Blogs e Colunistas

Arquivo de 9 de Abril de 2012

09/04/2012

às 22:09

Márcio Thomaz Bastos pede ao STJ libertação de Cachoeira

Por Mariângela Galluci, no Estadão:
A defesa do empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pediu nesta segunda-feira, 9, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determine a sua libertação. Preso em fevereiro durante a operação Monte Carlo, Cachoeira está atualmente no presídio federal de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Advogado do empresário, o ex-ministro da Justiça no governo Lula Márcio Thomaz Bastos protocolou um pedido de habeas corpus no STJ. Cachoeira é investigado por suspeita de comandar uma rede de jogos ilegais com máquinas caça-níqueis no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Tocantins, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pará.

 

A defesa do empresário já tentou outras vezes libertá-lo da prisão, mas até agora não obteve sucesso. Em março, o Tribunal Regional Federal (TRF) rejeitou um pedido de soltura de Cachoeira. O Ministério Público Federal posicionou-se contra o requerimento argumentando que a prisão era necessária para garantir a ordem pública.

 

O Ministério Público também alegou que a suposta exploração de jogos ilegais teria ocorrido de forma contínua ao longo de mais de uma década. Se não conseguirem convencer o STJ a soltar o empresário, os advogados poderão ainda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 19:39

Gurgel opina contra PSD na questão do fundo partidário

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) deu parecer contrário ao PSD na disputa pelos recursos do Fundo Partidário – cota mensal que as legendas recebem para custear suas atividades. A sigla do prefeito Gilberto Kassab tenta obter acesso ao bolo de 95% desses recursos, dividido proporcionalmente entre os partidos que têm representação na Câmara. Por ter sido fundado em 2011 e, consequentemente, não ter disputado nenhuma eleição, o PSD recebe apenas uma fração dos 5% restantes, destinados às legendas nanicas. Na prática, se não obtiver a vitória no Tribunal Superior Eleitoral, a legenda de Gilberto Kassab terá direito a apenas 42 000 reais mensais. Se sair vitorioso na corte, passa a receber cerca de 2,5 milhões por mês.

Embora o parecer de Gurgel trate apenas do acesso ao Fundo Partidário, o DEM – ex-partido de Kassab e de vários integrantes da nova legenda – interpretou que a decisão vale também para a divisão dos tempos de TV e de rádio, já que a lógica aplicada nesse caso é a mesma: sem representação na Câmara, o partido tem direito apenas à cota mínima de tempo. O cálculo dos minutos de televisão é baseado no tamanho das bancadas dos partidos na Câmara Federal. Hoje, o PSD tem 47 deputados. O DEM, 27. Em 2010, entretanto, a sigla de Gilberto Kassab simplesmente não existia. Na ocasião, o DEM emplacou 43 deputados.

A PGE considerou que, para o cálculo do Fundo Partidário, vale a bancada eleita, independentemente das mudanças de partido subsequentes: “A representação, para efeito do direito pleiteado, é aquela decorrente da disputa eleitoral, da qual haja o partido político participado regularmente”, argumentou o procurador Roberto Gurgel. Com isso, o PSD teria direito apenas ao tempo mínimo de propaganda, nada além dos poucos segundos de PCO e PSTU.

Otimismo – O caso ainda precisa ser analisado pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral. Mas, se a argumentação de Gurgel for acolhida, a formação da aliança tucana para a prefeitura de São Paulo pode sofrer reflexos. Saulo Queiroz, secretário-geral do partido, minimiza a postura de Gurgel: “Na criação do partido, o parecer do procurador também foi contrário. E tivemos uma decisão favorável do TSE”.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 18:47

Os libertários liberticidas não passarão!

Ah, mas era só o que faltava!

Uma corrente resolveu invadir o blog para sustentar, vejam que almas delicadas!, que as Igrejas “não têm o direito” de interferir em questões que não estejam diretamente relacionadas à religião, como o aborto e a lei anti-homofobia. De saída, sustento que têm sim. Mas brinco um pouco: vamos fazer de conta que não tivessem. Então os abortistas e as alas sectárias do movimento gay podem tentar transformar em crime uma opinião divergente, mas os líderes religiosos deveriam ser proibidos de enviar uma mensagem aos seus fiéis sobre temas que estão em debate? Ah, tenham paciência, não é?

Esses caras endoidaram de vez! Então o que querem é ditadura mesmo!

Alguns se indignam, com os dois pés no chão — e as duas mãos também: “Por que os religiosos têm de se meter nesses assuntos que dizem respeito ao estado?” Digamos que assim fosse… Eu teria, então, de perguntar: por que a tal lei de combate à homofobia pretende mexer com convicções que dizem respeito à religião? Ora…

Debate nos eixos
Vamos pôr o debate nos eixos. Não são as religiões, de fato, que tomam as decisões de estado. Ocorre que, numa democracia — e, por enquanto ao menos, ainda não renunciamos a ela —, os crentes têm o direito de se manifestar e de defender os seus valores. A exemplo de qualquer outro grupo, podem e devem se organizar para tentar influenciar a opinião de quem decide. Só nas tiranias esse tipo de mobilização é proibida.

De resto, há um pressuposto errado nesse debate. As religiões não decidem, mas estão, sim, comprometidas com esses temas porque eles remetem a fundamentos morais que orientam essas crenças. Alguns ainda ensaiam: “Ah, mas o aborto não se tornaria obrigatório; só deixaria de ser crime. Ninguém seria obrigado a fazê-lo”.

É um argumento tolinho porque faz supor que só podemos opinar com legitimidade sobre coisas que nos digam respeito diretamente. Bem, então se deveria liberar, por exemplo, o comércio de órgãos… Venda uma córnea ou um rim quem quiser! Ninguém tem nada com isso. Se percebo que o indivíduo A escraviza o B, e dado que este não se revolta e aceita a violência, por que isso deveria me chocar? Virem-se os dois! Essa seria a sociedade da barbárie. A dignidade humana é um valor que não depende apenas de arbitragens individuais. E é normal e saudável que haja divergências a respeito do tema.

As minorias influentes, que conquistaram o direito de se expressar e de tornar públicas as suas demandas em razão de um regime de liberdades, agora se voltam contra esse próprio regime que as trouxe à luz, maximizando de tal sorte a sua causa particular que ela se torna, para eles, maior do que o próprio princípio geral que lhes deu visibilidade: o da liberdade de opinião.

Ou não é isso que pretendiam as ONGs que prepararam os kits gays para a escolas, sob o comando de Fernando Haddad. Os tais filmes não se limitavam a pregar a tolerância, a igualdade, os fundamentos do respeito ao outro. Não! Aquilo era proselitismo, defesa de um estilo de vida. Ou seja: a causa particular, de um grupo, tomou o lugar da causa universal: a tolerância.

Não! Esses grupos estão errados. E nosso papel é, com serenidade, mas com firmeza, deixar isso claro. Eles não são donos da democracia; ao contrário, a democracia é que os abriga, como nos abriga a todos.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 16:47

Supremo decide nesta quarta sobre aborto de anencéfalos; cristãos se mobilizam. Ou: Escolhendo um futuro

Vamos para temas difíceis, já que os fáceis são… fáceis! A ação que pede a descriminação do aborto de anencéfalos será julgada depois de amanhã pelo Supremo. O relator é o ministro Marco Aurélio Mello, que deve votar a favor. E seu voto deve ser referendado por ampla maioria, com uma boa possibilidade de que seja unânime. E, como já escrevi aqui, um trilha estará sendo aberta para a terra dos mortos.

A rigor, não é o aborto dos anencéfalos que estará sob escrutínio, mas se o Brasil dá ou não o primeiro passo rumo ao estabelecimento de pré-requisitos para que uma vida seja considerada humana. É um primado da ética: ao fazermos determinadas escolhas, escolhemos em que mundo queremos viver. Elas também apontam para um sentido. O abortamento de anencéfalos, na linha de chegada, se encontra com a eugenia. É um bom caminho? Eu acho que não!

Exagero? De modo nenhum! O STF vai decidir, depois de amanhã, apenas sobre os casos de anencefalia, mas é evidente que se estará abrindo uma janela para a interrupção da gravidez em outros casos de má-formação do feto. Embora a questão seja antiga — está no Supremo há oito anos! —, vai a julgamento num momento em que os abortistas estão mais ativos do que nunca, estimulados, como se sabe, por uma ministra das Mulheres (Eleonora Minicucci) que confessou ter sido também aborteira, com treinamento em clínicas clandestinas da Colômbia, não apenas abortista.

