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10/01/2012

às 17:54

A droga da imprensa. Ou: Por que eu tenho de pagar pelo tratamento de quem decidiu consumir droga sem me consultar?

Não é raro que alguns leitores tentem jogar Milton Friedman contra mim. Um dos ícones do liberalismo se dizia favorável à descriminação de todas as drogas. Para ele, trata-se de uma questão individual. Consome quem quer, e o Estado não tem o direito de se meter. Acho que sou um liberal — um liberal-conservador em muitos aspectos — , e não me sinto obrigado a concordar com ele ou com qualquer outro. Costumo dizer que nenhum estado é tão autoritário a ponto de proibir o suicídio. Se a droga fosse apenas matéria de foro íntimo, não seria eu a recomendar que se proibisse, então, essa forma particular de… suicídio — uma questão que considero grave, mas que diz respeito a outro campo da experiência, que não o legal; evito-o agora para não abrir outra vereda no texto. Acho a opinião de Friedman — emitida num tempo pré-crack, diga-se — simplista porque desconsidera que o consumo de determinadas substâncias traz consigo um conjunto de valores, de práticas e de “saberes” (ainda que maléficos) que tem óbvias implicações sociais. Consumir ou não consumir droga, sem dúvida, nasce de uma decisão pessoal. Mas há implicações que são coletivas.

De toda sorte, as considerações daquele notável economista liberal servem de instrução ao pensamento e ajudam a orientar as nossas escolhas. Todos acompanhamos a simpatia mais do que indiscreta da imprensa brasileira, com raras exceções, pelas marchas da maconha. Ora, se eu não fosse aquele que diz tudo sem receio de aborrecer, não escreveria o que vou escrever agora. Mas não me importa que alguns tantos fiquem chateados. A simpatia da imprensa pelas tais marchas deriva do fato de que os jornalistas não formam exatamente o grupo profissional mais avesso ao consumo, digamos, recreativo de algumas substâncias proibidas. Os jornalistas, como os artistas, integram as categorias do, como chamarei?, laxismo em matéria de costumes. Mais do que pelo laxismo, têm certa atração pela transgressão. Não é por acaso que as matérias contra o tabaco se multipliquem na imprensa (e está correto; a substância é realmente nociva, diz este fumante), na mesma proporção em que crescem os textos que fazem proselitismo em favor da descriminação de outras drogas. Sigamos.

Aos laxistas e liberais, juntam-se aqueles — e é aí que entra, por exemplo, FHC, abraçado a um estupendo equívoco — que consideram que as drogas devam ser descriminadas porque a repressão teria se mostrado ineficiente e contraproducente. Trata-se de um raciocínio torto, que nasce de uma lógica manca: “Se a repressão não é eficiente, por que não testar os efeitos da completa liberação?”, como se o conhecimento que temos do inferno da proibição nos desse a experiência prévia do inferno da liberação — e não nos dá! Ora, as cracolândias no Brasil ou as áreas de Amsterdã em que o consumo de drogas é liberado fornecem pistas de como seria um mundo em que essas substâncias circulassem livremente. Insisto neste aspecto: o crack testa — e reprova — as opiniões dos liberais como Friedman, dos laxistas e dos que se querem, como FHC nesse caso, apenas pragmáticos.

Essas correntes todas se juntam contra o Estado quando este decide fazer aquilo que lhe compete fazer: aplicar a lei. Por qualquer ângulo que se queira, mesmo com uma legislação “drogofílica” como a nossa (ainda falarei a respeito em outro post), a existência de cracolândias é inaceitável. E é em momentos assim que a confusão de valores e de referências e que a ausência de um princípio organizador do pensamento se revelam de maneira dramática. Acompanhem o que segue. Vamos ver se há falhas lógicas no que escrevo.

Ora, se, vá lá, liberais e laxistas acreditam que a droga é uma questão de foro íntimo; se é verdade que ela diz respeito a escolhas individuais; se é verdade que o estado não tem o direito de se meter nas opções feitas pelos indivíduos, então é preciso sustentar o que deriva de todas essas premissas: esse mesmo estado e essa mesma sociedade não têm obrigação nenhuma de arcar com o custo da escolha, certo? Se os indivíduos que vão fumar um baseado, cheirar uma carreira ou acender um cachimbo não nos devem satisfações, por que nós lhes deveríamos, então, o tratamento quando mergulham na abjeção? É sensato que, na hora de consumir a substância, o sujeito evoque, sei lá, o que considera seus direitos fundamentais, mas se apresente como um caso clínico quando o seu prazer se transforma na sua desgraça? Se o consumo, no fim das contas, é só uma questão de moral privada, que não venham, então, defender que é um imperativo ético do estado, de toda a sociedade, tratar o viciado. ORA, ELE NÃO É, ENTÃO, UM DOENTE, MAS APENAS UM HOMEM LIVRE. E um fundamento da liberdade individual é arcar com o custo das escolhas, em vez de transferi-los para os ombros de terceiros. Mais: ele consuma, então, o que quiser, mas sem sitiar áreas públicas. Se o fizer, polícia!  Alguma falha no que escrevo aqui?

No parágrafo anterior, não respondi ao que chamei “os pragmáticos”. A falha de seu raciocínio não é menor. Em vez da repressão, dizem eles, é preciso fazer um trabalho de prevenção, descriminando o consumo e dispensando tratamento aos viciados. Seria exato se os viciados constituíssem uma categoria natural ou fossem uma decorrência da árvore da vida, como os infantes e os velhos, que merecem proteção especial. Mas os viciados, eu também acho, fizeram uma escolha primitiva: consumir a substância. Se os serviços públicos de saúde já são hoje um desastre — e são mais ou menos ineficientes no mundo inteiro, é bom destacar, porque são muito caros —, podemos imaginar as conseqüências de uma descriminação ampla das drogas. Atenção! Eu defendo, sim, que haja tratamento nos limites do que comporta o Orçamento — não seria, por exemplo, a minha prioridade e ainda direi, em outro texto, por quê —, mas reivindico que o Estado tem o direito e a obrigação de reprimir o tráfico e, atenção!, também o consumo de drogas. A legislação brasileira, nesse particular, também é uma droga!

