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Arquivo de 18 de Abril de 2012

18/04/2012

às 22:58

Estaria Lewandowski dizendo que ainda vai demorar?

É… Não sei, não!

O ministro Ricardo Lewandowski renunciou à presidência do Tribunal Superior Eleitoral, como viram, para, segundo informou, dedicar-se mais intensamente à revisão do processo do mensalão… Carmen Lúcia assume o cargo.

Os otimistas diriam: “Que bom!!!”

Os realistas talvez devam lamentar. Estaria isso querendo dizer que ele ainda vai demorar, que falta muita coisa, que está longe da conclusão? Eu imaginava que o ministro já estivesse ali pelos finalmentes, pronto para botar o ponto final, cutucar a obra e ordenar: “Parla!”

Pelo visto…

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 22:00

Câmara dos Vereadores de SP aprova a absurda doação de um terreno público para o Instituto Lula contar mentiras aos paulistanos e ao conjunto dos brasileiros

A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou, por 37 votos a 10, a cessão de um terreno público no Centro de São Paulo para a construção do “Memorial da Democracia”, que será um braço do Instituto Lula. O ex-presidente reivindicou a área, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) gostou da ideia e mandou a proposta à Câmara. Haverá ainda uma segunda votação. O que

No dia 15 de fevereiro, escrevi o que penso desta patuscada. O texto é este.

Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos vereadores que querem doar patrimônio público para o falso “Memorial da Democracia” do PT. Se houver resposta, juro que publico!

O Instituto Lula quer construir no Centro de São Paulo, num terreno que fica na antiga Cracolândia, o que chama “Memorial da Democracia”, que reunirá, com especial ênfase, um acervo de documentos e objetos dos oito anos de mandato do Apedeuta. Os petistas agora dizem que pretendem dar atenção também a outros momentos importantes da história, como a luta contra a escravidão, a proclamação da República etc. Para tanto, pediram à Prefeitura de São Paulo a cessão do tal terreno, com o que concordou o prefeito Gilberto Kassab (PSD), que já enviou o pedido à Câmara, onde tem folgada maioria. Então ficamos com o roteiro completo para o triunfo da mistificação: Lula, um ex-presidente bastante popular, pede um terreno ao prefeito; este, que vive uma fase de aproximação com o PT, acha a idéia boa e envia a mensagem à Câmara, onde tem maioria. A maioria dos vereadores tende a concordar: quem não é fiel a Lula é fiel a Kassab. Resta ao Ministério Público demonstrar se tem ou não vergonha na cara e memória histórica ou se também está rendido a um partido político. E por que escrevo assim?

O escracho já começa no nome do empreendimento. O inspirador do “Instituto Lula” – que quer privatizar uma área de mais de 4 mil metros quadrados, que pertence a todos os moradores de São Paulo – decidiu, como se vê, privatizar também a democracia. Julga-se no papel de quem pode ser o inspirador de um “memorial”. É uma piada grotesca, típica de asininos enfatuados, de exploradores da boa-fé pública. Se Lula é o senhor de um “Memorial da Democracia”, o que devemos a Ulysses Guimarães, por exemplo? A canonização? Estamos diante de uma pantomima histórica, de uma fraude.

Tenho algumas perguntas a fazer a Lula, a Kassab e aos vereadores que estão doidos para cair de joelhos.

1: Constituição - A negativa dos petistas em participar da sessão homologatória da Constituição de 1988, uma das atitudes mais indignas tomadas até hoje por esse partido, fará parte do “Memorial da Democracia”, ou esse trecho será aspirado da historia, mais ou menos como a ministra da Mulher diz que aspirava úteros na Colômbia?

2: Expulsões - A expulsão dos três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, pondo fim à ditadura – Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes – fará parte do “Memorial da Democracia”, ou isso também será aspirado da história, como a Universidade Federal de Santa Catarina aspirou a entrevista da agora ministra da Mulher? Em tempo: vi dia desses Soares negar na TV Cultura que tivesse sido expulso. Diga o que quiser, agora que fez as pazes com a legenda. Foi expulso, sim!

3: Governo Itamar – A expulsão de Luíza Erundina do partido porque aceitou ser ministra da Administração do governo Itamar, cuja estabilidade era fundamental para a democracia brasileira, entra no Memorial da Democracia, ou esse fato será eliminado da história junto com os fatos, os fetos, as fotos e os homens que não são do agrado do petismo?

4: Voto contra o Real - A mobilização do partido contra a aprovação do Plano Real integrará o acervo do Memorial da Democracia, ou os petistas farão de conta que sempre apostaram na estabilidade do país?

5: Guerra contra as privatizações - As guerras bucéfalas contra as privatizações – o tema anda mais atual do que nunca – e todas as indignidades ditas contra a correta e necessária entrada do capital estrangeiro em setores ditos “estratégicos” merecerá uma leitura isenta, ou o Memorial da Democracia se atreverá a reunir como virtudes todas as imposturas do partido?

6: Luta contra a reestruturação dos bancos - A guerra insana do petismo contra a reestruturação dos bancos públicos e privados ganhará uma área especial no Memorial da Democracia, ou os petistas farão de conta que aquilo nunca aconteceu? Terão a coragem, já que são quem são, de insistir na mentira e de tratar, de novo, um dos pilares da salvação do país como um malefício, a exemplo do que fizeram no passado?

7: Ataque à Lei de Responsabilidade Fiscal - Os petistas exporão os documentos que evidenciam que o partido recorreu à Justiça contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, tornada depois cláusula pétrea da gestão de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda?

8: Mensalão - O Memorial da Democracia vai expor, enfim, a conspiração dos vigaristas, que tiveram o desplante de usar dinheiro sujo para tentar criar uma espécie de Congresso paralelo, alimentado por escroques de dentro e de fora do governo? O prédio vai reunir os documentos da movimentação ilegal de dinheiro?

9: Duda Mendonça na CPI - Haverá no Memorial da Democracia o filme do depoimento de Duda Mendonça na CPI do Mensalão, quando confessou ter recebido numa empresa no exterior o pagamento da campanha eleitoral de Lula em 2002? O museu de Lula terá a coragem de evidenciar que ali estava motivo o bastante para o impeachment do presidente?

10: Dossiê dos aloprados – O Memorial da Democracia que tanto entusiasma Lula e Kassab trará a foto da montanha de dinheiro flagrada com os ditos aloprados, que tentavam fraudar as eleições – para não variar -, buscando imputar a José Serra um crime que não cometera? Exibirá a foto do assessor de Aloizio Mercadante, que disputava com Serra, carregando a mala preta?

