Blogs e Colunistas

Arquivo de 14 de Setembro de 2012

14/09/2012

às 22:28

A CAPA DE VEJA – TALVEZ A MATÉRIA MAIS EXPLOSIVA DEPOIS DA ENTREVISTA DE PEDRO COLLOR

Amanhã, quando vocês acordarem, encontrarão aqui algumas informações a respeito.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 22:20

Mudaram o avatar do meu Twitter e de mais um monte de gente

Pois é… Apareceu uma foto estranha no meu Twitter. O Globo Online informa que isso aconteceu em diversas contas.

Do Globo Online:
Na noite desta sexta-feira (14), dezenas de contas do Twitter tiveram suas fotos de perfil e fundo de tela trocados. Apesar de  alguns usuários terem chegado a mencionar um possível ataque hacker, o Twitter publicou por meio de seu perfil @Support, às 20h30, que estava investigando “um problema com imagens de fundo e fotos de perfil em contas verificadas. Resolveremos isso o mais breve possível”. Apesar da informação da empresa, o problema foi visto também em contas não verificadas.

Entre usuários do Twitter no Brasil, chamaram a atenção as alterações na conta do Blog do Planalto — na qual a foto de uma mulher virou o avatar — e nas contas de jornalistas, veículos de imprensa, políticos e artistas brasileiros. Alguns deles são o prefeito do Rio, Eduardo Paes e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF); o jornal Folha de S.Paulo e a revista Época; a TV Cultura e o perfil do programa Acesso MTV; os jornalistas Ricardo Noblat, do GLOBO, e Reinaldo Azevedo, da Veja; a dupla sertaneja Maria Cecília e Rodolfo; a banda gospel Diante do Trono; a banda Eva; e o grupo For Fun. Por volta das 21h, a maioria desses perfis já estava com seus avatares e imagens de fundo originais. 

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 22:15

Mais 12 mortos do 4º dia de “protesto” no mundo islâmico tendo como pretexto um filme amador…

O quarto dia de protestos contra os Estados Unidos sob a justificativa de um filme amador que ridiculariza o profeta Maomé deixou nesta sexta-feira 12 mortos até agora, segundo a rede BBC e a Al Jazeera. Pelo menos três pessoas morreram e 40 ficaram feridas em confrontos entre a polícia e manifestantes junto à Embaixada dos Estados Unidos no Sudão, outras três na Tunísia, quatro no Iêmen, um manifestante foi morto no protesto diante do consulado dos EUA no Cairo e um libanês morreu nos conflitos seguidos do incêndio provocado por 300 islamitas enfurecidos em um restaurante da rede americana Kentucky Fried Chicken (KFC) em Trípoli, cidade no norte do Líbano..

Segundo um dos organizadores do protesto em Cartum (capital do Sudão), Mohammed Abderrahim, uma das vítimas foi atropelada por um carro da polícia, e os outros foram encontrados mortos diante da Embaixada. Em Túnis, capital tunisiana, três foram mortos quando uma multidão tomou a embaixada americana. Em Sanaa (Iêmen), quatro foram mortos depois que os islamitas tentaram invadir a embaixada dos EUA. No Egito, um homem de 20 anos teria morrido depois de ser baleado diante da Embaixada.

Na Tunísia, os protestos estão cada dia mais sangrentos. Islamitas incendiaram uma escola americana em Túnis, depois de atear fogo também na Embaixada americana, que foi invadida. Em resposta, a polícia tunisiana abriu fogo contra os manifestantes diante do prédio diplomático na capital. As testemunhas disseram que os disparos foram realizados a partir de um tanque de guerra e que os manifestantes se refugiaram nos prédios de escritórios situados nos arredores da missão diplomática, localizada em uma zona residencial e comercial da capital. 

O protesto, que começou após a oração do meio dia da sexta-feira, transformou-se em uma batalha entre os milhares de manifestantes que tentam entrar no complexo da embaixada e as forças de segurança. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, segundo a agência Reuters.

Mundo islâmico em fúria
No dia sagrado do Islã, as revoltas antiamericanas se espalharam para outros países muçulmanos. Agora, além de Iêmen (onde quatro manifestantes morreram na quinta-feira), Egito, Líbia (onde o embaixador dos EUA em Bengasi foi assassinado com outros três americanos), Sudão e Líbano, também viraram palco de protestos Jordânia, Índia, Faixa de Gaza, Indonésia, Catar, Nigéria e Afeganistão.

Em Sanaa (Iêmen), a polícia disparou para o ar para dispersar centenas de manifestantes que se aproximavam da embaixada americana, informou um correspondente. Também foram utilizados jatos d’água para dispersar os manifestantes reunidos a 500 metros da missão diplomática, onde a bandeira americana foi queimada.

Em Bangladesh, cerca de 10.000 manifestantes queimaram em Daca bandeiras americanas e israelenses e cercaram a embaixada dos Estados Unidos. Após a oração semanal, os manifestantes se reuniram em frente à mesquita de Baitul Mokaram, a mais importante do país. Na Indonésia, aproximadamente 350 islamitas radicais protestaram em Jacarta contra a “declaração de guerra” representada pelo filme Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre do inglês).

Na capital iraniana, centenas de pessoas se reuniram, sob os gritos “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a Israel”, segundo imagens da televisão estatal.  No Afeganistão, as autoridades estão em alerta máxima e a maioria das embaixadas aumentaram suas medidas de segurança.

- Obama prevê mais protestos, mas afirma que EUA não podem se retirar da região
- Hillary condena vídeo, mas defende liberdade de expressão
- Saiba mais - Sam Bacile, o mistério por trás do vídeo que satiriza Maomé

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 19:20

Quando a cobertura jornalística deixa de lado o fato para aderir a uma agenda — em nome do “progressismo”, é claro!

O tucano José Serra participou de uma sabatina na Folha. Extraio do texto do jornal o seguinte trecho:
“Embora tenha sido o responsável por colocar Kassab na prefeitura, quando deixou a gestão, em 2006, Serra afirmou durante a sabatina que não é ‘guru’ do prefeito e não tem relação de “padrinho e afilhado” com Kassab.
“Ele é uma individualidade política”, afirmou o tucano, lembrando que ele foi reeleito com mais de 60% dos votos em 2008.”