Mas o que querem, afinal, setores da imprensa?
Leio a cobertura de determinados veículos e me pergunto: “Mas o que querem, afinal, determinados setores da imprensa, pautados pelo laxismo e pelo suposto pragmatismo (liberais quase não há mais…)? De fato, gostariam de uma ampla descriminação das drogas, desde que o estado arcasse com os custos das escolhas. No fim das contas, a maioria que não consome drogas, que se dedica com afinco ao trabalho, que dá duro para educar os filhos e para tentar melhorar de vida, deveria suportar os custos das escolhas dos que decidiram, como se diz, enfiar o pé na jaca. SERIAM SERES PLENOS DE DIREITO QUANDO BUSCAM O SEU PRAZER, MAS APENAS VÍTIMAS QUANDO A DROGA LHES CORRÓI AS ENTRANHAS E O FUTURO.

As minhas convicções mais profundas me impedem de negar ajuda a quem, afinal, precisa de ajuda, ainda que tenha cometido muitas faltas. Mas eu reivindico, sim, o direito de a sociedade, que pagará a conta, dizer qual é a sua vontade.

Finalmente, a Defensoria Pública
Dispenso algumas palavras, caminhando para o encerramento, para a Defensoria Pública. Eu ainda não entendi, e talvez alguns dos representantes desse órgão pudessem me explicar, por que os que optaram pelo crime despertam mais o interesse e a compaixão dos defensores do que os homens comuns, os que trabalham para encher os cofres do estado, de onde sai o salário — boníssimo salário, diga-se, equivalente ao de seus congêneres em países ricos — que paga esses profissionais.

Posso não ter achado em minha pesquisa — e, estando errado, corrijo-me —, mas não encontrei nenhuma ação desses profissionais em defesa dos moradores do Centro de São Paulo, que estavam sitiados pelo narcotráfico e pelos viciados. Está em curso no país uma perversa inversão quando se trata de órgãos que, na origem, deveriam defender o interesse coletivo ou os cidadãos, como é o caso de Ministério Público e Defensoria. Não é raro que a atenção desses profissionais se volte justamente para os grupos de exceção, para o que chamam “minorias”, para as ditas “vítimas do sistema”, deixando ao léu o homem comum.

É preciso, sim, impedir que o estado cometa arbitrariedades, na Cracolândia ou em qualquer outro lugar. Mas que fique claro: os que ocupavam aquela região não estavam exercendo um direito, mas solapando o direito de terceiros.

Por Reinaldo Azevedo

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220 Comentários

  • marcos

    -

    8/6/2012 às 12:49 pm

    Mais uma questão: como fica então o tratamento dos fumantes de tabaco? É a mesmíssima lógica! Turma fuma por décadas e morre por conta disso. Estamos pagando essa conta. Que fazer? Proibir o tabaco? Acho que a solução que encontramos é a melhor: altos impostos e restrição à publicidade. No meu ver, isso seria uma boa abordagem para as outras drogas. Abs

  • marcos

    -

    8/6/2012 às 12:37 pm

    Caro Reinaldo, e o gasto absurdo que ja pagamos nessa Guerra idiota e sem fim? Sim, Guerra tem que acabar um dia. Quando acabará essa? Quando prendermos as 300 milhoes de pessoas que usam drogas no mundo? O Estado de SP foi o lugar que mais construiu presidios no mundo, nos ultimos 10 anos. Nao falta entusiasmo para prender. Ja temos a terceira população carcerária do mundo, atras de China e EUA. Quanto custa um preso para a sociedade? Quanto custa o aparato repressivo. Procure na internet o video em que a Ann Coulter eh contra a descriminalização. Ela eh uma conservadora sem miolo. Vc nao. Pensa com propriedade. Tenho certeza que em breve mudara sua opinão. Os fatos sao ensurdecedores. Abs

  • contribuintecompulsória

    -

    16/1/2012 às 8:29 pm

    Parabéns, Reinaldo!
    Nem preciso dizer mais nada!

  • Mirian Aline Rubacovi

    -

    13/1/2012 às 5:14 pm

    as drogas destroem o livre arbítrio a vontade a empatia o centro moral do cérebro e é o livre arbítrio que nos faz humanos o drogado nem sabe quem é onde está o que faz não pensa só age não raro agressivamente e é dessa agressividade sem limites que os não drogados devem ser protegidos.

  • Guilherme

    -

    12/1/2012 às 6:46 pm

    Devemos respeitar as diferenças, ser tolerantes com os que pensam de outro modo, mas ninguém deve a ajustar a sociedade inteira em favor de uma ínfima minoria.

    As lesões a pessoas e bens juridicos alheios acontece toda vez que alguém compra drogas, pois o dinheiro vai pro traficante, que compra armas, que assaltam, assassinam e seqüestram a população.

    O Estado deve ser minimamente intervencionista, mas os que defendem a legalização das drogas são em sua imensa maioria marxistas que querem que o governo faça tudo pelas pessoas.
    No fim das contas, a maioria que não consome drogas, que se dedica com afinco ao trabalho, que dá duro para educar os filhos e para tentar melhorar de vida, deveria suportar os custos das escolhas dos que decidiram comprar e utilizar drogas, não mudando o fato que isso simplesmente é suportar o narcotráfico, pois ninguém planta maconha no jardim de casa.

