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FAZENDO CAMPANHA PARA DILMA, MARTA DIZ QUE SEQÜESTRADOR FOI GABEIRA E QUE SERIA ELE A MATAR O EMBAIXADOR AMERICANO. VAI VER ISSO É A “GUERRA LIMPA”!

A petista Marta Suplicy é mesmo um espanto! Sobre os Bourbons, na França, disse Talleyrand com grande acerto: “Não aprenderam nada; não esqueceram nada”. Seria injusto afirmar o mesmo de Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy. Ela definitivamente aprendeu coisas novas! E ruins! Sem jamais esquecer as antigas. O resultado é o que se vê. […]

A petista Marta Suplicy é mesmo um espanto! Sobre os Bourbons, na França, disse Talleyrand com grande acerto: “Não aprenderam nada; não esqueceram nada”. Seria injusto afirmar o mesmo de Marta Teresa Smith de Vasconcelos Suplicy. Ela definitivamente aprendeu coisas novas! E ruins! Sem jamais esquecer as antigas. O resultado é o que se vê. Até ontem, ninguém havia subido num palanque para acusar o adversário de “seqüestrador” e “assassino” — potencialmente ao menos. Marta, acreditem!, fez isso. Ora, quando se trata de ultrapassar a linha do confronto civilizado, conte sempre com os petistas. Ninguém, como eles, pode oferecer seus préstimos com tanta ligeireza.

Ontem, Marta, pré-candidata ao Senado, participou de um comício com petistas na Zona Leste de São Paulo. Ao tentar defender o passado da presidenciável Dilma Rousseff (PT), não hesitou: “[Gabeira], sim, seqüestrou! (…)  Ele era o escolhido para matar o embaixador.” Sim, senhores! Marta, a petista que veste Prada, também pode vestir a roupa das pessoas que empunham pistolas retóricas. Pertence à cúpula do partido e certamente reflete o ambiente interno do partido. Para defender uma aliada, ela recorre às armas que acusa o adversário de usar. Linhas abaixo, reproduzo, em vermelho, o trecho de sua fala, com comentários em azul. Antes, quero chamar a atenção para aquela que é uma das características estruturantes do PT e da mentalidade de um petista — que, em Marta, casou-se perfeitamente com a herança da sinhazinha do mandonismo.

Os petistas não têm um conjunto de valores que considerem inegociáveis. Ao contrário: a depender das circunstâncias, podem sustentar um dado ponto de vista ou o seu contrário. Isso vale para a política, para a economia, para os aliados, para qualquer coisa. Não custa lembrar que o programa econômico com o qual governam é o de FHC, que eles acusavam de “neoliberal”…  Quanto a Dilma, noto que a simples menção a seu passado provoca na turma os piores arrepios. Daí que Lula, naquele horário político ilegal, a tenha comparado a Nelson Mandela… Mas há, evidentemente, quem considere o óbvio: as organizações a que Dilma pertenceu eram terroristas. Fazer tal afirmação, no mundo petista, era dar inequívoca prova de “direitismo”, de “reacionarismo”, de “vínculo com a ditadura militar”.

Pois bem… Quem é que sobe o palanque para fazer, então, o que supostamente estariam fazendo os “direitistas, reacionários e simpatizantes da ditadura”? Ora, a reincidente Marta Suplicy. Não custa lembrar que, na campanha de 2008, esta senhora resolveu levantar dúvidas sobre a vida pessoal de adversários, na esperança que que uma onda de boatos e maledicências obscurantistas pudesse mudar o resultado das urnas. E quem falava então? Ora, a “progressista” e “tolerante” Marta Suplicy. Depois, ela fez mea-culpa. Como ela não esquece nada e aprende as coisas erradas, comete agora o mesmo erro. E com peculiar ignorância histórica, de que falo daqui a pouco.

Não age muito diferente de Dilma Rousseff, que, num encontro com sindicalistas, sugeriu — embora tenha tentado negar o óbvio depois — que as pessoas que se exilaram durante a ditadura não teriam demonstrado a têmpera necessária para lutar, o que é uma indignidade. Analisarei, com disse, a fala da candidata ao Senado, que chega a ter, ao lado da brutalidade, características cômicas, como costuma acontecer quando ela discursa. Antes, algumas considerações.