Vamos ver. As palavras fazem sentido. Serra não “colocou” Kassab na Prefeitura. Com a devida vênia ao jornal e aos diligentes jornalistas que redigiram o trecho, Kassab integrava a chapa vencedora em 2004 e foi, junto com Serra, ELEITO vice-prefeito. O verbo “colocar” em processo eleitoral é descabido — a menos que seu sujeito seja o povo. Se o autor do texto, ou os responsáveis por ele, tiverem juízo mais acurado sobre o assunto, publicarei a contradita com prazer.

Sigamos na análise de trecho tão curto e revelador.

Ainda que Serra tivesse, de fato, “colocado” Kassab — e que este não tivesse uma legitimidade derivada das urnas já de 2004 —, o prefeito foi eleito, aí na cabeça de chapa, em 2008, com mais de 60% dos votos. Se a primeira “colocação” era descabida, a segunda é absurda.

Muito bem! O trecho começa com uma conjunção concessiva: “embora”. Logo, espera-se um raciocínio que expresse quando menos uma contradição. Qual seria ela? Esta: Serra diz não ser guru de Kassab, embora tenha “colocado” Kassab na Prefeitura. Já sabemos que ele só “colocou” porque o outro era seu vice eleitoral e constitucionalmente definido.

Temos, assim, criado o moto-contínuo político. O “embora” supõe que Serra estaria expressando uma contradição, em desacordo com a realidade dos fatos, donde se conclui, pois, que todo titular é, naturalmente, “guru” de seu vice. Assim, Michel Temer, por exemplo, tem uma guru: Dilma Rousseff. O vice ascendendo à titular também terá o seu vice, que, se eleito, etc. e tal.

Ah, sim: a bem da verdade, o texto registra que Kassab foi eleito pelo povo, mas notem que essa é uma “lembrança” feita por Serra, quase como se fosse um “outro lado”. Já o fato de os tucanos lembrarem na televisão que José Dirceu é um dos chefões do partido de Haddad — compôs o alto-comando que montou a equipe de campanha — é considerado coisa quase ofensivo…

Não! O mais espertinho tire o cavalo da chuva! Não estou tentando “desvincular” Serra de Kassab ou coisa que o valha. Estou afirmando que se trata de dois políticos que, nas suas respectivas trajetórias, foram sufragados pelo povo — no caso do tucano, ganhando e perdendo eleições. Quando se ignora que o prefeito foi eleito, tenta-se transformar um processo democrático numa espécie de sucessão de caráter coronelesco.

Vênia máxima aos coleguinhas, como diria Ricardo Lewandowski, mas é evidente que se trata de um embrutecimento e de um emburrecimento do debate. Nessas horas, o pensamento já obscurecido pela moral petista exclama: “Ah, ninguém fica bravo se a gente chama Lula de guru de Dilma; afinal, ele é popular!”. Com todas as críticas que sempre fiz a ele e a ela — os arquivos estão aí —, essa não é e nunca foi minha abordagem porque considero isso uma burrice, uma bobagem, uma grosseria analítica.

Não votei em Dilma. Jamais votaria ou votarei no PT. Se Jesus Cristo descer à Terra e disputar eleição com uma estrelinha, terei de chamá-lo de impostor. Mas nunca, nem no extremo do meu desagrado, questionei a legitimidade da presidente e o fato de que foi eleita. O mesmo se diga de Lula. Até escrevi uma vez, para escândalo de alguns babacas, um texto cujo título, creio, era este: “É Lula de novo, com a culpa do povo”. Mas entendiam que, ali, eu estava era fazendo o elogio da vontade inquestionável do povo (desde que não tente solapar a democracia, não o contrário).

Esse troço de que Fulano “coloca” Beltrano ou Sicrano quando há, no meio, um processo eleitoral é uma estupidez. Vejam Haddad: é uma invenção de Lula, sim. Mas, se for eleito, não terá sido o Apedeuta a colocá-lo lá. Terá sido o povo. O resto é pilantragem teórica.

A imprensa deixa de lado, às vezes, a sua função também educativa. Seus compromissos com o “progressismo”, às vezes, a levam a se divorciar dos fatos.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 18:00

Homem de Macedo que é chefe da campanha de Russomanno parte do princípio de que os outros são idiotas

Marcos Pereira, “bispo” da Igreja Universal do Reino de Deus, presidente do PRB e coordenador da campanha de Celso Russomanno à Prefeitura, se finge de besta. Mas, por óbvio, não é. Sempre que isso acontece, o fingidor parte do princípio de que abestado é o outro.

Há um ano e quatro meses, ele escreveu um texto cretino, mentiroso, atribuindo os absurdos do kit gay, criado na gestão Fernando Haddad no MEC, à… Igreja Católica. É uma vigarice, uma estupidez, uma bobagem — fruto de uma espécie de pistolagem religiosa. Tenho milhares de leitores evangélicos também. Eles sabem, aliás, o que penso. Quando a patrulha do sindicalismo gay tentou transformar o pastor Silas Malafaia numa espécie de Judas, reagi. Tratava-se de uma tentativa, aquela sim, de cercear a liberdade de expressão. Mas esses mesmos leitores sabem que não confundo religião com feira livre; não acho que Deus e o divino devam ser tratados como badulaques que se vendem no mercado.

Aquele texto mentiroso de Pereira voltou a circular na rede. Está, aliás, na página oficial do dono da igreja, dono da TV Record e dono do PRB: Edir Macedo. Os obreiros da candidatura Russomanno estão fazendo intenso proselitismo sobre a questão. Como a imprensa, digamos, “séria” interditou o debate consequente sobre os kits gays — que são uma aberração, antes de mais nada, pedagógica —, os obscurantistas resolveram tratar a questão nos subterrâneos da baixaria eleitoral.

É nesse contexto que o texto do tal Pereira volta à luz. Dom Odilo Scherer, cardeal da Arquidiocese de São Paulo, reagiu à estupidez com uma nota dura, correta, sensata e necessária. E pergunta sobre os comandados de Macedo: “Se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto? É para pensar”. Há dois posts no blog a respeito.