Uma certa “comissão de juristas” enviou ao Senado proposta de reforma do Código Penal que libera o aborto em casos de má-formação do feto — na verdade, segundo as palavras de seu porta-voz, nos casos em que se conclui que a criança a nascer não teria uma vida autônoma… O conceito é larguíssimo. A rigor, uma criança com Síndrome de Down não tem exatamente uma vida autônoma, certo? A comissão achou pouco. Decidiu, na prática, liberar o aborto e ponto. Como o fez? A pratica seria permitida desde que essa fosse a vontade da mãe e se médicos ou psicólogos atestassem que ela não tem condições psicológicas para a maternidade. Em suma: para abortar, bastaria querer, e o sistema público de saúde teria de fazer a sua vontade. Chega-se ao absurdo de transformar o aborto numa política anticoncepcional.

Todo o esforço consiste em transformar o feto numa “não-vida”. É preciso que ele seja reduzido a uma “coisa”, um corpo estranho ao corpo da mulher, para que lhe caiba extirpa-lo ou não. O esquerdista Vladimir Safatle, com o pensamento sofisticado de hábito, chama o feto de “parasita”. A sua ignorância em filosofia só não é menor do que a sua ignorância em biologia.

Que o horizonte seja a eugenia e a redução da vida humana a propósitos e critérios de pura economia política, isso é óbvio. Alguns acadêmicos, como já vimos aqui, debatem abertamente a moralidade ou não do infanticídio, havendo quem sustente — não sem certa razão prática — que um feto e um bebê racém-nascido são muito semelhantes. Também acho. A diferença é que escolho a vida nos dois casos, e eles, a morte.

Mobilização
Cristãos do Brasil inteiro estão se mobilizando. Há um conjunto de atividades, todas elas com início às 18h de amanhã, estendendo-se noite afora e ao longo da quarta-feira, dia da decisão.

Manifestação em frente ao STF -
A partir desta terça, haverá uma “Vigília de Oração Ecumênica” em frente ao prédio do Supremo, em Brasília, convocada por setores da Igreja Católica. Eles convidam também ateus e agnósticos defensores da vida, que se opõem ao aborto — e os há; é mentira que essa seja apenas uma pauta religiosa.

Vigília das dioceses - todas as dioceses estarão, nesse período, em “Vigília de Oração” em defesa da vida.

Twitter – Os grupos em favor da vida convocam a o “twitaço vigília”: #abortonuncamais

E-mails aos ministros – Os que se opõem ao aborto devem enviar mensagens respeitosas aos ministros do Supremo, expondo o seu ponto de vista. Seguem os respectivos endereços eletrônicos (não consegui saber o da nova ministra, Rosa Weber):
Celso de Mello – mcelso@stf.gov.br
Marco Aurélio de Mello – marcoaurelio@stf.gov.br
Gilmar Mendes –
mgilmar@stf.gov.br
Cezar Peluso – carlak@stf.gov.br
Carlos Britto – gcarlosbritto@stf.gov.br
Joaquim Barbosa – gabminjoaquim@stf.gov.br
Ricardo Lewandowski – gabinete-lewandowski@stf.gov.br
Carmen Lúcia – anavt@stf.gov.br
Dias Toffoli – gabmtoffoli@stf.jus.br
Luiz Fux –
gabineteluizfux@stf.jus.br

 

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 15:26

“Heloooou”!!! É “chique no úrtimo!!!” Dilma deve propor brinde a Obama com cachaça de garrafa cravejada de diamantes

Na Folha Online. Volto em seguida:
Dilma Rousseff deve propor um brinde hoje ao presidente americano Barack Obama com uma garrafa de cachaça brasileira (Velho Barreiro) cravejada de diamantes, informa a coluna “Mônica Bergamo”, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

A empresa que produz a bebida diz que levou para essa confraternização uma garrafa, da edição limitada da Velho Barreiro Diamond, que custa em torno de R$ 212 mil. O brinde propõe o reconhecimento da cachaça, pelos americanos, como um produto genuinamente brasileiro.

Dilma chegou a Washington no fim da tarde de domingo (8) e foi direto para uma reunião com um grupo de 20 empresários brasileiros que atuam nos EUA organizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

Indagada sobre sua expectativa para a reunião com Obama, o terceiro encontro como presidente dos EUA,que ocorre no final da manhã de hoje e será entremeada por almoço, respondeu apenas: “É ótima”.
(…)

Voltei
Uau! Uma das “mulheres ricas” deveria estar presente a esse momento solene. Por que não Val Marchiori? Depois de umas três horas de ensaio, ela diria algo assim: “Helouuuu!!! Agora chega de champanhe! Só cachaça em garrafa de diamante, amiga! Helouuuu!!!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 14:01

Dinheiro público vai financiar encontro de militantes governistas da Internet. Adivinhem quem é convidado de honra…

Posts abaixo, contesto dois articulistas na abordagem que fazem sobre a corrupção brasileira. De certo modo, têm a mesma tese: o problema do Brasil é “a direita”. É mesmo, é?  Lá vou eu excitar a fúria daquele gente simpática…, que depois sai me satanizando por aí na esgotosfera, na esperança de que eu responda para que recebam alguns leitores, que por lá não ficam, é claro!

Entre os dias 13 e 15 deste mês, no próximo fim de semana, ocorre em Fortaleza um troço chamado “2º WebFor – Fórum de Comunicação Social”. São três dias de seminário, com debates, palestras, eventos etc. reunindo os que se intitulam “blogueiros progressistas” – o que quer dizer “governistas”.

Os que mais ascenderam na “organização” já contam hoje com patrocínio do governo federal e de estatais, como sabem. São regiamente pagos com dinheiro público para atacar lideranças da oposição, ministros do Supremo que não sejam do seu agrado e veículos da grande imprensa. É, em suma, o JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista).

Agora eles vão fazer seu segundo encontro. Quem patrocina? Ora, o dinheiro público de novo: Banco do Nordeste, Governo do Estado do Ceará, Assembleia Legislativa do Ceará e Câmara Municipal de Fortaleza. Uma das críticas que faz esse bando de Schopenhaures à grande imprensa diz respeito à sua suposta falta de independência. Como se nota, a independência do tal evento já está garantida…

Ah… O “2º WebFor” tem um convidado de honra, que vai abrir o trabalhos; é o grande herói do encontro: o chefe de quadrilha (segundo a PGR) José Dirceu!

Entenderam por que decidi fazer picadinho, com a educação habitual, dos textos de Elio Gaspari e Eugênio Bucci? Direita? Ora… Quantos dos antigos admiradores restaram ao lado do senador Demóstenes Torres depois do que foi tornado público? Já a turma de Dirceu ama nele justamente uma das cabeças da hidra, como diria “Egogênio Bucci”.

Gaspari deveria aproveitar esse encontro e incluí-lo na sua prefiguração. Imaginemos só um país em que um banco público, um governo do estado, uma assembleia legislativa e uma câmara de vereadores financiam um evento de militantes políticos que têm o declarado propósito de defender o governo, atacar a oposição e agredir a imprensa livre. Pior: o grande homem da patuscada é ninguém menos do que um ex-deputado cassado por corrupção e chefão do maior escândalo político havido no país.

Esse país já existe em 2012, senhor Elio Gaspari!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 13:01

O combate à homofobia não pode ser “catolicofóbico”, “evangelicofóbico”, “diferentofóbico”. Ou: Movimento gay quer passar de beneficiário da liberdade de expressão à condição de censor?

