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15/09/2007

às 16:04

Ainda o IBGE: o desastre histórico do pobrismo

A Grande Fome Brasileira, que justificaria a doação de dinheiro do Bolsa Família, é uma invenção petista. Já não existia quando Lula chegou à Presidência da República. Atenção para o que é fato, não versão. Duda Mendonça aproveitou um caco de uma fala de Lula num dos programas do PT na TV e percebeu que havia ali ouro eleitoral: “Fome Zero”. O “Fome Zero” acabou se transformando no Bolsa Família, reunião dos vários programas assistencialistas do governo FHC, porém ampliados: eles chegavam a 5 milhões de famílias e passaram a atingir 11 milhões. Esperteza petista: unificar as “bolsas” numa única rubrica e mandar ver numa gigantesca operação de marketing — coisa que o governo anterior não fazia, praticando um assistencialismo envergonhado.

Fome, fome mesmo, aquela do sujeito esquálido, o tipo “biafra” dos livros de ilustração, acabou quando a economia brasileira pôs fim à inflação. Comer o bastante para ser um pobre em pé, eventualmente até gordo, passou a ser coisa barata. Lula, com a ajuda de setores da imprensa que lhe cantam as glórias, pode entrar para a história como o presidente que acabou com o que já não existia: a fome. Se tanto, vá lá, em algumas regiões do sertão nordestino, havia resquícios daquela fome apontada por Josué de Castro (pesquisar).

Pois bem. Qualquer economista com um mínimo de compromisso com o futuro — e não com uma agenda eleitoral: é questão de escolha — pode dizer o óbvio: se os mais de R$ 8 bilhões por ano do Bolsa Família fossem investidos em saneamento, educação e saúde, o país poderia, de fato, dar um salto gigantesco na qualidade de vida, em vez dessa melhora — sim, está melhorando um pouco, lentamente, faz tempo — a que se vai assistindo, a passos de cágado.

Vejam lá o post sobre investimento em saneamento. Como pode um país submetido a sucessivas crises econômicas ter investido percentualmente mais no setor do que este mesmo país vivendo o auge da prosperidade? É evidente que estamos diante de escolhas erradas, que dão prioridade mais à agenda eleitoral do que àquela que poderia nos levar a um salto de qualidade nem diria duradouro, mas permanente.

Chego a ficar chocado com a estupidez de certas “análises”. Diz-se com a maior serenidade: “programas sociais elevaram a renda do Nordeste”. Entenda-se por “programas sociais” o Bolsa Família. Ora, digamos que, dos mais de R$ 8 bilhões anuais da área, metade vá para a região. É claro que se provoca uma elevação da renda. Queriam o quê? O dinheiro aparece na conta. A questão é outra: esse dinheiro resulta em iniciativas econômicas, trabalho, atividade geradora de renda? A resposta é óbvia: NÃO. “Ah, incentiva a microeconomia local”, dizem alguns. Não! Subsidia a microeconomia local. Pare de doar o dinheiro para ver o que acontece.

O país vive a era da maçaroca de dados. O trabalho infantil é um bom exemplo. A depender do que se quer dizer com isso, ele ainda é gigantesco: mais de cinco milhões de crianças, o que quer dizer mais de 5% da mão-de-obra. Mas ele é igual no Nordeste e no Sul? O filho do pequeno proprietário sulista que o ajuda na lavoura é um “trabalhador infantil” como é o garoto que trabalha numa pedreira, subempregado como seu pai? O indicador é tomado como um sinal da iniqüidade brasileira, embora, de fato, se estejam misturando alhos com bugalhos. A iniqüidade, que existe, é outra e está justamente onde se vêem sinais de virtude. Até que o estado for a fonte da “diminuição da desigualdade”, o que se tem é perpetuação da desigualdade. Não é por acaso que, quando se mede o rendimento médio, mesmo neste suposto momento formidável e inigualável (ou “inigualado”) da economia, descobre-se que ele é menor do que era em 1996 — e não é pouca coisa: quase 10%.