11: Dossiê da Casa Civil - Esse magnífico Memorial da Democracia trará os documentos sobre o dossiê de indignidades elaborado na Casa Civil contra FHC e contra, pasmem!, Ruth Cardoso, quando a titular da pasta era ninguém menos do que Dilma Rousseff, e sua lugar-tenente, ninguém menos do que Erenice Guerra?

12: Censura à imprensa - Kassab, que quer doar o terreno, se comprometeria a pedir a Lula que o Memorial da Democracia reunisse as evidências das muitas vezes em que o PT tentou censurar a imprensa, seja tentando criar o Conselho Federal de Jornalismo, seja introduzindo no Plano Nacional de Direitos Humanos mecanismos de censura prévia?

13: Imprensa comprada e vendida - Teremos a chance de ver os contratos de publicidade do governo e das estatais com pistoleiros disfarçados de jornalistas, que usam o dinheiro público para atacar a imprensa séria e aqueles que o governo considera adversários nos governos dos Estados, no Legislativo e no Judiciário?

14 – Novo dossiê contra adversário – O Museu da Democracia do Instituto Lula reunirá as evidências todas das novas conspiratas do petismo contra o candidato da oposição em 2010, com a criação de bunker para fazer dossiês com acusações falsas e a quebra do sigilo fiscal de familiares do candidato e de dirigentes tucanos?

15 – Uso da máquina contra governos de adversários - A mobilização da máquina federal contra o governo de São Paulo em episódios como o da retomada da Cracolândia e da desocupação do Pinheirinho entrará ou não no Memorial da Democracia como ato indigno do governo federal?

16 – Apoio a ditaduras - O sistemático apoio que os petistas empenham a ditaduras mundo afora estará devidamente retratado no Memorial da Democracia? Veremos Lula a comparar presos de consciência em Cuba a presos comuns no Brasil? Veremos Dilma Rousseff a comparar os dissidentes da ilha a terroristas de Guantánamo?

Fiz acima perguntas sobre 16 temas. Poderia passar aqui a noite listando as vigarices, imposturas, falcatruas e tentativas de fraudar a democracia protagonizadas por petistas e por governos do PT. As que se lêem são apenas as mais notórias e conhecidas.

NÃO! ERRAM AQUELES QUE ACHAM QUE QUERO IMPEDIR LULA – E O PT – DE CONTAR A HISTÓRIA COMO LHE DER NA TELHA. QUEM GOSTA DE CENSURA SÃO OS PETISTAS, NÃO EU! O Apedeuta que conte o mundo desde o fim e rivalize, se quiser, com Adão, Noé, Moisés ou o próprio Deus, para citar alguém que ele deve julgar quase à sua altura. MAS NÃO HÁ DE SER COM O NOSSO DINHEIRO.

Kassab tem o direito de doar uma área pública para aquilo que será, necessariamente, um monumento à versão da história de um só partido, com especial ênfase no trabalho de um líder? Não! Essa conversa de que será uma instituição suprapartidária é mentirosa desde a origem. Supor que Paulo Vannuchi – JUSTAMENTE O RESPONSÁVEL POR AQUELE PLANO SINISTRO QUE DIZIA SER DE DIREITOS HUMANOS E QUE PREVIA CENSURA PRÉVIA – e Paulo Okamotto possam ter qualquer iniciativa que não traga um viés petistas é tolice ou má fé. Ou, então, o prefeito transforme o centro de São Paulo numa espécie de Esplanada dos Partidos. Por que só para Lula?

Fique de olho, leitor! Se você for petista, deve achar a doação de um terreno a Lula a coisa mais normal do mundo, um presente merecido. Se não for, veja lá o que vai fazer o vereador. Se ele disser “sim” à proposta, estará sendo generoso com o seu dinheiro, com aquilo que lhe pertence.

Espalhe este texto. Herói é você, que sobrevive no Brasil mesmo com a classe política que aí está, não Lula. Ele é só um contumaz sabotador de governos alheios, que agora pretende, com a ajuda do prefeito e dos vereadores, tomar um terreno que pertence à população de São Paulo para erguer no lugar o Museu das Imposturas. De resto, basta que ele estale os dedos, e haverá empresários em penca dispostos a lhe encher as burras de grana. Que compre o terreno! E Kassab que transforme esse dinheiro em creches.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 21:40

Copom corta Selic em 0,75 ponto porcentual

Por Naiara Bertão, na VEJA Online:
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou na noite desta quarta-feira um corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic). A redução leva os juros ao patamar de 9% ao ano – número publicamente almejado pela presidente Dilma Rousseff, que em várias ocasiões expressou que gostaria que a taxa chegasse a esse nível antes do final de 2012. Com o corte de hoje, alguns analistas esperam, inclusive, que a Selic termine o ano abaixo de 9%.

Trata-se do sexto corte consecutivo efetuado pelo Copom durante o governo da presidente Dilma. Também é a primeira vez, desde 2010, que a Selic chega a 9% ao ano. A autoridade monetária afirmou que a queda foi motivada pela forte desaceleração da inflação. “O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9% a.a., sem viés”, afirmou, em nota

O corte não foi surpresa. Em sua última ata, divulgada em março, o Copom sinalizou ao mercado que manteria o ritmo de corte de juros, pelo menos até a próxima reunião. Contudo, a grande questão que se coloca é se há espaço para mais cortes em 2012, ou se a taxa se manterá em 9% ao longo de todo o ano. Diante das constantes e rápidas mudanças de opinião do BC, analistas hesitam em apostar em um só cenário.

Incertezas
Ainda que uma maioria considerável aguarde hoje a manutenção dos 9% ao longo de todo o ano, as apostas podem mudar. Basta relembrar como a maior parte do mercado apostava em uma queda de 0,5 ponto porcentual na reunião de março, mas em questão de dois dias, houve mudança brusca de opinião. Sérgio Vale, analista-chefe da MB Associados, abre a possibilidade de cortes ainda maiores na Selic mediante dados de atividade muito fracos ou inflação baixa no curto prazo. “Mesmo que não saia nenhuma nota específica sobre isso na Ata (do Copom) na semana que vem, essa possibilidade é plausível porque o BC tem mudado sistematicamente suas decisões em relação ao que tem escrito nos textos”, diz o economista.

No mercado de juros futuros, investidores apostam em novas quedas. Nesta quarta-feira, a curva de juros indicava algumas estimativas de corte de 0,25 p.p. na próxima reunião do Copom, em maio, segundo operadores.

Aquecimento econômico
A manutenção da taxa em 9% será explicada, segundo economistas, apenas se o país apresentar uma considerável aceleração econômica a partir do segundo semestre ocasionada, entre outros fatores, pelas próprias medidas de estímulo do governo. Segundo Alexandre Andrade, analista da Votorantim Corretora, possivelmente a economia brasileira passará por um período de retomada, o que pode acarretar, inclusive, o aumento da inflação. “Como as medidas de estímulo anunciadas pelo Banco Central recentemente, entre elas a queda nos juros, demoram um tempo para fazer efeito, é provável que o BC mantenha a Selic em 9%”, diz Andrade.

