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Arquivo de 4 de Abril de 2012

04/04/2012

às 22:03

Gilberto Carvalho: Os “bandidos e vândalos” que interessam e os que não interessam

 

Vocês se lembram de Gilberto Carvalho, não? É aquele senhor que ocupa a função de secretário-geral da Presidência da República e que é o braço operativo de Lula no governo Dilma. É também, na prática, o segundo homem do petismo. Depois de Lula, é ele quem mais conhece os segredos do partido — mais do que José Dirceu, que tem o domínio de uma ala importante do partido, sim. Mas exerce menos influência na legenda do que o outro. Adiante.

Quando a Polícia Militar de São Paulo, cumprindo uma decisão da Justiça — não era uma questão de gosto, mas de obrigação — promoveu a reintegração de posse da região conhecida como Pinheirinho, Carvalho foi um dos petistas que decidiram satanizar o governo de São Paulo. Segundo este valente, o governo federal tinha um outro modo de lidar com as questões sociais. Representantes do governo federal enfiaram o pé na jaca da delinquência política.

Paulo Maldos, amigo de Carvalho, secretário Nacional de Articulação Social, estava no Pinheirinho no dia da desocupação e anunciou ao mundo que tinha sido alvo de uma bala de borracha, mesmo depois de ter se identificado como representante do governo federal. E saiu por aí tirando fotos exibindo artefatos não-disparados da tal bala. Não exibiu o suposto ferimento. Não fez exame de corpo de delito. Nada! Vários grupos de esquerda sustentavam, sob indiscreto incentivo federal, a existência de supostos mortos e desaparecidos no Pinheirinho. Talvez tenha sido a operação de mídia mais canalha montada por essa gente nos últimos tempos.

Muito bem! Os trabalhadores de Jirau botaram fogo nos alojamentos. Milhares de pessoas tiveram de ser removidas da área. As obras estão paradas. Parte dos operários de Belo Monte também parou. E agora? Bem, agora Gilberto Carvalho se mostra menos sensível à questão social. Vejam o que informa Rafael Moraes Moura, no Estadão Online. Volto em seguida:

Carvalho vê ação em Jirau como vandalismo e banditismo

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, condenou nesta quarta-feira, 4, o incêndio criminoso ocorrido no início desta semana no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau (RO), que destruiu 36 dos 57 alojamentos dos operários. Para ele, foram atos de vandalismo e banditismo. Onze pessoas foram presas no episódio. “Não consideramos essa ação que houve lá como uma ação sindical ou uma ação de mobilização, mas um vandalismo, banditismo, e como tal será tratado”, afirmou Carvalho. “Isso não é ação de trabalhador, isso não é ação sindical. Tem de ser tratado em outros termos, de questão judiciária e policial”, reforçou. Em março do ano passado, o canteiro de Jirau já havia enfrentado depredação de ônibus e alojamentos.

O governo pretende entender melhor os motivos da ação, disse o ministro. “Queremos identificar de onde surgiram esses movimentos. Na vez anterior, tudo estava misturado e combinado com problemas de condições de trabalho. Desta vez não. Desta vez, os trabalhadores, por imensa maioria, resolveram voltar ao trabalho e aí nós não podemos tolerar esse ato de desordem que ofende os trabalhadores.” Para Carvalho, esse tipo de ação, em que as pessoas agem encapuzadas, não se identificam, não é típico de disputa sindical. “Isso é típico ou de vandalismo ou de algum grupo que tenha outras pretensões que nós desconhecemos. Queremos identificar e questionar essas pessoas por suas intenções.”

O ministro comentou que os problemas nas obras voltaram após ter sido encontrada uma solução para o impasse. “Felizmente, depois de um período tenso houve assembleias finais, tanto em Santo Antônio quanto em Jirau, e os trabalhadores das duas usinas, por grande maioria, decidiram voltar ao trabalho. Diante do desrespeito à decisão da maioria dos trabalhadores, nós resolvemos agir com radicalidade. Reforçamos a Força Nacional e queremos assegurar democraticamente o direito dos trabalhadores que decidiram por maioria voltar ao trabalho”, declarou Carvalho, após participar de reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Palácio do Planalto.