O fato é que estamos — quase todos — muito felizes com a mediocridade. Eis o ponto. Certa feita, Lula afirmou que o crescimento brasileiro não tinha de ser visto na comparação com o resto do mundo, e sim na comparação consigo mesmo. Essa deve ser uma teoria econômica criada por Kin Jong-Il e referendada por Fidel Castro. Conformar-se com o Bolsa Família como motor do desenvolvimento social brasileiro e grande fator da diminuição da desigualdade é renunciar à aspiração de deixar de ser, um dia, um país pobre. O pretexto, como se vê, é meritório: é preciso dar pão a quem tem fome. Vão se catar! É preciso dar esgoto tratado a quem não tem pra que o sujeito não pise no cocô com o pé descalço e não contraia uma diarréia, lotando os hospitais públicos. É preciso dar escola — DECENTE! — a quem não tem. Com inflação sob controle, dadas as raríssimas exceções, não se morre de fome de jeito nenhum. De resto, não estou propondo entesourar os R$ 8 bilhões. Estou cobrando que sejam investidos: sim, no social, em vez de consumidos para a produção de mais cocô sem tratamento.

Ocorre que…
Ocorre que esta crítica se perdeu completamente. Uma parte da imprensa acredita que um bom caminho é mesmo fazer a doação para os setores excluídos do capitalismo, na certeza de que jamais serão incluídos, para que se possa, então, operar segundo critérios de mercado no “Brasil que funciona”. Isso dá certo? Mais ou menos. Vamos ficando onde estamos: pobrões, medíocres, na rabeira dos outros, sempre perdendo as melhores chances. Ricardovsky Berzoniev foi tomar aulas do Partido Comunista Chinês. Ele pode nos dizer se o atual motor do crescimento mundial saiu da lama — uma boa parte dos chineses ao menos — com coisas como Bolsa Família.

Dada uma opinião pública seduzida pela caridade como escolha moral, com setores da crítica especializada cinicamente engajados na economia das compensações, um próximo governo, ainda que de oposição, não terá como desmontar a máquina criada pelo PT. Ao contrário: os partidos que hoje lhe fazem oposição se vêem compelidos a com ele emular em novas “doações”.

Assim, a contribuição do PT ao atraso brasileiro já pode ser considerada histórica. Estaremos amarrados a essa equação por muitos anos. Nesse sentido, de fato, Lula pode mesmo evocar a memória de Getúlio Vargas. Aquele nos deixou uma legislação trabalhista que, hoje, jogou na informalidade mais da metade da mão-de-obra brasileira, com os efeitos conhecidos no sistema previdenciário e de saúde. O assistencialismo como ação redistributiva também se grudou às políticas públicas como craca. Não vai mais nos deixar tão cedo. E continuaremos sorrindo, na rabeira, felizes, tendo a nós mesmos como referência. É o que nos recomenda o Estimado Líder.

Por que escrevo isso? Ah, porque não gosto de pobre. Quem gosta é Lula. Gosta tanto que quer ajudá-los para sempre, se é que vocês me entendem…

Por Reinaldo Azevedo
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39 Comentários

  1. rocket

    -

    17/09/2007 às 12:31

    Em relação a pobreza (material e intelectual), Lula corre para não sair do lugar. Neste aspecto, parece-se muito com a facção da Escatologia da Libertação infiltrada na Igreja Católica. De um lado, temos o Bôlsa-Família e do outro, os dízimos e as doações, todas subvenções para a manutenção da pobreza pois sem esta, nenhum deles existiria.

  2. Monserrat

    -

    17/09/2007 às 10:29

    Isto é um excelente texto, Reinaldo.

    Mostra como a única coisa que esse malandro fez, não é nada.

    quando ele fala de PAC está falando de orçamento ( nunca antes dezte paiz ninguém usou orçamento pra auto-promoção ).

    Vou sugerir ao Serra pra dizer que o orçamento de 2100 será planejado por ele. ( e quem sabe o de 2200 ).

    Você e alguns minutos cria um texto como esse, imagine se você pegar este mesmo texto e trabalhar em cima dele por mais duas horas . . .

    Parabens pelo texto. Enquanto houver algumas pessoas como você trabalhando pra desmascarar essa raça, ainda haverá esperança.

  3. heróis anônimos

    -

    17/09/2007 às 8:43

    Um amigo meu, quando estudante de medicina, fez um estágio no Vale do Jequitinhonha.Segundo ele, foi a experiência profissional mais decepcionante de sua carreira. A maioria dos pacientes eram tratados de schistosomose (principalmente),mas como as condições de saneamento eram péssimas, 2 meses depois retornavam com a mesma doença.

