DE VOLTA À UNIVERSIDADE DE SANTA MARIA – A nota absurda de Paulo Pimenta, aquele deputado petista que publica em sua página artigo que diz que os judeus decidiram ocupar a terra de Cristo…

Ai, ai… Quando o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) era presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, as esquerdas davam plantão na Casa e tentavam arrancá-lo de lá à força, ao arrepio da lei. Esses patriotas têm uma maneira muito singular de contestar o outro: buscam eliminá-lo. Agora, ora vejam, o presidente de […]

Ai, ai… Quando o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) era presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, as esquerdas davam plantão na Casa e tentavam arrancá-lo de lá à força, ao arrepio da lei. Esses patriotas têm uma maneira muito singular de contestar o outro: buscam eliminá-lo. Agora, ora vejam, o presidente de tal comissão é quem? O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), um dos integrantes do Comitê Santamariense de Solidariedade ao Povo Palestino. Até aí, bem… Ele pode ser membro do que quiser que não fira a lei.

Ocorre que esse comitê é um dos signatários daquele documento de caráter obviamente persecutório encaminhado à reitoria da Universidade Federal de Santa Maria que, depois de tecer comentários ferozes contra o Estado de Israel, cobra que a instituição informe se existem israelenses nos corpos docente e discente dos cursos de pós-graduação. Para escândalo da Constituição, o nada magnifico reitor, sr. Paulo Burmann, decidiu que era, sim, o caso de fornecer a informação. É evidente que o conjunto da obra remete ao mais odioso antissemitismo.

Pois bem, eis que o sr. deputado resolveu emitir uma nota. Uma nota detestável por tudo o que diz e por aquilo que omite. Ele poderia tê-lo feito como membro do comitê. Mas não! Preferiu falar como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Leiam a nota, que segue publicada na língua em que foi escrita. Chega a lembrar o português às vezes. Volto em seguida.
*
Tomamos conhecimento pela imprensa sobre fato que tem causado grande debate, referente a um memorando que circulou aos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria questionando da “presença ou perspectivas de discentes e/ou docentes israelenses”. A justificativa seria atender a pedido de informações de representantes da sociedade civil reunidos em coletivo de solidariedade à questão palestina.

O documento tem sido interpretado por algumas pessoas como ato de racismo, antissemitismo e discriminação contra o povo judeu. Todas essas condutas são tipificadas como crime, graves violações aos direitos humanos, que não podem ser justificadas em nome de qualquer causa. Como cidadão, parlamentar e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias repudio veementemente todo ato dessa natureza.

Precisamos, contudo, primar pela cautela para não incorrermos no erro de pré-julgar, atingindo ou mesmo destruindo trajetórias institucionais, profissionais ou pessoais. É inaceitável que a imagem da Universidade Federal de Santa Maria, uma das maiores e mais importantes instituições de pesquisa e ensino do Brasil, seja maculada em decorrência de um jogo de descontextualizações a partir de um fato isolado que não retrata sua tradição de 55 anos de humanismo. Por isso mesmo, cabe à UFSM a iniciativa de adotar as medidas necessárias para reparar equívocos na condução do tema.

Do mesmo modo, acompanharemos as apurações conduzidas pelos órgãos competentes, já em andamento, os quais cumprirão sua missão constitucional na defesa do Estado Democrático de Direito, trazendo-nos a confiança de que todos os fatos serão esclarecidos.

A perseguição aos judeus e o holocausto são marcos na construção do Direito Internacional dos Direitos Humanos. O respeito à dignidade, à diversidade e o combate ao antissemitismo são deveres de todos e estão presentes nos conceitos e na prática do na ampla maioria dos sistemas jurídicos do mundo.

Da mesma forma, a causa palestina é legítima e trata-se de uma das questões fundamentais de direitos humanos hoje. Seus defensores não podem ser atacados de forma equivocada e injusta, como se fossem promotores de intolerância. Quem descontextualiza manifestações para promover o ódio recua nos ensinamentos que a história dolorosamente nos legou.

Quanto à questão política de fundo, reitero minha posição construída ao longo dos anos sobre o conflito Israel/Palestina: sou daqueles que possui esperança quanto à solução do conflito, convicto de que isso só será possível por meio do diálogo entre as lideranças e de uma forte ação diplomática internacional. Que se possa estabelecer justiça ao povo palestino, garantindo seu direito à autodeterminação e a um Estado Nacional, de acordo com as Resoluções da ONU sobre o tema. O Brasil cumpre um papel estratégico podendo se constituir como um importante interlocutor devido a sua trajetória de convivência harmoniosa entre as comunidades judaica e palestina, bem como pela sua firme política internacional.

Nesse sentido, aprovamos, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, no mês de março do corrente ano, requerimento para realização de um ciclo de debates denominado “Direitos Humanos e Diversidade Religiosa”. Promover a cooperação no sentido de erradicar a violência por motivações religiosas é parte da estratégia de promoção de direitos humanos no mundo contemporâneo, assolado por divergências de toda ordem, inclusive de cunho religioso.

A CDHM se soma a esse esforço de criação de uma cultura de paz e de justiça.
Deputado Federal PAULO PIMENTA
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

Retomo
A nota do deputado tem 3.445 caracteres. Ele gasta 1.650 para fazer um relato meio porco do que aconteceu — desses, 580 são dedicados à defesa da universidade e de sua direção.

O ilustre parlamentar usa minguados 298 toques para repudiar o antissemitismo, o que ele faz, a gente nota, sem grande calor retórico. Preguiçosamente. Parece dizer: “Ah, já que o antissemitismo é execrado em todo o mundo, então tá…”. Talvez ele se inflame mais comendo um suflê de chuchu.

Mas depois ele assume ares condoreiros. Nada menos de 1.497 toques são dedicados ao proselitismo em favor da causa palestina. Tem o direito de escrever um livro. Ocorre que a nota do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, segundo entendi, era para repudiar eventual prática de antissemitismo.

Então ficamos assim: diante de um ato claramente persecutório contra os judeus, assinado, inclusive, pelo tal Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, do qual ele faz parte, esse homem justo expressa as suas reservas ao antissemitismo em 298 toques, mas empresta 1.497 à causa palestina. É asqueroso que tenha tido o topete de assinar essa mensagem como presidente da comissão. Que o fizesse como membro do comitê, aí seria até compreensível.

Notem o esforço nada sutil de Pimenta para justificar o que aconteceu, tentando lhe retirar a gravidade. Mais: ao fazer aquelas considerações sobre os palestinos, tratando, pelo silêncio, Israel como o algoz, o parlamentar, na prática, queira ou não, endossa o ato persecutório. Pergunta rápida: o que a questão palestina tem a ver com o pedido de informação?

Ninguém vai ficar gritando nos corredores da Câmara, a pedir a cabeça de Pimenta. Jovens barbudinho-molambentos não vão sapatear seus tênis sujos de grife sobre a mesa dos deputados da comissão, como fizeram quando Feliciano estava lá. Uma universidade adere à mais odiosa prática persecutória contra um povo, instigada pela entidade à qual pertence Pimenta, e a muitos parecerá natural que ele emita uma nota detestável como essa.

Quando se tem Paulo Pimenta como presidente de uma comissão de direitos humanos, a gente pode esperar qualquer coisa. Ou coisa pior.

Não me espanta que este senhor tenha publicado em sua página oficial artigo de certa senhora que sustenta que os judeus “ocuparam” aquele território para fundar o Estado de Israel porque era o local onde nasceu Cristo…

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