Muito bem! Leio agora na Folha Online que Pereira decidiu “rebater” a nota. Rebater? Vamos ver como o fez. “Lamento que tal exercício de pensamento publicado há um ano e quatro meses seja usado de maneira indevida às vésperas da eleição para a prefeitura de São Paulo”.

Pereira chama lixo intelectual e religioso e mentira factual de “exercício de pensamento”. Parece que ele é pós-graduando em direito. E então resolveu exercitar as artimanhas do rábula: “Manifestei, naquele momento, minha liberdade de expressão e livre pensamento, sem qualquer conotação política ou eleitoral. Reitero o respeito que tenho pelos direitos individuais independente de credo, raça ou opção sexual.”

O “bispo” acredita que uma mentira deixa de ser uma mentira porque existe “liberdade de expressão”. Notem que o dito-cujo não se desculpa pela cretinice que disse nem admite que estava contando uma mentira. 

Reitero: esse texto trevoso só voltou à luz porque passou a circular freneticamente na rede. E os que lhe deram curso se identificam com a candidatura de Russomanno. Num cenário em que política, religião e radiodifusão se misturam, parece que houve gente tentando matar vários coelhos com uma só cajadada: ao mesmo tempo em que se promovia o candidato de Macedo, difama-se a Igreja Católica e ainda se lembrava quem era o pai do kit gay: Fernando Haddad.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 16:42

O “País dos Petralhas II” já vai para a segunda impressão

Acabo de receber uma boa notícia e faço questão de dividi-la com vocês porque acho que também lhes diz respeito.

“O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo” saiu com uma primeira edição de 20 mil exemplares. A Editora Record acaba de me informar que já mandou imprimir um segundo lote. Valeu!
Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 16:24

Como os “progressistas” tornaram viável o candidato Russomanno

A destruição de qualquer parâmetro razoável para analisar a gestão da cidade — e alerto que setores da imprensa paulistana começam a fazer o mesmo com o governo do Estado (ainda voltarei ao assunto) — deu à luz Celso Russomanno, que é, ao mesmo tempo, um rebaixamento e uma sofisticação do populismo rastaquera.

É um rebaixamento porque não me lembro de alguém com o seu despreparo ter chegado tão longe. E é uma sofisticação porque, como está claro, Russomanno não está só, não? Ele é uma legião. A mão que balança o berço é Edir Macedo. Quem perde é a civilidade.

A cada vez que a imprensa “progressista” deu destaque às creches que faltam na cidade sem lembrar as 150 mil vagas criadas (eram 60 mil quando Serra chegou à Prefeitura, em 2005), o intento era preparar o terreno para um “candidato progressista”, mas se estava alimentando um Russomanno.

A cada vez que a imprensa “progressista” deu destaque aos problemas de transporte e mobilidade, desprezando os investimentos feitos e ignorando que uma política agressiva do governo federal de incentivos inundava a cidade de carros, o intento era preparar o terreno para um “candidato progressista”, mas se estava alimentando Russomanno.

A cada vez que a “imprensa progressista” demonizou todo e qualquer debate sobre educação e costumes como “coisa de reacionários religiosos” — era proibido e ainda é debater à luz do dia o kit gay de Haddad —, o intento era preparar o terreno para o “candidato progressista”, mas se estava alimentando Russomanno.

A cada vez que a “imprensa progressista” trata a ideia estúpida do tal Bilhete Único de Haddad como solução para o transporte coletivo — como se isso alterasse as condições objetivas do sistema —, o intento é preparar o terreno para o “candidato progressista”, mas se está alimentando Russomanno.

Que importância tem?
“Que importância tem a imprensa escrita, Reinaldo?, especialmente os jornais, hoje os mais engajados na campanha de Haddad?” Tem, sim! Ainda são referências do debate. Sua pauta vai parar nas rádios, nos sites, nos blogs, espalha-se. As camadas mais pobres e menos informadas não leem jornal, é evidente, nem desfilam por aí com iPAD, mas as informações chegam de um modo ou de outro — como chega lá nos cafundós do Iêmen a conversa sobre um filmeco…

A gestão Kassab foi analisada durante quatro anos segundo o filtro da ONG petista Nossa São Paulo. É aquela gente bacana que analisou o cumprimento de metas da Prefeitura item por item, de sorte que construir um hospital tem o mesmo peso que criar uma pracinha. Tudo vale “1 ponto”. Espalhou-se a mentira de uma administração desastrada, caótica, que não se importa com as pessoas.

Então veio Russomanno
Enquanto isso, a TV Record estava aquecendo Celso Russomanno. E se rompeu a casca do ovo, não é? Os “progressistas” estavam certos de que bastava dar umas duas ou três pancadas nele e pronto! Estaria tudo resolvido! Não perceberam que o próprio Edir Macedo é um evento que resiste às luzes mesmo do jornalismo mais rigoroso e técnico. Este rapaz, com sua ignorância “alastrante”, com sua incapacidade de dissertar mais do que três minutos sobre um determinado tema, com suas propostas esdrúxulas, ganhou setores importantes do cinturão de votos tradicionalmente petista, mas entrou também em fortalezas tradicionalmente antipetistas.

Preparou-se o terreno para o advento de um novo Schopenhauer, ancorado em Dilma, Lula e Marta, e o que se vê um populista vulgar, gestado na mente divinal de Edir Macedo. E com marketing profissionalizado — porque, nessa área, convenham, a Igreja Universal rivaliza com o próprio PT.

No horário eleitoral, Russomanno se diz agora perseguido. Enquanto os candidatos que disputam o segundo lugar têm se de estapear — preservando o rapaz do PRB de suas próprias bobagens e de sua biografia —, o que fez o ex-menino Malufinho? Foi à TV se dizer “perseguido”. Por quem? Pelos adversários é que não é! Não! Perseguido pela “mídia”. Leiam trecho de sua fala, olho no olho do espectador:

“Isso [a crítica] não vai tirar do rumo. Vou continuar te defendendo, cuidando de você. Imagina o prefeito que vai às ruas fiscalizar! Um prefeito que não avisa aonde vai para pegar as coisas do jeito que elas estão? A verdade nua e crua.”