Voltei
Vamos ver. Eu não apoio vandalismo na USP. Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Pinheirinho (havia até uma tropa de choque criada pelo PSTU no local). Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo na Cracolândia. Mas os petitas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Jirau; nesse caso, os petistas também não! Eu não apoio vandalismo, pouco importa o alvo do protesto. Já os petistas pensam de modo diferente: “Vandalismo contra os nossos adversários é questão social; vandalismo contra nós é banditismo”. Esse é Gilberto Carvalho!

Outra questão relevante. Eu acho que o Brasil tem, sim, de construir Jirau e Belo Monte. Neste texto, nem vou elencar os motivos e as tolices dos que acreditam que podemos abrir mão das hidrelétricas. Elas têm de ser feitas, sim! Mas  sob quais condições? Esses conflitos não são inéditos. Na vez anterior, jura Carvalho, ainda havia motivos; agora, ele garante, não há mais.

A afirmação não resiste a uma aproximação ainda que superficial da região, como fez há pouco o Jornal Nacional. Resta evidente que falta planejamento a essas grandes obras — e isso, obviamente, é tarefa do governo. As cidades do entorno estão inchadas, atividades econômicas estão sendo prejudicadas pela explosão populacional, falta atendimento de saúde — o posto está lá, mas não os médicos.

É claro que o Brasil precisa de energia elétrica e que todo aquele chororô natureba contra as usinas é só um misto de ignorância de bom coração com má fé ricamente financiada por ONGs. Isso não quer dizer que o governo esteja fazendo a coisa certa e administrando com competência os impactos sociais dessas megaobras. Este é um governo que não sabe planejar.

Boquirroto
Assim como Carvalho foi boquirroto ao condenar o governo de São Paulo no caso de Pinheirinho sem nem mesmo dispor de informações suficientes a respeito, está sendo boquirroto agora. Naquele caso, “vândalo e bandido”, entendia-se, era o governo de São Paulo; desta vez, “vândalos e bandidos” são os trabalhadores. E ele, igualmente, não tem dados, o que confessa. Não tem, mas é judicioso.

Por que a diferença de tratamento? Porque este notável homem de estado estava e está fazendo apenas política partidária. Naquele caso, tratava-se de atingir o PSDB, um partido adversário; agora, trata-se de preservar o PT. Não descarto, não, que haja banditismo no Jirau. Como também não descartava que houvesse, e havia, banditismo no Pinheirinho.

Para encerrar
Imaginem o que as esquerdas financiadas não estariam fazendo agora se conflitos dessa natureza explodissem em obras gerenciadas por governos tucanos, por exemplo. Já teriam feito denúncias à OEA. Desta vez, esse bando de vendidos não quer nem saber.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 21:07

Daqui a pouquinho…

… um texto sobre Gilberto Carvalho, este outro monstro da moral e da coerência, e os conflitos nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Jirau e de Belo Monte.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 20:22

Guerra acusa vazamentos seletivos para atingir a oposição; Perillo nega vínculos com Cachoeira

Do Portal G1:

Por Nathalia Passarinho:
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, afirmou nesta quarta-feira (4) que o partido “confia” no governador de Goiás, Marconi Perillo. Guerra criticou o que chamou de “vazamento seletivo” de conversas entre políticos da oposição e o contraventor Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em fevereiro sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás.
(…)
Sérgio Guerra disse ainda achar “estranho” que apenas tenha sido revelado o envolvimento de políticos da oposição com Cachoeira. O senador Demóstenes Torres, suspeito de ter usado o mandato para beneficiar Cachoeira, pediu desfiliação do DEM na terça para evitar a expulsão do partido após denúncia de que usou seu mandato para favorecer o bicheiro.

“Está havendo um vazamento seletivo de gravações. Sabemos que existe o envolvimento muito amplo de Cachoeira [com políticos]. Até agora nao saiu nome de governista. Tudo isso é muito suspeito”, afirmou o presidente do PSDB, para quem está havendo um “jogo político” na divulgação das gravações. “Os fatos têm que ser públicos. Deixem o Cachoeira falar.”

O deputado disse ainda que “o PSDB reitera a confiança no governador” de Goiás. “Ele é um homem público testado que já participou de campanhas eleitorais. “Não há o que investigar ainda, mas se houver vamos apurar. O mais prudente é colher mais informações para, a partir daí, tomar as atitudes necessárias.”

