Deputado federal apresenta Projeto de Lei para criação do Dia do Orgulho Heterossexual

No Estadão Online. Volto depois: Enquanto o Dia Internacional do Orgulho Gay é celebrado por ativistas dos direitos homossexuais ao redor do mundo, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou nesta terça-feira, 28, à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei para instituir no Brasil o Dia do Orgulho Heterossexual. A data seria comemorada no […]

No Estadão Online. Volto depois:

Enquanto o Dia Internacional do Orgulho Gay é celebrado por ativistas dos direitos homossexuais ao redor do mundo, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) enviou nesta terça-feira, 28, à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei para instituir no Brasil o Dia do Orgulho Heterossexual. A data seria comemorada no terceiro domingo de dezembro, mesmo dia proposto pelo vereador Carlos Apolinário (DEM) em projeto que tramita na Câmara Municipal de São Paulo.

A votação em segunda discussão do projeto de Apolinário na última semana paralisou a votação de 27 projetos na Câmara. Líder da Assembléia de Deus, o vereador queria regime de urgência para criar uma data em homenagem aos heterossexuais. Após quase quatro horas de discussão, o texto acabou barrado pelas bancadas do PT e do PPS. A justificativa para a data escolhida, segundo o vereador paulistano, seria para acentuar o clima familiar das festividades de Natal.

Comento
Pois é… Eduardo Cunha é um dos deputados mais influentes da Câmara — e não estou fazendo juízo de valor sobre essa influência no momento. Dadas as circunstâncias, é do chamado “alto clero”. A proposta faz sentido? Em si mesma, não! Por que, afinal de contas, alguém deveria se orgulhar de pertencer a uma maioria que, segundo consta, ultrapassa os 90% da humanidade?

Ocorre que esse debate acabou virando ideologia, com todos os seus péssimos subprodutos. A expressão “orgulho gay” já é, em si, um despropósito. Faço a mesma pergunta, com uma diferença ligeira nada ligeira: por que, afinal de contas, alguém deveria se orgulhar de pertencer a uma minoria que, segundo consta, não chega a 10% da humanidade?

Notem: onde deveria estar o respeito, está o orgulho, que é uma manifestação sempre problemática quando ela se dá no confronto com o “outro”, quando traz consigo a idéia do “choque”. Povos excessivamente orgulhosos, que transformaram esse sentimento em política, nem sempre fizeram coisas muito respeitáveis. O “orgulho” supõe a exibição de um ativo — sem trocadilho — que ao “outro” falta.

Como estamos no terreno da ideologia, da leitura militante sobre o fato, lá virão os críticos para sustentar que “orgulho gay” é avanço; já “orgulho hétero” é retrocesso. Haverá também parada? O que se exibiria sobre o um carro alegórico como expressões ou emblemas do orgulho “hétero”? Não posso imaginar.

O erro dos sindicalistas
Os sindicalistas do gayzismo estão cometendo um erro, que tornará, tudo o mais constante, sua luta contraproducente. E a chave está justamente no “gayzismo”. Mais do que reivindicar direitos, estão querendo impor um estilo de vida e uma visão de mundo, que, como se sabe, e é um fato, é da minoria, não da maioria. A estupidez que fizeram com os santos católicos o prova de maneira acachapante. Para eles, tudo pode ser submetido àquela que seria uma nova ética, uma nova estética, uma nova moral, uma nova sensibilidade. E isso é estupidamente falso.

Ora, quem opta por esse caminho cretino acabará enfrentando reação. A investida é grande e em todas as frentes. Uma amiga havia chamado a minha atenção e acompanhei mais ou menos a novela Insensato Coração por uma semana. Gilberto Braga escolheu o caminho do proselitismo aberto, até com fornecimento de estatísticas. Aliás, começa a ser raro o programa em horário nobre da Globo em que não se nota a ativa presença  do lobby homossexual. Parece Maria Bethania na década de 60 cantando Carcará e fornecendo os números da migração nordestina… Virou caricatura.  Do realismo socialista dos 60, chegamos ao realismo gayzista dos 2000…

Cedo ou tarde, a militância excessiva enche o saco. Quem faz discurso até em novela deveria saber que os “outros lados” também reivindicam o direito de argumentar. Como não podem, acabam mudando de canal…

Texto publicado originalmente às 19h27 desta segunda
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