Contudo, se depender do Índice de Atividade Econômica medido pelo BC (IBC-Br) – considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB) -, tal aquecimento está ainda fora do radar. O indicador caiu 0,23% em fevereiro ante janeiro, como divulgou a entidade na segunda-feira. No primeiro mês do ano, ele já havia recuado 0,18% frente ao índice de dezembro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:54

“Ninguém pressiona juiz do Supremo”, diz Lewandowski. Isso vale para Lula também, certo?

Há certas coisas curiosas. Mais de uma vez critiquei discursos de ministros do Supremo que, muitas vezes, na falta de um argumento lógico ou sustentando no texto da lei, apelaram à chamada “voz rouca das ruas”. O único dever de um juiz é decidir segundo a voz clara da lei. Se não é tão clara, a sua interpretação tem de estar conforme, ao menos, o espírito do texto. Muito bem.

Leio num texto do Portal G1 que o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão —  hoje, o início do julgamento só depende dele —, afirmou que “ninguém pressiona juiz do Supremo”. Que bom! Tomara que não mesmo! Eu só não entendi a quem ele está se referindo. “Pressão”, em sentido estrito, quem faz até agora foram os petistas, como Lula, Rui Falcão e João Paulo Cunha, aquele que tentou marcar audiência com cinco ministros do Supremo. Leiam o texto. Volto em seguida.
*
O julgamento do caso, que vai determinar a responsabilidade de 38 réus no suposto esquema de compra de apoio político no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depende somente da liberação de Lewandowski, revisor do relatório do ministro Joaquim Barbosa.

“Ninguém pressiona juiz do Supremo Tribunal Federal. Jamais ocorreu isso na história. Nem os próprios colegas têm condições ou teriam condições de pressionar outro colega. O juiz da Suprema Corte é absolutamente independente. A Constituição lhe garante isso”, afirmou o ministro.

Nesta terça (17), em entrevista ao jornalista Gerson Camarotti, do Jornal das Dez, da Globo News, Lewandowski já havia rechaçado as supostas pressões. “Assim como eu não pressiono meus pares, também não aceito nenhuma pressão em relação a qualquer processo que esteja em tramitação no meu gabinete”, declarou na entrevista.

Ainda assim, afirmou que o processo é importante e merece ser julgado com a “maior celeridade possível”. “Evidentemente, eu respeito a opinião pública brasileira, entendo que é um processo importante, que merece e que deverá ser julgado com a maior celeridade possível”, afirmou.
(…)

Voltei
A pressão como manifestação da vontade de parcelas consideráveis da sociedade brasileira é legítima. Observem que ninguém está tentando obrigar Lewandowski a condenar quem quer que seja. O que se quer saber — com a mais absoluta legitimidade, já que ele é um funcionário graduado do estado brasileiro e, pois, dos brasileiros — é a razão da demora. Há de haver alguma. Certamente Lewandowski não decidiu fazer o que o latino Horácio recomendava que os poetas não fizessem: começar seu trabalho pelo nascimento das musas.

Passaram-se já seis anos desde as denúncias feitas por Roberto Jefferson, com uma pletora de evidências de crimes e pilantragens apresentadas pela CPI e pela imprensa. Será que o ministro reconhece, ao menos, a legitimidade da manifestação da sociedade em favor de um desfecho? Ninguém está tentando lhe impor uma sentença. Que inocente quem quiser. Mas que não impeça os demais de expressar seu julgamento.

A despeito da garantia dada por Ayres Britto de que o mensalão será julgado ainda neste ano, pouco importando o processo eleitoral, todos sabemos que a conjuntura conspira contra caso Lewandowski decida esperar, por exemplo, a saída de Cezar Peluso e até do próprio Britto. O ministro negue o que quiser, mas sabe que não pode negar que foi, sim, pressionado pelo próprio Lula, com cuja família mantém uma relação de amizade, a retardar a apresentação do seu trabalho de revisão. Sabe que isso aconteceu. Sabe que isso é verdade. Não consta que tenha vindo a público reclamar de pressão.

Ora, dou meu voto de confiança ao ministro, né? Espero que as pressões do Apedeuta lhe tenham entrado por um ouvido e saído por outro. Eu, por exemplo, não reivindico que Lewandowski apresente logo o seu texto só para que prove a sua independência e para que evidencie que suas afinidades eletivas não interferem em seu juízo. Nada disso! Reivindico que ele cumpra o dever porque há houve tempo suficiente para isso.

“Ah, essa coisa do tempo é relativa e subjetiva…” Não é, não! Basta ver há quanto tempo estão disponíveis para os ministros  os dados todos que interessam para que se tome a decisão. Entendo que Lewandowski queira rechaçar a pressão das ruas. Mas ele não tem como rechaçar a pressão do óbvio.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:29

UE estuda suspensão de vantagens tarifárias à Argentina

Na VEJA Online:
O Parlamento Europeu finaliza uma resolução sobre a decisão da Argentina de expropriar 51% do capital da companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, na qual proporá que a União Europeia suspenda parcialmente as vantagens tarifárias que concede ao país. A última versão da resolução, que tem o apoio de quase todas as forças parlamentares -com exceção da Esquerda Unitária e dos Verdes – condena com veemência a medida do Executivo de Cristina Kirchner e pede para a Comissão Europeia e para o Conselho da UE  “estudar e adotar, em defesa dos interesses europeus, quantas medidas forem necessárias para evitar que se reproduzam situações como as atuais”.

Entre outras ações, os parlamentares pedem a inclusão de uma “possível suspensão parcial” da Argentina do Sistema de Preferências Generalizadas (SGP), que beneficia as exportações do país para o mercado comunitário. A Comissão já tinha programado excluir a Argentina deste esquema em 2014, junto de outros países, por considerar que seu nível de riqueza é suficientemente elevado para continuar tendo esse tipo de vantagem.

Decisão
Segundo fontes da Comissão Europeia, no entanto, a lista de países beneficiados com essas medidas, concedidas àqueles que preencham requisitos relacionados com o respeito aos direitos humanos e ao estado de direito para ajudar seu desenvolvimento, “não é decidida de um dia para outro”.

A resolução, que será votada em sessão plenária na cidade francesa de Estrasburgo na próxima sexta-feira, “deplora a decisão tomada pelo Governo argentino, sem levar em conta uma solução negociada, de proceder à desapropriação da maior parte das ações de uma companhia europeia, já que representa uma decisão unilateral e arbitrária”.