Entenderam? Ele vende a ideia estúpida de que, se eleito, vai ser fiscal de quarteirão. Sugere que sairá por aí dando incertas, como fazia quando se apresentava como suposto “defensor do consumidor”.

Sim, é verdade! Se Russomanno for eleito, a responsabilidade será do eleitor. Mas não se duvide um só minuto de que ele só se tornou viável porque adequado a critérios tornados influentes pelos “pensadores”. E o mais impressionante é que a delinquência intelectual continua — agora voltada para o Palácio dos Bandeirantes. Trato disso em outro post.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 15:20

Laranja da Delta no Rio recebeu R$ 174 milhões

Por Tai Nalon, na VEJA.com:
Novos dados enviados à CPI do Cachoeira, que teve seus trabalhos suspensos no Congresso, mostam que o contínuo Bruno Estefânio de Freitas, laranja da construtora Delta no Rio de Janeiro, aparece como recebedor de pelo menos 174 milhões de reais da empresa só em 2011. 

A quantia, atualizada nesta semana pelo gabinete do senador Rubens Bueno (PPS-PR), é destinada à MB Serviços de Terraplanagem, empresa localizada em Saquarema, no litoral fluminense, que é parte de mais um tentáculo da organização criminosa comandada pelo contraventor no Rio de Janeiro. Antes, sabia-se apenas que a MB recebera 33 milhões no ano passado – quantia pequena diante do fluxo de dinheiro destinado ao estado em 2011.

Bruno é peça-chave na rede de laranjas e fantasmas. Ele consta como sócio da MB, empresa que tem apenas a Delta de Fernando Cavendish como cliente, apesar de ter apenas 20 anos e estar desempregado. Vive, conforme VEJA mostrou na semana passada, em um condomínio fechado em Jacarepaguá, onde permanece sob escolta de seguranças.

O laranja entrou no radar da CPI há semanas, mas nunca teve sua convocação aprovada. Não há interesse na ala governista da comissão em aprofundar as apurações sobre os laços de Cachoeira e da Delta com autoridades do Rio. Mais: o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tem afirmado a colegas que a etapa de depoimentos – quase todos infrutíferos – terminou. Uma vez retomados os trabalhos, o que deverá acontecer apenas em outubro, integrantes da oposição tentarão ouvir Bruno no Congresso.

VEJA revelou em julho que Bruno entrara no radar do Conselho de Controle e Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, ao tentar sacar, de uma só vez, 5 milhões de reais numa agência bancária na Barra da Tijuca. O contínuo é sócio da MB junto com Marcelo Astuto, parceiro de Horácio Pires Adão, processado em 2005 com Cavendish por fraudes no fundo de pensão de funcionários da Cedae, empresa de águas e esgoto do Rio.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:59

LEIAM ABAIXO

NASCEU! JÁ ESTÁ NAS LIVRARIAS. E OS ENCONTROS MARCADOS;
Volta a circular artigo delinquente de coordenador da campanha de Russomanno que atribui à Igreja Católica os kits gays de Haddad; texto está na página de Edir Macedo;
Igreja Católica ataca Universal e chefe da campanha de Russomanno;
Os números do Ibope em SP e por que Haddad tem mais motivos para se preocupar do que Serra. Ou: Tutelado por Lula, Dilma e Marta, petista empaca. Ou ainda: Esquerdismo é coisa de rico!;
Oriente Médio e Inverno Árabe – Entre uma ditadura amiga e uma ditadura hostil, nenhuma opção é boa, mas só uma é sensata;
Valério e seus sócios vão para a cadeia;
A votação final do Capítulo IV do Mensalão: STF condena oito por lavagem de dinheiro;
O debate desta quinta na VEJA.com;
Os novos números do Ibope para São Paulo;
Tolentino condenado;
Vota Marco Aurélio; deve absolver só Vinicius Samarane e Ayanna; ele condena a secretária;
Carmen Lúcia dá voto exemplar e forma a maioria para condenar seis réus: Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Simone Vasconcelos, Cristiano Paz, Marcos Valério e Ramon Hollerbach;
Quem é mesmo Tolentino, absolvido por Lewandowski e Toffoli? É o rapaz que comprou o apartamento de ex-mulher de José Dirceu;
100 minutos para Toffoli! E para quê? Para nada!;
A um voto da condenação;
Toffoli vota há mais de uma hora e concorda com o relator em quase tudo; absolve Geiza Dias, Rogério Tolentino e Ayanna;
Tumultos do “Inverno Árabe” se espalham; abriu-se a Caixa de Pandora;
No triplo salto carpado de Lewandowski, o STF seria subordinado da primeira instância!;
Em voto brilhante, Fux condena 9 por lavagem de dinheiro; só absolveu Ayanna Tenório;
Fux dá uma brilhante carraspana técnica em Lewandowski;
Agora entendi: Maluf está com Haddad por causa da boniteza de petista e de seu ar de marxista limpinho;
Rosa absolve João Paulo do crime de lavagem, mas não muda resultado: ele foi condenado por 6 a 5;
Rosa Weber condena oito por lavagem de dinheiro; absolve Geiza Dias e Ayanna Tenório;
A tese ridícula de Lewandowski no que diz respeito a Rogério Tolentino;
A fúria de Lula não poupa nem Frei Betto. Ou: Braveza de ex-presidente vale como medalha de honra ao mérito para os ministros do STF;
A morte do embaixador americano na Líbia nas brumas do “Inverno Árabe”. Ou: As bobagens de Obama e a pergunta tonta de Hillary. Ou ainda: Não pra culpar o “Joirjibúxi”?;
Dilma, Marta e o rebaixamento da vida republicana;
Russomanno promete uma coisa na rua e o seu contrário em encontro com empresários

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:45

NASCEU! JÁ ESTÁ NAS LIVRARIAS. E OS ENCONTROS MARCADOS

Caros, a partir de hoje, nas livrarias de todo o país, “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”, escrito por este escriba, em parceria com vocês (Editora Record, 434 páginas, R$ 39,90). É página que não acaba mais. O livro até para em pé… “Mas as ideias não!”, gritam os petralhas, os meus homenageados… Não é o que pensam os leitores.