    O mais engraçado é o fato do cara pagar o traficante pela droga, mas quando tem uma overdose ou o vício fica forte demais, quer o tratamento de graça, pago pelo governo as custas da população inteira, sendo que o narcotráfico, com o dinheiro desse viciado comete crimes contra nós diariamente.

    Dizem que querem plenos direitos quando buscam seu prazer, mas não querem nenhum dever das conseqüências, quando as drogas destróem o corpo e o futuro, se fazem de vítimas coitadinhas.

  • Bernardo

    -

    11/1/2012 às 10:43 pm

    Sem dúvida, o melhor artigo que li a respeito do assunto. Parabéns!

  • Prof. Yuri Brandão (Maceió)

    -

    11/1/2012 às 9:43 pm

    Prezado AZEVEDO:

    Que bom que você voltou. Seus textos fazem falta. Sucesso neste mais um ano de labuta!

    Sobre o bom texto acima, ocorrem-me algumas sinceras questões, sobre as quais não sei se já escreveu (pelo menos não li):

    1. A lógica delineada na postagem se aplicaria aos cidadãos que, por exemplo, decidiram livremente fumar ou comer muita gordura e, depois, apresentaram doenças vasculares ou cardíacas?

    2. A mesma lógica nos autorizaria, se porventura quiséssemos, a negar assistência a quem bebeu e, em consequência disso, ficou doente ou se meteu em acidente, precisou do plano de saúde, aumentou sua alíquota naquele mês e, ao fim e ao cabo, fez recair sobre os ombros dos demais associados um peso que não lhes é justo?

    3. Por que aqueles que decidiram livremente consumir droga e são tão pagadores de tributos quanto os não consumidores não estariam legitimados a cobrar do Estado o que lhe deram por imposição legal?

    4. Se o Estado devesse, em tese, não arcar com os prejuízos advindos das tais escolhas iniciais, não seria razoável admitir também que esse mesmo Estado se recusasse a receber ao menos parte da contribuição tributária do viciado? (Há quem defenda que este pague mais, como acontece com os fumantes, mas aí a história é outra.)

    Essas indagações, que sempre me rondaram, foram agravadas depois de eu ler, tempos atrás, “Ricos e infantis” e “Drogas de vida”, do ótimo João Pereira Coutinho, e “Descascando o abacaxi”, do quase sempre ótimo Hélio Schwartsman.

    Gostaria muito de saber o que você pensa a respeito, Reinaldo.

    Por ora é isso. Abraço

  • centro-direita

    -

    11/1/2012 às 8:26 pm

    FHC ja falou e eu ja ouvi ao vivo que ele nao defende que ninguem use drogas, porem ,defende a discriminizalização pelo menos da maconha, que é uma droga menos nociva e ainda se presta a medicina. Falácia atribuir a FHC essa fábulo e eu afirmo, como ex-combatente, O MUNDO PERDEU A GUERRA CONTRA AS DROGAS. O que fazer então? palmas pro reinaldo, se quiserem se matar se matem, mas o Estado não deve tirar um real para auxiliar o infeliz do fundo do pço. Fato!

  • Gustavo

    -

    11/1/2012 às 8:22 pm

    Reinaldo, primeiramente me manifesto como um grande admirador. Quanto à Defensoria Pública, “os que optaram pelo crime despertam mais o interesse e a compaixão dos defensores” porque a nossa Constituição, ao escolher a democracia republicana (no sentido técnico, das teorias normativas da democracia), sem ingressar no mérito de este se tratar do melhor ou pior modelo, a criou como instituição do Estado destinada à assistência jurídica dos necessitados como forma de assegurar a estes a obtenção da prestação jurisdicional, que se expressa, em uma síntese muito apertada, nas garantias contra ameaça ou lesão a direitos. Trata-se de um escolha feita pelo nosso modelo de Constituição. Até determinada época se compreendeu o âmbito da atuação da Defensoria Pública como a atuação em favor dos pobres – função a qual continua inserida dentre as suas atribuições e em que, sem dúvida, as pessoas que vivem na cracolândia se inserem. Hoje, tem-se a defesa dos indivíduos inseridos em grupos, na falta de expressão mais apropriada, “fracos” como a melhor tradução de suas funções. A Constituição, por adotar a democracia republicana, repito, é neutra quanto a preferências subjetivas, de forma que ao Estado incumbe assegurar a todos a representatividade. Solucionar o problema da drogadição – ainda mais quando se está diante de uma situação bastante grave – é inegavelmente uma tarefa complexa e passa, sem dúvida, por uma atuação coordenada do Estado para educação, tratamento e repressão adequados. Os grupos sobre o qual tratamos (usuários e moradores) possuem os seus direitos os quais devem ser tutelados de forma equilibrada. Não se está, de qualquer forma, a defender o “direito” ao uso de drogas conduta, aliás, tipificada como crime, e acredito, sempre aberto a ser convencido do contrário, que os colegas defensores públicos não encaram como direito o uso de drogas, por ora compreendendo tal assertiva como uma interpretação do articulista em relação a suas ações. Todavia, não é possível que todos os órgãos do Estado atuem exclusivamente em favor de determinado grupo. Os cidadãos de bem, que trabalham e pagam os impostos, estes revertendo para o pagamento dos boníssimos subsídios dos Defensores Públicos, que buscam ter para si garantida a segurança pública, a preservação da ordem pública e a sua incolumidade física, devem cobrá-la dos respectivos órgãos (CF, art. 144) e, também, possuem maior acesso aos meios de comunicação cuja liberdade é, também, de todo assegurada. A prática de crimes, e principalmente aquela que causa maior degradação social, deve ser coibida, mas, como referi, sempre se pautando o Estado pelo equilíbrio.