Escrevi na quinta-feira um post sobre um processo a meu ver absurdo que o Ministério Público move contra o pastor Silas Malafaia. Expliquei ali o contexto. Quando, em junho do ano passado, a passeata gay caracterizou 12 modelos como santos católicos e os levou à avenida para representar situações “homoafetivas”, Malafaia, em seu programa de TV, acusou a agressão à crença de milhões de pessoas e afirmou: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!” Explico naquele texto por que é absurda a afirmação de que se trata de incitamento à violência: 1) católicos, enquanto católicos, não agridem ninguém (ao contrário até: vivem sendo moralmente agredidos); 2) o pastor não é um líder daquela religião, por óbvio, e não teria como incitar aqueles que estão fora de seu campo de influência. Obviamente, falava de modo metafórico, opinava em favor de uma reação da Igreja — que, diga-se, ficou bem murchinha…

O post já tem mais de 700 comentários — e devo ter deixado de publicar outro tanto de pessoas que se manifestam com impressionante rancor. Ou, então, que deixam claro não saber como funciona a democracia. Olhem aqui: eu não dou bola para correntes da Internet, não! Zero! Não me intimido com trabalho organizado de lobbies. Penso o que penso. Se gostarem, bem; se não, a Internet conta com milhões de páginas pessoais. Por que ficar sofrendo na minha? Posso não pensar sobre a homossexualidade o que pensa Malafaia — embora, creio, façamos crítica muito parecida à tal lei que pune a homofobia: é autoritária, fere a liberdade religiosa e cria uma categorias de indivíduos acima da crítica.

Muito bem! E daí que eu não pense o mesmo? Devo silenciar diante de uma óbvia tentativa de calá-lo, ao arrepio, parece-me, da lei? Sim, a Justiça vai decidir, mas posso e devo dizer o que acho. Acho que estão recorrendo a uma óbvia linguagem metafórica com o propósito de se vingar de um notório crítico da dita Lei Anti-Homofobia. Entendo que estamos diante de um caso clássico de uso da lei para intimidar ou calar aquele que pensa de modo diferente.

Os grupos do sindicalismo gay fazem uma enorme pressão para que ele seja punido. Venham cá: que parte da cultura democrática essa gente não entendeu direito? Então eles podem pegar símbolos de uma denominação cristã, que têm valor para mais de um bilhão de pessoas, submetê-los a uma, como posso dizer?, “interpretação livre”, mudando ou mesmo invertendo seu sentido moral, mas um líder religioso deveria ser impedido de dizer o que pensa?

Calma lá! É a liberdade de expressão como um valor universal que permite hoje a essas ditas minorias, a esses grupos de pressão, falar, reivindicar etc. O que querem? Coibir a dita homofobia metendo na cadeia quem não comunga de seus valores? Já assisti, em vídeos na Internet, a algumas intervenções de Malafaia na TV. Em nenhuma delas incitava a violência — e duvido que o faça. Ninguém pode obrigá-lo a renunciar à sua fé e aos fundamentos de sua crença. Tampouco me parece decente que se recorra a  um truque para tentar condená-lo. Querem lhe atribuir o que não disse – e que, de fato, seria ilegal – para tentar puni-lo pelo que disse. E que nada tem de ilegal.

Isso, reitero, não quer dizer que eu concorde com ele sobre esse e outros temas. Aliás, ele é evangélico; eu sou católico. Isso significa… divergência!!! Mas não vou condescender com esses que se querem agora policiais do pensamento. Ora, de beneficiário da liberdade de expressão, o sindicalismo gay quer passar agora à condição de repressor, de censor? Não dá!

Também não vale o artifício de fazer eternamente o papel do oprimido para oprimir os outros. Estou entre aqueles que acreditam que há tantos gays hoje (percentualmente falando) como sempre houve.  Uma coisa, no entanto, é certa: a cultura gay nunca foi tão forte, e essa minoria nunca foi tão visível e influente. Virou, por exemplo, pauta obrigatória das novelas — ainda que o tratamento dispensado pelos autores varie bastante. Se notarem, são sempre personagens “do bem”. Uma malvadão gay seria “contra a causa”. Ignorando a letra explícita da Constituição, o STF reconheceu a união estável homossexual, o que praticamente garante os demais direitos — agora é só questão de ajuste da legislação infraconstitucional.

E tudo isso se deu sem uma lei para punir opiniões divergentes. A militância gay não conseguirá mudar na base do berro, da imposição e da perseguição jurídica o entendimento das igrejas a respeito do assunto. Recorrer a truques para punir desafetos, que estão amparados pela liberdade de pensamento e pela liberdade religiosa, é coisa de autoritários. O combate à homofobia não pode ser “catolicofóbico”, “evangelicofóbico”, “diferentofóbico”.

Afinal, qual é a pauta? Reivindicam direitos iguais ou direitos especiais, muito especialmente o de calar aqueles de que discordam?

Finalmente, lembro que as igrejas são pessoas jurídicas de direito privado. Isso, evidentemente, não dá a padres, pastores ou a quaisquer outros líderes religiosos o direito de cometer crimes — e entendo que não tenha havido isso no caso de Malafaia. Faço essa lembrança pensando num outro aspecto.

Líderes religiosos, ainda que possam e devam se posicionar sobre temas gerais da sociedade, sabem que falam principalmente para os fiéis de sua igreja. Daí que seja absolutamente ridículo querer impor às igrejas uma crença oficial ou um conjunto de valores definido em alguma outra esfera, que não a religiosa. Atenção! Isso vale até para a ciência. Uma igreja significa isto: um grupo de pessoas decidiu se reunir para cultivar determinados valores e cultuar aspectos do sagrado. Ponto!

Muito bem! Malafaia recorreu àquela metáfora, incorporada, convenham, à fala popular. Mas o que dizer de José Eduardo Dutra, o diretor da Petrobras que mandou um “enfia o dedo e rasga” para a oposição? A Petrobras não é uma igreja. A Petrobras tem uma dimensão pública. Este senhor foi nomeado pelo governo e está lá para atender aos interesses de todos os brasileiros: petistas e não petistas; cristãos, não-cristãos, ateus e agnósticos; corintianos e palmeirenses; botafoguenses e não-botafoguenses…

Sobre a fala de Dutra, até agora, curiosamente, o Ministério Público Federal não se manifestou.

Que regra está valendo? Seria aquela dos estados autoritários, que resumo assim: “Aos inimigos, nada, nem a lei; aos amigos tudo, menos a lei”?

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 7:25

LEIAM ABAIXO

Elio Gaspari decidiu escrever sobre uma fantasia. Pois eu lhe ofereço a realidade. Ou: Agressivo é tentar calar a voz da divergência. Aqui não vai!;
DESCONSTRUINDO EUGÊNIO BUCCI, QUE POSA (EMIR SADER ESCREVERIA “POUSA”) DE PETISTA ISENTO. LEIAM! É UM BOM EXERCÍCIO;
Sindicato petista dos professores já ameaça punir as crianças para tentar ajudar Haddad;
Efeito da política “espanta-bandido” da dupla Cabral-Beltrame – Violência em Niterói faz mais uma vítima;
Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba, a cachaça das nossas esquerda. Mas ela também cuidou da pinga propriamente dita…;
“Todos os políticos importantes de Goiás tiveram alguma relação com Cachoeira”;
Aiatoelio Gaspari assina a ficha de filiação ao PT. Ou: Uma caricatura da história que faz inveja ao pior stalinismo;
Diretor da Petrobras é pressionado a pedir desculpas. Mas vejam como ele o faz! Ou: Num caso aparentemente banal, revela-se por que a esquerda montou a mais formidável máquina de extermínio da história humana;
Delta, a construtora apontada como parte do esquema de Cachoeira, é uma velha amiga de Zé Dirceu e de Sérgio Cabral. E isso é apenas… fato!;
Com jetons das estatais, salário de 13 ministros extrapola teto de R$ 26,7 mil; o mais alto é o de Celso Amorim;
Piada! Homem do MEC que tem a função de cobrar a prestação de contas dos bolsistas é… inadimplente e… não prestou contas!;
O diretor da Petrobras que “enfia o dedo” na democracia e “rasga-a”. Ele ainda não foi demitido, Graça Foster?;
No Ministério da Piaba, caiu na rede, não é peixe!!! Mas o que rende!!!;
PF vê elo entre Cachoeira e construtora Delta. Ou: Chefe de gabinete de Agnelo não sabia quem era Dadá?;
Investigação diz que funcionário da PF dava informações a Cachoeira;
Senado vê com cautela abertura de CPI para investigar Carlinhos Cachoeira;
Exclusivo: Um diálogo entre José Eduardo Dutra e a “presidenta” da Petrobras;
Saúde: Evidências de mais uma fraude gigantesca. Contra os pobres, como sempre!;
Transportes – Ministro demite os suspeitos que quiser, desde que não sejam aliados de Jaques Wagner, de Valdemar Costa Neto, de…;
Diretor da Petrobras, em elogio ao governo Dilma, recomenda à oposição:  “Enfia o dedo e rasga!” Com a palavra, Graça Foster, a severa!;
48 horas depois de Lewandowski cumprir a sua obrigação – estamos aguardando -, o mensalão entrará na pauta do Supremo, diz futuro presidente. Coragem, Lewandowski!

