CENAS DA BARBÁRIE BRASILEIRA – OS ESTUPRADORES DE TERCEIRO GRAU

Ainda voltarei a Honduras. Quero agora chamar a atenção de vocês para outra barbárie. Leiam o que vai abaixo. Volto no post seguinte. Confesso que raramente fiquei tão chocado com uma notícia. Algo de muito ruim se passa nas entranhas do país. * “Perdi a dignidade”, diz estudante humilhada em universidade Por medo de ser […]

Ainda voltarei a Honduras. Quero agora chamar a atenção de vocês para outra barbárie. Leiam o que vai abaixo. Volto no post seguinte. Confesso que raramente fiquei tão chocado com uma notícia. Algo de muito ruim se passa nas entranhas do país.

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“Perdi a dignidade”, diz estudante humilhada em universidade

Por medo de ser reconhecida, jovem que sofreu assédio coletivo por usar vestido curto afirma não sair de casa

Por Gabriel Pinheiro, do estadao.com.br


Aluna deixa Uniban escoltada por policiais

Aluna deixa Uniban escoltada por policiais


“Perdi a dignidade, nem do portão da minha casa eu passo com medo de ser reconhecida na rua”. Para a estudante de turismo de 20 anos que teve de deixar a universidade escoltada pela polícia sob gritos e ameaças dos colegas na semana passada, a humilhação ainda está longe de acabar. “Estou na frente do computador há dias, minha mãe está em choque”, desabafou a jovem, bastante emocionada e se esforçando para segurar o choro, em entrevista ao estadao.com.br. Tudo porque ela escolheu ir à aula com um vestido curto.

Segundo a estudante, que pediu para não ser identificada, o episódio começou “como uma grande brincadeira”. Vestida para uma festa que iria naquele noite, ela conta que no início arrancou muitos elogios com seu visual, mas a situação aos poucos inverteu. No intervalo das aulas, um “verdadeiro coral ridículo de gritos de puta” a acompanhou até que deixasse o prédio. O incidente ganhou proporções ainda maiores quando as filmagens da jovem sendo ofendida no campus da Uniban de São Bernardo caíram na internet.

“Conforme foi passando o tempo, os alunos foram se aglomerando na porta da minha sala. Eu não podia sair. Eles a chutavam, pedindo ao professor que liberasse a loira gostosa. Alguns gritavam: ‘tira ela do cativeiro’”, relata a estudante. “O professor não saiu da sala em nenhum momento, minhas amigas cobriram as janelas e o coordenador do curso chegou com um jaleco, pedindo que eu vestisse.”

Depois de algum tempo, a jovem afirma que os seguranças da universidade chegaram. Mas, em vez de ajudá-la, tentaram lhe passar “lições de moral”. “Eles foram os primeiros a me recriminar, perguntaram: ‘você acha que é bonito o que está fazendo? Então comecei a chorar.” Finalmente, uma amiga resolveu chamar a polícia. “Quando soube que polícia estava vindo, um segurança mandou minha amiga calar a boca, disse que não era para ela ter feito aquilo. Um aluno acabou indo para cima dele, deu confusão.”

Por fim, de acordo com a estudante, os policias chegaram, dispersando o tumulto com spray de pimenta. “Sai de lá escoltada por seis homens, o mais rápido que pude. Mulheres colocavam celulares na minha cara, corriam atrás de mim, para filmar meu rosto chorando. Os policiais tiveram que me levar até a minha casa.” Ela ainda acusa funcionários e professores da universidade de a terem ofendido. “Vi alguns dizendo que eu mereci. Quando passei pela sala dos professores, também vi dedos apontados para mim, funcionários da limpeza me xingando. Não foram só os alunos.”

Nesta sexta-feira, a estudante terá uma reunião com a reitoria da Uniban para discutir o incidente. Ela, porém, revela que não pretende desistir do curso. “Eu paguei, pretendo voltar.”

A Uniban, em nota, afirmou que instaurou sindicância. “Alunos, professores, seguranças e também a aluna estão sendo ouvidos individualmente”, informou. A universidade “pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o regimento interno”.

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