Marconi nega:
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (4) que conhecia o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mas que se encontrou com ele “pouquíssimas vezes”. Em entrevista à TV Anhanguera, Perillo disse confiar na chefe de gabinete, que pediu exoneração após grampos da Polícia Federal apontarem elo com Cachoeira, e disse não haver “qualquer relação do governo com atos ilícitos”.

Segue nota do governo de Goiás:
Em resposta a reportagem publicada na última quarta-feira, 4, o governo de Goiás esclarece que não existe em absoluto, qualquer conexão entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por exploração de jogos ilegais durante a Operação Monte Carlo.

É injusta e dissociada da verdade a tentativa de relacionar o governador às investigações policiais, uma vez que não há fatos ou quaisquer indícios que o associem à contravenção. A respeito deste assunto, Marconi reafirma que condena veementemente e repudia qualquer sugestão de envolvimento entre a administração estadual e o crime. Desde que assumiu o governo, cumpre com rigor a sua missão de combater atos que não estejam rigorosamente dentro da lei.

Cabe também esclarecer que na noite de terça-feira, 3, a Chefe de Gabinete da Governadoria, Eliane Gonçalves Pinheiro, ora citada como suposto elo entre os contraventores e o governo de Goiás, deixou o cargo por opção própria. O pedido de exoneração foi encaminhado em carta, anexa a esta mensagem, e se deu ainda que não haja qualquer decisão judicial definitiva que a incrimine apenas investidas agressivas da imprensa no sentido de condená-la por antecipação, o que o governo também repudia.

Isanulfo Cordeiro
Assessor Chefe do Gabinete de Imprensa do Governador Marconi Perillo”

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 19:46

Um país de esquizofrênicos! Ou: O governo brasileiro entre a Lei Seca e o pé na jaca

Leiam o que informa Gabriel Castro na VEJA Online. Volto em seguida:

Com o sinal verde do governo, a Câmara dos Deputados deve votar na próxima quarta-feira um projeto que torna desnecessário o exame do bafômetro para constatar a embriaguez de motoristas. Pela proposta, outras provas – como vídeos ou o depoimento de testemunhas – poderão ser aceitas para caracterizar o crime, quando o condutor não aceitar soprar o bafômetro nem fazer exame de sangue. O acordo foi feito nesta quarta-feira em uma reunião do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. “O bafômetro, que vinha sendo um instrumento necessário de acusação, passa a ser um instrumento de defesa”, justificou Cardoso. Ele afirmou que o exame de alcoolemia agora servirá para que os motoristas provem a própria inocência, se quiserem.

O texto já estava em tramitação na Câmara, mas a apreciação da proposta foi acelerada depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o exame de sangue ou o teste do bafômetro são necessários para que seja comprovada a embriaguez, o que inviabilizaria a aplicação da Lei Seca. “Esse projeto é uma prioridade para o governo e para a Câmara dos Deputados”, disse Marco Maia após o encontro. O projeto que será votado pela Câmara é uma adaptação da proposta do deputado Hugo Napoleão (PSC-RJ): além de ampliar o leque de provas possíveis para caracterizar o crime de dirigir embriagado, a proposta também deve aumentar as penas para os condutores flagrados com ao menos 0,6 miligramas de álcool por litro de sangue.

Quem é flagrado dirigindo sob efeito de uma quantidade menor de álcool pode ser multado e perder a carteira de habilitação, mas não comete crime. Essa distinção permanecerá, apesar de muitos parlamentares defenderem a criminalização de todos motoristas que dirigirem após ter bebido, independentemente da quantidade de álcool. “Nada impede que, no futuro, nos venhamos a repactuar e adotar a tolerância zero”, disse Cardozo.

Voltei
Pois é… Alguém com pouca experiência de Brasil há de se perguntar: “Mas esse governo que quer reforçar a Lei Seca não é o mesmo que pagou o micão de votar uma Lei Geral da Copa omitindo-se sobre a questão da venda de álcool nos estádios, embora essa venda contrarie várias leis estaduais?” Sim, é este mesmo! E se note que houve algo mais do que omissão: o governo federal decidiu, na verdade, jogar a responsabilidade nas costas dos governadores.

Assim, aprendemos que a política pública brasileira em relação ao álcool é a seguinte: numa ponta, coibir o consumo; na outra, incentivar — já que o Lula se comprometeu com a Fifa que o Brasil adotaria procedimentos contrários à sua legislação.