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:51

Elio Gaspari decidiu escrever sobre uma fantasia. Pois eu lhe ofereço a realidade. Ou: Agressivo é tentar calar a voz da divergência. Aqui não vai!

Escrevi ontem um post sobre um texto de Elio Gaspari, publicado na Folha e no Globo, em que, recorrendo à ironia, o autor imagina um Brasil de 2015 governado pelo senador Demóstenes Torres. Em sua prefiguração — a não ser cumprida porque os fatos do presente, obviamente, a inviabilizam —, Demóstenes é a encarnação de uma suposta “agenda da direita”. Gaspari faz, então, uma caricatura de algumas críticas fundamentadas, sim, que poderiam e podem ser feitas aos governos petistas. O leitor deve entender que elas todas têm um vício de origem: estariam comprometidas pelo conservadorismo, que teria sido desmascarado. Logo, e a conclusão é inescapável, qualquer resistência ao petismo que nasça no campo conservador é, necessariamente, desonesta. Porque, no fundo, desonesto seria o próprio conservadorismo.

Eis os amantes da democracia que estão se criando no Brasil: aceita-se, sim, a divergência como apanágio do regime democrático, desde, é claro!, que sejam divergências de um lado só. Apenas os ditos “progressistas” teriam legitimidade para contestar… “progressistas”.

Aí está a essência do pensamento totalitário — de qualquer totalitarismo, seja de esquerda, seja de direita. Tanto o socialismo como os vários fascismos, no século passado, submeteram o direito de dissentir ao crivo judicioso das intenções. Num caso, era preciso verificar se o pensamento desviante não feria princípios do partido; no outro, se não transgredia regras do estado. Aferida a boa intenção do crítico, então ele poderia ser admitido no mundo dos vivos. No caso do stalinismo, também o passado era uma realidade criativa e móvel. Estrelas do regime, depois de anos, poderiam ter seu passado recontado à luz das necessidades — e da loucura — do chefe. Poderosos caíam em desgraça da noite para o dia. Notórios colaboradores de Stálin, que o ajudaram a eliminar os “inimigos” nos Processos de Moscou, foram executados mais tarde.

Não pensem que essa é uma realidade muito estranha ao nosso tempo. A China, a segunda economia do mundo, acaba de tirar de circulação — literalmente — Bo Xilai, ex-chefe do Partido Comunista de Chongqing. Era um dos candidatos mais fortes a integrar o “grupo dos nove” que, de fato, governa o país: o Comitê Permanente do Politiburo. A máquina de propaganda chinesa trabalhou bem. Há tempos ele vinha sendo caracterizado como excessivamente populista, com traços de regressão maoista. Estaria mesmo disposto a incentivar uma nova “Revolução Cultural” no país, numa sugestão de que era uma liderança mais hostil ao Ocidente.

A China é uma tirania.  Ninguém jamais  saberá se Bo Xilai era aquilo mesmo. Se não morrer, vai passar alguns anos na cadeia. Talvez algum dia saia de lá e seja reabilitado, como aconteceu com Deng Xiaoping. De todo modo, esse é um assunto que diz respeito ao grupo dirigente, àqueles que exercem divergências de um lado só — até certo ponto, como se nota. Inexistem oposição vigilante, crítica, debate, confronto de ideias. Há, sem dúvida, pessoas sonhando com uma “modelo chinês” no Brasil, certamente adaptado aos trópicos. Elio Gaspari poderia ser o seu teórico.

Acuse o adversário de agressivo e não debata
Sim, contestei o texto de Gaspari ponto por ponto. Algumas reações, que vêm numa corrente, chegam a ser engraçadas. Acusam-me, por exemplo, de ser “agressivo”. É só uma forma de pular fora do debate, de fugir, de sair correndo. Não há uma só agressão a Gaspari, nada. O gracejo “Aiatoelio”, como o chamo, é só uma alusão à sua vocação oracular. É dado a escrever como quem, assentado no promontório do mundo, olhasse a realidade mesquinha dos homens, livre de paixões, evocando, então, leis imemoriais da boa conduta. Escolhas comprometidas seriam sempre as alheias; as suas nunca! Pois é… O apelido também deriva — e isto não é necessariamente responsabilidade sua — de certo comportamento reverencial que lhe devota boa parte do colunismo político, como se ele fosse descendente direto do Profeta. E ele não é. No caso em questão, o seu texto nada mais faz do que estimular, incitando mesmo, a intolerância. Reclamam ainda que lembrei a sua antiga simpatia pelo regime militar. Fazer o quê? É verdade! Apenas isso.

Não! Não fui agressivo, não! Na verdade, raramente o sou. Essa acusação integra parte da mitologia da rede, geralmente evocada por covardes. Vejam o caso de José Eduardo Dutra, o petista diretor da Petrobras que recomendou à oposição o famoso “enfia o dedo e rasga”. Eu o critiquei duramente aqui. Ao reagir, ele me chamou de “blogueiro especialista em baixarias”. Basta cotejar a sua fala com a minha para verificar onde está a baixaria. Mas volto.

Retomando o caso Gaspari
O colunista da Folha e do Globo resolveu construir, então, uma distopia, e o país que estaria sendo governado por aquele hipotético Demóstenes estaria caminhando, entende-se, para o autoritarismo. Pois é… Ocorre, meus queridos, que Aiatoelio não precisa fantasiar para colher sinais de que há algo errado com a democracia que está aí. Ele não precisa lucubrar sobre o que não virá quando o que já veio lhe fornece elementos de sobra para questionar a qualidade das nossas instituições e da nossa cultura democrática. Vamos ver?

Pensem que futuro teria um país que, para realizar um torneio internacional de futebol, criasse uma legislação especial, paralela, para contratar obras que torram alguns bilhões de dinheiro público. Pensem com seria vexatório que esse país tivesse de criar leis ad hoc até para regular o álcool nos estádios. Pois esse país existe; é de verdade. E não é uma criação “da direita” — não, ao menos, do que Gaspari chama “direita”.

Pensem que futuro teria um país em que o presidente da República arbitrasse pessoalmente, contra a lei, a venda de uma operadora de telefonia à outra, mandando liberar recursos de um banco público de fomento. Efetivado o negócio, esse presidente, então, determinaria a adaptação da lei à transação feita. A empresa compradora seria a mesma que teria feito do filho desse presidente, um ex-monitor de jardim zoológico, um próspero empresário. Pois esse país existe; é de verdade. E não é uma criação “da direita” — não, ao menos, do que Gaspari chama “direita”.

Pensem que futuro teria um país em que criminosos confessassem que a campanha eleitoral do presidente da República foi financiada com dinheiro ilegal e paga, em dólares, no exterior, numa conta secreta. Descobrir-se-ia, depois, que essa operação seria parte da mais formidável tramoia política do período republicano. Nesse país, o chefe da quadrilha continuaria muito influente, mandando e desmandando na República, e alguns dos vigaristas que se envolveram na sujeira estariam eleitos. Um deles conseguiria até presidir o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Pois esse país existe; é de verdade. E não é uma criação “da direita” — não, ao menos, do que Gaspari chama “direita”.

Pensem que futuro teria um país em que a “presidenta” da República se vê obrigada a demitir seis ministros sob suspeita de corrupção em cinco meses — nomes que ela própria teria escolhido. Agora pensem num pais em que a evidência, pois, de desmandos se tornasse um ativo da governanta, uma prova de que ela realmente não condescende com o “malfeito” — um eufemismo arranjado por vigaristas para nomear a corrupção. Pois esse país existe; é de verdade. E não é uma criação “da direita” — não, ao menos, do que Gaspari chama “direita”.

Pensem, numa outra esfera, esta mais simbólica, que futuro teria um país em que a mãe de um presidente da República se tornasse nome de um parque público apenas porque… mãe do presidente. Esta teria sido a sua grande glória e seu grande feito para a humanidade: dar à luz o líder. Nesse país, como ridicularia pouca seria bobagem, também a sogra do Grande Líder seria nome de prédio público, batizando uma escola. Pois esse país existe; é de verdade. E não é uma criação “da direita” — não, ao menos, do que Gaspari chama “direita”.

