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A verdade é que pobre brasileiro é a carne mais barata do mercado

A delação rendeu a Joesley e Wesley, na base da pura especulação, a bagatela de R$ 265.763.200! Dá para pagar a multa e ainda sobram R$ 45,765 milhões

Sim, senhores, ainda vou escrever com mais vagar sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a prisão preventiva de Andrea Neves. As razões para a prisão ainda não estão claras. O afastamento de Aécio, dado o que veio à luz, é uma aberração. A menos que haja motivos ainda não divulgados.

A divulgação, com estardalhaço, da foto de Andrea presa, a exemplo do que se fez com todos os outros que tiveram preventiva decretada, é detestável. Ela ainda não foi condenada. Não sabemos, na verdade, nem mesmo de quais crimes é acusada. Mas a malta comemora, se refestela, acha uma delícia, rola na lama. No fundo, o que conta mesmo é o ressentimento: “Olha lá aonde foi parar a rica…”. E os idiotas de direita e de esquerda berram: “Quando é com pobre, ninguém liga”. Bem, pra começo de conversa, eu ligo. Mas o ponto nem é esse. Quando os “ricos” estão sento tratados assim, a gente imagina a situação dos pobres… Mas, reitero, isso fica para outro post.

Quero agora me ater aos irmãos Batista — Joesley e Wesley. Se me permitem a graça, com a habilidade de açougueiros experientes, fizeram picadinho das leis, das instituições, da moralidade, da dignidade, da verdade, da decência. E agora estão livres, leves e soltos em Nova York. Ninguém obteve tamanho benefício em negociações de delação premiada.

Como? O grupo vai pagar multa de R$ 225 milhões? Horas antes do vazamento da informação, a CVM ficou sabendo que as empresas ligadas à dupla adquiriram uma posição superior a US$ 1 bilhão no mercado local. Querem ver como é doce a vida dos Batistas?

Quando eles compraram mais de US$ 1 bilhão, a moeda estava cotada a R$ 3,134. Assim, os valentes empenharam um montante de R$ 3,134 bilhões. Ora, eles sabiam que, depois da delação, aconteceria o óbvio: o dólar dispararia. Chegou a R$ 3,40, com uma valorização de 8,48% ontem. Sabem o que isso significa? Que a delação rendeu a Joesley e Wesley, na base da pura especulação, a bagatela de R$ 265.763.200! Caso você decida subtrair daí os R$ 225 milhões da multa, ainda sobram, de saldo positivo, R$ 45,765 milhões.

Só isso? Não! Tanto quando eles sabiam que o dólar iria disparar, tinham clareza de que as ações do grupo iriam despencar. O que eles fizeram? Em abril, depois das conversações para a delação premiada, os Batistas venderam R$ 329 milhões em ações da JBS. Ontem, as ditas cujas sofreram um tombo de 14,84%.

É um acinte!

Há muito tempo venho insistindo na tecla de que a Operação Lava Jato, à diferença do que parece, promove o maior espetáculo de impunidade de que se tem notícia. Venham a vida fabulosa dos delatores, que estão soldos por aí, certamente torrando parte da grana que roubaram dos brasileiros.

Querem um país sério?
Querem um país sério? Então peçam para investigar essa delação verdadeiramente pornográfica dos Batistas, que contou com a — terei de escrever isto — anuência acovardada de Edson Fachin, que, adicionalmente, não teve a coragem de recusar um pedido de abertura de inquérito contra o presidente, uma vez que inexiste na gravação evidência de crime.

Um amigo me mandou a seguinte mensagem: “Minha conclusão do episódio das gravações. Açougueiros criminosos, em pareceria com um procurador irresponsável e um ministro do Supremo conivente, aceitaram uma gravação clandestina como prova para justificar a delação premiada e livrar da cadeia dois bandidos que eram os maiores financiadores de campanha do país”.

Pois é…

E você? E nós? E os pobres?
Joesley e Wesley cometeram crimes em penca. Foram os maiores beneficiários do regime petista e das generosas linhas de crédito do BNDES. Fizeram-se verdadeiros parceiros de Lula e de seu partido. Quando a coisa aperta, decidem fazer uma “delação premiada”, negociada a termos generosos jamais vistos. Parece que o propósito estava dado: “Entreguem o presidente da República e o presidente do maior partido de oposição e vocês terão uma compensação à altura”.

E nós? E os que não especulamos no mercado de câmbio?

E nós? Os que não somos bucaneiros disfarçados de jornalistas?

E nós? Os que precisamos de uma país viável para que nosso esforço possa ser devidamente recompensado?

E os que são muito diferentes de nós porque mais pobres, com menos direitos, com menos acesso aos bens da civilização, com menos autonomia para cuidar de seu destino?

E os que são muito diferentes de nós porque a diferença entre um país em recessão e um país em crescimento é o feijão na mesa?

E os que são muito diferentes de nós e pagarão ainda mais caro se o país não fizer a reforma da Previdência e a reforma trabalhista?