  4. Anônimo

    -

    16/09/2007 às 9:43

    Para Lula viver como rico ele precisa manipular o pobre. E mantê-los pobres.

    O dia que acabar o pobre acaba o Lula.

    E acaba o Chavez, o Evo Morales, o Fidel Castro e outros.

    Eles vivem de pobre. Quanto mais melhor.

  5. Anônimo

    -

    16/09/2007 às 8:59

    Reinaldo, (ou qq outro comentarista q possa me ajudar)

    Eu tenho algumas dúvidas ainda sobre o bolsa-família. Cheguei a ler uma reportagem da antiga primeira leitura acerca do tema, mas não consegui ainda dados definitivos

    1-) O Lula ampliou apenas em número de beneficiários ou em valor tb o bolsa-família ?

    2-) O Mendonça de Barros tem um trabalho sobre o aquecimento da economia nordestina por conta do bolsa-família. Não houve este aquecimento na era FHC apesar de serem 5 milhoes de beneficiários ? por que ?

    Já de antemão agradecido, despeço-me

  6. Anônimo

    -

    16/09/2007 às 8:52

    O Bolsa Familia incentiva a ociosidade, ou seja, é uma fábrica de vagabundos.O Brasil ainda vai se arrepender.

  7. Daniela • Brasileira Insone

    -

    16/09/2007 às 1:32

    Concordo com cada palavra.
    Brilhante!

    Não suporto simplismos. E é um simplista medíocre aquele que acha que se diminui a pobreza com assistencialismo.

    Assistencialismo só serve a quem dá: alivia-lhe a consciência e a angústia de ver a dor alheia.
    Portanto, na verdade, caridade é um ato de egoísmo, pois para se aliviar a pessoa acaba por criar um problema, a longo prazo, para o “socorrido”.

    A questão é que sou a favor de POLÍTICAS SOCIAIS. Mas sou radicalmente contra distribuição de renda.

  8. Anônimo

    -

    16/09/2007 às 0:56

    O Bolsa-miséria é a maior armadilha eleitoral já armada em qualquer país do mundo e em qualquer época.
    O que é preciso fazer em relação a essa tramóia é criar um mecanismo em que o beneficiado ao ingressar no assistencialismo seja temporariamente impedido de votar. Mesmo que no ano de eleição receba a bolsa por um mês que seja.
    Senão é compra de votos no atacado.

    Outra coisa a fazer seria entrar com ações na justiça eleitoral baseado em duas alegações:

    - abuso do poder econômico, pois se trata do maior poder econômico possível, e

    - compra de votos.

    Se essas alegações não valerem para o ‘Bolsa-compra-votos’ NENHUM VEREADOR OU PREFEITO DE INTERIOR JAMAIS PODERÁ SER CASSADO POR DISTRIBUIR DENTADURAS, CAMISETAS OU PAR DE SAPATOS.

  9. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 23:24

    A verdade não se estabelece no Brasil.

    (R)

  10. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 23:09

    Está na hora do Ministério Público Federal agir para por fim a toda espécie de assistencialismo que perpetua a pobreza. O Brasil não pode ficar a mercê dessa canalhada. É tudo tão claro como a luz do sol.

    (R)

  11. David

    -

    15/09/2007 às 22:00

    Talvez ficar na rabeira seja o objetivo deles.

    Pelas bobeiras que fazem, por certo terão medo de outros na rabeira, “se é que você me entende…”

  12. Cris

    -

    15/09/2007 às 21:32

    Li já não sei mais onde (Estadão? Bolha? JB? nem sei), que o tal aumento de renda ocorreu notadamente na época eleitoral, com o aumento do salário mínimo e a super ampliação do Bolsa Familia.

    Achei! Foi no estadão!

    Em abril do ano passado, quando os partidos definiam seus candidatos às eleições de outubro, o salário mínimo passou de R$ 300 para R$ 350, um aumento real de 13%. Entre julho e agosto, o universo de beneficiados do Bolsa-Família começou a aumentar aceleradamente, a caminho das 8,5 milhões de famílias - um número que o governo federal e seus aliados nos Estados repetiram intensamente nos palanques e nos programas eleitorais de rádio e TV. Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reelegeu-se com cerca de 58 milhões de votos.