  • selminha

    -

    11/1/2012 às 6:03 pm

    Reinaldo, você foi perfeito. Assino em baixo. Sugiro você mandar este texto para o FHC. Quem sabe ele reflete melhor e abandona esta idéia estúpida de descriminalização das drogas.

  • anticorruptos e anticorruptores

    -

    11/1/2012 às 4:42 pm

    Prezado Reinaldo Azevedo, meu PC teve um faniquito e substituiu o “nick” que venho usando aqui (anticorruptos e anticorruptores) pelo meu antigo “nick” (Anti-petralhas).
    É meu o comentário que tem o cabeçalho “Anti-petralhas – 11/01/2012 às 16:31″.

  • Anti-petralhas

    -

    11/1/2012 às 4:31 pm

    Prezado Reinaldo Azevedo, parabéns por mais um texto fantástico.
    .
    É ridículo: os mesmos canalhas que pretendem a descriminação das drogas, especialmente a da alucinógena maconha, estão pretendendo desmerecer a ação da PM de São Paulo na Cracolândia.
    .
    Hoje à tarde, na Globo News, a estulta Maria Beltrão, apoiada e estimulada por seus estultos convidados, disse explicitamente que a repressão às drogas tem sido correta no RJ porque os viciados cariocas estão sendo encaminhados para tratamento. Disse, também, que estão sobrando 180 vagas no RJ para tratamento de dependentes químicos (DUVIDO!!!!).
    .
    Canalhice pouca é bobagem!! Maria Beltrão continuou sua canalhice (ou seria apenas estultice?) dizendo que a ação na Cracolândia foi errada porque a PM apenas espalhou os viciados na cidade de SP, sem que o governo estadual oferecesse tratamento.
    .
    Na minha opinião, se houver a descriminação do consumo e ou da venda de drogas, o des(governo) federal estimulará a multiplicação dos dependentes químicos, que se espalharão em todos os municípios brasileiros (SEM AJUDA DO GOVERNO DE SP!!!!), incentivarão outras pessoas ao consumo de drogas (inclusive crianças e adolescentes, no mínimo pelo mau exemplo) e desgraçarão suas famílias, outras famílias e suas próprias vidas.

  • Renato A. Azevedo

    -

    11/1/2012 às 3:51 pm

    Caríssimo Reinaldo, que bom que voltou das férias! Mais um texto de uma lucidez impressionante, parabéns! É mesmo deplorável que os defensores públicos não defendam… o público que lhes paga os polpudos salários!
    Grande abraço

  • Rafael

    -

    11/1/2012 às 3:33 pm

    Vc diz: “E um fundamento da liberdade individual é arcar com o custo das escolhas, em vez de transferi-los para os ombros de terceiros. Mais: ele consuma, então, o que quiser, mas sem sitiar áreas públicas”. Isso vale para fumantes, bêbados e outros que não levem uma vida ‘saudável’? Se sim, posso concordar com o seu raciocínio.

  • ocidental

    -

    11/1/2012 às 3:08 pm

    errata :’elogiam e cultivam’

  • ocidental

    -

    11/1/2012 às 3:06 pm

    Devemos aceitar a contingência ,isto é,devemos aceitar que somos seres humanos limitados pela natureza e pelo destino.Seres humanos devem ser educados para ficar longe de drogas e de tudo o que seja pernicioso.Mas é muito difícil essa educação,porque os pais-mesmo os mais atentos e sábios- não detêm controle integral e durante o tempo todo sobre seus filhos. O Estado interfere permissivamente,declarando que ‘ o céu é o limite’. Sofrer frustrações tornou-se sinônimo de ‘injustiças sociais’ . Ter coisas,possuir coisas tornou-se sinônimo de ‘felicidade sobre a Terra’,quando sabemos que temos de sofrer frustrações -e o tempo todo – com sabedoria e paciência,se quisermos sobreviver e progredir ,e que nunca poderemos possuir tudo,que mesmo que possuíssemos quase tudo,ainda poderíamos ser infelizes,se não soubéssemos colocar nossa alegria de viver em valores mais espirituais e eternos.Por fim ,essa idéia de que ‘não podemos sofrer’, de que ‘uma criança não pode ser contrariada’ está nos levando ao caos. Sofrer faz parte de nossas humanas vidas,sofrer até nos torna mais fortes. O que não conseguimos tolerar é a injustiça, o raciocínio torto, o termos que sofrer só porque alguma ‘otoridade’ declarou que o ‘outro ‘ tem o direito divino de nos impingir sofrimentos.É o caso das cracolândias,é o caso das invasões da USP ,são as invasões das fazendas e propriedades…Se fÕssemoas seguir essas idéias e atitudes,todos nós, o inferno estaria instalado.A sorte dessas ‘otoridades’ é que temos paciência ,juízo,sabedoria,noção de justiça e direito..porque se não tivéssemos,elas -as ‘ otoridades’seriam as primeiras a serem invadidas,defenestradas, vandalizadas…São as leis,a hierarquia , a sociedade organizada, o poder de polícia, as religiões, as boas escolas, o Estado bem ocupado por bons estadistas, a Constituição e os códigos, a fiscalização e a punição,sim senhores, que trouxeram o mundo e a civilização até aqui . É só observarmos os países mais civilizados e que seguem tais valores. Mas ninguém,nem mesmo os países mais civilizados,está imune aos ataques da natureza humana.Só que alguns os combatem e outros,como Banânia, os elogia e cutiva.

