.com/2008/04/e_agora_jose_2.hmtl

  133. Pedro disse:

    Esse texto mereceria ser lido nas Igrejas. Parabéns, Reinaldo.

    Seu argumento é belíssimo: valorizar a vida é semelhante ao respeito à morte.

  134. MARCO ANTONIO disse:

    CARO REINALDO,

    ONG virou moda mesmo, né? É uma panacéia para os males da humanidade. Mas o auge dessa coisa parece já estar passando. Deus nos livre de tantas ONGs.

    Reinaldo, a perda de entes queridos, seja de que forma for - doença, acidente, crime - é fato incontestável da vida e não há política pública e engenharia social que possam nos consolar quando chegar a nossa hora. Os tais humanistas jamais vão encontrar consolo para esse tipo de dor.

    Contudo, grave também é a Igreja estar cheia de padres em cujos espíritos as causas sociais tomaram o lugar da fé. Bem… neses caso até seria a favor da criação de uma ONG a mais, uma ONG dos padres da engenharia social, contanto que eles abandonem a batina e se afastem definitavemnte da Igreja.

    Um abrço.

  135. Anônimo disse:

    Ola Rei.
    Muito tocante suas palavras:
    ” A banalização da morte, ainda que por meio de sua espetacularização, nada mais é do que a banalização da vida. E uma das faces do triunfo do mal”.
    Por isso so nos resta rezar para que Deus toque o coraçao dos individuos e traga mais amor para si mesmos e para o proximo.
    +abçs
    SRT/SolRio

  136. Diego disse:

    Brilhante Rei.

  137. Marcelo disse:

    Desisti de acompanhar este caso. É tão chocante que fica difícil fazer uma análise sobre motivações, reacões dos parantes. Sinceramente não sei o que faria se estivesse no lugar da mãe. A missa mais parece um carnaval? E daí? Não vou lá? Vejo mais a mãe sendo conduzida do que atuando por vontade própria.
    Este caso, por conta de enorme cobertura, deixou a esfera individual ou familiar.

  138. Anônimo disse:

    O valor mais desejado nos dias de hoje são os 15 minutos de fama, acima de tudo.

  139. Anônimo disse:

    Acauã K. falando:
    Infâmia Humana. Se eu pudesse resumir o espetáculo da morte, o desperdício da vida, a glamourização dos adultérios, o triunfo mundial da Lei de Gerson, as mesquinharias e patifarias, a mediocridade e imbecilidades voluntárias, os fanatismos (religiosos e ideológicos), o populismo (político e religioso - é só observar a máfia da Univer$al), os fundamentalismos, os fratricídios/infanticídios/matricídios/parricídios entre outros, eu diria apenas as duas palavras acima.

    Para quem analisa bem a história da humanidade, sempre há de se deparar com “gerações perversas e incrédulas” (para usar uma frase de Moisés e Jesus) e suas torpezas. O mesmos vícios que eu listei acima já aconteciam em outras épocas: umas em menor número, outras com menos visibilidade, entre outros. Nossa época não é a única “privilegiada” em matéria de degradação humana - e o nauseante é que, como se sabe, muitos que não cometem crimes e outras imoralidades não fazem isso por CONVICÇÃO MORAL, e sim por MEDO À LEI (seja ela religiosa, civil, etc).

    Francamente, eu já perdi faz tempo minhas esperanças pela humanidade como um todo (sejam eles apolíticos, católicos, esquerdistas, intelectuais, jornalistas, pais-de-família, direitistas, protestantes, artistas, pessoas engajadas, entre tantas outras). Essa é uma raça perdida que irá se afogar em sua própria iniquidade. Os meus únicos consolos é que, apesar de tudo, existem/existiram homens e mulheres grandiosos (Churchill, Tchecov, Hannah Arendt…) e que, perdoem-me pela sinceridade, haverá PUNIÇÃO para toda essa imundície, mais cedo ou mais tarde!

    Um bom domingo para todos, e peço desculpas por qualquer coisa presente nesse desabafo…

  140. Anônimo disse:

    Um abraço de solidariedade a você

    Reinaldo -

    Enxergar bem as coisas, ao contrário do que muita gente pensa, não traz conforto a quem tem essa perspicácia. Ao contrário, coloca o “enxergante” numa involuntária e silenciosa solidão.

    Ao acabar de ler esse seu tão belo quanto verdadeiro post, posso perceber o quanto você muitas vezes se angustia diante de muitos fatos que, para outras pessoas, constituem apenas motivo para um mero exrcícício de moralismo político.

    Dou-lhe calorosos parabéns por suas palavras “didáticas” e oportunas.