  13. Renato Sabo

    -

    15/09/2007 às 20:54

    Desculpem a falta de acentos, teclado com problema.

    Reinaldo, se estiver lendo (nao precisa ler o resto, e opiniao), por favor eu gostaria de que, se possivel, voce comparasse o “New Deal” de FDR com o bolsa-familia de lula. Sei que nao e comparacao justa, mas acho excepcional esse ponto de comparacao.

    Reinaldo(e amigos leitores), se voces compararem com esse tema do bolsa-familia, acho que o unico programa assistencial realmente eficiente na historia foi o :”New Deal”, do presidente Roosevelt. O plano, que tinha o objetivo dos 3 Rs (Relief,Recovery,Reform) ou seja (na minha humilde traducao), “Amenizacao,Recuperacao e Reforma), teve como objetivo solucionar a crise causada pela quebra da bolsa americana nos anos 30. A parte de recuperacao e de reforma, bem resumidamente(e creio claro controversamente) resumidamente se reuniu em acoes para regulamentar o mercado americano e impedir novas crises do mesmo tipo.

    Apenas a parte da “Amenizacao”(Relief) nos compete em comparacao com bolsa-familia. A situacao com a quebra da bolsa, extra normal, onde pessoas do dia pra noite passaram a passar fome, morrer de fome. Nesse caso, o “New deal” realmente foi um programa emergencial, com o objetivo de impedir a morte e a degradacao civil.

    Amigos, comparem com esta parte assitencial do new deal, que na verdade nao dava nada de graca, o pessoal tinha que TRABALHAR! com o bolsa-familia.

    Ate mesmo alguem medianamente capaz de analisar(sem vies politico claro), vera que o bolsa-familia nao passa de um programa eleitoreiro.

    Se o New deal, que foi o que foi, encontrou incrivel resistencia judicial e politica nos EUA, imaginem o que falar do bolsa-esmola, voto, etc.

    E lamentavel. Lula e ignorante, mas esperto como uma raposa. Substituiu todo o coronelismo regional por um controle federal, sobre seu controle, o historico “pobre que deu certo”.

    Estamos feitos.

  14. Akhenathon

    -

    15/09/2007 às 20:19

    O petismo tem o pobre como seu cliente. Aliás o neo-socialismo delubiano nada mais é que a nova face do populismo e da idiotia latino-americana.

  15. Jairo

    -

    15/09/2007 às 19:56

    Parabéns por mais este belo texto Reinaldo.

    Sempre que entro em discussões com amigos petistas eu toco nesta questão, que a Bolsa Família não resolve o problema da miséria. Se todo ese dinheiro fosse investido em educação BÁSICA - que desperdício que é o Pró-Uni…- fornecendo o suporte necessário pra estas crianças na escola: ao menos 4 refeições diárias, ensino em período integral, assistência odontológica e saúde básica, etc, aí sim transformaríamos este país.
    Mas isto é muito difícil e demorado, além de emancipar as hordas de eleitores cativos e agradecidos….

  16. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 19:49

    Um excelente editorial

    Logo que o demagogo apreciador de sangrentas brigas de galos lançou o tal Programa Fome Zero, o jornal Estadão publicou um excelente editorial mostrando as falácias do tal Programa (O Estado de São Paulo,1o./nov/02). Aqui vai um pequeno trecho do lúcido texto do grande jornal paulista.

    É preciso, também, compreender o que o Programa Fome Zero entende por
    “fome”. A fome ocorre quando não há o que comer em regiões inteiras,
    devastadas pela seca, por inundações, por pestes ou pela guerra. Quando há
    fome, as pessoas morrem às centenas e milhares de inanição, como aconteceu
    recentemente na Etiópia, na Somália e na Coréia do Norte, por exemplo. No
    Brasil, felizmente, não há fome. Mas há desnutrição, ou subnutrição, ou
    seja, parcelas importantes da população ingerem uma quantidade de calorias
    que não atende aos requisitos mínimos diários. Não morrem por falta de
    comida, mas ficam mais sujeitas a doenças típicas da desnutrição; as
    crianças com deficiências protéicas não têm desenvolvimento neurológico que
    lhes permita aprender normalmente. Somente isso bastaria para que o combate
    à subnutrição fosse a primeira preocupação dos governantes.