A resolução também considera que a nacionalização da YPF representa um “ataque ao exercício da livre empresa e ao princípio de certeza legal, deteriorando assim o clima empresarial para os negócios da UE no país”. Os parlamentares também constatam que a decisão do Governo argentino “se refere a uma só empresa do setor e apenas a uma parte de seu conjunto de acionistas, o que poderia ser considerado discriminatório”.

Cordialidade
A resolução assinala que medidas como a tomada pelas autoridades do país podem diminuir o clima de cordialidade e entendimento necessários para fechar as negociações em curso para um acordo de associação UE-Mercosul. “Para que essas negociações sejam um êxito, as duas partes têm que conversar em um espírito de abertura e confiança mútua”, apontam. 
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:23

Seria isso o tal “controle social da mídia”, tão defendido pelo chefe de quadrilha (segundo a PGR) e deputado cassado por corrupção?

Não deixa de ser curioso que a banda, digamos “heavy metal” do petismo fale tanto em “controlar a mídia”. O grupo português OnGoing, por exemplo, chegou ao Brasil pelas mãos de José Dirceu. Oficialmente, é dona de menos de 30% das ações de uma empresa que detém quatro jornais no país (post anterior). Os outros 70,1%, oficialmente ao menos, pertencem a uma brasileira nata — só que casada com o português que preside a OnGoing…

Dirceu é tido em Brasília (ler post anterior) como muito influente no jornal “Brasil Econômico”, por exemplo, do qual é colunista e onde sua namorada é uma das mandachuvas. Agora, como se lê acima, os portugueses de Dirceu vão controlar justamente a parte de conteúdo e publicidade do Portal iG.

Seria isso o chamado “controle social” da mídia, tão defendido pelo chefe de quadrilha (segundo a PGR) e deputado cassado por corrupção?

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 19:04

Grupo português ligado a José Dirceu, “chefe de quadrilha” (segundo a PGR), assume o controle de conteúdo e publicidade do Portal iG

Vamos lá. O grupo português OnGoing comprou parte do Portal iG, que é controlado pela Oi. Passam para os portugueses as áreas de conteúdo e publicidade. As de serviço digital e acesso à internet continuam com a empresa de telefonia. A Yahoo! e o Grupo RBS também haviam demonstrado interesse, mas perderam a parada para a OnGoing, que já estão no Brasil: é acionista minoritária (29,1%) da empresa Ejesa, que edita os jornais “Brasil Econômico”, “O Dia”, “Marca” e “Meia Hora”.

A acionista majoritária (70,1%) é a brasileira nata Maria Alexandra Vasconcellos. Ocorre que ela é casada com o português Nuno Vasconcellos, presidente do grupo OnGoing. A lei proíbe que veículos de comunicação sejam controlados por estrangeiros. A questão já chegou a ser discutida em uma comissão da Câmara dos Deputados, mas ficou por isso mesmo.

Algo mais deve ser dito a respeito da OnGoing. Trata-se de um grupo de comunicação que tem uma forte influência do chefe de quadrilha (segundo a Procuradoria Geral da República) e deputado cassado por corrupção José Dirceu (PT). Nos bastidores de Brasília, ele é tratado como sócio — e alguns chegam a dizer “dono” — do jornal “Brasil Econômico”, do qual é colunista. Todos negam.

Evanise Santos, namorada do “chefe de quadrilha” (segundo a PGR), é diretora de marketing do jornal e da própria Ejesa. Dirceu tem muitos interesses e vínculos em Portugal. Em setembro do ano passado, a revista portuguesa “Visão” publicou uma reportagem de 12 páginas sobre as ligações algo obscuras de Miguel Relvas, político do país, com empresários brasileiros. Um dos protagonistas do enredo é Dirceu. Reproduzo trechos (em azul):

Dirceu está inelegível até 2015 e é o principal visado no caso que começará a ser julgado este ano e conta 36 acusados [mensalão]. Prova de que ainda mexe – e muito -, Dirceu foi capa da revista VEJA esta semana. A revista chama-lhe “O Poderoso Chefão”, título brasileiro para a saga de “Dom Corleone, O Padrinho” e uma forma de ilustrar a sua teia de influências no governo e nas empresas. Dirceu, agora consultor de multinacionais, conhece bem Portugal. E Miguel Relvas. O ministro português recorda tê-lo conhecido “por intermédio de amigos comuns”, sem relações empresariais pelo meio. “Encontrei-o ocasionalmente”, diz.

A “Visão” lembra de uma viagem que Dirceu fez a Portugal em 2007, onde viveu dias de nababo. No aeroporto de Lisboa, um brasileiro o saudou: “Tem ladrão na fila”. Segue mais um trecho da reportagem.

À espera de Dirceu [em Portugal] estava João Serra, dono da construtora Abrantina e sócio do escritório de advogados Lima, Serra, Fernandes e Associados. Da sociedade fazem parte Fernando Fernandes, ex-administrador da SLN (BPN) e atual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), organização maçônica a que estará ligado Relvas. Outro sócio que acompanhou Dirceu na estada na capital portuguesa foi Antônio Lamego, ex-advogado de José Braga Gonçalves no caso Moderna. Segundo Dirceu, Lamego era amigo do general João de Matos, ex-chefe do Estado-Maior do Exército angolano. Na época, os três combinaram encontrar-se na Costa do Sauípe, no Brasil, para tratar de negócios.

Nesses dias lisboetas, Dirceu ficou hospedado no Pestana Palace. Andou de Jaguar preto, jantou no Vela Latina, bebeu Pera Manca e disse querer investir em Angola. “Meu interesse é infraestrutura: rodovias, telefones, telecomunicações.” O consultor do milionário mexicano Carlos Slim e do magnata russo Berezevosky, falou também da sua atividade: promover negócios de portugueses no Brasil e de brasileiros em Angola. No dia da partida de Lisboa, Dirceu adormeceu e teve de correr para o aeroporto: “Lamentava ter comido muito e bebido duas garrafas de vinho na noite anterior em companhia do deputado Miguel Relvas, seu amigo há décadas” (…).

No Brasil, apontam a Dirceu ligações à Ongoing. Um dos links é Evanise Santos, a namorada. Também referida no “mensalão”, é diretora de marketing do Brasil Econômico, jornal do grupo e da Ejesa, empresa da mulher do líder da Ongoing. Amiga da presidente Dilma, Evanise foi coordenadora de relações públicas no Palácio do Planalto no tempo de Lula. Dirceu escreve no jornal. A investida da Ongoing no Brasil foi atribuída às influências de Dirceu, mas o grupo desmente. Reinaldo Azevedo, da Veja, não cai. “No meio político, o ‘Brasil Econômico’ é chamado “aquele jornal do Dirceu”, escreveu.

