A NOTA DE PAULO DE TARSO, O DONO DA MATISSE

Num papel impresso da agência Matisse, uma das mais bem-aquinhoadas com verba publicitária pela Secretaria de Comunicação, chefiada por Franklin Martins, o publicitário Paulo de Tarso Santos divulgou a seguinte nota sobre o artigo escrito por César Benjamin (os grifos são meus). Comento em seguida: São Paulo, 27 de novembro de 2009. Aos profissionais da […]

Num papel impresso da agência Matisse, uma das mais bem-aquinhoadas com verba publicitária pela Secretaria de Comunicação, chefiada por Franklin Martins, o publicitário Paulo de Tarso Santos divulgou a seguinte nota sobre o artigo escrito por César Benjamin (os grifos são meus). Comento em seguida:

São Paulo, 27 de novembro de 2009.

Aos profissionais da imprensa.

A respeito do artigo publicado na Folha de São Paulo, nesta quinta-feira, dia 27 de novembro, sob o título “Os filhos do Brasil” (pg. A8), de autoria do cientista político César Benjamin, onde sou citado nominalmente como participante de um almoço acontecido durante a campanha de 1994, com a presença do atual Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, e outros interlocutores, gostaria de me manifestar publicamente para que não pairem dúvidas sobre a minha versão do acontecido:

1- O almoço a que se refere o artigo de fato ocorreu. O publicitário americano mencionado se chamava Erick Ekwall e nos tinha sido recomendado pelo empresário Oded Grajew.

2- Eu, Paulo de Tarso, então responsável pela campanha publicitária do atual Presidente, não me recordo da presença de César Benjamin nesse almoço – embora ele trabalhasse conosco na campanha.

3- Confirmo a informalidade do almoço, mas absolutamente não confirmo qualquer menção sobre os temas tratados no artigo.

4- Não compreendo qual a intenção do articulista em narrar os fatos como narrou (como disse, sequer me lembro de sua presença na mesa).

5- Não concordo com o conceito do que foi escrito – um ataque particular à figura do Presidente da República que, na minha opinião como cidadão, independente de quem seja, deve receber o respeito da sociedade brasileira como representante maior das instituições democráticas.

Sem mais.
Atenciosamente,
Paulo de Tarso da Cunha Santos.

Comento
Parece, não estou dizendo que seja, uma nota lida com lupa por advogados. A língua dispõe de dois recursos de uma absurda simplicidade para se referir à realidade: um é o  “sim”; o outro é o “não”. Mas tenho alguns queridos amigos advogados que já me instruíram sobre todos os matizes — e “matisses” (perdão! Não resisti) — do “mais ou menos”.

Leio, releio e leio de novo a nota de Paulo de Tarso Santos e não consigo encontrar ali uma cosa simples e sem ambigüidade como: “É mentira! Isso não aconteceu”. Leiam e releiam vocês mesmos.

E, com isso, não estou dizendo, evidentemente, que asseguro que Benjamin esteja dizendo a verdade. Eu não! Paulo de Tarso, que estava lá, não consegue dizer que ele mente, por que eu, que não estava, vou assegurar que ele fala a verdade, não é mesmo?

“Não confirmar” alguma coisa, em juridiquês, é diferente de “negar”. Pesquisem os seus doutores. Paulo de Tarso também apela a um eventual apagão da memória: não se lembra de Benjamin àquela mesa e diz não compreender a sua narrativa “como narrou”.

O item 5 me deixou encafifado. Releiam:
Não concordo com o conceito do que foi escrito – um ataque particular à figura do Presidente da República que, na minha opinião como cidadão, independente de quem seja, deve receber o respeito da sociedade brasileira como representante maior das instituições democráticas.

Sem entrar no mérito da história, digo eu que não entendo esse “Item 5″. O que quer dizer “não concordar com o conceito”?

PS – Bem que Paulo de Tarso poderia ter-se dispensado de divulgar a sua nota num papel impresso da Matisse. Se o fizesse, teria sido em benefício do próprio Lula e de si mesmo.

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