Essa foi a frase mais importante dita no encontro entre Barack Obama, presidente dos Estados, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin (Bibi) Netanyahu. A fala é do presidente americano e se referia ao Irã: “Não vamos conversar para sempre”. Isto mesmo: se o Irã decidir levar adiante o seu programa nuclear, os EUA prometem agir. Como? Bem… Isso não é mesmo coisa muito diferente do que dizia aquele outro, como é mesmo?, ah, Jorjibúxi. Quase me esqueço do nome do demônio aposentado.
Li a imprensa liberal americana esses dias e também a brasileira. Parecia que Obama estava prestes a dar um pé no traseiro de Netanyahu. O encontro, antes de acontecer, era classificado de “tenso”, “delicado” e afins. Foi amenos e burocrático. No fim das contas, os EUA disseram o que costumam dizer a governantes israelenses: defendem a existência de dois estados ? o tal Jorjibúxi queria algo diferente? ? e também se opõem à expansão das colônias da Cisjordânia. Tudo conforme, vamos dizer, a tradição. Ah, sim: eu também estou com Obama: a favor de dois estados e contra a expansão das colônias.
É. Com efeito, o governo israelense mudou um pouco em relação ao anterior. Os israelenses, sob a chuva de foguetes terroristas, escolheram, desta feita, os durões. Mas Bibi também inovou muito pouco: “Nós estamos prontos para fazer a nossa parte e esperamos que os palestinos façam a deles”. Segundo o primeiro-ministro israelense, se eles reconhecerem o direito de Israel existir como um estado judeu, em segurança, é possível apostar na convivência de palestinos e israelenses. O que significa isso? Vamos ver. Mohmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, por exemplo, não aceita o caráter judaico do estado israelense. É só o começo de muitas outras complicações.
E a maior de todas elas se chama Irã, que hoje sustenta os terroristas do Hamas e do Hezbollah. E, de fato, esse foi o tema principal da conversa dos dois, para certa frustração da imprensa engajada. Obama reiterou que prefere conversar, que quer romper o isolamento a que está relegado o Irã etc. Mas deixou claro que a coisa tem de avançar. Afinal, “We?re not going to have talks forever.”
Se, em vez de se encontrar com Obama, Bibi tivesse batido um papo com Jorjibúxi, a coisa seria muito diferente? Não! Não faço essa observação por cinismo ou coisa parecida. Apenas chamo a atenção para o fato de que a política tem alguns limites impostos pela realidade. Somos tentados, às vezes, a considerar que realmente bastam atos de vontade para mudar o status dos conflitos. Não bastam.
Sei que Obama está decepcionando a muitos. E a outros, por sua vez, não chega a surpreender. Nem nesse caso nem no recuo em relação a Guantánamo. Ora feliz, ora infelizmente, não se governa com a retórica com que se ganham eleições. Com alguma freqüência, elas chegam a ser contraditórias. Em alguns casos, são até opostas.
Obama começa a descer ao mundo real. Ao mundos dos vivos. E dos mortos.









Isso me faz lembrar o final do livro “O Cavaleiro Inexistente” do brilhante Italo Calvino. Quando o cavaleiro passa a existir, sua armadura imediatamente começa a sofrer sinais de uso… a perfeição não resiste a existência…
Nessa, meu caro, você e todos os outros estão errados. Infelizmente parece que nem você, o único que eu ainda respeito no jornalismo/propaganda tupiniquim sabe do que está acontecendo por lá. O messias de araque está destruindo literalmente os USA e na política externa já é chamado de cavalo de tróia. Ele está liberando a bomba iraniana, deixando Israel à sós contra todos os outros e ainda mandou este país baixar o tom contra o Irã. Ele é tão muçulmano que vai ser aceito para falar numa mesquita, coisa que quem não professa a fé islâmica, não pode fazer. Esperem o tea party do 4 de julho meus caros. Vocês ainda verão o teleprompter in chief, farsante, usurpador e idiota ser desmascarado e decretar estado de sítio lá naquelas bandas.
Que que eu posso dizer Tio Rei depois de ler seu texto? Ah sim:
Changeeeeee!!!
E mais uma vez, a esquerda mundial paga aquele micão…
Atacar o Iran vai ser mole, mas conversar duramente com Israel pra botar ordem no O. Medio…O Obama vai continuar com essa conversinha mole com Israel, pois os judeus- americanos colocaram um cabresto no Homem desde a campanha.