Abaixo, os convites para o lançamento em São Paulo e Rio. Já estamos agendando Curitiba, Florianópolis, Brasília, Salvador, Recife… Quando souber direitinho as datas, informo aqui.

Marquem aí na agenda: no dia 2, na Livraria Cultura da Paulista, em São Paulo. No dia 4, na Livraria Argumento do Leblon, no Rio. Não precisa deixar para comprar no dia, não! Eu coloco as digitais em livro já lido, hehe. “O País dos Petralhas II” também está na versão e-book.

Ajudem a espalhar os convites!

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:43

Volta a circular artigo delinquente de coordenador da campanha de Russomanno que atribui à Igreja Católica os kits gays de Haddad; texto está na página de Edir Macedo

Eu não conhecia a delinquência. Fiquei sabendo dela nesta madrugada em razão de uma reportagem da Folha (ver post abaixo). Em 2011, o presidente do PRB e “bispo” da Igreja Universal Marcos Pereira publicou um artigo em que atribuía à Igreja Católica os kits gays preparados pela gestão de Fernando Haddad para ser distribuídos nas escolas. Pereira é hoje o coordenador da campanha de Celso Russomanno à Prefeitura de São Paulo. Leiam a sandice de Marcos Pereira. Volto em seguida:

Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias. Dias que minha querida avó jamais imaginou viver. Um tempo em que, por anos a fio, os “poderosos de púrpura” de Roma têm controlado a educação em nosso País.
Dias de absurdos e depravações. Dias em que filhos e netos chegam à escola e recebem “kits” distribuídos pelo próprios professores lhes ensinando como serem gays ou como optarem por serem gays. É este o programa “educacional” que o Ministério da Educação planeja adotar nas escolas públicas do nosso Brasil, sem sequer perguntar aos pais se eles concordam ou apoiam a iniciativa.
Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias. Isso mesmo: a ditadura das minorias!
Estamos vivendo dias em que as minorias impõem à sociedade seus “valores e caprichos”. Não há outra explicação. Obrigar os menores brasileiros a estudarem um suposto material didático que incentiva a prática da homossexualidade e entenderem isso como algo normal, é, sem dúvida, a imposição da ditadura das minorias. Pior que fazem isso com a ilógica tese da política de conscientização contra a homofobia ou contra a discriminação das preferências sexuais.
Imagine seu filho ou sua filha chegando da escola e dizendo, com toda a inocência de uma criança, que decidiu ser homossexual após assistir a um vídeo na escola? Qual seria a sua reação? Você aceitaria essa situação com tranquilidade e de forma normal?
Provavelmente não! Certamente que não!
E pior: o mesmo Ministério da Educação que defende os livros e vídeos em defesa do homossexualismo é também o responsável pelos péssimos índices da educação do nosso País. Você sabia que, no ranking mundial de qualidade da educação da ONU, o Brasil ocupa a vergonhosa 88ª posição, atrás de países como Bolívia, Colômbia e Paraguai?
As autoridades já impuseram a nós, brasileiros, o ensino religioso nas escolas públicas. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, por exemplo, acabou de votar a criação de 600 cargos para professores de ensino religioso. As contratações custarão aos cofres públicos mais de R$ 15 milhões, dinheiro dos impostos que você, eu e toda a sociedade pagamos rotineiramente.
Agora, tentam nos impor os famigerados “kits gays”.
Até quando o Vaticano terá o controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal?
Até quando o Brasil do século 21 continuará se curvando às “batinas púrpuras” de Roma?
Precisamos salvar o Brasil e torná-lo um país verdadeiramente laico, completamente livre da influência da religião.
Marcos Pereira
Advogado, especialista em Direito e Processo Penal pela Universidade Mackenzie,
Presidente Nacional do PRB – Partido Republicano Brasileiro

Voltei
Os kits de Haddad são, sim, um lixo didático, pedagógico e ético — em vez do combate à homofobia, há lá só proselitismo —, mas é evidente que a Igreja Católica não tem nada com isso. AO CONTRÁRIO: O MATERIAL FOI CRITICADO. Tanto a militância está às turras com a Igreja que a Parada Gay do ano passado levou à avenida provocações asquerosas à Igreja Católica, com modelos caracterizados como santos em poses e trajes, digamos, eróticos (mais aqui). O caso gerou um veemente protesto até de Silas Malafaia, que é pastor da Assembleia de Deus, mas considerou a ação ofensiva. O Ministério Público tentou processá-lo por isso, mas a ação, felizmente, foi extinta (clique aqui para saber mais).

Pois bem. O cardeal dom Odilo Scherer emitiu uma nota veemente de protesto contra o artigo, que voltou a circular freneticamente nestes dias. Já informei aqui que os “obreiros visitadores” de Russomanno estão abordando intensamente o kit gay no corpo a corpo com os eleitores. Assim, deixou de ser uma coisa velha e voltou a ser uma coisa nova. O artigo de Pereira está no site de Edir Macedo, como se pode ver na imagem abaixo. Vejam. Volto para encerrar.

 

Encerro
Reitero: é fora de questão que os kits gays de Haddad são um absurdo sob qualquer ponto de vista que se queira. Até Dilma Rousseff achou isso. O TCU cobrou explicações sobre o gasto inútil de dinheiro público. Mas atribuir a façanha à Igreja Católica é uma mentira asquerosa.

Que eleição esta! Um candidato não consegue andar pelas próprias pernas e precisa se ancorar em três padrinhos: Lula, Dilma e Marta. Outro, mais modesto, tem um padrinho só: Edir Macedo!

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:37

Igreja Católica ataca Universal e chefe da campanha de Russomanno

Por Daniela Lima, na Folha:
A três semanas da eleição, a Igreja Católica fez ontem um duro ataque à campanha de Celso Russomanno e à Igreja Universal do Reino de Deus insinuando que eventual vitória do candidato do PRB representa uma ameaça à democracia. Russomanno lidera as pesquisas de intenção de voto para prefeito de São Paulo e tem o apoio da Universal, que é ligada ao PRB. Em nota, a Arquidiocese de São Paulo ressalta o vínculo do candidato com a igreja neopentecostal, que acusa de incitar a intolerância religiosa, e expõe preocupação com sua possível eleição.

