CIRO: NUNCA ANTES NESTEPAIZ UM POLÍTICO DEU TANTO TIRO NO PRÓPRIO PÉ

Tsc, tsc, tsc… Lá vai Ciro se enredando na teia na qual se encontra por escolha. Ok, vá lá: um tanto de ingenuidade o levou para essa situação difícil, e ninguém é ingênuo por vontade. Mas é preciso destacar também que Ciro é um cabeça-dura e parece não ter muita paciência para aprender com os […]

Tsc, tsc, tsc… Lá vai Ciro se enredando na teia na qual se encontra por escolha. Ok, vá lá: um tanto de ingenuidade o levou para essa situação difícil, e ninguém é ingênuo por vontade. Mas é preciso destacar também que Ciro é um cabeça-dura e parece não ter muita paciência para aprender com os erros próprios ou alheios. A aparentemente mais autocentrada figura jamais havida nestepaiz, Luiz Inácio Lula da Silva, é expressão também de um partido, de uma máquina, de uma inteligência, digamos, corporativa. No acerto e no erro, nunca foi um franco-atirador. O PT tem método — freqüentemente maligno, mas tem. Ciro plasmou para si a imagem de uma espécie de herói romântico. Abaixo, seguem trechos comentados de uma artigo que ele postsou em seu site hoje. Observem que aquele que se coloca como a  salvação ética do Brasil atira no PT, no PMDB, no PSDB e, obviamente, no DEM. E acaba acertando seu próprio partido, o PSB. Se formos pensar em lideranças, mirou em Lula, Dilma, Serra, FHC… Ciro, notem bem, convida o PSB à solidão entusiasmada. Vamos ver.

É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil, por um preço cada vez mais impagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no Brasil”.
Não adianta: ele odeia São Paulo. Em vez de se apresentar como um candidato de expressão nacional, ele se coloca como um nome contra um estado. Mesmo que tente se justificar dizendo que critica os políticos, não os paulistas, a política que há é, em boa medida, expressão das pessoas.
A expressão política de São Paulo é compatível com a do estado que tem 22% da população e 33% do PIB. Ou melhor: não é — a população paulista é, por exemplo, sub-representada no Congresso. Essa clivagem que Ciro cria é falsa. Como é falsa a suposição de que PSDB e PT são a expressão política do Estranho Casal, aquele filme em que Jack Lemmon e Walter Matthau amam se odiar mutuamente. Esse embate não é comédia. Ciro não entendeu ainda o que os petistas pretendem fazer com seus adversários: destruí-los. E, para tanto, se acharem necessário,não se intimidam nem em recorrer ao estado policial.
Essa avaliação de Ciro sobre São Paulo  é antiga . Não obstante, transferiu o seu domicílio eleitoral para o estado. Por quê?

Jamais imaginei, após trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
Não entendeu porque não quer. Na verdade, finge não entender. Seu partido quer integrar a frente que apóia a candidatura da petista Dilma Rousseff e é contra o lançamento da sua (de Ciro) candidatura.
Burro, ele não é. Se ninguém lhe diz isso, é só delicadeza. Estão cozinhando o galo, até quando — e já chegou o momento — não tenha mais com quem se juntar. E isso indica também que o tempo de Ciro no PSB já venceu. Está na hora de mudar. De novo!

Basta a ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia-dúzia de pessoas. Assim mesmo: sobre seis pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasília ou de São Paulo podem-se hoje definir as opções todas a serem “escolhidas” pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-se sobre isto é criminoso.
Bem, então isso é uma denúncia de todo o processo eleitoral, do qual ninguém escapa, não é mesmo? Ciro acaba de declarar a ilegitimidade das eleições. Aí fica difícil. Está incendiando os navios. Com quem ele espera contar nessa viagem? Por que o PSB, um partido bem-estruturado entre os de médio porte, entraria na sua aventura? Seu discurso ficou sem lugar. Só agora ele se deu conta dessa realidade? Perguntas óbvias:
1: se Lula o tivesse escolhido como candidato do governo à sua sucessão — pretensão tresloucada de Ciro —, então o processo seria mais legítimo?;
2: se Lula tivesse feito um loteamento da base aliada — uma parte para Dilma, outra para Ciro —, o processo eleitoral seria mais moral?;
3: Caso Ciro fosse hoje, como ele chegou a sonhar um dia, vice de um Aécio Neves como candidato do PMDB, por exemplo, a coerência política teria saído ganhando?
Sejamos claros, não? O único problema de Ciro é não estar no lugar de Dilma.