Caminhando para o encerramento
Vocês sabem que daria para passar a noite escrevendo a respeito desse país. Fosse Elio Gaspari só um bobalhão, um sem-leitura, uma dessas tristes figuras que hoje escrevem sobre política sem jamais ter lido nem sequer uma obra de referência, vá lá… Puxam o saco por necessidade, ainda que não fosse por gosto. Mas ele não é! Sabe muito bem o que está escrevendo. Não acuso a sua ignorância, mas o seu cinismo; não aponto o seu desconhecimento da realidade, mas justamente o contrário!

Não! O Brasil não tem conservadores demais, não! Tem é conservadores de menos. Precisamos é de mais gente para vigiar o poder, não de menos. Não havia nada de errado com os valores que Demóstenes Torres traiu ao operar junto com Carlinhos Cachoeira — e não só o senador, é bom que fique claro. O bicheiro, definitivamente, é tão ecumênico quanto a corrupção.

Eis aí. Tanto essa como a outra são refutações educadas a uma baixaria — a dele, sim! — de Elio Gaspari. Tentou fazer de milhões de pessoas que acreditam nos fundamentos de que ele faz blague copartícipes de lambanças. E elas não são, não! Já disse e repito: os eleitores de Demóstenes vão abandona-lo porque acreditam nos valores que ele vocalizava. E os eleitores de José Dirceu estão doidos para votar nele porque também acreditam nos valores que ele encarna. Entenderam a diferença?

Baixaria é tentar reduzir ao banditismo pensamentos, convicções e crenças de gente decente, que vive uma vida honesta, que não aceita o cabresto, enquanto se faz silêncio sobre a obra de notórios… bandidos! Baixaria é tentar cassar a voz e a vontade de quem diverge.

Aqui não vai.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:49

DESCONSTRUINDO EUGÊNIO BUCCI, QUE POSA (EMIR SADER ESCREVERIA “POUSA”) DE PETISTA ISENTO. LEIAM! É UM BOM EXERCÍCIO

“Ah, Reinaldo é tão agressivo!”

Não! Errado! Reinaldo debate ideias. O problema, trato disso no post sobre Elio Gaspari (acima), é que a divergência está caindo de moda. Pior do que isso: tende a ser criminalizada. Quando não o é com a judicialização do debate propriamente, busca-se encapsular quem dissente, separando-o do mundo dos vivos. “Ah, não! Com este, eu não debato!” E, assim, vão se criando os corajosos que só aceitam falar para os seus. Não! Errado! Reinaldo é generoso, isto sim! Tanto é que, por recomendação de um amigo, leu um texto de Eugênio Bucci publicado no Estadão na quinta. Chama-se “As duas cabeças da corrupção”. Bucci é ex-presidente da Radiobras e professor da ECA-USP e da ESPM. Já o contestei aqui algumas vezes.

Petistas os há de muitos modos — mais variados que as cabeças da hidra. Mas podem ser divididos em dois grandes grupos: os que não veem mal nenhum em se impor pela força e entendem que, vença-se nas urnas ou no berro, os vencidos têm de ser esmagados. E há o tipo Bucci (se ele é filiado ao ou não, isso pouco importa): aceita lançar um olhar crítico sobre os seus pares DESDE QUE ELES SEJAM ENTENDIDOS COMO OS PROTAGONISTAS NECESSÁRIOS E FATAIS DA HISTÓRIA. Aos menos avisados, esse pressuposto — que traz a marca original da luta de classes — escapa.

Não é raro encontrar textos de Bucci em que ele critica a tentativa de seu partido de controlar os meios de comunicação, de impor censura à imprensa, de partir para o confronto. Ele não é, por exemplo, uma referência dos blogueiros sujos porque seu pensamento, com efeito, está além do que aquela súcia consegue elaborar. O negócio naquelas paragens é outro: é negócio mesmo! Bucci se quer um formulador mais refinado. Submetido seu pensamento, no entanto, a uma leitura um pouquinho mais rigorosa, a conclusão é uma só: não há cabeça bonita na hidra!

Reproduzo seu texto em vermelho e comento em azul.

As metáforas são perigosas, especialmente nessa matéria. Mesmo assim, vale uma figura. Uma só.
A corrupção é uma hidra de muitas cabeças, como muita gente diz, mas duas são as cabeças dominantes: uma é de esquerda e a outra, de direita. Ambas se estranham, encaram-se com ares de ódio espelhado, agridem-se às dentadas, mas acabam por aceitar a convivência. Elas supõem que comandam o corpanzil desse gigante de proporções indefiníveis em que estão plantadas pelo pescoço, mas a verdade é que vão a reboque. As duas seguem juntas a trilha tortuosa que a hidra escolhe sozinha, sem consultá-las. Lá vão elas, sacolejando no dorso de uma razão sem razão, com a pose de quem tenta passar a ilusão de controlar o destino. Lá vão elas, às vezes falantes, outras vezes rabugentas, fingindo dominar o diabo que as carrega.
Huuummm… A alegoria (que é essa cascata de metáforas) também é perigosa porque ela exige que o autor encontre no novo referente de que trata similitudes com aquela outra realidade, que serviu de evocação. E a gente vê que Bucci desconhece o sentido original da hidra. Mas aí já seria pedir demais! Fiquemos, então, com o óbvio: Bucci, um rapaz isento, começou a dar bordoadas na esquerda e na direita. Seria ele de centro? Vamos ver.

Ponto. Fim da metáfora – ou quase.
Então tá.

Quando um infeliz que se pensa de esquerda é interceptado com maços de dólares na cueca, seu gesto é imediatamente protegido por um cordão de isolamento imaginário, uma blindagem ideológica. Uma parte considerável dos seus correligionários logo faz circular uma explicação de ordem tática. O começo dessa explicação consiste em pôr a responsabilidade no sistema – palavra que, como bem sabemos, é um curinga nos panfletos de todo gênero.
O leitor que também repudia a mania que esquerdistas têm de defender seus criminosos, se não estiver muito atento, tenderá a concordar com Bucci. “É isso mesmo! Esse pessoal tem de parar com isso”. Distraído, não percebeu que o petista ilustrado escreveu “Quando um infeliz que se pensa de esquerda é interceptado com maços…” Entenderam? Ele “se pensa”, mas não é! Como as palavras fazem sentido, não há escapatória: só falsos esquerdistas fazem coisas assim. Ah… Não! Dinheiro em cueca não é crime corriqueiro na esquerda. Ela sempre preferiu a sua parte em sangue.
NOTA À MARGEM: O cara da cueca, José Adalberto Vieira da Silva, era mesmo um pobre diabo, sem um gato para puxar pelo rabo. Seu chefe, sim, já era poderoso à época e hoje é ainda mais! José Guimarães, irmão de José Genoino e então deputado estadual, é hoje deputado federal. Deve ser o líder do PT na Câmara no ano que vem. É considerado, creiam, um dos deputados mais influentes do partido. ATENÇÃO! O CHEFE DO HOMEM DA CUECA FOI O RELATOR DA EMENDA QUE CRIOU O REGIME ESPECIAL PARA A CONSTRUÇÃO DAS OBRAS DA COPA DO MUNDO! Sigamos com Bucci.

Segundo esse discurso, não há pessoas corruptas na esquerda, só o que existe é um sistema corrupto “que precisamos administrar se quisermos tomar o poder, companheiro”. Ou seja, sem lançar mão das armas obscuras não se vence o inimigo de classe. Logo, o militante de esquerda que negocia dia e noite com a corrupção pode até ter as mãos sujas, mas mantém o coração e a consciência limpíssimos, imaculados. Vai roubar ou, pelo menos, vai deixar roubar, mas depois ganhará honras de herói. Eis a justificativa moral que habita a cabeça canhestra da hidra.
Curioso! Eu li errado no parágrafo anterior ou foi o próprio Bucci a afirmar que o “infeliz” dos dólares na cueca “se pensa de esquerda”? É o chamado método autossocrático. Ele desconstrói o próprio enunciando. Mas não se animem, não. O autor está se preparando para tratar da outra cabeça, a da direita. Aí é que vocês vão ver.

