23/11/2009
às 5:33AHMADINEJAD VAI A UMA FACULDADE? ENTÃO EU TENHO UMA PROPOSTA PARA EVITAR UM VEXAME
Leitores me informam que o Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) vai receber Mahmoud Ahmadinejad. Ele vai falar aos estudantes!!!
Entro no site na faculdade, e, com efeito, está lá o convite para um “debate” com o homem. O evento está previsto para as 17h30, no campus Edson Machado — telef. (61) 3340 3747. Na peça de divulgação, lê-se a seguinte mensagem: “Faculdade é território livre para o debate de idéias. E o Iesb coloca isso em prática”.
É mesmo? É bom, sem dúvida, que possamos dizer isso por aqui. E é uma lástima que não se possa dizer o mesmo no Irã, onde a educação e a imprensa vivem sob uma odiosa censura. O IESB terá a coragem de fazer o que fez a Universidade de Columbia quando recebeu o tiranete? Quem desempenhará, aqui, o papel do reitor Lee Bollinger? Há professores com essa coragem? Leia o post Uma descompostura fabulosa no facinoroso quem não sabe do que estou falando. Em 2007, o presidente do Irã falou na Columbia. Mas o reitor disse o que pensava de sua atuação política.
Traduzi boa parte da fala do reitor aqui. Lembro alguns trechos:
Nós, nesta universidade, não temos receio de protestar contra o nosso governo e de contestá-lo em nome desses valores. E não temos receio de criticar o seu governo.
Vamos deixar claro de saída: senhor presidente, o senhor exibe todos os sinais de um ditador mesquinho e cruel.
E eu lhe pergunto: por que as mulheres, os membros da religião Baha’i, homossexuais e muitos dos nossos colegas professores são alvos de perseguição em seu pais?
(…)
Por que o senhor tem tanto medo de que os cidadãos iranianos expressem suas opiniões em favor de mudanças? (…)
O senhor me deixa liderar uma delegação de estudantes e professores da Columbia para falar na sua universidade sobre liberdade de expressão, com a mesma liberdade que lhe garantimos hoje? O senhor fará isso?”
(…)
“Em dezembro de 2005, num programa da TV estatal, o senhor se referiu ao Holocausto como uma invenção, uma lenda. Um ano depois, o senhor apoiou uma reunião de negadores do Holocausto.
Para os iletrados, os ignorantes, isso é propaganda perigosa. Quando o senhor vem a um lugar como este, isto faz do senhor simplesmente um ridículo. Ou o senhor é um provocador descarado ou é espantosamente mal-educado [sem formação intelectual].
(…)
Doze dias atrás o senhor disse que o estado de Israel não pode continuar a existir. Isso repete inúmeras declarações inflamadas que o senhor tem feito nos últimos dois anos, incluindo a de outubro de 2005, segundo a qual Israel tem de ser “varrido do mapa”.
A Columbia tem mais de 800 ex-alunos vivendo em Israel. Como instituição, temos profundos laços com nossos colegas de lá. (…) Minha pergunta, então, é: “O senhor planeja nos varrer do mapa também?”
(…)
De acordo com o Council on Foreign Relations, está bem documentado que o Irã é patrocinador do terror, financiando grupos violentos como o libanês Hezbollah, que o Irã ajudou a organizar em 1980, e os palestinos Hamas e Jihad Islâmica.
(…)
Minha questão é esta: por que o senhor apóia organizações terroristas que continuam a golpear a paz e a democracia no Oriente Médio, destruindo vidas e a sociedade civil na região?
(…)
Por que o seu país se recusa a aderir ao padrão internacional de verificação de armas nucleares, em desafio a acordo que o senhor fez com a agência nuclear das Nações Unidas? E por que o senhor escolheu fazer o seu próprio povo vítima dos efeitos das sanções internacionais, ameaçando fazer o mundo mergulhar na aniquilação nuclear?
Deixe-me encerrar com este comentário. Francamente, com toda sinceridade, senhor presidente, eu duvido que o senhor tenha coragem intelectual de responder essas questões.
Voltei
Se o debate do Iesb é realmente livre, com foi na Columbia, então perguntas assim podem ser feitas? Haverá oportunidade para fazê-las? Haverá algum com coragem para tanto? Se, no entanto, algum filtro impedir que perguntas, livres de censura prévia, sejam feitas ao visitante, o IESB só servirá de palco para a fala de um facínora.
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