O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do país. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo turno.
Perfeitamente. Então…

A quem interessa tirar do povo as opções que, no passado recente, permitiram a um sindicalista chegar à Presidência? A história acabou? Não há mais o que criticar ou discutir? Oito de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria, como diz o Elio Gaspari? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?”
É, Ciro… Quando as premissas estão erradas, todo o resto dá errado. Vejam como o pensamento de Elio Gaspari, a despeito do que já disseram TCU e Justiça, chegou longe!!! E vejam como produz coisas virtuosas na política! Eis aí: Ciro acaba de dinamitar 80% do Coongresso Brasileiro. Talvez seja candidato a governar com os 20% restantes, integrados por freiras éticas.

Caso fosse eleito, governaria com quem? O PMDB seria, diante de Ciro, como um Romeu que atendesse ao pedido da Julieta de Sobral: “PMDB, por que és PMDB? Renega a história, despoja-te do nome; jura que é meu o teu amor…”? Ora, Ciro Gomes! Eu o tenho na conta de um homem inteligente. Logo, acho que ele supõe que os brasileiros são burros. Um Ciro tornaria o “PMDB” mais ético? A propósito: um Ciro, caso fosse aceito, mudaria a natureza do PT?

Se a união desses dois partidos é um “roçado de escândalos”, não dá para governar com eles — a menos que se deixem depurar pela ação de Ciro, né? E com o PSDB-DEM? Também não dá porque Gaspari lhe ensinou que são a turma da “privataria”.

Ciro talvez não perceba que está, na prática, reclamando do fato de que ninguém lhe dá a chance de ser um ditador virtuoso, aquele que viria para botar ordem na bagunça, o único dotado de sabedoria, ética, caráter e biografia ilibada para tanto. Depois ele chia quando dizem que é um Collor que decorou algumas falas do Mangabeira Unger — que já se mudou de mala e cuia para o… PMDB, aquele, o do roçado…

Ou Ciro desiste da política ou vai fazer uma espécie de terapia — clínica mesmo — de conteúdo bem específico: voltada para a política. Talvez aprendesse a parar de dar tiro no pé por conta desse estilo muito característico: o pensamento sempre está alguns minutos atrasado em relação à sua língua grande. É visível que ele fala primeiro e só pensa, quando pensa, depois.

Também poderia contratar um consultor de imagem. Não fosse o ódio que tem de São Paulo e dos políticos paulistas, estaria ainda no PSDB, de onde não deveria ter saído. Ocorre que, de súbito, o enfant terrible da Arena e, posteriormente, da social-democracia descobriu-se de esquerda!!! Sem nunca ter sido, é claro. E achou que iria se fazer nesse grupo sem entender nada de sua metafísica, de sua visão de mundo, de seus princípios — por mais perturbados que sejam.

Ciro, como notam, caminha para ficar sem lugar. Apoiar Dilma corresponde a apoiar o “roçado de escândalos”; apoiar Serra implicaria uma espécie de mea culpa que homens como ele dificilmente fazem: preferem acrescentar culpas novas às antigas. Como indivíduo, talvez possa apoiar Marina Silva, assumindo, agora, o seu lado verde, depois de ter sido tanta coisa.

Sinceramente, nunca vi tamanha vocação para dar tiro no pé. Mais uma vez, aquele que se colocava como o elemento apto a desestabilizar o jogo morre na praia. E há um só responsável por isso: Ciro Gomes!

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