Agora olhemos para a direita. No caso brasileiro, é ela a mãe do patrimonialismo – que, por sua vez, é o pai dos corruptos e dos corruptores.
Pronto! Eugênio Bucci se revelou. Ele é a terceira cabeça da hidra! A corrupção é, pois, na origem, “de direita”! Aqueles seus parágrafos “nem-nem”, que afetavam severidade com os dois lados, eram meros artifícios retóricos para acusar a direita. Assim, entende-se que esquerdistas, quando corruptos, o são por imitação ou por adequação a um sistema que herdaram. Má sorte de Bucci ter evocado justamente o cara da cueca, o que remete o caso para José Guimarães, o relator da emenda que criou um regime de exceção para as obras da Copa. O que essa malandragem em particular tem a ver com o velho patrimonialismo — na hipótese de que ele saiba mesmo do que fala? Nada!

Se recuarmos no tempo, e nem é preciso recuar tanto, veremos que, nas hostes do conservadorismo pátrio, a política não tem sido outra coisa senão a atividade profissional de se apropriar do que é público para fins privados.
É mesmo? Os amigos de Bucci dizem que foi o “conservadorismo” que privatizou, por exemplo, a Telebras. A universalização do telefone — e havia uma Telebras com esse propósito, não? — democratizou um serviço e tornou, na prática, público o que era… público. Então não haveria formas ditas “progressistas” de se apropriar do público com fins privados? O que fazem os petistas hoje no Estado brasileiro, nas estatais e nos fundos de pensão senão isto: tratar como propriedade do partido o que a todos pertence?

Esse tipo de crítica ao patrimonialismo é velha, data do final da década de 50 a meados da de 60! A realidade mudou muito. Desafio Bucci a demonstrar, com nomes e dados, onde está aquela velha “direita”. Talvez haja resquícios dela no Nordeste de um José Sarney — o mais caro e importante aliado no petismo no Congresso. O setor financeiro, por exemplo, que extrai boa parte do seu poder da arbitragem dos títulos públicos, em nada remete àquele antigo patrimonialismo. E o setor financeiro, sim, está com o poder no governo Lula e não está prosa.

Como o Estado precedeu a sociedade na formação nacional, foi do primeiro que se pilhou a matéria-prima para vertebrar a segunda, que veio sendo gerada e ordenada à imagem dos sonhos (e pesadelos) mais regressivos.
Com todo respeito, parece querer dizer alguma coisa, mas não diz nada! E, no que diz, trata-se de uma batatada. Como é? O Estado foi pilhado para vertebrar a sociedade? Mas pilhado por quem? Bucci leu mal, ou não leu, “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro. Não é isso que está escrito lá. Não é mesmo!

Nesse percurso, tomar para si o que deveria ser de todos se foi tornando o pressuposto da própria sustentabilidade da ação política. Privilégios hereditários, benesses, sinecuras e monopólios inexplicáveis decorrem, todos, daí. Dentro do crânio direitista da hidra metafórica, o poder só se deixa domar por aquele que tem a ousadia de tomar posse pessoal (e familiar) do poder: manda (no Estado) quem é dono ou quem faz as vezes de dono (do Estado). O poder é como o dinheiro: não aceita desaforo. Para exercê-lo é preciso usufruir o erário. Pessoalmente. Fisicamente. Diretamente. Sem cerimônia. A justificativa moral para a corrupção no imaginário da direita está aí: ela é a indispensável fonte extraoficial para sustentar a dispendiosa fachada oficial da vida pública – e para compensar patrimonialmente o agente e seus apoiadores. É pegar ou largar.
A crítica de Bucci vem com uns 40 anos de atraso. E vem a contrapelo dos fatos. É essa burguesia encastelada que vimos dia desses reunida com Dilma, mendigando uma legislação especial para sobreviver à concorrência??? As desonerações fiscais decididas pelo governo buscavam atender à tal elite patrimonialista ou a um capital que, para má sorte até da nossa democracia, está de pires na mão, dependente do Estado onipresente? Sim, Bucci é mais elaborado do que aquela escória a que me referi. Isso não quer dizer que saiba o que diz. Sigamos com ele.

A coisa não para aí. Ela é mais complicada.
Quando vista em retrospectiva, a nossa hidra pode ser entendida e explicada, embora repugne. Agora, quando posta em perspectiva, na direção do futuro, prenuncia um quadro bem pior, que aponta para o colapso. À esquerda, a corrupção principia como um atalho pragmático, aparentemente eficaz. Mas logo ela se converte num fim e, tornada fim, nega e aniquila qualquer projeto de justiça social. À direita, ela principia nos hábitos ancestrais e depois, hipertrofiada, se converte na tal esperteza que devora o dono: tende a matar o hospedeiro, exaurir o ambiente e calcinar a terra.
O apocalipse é sempre um botão quente a ser acionado pelo articulista. O pessimismo serve para eliminar a suspeita de que a crítica é interessada e em favor de alguém. Mais uma vez, como se percebe acima, a direita traz um mal ancestral, que está em sua própria natureza. Já a esquerda não! Ela é boa na origem ou na essência; quer “justiça social”. O risco que corre é aderir ao “pragmatismo” — ou seja: ceder á direita, compreenderam?

Daí a sensação, que muitos vêm manifestando nestes dias, com notas de moralismo ou de realismo, de que hoje é imperioso conter a corrupção, fazê-la regredir. Mas como?
Sim, mais uma vez o “moralismo” apanha. Curiosamente, no texto de Bucci, ele se oporia ao “realismo”. Pergunto-se se o que, nele, é “realismo” não é exatamente o que seus amigos petistas chamam “pragmatismo” — coisa que o autor condena.

Uma parte, óbvia, caberia ao próprio aparelho de Estado, desde que ele saiba proteger-se minimamente das quadrilhas. Ao Estado, então, caberiam a repressão policial e o devido julgamento legal. Essa parte vem sendo feita, mas vagarosamente. Agora mesmo, por exemplo, foi uma investigação da Polícia Federal que começou a desbaratar conexões múltiplas entre o senador Demóstenes Torres, Carlinhos Cachoeira e mais uma penca de autoridades. A outra barreira é a impunidade. A propósito, o julgamento do mensalão ficou para quando mesmo?
Ehhh, Bucci!!! Em Dois Córregos, a gente fala assim: “Quem não te conhece que te compre”. Olhem ali a tática nem-nem. Depois de ter chamado a direita de mãe de todas as corrupções, ele indaga sobre o mensalão — uma linha, que mal pode fazer? A propósito: como a notável teoria do nosso pensador sobre o patrimonialismo se aplica aos crimes do mensalão? Teria sido só a cabeça do PT tentando comprar a cabeça da direita? Ora…

Mas é preciso mais. É necessário desmontar, no plano do discurso, as justificativas morais silenciosas que validam os negócios ocultos à direita e à esquerda. Trata-se, com o perdão da reincidência na metáfora, de cortar as duas cabeças da hidra. Só isso poderá renovar a cultura política.
Opa! Se Bucci fosse Salomão, teria cortado a criancinha ao meio mesmo. Em vez de ser sagaz, escolheria ser apenas justo, não é? Ora, cortar as duas por quê? Se a direita é a mãe do problema, basta cortá-la, e a esquerda, essencialmente boa, mas corrompida por seus adversários, voltará a seu ideário de justiça social. É a lógica de seu texto.

Isso, porém, não vem sendo feito. No fundo, muitos dos agentes políticos, no Brasil, ainda acreditam que a corrupção, no curto prazo, funcione. À boca pequena, chamam-na de mal necessário.
Quem chama? Por que esse sujeito indeterminado aí? Quem trata a corrupção como mal necessário — “Fazemos o que todos fazem” — são os amigos petistas de Bucci.

Ignoram que, uma vez acionada, ela passa a governar o processo, o que significa, hoje, sufocar a normalidade institucional e a própria política. O corruptor e o corrupto se acreditam despachantes um do outro, algo como “facilitadores”. Na verdade, são sequestradores da agenda pública.
Ignoram? Não ignoram, não! Eles sabem muito bem o que fazem. Vamos pegar um exemplo até pequeno, coisa baratinha para os padrões contemporâneos. O pessoal que fez lambança com as lanchas no Ministério da Pesca “ignorava” que estava “sufocando a normalidade institucional”? O petista que foi pedir dinheiro para a campanha de ideli Salvatti sabia ou não o alcance do que fazia?

Se formos capazes de olhar a hidra por esse prisma, veremos que as duas cabeças que nela despontam, a de esquerda e a de direita, são sócias. Xifópagas. Alimentam-se uma à outra. Vivem disso e para isso. Perderam-se de seus programas públicos.
Bucci não é meu pensador predileto, mas, neste texto, está especialmente ruim. Ele deixou claro qual é o “programa público” da esquerda — a justiça social. Mas não revelou qual é o da direta. Para ele, direita existe para assaltar os cofres públicos, para tomar para si o que aos outros pertence.  Assim agiram, entre outros, Churchill, Adenauer, De Gaulle, não é mesmo? Tudo direita safada!