A propósito, aproveito para lembrar um artigo que Andrea Matarazzo, que deixa amanhã a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, escreveu na Folha de sábado passado sobre o assunto.
*
Copa sim, mas não a qualquer custo

Todo grande evento que traga visibilidade ao país é bem vindo. Isso, evidentemente, se aplica à Copa do Mundo de 2014.

No entanto, o Mundial de futebol parece ter entrado no rol dos temas cujo debate é interditado, já que o evento se transformou numa panaceia para todos os males brasileiros.

É necessário que a Copa aconteça, mas não a qualquer custo -especialmente, não ao custo de leis brasileiras que se firmaram pelos bons resultados.

A Lei Geral da Copa cria situações de exceção criadas para permitir que o público visitante goze de serviços vetados aos brasileiros em todos os outros jogos de futebol realizados país afora.

Refiro-me especialmente à permissão para venda de bebidas alcoólicas nos nossos estádios durante o mundial.

Em vários estados da Federação, existem leis locais proibindo a comercialização de álcool dentro e no entorno das praças desportivas. Em São Paulo, a regra vale desde 1996.

Onde quer que tenha sido implantada, essa norma contribuiu de forma decisiva para a redução dos índices de violência dentro dos estádios de futebol.

Tanto é assim que, desde 2007, a Confederação Brasileira de Futebol resolveu instituir a prática em todos os jogos do Campeonato Brasileiro. Em 2010, o próprio Estatuto do Torcedor foi alterado para incluir a proibição ao porte de álcool nos locais de jogos.

Em São Paulo, graças à medida, o número de ocorrências policiais caiu 90% em dez anos. Em Minas, a redução foi de 75%, em um prazo ainda menor.

Os dados são do relatório apresentado pelo Ministério Público à Comissão Especial da Câmara dos Deputados que avaliou a Lei da Copa. Como era de se esperar, o MP requisitou que a proibição à venda de bebidas fosse mantida.

Há quem defenda que a proibição de bebida alcoólica seja suspensa argumentando que o público da Copa da Mundo é outro, formado por turistas estrangeiros e pessoas de maior poder aquisitivo.

É como afirmar que os ricos e os visitantes de outros países são imunes aos efeitos do álcool.

Quem defende essa posição parece esquecer que a violência nos estádios de futebol não é exclusividade brasileira -que o digam todo o histórico da Inglaterra com os hooligans e a morte, no mês passado, de 75 torcedores em um estádio do Egito.

No meio disso tudo, o governo federal se mostra inábil e ausente.

Primeiro, desconsiderou a autonomia dos Estados e assinou um acordo com a Fifa que garantia a venda de bebidas nos jogos, sem nenhum tipo de diálogo.

Agora, optou pela saída mais fácil e resolveu se omitir: deixou esse ponto em aberto no texto da Lei Geral e jogou no colo dos Estados e municípios o ônus de um embate desigual com a Fifa -embate que, na prática, já está definido a favor de tal federação.

Aos nossos Estados, restará pouco espaço para negociação, algo que é lamentável.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 18:58

Uma lembrança de Ronaldinho Azeredo à revista “3,1415927-auí”: “És pó, e ao pó retornarás”. Ou: Da luta de classes à luta de espadas

Uma revista chamada “3,1415927-auí”, que pertence ao banqueiro John Sales (mas ele também compra), resolveu fazer uma graça “com um blogueiro” num texto sobre a agressão de que foram vítimas as pessoas que participavam de um debate no Clube Militar. Lê-se:
“Com um megafone na mão, o blogueiro Ronaldinho Azeredo tentava promover a paz, a compreensão e o amor solidário entre os homens de boa vontade (…)”

O blogueiro Ronaldinho Azeredo enviou para este blog o seguinte comentário:

Não é a primeira vez que sou objeto de graça nessa página. Fazer o quê? É da vida. O bom é que a gente pode responder quando dá vontade. Parece que a esquerda financeira, que vive do couro que arranca dos pobres por intermédio dos juros e do spread bancário mais altos do mundo, resolveu me tachar  de representante “da direita”. Huuummm… Esta é a verdadeira luta de classes do Brasil: a travada entre a esquerda financeira e a direita que trabalha.

John Sales, certa feita, resolveu adotar um herói nacional. Tratava-se do traficante Marcinho GG, bandido e supergato. O amor socrático não foi o bastante para fazer aquele bom (“ah, como era bom!”) selvagem mudar de vida. O rapaz acabou assassinado, deixando inconsoláveis várias viúvas de suas veias poéticas.

