Barbárie ou civilização

Comentei abaixo algumas notícias que estão nos jornais desta segunda. Vai aqui uma daquelas conversas que volta e meia tenho com meus leitores. Muitos, por bons motivos, recomendam-me que não compre briga com este ou com aquele. Quando o faço, reparem que se trata, ao menos na largada, de uma crítica política, ideológica. Não pretendo […]

Comentei abaixo algumas notícias que estão nos jornais desta segunda. Vai aqui uma daquelas conversas que volta e meia tenho com meus leitores.

Muitos, por bons motivos, recomendam-me que não compre briga com este ou com aquele. Quando o faço, reparem que se trata, ao menos na largada, de uma crítica política, ideológica. Não pretendo que, por isso, gostem de mim. Às vezes, as pessoas escolhem o terreno pessoal. Procuro evitar. Mas também não deixo que meu cuidado se confunda com covardia. Se o sujeito fizer questão… Desqualificar é mais fácil do que argumentar. Para qualquer um. Pra mim também. Mas por que “eles” ficam tão bravos, organizam-se em rede para malhar o blog, fazem-no em várias frentes, ao mesmo tempo? A resposta é muito simples: porque a página é um sucesso, e “eles” não mandam aqui. E não mandarão.

Para que vocês entendam melhor o que eu digo, basta que visitem a área de comentários de algumas páginas de política: lá estão “eles”, em esmagadora maioria, convertendo a seção num chat, onde dizem besteiras às toneladas, de modo acachapante, silenciando as outras vozes. Caso vocês se aprofundem um pouco mais da pesquisa, verão que de 70% a 80% dos comentários são feitos pelas mesmas pessoas. São desocupados de plantão espalhando a mentira, a ignorância, a soberba. Vocês sabem que corto bate-boca entre leitores. Por quê? Justamente porque a área de comentários não é um chat. Isso, sem trocadilho, chateia os demais internautas. Não me interessa uma notícia com 500 comentários feitos por 10 pessoas.

Ah, não. Nem todos os meus leitores são Schopenhauer, é verdade. Eu não sou Schopenhauer. Só Schopenhauer era Schopenhauer. Tenho esse blog, entre outras razões, para contribuir com a pluralidade da rede. E a melhor maneira de fazê-lo é banir a patrulha política petralha — que, ainda assim, não me abandona. Deixasse-os à vontade, em dois dias, os leitores estariam ocupados apenas em responder às bobagens que “eles” saem repetindo por aí como mantras: “o Proer foi feito para ajudar banqueiros”; “a Telebras foi vendida a preço de banana”; “FHC torrou R$ 80 bilhões de patrimônio público”. Não! Aqui não fazem isso. Não fazem porque não deixo. Não fazem porque isso não é “liberdade de expressão”; é só uma coleção de mentiras.

Eles podem escrever essas baboseiras? São livres pra isso. Contam com os blogs que aceitam ser reféns da sua patrulha e com aqueles dos jornalistas que servem de esbirros do petismo. Querem dar as cartas aqui também. Não darão. Refaço a pergunta: por que ficam tão bravos? Porque esta é uma das páginas de política mais visitadas do país que se fez deixando muito claro: “eles” não são bem-vindos; não os quero; não brigo pela sua audiência. Não pretendo que “eles” gostem de mim. Não anseio que “eles” me achem neutro. Porque “eles” só reconhecem a neutralidade naqueles que comungam de sua visão de mundo. Em suma: eu não lhes reconheço autoridade intelectual, política e ética para julgar a minha isenção.

Aquele representante do MSG — Movimento dos Sem-Gramática — chamou-me de cão raivoso, pit bull e outras delicadezas. E eu só havia feito uma crítica política: dura, sim, mas sem baixaria. Por que a reação desproporcional e tão pouco inteligente? Também essa resposta é simples: porque estão acostumados a patrulhar, a apontar o seu dedo podre contra terceiros, sem que os “apontados” reajam. Ora, até havia outro dia, ai do coitado que caísse na malha fina da intriga e do cretinismo político e fosse considerado, por exemplo, “de direita”. Estava perdido. Nem emprego arrumava mais. Aliás, querem TV pública para que possam (re)fundar o clubinho. Os mesmos que davam as cartas nas redações da imprensa que chamam “burguesa” — e olhem que esse verbo no passado é pura esperança minha: ainda dão. Pois bem: a novidade é que, hoje em dia, há uns dois ou três que topam afrontá-los e confrontá-los, que não se intimidam. Eles gritam “direitistas!”, e a gente diz: “Tudo bem”. E os coloca, em seguida, como bibelôs, numa montanha de 200 milhões de mortos produzidos pela esquerda.