Que bobeira é essa dos palestinos reconhecerem o caráter judaico de Israel? Os israelenses é que têm que definir isso.
Sua expressão “a política tem alguns limites impostos pela realidade” certamente não vale para nossa atual governança. Para o lulo-petismo, sempre é possível dar mais um passo… especialmente quando são outros que pagarão a conta da “esperteza”.
Obama está sendo pragmático. O que mais se poderia esperar de alguém com as suas responsabilidades? Bravata é arma de palanque; você só verá esse “artifício” em repúblicas bananeiras ? especialmente em nossa América Latrina.
ReinaldoO que preocupa no obama não é o atacado. Mas o varejo. Explico: As pequenas intervenções, como por exemplo o apoio financeiro aos projetos abortistas. Tal como foi no Brasil, o pessoal do obama sabe que não se deve mexer nas grandes questões. Ainda! A corrupção só será eficiente se ela for aplicada em conta gotas. Grandes mudanças assustam. Nas pequenas mudanças as pessoas se acostumam e não sentem. Mais tarde, se continuar o obamismo, os EUA abandonaram Israel sim, e optaram pelos regimes antidemocráticos.
Tic tic tic
Obama diz que não vai conversar com o Irã para sempre. Se não adiantar nada estender as mãos, os braços e as pernas aos mulás, ele diz que parte para as sanções…lá pelo final do ano, com o apoio da comunidade internacional.
Os mulás, nem tchum para sanções. E Obama sabe disso. A administração Obama está cheia de assessores pró-Irã.
Israel sabe que a questão é urgente. O Egito está nervoso, a Arábia Saudita também.
Tic tic tic
We can change… Bravata?
Reinaldo,
sei que você apóia o estado judeu de Israel. Mas esta questão é muito mais complexa. Uma coisa é apoiar a existência do estado de Israel. Outra é adicionar o adjetivo judeu a esta existência. O que significa isso? Judeu é uma cultura, uma religião ou uma etnia? Se um estado é judeu, ele permite outras religiões culturas e etnias? Lembre-se que 40% dos cidadãos israelenses são árabes muçulmanos. Como essa minoria (que não é tão pequena) fica em um estado judeu? Sabe-se que a taxa de natalidade dos árabes é maior que a dos judeus e cristãos na Palestina. E se em 20 anos a população árabe muçulmana for maioria? E a questão dos 4 milhões de palestinos que viviam em terras hoje de israel e que se refugiaram na Síria, Jordãnia e Líbano. E como é possível um estado palestino dividido em dois, com uma parte sem acesso ao mar? Não seria mais justo que o estado de Israel fosse federativo e multi-cultural e multi-religioso incluindo o atual território de Israel, Cisjordânia e Gaza?
Saudações,
Paulo Pimenta
Se Obama disser que, quando se está em eleição, se faz muita bravata, não ficarei admirado !
Cheney resumiu bem o problema: todas as medidas tomadas para proteger o país durante 8 anos estão sendo desmontadas pela nova administração revanchista.
cruzemos os dedos e rezemos.
blah blah blah,Obama adoraria conversar forever.
As relações entre Israel e EUA, aparentemente, continuam como sempre foram, mesmo.
Quanto ao Irã: seguem cutucando onça com vara curta…
Mais dia, menos dia, vai acabar mordido…
Porém, o plano de fazer um estado palestino…
Seria possível uma república separada pelo território israelense?
Penso que tal coisa é impossível!
Como comunicar duas porções territoriais atravessadas pelo vizinho?
Um plano desses já está fadado ao fracasso.
Mas, foi concebido para ser exitoso?