A corrupção é o capital sem lei. Todos os que a invocam, ainda que marginalmente, viram seus servidores. Sem exceção. Sem uma única exceção.
É… Cumpre encerrar como começou, no melhor estilo nem-nem do suposto pensador centrista. No percurso do texto, a gente viu bem por onde ele passou.

E só para encerrar, sem a intenção de nocautear Bucci com este parágrafo — porque, sinceramente, acho que seu texzto já foi devidamente desmontado. Mas sou obrigado a escrevê-lo em nome da coerência. Ele é um dos “intelectuais” que hoje estão empenhados em tornar viável a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Aliás, ele é um antigo entusiasta de seu colega dos tempos da Faculdade de Direito da USP, depois chefe de sua mulher no Ministério da Educação.

Tudo bem! Afinidades, fazer o quê? Ocorre que a campanha de Haddad, hoje, por determinação de Lula, está sob o comando de José Dirceu, o chefe de quadrilha (segundo o PGR). Acima, Bucci fez uma indagação quase retórica sobre o mensalão, para demonstrar seu desapego do petismo. Pois é… Está na pré-campanha de um candidato que hoje está sob o comando de Dirceu, o que, entendo, faz de Bucci também um comandado, ainda que indireto, daquele patriota.

Isso significa escolher uma das cabeças da hidra, não?

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:47

Sindicato petista dos professores já ameaça punir as crianças para tentar ajudar Haddad

Por Bernanrdo Mello Franco, na Folha:
Pivô de embates com José Serra (PSDB) na eleição presidencial de 2010, a Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual, embarcou na campanha de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo. A entidade abriu sua sede em Santana (zona norte) na quinta-feira para um ato do diretório petista, no qual o pré-candidato discursou. Dirigentes do sindicato tiveram uma reunião reservada com o petista, na qual prometeram ajudá-lo.

A Apeoesp marcou paralisação de toda a categoria para o próximo dia 20, data em que ameaça decretar greve em protesto contra o governo Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2010, o sindicato iniciou uma greve em março, às vésperas de Serra deixar o governo do Estado para disputar a Presidência.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:45

Efeito da política “espanta-bandido” da dupla Cabral-Beltrame – Violência em Niterói faz mais uma vítima

Por Ludmilla de Lima, Globo:
A violência que vem assustando moradores de Niterói fez mais uma vítima: o fisioterapeuta Fabiano de Almeida, de 35 anos, que foi baleado na cabeça sábado à noite, durante um assalto na Estrada Velha de Itaipu, na Região Oceânica. Ele a namorada, Joana Souza Pereira, seguiam de moto para Piratininga quando, por volta das 19h30m, foram abordados por dois assaltantes. Os bandidos também estavam numa motocicleta. De acordo com Joana, um dos criminosos atirou no fisioterapeuta antes mesmo de qualquer reação. O casal caiu e os bandidos levaram a moto, uma Honda CB-300. Até a noite de ontem, Fabiano continuava internado no Hospital Azevedo Lima, no Fonseca. Segundo médicos, seu quadro é estável. Ele corre o risco de ficar cego.

O crime ocorreu no mesmo dia em que o estudante de administração Jorge Luiz Carvalho, de 24 anos, foi enterrado em Niterói. O universitário foi baleado no pescoço na madrugada do domingo retrasado, numa tentativa de assalto na porta do prédio onde morava, na Rua Justina Bulhões, no Ingá. Assim como no roubo de sábado, Jorge Luiz foi atacado por uma dupla, que não chegou a levar o veículo. A namorada de Fabiano suspeita que eles foram seguidos pelos bandidos desde o sinal de trânsito localizado no fim da Estrada da Cachoeira, que dá acesso à Estrada Velha de Itaipu.
(…)
Roubos são frequentesno local do crime
Um dos acessos mais utilizados para quem vai da Zona Sul para a Região Oceânica, a Estrada Velha de Itaipu é considerada um local perigoso, especialmente à noite. Bombeiros que socorreram o casal na noite de sábado contaram para parentes de Joana que o trecho foi, recentemente, palco de um arrastão, e que bandidos teriam até mesmo usado uma corda para derrubar e assaltar motociclistas.

Joana diz que nunca se sentiu insegura em Niterói, até porque está há poucos meses na cidade. Porém, ela acredita que a violência tenha relação com uma migração de bandidos de áreas pacificadas no Rio. “Já que os bandidos foram para outros lugares, que as autoridades façam algo nessas comunidades, que tentem integrar essas pessoas à sociedade”, sugere.

 Universitários preparam um protesto contra a violência na cidade para o próximo dia 21, às 14h, na Praia de Icaraí. O movimento “Niterói quer paz”, conforme afirmam os organizadores, pretende mobilizar a sociedade para que pressione o poder público por mais resultados e políticas públicas na área de segurança. A convocação para o protesto vem circulando nas redes sociais, com o pedido para que a população vá de branco.

 Na tarde de ontem, policiais do 12BPM (Niterói) prenderam um homem com uma submetralhadora e drogas na Favela Boavista, no Fonseca. O batalhão já havia prometido um reforço na segurança e prepara uma cartilha para ser distribuída aos moradores com dicas de como se prevenir de assaltos. 

O perigo nas ruas
Com cerca de 500 mil habitantes e a maior renda média domiciliar do país (R$ 2.031,18, segundo o Censo de 2010), Niterói vêm enfrentando uma onda de violência. Assaltos com reféns, arrastões e roubos de veículos se tornaram rotina nos últimos três meses em bairros como Icaraí, Ingá e São Francisco. O motivo seria a migração de traficantes que deixaram comunidades do Rio após a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

 

Os bandidos costumam agir com rapidez e violência. E os resultados já começam a aparecer nas estatísticas. Em Icaraí, por exemplo, em janeiro de 2011, nenhum assalto a residência foi registrado na 77 DP, responsável pelo policiamento do bairro. Já em janeiro deste ano, foram seis casos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

De acordo com PMs e agentes da Polícia Civil de Niterói, traficantes da Mangueira assumiram a venda de drogas no Morro do Preventório, em Charitas. Por sua vez, bandidos das favelas do Complexo da Maré (que vai abrigar a sede do Batalhão de Operações Especiais) e traficantes de Senador Camará lideram agora o tráfico no Morro do Cavalão, no Centro de Niterói.

Mesmo com a onda de violência, Niterói perdeu efetivos para o patrulhamento ostensivo, que parece diminuir ano a ano. Segundo um diretor do Centro Comunitário de São Francisco, o 12 BPM passou de cerca de 1.200 homens, na década de 80, para 700.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:43

Nos EUA, Dilma marca posição pró-Cuba, a cachaça das nossas esquerdas. Mas ela também cuidou da pinga propriamente dita…

Por Vera Rosa, no Estadão:
Na conversa reservada que terá hoje com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff marcará posição em defesa de Cuba. Em um jogo combinado com outros países do continente, Dilma avisará que “esta será a última Cúpula das Américas sem a participação de Cuba” porque, caso a situação não mude, o próximo encontro, em 2016, ficará completamente esvaziado.

A 6.ª Cúpula das Américas ocorrerá na cidade colombiana de Cartagena de Índias, nos dias 14 e 15, pouco depois de Dilma voltar da viagem aos EUA. Sob embargo econômico norte-americano, Cuba foi, mais uma vez, excluída da reunião continental. Em sinal de protesto, o presidente do Equador, Rafael Correa, já anunciou que não participará do encontro na Colômbia.

Na conversa com Obama, Dilma pretende antecipar a posição unificada que o Brasil e outros países do bloco mais alinhado à esquerda pretendem levar à Cúpula das Américas. Pelo roteiro acertado até agora, os governantes de 12 dos 34 países convidados para o convescote de Cartagena farão declarações de repúdio à falta de assento para Cuba no evento.

Na prática, Dilma quer arrancar de Obama, neste ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos, o compromisso político de que o governo americano vai restabelecer relações com a ilha governada por Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel Castro no comando do país. Obama é candidato a um segundo mandato pelo Partido Democrata. Os comentários de Dilma, porém, devem ser feitos na conversa a portas fechadas, e não na declaração ao lado de Obama, na Casa Branca. Dilma não tem intenção de pôr Obama numa saia-justa nem de tocar na questão da violação dos direitos humanos em Cuba.