    Um abraço fraterno-

    Pascal

  141. Anônimo disse:

    Saiu hoje:
    Um criança assassinada a cada dez horas
    A faixa etária mais atingida pelo crime é a de 5 a 14 anos, segundo reportagem do GLOBO. Em seis anos, foram registrados mais de cinco mil casos no Brasil
    Dizer o quê?

  142. sandra disse:

    Muito bem dito.

    A falta de valores leva à política Petista, ao jornalismo de serviços, ao mascatismo em todas suas formas. Tudo está ligado.

  143. Anônimo disse:

    Não existe no Brasil um movimento social que seja mais estigmatizado do que a TFP. Eles tem fortes princípios morais e pelo o que eu me lembre jamais desrespeitaram as leis. Por outro lado os integrantes do MST desrespeitam as leis diariamente e mesmo assim são tratados com todo respeito pela imprensa. “Os fins justificam os meios, são vítimas da sociedade burguesa e portanto devem ser inimputáveis perante a lei”. A obediência aos dez mandamentos iguala a todos e consequentemente põe em risco a revolução bolivariana. Os que mais pregam a igualdade são justamente os que mais praticam a desigualdade.

  144. Cristal disse:

    Tio Rei !!!
    Também tive a mesma impressão sua e até me cobrei por achar que estava sendo severa com essa mãe.
    Achei patética aquela missa de sétimo dia.

  145. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    “…a gente é essecialmente bom, mas corrompido pela sociedade”. O correto não seria “a gente é essencialmente boa, mas corrompida pela sociedade”? A palavra “gente” não é um substantivo do gênero feminino?

    É só uma observação crítica. Não precisa publicar.

    Um abraço e tudo de bom para você e família.

  146. zoot disse:

    Mortes em estradas esburacadas e precárias. Mortes por uma picada de mosquito em pleno século XXI. Violência generalizada e banalizada! O brasileiro só pode estar anestesiado pelos antidepressivos! O governo agradece,tanta “compreensão”e passividade!!!!

  147. Helena disse:

    Interessante sua tese.

  148. Anônimo disse:

    O povo fica anestesiado com essas questões que com certeza são importantes, más ja li uma mulher dizer que a mãe da menina não está se descabelando como ela quando perdeu o filho, então logo:melhor a menina estar morta.É tanta barbaridade que você fala, não é possível que a pessoas não veja a barbaridade que está falando.Então acho importante que as pessoas fiquem escandalizadas, más se não dá audiência, não aparece na tv.Querem é sangue.Querem uma novela na vida real.Tô fora de julgar os outros, más estou também indignada.

  149. Anônimo disse:

    Reinaldo
    Achava que seus textos não mais me surpreenderiam, mas você se superou com este. Perfeito. Eu já estava achando que algo estava errado comigo, pois não conseguia ver dor na mãe da menina - acho até que ela estava um pouco feliz por estar exposta na mídia. Espero sinceramente estar enganada, ela deve estar apenas um pouco ainda anestesiada, não conseguiu ainda entender o que se passou, e que ela não verá mais a filha por um bom tempo.
    Não entendi porque o texto do argentino passou…
    valderez

  150. mac z disse:

    “…meu tema preferencial é a política, embora trate, amiúde, de assuntos relativos a comportamento e moral.”
    É como se Abraham Lincoln dissesse: “…minha área de atuação é a política, embora prefira pescar…”
    Guardando as devidas proporções, nada do que o ser humano faz é irrelevante ou desconectado, mas certas coisas são dons…

  151. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo,

    Que Deus conserve esta mente clara e esta pena afiada.

    Antonio Ribeiro

  152. Ségolène disse:

    Que coisa! Ontem à noite discutimos aqui em casa exatamente sobre isso. Não é que alguém queira ver choro e ranger de dentes, mas é verdade que tudo ficou muito frio.

    Acho que é isso que todo mundo está estranhando. Somos um país de diversidade de origens, por isso mesmo, emocionais. E nesse caso faltou reação emocional à altura.

    Como mãe eu confesso: jamais teria cabeça para responder qualquer mensagem no orkut no dia seguinte à morte de um filho meu. Muito menos tolerar um bando de crianças correndo na igreja ou a midia, na missa de sétimo dia. Depois de um tempo, sim, seria até possível.

    Só quem já perdeu um filho sabe do sentimento que eu tento transmitir e, acho, que sem sucesso.

    Minha filha, mais fria e cruel logo perguntou: será que tem seguro na história?