“Se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto? É para pensar”, diz a nota assinada pela arquidiocese, que é comandada pelo cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo. A nota acusa o bispo da Universal Marcos Pereira, que é presidente do PRB e chefia a campanha de Russomanno, de disseminar posições “ridículas, confusas e desrespeitosas” sobre os católicos. Ela é uma resposta a texto que Pereira publicou em maio de 2011 em seu blog e que voltou a circular recentemente nas redes sociais. No artigo, o presidente do PRB vincula a Igreja Católica à proposta de distribuição do chamado “kit gay”.

Idealizado na gestão de Fernando Haddad (PT) -hoje também candidato a prefeito de São Paulo- no Ministério da Educação, o tema despertou reações negativas de evangélicos, o que levou a a presidente Dilma Rousseff a determinar sua suspensão. O “kit gay” tinha o objetivo de combater a homofobia nas salas de aula com vídeos e material didático. O texto de Pereira tem sido vinculado, nas redes sociais, à campanha de Russomanno. A arquidiocese disse que só agora conheceu o seu teor.

“Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma. (…) Dias de absurdos e depravações. Dias em que filhos e netos chegam à escola e recebem ‘kits’ distribuídos pelos próprios professores lhes ensinando como serem gays ou como optarem por serem gays”, diz Pereira no artigo. de 2011. “Precisamos salvar o Brasil e torná-lo um país verdadeiramente laico, completamente livre da influência da religião”, conclui o bispo. A arquidiocese classificou o texto de Pereira como “destempero”. “Atribuir o malfadado ‘kit gay’ e os males da educação no Brasil à Igreja Católica não faz sentido e cheira a intolerância.”
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:35

Os números do Ibope em SP e por que Haddad tem mais motivos para se preocupar do que Serra. Ou: Tutelado por Lula, Dilma e Marta, petista empaca. Ou ainda: Esquerdismo é coisa de rico!

Segundo pesquisa Ibope/Rede Globo publicada ontem, Celso Russomanno, do PRB, segue na dianteira na disputa pela Prefeitura de São Paulo, com 35% das intenções de voto. Em duas semanas, ele passou de 31% para 35%. O tucano José Serra oscilou um ponto para baixo no período e ficou com 19%, e o petista Fernando Haddad também baixou um ponto, ficando com 15%. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. Num eventual segundo turno, o candidato do PRB venceria o tucano (52% a 22%) e o petista (50% a 25%). Se Serra (33%) e Haddad se enfrentassem (37%), haveria uma situação de empate técnico. Se os números estiverem certos, o que temos? Segundo o Ibope, nesses 15 dias, Serra parou de cair (a oscilação de um ponto com margem de erro de três é irrelevante), e Haddad parou de subir. Ainda assim, como é evidente, os dois se encontram num patamar muito inferior ao do líder e não têm muitos motivos para comemorar. Mas por que a situação é pior para Haddad?

Não, não é só porque se situa na margem inferior do empate técnico — muito provavelmente atrás do tucano. Isso poderia estar em curso numa trajetória de ascensão. Mas o que a pesquisa registra é uma possível estagnação. E isso acontece quando dois de seus cabos eleitorais “fortes” entram em campo: a presidente Dilma e a ex-prefeita, agora ministra, Marta Suplicy. Lula, considerado por Marta a encarnação do próprio “Deus”, está na TV desde o início do horário eleitoral. Na quinta, dia 6, Dilma fez seu pronunciamento de Sete Setembro, no intervalo de “Avenida Brasil”. Na segunda, dia 10, passou a ser uma das estrelas da campanha. O Ibope fez as suas entrevistas entre segunda e quarta, em meio ao “bombardeio Lula-Dilma-Marta”. Não só a candidatura não se moveu como pode ter perdido fôlego.

Espero que o PT se comporte desta vez. A memória não depõe a favor do partido. Em dificuldades em 2006, tentou o dossiê dos aloprados; buscando dar a grande arrancada em 2010, montou um bunker para fazer mais um falso dossiê contra Serra. Que resista, desta feita, à tentação da baixaria. Adiante. Uma próxima pesquisa dirá se há mesmo aí uma tendência. De todo modo, há 15 dias os petistas anunciam uma ultrapassagem, plantando notinhas na imprensa, que se esquece de acontecer. Sabem que seu próprio tracking (pesquisa telefônica diária) não é nada bom para o seu candidato.

Vamos adiante. No dia 11, escrevi aqui um post intitulado “Russomanno resolveu baratear o progressismo e o conservadorismo. E a imprensa ‘iluminista’ não sabe o que fazer com ele. Bem feito!”. Evidenciei ali como o jornalismo dito “progressista” criou um monstrengo eleitoral chamado Russomanno, que vai para o segundo turno, com chances reais de vencer o adversário. Tomando emprestado, em outro contexto, um mote do querido Diogo Mainardi, escrevo: “acreditem em mim!”. Naquele texto, escrevi isto:

O que se chama “fenômeno” não tem nada de misterioso ou inexplicável, já escrevi aqui. O rapaz que é incapaz de manter um diálogo consequente sobre a cidade, além das frases de efeito, conseguiu se tornar o beneficiário tanto do sentimento de rejeição à gestão Kassab — meticulosamente cultivado pelos supostos bem-pensantes ao longo de quase quatro anos — como da rejeição, vejam que coisa! — ao próprio petismo.

Num caso, basta-lhe a) fazer críticas fáceis e erradas à administração; caso vença e ponha em prática tudo o que promete, aí, sim, conheceremos o caos na cidade. No que concerne à rejeição ao petismo, b) basta-lhe exercer o que costumo chamar de “conservadorismo rancoroso e desinformado”, e pronto! A imprensa, esmagadoramente pró-Haddad, não sabe lidar com isso. Algumas das “denúncias” que faz contra Russomanno só contribuem ou para fortalecê-lo para consolidar sua posição. Nem por isso têm de ser evitadas. Apenas registro um fato.

