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13/06/2012

às 15:13

Agnelo diz manter confiança em assessor demitido por vínculos com Carlinhos Cachoeira

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA Online:
Suspeito de manter ligações com o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), afirmou nesta quarta à CPI do Cachoeira que abre mão de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. O petista, convocado a prestar esclarecimentos sobre a ligação de sua gestão com a máfia comandada pelo bicheiro, começou a depor à Comissão Parlamentar de Inquérito pouco antes das 11h.

Na primeira parte de sua exposição, Agnelo anunciou. “Não posso conviver com desconfiança sobre minha biografia. Quero colocar à disposição dessa CPI meu sigilo bancário, fiscal e telefônico”, disse. “Quem não deve não teme. Já havia oferecido meus sigilos ao procurador-geral da República há mais de um mês”. O petista foi aplaudido por integrantes da comissão ao fazer o anúncio. A decisão de Agnelo é uma tentativa de ganhar força política – ainda mais porque, na sessão desta terça-feira da CPI, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recusou-se a disponibilizar seus dados sigilosos à comissão.

A suspensão da confidencialidade dos dados do petista já havia sido oferecida também ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde Agnelo responde a processo. A revogação dos sigilos de Perillo será analisada nesta quinta-feira pela CPI.

No depoimento à CPI, o governador também disse manter a confiança em Cláudio Monteiro, que era seu chefe de gabinete e deixou o cargo após escutas da Polícia Federal indicarem que ele recebia propina da quadrilha de Carlinhos Cachoeira para facilitar a infiltração da Delta no governo local. Agnelo sustentou a tese de que não houve cooptação de seu assessor porque os objetivos da quadrilha não foram atingidos: “A informação que eu tenho dele é essa e eu não tenho motivo nenhum para desconfiar disso, porque não teve nenhuma ação que favorecesse a Delta”.

O petista também afirmou que desconhecia a ligação de outros dois integrantes de seu governo com o grupo de Cachoeira: João Carlos Feitoza, o Zunga (ex-subsecretário de Esporte) e Marcello de Oliveira (ex-assessor da Casa Militar). Assim como Monteiro, a dupla perdeu o cargo em meio ao escândalo.

Encontro
Agnelo admitiu ter se encontrado uma vez com Carlinhos Cachoeira ao visitar uma indústria farmacêutica do contraventor, ainda quando era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): “Eu visitei uma fábrica da Vitapan, como fiz visitas em outros estados do Brasil”, afirmouo. “Esse foi o único contato que eu tive com o senhor Carlos Cachoeira”.

O governador iniciou seu depoimento afirmando que tem sido alvo de uma organização criminosa que estaria tramando sua derrubada do poder. O petista usou sua primeira fala ao colegiado para desqualificar as acusações de que a construtora Delta e o bando de Cachoeira teriam se infiltrado em Brasília.  Assim como fez o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em depoimento nesta terça-feira, Agnelo também questionou o uso das gravações da Polícia Federal e o suposto vazamento seletivo dos grampos, afirmando que os dados obtidos na Operação Monte Carlo foram divulgados de maneira descontextualizada.

“O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada, um governo legitimamente eleito pelo povo do Distrito Federal”, afirmou. “E não agiu só. Valeu-se das falsas acusações plantadas, de vozes com acessos às tribunas políticas do país, da boa-fé das pessoas ao misturar mentiras e meias verdades”. Em seguida, o governador questionou os reais motivos de sua convocação: “Tudo com o objetivo de me desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do Distrito Federal. Esse governo estava impedindo que o crime entrasse, que se fizessem negociações, que tivesse favorecimento, que indicasse gente. Por isso queriam me derrubar”.

Grampos
O governador negou ainda à CPI que seu governo tenha grampeado ilegalmente autoridades, jornalistas e adversários políticos por meio da Casa Militar. Reportagem de VEJA revelou que a Casa Militar do governo acessou dados pessoais de opositores e jornalistas. “Jamais vou permitir que a Casa Militar de um governo democrático possa adotar qualquer atitude nesse sentido”, disse o petista.

Crescimento de patrimônio
Durante depoimento, Agnelo também negou irregularidades em seu crescimento patrimonial – a soma dos bens do petista cresceu quase 12 vezes desde 1998. “Com a quebra dos sigilos você tira qualquer tipo de ilações. Abro meu sigilo para que possam ser checadas todas as informações necessárias que demonstram que tenho patrimônio compatível”, disse. “Não quero nenhum tipo de suspeição sobre minha vida. Não posso ouvir aleivosias dessa ordem”, declarou ele, recebendo apoio do relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Agnelo Queiroz encaminhou ao colegiado declaração de nada consta do Imposto de Renda dele e se sua esposa.

Documentos
O governador encaminhou à CPI documentos mostrando que o contrato da construtora Delta em Brasília foi assinado em dezembro de 2010 – antes, portanto, de sua posse.  ”A Delta Construções tem apenas um contrato com o governo do DF, o de coleta de lixo e varrição e ruas em duas áreas do Distrito Federal, e esse contrato foi assinado no governo anterior. E ainda assim a mando da Justiça”, argumentou.

Agnelo Queiroz fez um balanço de quando assumiu o governo do Distrito Federal e relembrou escândalos políticos envolvendo Brasília, como a operação Caixa de Pandora, que desbaratou o mensalão do Democratas. De acordo com o governador, as acusações de que seu governo tem vínculos com o bicheiro Cachoeira são resultado de retaliação de adversários derrotados nas urnas.