    O Programa Fome Zero considera que existem cerca de 46 milhões de pessoas
    subnutridas ou que estão na faixa da “insegurança alimentar”, baseando-se na
    baixa renda das famílias. O programa faz uma relação simplista: quem não tem renda suficiente para comprar alimentos com qualidade, quantidade e
    regularidade básicas padece de subnutrição. Mas isso não é verdade.
    O diretor da área social do Ipea, Ricardo Paes de Barros, adverte que o
    critério para a determinação do universo das pessoas subnutridas ou
    malnutridas não pode ser a renda. Há famílias com renda abaixo da linha de
    pobreza que não passam fome, pois contam com redes de solidariedade, como os programas governamentais em funcionamento, as organizações religiosas e
    entidades assistenciais. E há famílias subnutridas, mesmo tendo renda acima
    da linha de pobreza. E isso ocorre, segundo Paes de Barros, porque “é mais
    fácil dar comida do que complementar renda”.

    Penacho

  17. Marcio

    -

    15/09/2007 às 19:13

    É óbvio que o molusco quer que os pobres sejam pobres para sempre. Por uma razão muito simples: elle é muito popular com esses infelizes, que são muito gratos pelos quase 112 reais por mês que recebem.

    Já os “privilegiados”, “azelite”, enfim, os que ganham mais que 10 salários mínimos - 3.800 reais por mês, essa verdadeira megasena acumulada, 25 mil dólares por ano, menos do que a renda per capita de qualquer país desenvolvido - NÃO aprovam sua, digamos, “administração” (vide a última pesquisa de popularidade CNT/Sensus).

    Sabendo disso, será que o pai dos pobres pretende, abnegadamente, investir em educação fundamental, infra-estrutura e reformar esse nosso estado tão injusto, de modo a facilitar que essas pessoas saiam dessa situação vergonhosa e possam ao menos aspirar a possibilidade de ganhar mais do que 10 SM por mês???

    Ou será que elle pretende perpetuar os bolsas-esmola, que custam 8 bilhões por ano, ou seja, 1% (UM POR CENTO) do que o estado brasileiro arrecada?

    Sim, anotem o valor, caso ainda não saibam: a somatória de tudo que os governos (federal, estaduais e municipais) nos subtraem é de 765 bilhões por ano, e crescendo a taxas chinesas.

    Façam as contas: 765-8= 757, correto? Pois é esse troco (RS$ 757.000.000.000,00) que sobra, APÓS o bolsa-esmola, para manter a “máquina”, isto é, o aeromolusco, os foros privilegiados, a previdência dos funcionários públicos, os 40 ministérios, os cargos de confiança, o judiciário ineficiente, o legislativo preguiçoso, que, de terça a quinta-feira, fora os feriados e férias escolares, entre homenagens e nomes de rua, aprovam a prorrogação de mais um imposto.

    Isso sem falar no molusquinho e sua sociedade com a Telemar, nem no feudo maranhense do imortal.

    Ganha uma viagem a Garanhuns quem acertar a resposta.

  18. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 19:09

    Reinaldo,

    desculpe a pretenção, mas acho que você deve concordar comigo.

    Um bom artigo para você publicar em VEJA, neste momento em que nestepaiz “inclusão social” é uma das grandes palavras de ordem petralha, teria como tema a verdadeira inclusão social.

    O que quero dizer? A verdadeira inclusão social ocorre com políticas que atinjam a sociedade de forma universal (sem pobrismo, sem ação afirmativa, sem “política pros “nordestinos”, pros “sulistas”, etc.).

    A seguir dois exemplos em que o ganho não foi dos pobres, dos ricos, dos pretos, dos brancos ou dos amarelos, FOI DE TODOS OS BRASILEIROS:

    - Plano Real, que acabou com a hiperinflação;
    - Privatização das telecomunicações. Certamente, temos muitos outros exemplos em que a sociedade ganhou tirando a gestão de negócios do estado e passando à iniciativa privada;

    Um exemplo de política de inclusão social dentro deste conceito: Quais seriam os ganhos para os brasileiros de norte a sul se tivéssemos uma política de segurança pública séria, com polícias equipadas, combate ao contrabando de armas e tráfico de drogas, controle efetivo das fronteiras, modernização da legislação penal, presídios dignos, and so on? Se esta questão fosse tratada da forma correta TODOS OS BRASILEIROS sairiam ganhando.

