A POLÍTICA NA AMBULÂNCIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PSDB à Presidência e governador de São Paulo, José Serra, e a candidata do PT e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, estiveram hoje de manhã em Tatuí, interior de São Paulo, para a solenidade de entrega a prefeituras de 650 ambulâncias. Serra discursou e […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PSDB à Presidência e governador de São Paulo, José Serra, e a candidata do PT e ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, estiveram hoje de manhã em Tatuí, interior de São Paulo, para a solenidade de entrega a prefeituras de 650 ambulâncias. Serra discursou e afirmou que o Sistema Único de Saúde é o melhor das Américas, mas que precisa melhorar: “Temos que torná-lo cada vez melhor, com atendimento de primeira classe. Podem ter em um avião a primeira classe, a segunda e a classe turista. Mas não podemos ter na saúde serviços de primeira e serviços de segunda classe”. Em sua fala, Lula aproveitou para cutucar as oposições e reclamou do fim da CPMF, afirmando que o presidente que virá depois dele terá de recriar o imposto: “Fiquei muito magoado e ofendido quando a minha oposição no Senado derrubou a CPMF. Eu não conheço um empresário no Brasil que reduziu do custo do seu produto 0,38 por cento, que é o que a gente pagava no cheque”, afirmou o presidente.”

Vamos ver: quando a CPMF foi criada, Serra votou a favor; o PT, que estava na oposição, votou contra. O partido descobriu as virtudes do imposto quando já estava no governo. A oposição não tinha votos para derrubar sozinha a cobrança, o que aconteceu em dezembro de 2007: contou com votos governistas. Lula teria, portanto, de dividir essa conta com parlamentares da base aliada. E Serra, não custa lembrar, opôs-se ao fim da cobrança.

De todo modo, Lula ficou cinco longos anos com a dinheirama da CPMF, e a saúde é uma área que piorou visivelmente no seu governo. Esse negócio de que só se consegue melhorar um serviço arrancando um pouco mais de dinheiro da sociedade integra o elenco das soluções fáceis e erradas para problemas difíceis. É claro que é preciso ter dinheiro. Na Saúde, no entanto, faltou foi competência.

Lula aproveitou a solenidade para contar pela enésima vez aquela história de quando perdeu o dedo. E o fez à moda lulista: a culpa é dos outros. Em nenhum momento ele lembrou a própria inabilidade ou distração. Com aquela facilidade habitual para fazer acusações, mandou ver: “Eu era um peão. Cheguei ao hospital com o macacão fedendo a graxa às 3h da manhã. O médico olhou para minha cara e disse: ‘Pra que esse peãozinho quer esse dedo? Vou logo tirar’. E tirou o cotozinho. Podia ter deixado o cotó para eu poder coçar o nariz”. A platéia, formada por trabalhadores, riu a valer. Lula é assim: diz as maiores sandices com graça muito peculiar.

Dilma também discursou: “A gente acha, ao contrário do que ocorria no Brasil, que um país para ser uma grande economia, tem que ter um bom atendimento de saúde. Antes achavam que ou se distribuía renda ou se tinha crescimento econômico. Achavam que era preciso crescer para distribuir o bolo. O que provamos é que, quando se distribui o bolo, é como um fermento. Ele cresce”.

Ela não se referia certamente ao período em que seu adversário do PSDB estava no Ministério da Saúde, que foi quando se estruturou o que há de virtuoso no SUS. Essa história de o bolo crescer primeiro para dividir depois é atribuída ao neolulista entusiasmado Delfim Netto, um aliado, portanto, da ministra. Delfim é um homem inteligente. Duvido que tenha dito essa tolice. Provavelmente lhe foi atribuída por algum esquerdista, coisa do tempo em que Delfim era “inimigo”…

Dilma, evidenciando como um eventual governo seu poderá ser hábil e gentil, afirmou também que, “mais uma vez, a esperança vem vencendo o medo”. Ora, “a esperança venceu o medo” era um dos lemas da campanha de Lula contra Serra em 2002. Retomá-lo na presença do governador, quando ambos vão se enfrentar nas urnas, é atitude de impressionante grosseria.

Até porque, não custa lembrar, quem se dedica ao terrorismo eleitoral neste 2010 é o PT. É o partido de Dilma que acena com a perda de conquistas caso a candidata do partido não se eleja.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s