O ex-ministro é visto como um símbolo do pior que o País tem. (…)”Nada mudou depois do mensalão. A promiscuidade do Governo com seus aliados persiste”, afirma Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado. Para Fernão Lara Mesquita, jornalista e atual administrador do jornal O Estado de S. Paulo, mistério é coisa que não existe: “Se viesse um dia a cair no Brasil, Sherlock Holmes ficaria desempregado. Não há nada para descobrir. É tudo ‘sexo explícito’”, refere. Segundo ele, Dirceu “é o especialista nos trabalhos sujos. Tudo o que é realmente grande na roubalheira geral está a cargo dele”. Fernão Mesquita inclui na polêmica o caso Ongoing, grupo que considera o “cavalo de troia” da estratégia para o domínio multimédia no universo lusófono.

Num momento em que “o Brasil é o maior exemplo histórico de execução de um projeto de tomada de poder pelo controle dos meios de difusão da cultura ‘burguesa’”, a Ongoing “e os banqueiros por trás dela vieram a calhar”, aponta. A Ongoing, acionista da PT [Portugal Telecom], da Impresa e da Zon, é liderada, no Brasil, por Agostinho Branquinho, que não quis falar à VISÃO, invocando o seu “período de jejum” da política portuguesa. É amigo e companheiro de partido de Relvas.

O ministro tem em mãos a privatização da RTP e saberá do interesse da Cofina e da Ongoing no canal. No Brasil, o grupo viu arquivada uma queixa por alegada violação da lei relativamente às origens estrangeiras do seu capital. “A verdade prevalece, apesar das campanhas de alguma concorrência”, diz um porta-voz da empresa. Fernão Mesquita não ficou convencido. “Nunca superamos, vocês e nós, o sistema feudal. Seguimos vivendo sob um rei e seus barões. Não há poderes independentes.”

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 16:25

Time convida Cristina, a Neovermelha da Casa Rosada, para escrever sobre Dilma. O resultado é patético!

A presidente Dilma Rousseff está na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo segundo a revista Time. Não se trata de menosprezo, mas de fato: o chefe do Executivo do Brasil, qualquer que fosse, estaria fatalmente numa lista assim a esta altura. Essas eleições têm sempre um quê, ou muitos quês, de ridículo. Neste ano, integra o grupo, por exemplo, Manal al-Sharif. Quem é ela? Aquela mulher saudita que decidiu desafiar a lei e dirigir um carro! Um ato corajoso, sem dúvida! Mas cadê a “influência mundial”? O mundo muçulmano, pra começo de conversa, está se tornando progressivamente menos laico, e isso quer dizer mais hostil às mulheres, como demonstra o Egito “pós-revolução”. Os outros dois brasileiros do grupo são o empresário Eike Batista e a presidente da Petrobras, Graça Foster. Sigamos.

A Time sempre convida alguma personalidade para escrever uma minibiografia dos eleitos. A de Dilma é assinada pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner — a Neovermelha da Casa Rosada. O artigo original está aqui.

Cristina abre o texto comentando a já famosa foto em que  Dilma, presa, participa de uma auditoria militar. Os militares escondem o rosto com as mãos. Para Cristina, era a Dilma quem exibia o ar de desafio, acusando, então seus acusadores. Dá curso à fantasia criada pelos “dilmófilos” no Brasil segundo a qual os próprios militares estariam com vergonha de seu ato. É uma bobagem monumental! É ler o passado com os olhos do presente. Aquela não era uma sessão clandestina de tortura, tanto que estava sendo documentada. Eles escondiam o rosto por medo mesmo. Sabiam que corriam o risco de ser assassinados pelos grupos de extrema esquerda se a foto fosse tornada pública. E sem julgamento ou auditoria…

Cristina emenda: “A mulher que conheci em 2003, quando ela se tornou ministra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem o mesmo compromisso da menina da foto”. Tomara que não! A menina da foto lutava para instaurar uma ditadura comunista no Brasil. Dilma jurou defender a Constituição democrática.

Sabem como é… Cristina é quem é… E sempre será uma questão controversa, para os argentinos ao menos, decidir quem foi o melhor: Pelé ou Maradona. No momento, diga-se, eles querem desbancar Pelé com Messi, que atua na Espanha; Mas não por muito tempo se depender de Cristina e de seu garotão de costeletas grandes, o tal Axel Kicillof (ver post desta manhã)… A dupla pensa em enviar a Barcelona um comando especial para resgatar o jogador argentino. Kicillof já avisou: não pagarão um centavo pela “nacionalização” de Messi. Ele já sabe como explicar a decisão: dando um murro na mesa e chamando todo mundo de imbecil. Mas volto.

Com essa mania de jamais querer ficar atrás, de nunca perder para os “macaquitos”, Cristina resolveu ombrear a sua própria biografia com a de Dilma. Segundo ela, ambas compartilham “muitas experiências pessoais”, a saber: a herança imigrante, o ativismo, a militância juvenil e, claro, o desafios próprios das mulheres que “tentam crescer num espaço dominado por homens”. A presidente argentina estava dizendo que Dilma foi escolhida o Pelé da turma, mas que ela é Maradona… Não há um só registro de que Cristina ou Néstor tenham arriscado um fio de cabelo na luta contra a ditadura do seu país — de uma brutalidade assombrosa: 30 mil mortos. O casal começou a fazer fortuna atuando na advocacia. Mas a condição de milionários graúdos só veio mesmo com a política, especialmente depois que Néstor chegou à Presidência.

Cristina encerra seu texto de forma meio marota. Diz que, historicamente, o interesse de cada país da América Latina era sempre usado contra o do vizinho — inferindo, entendo, que isso concorreria para a desunião do continente. Agora, diz a Neovermelha da Casa Rosada, sob a liderança de Dilma, “vemos um Brasil convencido de que o interesse nacional está absolutamente ligado aos interesses de seus vizinhos”.

Huuummm…

Quando dá na telha, os argentinos impõem taxas a produtos brasileiros e mandam princípios do Mercosul às favas. Cristina e seu garotão das costeletas grandes simplesmente cancelaram uma concessão da Petrobras para exploração de petróleo. E passaram, vejam só, a cobrar mais investimento da empresa brasileira no país.

Cristina Kirchner assina, enfim, um perfil de Dilma para falar bem de si mesma e para defender ações de seu governo que lembram atos de pistolagem internacional.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 14:59

Deputada Distrital pede ao STJ a decretação da prisão do petista Agnelo Queiroz

A Casa Militar do governo do Distrito Federal, comandado por Agnelo Queiroz (PT), montou um aparelho clandestino de espionagem para obter dados sigilosos de políticos, especialmente de adversários, de procuradores e de jornalistas. Até o vice-governador foi investigado (ver post pubicado nesta terça). A Câmara Distrital decidiu criar uma CPI para investigar o caso. Reportagem da VEJA desta semana conta a história em detalhes.