    Só que na lógica petralha - e muito brasileiro honesto acredita nela - inclusão social se faz com estas políticas que dividem os brasileiros.

    PU-ES (WDI)

    P.S.: E mais uma petralhada - em todos os países existe uma elite, seja ela financeira, intelectual, esportiva, política - e tenham certeza que a “qualidade” da elite é essencial para o desenvolvimento do país. E só para comparar pensem na ELITE AMERICANA x ELITE CUBANA (estou com 42 e quando nasci a elite política da ilhota já estava no poder).

  19. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 18:38

    Ah caro Rei! Mas o que seria dos petistas se os pobres fossem de fato ajudados?
    Eles não teriam votos, né?
    Então, é melhor para eles mantê-los atrelados a uma política que os vicia e lhes tira a perpectiva de uma vida digna. Assim eles tentarão se perpetuar no poder.

  20. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 18:14

    Comunista e oportunistas (PT) são bons em fome. Mao matou milhões de camponeses com suas reformas no campo, Stalin matou outros milhões. Isso tem que ser ensinado nas escolas e universidades e não as ladinhas daquela filósofa deformada que mais parece um ogro!

  21. WEIMAR

    -

    15/09/2007 às 18:12

    Assim começa T. Dalrymple sua Introdução, in “Life at the Bottom – The worldview that makes the underclass:

    “A SPECTER IS haunting the Western world: the underclass.

    “This underclass is not poor, at least by the standards that have prevailed throughout the great majority of human history. It exists, to a varying degree, in all Western societies. Like every other social class, it has benefited enormously from the vast general increase in wealth of the past hundred years. In certain respects, indeed, it enjoys amenities and comforts that would have made a Roman emperor or an absolute monarch gasp. Nor is it politically oppressed: it fears neither to speak its mind nor the midnight knock on the door. Yet its existence is wretched nonetheless, with a special wretchedness that is peculiar its own. […]”

    Não sugere seja uma delícia de livro? Garanto que o que ali se segue a isto é igualmente excelente.

    P.S. A primeira frase “a specter is haunting…” é uma lembrança, proposital, de E. Burke. Este o verdadeiro autor da frase que Marx, sem citar o dono, se apoderou e divulgou, em contexto diverso, no seu Manifesto Comunista. Célebre como se fosse original de Marx, quando é de Burke. (Os revolucionários sempre roubaram tudo, até frases… muito antes do mensalão.)

    Weimar

  22. raul, esq.

    -

    15/09/2007 às 18:11

    Ah, por falar em Getúlio Vargas, se o próximo governo for mesmo da oposição e quiser realmente mudar o Brasil, uma ação é absolutamente necessária: quebrar a coluna do poder sindical, esteio do novo coronelismo que se implantou no país. Sem isso, nada feito.

  23. Surfista Prateado

    -

    15/09/2007 às 18:09

    Essa fome africana nunca houve, ao menos da década de 70 para cá. O que há isso sim, é pouca vontade do brasileiro em trabalhar, Lulla sabe bem disso por experiência própria, e ele então inventou o roubo legalizado, onde toma de quem trabalha e gera riqueza e entrega para os “pobres”. Os “pobres” já entenderam isso, e daí a aprovação de Lulla, independentemente de qualquer escândalo, afinal ele rouba “prá nóis”. Resta aos roubados a resignação, diante do sentimento de culpa inculcado em suas cabeças por uma mídia que vive falando em “concentração de renda”, “desigualdades sociais” e outras baboseiras esquerdopatas. Como se pobreza fosse alguma espécie de doença que alguns infelizes dão o azar de pegar, e não o que é realmente: o resultado de gerações de preguiçosos e irresponsáveis, que vivem deixando o trabalho de lado e vão levando a vida do jeito que dá. Acha ruim ter nascido pobre? Vá reclamar pro seu pai e sua mãe… O que o Estado e eu temos que ver com isso? Vivemos atualmente o inverso da fábula da cigarra e da formiga… No Brasil de Lulla, as formigas malvadas perdem e as cigarras comandam…

  24. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 17:49

    Durante décadas os eleitores pobres tiveram seus votos comprados por um par de chinelos ou coisa parecida. Hoje está mais sofisticado, um cartãozinho parecido com cartão de crédito faz maravilhas com os votos. O curral eleitoral agora é eletrônico. Chic!
    Tem que “impinchar” esse bebum. Motivos não faltam - falta coragem.