Pinochet vivo, eu o chamava de facínora. Pinochet morto, eu lhe desejei uma péssima estadia no inferno. Mas eles pretendem adular seus bandidos, como Fidel Castro e Hugo Chávez, enchendo a boca para me chamar de “neonazista”. “Eles”, os que consideram os terroristas palestinos “resistentes” e “vítimas”; “eles”, os que, no fundo, acham que a Al-Qaeda deu uma bela lição nos EUA e no “complô judaico que governa o mundo”; “eles”, os que estão doidinhos para enfiar a mão no bolso do contribuinte para criar uma sinecura estatal em que possam exercer suas teorias conspiratórias ridículas; “eles”, que, sob o pretexto de combater os leões da mídia, resolveram se juntar às hienas, aos urubus, aos mercadores da desgraça e da infelicidade alheias, aos que vendem Deus a prestação. Esses vagabundos acham que podem me dar lição de moral. Não podem.

Sempre que achar necessário, vou comprar algumas brigas, sim. É uma questão de civilização ou de barbárie.

Comentários
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  1. Comentado por:

    votei no gabeira

    Agora tenho certeza de que vamos virar esse jogo !1-PETRALHAS SÃO BURROS E MENTIROSOS.2-NÓS DESMASCARAMOS O PLANINHO DELES.3-OS MELHORES CÉREBROS ESTÀO DO NOSSO LADO ;REINALDÃO E MAINARDI.4-OS BÁRBAROS NÃO TEM ARGUMENTOS.

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  2. Comentado por:

    pd

    Essa meia dúzia de patrulheiros ideológicos que infesta os blogs políticos não tem princípios éticos. Para eles os fins justificam os meios. Eles jogam sujo mesmo. Cansei de ser tolerante com essa escória.

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  3. Comentado por:

    Marina

    Reinaldo,leio o teu blog há vários meses, motivada por um artigo de tua autoria, publicado na Veja.Sou uma senhora de 66 anos, que incorporou aos seus hábitos esta leitura diária, pois nela encontra o conforto de ver que existem muitas outras pessoas, teus leitores, quetambém não se conformam com o que está acontecendo neste país.Só hoje criei coragem de fazer este comentário. Continua, com teus textos tão lúcidos e inteligentes, a nos representar e a ser a nossa voz. Um abraço,Marina

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  4. Comentado por:

    Rogério Evangelista

    E Rei, alguma chance de convencer o Diogo Mainardi a ter um blog? Nossa, outra dor-de-cabeça para esses petralhas.
    E parabéns pelo seu blog!

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  5. Comentado por:

    Anônimo

    Bravo! Que nunca lhe falte coragem, artigo tão escasso em nossos dias.

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  6. Comentado por:

    Minerin fulo

    Comentando sobre os ‘comentadores petralhas’, outro dia eu fui no blog do Dirrrceu e fiquei reparando nos endereços de email publicados com os comentários. Não sei se você ou outros amigos aqui repararam a mesma coisa, que uma grande parte dos endereços pertencem ao poder público (endereços de ministérios, secretarias e outros) e ONGs.
    Nada me tira da cabeça que são os mesmos que emporcalham vários canais de discussão na net. Estão usando o nosso dinheiro para fazer terrorismo, e poucos questionam isso.
    Continue firme na luta!
    Z

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  7. Comentado por:

    marina

    Reinaldo
    eles esbravejam esperneiamsão mimados,intoleráveis.irresponsáveishipócritasegoístas,são os petralhas.cada país tem seus xiitas,é verdade,nada é perfeito.para me consolar,lembroque ainda não somosvenezuelanos e vouem frente.até quando ?

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  8. Comentado por:

    pentefino

    Estou contigo e não abro. Valeu.

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  9. Comentado por:

    Anônimo

    Blog do Reinaldo Azevedo : “um oásis, entre raros, de liberdade de compreensão”.
    Luz e força a ti e aos demais que se saciam aqui.
    WMnz

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