A deputada distrital Celina Leâo (PSD) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a decretação da prisão de Agnelo, acusando-o de obstrução de investigação, intimidação de testemunhas e tentativa de eliminação de provas. O pedido está com o ministro César Asfor Rocha, relator do processo criminal a que o governador responde no tribunal.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 14:47

Oposição pressiona, e CPI será instalada já nesta quinta

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O governo terá maioria ampla, de 80%, nos cargos da CPI do Cachoeira. Mas, na guerra de imagem, a oposição saiu na frente. Diante da imprensa, parlamentares de PSDB, DEM e PPS fizeram na terça-feira um ato em prol da investigação. À noite, correram para entregar à Mesa Diretora do Congresso as assinaturas recolhidas em suas bancadas. Representantes de outros partidos não estavam preparados, mas correram para fazer o mesmo.

O desavisado Jovair Arantes (GO), líder do PTB, nem mesmo sabia onde estavam as assinaturas de sua bancada. Foi sozinho ao local e firmou apenas a própria assinatura. Tudo para não parecer que o partido estava jogando contra a CPI. “A oposição foi açodada”, reclamou Jilmar Tatto (SP), líder do PT – que também adiantou a entrega do requerimento assinado por sua bancada.

Mesmo com as assinaturas dos deputados entregues, faltava o requerimento com os apoios do Senado. Walter Pinheiro (BA), líder do PT e responsável por juntar as assinaturas, pretendia encerrar a coleta só na quinta-feira. Foi chamado, no entanto, às pressas para levar o requerimento à Mesa, já que a criação de uma CPI mista exige que Câmara e Senado entreguem seus pedidos ao mesmo tempo.

Com o adiamento da entrega das assinaturas, a oposição pressionou então pela instalação da CPI já nesta semana. A ideia era fazer o requerimento ser lido em plenário na quinta-feira, antecipando o rito desenhado pelo comando das Casas. Deu certo: a presidente em exercício do Congresso, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), formalizará a instalação da comissão na manhã desta quinta.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:37

LEIAM ABAIXO

O mensalão, o Supremo e as baixarias dos petistas em favor da impunidade;
O mensaleiro João Paulo Cunha já procurou cinco ministros do Supremo;
Cristina e seu jovem inspirador de costeletas grandes…;
Foco da CPI, construtora teria rede de laranjas para lavar quase R$ 26 milhões;
Demóstenes negociou verba para beneficiar empreiteira do PAC, sustenta MP; prefeito petista nega;
Governador de Goiás nega que Cachoeira influencie sua gestão;
Julian Assange: a última do delinquente com máscara de herói;
Câmara do Distrito Federal decide criar CPI para investigar arapongagem do governo Agnelo; no horizonte, o impeachment;
Hillary e o combate à corrupção no Brasil: um óbvio exagero. Ou: Os antiamericanos petralhas em estado de graça com o elogio da… americana!;
A CPI e o pior que pode acontecer. Ou: Cachoeira com a mão no botão vermelho;
A CPI E OS MEDOS DE CADA UM – No mundo do crime, não importa a origem dos ratos, o importante é que eles se organizem para comer os gatos;
Oposição faz ato de apoio a CPI no Congresso;
A investigada Ideli monta a equipe de… investigação;
Mensalão – Assim não, ministro Marco Aurélio! Ou: A linguagem que serve aos mensaleiros;
CONVOCO UMA TESTEMUNHA PARA AJUDAR A MANDAR OS MENSALEIROS PARA A CADEIA: LULA!;
Íntegra do discurso em que Lula pede desculpas pela existência do mensalão;
Mensalão precisa ser julgado logo, diz Peluso;
Diálogo em que dono de construtora íntima de Cachoeira diz que políticos têm preço foi revelado há um ano por VEJA!

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:27

O mensalão, o Supremo e as baixarias dos petistas em favor da impunidade

Ele não tem esse direito”.

Essa foi a sentença expedida pelo petista Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e um dos braços operativos de Lula, diante da hipótese de que Dias Toffoli, ministro do Supremo, possa se declarar suspeito para participar do julgamento do mensalão. Ex-advogado do PT e tendo uma namorada que atuou na defesa de um dos mensaleiros, não falta gente de bom senso que lhe recomende — ainda bastante jovem (44 anos) e com uma longa carreira pela frente no Supremo ou fora dele — que se inclua fora dessa. Ele diz não ver óbices à sua participação. Não parece um posicionamento muito sensato, já digo por quê.

Toffoli tem se comportado com bastante correção nos julgamentos. Até agora, gostei de todos os votos que proferiu. Fico bastante à vontade para dizê-lo porque fui um duro crítico de sua indicação, como todos sabem. E acho que os meus critérios estavam corretos. Justamente porque sei distinguir o certo do errado, destaco a correção de sua atuação. Por isso mesmo, ele tem de tomar cuidado. Ainda que visse motivos técnicos para inocentar este ou aquele (ou todos), ninguém acreditaria neles. Comprometeria sua trajetória no Supremo até aqui (curta, mas respeitável) e seu futuro. A um ministro do Supremo, como naquele clichê sobre a mulher de César, não basta ser honesto. É preciso parecer também. Se Toffoli parecerá honesto apenas condenando e se parecerá desonesto absolvendo, ainda que esteja atendendo apenas ao império de sua consciência, então é forçoso concluir que as circunstâncias — muitas delas de sua própria escolha — lhe tiraram a independência nesse caso.

A fala de Luiz Marinho, diga-se, é a evidência do cuidado que Toffoli deve tomar. Ao afirmar que o ministro “não tem o direito” de se declarar impedido, Marinho está dando o voto do outro como favas contadas, numa evidência escandalosa de desrespeito. O ministro já deu um mau passo recebendo em audiência o mensaleiro João Paulo Cunha (PT-SP) — ver post abaixo. Certo, certo… O deputado é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (o que é uma piada grotesca!), mas é também um dos peixões do processo. Não basta ser. Tem também de parecer!

Ayres Britto, o novo presidente do Supremo, garante que o mensalão será julgado neste ano, pouco importa se em período eleitoral ou não. É o que veremos. Em setembro, Cezar Peluso deixa a Corte porque faz 70 anhos. Em novembro, quem se aposenta é o próprio Britto. Digamos que Toffoli decida não participar. Há o risco de que o tribunal esteja reduzido a apenas oito pessoas. E não faltarão almas extremosas para sustentar que um processo com essa importância não pode ser julgado com quórum tão baixo.