Reinaldo
Você chegou no ponto. Lamentavelmente a hipocresia mundial tem que lidar com o mundo dos mortos para tentar resolver problemas normais.E vai perdendo na medida que vai puxando o saco. O mundo dos mortos são aqueles dirigidos pelos que sempre estão vivos - aiatolas e outros caras do clero que empurram o povão ao reino da morte . E para todos nós, os mortais normais,estamos dentro do problema. Vamos dar um credito ao Obama. Todo o mundo reclama, fecham os olhos e quando o circo pega fogo, todas as direções chegam para os USA para que ajude.
h.sá
Até hoje não consegui compreender onde está a “reviravolta” de Obama. Ele nunca disse coisa diferente do que anda fazendo. A MUDANÇA ? e esta é real ? é que ele prefere a fala macia da democracia no lugar da linguagem de brutamontes da arbitrariedade cara ao presidente anterior. Ele nunca negou que apoiaria Israel; aliás, em vários discursos de sua campanha disse claramente que não deixaria de dar este apoio. Mas apoiar Israel não quer dizer se deixar levar pelo “conservantismo” furibundo que existe por lá, mas antes, como fez Clinton, apoiar os moderados. E ser moderado nunca significou cair nos braços dos furibundos do outro lado, o Hamas na frente de todos. A política exterior de um país sério é um projeto que transcende as diferenças políticas normais numa democracia. Obama não está seguindo Bush ? está apenas mostrando que o projeto de política exterior americana não é nem deve ser feito com bravatas (tipo “mission accomplished”) ou desculpas esfarrapadas como a das armas de destruição maciça para justificar aventuras trágicas. E ele nunca deixou de afirmar, com outras palavras, que tudo continuava na linha do que dizia o primeiro Roosevelt: “falar macio mas carregar um bom porrete.” O que faltava antes era a “fala macia” e, sem ela, o “bom porrete” não costuma acertar o alvo. Obama está simplesmente mostrando que, ao contrário de seu antecessor, ele acredita que política exterior não é porrete posto na mão de um macaco numa casa de louças. A maioria do povo americano sentia-se envergonhada pela presença de um presidente ignorante e incompetente [como alguns de nós nos sentimos envergonhados pelo nosso primeiro mandatário] ? e foi assim que se fez a vitória de Obama. A demonstração disto é o esfacelamento que Bush e Cheney provocaram nos meios republicanos ? nunca o partido esteve tão desprestigiado como hoje. Não é esta fantasiosa “reviravolta” de Obama que avassala os republicanos; o que provoca a debacle é a burrice abissal dos Bushes e Cheneys e Limbaughs e Palins e… A percepção da continuidade da polÍtica exterior ? agora com métodos inteligentes - não vem decepcionando o povo americano. Pelo contrário, ela parece evidenciar-se na sustentação do prestígio de Obama. Pode ser que representantes da extrema esquerda mais rábida não reconheçam no Obama-presidente o fantástico Obama-candidato que inventaram (e que, como toda fantasia, nunca existiu) ? não creio que os eleitores em geral se sintam minimamente enganados.
Tio Rei, ta achando que só Jisuis que pode ser “cool”, o demo também, agora é “fashion”… hehehe
Eu si divirto com esses xaropes que se deixam enganar por um “coitadinho”.
Eu já vi esse filme e o pior, teve a segunda parte, e ainda tem uns aloprados que querem a terceira!!!! To pensando seriamente em ir embora daqui, alguma sugestão?
Tava pensando na Bósnia, Afeganistão, lugares mais calmos porque aqui com esse governo de terroristas esta difícil.
Ronaldo Azevedo, Obama e o Papa estão a favor de dois estados e contra a expansão das colônias. hehe…
Tio Rei,
Seu Blog é do cacete! Acompanho desde o início mas nunca comentei. Depois de ler o post sobre o Obama tive que comentar. Titio Obama está mostrando que entende das coisas, faz uma eleição cheia de retórica falando em Change, Hope, Yes we Can, e na hora do vamo ver continua a política externa do “Satã” Bush.
A-D-O-R-E-I
E o melhor de tudo: Todo mundo acha maravilhoso!
Abraços e Continue com seu Blog que é sensacional!
Rei
Dá prá notar a decepção dos engajados com Obama! Puxa, ele não fechou Guantánamo? Ele mandou mais soldados para o Afganistão? Ele não deu um chega pra lá em Israel?!
Por outro lado, percebe-se um certo alívio. Afinal, era mesmo meio complicado adorar um…americano imperialista! Pronto, já dá para os engajados voltarem a xingar uzamericânu!
VAMOS COMEMORAR ! NAUFRAGOU DEFINITIVAMENTE A CANDIDATURA DA SUCESSORA ! BASTOU UM RECAÍDA.
Ainda acho que o Obama vai deixar o Irã correr solto por muito tempo. E isso não é bom. Não mesmo.