  153. Anônimo disse:

    Para colaborar sobre o tema. Artigo do cardiologista Domingos Braille sobre a morte

    Não se morre como antes

    Domingo Braile

    Se recebi incentivo para escrever sobre a indesejável, confesso que também recebi de pessoas muito amigas o conselho de que deveria parar de escrever sobre tema tão lúgubre. Aventuro-me, contudo, a continuar no tema. Não como algo assustador, e sim como um fenômeno tão comum como o nascimento e a própria vida. A sociedade tem passado por mudanças enormes, em poucas gerações, principalmente na segunda metade do século passado e se avoluma neste novo milênio. O progresso foi enorme e as conquistas do homem, verdadeiros milagres impossíveis de ser imaginados há dezenas de anos. O mesmo aconteceu com a morte, mas neste caso não sei se foi para melhor ou pior. A verdade é que hoje não se morre mais como antigamente. Como escreve Pessini em seu livro “Morrer com Dignidade”, o acontecimento teve uma mudança total no comportamento das pessoas.Antigamente o desenlace ocorria geralmente em família, com as seguintes características: - Quarto como local público: não se escondiam de ninguém os últimos momentos de um ente querido, permanentemente rodeado de familiares e amigos. - Vela acesa na mão: era um costume que não podia faltar, pois a vela deveria iluminar o caminho daquele que partia para sempre. Este comportamento existia mesmo nos hospitais, em cujo criado-mudo, junto à cama do paciente, a vela nunca faltava! - Presença de crianças: não se escondia das crianças o rito de passagem. Vejo hoje que a infância é poupada a todo custo de presenciar este último momento da vida. Não quero entrar em seara em que não sou douto, mas me parece verdadeira alienação impedir que os seres em formação sejam privados de conhecer o começo e o fim da vida.

    - Orações ininterruptas: as ladainhas eram uma constante nestes momentos de sofrimento e certamente representavam um alívio para aqueles que se despediam de alguém que lhes era muito caro, mostrando solidariedade e formando uma egrégora de paz e de alto valor sentimental. - Badalar dos sinos: anunciando que um ser da sociedade havia deixado a Terra dos vivos para seguir o caminho a ele reservado. - Missa de corpo presente: era um costume freqüente levar o falecido à igreja e lá assistir com ele à última missa, que lhe podia ser oferecida junto com toda a comunidade a dar-lhe o adeus. - Procissão até o cemitério: o féretro era conduzido em silêncio pelas ruas da cidade com os melhores amigos carregando o ataúde, manifestando a ele grande apreço em direção à última morada. Por onde passava o cortejo, as pessoas comportavam-se com reverência, as casas e os estabelecimentos comerciais cerravam suas portas em respeito ao morto. - Roupas pretas: o luto era mantido pelo menos um ano, durante o qual a família recebia os pêsames, o carinho e a solidariedade dos amigos. No próximo artigo, veremos como se morre hoje, neste mundo moderno, em que os sentimentos estão sendo substituídos pela indiferença, muitas vezes conhecida como uma atitude consciente, controlada e prática.

    DOMINGO BRAILE
    Professor livre-docente da Famerp e Unicamp
    domingo@braile.com.br

  154. Priscilla Pereira disse:

    Durante o dia de ontem o que me incomodou mais foi o sorriso permanente da mãe da menina na tela da TV e o seu discurso sobre ONGS. Também me lembrei de um velório de um garoto de 10 anos que morreu atropelado. A mãe não falava nada, mas ao abraçá-la senti toda a dor do mundo. Mas cada um sente a dor de uma forma, de repente dar entrevistas alivie essa mãe.

  155. Anônimo disse:

    Várias abordagens foram feitas sobre o porquê de não termos o luto nos dias atuais. Há cinco anos perdi meu pai e me senti desamparada, pois precisava apoiar minha mãe e minha irmã, que estavam descontroladas e, portanto, não podia extravasar os meus sentimentos. Em dado momento, me afastei um pouco do caixão para tentar me refazer e ouvi alguns comentários sobre o exagero das atitudes de minha mãe e irmã e da minha “frieza” por não estar apresentando as mesmas atitudes. Acho necessário o luto, não o da roupa preta, mas aquele em que dedicamos momentos para analisarmos o quanto perdemos com a morte da pessoa que amamos, como faremos para melhorar o nosso comportamento baseando-nos nos exemplos que essa pessoa nos deixou.

  156. Anônimo disse:

    Perfeito, senhor Reinaldo, mais uma vez o senhor foi muito feliz em suas colocações. Que Deus o acompanhe sempre e a sua família. Abraços.
    Carla Santos

  157. Anônimo disse:

    “A vida nunca valeu tão pouco porque, de fato, a morte se banalizou. Não é mais preciso sofrer. O sofrimento é inútil. Necessário é oferecer respostas coletivas e ser agente de uma proposta, de uma idéia, de uma tese.”