Isso só evidencia a necessidade de o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, entregar logo o seu trabalho. Indagado quando este seria concluído,  saiu-se mal num gracejo: “Essa é a pergunta de US$ 1 milhão”. Num momento da vida pública brasileira em que tudo parece ter um preço, muito especialmente as convicções, é o tipo de piada infeliz, que parece escarnecer de uma justíssima demanda de amplos setores da sociedade brasileira, que já não aguentam mais tanta esculhambação.

A movimentação dos petistas para tentar melar o processo é digna da turma que protagonizou o maior escândalo de corrupção da história republicana. Caberá aos ministros do Supremo decidir se mantêm aceso o lume da esperança ou se o apagam de vez.

O tiro petista saiu pela culatra. Foi de tal sorte desavergonhada a mobilização, foram tantos os argumentos ridículos, foi tão escandalosa a pressão — de que a fala de Luiz Marinho é uma evidência — que amplos setores da sociedade despertaram para a questão.

Lewandowski tem de concluir o seu trabalho de revisão. Ou tem de dizer por que não conclui. Em suas mãos, está a reputação de um dos Poderes da República.

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:25

O mensaleiro João Paulo Cunha já procurou cinco ministros do Supremo

Por Carolina Brígido e Roberto Maltchick, no Globo:
Réu no processo do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) bateu pessoalmente à porta do Supremo Tribunal Federal (STF). Pediu audiência a cinco ministros. Por enquanto, foi recebido por Dias Toffoli em seu gabinete na semana passada. O ministro confirmou o encontro, mas alegou que o parlamentar o procurou na condição de integrante da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Teria ido apenas para entregar o relatório final da comissão de juristas que estuda mudanças no Código Penal. Porém, João Paulo não relata a comissão, nem recebeu missão para representá-la no STF.

Perguntado se trataram do mensalão, Toffoli garantiu que não. Disse que o interlocutor sequer puxou o assunto. Questionado sobre o motivo do encontro, João Paulo reagiu como se o conteúdo da conversa não devesse ser divulgado. O GLOBO perguntou se fora tratar de algum projeto de lei, João Paulo Cunha respondeu com uma gargalhada: “Para esse assunto (o julgamento do mensalão), o GLOBO não me ouve. Sobre esse assunto eu não vou falar. Não tenho razão. Posso falar de outra coisa”, disse o deputado, após ser insistentemente questionado sobre o motivo da visita ao gabinete de Toffoli.

O parlamentar tem uma audiência marcada com o ministro Celso de Mello. A assessoria do ministro não divulgou quando será. Nesta terça-feira à tarde, a assessoria de João Paulo telefonou ao gabinete de Carlos Ayres Britto para pedir uma audiência. O ministro assumirá a presidência do tribunal na quinta-feira – e, espera-se, presidirá o julgamento do mensalão. Por falta de disponibilidade na agenda, o encontro não foi marcado. Mas não houve recusa em agendá-lo para adiante.

Recentemente, a assessoria do deputado também procurou o gabinete de Marco Aurélio Mello. A audiência não foi marcada por falta de horário disponível. O mesmo ocorreu no gabinete de Luiz Fux. As assessorias dos gabinetes informaram que o parlamentar não revelou o motivo do encontro. Questionados pelo GLOBO, os demais ministros ou suas respectivas assessorias negaram ter sido procurados pelo parlamentar para o mesmo fim.

Às vésperas do julgamento do mensalão, que deve ocorrer ainda neste semestre, ainda é uma incógnita a participação de Dias Toffoli na votação. Isso porque, entre seus colegas, paira a certeza que ele estaria impedido para julgar o caso. Há dois motivos. Um deles, porque à época do suposto mensalão, Toffoli era assessor jurídico na Casa Civil, subordinado do então ministro-chefe da pasta, José Dirceu, um dos 38 réus no processo. Toffoli e Dirceu eram amigos e costumavam frequentar as casas um do outro em eventos festivos.

O outro motivo é que a companheira de Toffoli, a advogada Roberta Rangel, atuava na defesa do ex-deputado Professor Luizinho, para quem fez sustentação oral no STF quando foi julgada a denúncia do Ministério Público contra os acusados, em agosto de 2007. À época, Roberta e Toffoli atuavam no mesmo escritório de advocacia. Hoje, Roberta não defende mais nenhum réu no processo. Mesmo diante dos fatos, Toffoli não declarou ainda se participará ou não do julgamento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:19

Cristina e seu jovem inspirador de costeletas grandes…

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, começou a flertar com a derrocada. Vamos ver quanto tempo vai demorar até a desmoralização. O discurso anti-imperialista costuma ser o último refúgio de quem não tem mais nada a dizer — ou a fazer. A sessão no Senado de ontem, quando a área econômica do governo explicou a nacionalização da YPF, foi uma patuscada, uma pantomima. E o vice-ministro da economia, Axel Kicillof, este senhor que vocês veem abaixo, comandou o show. O Brasil também foi tungado. Já chego lá.

kicillof

Camisa aberta ao peito, cabelos em desalinho (que esconde um prenúncio de calvície), olhos azuis de galã de folhetim e costeletas de milongueiro, eis Kicillof. Consta que Cristina está inteiramente entregue a seus cuidados… E até a suas ideias.

Só os tolos ignoram a aparência quando ela se faz tão eloquente. Imaginem se alguém exibindo essas costeletas e se comportando no Senado da República como se estivesse num boteco pode ditar os rumos da economia. E, no entanto, Kicillof, de 41 anos, egresso da “juventude kirchnerista” — esse negócio de “juventude” dedicada a um líder nunca resulta em boa coisa — dá hoje as cartas. Entusiasta da reestatização, é ele o principal interlocutor da presidente e arquiteto da retomada da YPF.

Os espanhóis querem US$ 10,5 bilhões pela empresa. Kicillof disse que o governo não vai pagar. Em sua exposição, a que não faltou murro na mesa, afirmou: “Não pagaremos à Repsol aquilo que eles querem. São imbecis os que pensam que o Estado argentino deve ser tonto e cumprir aquilo que a empresa deseja”. Deixou claro, também com o vocabulário, o padrão em que passou a operar o governo argentino. A canalha dita anti-imperialista chega aos estertores do prazer, baba de satisfação. Segurança jurídica pra quê? A empresa e o governo espanhóis dizem que vão recorrer à arbitragem internacional. Uma coisa é certa: investir na Argentina passou a ser uma operação de risco.

Petrobras
O Brasil não está fora do furor nacionalista da dupla Cristina-Kicillof. O governo argentino cancelou, sem mais nem menos e sem prévio aviso, uma concessão da Petrobras na província de Neuquén. Ao mesmo tempo, exorta a empresa a investir mais no país, entenderam? O governo brasileiro, até agora, está mudo. Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, limitou-se a reconhecer a “soberania” dos argentinos para tomar suas decisões, como se isso estivesse em debate. E, no entanto, não está.