“Quero dizer que vou resistir e continuar lutando contra esse povo expulso da máquina pública pelo povo do Distrito Federal”, disse. “Tenho minha consciência tranquila. A sociedade de Brasília me conhece, herdei uma cidade com escândalos e ameaça de intervenção federal”.

Protesto
Agnelo pretendia chegar à sala da CPI acompanhado por cerca de 20 deputados distritais, secretários e o vice-governador, Tadeu Filipelli. Contudo, um grupo de manifestantes contra o petista bloqueou o caminho entre a liderança do PT no Senado, onde estava o governador, e  a sala da comissão. Agnelo teve de recorrer a uma passagem alternativa, pelo subsolo. A equipe do petista ficou ilhada.

O protesto contra o governador foi organizado por cerca de 15 estudantes, parte deles ligada ao PSTU. Militantes do PT também compareceram e gritaram palavras de ordem em defesa de Agnelo.

Por Reinaldo Azevedo

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12 Comentários

  1. LIMA

    -

    13/06/2012 às 20:53

    REINALDO.
    BANDIDO TEM MEDO DE BANDIDO. QUANDO TODOS SE PROTEGEM E ROUBAM, AS COISAS FICAM MAIS FACEIS.

  2. toninho malvadeza

    -

    13/06/2012 às 19:54

    Não perco meu tempo mais vendo aquilo.Partido A conta partido B,só isso.

  3. Alexandre

    -

    13/06/2012 às 18:21

    Admitindo a lógica utilizada por Agnelo (duvido que não seja compartilhada por seus correligionários), o Senador Demóstenes Torres tem o direito de permanecer no cargo. Será tão diferente a concepção almejada pelo Estado Democrático Brasileiro sobre a moral de um funcionário designado a ocupar cargo público quanto a de um Senador? Levanto este questionamento aos seus leitores Reinaldo. A finalidade pública tornou-se flexível em relação a moral e ética? Será que a teleologia aristotélica fora defenestrada para abrigar uma concepção deturpada do significado de “Realpolitik”? Onde estão os grandes pensadores da política? Queremos debater a essência da Democracia brasileira e seus rumos. Para onde estamos dirigindo nossos valores? Eles são relevantes ao atual cenário político? Estou pessimista com o futuro da democracia brasileira. Começo a indagar sobre o fracasso da minha geração quanto aos rumos da política brasileira. Pertenço a geração denominada “caras pintadas”.

  4. Joe

    -

    13/06/2012 às 16:29

    Reinaldo,

    E quando toda a roubalheira está em nome de laranjas? Adianta abrir sigilo bancário??

  5. Francisco

    -

    13/06/2012 às 16:24

    CARO REINALDO
    Agnelo Queiroz não abriu seu sigilo por gesto de grandeza.
    Já há inquérito no DF em que é investigado, que quebrou o sigilo dele há pouquíssimo tempo. Nunca devemos esperar gesto de grandeza ou transparência de um petista, que já foi pcdobista. Deus do céu, ô gente canalha!
    FRANCISCO

  6. indignada

    -

    13/06/2012 às 16:17

    REINALDO, EM OFF. CACHOEIRA TEM UMA INDÚSTRIA FARMACEUTICA??SERÁ QUE VENDE PARA O GOVERNO OS TAIS REMÉDIOS GENÉRICOS?? E O ESCÂNDALO DOS REMÉDIOS FALCIFICADOS A QUANTAS ANDAM AS INVESTIGAÇÕES?? SEI NÃO, CACHOEIRA NÃO PODE SER TÃO PODEROSO SENDO APENAS UM BICHEIRO CONTRAVENTOR. SE PUXAR O FIO VEM MAIS LIXO POR AI.

  7. Paulo

    -

    13/06/2012 às 15:38

    Agnelo abriu seu sigilo porque a justiça já tinha determinado a sua quebra, muito esperto.

  8. anti-petralha

    -

    13/06/2012 às 15:38

    Reinaldo, é grave, parece que o Agnelo não pagou pela casa que mora, a tal mansão de 400.000,00, que já seria uma pechincha, o Agnelo, repito, não disse se pagou pela casa, fala que pagou por ela 400.000,00, mas não mostra se pagou por TED, se pagou em dinheiro, em cheques, etc. Tudo leva a crer que essa casa lhe foi dada, da mesma forma que aquele Daniel da União Quimica transferiu 5.000,00 reais, apenas esses míseros 5.000,00 reais o Agnelo não sabe dizer como pagou pela casa. Esse cara é muito sujo!

  9. DIZ

    -

    13/06/2012 às 15:32

    Como o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira não pede recibo, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT)pode se dar ao luxo de abrir mão de todos os sigilos bancarios e fiscais.Assim,o treinamento para aprender a mentir colherá os frutos.Quanto ao povo de memória curta,até as próximas eleições ninguem lembrará de mais nada.Logo,cada povo terá sempre o governo que merece.

  10. no chá das 5

    -

    13/06/2012 às 15:30

    é muita cara-de-pau:”impedir que o crime,o mal-feito(aaarrggghhh)entrasse”???????????????????????
    aí reinaldo,assim fica difícil até de ler,quanto mais comentar!!!

  11. Boladão

    -

    13/06/2012 às 15:25

    Todo picareta do PT pego com a boca na botija vem sempre com o papo de que é um pobre perseguido por complôs e pela mídia. O PT deveria mudar de nome para Partido dos Picaretas Perseguidos. PDPP.

  12. Mario

    -

    13/06/2012 às 15:20

    Quem não deve não treme !
    Nunca vi um governador gaguejar e tremer tanto na TV.

 

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