Terminava ali a mais ousada tentativa já havida no Brasil de substituir a luta de classes pela luta de espadas.

Como nota a “3,1415927-auí”, a comédia brasileira pode ser um insulto de muitas faces.

Lembrem-se do Gênesis, rapazes, aquele capítulo que começa com a serpente… “Porque és pó, e ao pó retornarás”.

Esse Azeredo tem cada uma…

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 15:35

A Universidade de Brasília e o Comando de Caça aos Não-Comunistas

Na página da “Aliança pela Liberdade”, chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília, encontro a seguinte nota. Leiam. Volto em seguida:

Na Coluna “Panorama Político” de hoje, o jornalista Ilimar Franco – O Globo, divulga a seguinte nota:

Demóstenes e a Juventude do DEM
A queda do senador Demóstenes Torres (GO), alvejado pelas ligações com Carlinhos Cachoeira, é um golpe no trabalho do DEM entre a Juventude. Ele era uma espécie de ícone da nova direita e vinha percorrendo o Brasil organizando a juventude em torno das ideias conservadoras do DEM. Crítico das cotas, ele tinha relação estreita com professores e a atual diretoria do DCE UnB Honestino Guimarães e participava de um movimento de oposição ao reitor José Geraldo de Souza Junior. No seu Twitter, Demóstenes chegou a escrever: “O que há na UnB é uma espécie de bullyng ideológico, e estou aguardando relatos de outras universidades”.

A Aliança pela Liberdade informa que JAMAIS teve qualquer relação com o Senador Demóstenes Torres e está curiosa em saber de onde veio tal fantasia e onde ela quer chegar. Este grupo também não tem nenhuma relação com a Juventude do DEM. O que fizemos, no passado, foi expulsar do nosso grupo uma pessoa filiada a este partido, tão logo se comprovou que ele mentira para o grupo, ao negar filiação partidária quando era, de fato, filiado. No nosso entender, fizemos bem: expulsamos alguém que traiu os princípios de apartidarismo do grupo. O supracitado fato ocorreu quando ainda nem éramos gestão do DCE, há 2 anos.”A produção de mentiras e inverdades de forma tão gratuita só dá a certeza a este grupo de que estamos no caminho certo. Cabe agora ao jornalista provar o que disse e esclarecer sua informação. Nossos advogados já estão cientes do fato e buscaremos as vias necessárias para que tamanha leviandade não passe impune.

Voltei
A chapa faz muito bem em protestar, e me parece que Ilimar está eticamente obrigado a evidenciar essas ligações — ou, então, a nota ficará caracterizada apenas como parte de uma trabalho de “caça às bruxas da direita”.

O PCdoB comanda DCEs de várias universidades Brasil afora. Nunca ninguém cobrou desses estudantes que explicassem a roubalheira das ONGs que atuavam no Ministério do Esporte. O PT está na direção de muitas entidades estudantis. Igualmente delas não se cobra que respondam pelas lambanças dos seus pares.

Por que a Aliança pela Liberdade estaria comprometida pelas ações de Demóstenes? Isso é uma tentativa de satanização de uma parcela da universidade — parte considerável dela! — que não está rendida à esquerda. Ainda voltarei a essa tema, mas a grande sacanagem em curso é a seguinte: no caso de Demóstenes, não foi ele que fez lambança, mas a “direita”. A grande culpada seria mesmo a ideologia, aquele conjunto de ideias — e até o “moralismo”, como dizem. Quando aparecem os criminosos de esquerda — no Brasil, em número muito maior —, aí é preciso correr para demonstrar que se trata apenas de desvios pessoais. A ideologia restaria intacta.

Não consta que Ilimar tenha escrito alguma vez que os DCEs petistas se ressentiram de ter entre os seus um patriota como José Dirceu. Por que a Aliança Pela Liberdade estaria manchada pelo desastre que colhe Demóstenes se aquela meninada nem filiação partidária tem?