Até agora, só um “líder” emprestou seu apoio irrestrito ao governo argentino: Hugo Chávez! Néstor, marido e antecessor de Cristina, era conhecido por seu temperamento mercurial. Muitos desconfiavam que não batesse bem dos pinos. Começa a se ver agora que era ele a parte moderada do casal…

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:17

Foco da CPI, construtora teria rede de laranjas para lavar quase R$ 26 milhões

Por Alana Rizzo e Fábio Fabrini, no Estadão:
Foco das investigações da CPI do Cachoeira, prestes a ser instalada no Congresso, a Delta Construções é suspeita de montar uma rede de laranjas para lavar dinheiro numa triangulação com outra construtora, a Alberto e Pantoja Construções e Transporte Ltda. Análise da lista de beneficiários de pagamentos realizados pela Alberto e Pantoja indica que a Delta pode ter abastecido contas bancárias em nomes de pessoas que negam, publicamente, ter recebido as quantias registradas na perícia da Polícia Federal.

Destino de R$ 26,2 milhões da Delta, a Alberto e Pantoja fez pagamentos até a um cabeleireiro. Outras transferências tiveram como destino empresas que não funcionam no endereço registrado. O modelo da operação e as negativas reiteradas dos supostos beneficiários indicam, segundo o Ministério Público, prática de lavagem de dinheiro nas operações que movimentaram mais de R$ 25,8 milhões entre 2010 e 2011.

Entre os principais destinatários do dinheiro do esquema está Pedro Batistoti Júnior, tecnólogo e ex-funcionário da Delta em MS. Laudos da PF atestam que ele teria recebido R$ 300 mil. “Se tivesse R$ 300 mil não precisaria pedir R$ 20 para comprar almoço. Não tenho nada com isso”, disse. Há nove anos trabalhando em um salão de beleza em Goiânia, o cabeleireiro Jefferson Dirceu Santos aparece na lista de destinatários dos recursos. “Que? R$ 60 mil? Nunca recebi nada desse valor e muito menos dessas pessoas. Só podem ter usado o meu nome.”

Dona da Serpes, empresa de pesquisas de opinião em Goiás, Ana Cardoso de Lorenzo, que teria recebido R$ 56 mil da Pantoja, se espantou ao ser questionada pelo Estado: “Você está doido? Nem conheço!” Um dos responsáveis pela empresa, o marido dela, Antônio Lorenzo, disse nunca ter ouvido falar na construtora investigada pela PF. “Os valores, para mim, são exageradamente altos. Prestamos serviços de R$ 5 mil, R$ 7 mil. De cifra assim eu me lembraria”, disse, prometendo fazer uma pesquisa ampla dos negócios anteriores para desvendar o “enigma”.

As relações da Delta com a organização criminosa comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira vieram à tona na Operação Monte Carlo. Segundo as investigações, Cachoeira era ligado ao então diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Eles negociavam contratos com o poder público. Suspeita-se que subornavam servidores públicos e que tenham participado da arrecadação ilegal para campanhas eleitorais. Constam ainda na relação empresas de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Minas e Pará. Em São Paulo, a Camarada Confecção Ltda., que teria recebido R$ 303 mil, não foi encontrada no endereço em que está registrada no Brás. “Não tem essa empresa aqui. Há mais de 20 anos funciona a Santar, de importação de queijos e vinhos,” disse a atendente.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:15

Demóstenes negociou verba para beneficiar empreiteira do PAC, sustenta MP; prefeito petista nega

Por Fernando Mello e Leandro Colon, na Folha:
O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) usou o cargo para negociar um projeto de R$ 8 milhões em favor da Delta Construções, apontam gravações telefônicas e relatório do Ministério Público Federal obtidos pela Folha. De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, há evidências de que Demóstenes atuava como “sócio oculto” da Delta, empresa que desde 2007 é a que mais recebe recursos do governo federal, principalmente por obras do Programa de Aceleração do Crescimento.O procurador-geral se baseia principalmente em gravação em que o senador indica condicionar o envio de recursos para uma obra em Anápolis (GO) à escolha da Delta para tocar o projeto. O negocio se daria por intermédio do empresário Carlinhos Cachoeira, que teria relações com a empresa e que está preso desde fevereiro sob acusação de comandar esquema de jogo ilegal.
(…)
A Polícia Federal gravou a conversa telefônica entre Demóstenes e Cachoeira em 9 de julho de 2011.  No diálogo, o senador relatou o encontro que acabara de ter com o prefeito de Anápolis (GO), Antônio Gomide (PT), que lhe pediu ajuda para construir um parque ecológico, orçado em R$ 8 milhões. Como senador, Demóstenes tem direito a direcionar verbas para esse tipo de obra por meio de emendas ao Orçamento federal. No telefonema, o senador relata que teria dito ao prefeito ser possível enviar a verba para a cidade, mas que era para ele dar “preferência” ao grupo de Cachoeira.
(…)
Outro lado
(…)
O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), confirmou o encontro com Demóstenes. Disse que procurou o senador para conseguir recursos para construir um parque na cidade. “O Demóstenes acenou que poderia fazer uma emenda parlamentar.”

O petista negou que o senador tenha pedido “preferência” à Delta, conforme indica a gravação. “Nunca conversei com Demóstenes sobre Delta. Ele falou que queria ter preferência para fazer o parque com emenda dele.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

18/04/2012

às 6:11

Governador de Goiás nega que Cachoeira influencie sua gestão

Por Estelita Hass Carazzai, na Folha:
Em encontro de governadores do PSDB ontem em Curitiba, o governador de Goiás, Marconi Perillo, recebeu apoio dos colegas diante de suspeitas de envolvimento com Carlos Cachoeira e negou influência do empresário em seu governo.  Cachoeira, que é de Goiás, está preso desde 29 de fevereiro sob acusação de comandar esquema de jogo ilegal. Ontem, Perillo disse que “não há omissão” de seu governo em relação à contravenção. Citou ainda que, sob sua gestão, a Polícia Civil fez 400 operações no Estado para combater jogos ilegais. Três funcionários do alto escalão do governo goiano já foram exonerados após serem citados em gravações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu Cachoeira.

Há suspeitas ainda sobre contrato do governo com a construtora Delta -investigada pela PF- e sobre eventual influência de Cachoeira em nomeações na gestão. Em gravações divulgadas anteontem pelo “Jornal Nacional”, por exemplo, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez (PSDB), aliado de Perillo há mais de 20 anos, diz a Cachoeira que “o governador liberou os negócios” e que há “mais quatro pedidos”, sendo que um deles será “lotado nas nomeações”. Perillo disse ter investigado a suspeita e que não há irregularidades. “Os cargos no governo de Goiás são preenchidos por critérios de competência técnica”, afirmou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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