Considerações
Não! Eu, por exemplo, não chamo a candidata Dilma de “terrorista” nem permito que se a chame assim aqui. Porque ela não é mais. O Brasil conta hoje com ex-torturadores e ex-terroristas. Os primeiros, felizmente, estão longe da política. Os outros não. Isso é apenas fato. O que contesto, aí com veemência, é que ela, no passado, tenha lutado “pela democracia e pela liberdade” quando estava no Colina ou na VAR-Palmares. Contesto porque é mentira. A menos que alguém me traga alguma evidência de que essas duas organizações queriam democracia.

É uma questão de apreço pela história. O fato de as duas organizações terem praticado atentados terroristas — e praticaram — e matado inocentes — e mataram — não torna a ditadura militar melhor. De jeito nenhum! Também não justifica o crime asqueroso dos torturadores. De jeito nenhum! E os crimes da ditadura não transformam o Colina e a VAR-Palmares melhores do que eram: organizações leninistas, de caráter terroristas, cujo objetivo era, por intermédio da luta armada, instaurar no país uma ditadura comunista.

Havia a canalha que não via mal nenhum em torturar para supostamente nos livrar do comunismo. E havia a canalha comunista que não via mal nenhum em matar para supostamente nos livrar da ditadura. ENTRE OS DOIS, EU ESCOLHO NENHUM!

Posso garantir que os familiares das pessoas mortas pelo Colina, VAR-Palmares e congêneres não conseguem entender onde se escondia a tanta humanidade daqueles heróis. “Ah, então, Reinaldo, um homem não pode se livrar do seu passado?” Não! Ninguém pode. Mas pode se corrigir, abraçar uma outra rota, sem falsear o passado. E isso nos leva a uma análise detida da fala de Marta Suplicy. Transcrevo o trecho em que ela fala sobre Dilma e Gabeira. Ela em vermelho, eu em azul.

Meu filho chegou e disse:
— Mamãe, é verdade que a Dilma seqüestrou pessoas e assaltou banco?
Eu falei:
— Mas de onde você tirou isso?
— Uai, tá na Internet. O tempo inteiro na Internet…
É o lado cômico. Quem terá sido? Marta tem três filhos: Supla (44), André (40) e João (36). Fico aqui a imaginar qualquer um deles, de pantufas (com Supla seria mais engraçado, convenham), na cama, olhar assustado, minutos antes de tomar leite com Toddy na mamadeira, a indagar:
— Mamãe, a Tia Dilma ela telolista?
Não, filhinho! Telolista ela o tio Ga-bei-la…
Mãe, tá medinho… Não quer sonhar com bomba…
Fique, calmo, filhinho. Pense na Nina Hagen…
Buáááááá… Mamãe não gosta de mim!!!
Tenha do, né, Dona Marta!
Sei lá quem fez a indagação, é o caso de mandar a criança ler o meu blog!

É a forma de eles agirem, tentando desqualificar com mão de gato. A Dilma pertenceu a uma organização na época da ditadura. E isso, gente, não merece desqualificação. Merece respeito. Porque alguém, com 20 anos, que vai ali para pôr em risco a própria vida, para defender a liberdade do país e ser presa e torturada durante três anos, merece o nosso respeito, não uma desqualificação.
A tortura merece o nosso repúdio! Mas não confere razão a ninguém. No Colina e na VAR-Palmares, Dilma não estava defendendo a liberdade coisa nenhuma! Estava numa organização que se queria leninista, de caráter militar, comprometida com a ditadura do proletariado. Marta não pode deseducar suas crianças.