Volto

Leiam estes dados colhidos pela Pesquisa Ibope, segundo o Estadão Online:

A pesquisa mais recente revela que, nas regiões da cidade nas quais candidatos do PT venceram nas últimas três eleições majoritárias (para presidente, governador e prefeito), nada menos que 40% dos eleitores indicam Russomanno como seu preferido. É o dobro da taxa obtida por Haddad. Nas mesmas áreas, Serra tem apenas 10%.
Nas zonas antipetistas, onde o partido perdeu nas últimas três eleições, o candidato do PRB também está na frente, mas com índice menor: 31%. O tucano vem em seguida, com 25%, e Haddad aparece com 12%.”

O “Data Tio Rei” não pesquisa eleitores; pesquisa só a lógica. O eleitorado tradicionalmente petista na periferia não é exatamente “petista”, mas “petizado”, o que é coisa muito diferente. Ser esquerdista, no Brasil, requer certos privilégios de classe que o povo não tem; esquerdismo é coisa de rico. O PT costuma seduzir essas camadas com a sua crítica fácil e suas promessas mirabolantes. Russomanno tem-se mostrado melhor nessas artimanhas. E, como se vê, tomou um naco do eleitorado do partido. Mas também conquistou, já expus os motivos, uma fatia dos paulistanos antipetistas — ainda que com seu conservadorismo mequetrefe.

Em tese (em tese, reitero!), dadas as características dos respectivos eleitorados, Serra tem mais condições de retomar alguns eleitores que desertaram da base do PSDB do que Haddad de retomar alguns que desertaram da base do petismo. No primeiro turno, no entanto, a esta altura do jogo, não é uma tarefa fácil. Os brancos e nulos (13%) e os que não opinaram (6%) somam ainda 19%, o que é muita coisa. Parece que tucanos e petistas sabem que sua principal tarefa agora é impedir que a maioria dessa massa migre para o adversário, consolidando o segundo lugar — e isso explica o acirramento dos embates entre Haddad e Serra.

Quarto cabo eleitoral
E olhem que Haddad tem um quarto cabo eleitoral militante: amplos setores da imprensa paulistana, grandes propagadores do “novo”. Não perceberam que Russomanno surfava justamente na onda da “novidade” — onda que parece ter força para chegar à praia do primeiro turno.

Não há nada decidido, é claro! Uma pesquisa do Datafolha do dia 13 de setembro de 2008 apontava Gilberto Kassab com 21%, Geraldo Alckmin com 20% e Marta Suplicy com 37%. Kassab se elegeu no segundo turno com mais de 60% dos votos válidos.

Uma nota final
O grande fiasco dessa eleição atende pelo nome de Gabriel Chalita. A sua fórmula que parecia mágica — um peemedebista tão sensato que parecesse tucano e tão “do social” que parecesse petista — deu com os burros n’água. O seu ar beato seduziu pouca gente (6% por enquanto, segundo Ibope), mesmo prometendo ônibus de graça para “estudantes carentes”. Na próxima, convém prometer tênis de graça, camiseta de graça, cerveja de graça, livros de poesia de graça, graça de graça… Quem sabe dê certo.

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 6:31

Oriente Médio e Inverno Árabe – Entre uma ditadura amiga e uma ditadura hostil, nenhuma opção é boa, mas só uma é sensata

Escrevi ontem um texto sobre o que chamo, faz tempo, de “inverno árabe” — bem antes de Mitt Romney; foi ele que me copiou (o pior é que tem há petralha que leva o gracejo a sério) —, e algumas confusões se instalaram. Vamos ver. Eu não faço distinção entre boas e más ditaduras. Se ditaduras, todas são ruins e têm de ser derrubadas. Mas exijo, para que lhes reconheça a superioridade moral, que as forças que tentem ou consigam derrubá-las sejam, então, partidárias da democracia. É o que se vê na dita “Primavera Árabe”? Perdoem-me, mas não é. E acho, como atestam os arquivos, que percebi isso bem precocemente.

Eu nunca caí na “Revolução do Facebook”, como se a rede de relacionamentos fosse o símbolo de uma sede de modernidade que aqueles povos trouxessem, em si, latente. Considero isso tudo feitiçaria teórica. Acho encantadora a ideia de que os terroristas e fundamentalistas odeiam o Ocidente porque, no fundo, temem a vontade de mudança que carregam em si mesmos. A tese é bonitinha, mas pode render, no máximo, um bom ensaio psicanalítico: “Eu te mato porque te desejo”. Na ordem dos fatos do mundo, as coisas não são assim.

A “revolução” no Egito foi, desde sempre, comandada pela Irmandade Muçulmana. Os ‘liberais” que aderiram alimentaram a ilusão de sempre nesses casos. Ajudam a angariar o apoio do Ocidente para a causa dos radicais. Há quem veja na Irmandade o caminho para uma democracia islâmica? Há, sim! Não é o meu caso. A revolução na Líbia contou com a participação dos jihadistas desde o princípio — e mais a miríade de grupos religiosos. E foram as várias tonalidades de fundamentalismo que se manifestaram na Tunísia, no Iêmen e onde quer que a onda tenha chegado — frequentemente, com financiamento das ditaduras da Arábia Saudita e do Catar. No caso desse emirado, então, a coisa chega a ser patética: sua emissora de televisão, a Al Jazeera, passou a ser tratada pela imprensa ocidental como fonte confiável de informação, que obedeceria a critérios de isenção jornalística. Tenham paciência!

O teor de democracia aumentou, na média, na região? A resposta é desenganadamente negativa. Sem eleição, não há democracia. A existência de eleição, no entanto, não é evidência de democracia. Pode-se recorrer às urnas para impor, por exemplo, uma ditadura de maioria, sim. Afinal, o regime democrático supõe também um conjunto de valores — e a tolerância com a divergência é um deles, se não for o seu pilar principal. O teor de fundamentalismo aumentou, na média, na região? Aí a resposta é desenganadamente positiva. E onde o fundamentalismo religioso cresce, a democracia fenece ou não vinga. É da natureza das coisas. Os dois valores não conseguem ocupar o mesmo lugar no espaço intelectual, moral e institucional.