    É uma pena ver como o Brasil mudou em 30 anos. Ver em como esse novo linguajar tomou conta do vocabulario da classe media, cada dia estamos mais parecidos com gado. A que ponto chegamos muito triste como a sociedade aceitou sem pensar sem reagir covardemente as verdades coletivistas.

    Olhando pelo lado positivo é bom ver que uma maioria silenciosa resiste a tudo isso, guiados por um norte moral.

    Desculpem a subjetividade e a pessima escrita, sou novo ainda e pretendo melhorar.

    Ps: Minha primeira postagem em 1 ano e meio como espectador de tuas ideias.

  158. WEIMAR disse:

    Em horas com esta, eu, agnóstico, me sinto tão mais perto de religiosos como a Cremilda e o Reinaldo, e tão mais longe desses ativistas ateus que andam por aqui, aí e acolá exibindo seu ateísmo como se fosse atestado de modernismo e sabedoria superior.

    É esse “modernismo”, também chamado de “progressismo”, e essa “sabedoria superior”, esse falso senso de superioridade moral de um ateísmo exibicionista e estúpido (nem todo ateísmo o é), que banaliza tudo, não só a política e as instituições, inclusive a Presidência da República, mas até a vida e a morte. Tal como Reinaldo, com brilhantismo, lamenta e fala a seus leitores.

    O ateísmo não é coisa pra se envergonhar, mas também não é coisa que se exiba despudorada e publicamente. Não deve servir para chocar quem pensa diferente. Convém que se comporte com discrição e se evitem constrangimentos gratuitos. Da mesma forma que nossas “vergonhas” devem ficar encobertas com roupa do ser civilizado. É coisa natural, mas que não se exibe nem dela se deve orgulhar, principalmente se for para ganhar uma graninha a mais como fazem esses e essas em páginas de revistas, e aqueles e aquelas, em livros ofensivos à crença dos outros.

    Weimar

  159. fabio santana disse:

    Vou além, Reinaldo…

    Vc viu alguma pessoa envolvida neste caso chorar?????
    O pai no dia estava apontando a janela para um policial no dia da morte da filha….(não entro na questão se ele e ela são culpados)
    A madrasta (ô nome feio…)não vi chorar….

    Pior, a própria Mãe biologica, parece que se arruma para aparecer na Tv, sempre penteada, recebendo “amigos” e sendo presenteada ontem com um PARABÉNS A VOCÊ, na porta de sua casa….um absurdo sem tamanho.

    Dizer que a filha a queria feliz e sem chorar, mostra toda a banalidade que um país sem leis e sem justiça faz com as pessoas….

  160. Anônimo disse:

    Por isso que acesso seu blog diariamente. A dor é uma experiencia multidimensional, ela não é única.

  161. Anônimo disse:

    Reinaldo
    Parabéns seu texto está excelente.
    Há muito venho pensando em tudo isso que você falou, a vida está banalizada com isso a morte também banalizou.
    O que tenho sentido na sociedade em que vivems atualmente não há mais o nós, há somente o eu. Não há o ser, há o ter. Confesso que ando assustada com tudo isso que está acontecendo, uma tragédia vira show onde os artistas são os envolvidos nela. É o espetáculo da vida deturpado, é a exploração da dor transformando-a em festa.
    É isso que me parece. Lamentável o caminho que toma a humanidade.

  162. Anônimo disse:

    A morte é o acontecimento mais importa da vida. Não sei se esta frase é um chavão para alguns, mas o fato de Cristo ter morrido para resgatar nossas faltas dá uma pálida idéia de mistérios que não está no homem descobrir. Ninguém sabe sobre a morte a não ser aquilo que as religiões autênticas, durante séculos ensinam para seus seguidores. Tive aportunidade de assistir um video sobre um funeral hindú em Veranasi (Benares). Foi uma das cerimônias mais pungentes que alguém poderia conhecer. Palavras de súplica ditas pelos sacerdotes, implorando para que o falecido NUNCA mais tenha de retornar a esse mundo, que seja acolhido por DEUS no paraíso (sim, hindús acreditam num paraíso),as lágrimas dos parentes,os cantos doloridos, mostram a solenidade que pessoas ainda não de todo tomadas pelo materialismo mantém diante do maior mistério da vida.

    Quando meu pai faleceu eu busquei o padre da minha paróquia. Sacerdote de setenta anos, mal podendo ficar de pé, rezou durante meia hora diante do esquife. Quando foi embora, uma parenta minha, moderninha, me disse: “aaaaaaaaahh, eu acho que um “enterro” não é lugar para tanta reza. Devia ser assim mais…….leve, né?”

  163. Anônimo disse:

    Reinaldo

    Pensei que só eu estava em uma angustia sem fim com esta avalanche de “notícias”sobre a morte da menina.
    Agora ,lendo teu post,consigo colocar melhor meus sentimentos à respeito dessa “festa toda”.
    Bom jornalismo naõ ajudaria termos “bom”povo?