  25. WEIMAR

    -

    15/09/2007 às 17:43

    Anthony Daniels é um médico inglês, que trabalha (ou trabalhou durante muitos anos) em hospitais cuidando das pessoas mais necessitadas. Trabalhou em penitenciárias e, até, em países da África. É um Drauzio Varella muito mais inteligente, estudioso e experiente no trato com a população mais pobre do planeta.

    É um escritor finíssimo, publica seus trabalhos sobre o que vê na sociedade e particularmente no que se pode chamar de “underclass”, com o nome de THEODORE DALRYMPLE. Escreve colunas para importantes publicações inglesas e americanas Infelizmente suas colunas e livros nunca foram traduzidos no Brasil. DALRYMPLE é um observador arguto dos seres humanos e seus escritos têm um estilo soberbo.

    Para quem pode ler em inglês recomendo especialmente “Life at the Bottom”, edição de Ivan R. Dee, Publisher, Chicago; e “Our Culture, What’s Left of It”, mesmo editor (omiti, porque desnecessários, os subtítulos).

    Quando se trata de assuntos sobre “excluídos”, a leitura de DALRYMPLE é como uma lufada de vento a levar as tolices colocadas sobre nossa mesa.

    Weimar

  26. raul, esq.

    -

    15/09/2007 às 17:37

    Há saída sim. Em duas palavras: governo Reagan. E pode ter certeza de que os pobres aplaudirão.

  27. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 17:34

    Reinaldo,
    ´´e a primeiravez que escrevo, mas pelo que li há vários dias, você é um homem católico. Qualquer reportagem sobre os pobres do nordeste, quando perguntados, como será o dia seguinte ? ou, o que comerá amanhã ? a resposta é: o que Deus der. Trabalhar, levar os filhos para a escola, batalhar dias melhores, nem pensar, para que? Se Deus não quiser, nada feito. Lulla está dando dinheiro, logo é Deus…
    Morg

  28. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 17:29

    Claro que entendemos, Rei.
    Quem gosta de pobre? ora, o Lula.
    Agora vão falar: viu como temos certeza de que eles, os direitistas, não gostam do povo, do pobre?
    Será que precisamos desenhar para eles o que quisemos dizer com isso? Pode ter certeza de que sim.
    O Brasil está medíocre em todos os sentidos, desde que esse partido de b… assumiu o poder.
    Lina

  29. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 17:23

    Reinaldo,

    Nuncanatesneztepaiz a vadiagem foi tão premiada.

  30. J Pimenta (azougue)

    -

    15/09/2007 às 17:18

    Seu Reinaldo, tem uma música nordestina assim ” Seu doutor uma esmola a um pobre que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
    Na própria letra já sugere parte da solução.Na verdade a solução é possível,mas a corrupção, a indústria da seca relegou aquele povo pobre à condição de massa de manobra para períodos eleitorais. A sudene de triste memória.Açudes,poços, barragens só atendiam interesses de latifundiários e políticos populistas.Agora é a vez de Lula também se lambuzar.Ele acha que tem esse direito

  31. simplesmente maria

    -

    15/09/2007 às 17:15

    Perfeitíssimo! Bravo, bravo!

  32. WEIMAR

    -

    15/09/2007 às 17:08

    Chamar os pobres de “excluídos” é contribuição da esquerda para uma linguagem que lhes interessa. E é coisa recente. Antigamente, todos, e em especial os padres, chamávamos a essa gente de “pobres”, “humildes”, “necessitados”. Agora, não. São “excluídos”, palavra que evoca exatamente o que a esquerda prega: a condição de vítimas inocentes do capitalismo, com direito a receber do governo tudo o que hoje não têm. Pode ser comida, roupa ou teto, como pode ser um carrão, jóias, mulher bonita e gostosa etc. Pela linguagem se cria um sentimento de ressentimento e revolta. Mais eficiente do que milhões de manifestos comunistas. Ao adotarmos a linguagem deles, perdemos.