Por mim, bombardeavam as estações nucleares iranianas hoje mesmo. Enquanto há tempo. Nada de bom pode vir da covardia.
Aliás, essa é uma excelente pergunta, Reinaldo. Porque Israel pode ser um estado judeu sendo que possui uma grande minoria árabe? O Brasil deveria ser um estado católico, por suposto? Israel tem que ser laica. Como espero de qualquer outro-Estado Nação, inclusive do futuro estado palestino.
Nada nesse mundo me convenceria da “necessidade” de uma teocracia disfarçada de estado “religioso democrático”.
Caro Reinaldo,
A realidade e a lógica se impõem à retórica. Obama não me decepciona. Ao contrário , me tranquiliza. Era necessária esta mudança de liderança nos Estados Unidos. Faz parte do processo da vida. Múda-se o “interface” de comunicação. Substitui-se uma forma antiquada e pouco inteligente de comunicação , mas a mensagem, no que tem de esssencial, continua mesma. Felizmente.
Ivan.
Tio Rei, essa guerra, que USA, e Israel querem, ou terão que travar, se olhada mais profundamente, vai, muito em breve ficar parecendo uma guerra dos USA e Israel, contra o resto do mundo.
Parece que não há outra forma!
Ou prefiram está, ha dá guerra?!
Acho que depende do mercado!
Dá coformação, das necessidades!
Ou serei eu um ignorante, sobre política internacional?
Acho que é isso!
Sou um ignorante no assunto.
Abs
Reinaldo,
Você quer mesmo saber o que o Obama quis dizer?
Ele quis dizer:
- Speak slowly but carry a big stick.
É a tradicional e boa política americana: aquela que vem garantindo a democracia no Ocidente desde a II Guerra.
Ainda bem!!!
Rei, não dá pra baixar a guarda:
Deputado petista Fernando Marroni está se mobilizando para estabelecer uma consulta plebicitária em relação ao terceiro mandato para presidente da república.
Eles não estão se contendo mais.
A petralhada vai encher o saco com esse papo de terceiro mandato. Vamos ficar alertas. Eles vêm com tudo.
É hora de reagir para proteger a democracia.
Acabei de ver esse petralha numa TV local de Porto Alegre (TVCom - RBS). Ele disse que Lula é um gênio que merece incontáveis mandatos sucessivos. Detalhe: começou o programa falando justamente sobre democracia e se definindo como um legítimo “republicano”. Como pode alguém que prega sucessivos mandatos se definir um republicano?
Off topic:
Reinaldoooo!
Finalmente, olha que show: saiu o Twitter do Serra. E é de verdade. Amei!
Você não quer só divulgar o endereço pra galera, não?
http://twitter.com/joseserra_
Reinaldo,
Obama poderia parafrasear o “CARA” e assim dizer:
“When I was the leader of the opposition I used to say a lot of bull shits”
Se bem que, bravata, em português, soa melhor né?
Um abraço,
Ricardo K.
Sinal dos tempos, afinal já são mais de três meses………….
A lua-de-mel com o superpoderosismo
tem limites que qualquer Batman conhece e respeita, senão…
Búxi teve 8 anos para atacar o Irã. Não atacou porque não quis. É bom que se lembre isso toda vez que se fale na relação entre Obama e os aiátolas.
Não se pode falar em Estado palestino sem se falar em democracia palestina. E não se pode falar em democracia palestina enquanto terroristas palestinos que querem varrer a única democracia do Oriente Médio tiverem legitimidade política entre os palestinos.
O mesmo raciocínio se aplica a Irã, Cuba ou Coreia do Norte. Se não tem democracia não tem papo. O presidente dos EUA deve ser o maior defensor desse sistema político no mundo (o capitalismo sabe se virar muito bem sozinho, obrigado) seja esse presidente branco, preto ou laranja com bolinhas verdes.
Política sempre vai ser “esqueçam o que prometi”. E o problema pode às vezes estar justamente não naquilo que se promete, mas naquilo que NÃO se promete.
Ponto.
E eu que li em um jornal um artigo sobre como o Obama revolucionou as relações exteriores dos EUA. No mesmo artigo, ficava claro que o Obama não estava fazendo nada de diferente. Eu fiquei procurando onde estava a tal revolução.
Aí me lembrei da expressão “wishful thinking” e entendi tudo.