Por isso é que vocês viram na TV, na propaganda – eu não vi, mas me contaram – que o Lula disse que ela era como o Mandela. Alguém viu aqui? Pois é. E aí o jornal já começou a bater: “Imagina! O Mandela!” O Lula não quis dizer que ela tem a estatura do Mandela. Poderá vir a ter daqui a oito anos, mas ele não diz isso. O que ele quis dizer é que o Mandela lutou contra a ditadura lá, que era o Apartheid, e ficou 27 anos na cadeia, por uma coisa que ele acreditou, e que ela, com 20 anos de idade, lutou contra uma ditadura e ficou três anos na cadeia. O que ele quis dizer com isso? Que as pessoas, que vão para a cadeia por uma ideologia, elas são pessoas de luta, elas são pessoas dignas. E é isso que cada militante aqui tem de peitar, porque vão tentar desqualificar a nossa candidata.
Desde quando Lula precisa que uma Bourbon dos Jardins interprete a sua fala? Era só o que faltava! Ele deve ter posto a mão na cabeça: “Ai, meu Deus!” Observem que Marta continua a achar que o Brasil vive uma situação similar à da África do Sul. Afinal, Dilma ainda poderá ser a nossa… Mandela!
Quem disse que as pessoas que “vão para a cadeia por uma ideologia são pessoas dignas”? Não necessariamente! Darei alguns exemplos de presos por ideologia que teriam ficado melhor na cadeia: Adolf Hitler, Lênin, Fidel Castro, Hugo Chávez…
Agora vem a Marta em estado puro.

E eu quero dizer mais: “Todo mundo aqui já ouviu falar do Gabeira? Já? A maioria! Pois é… Vocês notaram, Aloizio, que o Gabeira…, ninguém fala… Esse, sim seqüestrou! Eu não estou desrespeitando ele. Ao contrário. Mas ele (rindo ironicamente ) seqüestrou.  Ele era o escolhido para matar o embaixador. Ninguém fala porque o Gabeira é candidato ao governo do Rio e se aliou com o PSDB. Então, dele, não fala. As pessoas, na sua juventude, lutaram contra essa ditadura, lutaram com o que podiam, como sabiam,  como podiam.
O embaixador a que ela se refere é o americano Charles Elbrick, seqüestrado em 4 de setembro de 1969. Gabeira, com efeito, fez parte do grupo. O chefe da operação, isto é história, era Franklin Martins. Um dos presos libertados em troca do embaixador é o agora companheiro de Marta… José Dirceu! Vamos ver o que o valente dirá a respeito em seu blog, sempre tão citado pela imprensa.
Gabeira nunca foi chefe de nada. Quem decidia tudo ali era Franklin — e “tudo” quer dizer a vida do embaixador também. Como deixa clara a carta redigida pelo agora chefão da Secom, publicada com orgulho em um blog que ele mantinha antes de ser nomeado o todo-poderoso do Planalto (ver post abaixo).

Então, nós temos de saber defender esse ponto. Eu estou falando isso porque, quando chegar na hora, perto da eleição, olha o que vai ser no ouvido dos petistas. E “ces” (sic) têm de ter os argumentos para falar porque vão tentar fazer isso.
Viram? Marta estava dando uma aula. Ela julga ter emprestado bons argumentos aos militantes. Um dos trechos encantadores de sua fala é este: “[Gabeira], sim, seqüestrou! Eu não estou desrespeitando ele. Ao contrário”. Como? “Ao contrário”??? Então quer dizer que respeita porque ele foi seqüestrador? Pois é. Eu respeito Gabeira porque há muito tempo ele considera aquela forma de luta um erro e porque, desde que voltou ao Brasil, jamais agrediu os parâmetros da democracia — e olhem que temos muitas divergências!
Isso tem importância, sim! Dilma Rousseff insiste, ainda hoje, que só queria democracia naqueles tempos, mentira que nunca vi Gabeira contar. Seu livro “O que é isso, companheiro?” foi, no Brasil, um libelo contra as ilusões armadas — e “tiranossáuricas” — daquelas esquerdas, para as quais, é inequívoco, Dilma ainda espicha os olhos com certa simpatia. E a autocrítica de Gabeira nunca fez dele um defensor da ditadura.

Marta “respeita” o Gabeira do passado, o seqüestrador, para poder desrespeitar o Gabeira do presente, o democrata.

Ela não esqueceu nada! E aprendeu o que não devia!

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