  • Geneuronios

    -

    11/1/2012 às 2:16 pm

    Se coletarem a URINA de motoristas e fizerem o teste de COCAÍNA (pela internet custa R$ 15,00 a unidade de teste) que dá o resultado em TRES MINUTOS, vai dar MUITA gente POSITIVO !!!

  • Geneuronios

    -

    11/1/2012 às 2:08 pm

    As pessoas que usam drogam NÃO estão nas suas faculdades mentais normais. Não conseguem se controlar quando estão na fissura. As NEUROCIÊNCIAS precisam evoluir muito para encontrar técnicas medicamentosas ou invasivas para CURAR a dependência química. Não é assunto para sociólogos, assistentes sociais,etc. Deve ser tratado por quem entende do Mecanismo de Recompensa do corpo(cérebro incluso). Esqueçam alma, espírito, fôro individual, livre-arbítrio,etc. Somos química e eletrecidade.
    Filosofia, Religião, etc não ajudam muito.

  • ocidental

    -

    11/1/2012 às 2:07 pm

    “O liberalismo moderno sofre de contradições não resolvidas.Exalta o individualismo e a liberdade , e sua ala radical condena as ordens sociais como opressivas. Por outro lado espera que o governo seja o provedor material de todos,um feito só alcançável mediante a expansão da autoridade de uma burocracia inchada. Em outras palavras, o liberalismo define o governo como um pai tirano,mas exige que ele aja como uma mãe que amamenta.”(Camille Paglia ,em Personas Sexuais,1992,pag. 14)

  • Fernando

    -

    11/1/2012 às 2:04 pm

    Pois, então, que se negue o atendimento aos que vão aos hospitais com as artérias entupidas de gordura, obesos, ou com o pulmão preto de tanto tabaco fumado na vida! Nós pagamos, igualmente, por seus vícios destrutivos!

  • José do Norte

    -

    11/1/2012 às 2:01 pm

    A revolução cultural já está consolidada, Reinaldo. Agora cabe a nomenklatura administrar o sistema.

  • Marcos

    -

    11/1/2012 às 1:32 pm

    Não sei se é falta de instrução ou condição financeira que deu origem a cracolandia, só sei que é fácil ter teorias sociais olhando de fora e fazer criticas quando alguém resolve fazer alguma coisa. Acho que devemos mandar todo mundo pra maconholandia e cocainolandia la na USP, ai todo mundo estuda e moda de tipo de entorpecente. Os criminosos sempre terão a razão. Fique boquiaberto ao ver um policial, que é um cidadão como outro qualquer, que só faz essa porra de serviço pq tem que sobreviver e é visto como bandido, ser condenado em rede nacional pq perdeu a paciência com um maconheirinho, todos virão oq o policil faz mas n mostrarão oq o maconheirinho faz pra que ele perdesse a paciência. Eu no lugar do policial tinha era dado um tiro na cara do filho da puta, sinal de que ele é bem preparado psicologicamente. A impressa só condena cidadão de bem e transforma bandido em vítima.

  • Se-Gyn

    -

    11/1/2012 às 1:32 pm

    É um artigo fantástico, que merece ser passado adiante, pela análise sensata e brilhante da questão. Parabéns Reinaldo.

    A questão de fundo é mesmo esta. O que se quer é libertinagem para usufruto individual. E a conta do exercício da liberdade improdutiva, suicida e criminosa, vai para quem escolheu o caminho reto…

  • Josi

    -

    11/1/2012 às 1:09 pm

    Excelente texto!

  • Eduardo Leite

    -

    11/1/2012 às 1:03 pm

    … Eu concordo e tenho o mesmo ponto de vista nessa questão da liberação. Acredito não ser o caminho. Mas sobre a questão de escolhas e conseqüências, deveríamos nós abdicar do cuidado do estado no tratamento dos problemas decorrentes de nossa opção pelos excessos? Sou viciado em carne processada, gordura e açúcar e você, pelo que lembro, é viciado em nicotina…

  • demiane

    -

    11/1/2012 às 12:45 pm

    Reinaldo, mais uma vez um texto completo, cheio de lucidez e lógica.

  • Augusto

    -

    11/1/2012 às 12:28 pm

    Palavras de um simpatizante do Liberalismo:

    O teorema é simples: se a liberdade de qualquer indivíduo termina onde começa a liberdade do outro, então todo viciado passa a ser assunto de polícia quando intervém na liberdade alheia (furto, assalto, violência contra pedestes, familiares, etc).

    Considero a frase: “(…) ele consuma, então, o que quiser, mas sem sitiar áreas públicas. Se o fizer, polícia!”

    Exatamente. Reinaldo só não atenta para uma coisa: é possível – segundo as políticas sociais liberais – oferecer tratamento e trabalho ao viciado; trabalho que venha a custear seu próprio tratamento.

    Quando FHC fala de regulamentar áreas de consumo, de um lado traz a essas pessoas a possibilidade de satisfazerem suas próprias necessidades num lugar onde o Estado poderá ter controle e estrutura para ofertar tratamento e reprimir comportamentos que transbordem para a invasão da liberdade alheia.
    No atual modelo, as cracolândias são encorajadas pois a repressão não tem sido suficiente para conter o ímpeto irracional da busca de um viciado ou de um curioso, por mais intensa que a repressão venha a ser. O medo da agressão policial não tem sido suficiente para matar os fatores de origem dos dependentes. Mesmo estatísticas apenas apontam variações, mas quando se observa as formas de combate dadas pelo mundo (países ricos e pobres) esta conclusão é óbvia.
    As cracolândias migram e mudam de território, mas sobrevivem de alguma maneira. Em contrapartida, não é verdade que existe tratamento da questão a CUSTO ZERO – como o texto deixa no ar.
    A imensa carga de efetivos na perseguição desses perdidos gera um custo social enorme para os contribuintes. De qualquer forma, o Estado sempre vai gastar com eles e é o que vem acontecendo no presente – nas ações no centro de São Paulo.

