As bobagens formidáveis de Maria Rita Kehl, que, ora vejam!, integra a “Comissão da Verdade”. Ou: Nunca a ignorância foi tão atrevida e prepotente!

A psicanalista Maria Rita Kehl já apareceu algumas vezes neste blog. Acho que nunca a elogiei, mas a culpa não é minha. A capacidade que esta senhora tem de falar bobagens em penca é assustadora. No dia em que a tolice merecer prêmio de produtividade, não tem pra ninguém. Na noite de ontem, informa a […]

A psicanalista Maria Rita Kehl já apareceu algumas vezes neste blog. Acho que nunca a elogiei, mas a culpa não é minha. A capacidade que esta senhora tem de falar bobagens em penca é assustadora. No dia em que a tolice merecer prêmio de produtividade, não tem pra ninguém. Na noite de ontem, informa a Folha, ela fez na Academia Brasileira de Letras, no Rio, a sua apresentação no ciclo de palestras “O futuro não é mais o que era”… Huuummm. Parece uma sacada espertinha, mas Camões já fez gracejo semelhante e mais sofisticado no século 16…

Quanto Maria Rita pensa, o mundo se queda em silêncio reverencial. Atenção para isto:
“Toda geração presente, como a nossa, ocupa o lugar daquilo que um dia foi sonhado pelos seus antepassados. Como o futuro é uma projeção, uma antecipação, cada geração presente pode dizer de si mesma: ‘Nós somos o sonho deles’.”

Caramba! Maria Rita está dizendo que primeiro vem o avô, depois o pai, depois o filho… Eu sei que pode parecer uma besteira. E é mesmo uma besteira.

Era fatal que tratasse da Comissão da Verdade. Vamos lá:
“Ao ser chamada para participar da Comissão da Verdade, que pretende investigar, na medida do possível, os crimes cometidos pela ditadura contra os militantes que tentavam construir um futuro melhor, e ao voltar àquelas histórias de pessoas torturadas, mortas, desaparecidas, mudou um pouco o rumo das minhas considerações sobre o tempo”.

Viram? A verdade, para Maria Rita, é assim: havia os que queriam um mundo melhor e os que queriam um mundo pior, entenderam? O PC do B, a VAR Palmares, a ALN, o MR-8, a VPR queriam, naturalmente, um mundo melhor. Ela é ou não habilitada a fazer parte daquele grupo? Vai ajudar a contar a história. Com essa isenção!

Ela não estava a fim de baratear a sua fala, não. E mandou brasa. Leiam isto:
“Jamais poderia ser saudade daquele tempo em que se praticou terrorismo de Estado. Mas dizer isso pode nos fazer sentir uma saudade do sonho que nós representamos, e que não é apenas o sonho dessa geração tão próxima de nós, mas o da modernidade, do momento em que se pensou numa nova ordem regida por liberdade, igualdade e fraternidade. É um sonho de emancipação do homem.”

Entendi.
Maria Rita achava que os terroristas que tentaram emplacar a luta armada no Brasil encarnavam o sonho da modernidade, mais ou menos como os revolucionários franceses de 1789 significavam o fim do “velho regime”. Marighella era o nosso Robespierre. Larmarca era o nosso Marat. A gente não chegou a ter um Voltaire porque todos estavam ocupados em cortar cabeças, deixando o pensamento para mais tarde… Pegaram o chiste?

Quando os terroristas esmagaram o crânio de um policial, queriam apenas emancipar o homem. Quando arrancaram a perna de Orlando Lovecchio, foi em nome da fraternidade. Quando fizeram em pedaços Mário Kozel Filho, que tinha 18 anos, lutavam por liberdade. Mais de 100 vítimas inocentes padeceram para que aquela gente generosa pudesse implementar um regime de igualdade ainda hoje vigente em Cuba…

A psicanalista não esqueceu quem lhe deu palco para levar suas tolices às alturas:
“No Brasil, este foi o sonho de uma geração da qual alguns expoentes são objeto da investigação e de reparação social pelo trabalho da Comissão da Verdade. Outros, como a presidente do Brasil, torturada, presa etc., estão no poder realizando algo do sonho da sua juventude, que ela não traiu — tanto que, quando chegou ao poder, fez questão de instalar essa comissão. Estamos muito comprometidos em resgatar o que ainda tem por se realizar do sonho dessa geração que nos sonhou.”

Tenho aqui de me conter para não recorrer à metáfora merecida para este pensamento saído do estômago. Não, senhora! Somos livres hoje e falamos o que bem entendemos porque Dilma e seus amigos foram derrotados, dona Maria Rita! Se a senhora é da Comissão da Verdade, tenha o bom caráter de não mentir! Aquela gente nunca quis liberdade de pensamento, de opinião e de expressão. Ainda há países que experimentam o modelo que eles defenderam. E vivem sob ditadura. A divergência é punida com a cadeia.

A “geração que nos sonhou” é a dos liberais, bem poucos, que restaram no Brasil. A geração que nos sonhou é a dos democratas. Aliás, os remanescentes da esquerda continuam a querer censura. Não trapaceie com a história!

Ela ainda teve tempo de soltar esta pérola:
“Como estou convencida de que quem civilizou minimamente as relações no campo no Brasil foi o MST, que organizou os camponeses para que eles pudessem se defender minimamente, eu me atrevo a terminar essa ideia de um futuro que talvez possa ser desejável com a singela palavra de ordem dos militantes do MST, que é ‘reforma agrária, com justiça social e soberania popular’. Bastante simples, bastante desejável.”

A senhora me desculpe, viu, dona Maria Rita, mas esse é um pensamento energúmeno. Vá perguntar à presidente Dilma, cujo saco Vossa Senhoria acabou de puxar, se o MST tem hoje uma pauta minimamente viável também no que concerne à reforma agrária.

Quem civilizou o campo, doutora Ignorante Enfatuada, foi carteira assinada! Foi a chegada do capitalismo ao setor. Foi — arrepie-se no seu não saber! — o agronegócio! Hoje, minha senhora, milhões de trabalhadores rumam para as lavouras como os trabalhadores urbanos vão para os estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços, trabalham o tempo regulamentar e voltam para suas casas nas cidades, onde dispõem de toda a rede de serviços — escolas, hospitais,  esgoto, água encanada, energia elétrica, banda larga… No IBGE, aparecem como moradores das cidades. Na carteira, trabalham no campo.

O SEU PROBLEMA, DONA MARIA RITA, É A SUA BRUTAL, ENORME, INSUPERÁVEL IGNORÂNCIA! É com esse rigor intelectual e com esse amor aos fatos que a senhora vai ajudar a recontar a história. Vá estudar, Dona Maria Rita! 

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