  164. Paulo Boccato disse:

    A GENTE PODRE QUE NOS GOVERNA ,APODRECEU A GENTE BOA QUE NOS CERCA !

  165. Paulo Boccato disse:

    QUE SOCIEDADE SEM VALORES PODE SOBREVIVER ENQUANTO SOCIEDADE TAL E QUAL A COMPREENDEMOS ?

    O BRASIL NAO TEM MAIS FUTURO !

  166. Anônimo disse:

    Durante milhares de anos a morte exerceu papel importante na vida dos homens. Todas as sociedades souberam respeitar o passamento e sempre se utilizaram de sinais distintivos diante dela. A modernidade, nascida da revolução francesa, impessoaliza os individuos, transformando a sociedade numa combinação mecânica, uma coisa arbitrária onde ninguém tem vículo com o próximo. Não é de admirar que tudo se transforme em “causas”, em coisas utópicas, etéreas. O resultado disso será mais casos semelhantes.
    Chesterton em duas obras, O Homem Eterno e Ortodoxia trata disso.
    A religião católica ainda conserva um pouco do respeito à morte, mas seus seguidores tendem ao abandono das práticas ancestrais por influência dos evangélicos e dos espíritas, que como legítimos herdeiros do revolucionarismo são materialistas.

  167. Anônimo disse:

    Belíssimo texto.

    Obrigada.

    Deu o proteja.

  168. Cristiano disse:

    Muito bom texto, Reinaldo. Enquanto lia, imediatamente me veio à lembrança o ensaio A piece of chalk, do Chesterton, que trata de alguns pontos que comentaste, sobre o luto e sobre o bem e o mal. Um ensaio brilhante e muito bem-humorado, como não poderia deixar de ser, vindo da mente privilegiada do grande Chesterton.

  169. Anônimo disse:

    Um comentário muito oportuno

    Reinaldo -

    Vou colar abaixo o comentário de um leitor anônimo.Esse leitor escreveu certas verdades sobre as quais há muito tempo venho pensando, e pensando com tristeza, pensando em ritmo de solidão. Aproveito para enviar ao referido anônimo o meu abraço de solidariedade, de fraterna solidariedade.
    Léo - (vale do Paraíba).

    Anônimo disse…
    Não freqüento missa dominical há umas três décadas, porque é insuportavelmente barulhenta. Porque se vulgarizou ao ponto de perder o sentido, como por ex., o seu texto sobre o luto. Muita gente não entende isso, talvez porque não tiveram a oportunidade, como eu tive, de experimentar uma missa falada em latim com o padre de costas para nós, não, não, o padre sendo mais um de nós, nosso representante frente à Jesus. Sim, às vezes havia música, repito, música para nos elevar àquele canto na alma onde mora a misericórdia, a compaixão, o perdão. Ali experimentávamos o amor profundo e sua memória nos alimentava por toda a semana. Não sou saudosista, só lamento a Igreja ter optado pela secularização do culto.

    Quanto à tragédia dessa família. A Folha publicou um breve dado biográfico do pai da menina. Um rapaz de 29 anos que constituiu a segunda família às custas de seu pai.

    Impunidade esse é o nome de mais essa tragédia.

    8:29 AM

  170. Anônimo disse:

    Parabéns,Reinaldo.Seu texto é lúcido,claro,convidativo à reflexão.

    Cáthia Zago.

  171. Anônimo disse:

    Ao ler seu texto nao pude deixar de comentá-lo. Há dias atrás perdi uma tia que muito amava em uma cidade próxima a minha. A questao colocada por voce foi discutida no carro enquanto íamos para o velorio. Hoje, nao choramos mais nossos mortos, o emprego, compromissos nos negam esses direitos. Sugiro, se me permite, a leitura (provavelmente ja tenha feito) “História da Morte no Ocidente” - Philippe Ariès. Como somos mesquinhos diante de um dos acontecimentos mais importantes de nossas vidas: a morte.

  172. Anônimo disse:

    Lembrando o velho Machado

    Reinldo -

    Se a memória não me engana, certa vez o autor do Quincas Borba escreveu isto:
    ” A morte é séria”.

    E parabéns a você, Reinaldo, por esse lúcido e oportuno post.
    Bom Domingo para você e sua família.