    Um indivíduo – eu ou um jornalista – pode admitir tratar dependentes por sentimento humanitário (por motivos cristãos ou de outra matriz ideológica), mas o Estado deve ter uma razão (de racional) na hora de optar por uma postura diante do problema de saúde pública. O atual modelo nem resolve o problema dos efeitos da escolha individual pelo vício e tem sido muito ineficiente quanto ao problema da prevenção e tratamento de viciados.
    Há experiências que corroboram para a pertinência das práticas regulamentadoras. O próprio FHC citou Portugal e os números deles obviamente são melhores que no Brasil, apesar dos contextos sociais bastante distintos.

    Enfim, da forma como está, nem se é fiel a uma filosofia nem a outra. Continuamos costurando alguns valores morais, alguma medida administrativa específica de uma Gestão, uma política de esquerda, tudo combinado e mantendo as cracolândias – de ricos (certas universidades) e pobres.

    Se o objetivo é onerar o menos possível o contribuinte que trabalha – motor do país – a discussão sobre trabalho de presos e viciados me parece pertinente. Só não entendo o motivo de ainda não ser estimulada – sequer em debate.

  • marco

    -

    11/1/2012 às 12:21 pm

    será que é porque vive em uma sociedade??? descriminada#descriminalizada

  • jeferson

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    11/1/2012 às 11:25 am

    Entao a mesma lógica deve ser aplicada a você que é fumante, quando ficar doente com cancer ou outros problemas relacionados ao fumo ??? Ou a alcoolatras ? Pq o fumo e o alcool podem ser liberados e ter tratamento do Estado e as demais drogas nao ? Por favor se voce realmente se importa com o que escreve, responda !

  • Antonio Sergio

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    11/1/2012 às 11:03 am

    A correlação das Drogas com o Jogo de apostas e o mesmo, o Estado coíbe o jogo ilegal mais vicia a população com Jogos de apostas “Federais”, qual o argumento que justifica essa atitude? Os Jogos patrocinados pela Caixa são honestos na apuração? e dai, conheço amigos que deixam de comer para jogar na Mega Sena, Loto e todo aquele pacote de jogos “legais”.
    Por que o Estado pode levar alguns a ruína em seus jogos e os Patronos das Escolas de samba não? Para onde vai parar a arrecadação do Estado que paga somente 48% do que arrecada? No jogo do bicho sabemos que o lucro sustenta corruptos e atividades ilegais, será que o lucro do jogos do Federais não e o mesmo?

  • Sylvio Carvalho

    -

    11/1/2012 às 10:37 am

    Matou a pau. Nada mais a dizer. Feliz 2012, Reinaldo!

  • armando césar

    -

    11/1/2012 às 9:48 am

    “o consumo de determinadas substâncias traz consigo um conjunto de valores, de práticas e de “saberes” (ainda que maléficos) que tem óbvias implicações sociais.”

    Muito interessante. Poderia exemplificar um pouco?

  • J. Carlos

    -

    11/1/2012 às 9:04 am

    Reinaldo, no geral concordo com você, mas aqui está difícil. Certamente não tenho pena dos viciados e zumbis da cracolândia. Mas se vamos negar tratamento público a eles, qual a diferença de negá-lo para quem ‘decidiu’ fumar e destruir sua saúde, para quem ‘decidu’ dirigir embriagado e se acidentou, ou até para quem ‘decidiu’ pular de um prédio, se estrebuchou mas não morreu?

  • Darazoom

    -

    11/1/2012 às 8:47 am

    Mais um post primoroso, já comecei a concordar desde o título. Então concordo cem por cento.
    David

  • Denize

    -

    11/1/2012 às 7:54 am

    Para o André Barros, (23:27)

    O Reinaldo nao defendeu que se negue o tratamento aos viciados por que eles decidiram pelo consumo da droga. O que ele disse foi que se essa decisao fosse algo unicamente de foro íntimo entao os viciados deveriam arcar pelos custos de suas escolhas. Como nao é, e a sociedade paga por essas escolhas ditas idividuais, entao a maioria tem o direito de decidir se quer ou nao liberar o consumo. O texto nao defende a negacao de tratamento ao usuário (se bem que esse tratamento nao deva ser a prioridade do sistema de saúde) e sim que as drogas continuem proibidas.

  • Heitor

    -

    11/1/2012 às 6:39 am

    O problema da droga é tão grave que mesmo eu, morando em zona rural, vejo a orda de gente dependente ao redor sem sequer sair de casa. Eles gritam dentro de suas casas de felicidade quando a droga chega, vejo que famílias adotam traficantes que passam a ser convivas em suas residências. O bairro é tomado de criminosos e baderneiros. É o apocalipse do bairro.

  • Heitor

    -

    11/1/2012 às 6:29 am

    O que restará no código penal que consiga punir alguém?

  • Heitor

    -

    11/1/2012 às 6:27 am

    Posso citar um exemplo onde o erro de descriminar a maconha leva a impunidade de um criminoso. Alguém serve bolo de maconha a gente desavisada, por pura sacangem. Vão reclamar para quem disto?

  • esther correa

    -

    11/1/2012 às 4:18 am

    Tio
    Perfeito!