Ora, esse país não está no horizonte do Ministério Público. Deltan Dallagnol, cada vez mais um político e menos um procurador, escreveu o seguinte ontem no Facebook:

“Ninguém mais aguenta toda essa podridão. Se este Congresso não fizer as reformas necessárias contra a corrupção, será uma confissão de incompetência e merecerá a vergonha dos crimes que o cobrem, com as honrosas exceções daqueles que estão lutando por essas mudanças”.

Notem que as reformas de Dallagnol não são a trabalhista e a da Previdência. O Ministério Público é contra as duas. E, ainda assim, grupos que se dizem liberais e de direita tocam flauta para a turma. A hostilidade ao Congresso é evidente, e as “honrosas exceções” ficam por conta dos que concordam com as teses de Dallagnol.

E encerra a sua mensagem falando como o bom fanático que é: “Não roubarão nosso país de nós. Lutaremos por ele até o fim”.

Não duvidem! Dallagnol é do tipo que luta até o fim. Se preciso, ele mata o paciente na sua “luta até o fim” contra a doença!

E, como se vê, o país de Dallagnol comporta os Batistas, que, a esta hora, flanam em Nova York, e os desdentados e ferrados na vida, condenados a viver na mesquinharia, na pobreza e no atraso.

Se todos tiverem a alma limpa como a de Dallagnol, ainda que não possam ter o seu salário, tudo bem! A miséria dignifica um homem de espírito reto.

Ah, sim! Ainda vou tratar da questão: teria o presidente prevaricado?

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  1. A Justiça vai se transformando na maior anistia imoral aos corruptos. Os 77 ficaram em suas mansões recebendo aposentadoria vitalícia, agora esses dois bandidos lucrando com a própria delação e indo morar em NY. Porém, os maiores corruptos do Brasil são os que assaltam a mesa do pobre todos os dias em nome da lei, recebendo salários e aposentadorias imorais até mesmo para os padrões dos países riquíssimos. Lembrando que a maioria dos promotores não contente com os salários altíssimos de um Ministro do STF levam para casa valores maiores do que o teto constitucional. Esses deveriam ser presos por assaltarem a economia popular em afronta à CF, que deveriam proteger.
    Pior esses senhores recebem esses benefícios imorais aprovados por políticos eleitos com o dinheiro sujo que os promotores deveriam ter fiscalizados, mas não fizeram.

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  2. É inaceitável o fato do presidente ter ouvido uma confissão de um mega bandido e não ter agido. Porém, em um país livre não se pode admitir que bandido grave um presidente para lucrar bilhões com a própria delação e ir morar em NY. Na verdade, o mesmo direito do presidente de viver sem medo de ser chantageado por bandido é o mesmo direito sagrado de cada um. É preciso investigar se o bandido grampeou o presidente a mando de Janot e cia. O STF também tem que agir sob pena de transformar o Brasil na República do Terror onde o herói é o chantageador.

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  3. Duanny Neves

    Uso de informação privilegiada ainda continua sendo crime.

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  4. O Brasil já pode ter abraçado o fascismo

    Não existe justificativa para o fato de um presidente ter ouvido a confissão de um criminoso, sem ter tomado nenhuma medida para preservar os interesses do país que ele deveria proteger.

    Porém, o país tampouco pode aceitar viver em um estado policialesco. Um bandido para se livrar de seus crimes, não pode gravar uma conversa com terceiro sem autorização e conhecimento do mesmo, para jogar no colo de seu interlocutor a responsabilidade pelos seus atos.

    Ao aceitar a gravação clandestina do presidente, feita pelo araponga bilionário, o MPF e o Ministro do STF contribuíram para disseminar o clima de terror e o vale tudo, como guia de relacionamento moral de um povo.

    É preciso investigar se o açougueiro, criado pelo PT para transformar a empresa em multinacional, agiu sob a orientação de Janot e seus pares para grampear o presidente.

    A senso de Justiça de Janot não presta a nenhum país. No lugar de dar guarida ao bandido, Janot deveria ter pedido a prisão do mesmo. O bandido sabendo do estrago que produziria na economia popular usou a própria delação para especular no mercado, comprando dólares e vendendo ações de sua empresa. O marginal lucrou várias vezes o valor do troco combinado com Janot. Isso sem levar em consideração os conselhos que esse bandido, certamente deu para outros especuladores. O Brasil que foi assaltado pelo malandro amargou mais um prejuízo bilionário. Janot mandou o bandido viver em Nova York sob o argumento de que o mesmo corre risco de vida.

    O Brasil precisa combater a corrupção sem cair na tentação do uso de técnicas fascistas. O maior bem do ser humano é viver sem medo de ser perseguido ou chantageado, isso vale para os honestos e para os desonestos. O Estado de Direito Democrático possui seus métodos, entre os quais não consta a tortura e grampear a vida alheia, sem ordem judicial. Se fosse em um país civilizado, o procurador e o Ministro do STF já teriam caído e o bandido enjaulado.

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  5. Sempre a melhor análise e informação.
    Parabéns Reinaldo!

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  6. Parabéns Reinaldo!! Suas análises são perfeitas !! Infelizmente vai demorar muitooo para os brasileiros entenderem com clareza os acontecimentos, até porque, a mídia não ajuda muito não é mesmo?? É uma pena tudo isso que está acontecendo!!

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