Eu queria que os EUA continuassem a dar suporte às ditaduras árabes, algumas suas tradicionais aliadas? Ninguém vai me flagrar afirmando: “Apoie aquela ditadura ali”. Mas não vi bons motivos, e ainda não vejo, para que os EUA, sob o comando deste impressionante Barack Obama, decidisse aderir a forças tão antidemocráticas quanto as que estavam caindo em desgraça, com o agravante de que são, ademais, virulentamente antiamericanas e antiocidentais.

Ora, a adesão encantada do Ocidente àqueles movimentos já trai uma ilusão no próprio nome de batismo: “Primavera Árabe”, nome que surgiu primeiro na imprensa ocidental, aludindo, como é evidente, às “primaveras” dos países que tentaram se livrar do jugo soviético no século passado. Naquele caso, sim, tratava-se de um movimento em defesa dos direitos fundamentais, da liberdade de expressão, da, enfim, democracia. Nunca foi o caso das revoltas árabes. Toda ditadura é ruim. Nem toda força que se opõe à ditadura de turno é boa.

Mensagem do poder
Ora, qual é a mensagem que os novos poderes passam às massas radicalizadas por prosélitos religiosos? No mais das vezes, açulam o sentimento religioso. Veja-se o pretexto de agora para as revoltas que pipocaram pelos países islâmicos. Tudo teria acontecido por causa de um filme amador, produzido nos EUA, cujos trechos teriam chegado, via Youtube, aos países islâmicos. Como foi considerado ofensivo ao Islã, então as massas saem ensandecidas, queimando e matando os “adversários”…

O que fez o governo da Irmandade no Egito, por exemplo? Duas coisas: está reprimido os mais exaltados, ofereceu proteção aos potenciais alvos dos agressores, mas, ao mesmo tempo, marcou uma manifestação pública de repúdio ao tal filme. Não faltará entre nós quem veja nisso um ato de esperteza e de até habilidade política — afinal, ao controlar a manifestação e assumi-la como oficial, estar-se-ia, ao mesmo tempo, pondo a massa sob controle!

Uma ova! Essa dialética do obscurantismo não me seduz. À ditadura do de Mubarak, no Egito, deveria ter se sucedido um governo que fosse à televisão deixar claro à população que não cabe a um país tentar impedir a ação de indivíduos de outros países. “Ah, Reinaldo, você não espera, agora, que um governo islâmico vá explicar à sua população que, nas democracias, as pessoas põem fogo na Bíblia, no Corão, da bandeira…” Eu não espero nada! Só não me peçam que me encante com um governo que decida dar uma direção moderada para o sectarismo. Tampouco me peçam que aplauda Barack Obama por ter confundido a Primavera do Fundamentalismo com a Primavera da Razão.

Na Líbia, relembro, os EUA aderiram a um dos lados de uma guerra civil. Quem derrubou Kadafi foi a Otan. Os assassinos dos diplomatas chegaram ao poder pelas mãos de Obama e David Cameron. E isso é só matéria de fato. Muito bem! Como é que esses novos governos devolvem os males para a Caixa de Pandora? Mimetizando os métodos das ditaduras que derrubaram? Poderiam ter chegado ao poder, ao menos, sem a ajuda de Obama… De resto, houvesse uma de duas opções — uma ditadura amiga e uma ditadura hostil —, nenhuma opção seria boa, mas só uma seria sensata.

Que fique bem claro uma coisa: eu não estou escolhendo ditadura nenhuma. Quem escolheu foi o presidente dos EUA. Daí Hillary Clinton ter ficado tão surpresa: “Como isso pôde ter acontecido em um país que ajudamos a libertar, na cidade que ajudamos a salvar?”.

Pois é, tia…

Por Reinaldo Azevedo

14/09/2012

às 0:28

Valério e seus sócios vão para a cadeia

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA.com:

Após 23 sessões de julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou o publicitário Marcos Valério de Souza, operador e um dos símbolos do escândalo que assolou o governo Lula, a cumprir uma longa pena trancafiado numa cela.

Valério, o “carequinha” que emergiu após o estouro do mensalão em 2005, cumprirá pena pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e peculato. Até o final do julgamento, ainda responderá pelos crimes de formação de quadrilha e evasão de divisas em dezenas de operações fraudulentas. Somadas, as penas imputadas a ele ultrapassam oito anos de prisão, o que obriga o cumprimento em regime fechado. O tempo que ficará trancafiado será muito maior devido aos agravantes – chefiar um núcleo do esquema, por exemplo -, mas esse cálculo só será feito após o término do julgamento, na chamada fase da “dosimetria”.

Além de Valério, classificado ainda na fase pré-julgamento pelo ministro Joaquim Barbosa como “expert em lavagem de dinheiro”, outros réus já julgados na ação penal do mensalão correm o risco de ter de preparar a mudança para um presídio federal. Os banqueiros Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, que colocaram o Banco Rural a serviço do esquema criminoso com empréstimos fraudulentos e administração bancária à margem da lei, já foram apenados por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. As penas mínimas dos dois ilícitos, juntas, chegam a seis anos de reclusão. E eles também podem ser condenados por evasão de divisas e formação de quadrilha.

Os réus João Paulo Cunha, deputado federal, o ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, e os sócios de Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz completam a lista dos já condenados por mais de um crime no julgamento do mensalão e também devem amargar o cumprimento de pena em reclusão.

Elo direto com o núcleo político do escândalo, Marcos Valério deve ter suas atividades ilícitas utilizadas pelo ministro Joaquim Barbosa como argumento na próxima semana para pedir a condenação dos parlamentares que, corrompidos, venderam votos em benefício do governo Lula.

O publicitário mineiro foi apresentado ao PT pelo ex-deputado Virgílio Guimarães, que levou o operador do esquema criminoso diretamente ao então tesoureiro petista, Delúbio Soares. Os tentáculos do publicitário nas repartições da República foram verificados ainda na intermediação dele para que a banqueira Kátia Rabello pudesse se reunir com o então todo-poderoso ministro da Casa Civil José Dirceu e negociar diretamente benefícios da liquidação do Banco Mercantil, de Pernambuco. Esses fatores serão cruciais para os ministros comprovarem a ligação entre o publicitário e parlamentares que, a partir de propinas, venderam seus votos no Congresso.

Por Reinaldo Azevedo

 

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