  • Cássio Peixoto

    -

    11/1/2012 às 3:52 am

    Caro Reinaldo,

    conheço sua opinião sobre drogas ilegais, porém seu texto acima me parece um pouco paradoxal. Você é contra que o estado arque com o tratamento de pessoas com câncer de pulmão, doenças cardiovasculares, cirrose hepática, acidentes ou transtornos psiquiátricos causados pelo tabagismo ou alcoolismo?
    Citando seu texto: “no fim das contas, a maioria que não consome “álcool ou cigarro” (texto original: drogas), que se dedica com afinco ao trabalho, que dá duro para educar os filhos e para tentar melhorar de vida, deveria suportar os custos das escolhas dos que decidiram, como se diz, enfiar o pé na jaca”.
    O texto acima leva à crêr que você é a favor da imposição de alguma forma de compensação à sociedade, que arca diretamente com os custos sociais (saúde, segurança) consequentes ao uso de drogas legais ou ilegais. Ou seja, pagamento de impostos (legalização?).

  • Henrique Araujo

    -

    11/1/2012 às 2:20 am

    Creio ser óbvia a preferência por drogas “legais”. São disparadamente as mais consumidas no mundo e, provavelmente, as que mais causam prejuízos, na forma de absenteísmo do trabalho, acidentes e deterioração da saúde da população em geral.
    Uma outra constatação não tão óbvia, a julgar pelos comentários, é que a imensa maioria dos usuários de drogas não é dependente, ao contrário daquelas minorias de zumbis que vivem pelas cracolândias. Ou seja, eles têm total consciência do que estão fazendo.
    Eu confesso que, lá pelos anos 1980, namorei a ideia da liberação total. O motivo, além do exposto acima: todo o imenso esforço – devidamente acompanhado de monstruosas despesas – das forças de segurança para combater o tráfico sempre teve resultado pífio. No entanto, até hoje não sei o que é mais vantajoso: liberar (e cobrar impostos) ou reprimir.
    Não podemos nos esquecer que, no passado, já foi adotada uma outra abordagem: execução sumária dos usuários. Se eu não estiver muito enganado, a China adotou esse método, ao ver-se em desespero pela enorme quantidade de viciados em ópio e derivados. Uma outra figura importante nessa luta foi o sultão otomano Murad IV, do século 17. (Confesso que, até hoje, tenho certa simpatia por essa ideia, mas não espalhem.)
    Mas eu creio que deve existir uma forma de cobrar dos drogados o custo por eles imposto à sociedade. Os impostos mais elevados são uma possível solução. Acho também que uma recente decisão do Supremo está corretíssima: o simples fato de dirigir sob efeito de droga já é um crime, sem que seja necessária a provocação de um “sinistro”. (Na verdade, não conheço os detalhes da decisão.)

  • misael

    -

    11/1/2012 às 1:24 am

    Como sempre REI, mais uam vez PERFEITO!
    “Se a consequência de uma escolha individual gera um custo coletivo esta escolha não pode ser mais só individual.”
    “Os jornalistas, como os artistas, integram as categorias do, como chamarei?, laxismo em matéria de costumes.”
    São duas frases carregadas de lógica, que dizem tudo:
    A primeira é um direto de DIREITA e a segunda é um direto de ESQUERDA!

  • BOB

    -

    11/1/2012 às 1:19 am

    Mal posso esperar para ver o tal “churrascão da solidariedade” marcado para acontecer na cracolândia…

  • Avelino Taveiros

    -

    11/1/2012 às 12:57 am

    Sobre o comentário de André Barros (10/01/2012 às 23:27)

    Neste mundo com sete bilhões de habitantes, a sobrevivência do ser humano passou a ser uma questão de SUSTENTABILIDADE.
    Entre outras hipóteses de viabilidade, não é sustentável uma sociedade onde quem produz paga pela assistência médica de quem, no exercício do seu direito de livre arbítrio, DECIDIU NÃO PRODUZIR E VIVER À MARGEM DA LEI.
    Por enquanto estamos discutindo isso pela Internet. Chegará o dia em que teremos de optar por regras sustentáveis de convivência social ou defender fisicamente a nossa sobrevivência, como nos primórdios da civilização – a lei do mais forte.
    Não se esqueça de que o que permitiu o surgimento do chamado “welfare state” foi a abundância de recursos. O que vai acontecer quando a ausência de boas práticas de sustentabilidade provocar escassez?

    Quem viver verá…
    Mas do jeito que as coisas vão, é pouco provável que alguém viva para para ver e contar a história.

  • -

    11/1/2012 às 12:47 am

    Quando que li o “estadinho” de hoje pensei que fosse o “gramna”. Reportagem parcial, ridícula, tentando de todas as formas prejudicar a operação na cracolândia, necessária somente porque o desgoverno federal deixa as fronteiras escancaradas para a cocaína, bem como porque a lei de tóxicos, sancionada por lulla, abrandou a punição a usuários e traficantes, transformando o brasil no 2o maior mercado consumuidor de cocaína do mundo. Vou cancelar a assinatura. Os Mesquitas de antigamente devem estar envergonhados.

  • André Antunes

    -

    11/1/2012 às 12:32 am

    O problema dessa abordagem, se me permite discordar, é que, no limite, o estado poderia também querer proibir as pessoas de comer bacon (a obesidade, afinal, também é um problema de saúde pública e ninguém é obrigado a arcar com as escolhas dos gordos…). O que parece mais grave é, como você mesmo já demonstrou, termos um exército de zumbis, com cognição e volição sequestradas pelas drogas, sitiando a sociedade, assaltando e assassinando para satisfazer seus vícios.

  • Raskol:- Uma alopração, um caso esquecido.

