3,5 milhões foram às ruas contra o PT, contra Dilma, contra Lula e contra a roubalheira

Convém que não se tente mudar a história. O apoio a Sergio Moro e à Lava Jato ficou evidente. Mas a força motivadora da maior manifestação da história do país foi a repulsa ao petismo

Acho razoável afirmar que pelo menos 3,5 milhões de brasileiros foram às ruas neste domingo pedir o impeachment da presidente Dilma, a responsabilização de Lula por atos que não parecem muito adequados à lei, à moral e aos bons costumes e o fim da roubalheira. Para ser sucinto: 3,5 milhões de pessoas, a maior manifestação da história do Brasil, pediram o fim do regime petista. Não há dúvidas a esse respeito.

Adoradores e criadores de mitos tentam forçar a mão para desviar o sentido da voz que soou tão clara. A se acreditar em certos textos e na inflexão de algumas lideranças, parece que essa massa imensa se manifestou para demonizar a política e os políticos, exaltar a Operação Lava Jato e eleger por aclamação o juiz Sergio Moro o condutor do Brasil.

Se essas análises estivessem certas, o paraíso na Terra seria um governo conduzido por Moro, com o Congresso fechado e todos os políticos na cadeia. Não acho que seria uma boa ideia.

É evidente que são compreensíveis as razões por que Moro foi uma das personagens mais exaltadas nas manifestações. Ele surge como o símbolo da operação que tem revelado parte importante dos subterrâneos da República, expondo a céu aberto o esgoto em que o PT transformou o estado brasileiro, sendo certo que o partido não inventou a corrupção nem é corrupto sozinho. Mas só ele ousou dar alcance teórico à bandalheira.

Assim, é compreensível que o juiz represente uma espécie de outra face de “tudo o que está aí” e que até os políticos que se opõem ao PT sejam vistos com suspicácia por parcela considerável dos que foram às ruas. Ocorre que ele não é nem pode ser o outro lado da moeda. Que seu combate determinado à corrupção seja encarado como um norte moral, isso parece bom e desejável. Que sua figura seja usada aqui e ali, de modo solerte, para desacreditar a política, aí, meus caros, definitivamente, não é um bom caminho.

Tarefa urgente
O país tem uma tarefa urgente: pôr fim ao desgoverno de Dilma Rousseff. Já escrevi aqui e reitero: trata-se apenas do primeiro passo. Mas não se começa a andar, por óbvio, sem ele.

Ontem, assisti a uma breve entrevista de Afonso Florence (BA), líder do PT na Câmara. Mesmo sendo parte da tropa de choque de um governo que está no fim, exibia certo risinho de satisfação porque, afirmou, até políticos que convocaram o protesto teriam sido vaiados.

Em primeiro lugar, a maior manifestação da história do país não foi convocada por políticos, mas por movimentos organizados da sociedade civil. Em segundo lugar, ainda que as coisas tivessem se passado como disse Florence, o repúdio a todos não pouparia, é evidente, ninguém — nem o PT. Infelizmente para ele, no entanto, a repulsa da esmagadora maioria da população é ao petismo, a Lula, sua principal liderança, e à presidente da República.

A população brasileira, e isto é saudável, expressou, sim, seu apoio claro e inequívoco à Operação Lava Jato e reconhece nela um instrumento eficaz para punir larápios e, quem sabe, servir de instrumento didático a outros tantos que se aventurem pelo mesmo caminho.

Mas que jamais se tire do horizonte a força motivadora que fez com que milhões saíssem de casa: os brasileiros não querem mais o PT no poder. Foi contra esse partido e seus métodos, eventualmente representados pela presidente Dilma, que milhões foram às ruas.

Texto publicado originalmente às 4h
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