    Bobby

  173. Anônimo disse:

    O BRASIL após a implantação do comunismo-cubano é um convite ao crime. A IMPUNIDADE domina o país…Qualquer pessoa não tem o menor receio de cometer um crime, pois não existe punição. Perdeu-se o respeito pela polícia e pelo judiciário. São quase 500.000 mandados de prisão não cumpridos no país…No RIO DE JANEIRO, capital, morrem em média 17 pessoas/dia assassinadas…No RJ, estado, 98% dos processos de homicídios não chegam à CONCLUSÃO com a identificação da autoria do crime e/ou provas suficientes para colocar bandidos na cadeia…A cidade RJ conhecida mundialmente pela violência urbana não tem presídio federal de segurança máxima para custódia de apenados por crimes da alçada fedral(drogas e armas)…Na prática, os bandidos vivem soltos nas ruas infernizando a vida das pessoas.Exemplo, o brutal assassinato do garoto João Hélio por bandidos com extensas fichas criminais e, o presidente do país, sobre o assunto, disse:”as vezes a violência é questão de sobrevivência”, demonstrando apenas preocupação com o eleitorado-bandido. Com isso cria-se a cultura do crime, levando pessoas da classe média, com estudo/emprego/etc… a cometerem crimes diante de um ambiente tão favorável ao crime. Na prática, temos dois cenários: 1. o bandido mata um inocente( assalto, por exemplo), imediatamente, a mídia e as autoridades, lamentam o fato justificando a violência devido aos problemas sociais do Brasil.Se você sobreviveu a um assalto e denunciou o bandido, mesmo ele tendo feito uma emboscada sem testemunhas, a “justiça” alega falta de provas, ignorando a ficha criminal do assaltante( até para facilitar, não existe policiamento ostensivo, permitindo o livre direito de ir e vir, do assaltante) …Pára por aí ; 2. o cidadão de bem reage, ou a polícia, matando o bandido. Aí a coisa complica…Aparecem os defensores dos direitos humanos, as indenizações, as bolsas-bandido,punições para os cidadãos de bem ou policiais…O crime COMPENSA. Estimula pessoas a cometerem crimes até por motivos fúteis.

  174. Anônimo disse:

    Prezado Reinaldo,

    É sempre um prazer ler os seus comentários, mesmo quando e se deles discordo.
    Porém, este especificamente é um primor em termos de inteligência, conhecimento e análise.
    Pedindo desculpas antecipadas por qualquer bobagem e, também, por tentar dar uma pincelada em uma pintura já pronta, acho que você bateu em um conceito “pós-Hannah Arendt” que falou da “banalização do mal”…Você está falando, muito propriamente, da “banalização do crime/vítima”.
    Está obscena a exposição da dor pessoal e a fusão desta com uma “dor pública”…Não que eu defenda uma dor à la Bernarda Alba (20 anos de luto…), mas tudo tem e deve ter limites.
    Um dos piores efeitos “públicos” dessa fusão é que ela gera, aparentemente, a necessidade da formação de uma contradição em termos, desse “non sequitur” que é(são) a(s) ONG(s) - (como uma “entidade não govermental” pode viver de e requerer dinheiro público?).
    Enfim respeitando o sofrimento da mãe, e esperando provas antes de apontar os culpados, e com risco de banalizar a “dor”, no lado “privado” as consequências são piores…
    Por exemplo, ontem vi na televisão um espetáculo próximo do grotesco e totalmente carente de dignidade:
    _os estudantes de uma faculdade(?) comemoraram o aniversário da mãe da menina morta (que é ou seria colega deles) cantando algo que foneticamente soava… “tupiqui, tupiqui, tupiqui piqui, piqui, é hora, é hora, rá-ti-bum …justiça, justiça, justiça!”.
    Nesse momento se gravou em uma parte do meu ser, talvez a pior, a impressão/certeza que a “dor” estava sendo ou tinha sido trocada por “quinze minutos (segundos) de fama”.

  175. Anônimo disse:

    Rei,
    estamos caminhando para uma sociedade materialista? Há falta de um Deus vivo nas pessoas?

    Jacskson.

  176. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    Sua exposicao é perfeita. Você aborda o ponto central da questao. Gostaria de ressaltar a passagem em que você aponta a viúva, o viúvo, os pais que perderam um filho ou os órfaos, como especiais donatários de uma particular capacidade de perdao, por nao podermos alcancar a extensao daquela dor. A dor de um ente querido é algo muito íntimo e merece recolhimento para que lembrancas aflorem e a dor recue serenamente. O desrespeito às normas naturais de comportamento enquanto indivíduo, transformará o mundo num verdadeiro caos social.

    Anouk

  177. Anônimo disse:

    Caro Reinaldo,

    Tive a mesma sensação ao ver as imagens no JN.

    De fato, a mãe parecia muito superior, afirmando que não queria sofrer, em homenagem à filha perdida. Sim, é seu direito.

    Mas, a perda de um ente querido tão próximo e tão recentemente é tão devastadora que penso que qualquer mortal levaria um tempo razoável para poder dar entevistas, sair em público, etc.