    -

    11/1/2012 às 12:23 am

    Achei interessante repetir o texto abaixo de Burrão, das 18:52 sobre o aloprado Goldfarb que saiu arrepiando, atirando e roubando. O texto do colega abaixo põe uma luz sobre essa suposta “alopração”.
    ======================================
    Burrão, – 10/01/2012 às 18:52

    Um individuo de nome michel goldfarb costa “surtou” dia desses e de posse de um colete balístico e uma pistola 380 causou pânico em são paulo baleando pessoas e roubando varios automoveis causando inúmeros acidentes.Fonte G1.
    O advogado dele,segundo reportagem do G1,DR.NICOLAU AUM JR disse a policia que ainda não viu o seu cliente mais que irá apresenta-lo.
    TJSP: 1ª Vara Criminal-SP
    Doutor Vinícius de Toledo Pizza Peluzo,Juiz de Direito- Titular de Praia Grande faz saber que os RÉUS EDSON CHOLBI DO NASCIMENTO(filho do pelé),fulano.ciclano,beltrano….e NICOLAU AUN JR em associação para o crime etc e tal foram encontrado de posse da QUADRILHA dos referidos 1.830,5gr de COCAÍNA,243,86 KILOS DE COCAÍNA,uma 12(escopeta)6 METRALHADORAS,DOZE PISTOLAS e uma porrada de munição.E o nóia paga com a vida.
    ===============================
    Tem muita sujeira sob o tapete dos marajás.

  • Raskol:- Texto impecável! Nota 10.

    -

    11/1/2012 às 12:17 am

    Seu texto é impecável. Concordo em gênero, número e grau.
    Como a imprensa seria chata sem sua inteligência e bom senso!

  • Horand Araguaia

    -

    10/1/2012 às 11:56 pm

    Caro Reinaldo: como sempre repasso (os que estou completamente identificado e plenamente de acôrdo )

    A droga da impArgos De Moraes Machado
    Uma análise clara e objetiva sôbre a opção do individuo pelo consumo de drogas e como a visão de jornalistas, numa abordagem equivocada, induz a sociedade à ter uma informação distorcida do que é o crack e daqueles que por vontade propria optaram por seu uso

  • André Barros

    -

    10/1/2012 às 11:27 pm

    Sobre o comentário de Avelino Taveiros – 10/01/2012 às 21:06
    Não conheço no mundo um sistema de saúde que faça triagem de ordem subjetiva ou moral entre os pacientes que procuram atendimento. Normalmente a separação é entre os que pagam e os que não pagam. No Brasil era assim antes de 1988, quando os brasileiros eram separados entre segurados do INPS e indigentes. A opção da sociedade brasileira, na constituinte, foi pela universalização, a exemplo do que ocorre em outros poucos países, como o Canadá. Para mudar essa opção, é preciso mudar a constituição; simples assim.
    Pela lógica da triagem, seria preciso, por exemplo, julgar a responsabilidade por um acidente de trânsito antes de socorrer os feridos. Algo como o juiz chegar antes do paramédico e da ambulância. Isso é bom quando ocorre com os outros. Sentindo o problema na própria pele, duvido que alguém defenda essa ideia.
    Não há dúvida, porém, que o cotidiano dos serviços de saúde no país é marcado por preconceitos e estigmatizações de pacientes, principalmente se o problema envolve transtornos de ordem psiquiátrica, o que só aumenta o sofrimento do paciente e de sua família.
    Por outro lado, uma pessoa que provocou um acidente de carro em estado de embriaguez e que veio a ficar inválida não deveria fazer jus a uma aposentadoria por invalidez. Por incrível que pareça, o governo está estudando uma forma de tornar isso realidade, para o que conta com o meu apoio.
    Agora, pensar num sistema de saúde que só atenda aos cidadãos “responsáveis e cumpridores da lei” é um pensamento que só posso achar pueril. Quem vai julgar? Quem vai receber essa delegação de superioridade moral? Como se farão escolhas em um campo tão subjetivo?
    Admiro a capacidade de argumentação do Reinaldo Azevedo, que é rara no Brasil. Porém, talvez por essa inteligência rara, algumas vezes ele se arvora a estratégias argumentativas dignas daqueles power points infames que circulam pela internet. Logo ele, que é tão apegado aos argumentos de legalidade, faz parecer que o país não tem leis explícitas e duras de proibição às drogas e, o que é pior, uma constituição que ampara qualquer cidadão, repito qualquer cidadão, em seu direito à assistência à saúde. Tanto é assim, que proliferam sentenças judiciais que obrigam governos a fornecer tratamentos muitas vezes experimentais, mas que são vistos pelo paciente e sua família como única chance de sobrevivência.
    Não me posiciono no maniqueísmo político que a discussão gera e acho que os comerciantes e moradores da região devem ter assegurados seus direito à segurança e bem-estar. Por outro lado, não concordo que aqueles cidadãos em situação de penúria sejam relegados à própria sorte porque fizeram uma opção individual de se drogar e foram dominados pelo vício. Se lei bastasse, não haveria homicídios, corrupção, exploração e tantos outros males. A punição do crime por si só não resolve o problema inteiro, por mais que possa ajudar a resolvê-lo. Meu apego à liberdade individual me faz um liberal e não estou aqui advogando tal ou qual política de governo. Procuro ser responsável pelos meus atos, mas isso não me dá autoridade para julgar as opções do outro. Querer que o sistema de saúde julgue a quem atender, em minha opinião, é uma posição tão obscurantista quanto a que criou as cidades-leprosários no século passado. É como querer acabar com o problema da fome exterminando os famintos. E isso, pelo menos no meu catecismo, não corresponde a nenhum valor de solidariedade cristã, que ¬– ao menos ao que declara, comunga o articulista.

 

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