Quando visitou Havana, em janeiro, Dilma criticou os EUA e disse não ser possível fazer da questão dos direitos humanos uma “arma” de combate político-ideológico. “Se vamos falar de direitos humanos, nós começaremos a falar de direitos humanos no Brasil, nos Estados Unidos e a respeito de uma base aqui chamada Guantánamo”, afirmou Dilma, na ocasião, numa referência à prisão mantida pelo governo americano na ilha.

Flórida
Dilma também ouviu apelos de empresários para questionar Obama sobre a constitucionalidade de uma lei aprovada na Flórida que pune empresas com relações comerciais com Cuba. Pela nova lei, companhias com negócios na ilha não podem ter grandes empreendimentos na Flórida. A retaliação atinge em cheio as empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, que toca a obra do Porto de Mariel, em Cuba. Trata-se do principal empreendimento de infraestrutura realizado atualmente ali, com financiamento de US$ 683 milhões do governo brasileiro – 85% do valor total.

Depois que a lei foi aprovada no Congresso da Flórida, Dilma recebeu várias reclamações de empresários que mantêm negócios tanto nos EUA quanto em Cuba. Eles querem que Dilma pergunte a Obama até que ponto o Estado pode legislar sobre questões de relações internacionais.

Cachaça
O único acordo comercial da visita oficial de Dilma aos EUA será o reconhecimento da cachaça como produto exclusivamente brasileiro. A bebida deixará de chegar ao mercado americano como uma espécie de rum. A contrapartida será o ingresso no Brasil do bourbon, o uísque de milho, como bebida típica dos EUA e não mais como Scotch. Outros cinco acordos menos pitorescos serão firmados em diferentes áreas, além de 14 em Educação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 6:41

“Todos os políticos importantes de Goiás tiveram alguma relação com Cachoeira”

Por Chistiane Samarco, no Estadão:
Nos últimos 17 dias, a República foi sacudida por revelações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que ligam o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede ilegal de jogos, a políticos de Goiás. Depois do escândalo das gravações que mostraram a relação estreita do senador Demóstenes Torres (sem partido) com Cachoeira, o governador Marconi Perillo (PSDB) não tem dúvidas: “Numa hora como essa não dá para haver hipocrisia. Todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com o Carlos Ramos, como empresário e dono de indústria de medicamentos em Anápolis, que se relacionou durante muito tempo com várias personalidades da sociedade goiana”, disse Marconi ao Estado.

Pegos nos grampos da PF em conversa com Cachoeira, sua chefe de gabinete Eliane Pinheiro, e o presidente do Detran, Edvaldo Cardoso, se demitiram na semana passada. O governador admite que conversou com Cachoeira, uma vez, por telefone, e que o recebeu, no palácio do governo, mas enfatiza que falaram de incentivos fiscais.  Recolhido em sua fazenda de Pirenópolis (130 quilômetros ao norte de Goiânia) na Páscoa, o governador tucano contou que, até o estouro do escândalo, não tinha dúvida sobre “a correção” de Demóstenes Torres. Cachoeira está preso desde fevereiro em Mossoró (RN).

O sr. teme que o envolvimento do seu nome lhe prejudique?
Estou muito tranquilo em relação ao que aconteceu. Asseguro que jamais houve qualquer omissão do governo goiano em relação a ilícitos. Falta um tempo para o início da campanha municipal e espero que tudo seja esclarecido até lá. Mas como este é um assunto que está sendo jogado só nas costas de políticos da oposição, pode pairar alguma dúvida. Meu partido me conhece, e conhece meu procedimento ao longo de toda minha vida pública. Mesmo assim, alguns devem ter algum tipo de dúvida, afinal é um assunto que ganhou a imprensa nacional.

O PSDB estranhou o fato de sua chefe de gabinete ter sido flagrada em conversas telefônicas com o Cachoeira. Como ela foi parar em uma função tão próxima do governador?
Fiquei tão assustado quanto meus companheiros. Eliane trabalhou com a deputada Lídia Quinan, depois com Fernando Cunha na secretaria de Governo. No governo anterior, ela passou dois meses rodando o Estado inteiro, me ajudando, com um grupo de oito amigos que alugaram uma Kombi e formaram o núcleo voluntário mais aguerrido da campanha. Quando ganhei a eleição, jamais poderia não prestigiar pessoas como ela. Soube dessa relação (com Cachoeira) quando houve o episódio (a operação da PF). Posso afirmar que é pessoa corretíssima, que não tem qualquer ligação com jogo, caça-níquel, ilegalidade. Nenhum dos citados, ligados a mim, foi relacionado a ilícitos e contravenção. Ela pediu demissão, mas me vejo com dever defendê-la.

Se o Cachoeira a avisa de uma operação da PF em prefeituras do interior goiano, como em Águas Lindas, a informação era do seu interesse e deveria ser passada ao governador?
Jamais. Ela me disse que tinha uma relação de amizade muito forte com o prefeito e a família do prefeito de Águas Lindas. Talvez tenha sido por isto que o empresário a tenha avisado. Mas ela foi muito categórica comigo, dizendo que não tem envolvimento e que nem avisou o prefeito.

O sr. foi adversário do senador Demóstenes Torres e depois virou aliado. Nos últimos tempos, como era essa relação política?
Minha relação com Demóstenes foi uma relação de altos e baixos. O conheci pessoalmente em 1998. Ele nem havia votado em mim para governador, mas achava que era importante trazer alguém do Ministério Público para ser o secretário de Segurança, e ele tinha sido duas vezes procurador-geral de Justiça. Era muito novo, queria formar um secretariado eclético e acima de qualquer suspeita em credibilidade e competência.

Mas depois romperam.
O ápice desse rompimento se deu em 2006, quando houve uma disputa muito dura e ele estava contra o candidato que eu apoiava, Maguito Vilela (PMDB). Chegando ao Senado, em 2007, tive uma conversa franca com ele e estabelecemos um modo de convivência. Não tinha dúvida sobre a correção dele, até porque foi relator e autor de mais de mil projetos importantes para o País, principalmente na área de combate ao crime, modernização dos Códigos de Processo Civil e Penal. E esta relação evoluiu até chegarmos à aliança de 2010. O Demóstenes tinha uma popularidade muito grande e foi muito importante para nossa vitória, especialmente no segundo turno. Ele me ajudou muito.

O sr. não percebeu a proximidade dele com Cachoeira?
Uma campanha como a que disputamos é tão difícil e corrida que mal dá para conversar. O Demóstenes sempre andava com um carro atrás do meu e fizemos poucos comícios. Sinceramente, não conversávamos sobre esses assuntos. Mas é importante dizer que numa hora como essa não dá para haver hipocrisia. Todos os políticos importantes de Goiás tiveram algum tipo de relação ou de encontro com o Carlos Ramos, como empresário. Ele é dono de indústria de medicamentos em Anápolis, que se relacionou muito tempo com várias personalidades da sociedade goiana.

Sua relação com Cachoeira era de amizade ou apenas política?
Foi uma relação muito esporádica, mas ele sempre foi muito respeitoso. As poucas vezes em que estivemos juntos, ele pediu apenas apoio do governo em áreas em que todos os empresários têm direito, que são os incentivos fiscais para ampliação de empresas e de empregos.

Quem os apresentou?
O conheci há alguns anos, apresentado em uma festa pelo Fernando Cunha, que foi meu secretário de Governo. O filho do Fernando era casado com uma irmã do Cachoeira. Poucas vezes antes das eleições nos avistamos em ocasiões festivas.

O governo de Goiás se empenha no combate ao jogo ilegal?
Desde o ano passado, quando cheguei ao governo, a polícia civil deflagrou mais de 400 operações de apreensão de máquinas de jogos ilegais, entre as quais caça-níqueis. A PM apreendeu nesse período 1.801 máquinas, parte delas já foi destruída e outras estão aguardando decisão judicial para serem destruídas. Eu não jogo, detesto jogo e sempre que posso procuro dissuadir meus amigos de jogarem. Encontrei Cachoeira em uma festa, e em uma conversa informal, ele me revelou que tinha abandonado o jogo, saído da contravenção e que era empresário trabalhando na legalidade.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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