    Enfim, que sei eu? Tempos de hoje, onde nenhuma norma ou tradição resiste a um verão.

  178. Anônimo disse:

    É isso mesmo.

  179. Anônimo disse:

    Não freqüento missa dominical há umas três décadas, porque é insuportavelmente barulhenta. Porque se vulgarizou ao ponto de perder o sentido, como por ex., o seu texto sobre o luto. Muita gente não entende isso, talvez porque não tiveram a oportunidade, como eu tive, de experimentar uma missa falada em latim com o padre de costas para nós, não, não, o padre sendo mais um de nós, nosso representante frente à Jesus. Sim, às vezes havia música, repito, música para nos elevar àquele canto na alma onde mora a misericórdia, a compaixão, o perdão. Ali experimentávamos o amor profundo e sua memória nos alimentava por toda a semana. Não sou saudosista, só lamento a Igreja ter optado pela secularização do culto.

    Quanto à tragédia dessa família. A Folha publicou um breve dado biográfico do pai da menina. Um rapaz de 29 anos que constituiu a segunda família às custas de seu pai.

    Impunidade esse é o nome de mais essa tragédia.

  180. Anônimo disse:

    Obrigado pelo texto. Nem uma vírgula a tirar ou por.

  181. Anônimo disse:

    Artigo perfeito. E comento uma angústia pessoal: esse “boom” de cirurgias plásticas, silicone, etc… esse “boom” de academias de ginástica (e na minha visão, correr numa esteira, olhando pra uma parede, sem sair do lugar, é tortura)… ou seja: existem muitos outros sintomas dessa doença: que é esquecer-se da morte.

    A geração atual vive, como se fosse viver em seus corpos eternamente. E essa banalização da morte gera o mais grave: a banalização da vida.

  182. Heitor Bonfim disse:

    [Theory of conspiration ON]

    Lembram do assassinato do Coronel Ubiratan Guimarães? Neste crime ocorreu a mesma coisa, alguém espreitava a fim de cometer o crime perfeito; pois é, aquele que matou o Coronel é o mesmo que matou Isabella, deve “de” ser um serial killer que achou a fórmula perfeita de cometer assassinatos.

    [Theory of conspiration OFF]

    Ficaram embasbacados?

  183. Anônimo disse:

    Reinaldo,
    acredito eu, que quando transformamos a dor individual em dor coletiva, mascaramos a essência do sentimento.
    Todos os dias lemos tragédias coletivas. Massacre em Uganda; Homem Bomba em Israel; Bombardeio no Iraque. Estas notícias, hoje, são lidas sem qualquer emoção. São corriqueiras. A dor individual, corre o risco de também se tornar banalizada, inclusive pelos que tiveram sua perda.
    J.Freire

  184. Mara Ercilia disse:

    Muito bom texto Reinaldo.
    Adorei ler, me foi útil.
    Obrigada, colocastes em palavras (como sempre) bem mais do que eu conseguia expressar dos meus próprios pensamentos da verdade.

  185. Anônimo disse:

    Bom dia Reinaldo.
    Lindo artigo. As questões, os valores tudo, mas gostaria de falar do que não tenho coragem e é melhor assim. Esta falta de luto - em certos casos - assustam quase tanto quanto o crime monstruoso. Pobre criança.

  186. Eny Seidel disse:

    Reinaldo, o modo de ver a morte depende da cultura de cada povo, da religião que as pessoas professam. Existem culturas onde a morte não é vista com tristeza, mas como a alegria da libertação.
    Eu, como já disse aqui, sou Espírita e portanto, vejo a morte de um modo diferente dos católicos, dos evangélicos, mas nem por isso, o sofrimento com a separaçáo, embora passageira, deixe de existir entre nós que somos Espíritas. Um dos maiores problemas na visão da morte é que as pessoas que sobrevivem agem como se nunca fossem morrer e, a única coisa certa da vida é a morte.
    As religiões, a maioria delas, não preparam os seus adeptos para essa separação. A morte é vista como tabu, não se fala nunca dela, eis aí o problema sobre a visão que a maioria das têm a respeito da morte.
    Eu concordo plenamente com você quando diz que as pessoas que passam pela perda de um filho deveriam ser mais respeitadas, é um momento difícil e precisa ser vivido tranquilamente.
    Que nossas preces cheguém até os familiares de Isabella, que eles consigam nesse momento ter a certeza que Deus nunca nos abandona e que Ele nos ampara e protege em qualquer momento das nossas vidas.

