A perua enlouqueceu! Ministério da Cultura, sob o comando de Marta Suplicy, concede R$ 2,8 milhões de incentivo da Lei Rouanet para estilista podre de chique desfilar em Paris

Vejam esta imagem. Volto em seguida.   Voltei Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura — com o integral apoio de Pablo Capilé —, tem, pode-se dizer, um eixo que a orienta: é podre de chique! Mesmo diante das maiores adversidades, jamais abriu mão de oferecer ao povo o que tem de melhor: seu guarda-roupa. Em […]

Vejam esta imagem. Volto em seguida.

 

Voltei
Marta Suplicy, hoje ministra da Cultura — com o integral apoio de Pablo Capilé —, tem, pode-se dizer, um eixo que a orienta: é podre de chique! Mesmo diante das maiores adversidades, jamais abriu mão de oferecer ao povo o que tem de melhor: seu guarda-roupa. Em 2004, um pequeno texto publicado na VEJA (imagem acima) fez história (link aqui).

A então prefeita tinha acabado de voltar de uma viagem a Londres e, mesmo assim, generosa, resolveu visitar uma área castigada pelas enchentes. Reproduzo trecho daquele texto:

“Com um bem cortado modelito verde, a mesma cor da pedra cravejada nos brincos que os cabelos loiros presos em coque deixaram à mostra, ao voltar de uma rápida viagem a Londres ela visitou uma das áreas mais atingidas pelas enchentes que castigaram a capital paulista durante vários dias. Elegantíssima, pisou com desenvoltura no lamaçal que tomou conta da região de Aricanduva, na Zona Leste, mas, contrariamente ao que costumava acontecer nessas aparições, deu-se mal. Moradores revoltados com as cheias partiram para hostilidades. Marta foi vaiada e chegaram a jogar lama em sua direção, sem atingi-la.”

Marta processou VEJA por causa do título. Lesse o dicionário, veria que “perua”, além de ser a fêmea do peru, também designa a mulher que “que se dá ares de elegante, mas que se veste espalhafatosamente”. Obviamente, a palavra foi empregada com esse sentido. Ela perdeu o processo.

Muito bem! O apreço da agora ministra pela moda, no entanto, é mesmo inquebrantável. Acabo de ler na VEJA desta semana que o estilista Pedro Lourenço poderá captar até R$ 2,8 milhões por intermédio da Lei Rouanet para participar da Semana de Moda em Paris.

Como???

Sim, sim, moda também é cultura e coisa e tal. Mas faz sentido a Lei Rouanet financiar um estilista? VEJA fez uma entrevista com o rapaz. Leiam trechos, com comentários.
VEJA – Por que você resolveu desfilar com dinheiro da Lei Rouanet?
LOURENÇO – É o começo de uma nova percepção do governo. Tem muita empresa quebrando no Brasil. Se o Cristian Lacroix quebrasse, teria um superincentivo na França. Ele é o que Clô Orozco (morta em março) era aqui. Quando ela quebrou, ninguém olhou.

Comento
Esse rapaz é filho de dois badalados estilistas brasileiros: Reinaldo Lourenço e Glória Coelho. Ele tinha, sei lá, uns sete anos, e já era considerado o Mozart do mundo fashion tupiniquim. Que eu saiba, os pais nunca precisaram de dinheiro público para fazer carreira. Esse cara tem, atenção!, VINTE E DOIS ANOS. Nas ideias, no entanto, tem a idade do atraso e da miséria brasileira. Ele acha que uma das tarefas do governo é socorrer empresas que quebram. Vamos lá: se Pedro Lourenço quebrasse, quantos empregos deixariam de ser gerados no Brasil? Qual seria o prejuízo efetivo dos brasileiros? A esmagadora maioria não poderia comprar as suas roupas ainda que quisesse. Eu sou contra qualquer lei de incentivo, já escrevi aqui, mesmo para a cultura propriamente. Mas vá lá: qualquer brasileiro pode, desde que tenha o gosto para tanto, ouvir um músico de vanguarda que eventualmente conte com apoio oficial. Mas quem pode comprar as roupas do janota enfatuado? Quem tem dinheiro para isso? ATENÇÃO! É LEGÍTIMO QUE OS ENDINHEIRADOS COMPREM O QUE LHES DER NA TELHA! Eu quero saber é por que esse rapaz vai participar de um evento da alta moda em Paris com o dinheiro dos desdentados. A perua enlouqueceu. 

Pedro Lourenço – Ele produz artigos de luxo para os muitos ricos e é bem-sucedido nisso. Por que precisa desfilar em Paris com o dinheiro dos desdentados?

 

Qual será o destino das peças dos seus desfiles financiados pela Lei Rouanet?
Serão destinadas a instituições brasileiras que as guardarão.
Quais?
Você pode entrar em contato com a Juliana aqui do marketing que ela lhe passa o contato da Didi, que está cuidando dessa parte.

Comento
Ah, esse descolamento da vida prática que exibem os gênios, né? Ele só vai ter acesso à grana, gente! É demais querer saber isso tudo. Aí é com a Juliana, que vai falar com a Didi, que… Imagino como era chato quando indagavam Rimbaud ou o jovem Mozart sobre coisas corriqueiras. Esses “enfants terribles” logo se entediam. Não é diferente com Pedrinho. Ele acabou perdendo a paciência com a repórter. Mais um pouco, pegava o seu bodoque. Acompanhem.

Sua roupa é relevante?
Peça de estilista que tem trajetória internacional vai se tornar história no futuro.
Por que acha que sua coligação será história?
Pode se tornar. Olhe, você disse que ia fazer três perguntas e já fez um monte.

Comento
Viram só? Ficou irritado! Quer usar o nosso dinheiro, mas acha que não tem de dar satisfações a ninguém. É, pensando bem, se a Marta aprova, que se dane o povo. Ora, ora… Por que, então, um “estilista de trajetória internacional” precisa do dinheiro público? Folga? Preguiça?

O cantor, compositor e escritor Lobão concede uma entrevista às Páginas Amarelas da VEJA desta semana (depois comento). Entre outras coisas, trata dos descaminhos da Lei Rouanet. Eu também acho que a intenção, na origem, pode até ter sido boa. Mas as consequências são desastrosas para a cultura e para a moralidade pública. A proteção do estado torna preguiçosos os criativos e permite toda sorte de desmandos. Ainda voltarei ao tema. De todo modo, convenham: ninguém esperava algo muito melhor de Marta Suplicy à frente do Ministério da Cultura, não é mesmo? E o pior é que essa nem é a coisa mais estúpida que ela fez na pasta.

A perua endoidou. Como diria Pedro, o estilista, “isso ainda vai se tornar histórico no futuro…”.

Ô se vai!

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