    Outra coisa. Aqui um jornal, tido como conservador, estampa a manchete: “AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO REDUZ DESIGUALDADE”. E o faz, está dito lá, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgados ontem pelo IBGE. Não conheço esses dados, mas duvido que eles provem isso. Mesmo que se encontre alguma correlação positiva, não se terá provado o que está na manchete do jornal. É aquela velha coisa: as pessoas resistem a entender o que significam correlação estatística e relação de causa e efeito.

    Weimar

  33. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 16:49

    Q.E.D.

  34. Marco Antonio

    -

    15/09/2007 às 16:48

    Reinaldão, a lógica é “simpres” pro molusco: “Pra quê eu vou enterrar dinheiro em programas de saneamento? Ninguém vê cano enterrado”. O lance do poder é fazer algo que todo mundo pode ver, se lembrar. Linda a frase que ouvi outro dia: “Não me interessa saber que de um ano para o outro mais de 1 milhão de famílias “entraram” no Bolsa Família. O que me interessa é qual o número de famílias conseguiram se desvencilhar da pobreza e deixar de receber o Bolsa Família”.

  35. Maria Helena

    -

    15/09/2007 às 16:46

    No Nordeste, essa esmola vergonhosa atiçou a cobiça das mães irresponsáveis - e a sem-vergonhice de gurias de 12, 13, 14 anos - para fazê-las parir bem cedo, pra não perderem a “boquinha”.

  36. Fernando Silva

    -

    15/09/2007 às 16:43

    Venho falando isso, expondo esse mesmo raciocínio a amigos e parentes há uns três anos, Reinaldo./Infelizmente ninguém quer entender, o conceito de “luta de classes” se introjetou de forma indelevel na consciência brasileira. A má consciência se tornou a única consciência.
    Não adianta explicar que, na História do mundo, nenhum País saiu do subdesenvolvimento por meio do assistencialismo. A Alemanha paga hoje com altos índices de desemprego pela opção pelo walfare state. Lyndon Johnson tentou isso nos anos 70 nos EUA e deu origem a todos aqueles jovens desocupados sustentados pela mãe que, ou viraram drogados, ou foram integrar as gangues como os Blood e os Crips./Tá feia a crise, Tio Rei, muito feia. E o pior é que sabemos que quem vai pagar a conta no futuro serão os filhos da classe média. Quando penso nos anões morais e intelectuais uspianos que defendem isso me pergunto: será que hoje sujeito consegue dormir com a consciência tranquila?
    Abraço!

  37. Bruno

    -

    15/09/2007 às 16:41

    Espetacular Reinaldo…parabéns.

  38. Mário

    -

    15/09/2007 às 16:36

    Caro Reinaldo,

    Enquanto você, e outros analista sérios, mostram a enganação que está corrente neste país, eis a chamada do escroto PHA no escroto IG:

    PNAD: O Brasil é show

    Show é a cara-de-pau desse pulha!

    Quando conseguirmos varrer o P(atéticos) T(rambiqueiros) do governo, não podemos nos esquecer desses tratantes também.

    Um grande abraço.

    PS: Uma sugestão para quem não tolera mais toda essa sujeira: ignore o IG e a Record. Eu entro no IG só para ver o assunto do pulha e não assisto mais nada na Record, onde esse pulha trabalha.

  39. Anônimo

    -

    15/09/2007 às 16:23

    Li esta nota no site do Olavo. Nunca duas citações representaram tão bem a realidade.

    “Se o leitor tem uns minutinhos para meditar sobre o curso dos tempos, talvez aprenda alguma coisa comparando estas duas declarações:
    Primeira : “Ninguém neste país tem mais autoridade moral, ética e política do que o nosso partido. Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor.” (Luís Inácio Lula da Silva, no 3º. Congresso do PT.)
    Segunda : “Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso “. (Olympio Mourão Filho, Memórias: A Verdade de um Revolucionário , Porto Alegre, L&PM, 1978, p. 16.)”


 

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