  187. Anônimo disse:

    Reinaldo, meu pai morreu ha um ano no sertao do sao francisco e teve um enterro cercado daqueles com quem viveu,discursos de adeus, sua banda de musica a tocar quando passava o coretejo(ele era o maestro de uma charanga musical que animava os carnavais da cidade).Gente de preto e senhores mais velhos, antigos vaqueiros e amigos dele a tirar o chapeu numa silenciosa despedida a medida em que os meus irmaos e seus amigos mais queridos carregavam-no para a sua ultima morada.Uma amiga, da capital,me disse que eramos muito diferentes porque ela por exemplo estava ali porque sabia como ele contava para nos…mas que tinha feito esforco sobrehumano pois detestava enterros e rituais.
    E eu disse a ela que meu pai havia passado toda a vida dizendo que a vida de um homem nao teria valido nada se ao morrer ele nao tivesse quem carregasse a alca do seu caixao…Disse-lhe ainda que meu pai tnha construido toda uma vida em torno da familia e dos amigos,se dedicado a sua comunidade… E que ele desaparecesse sem um adeus, sem as lagrimas e a saudade traduzida nos “causos” que cada um tinha a contar para nos e para a minha mae seria tentar invalidar a vida dele…mais ainda,meu pai e todos nos familiares e amigos definitivamente precisavamos desse tempo e destes “rituais(enterro, missa de trigesimo dia,flores e uma peca de rupa negra)para fazer o “luto”….a nossa despedida nao poderia ser feita de forma fugaz e abrupta…De familia politica, optamos pela bandeira do Flamengo, seu time do coracao, para servir-lhe de mortalha,porque papai foi sempre muito “pessoal” nos seus relacionamentos.Foi “seu” Zé em toda a sua plenitude e existencia,ainda que durante as campanhas politicas gostasse de brincar dizendo que ia trocar o nome para “Nabucodonosor”,para que as pessoas tardassem mais tempo dizendo o seu nome e assim esquececem a queixa ou o pedido antes de terminar de pronunciá.
    -lo.
    O luto e algum ritual eh muito importante.Ou viveremos de forma “patetica” ou “apatetada” como se diz no nordeste.O ritual tem sim o sentido de nos oferecer oportunidades de vivenciar a perda.Ou banalizamos a morte e banalizamos a vida…Confesso que nao nos sentimos no direito de banalizar a VIDA do me pai.A nossa comunidade e os seus amigos nao nos teriam permitido..ou perdoado.

  188. Anônimo disse:

    Grande Reinaldo:

    Penso que um dos grandes males do nosso tempo é justamente esta “individualização”, o “eu”, que nos leva ao egoísmo, a falta de diálogo familiar e outras mazelas.

    Como a vida já está relativizada a morte também o é.

    Serve-me de conforto, como ao amigo, fixar o olhar e a mente na Igreja Católica sim, pela firmeza da defesa da vida (toda e qualquer).

    São 2.000 anos de coerência, guardiã do depósito da fé, que se debruça sobre a Tradição e continua a indicar o caminho certo.

    Quanto ao luto, não temos mais TEMPO, o grande senhor de nossas vidas medíocres, aliado ao UTILITARISMO barato. Tudo deve ter um propósito, inclusive a morte para que as pessoas tenham seus 15 minutos na mídia.

    Por sinal, tenho vergonha de ter lido o PASQUIN e rido bastante do fradin e outras bobagens. Taí o resultado, o Jaguar e o menino doidinho botaram literalmente a mão na massa (na nossa)

    Muito obrigado pelo texto que nos leva a refletir de onde viemos e para onde estamos indo.

    Abraços

  189. Anônimo disse:

    “Se fosse para debater essencialidades, a verdade estaria mais no oposto: somos maus”. Bingo!

    Adiante: “Os valores é que domam a nossa fúria”. Algum motivo especial para o amigo abandonar Hobbes?

  190. Romolo Saporio disse:

    Parabéns, no cerne da questão.

    Tirando a proteção ao Sr. Gabeira é claro.

  191. Anônimo disse:

    Reinaldo,

    Você é um dos pouquíssimos jornalistas de “J” maiúsculo, cujas opiniões respeito e com cujos comentários quase sempre concordo. Desculpe, mas discordo com a relação que você faz do não uso do luto com a banalização da morte. Não tem nada a ver, pois quem sabe o sentimento na alma das pessõas? Nunca usei luto e sou bem mais velho do que você, e nem por isso deixei de dar importância e sentir a perda de muitos dos meus entes queridos. O luto (por 30 dias ou mais) simplesmente alardeia ao mundo que alguém perdeu alguém. Para que? A dor é íntima e o fato de não ser mostrada não a diminui, nem o uso do preto a aumenta.
    Continue a escrever bem e a opinar com a sensatez e equilíbrio de sempre.

    Henry

  192. aep disse:

    Muito bem dito.

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