E noto, adicionalmente, que a coluna de Ilimar também tenta pegar os professores da UnB. Quais professores? Certamente os que não estão abrigados em correntes de esquerda. Felizmente, não existe mais CCC (Comando de Caça aos Comunistas) no Brasil. Agora existe o CCNC: Comando de Caça aos Não-Comunistas. Em nome da liberdade, é claro! A liberdade que os comunistas sempre garantiram ao povo quando no poder…

A moçada da UnB faz bem em protestar e cobrar as evidências. Afinal, tem como provar que as ações de Demóstenes estão fora de seu conjunto de valores. E tem como provar também que o crime é parte da constituição moral da esquerda.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 14:58

Segundo Ibope, maioria dos brasileiros acha o governo muito bom. Agora, bom mesmo é o brasileiro… Pesquisa é divulgada com 17 dias de atraso

O Ibope divulgou uma nova pesquisa sobre a avaliação do governo Dilma. A maioria, vocês verão, o considera muito bom! Mas bom mesmo é o povo. Vejam só: 65% desaprovam a política de impostos; 63% reprovam a de saúde, e 61%, a de segurança pública. Não obstante, sua gestão é acolhida por 56% dos entrevistados, segundo o Ibope. A aprovação pessoal de Dilma chegou a 77%. Leiam texto de Breno Costa, na Folha Online. Volto depois.
*
A presidente Dilma Rousseff bateu um novo recorde desde o início do seu mandato e ampliou a sua popularidade mesmo depois da divulgação de um crescimento modesto do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011 e em meio a turbulências de uma crise política em sua base de apoio no Congresso. Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira (4), a aprovação pessoal da presidente (aqueles que acham o jeito Dilma de governar “ótimo” ou “bom”) subiu cinco pontos percentuais desde dezembro, de 72% para 77%. É o maior índice registrado desde março do ano passado, quando a primeira pesquisa sobre seu governo foi divulgada. A presidente tem usado como trunfo em sua relação com o Congresso as altas taxas de popularidade alcançadas desde o início de seu governo.

A avaliação de sua gestão, contudo, manteve-se a mesma na comparação com dezembro, estacionada em 56%. O índice tinha sido o melhor para um primeiro ano de governo desde que a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria começou a ser feita, em 1995. Comparativamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva tinha avaliação “ótima” ou “boa” de 34% no início de seu segundo ano de mandato, em 2004. Na época, o governo estava abalado pelo seu primeiro escândalo de corrupção, após a revelação do caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil. Ainda assim, é maior o número de entrevistados que considera o governo Dilma pior do que o governo Lula (23%). A gestão Dilma é considerada superior por 15%.

Lembranças
A pesquisa aponta que os assuntos mais espinhosos, e que poderiam abalar a avaliação positiva do governo, foram pouco lembrados pelos entrevistados. É o caso do crescimento do PIB de 2,7% em 2011, citado por apenas 1%. A crise política, que levou à troca da liderança do governo no Senado, foi citado por 4%. De acordo com o levantamento, os assuntos mais lembrados espontaneamente pelos entrevistados sobre o governo foram os “programas sociais voltados para mulheres” e as “viagens da presidente Dilma”.

A pouco mais de dois meses da Conferência Rio +20 e com a votação do novo código florestal voltando à pauta do Congresso, a pesquisa apontou que as ações e políticas para o meio ambiente foram aquelas que apresentaram maior crescimento na aprovação em relação a dezembro, saltando de 48% para 53%. As áreas com pior avaliação são, de acordo com a pesquisa, impostos (65% de desaprovação), saúde (63%) e segurança pública (61%). A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de março. No levantamento, foram ouvidas 2.002 pessoas em 142 municípios.

Voltei
Os índices robustos  e em alta de popularidade do governo Dilma já haviam sido apontados na pesquisa que o Datafolha fez em janeiro. Não tenho muito a acrescentar à
análise que fiz então. O governo soube transformar seus limões em limonada. Os seis ministros demitidos sob suspeita de corrupção — eram, afinal, governo e foram nomeados por Dilma — viraram um trunfo da presidente! Esse levantamento do Ibope foi feito entre os dias 16 e 19 de março, em meio à crise do governo com a base aliada. Também essa a governanta faturou: ela apareceu como heroína da luta contra a fisiologia.

Há fatores que não são primariamente políticos que explicam esses números. Apesar do baixo crescimento da economia no ano passado, as dificuldades ainda não chegaram ao “povão”. O modelo continua ancorado no consumo acelerado. Não há, pois, razão, nesse particular, para mudança de humores. Mas é o elemento político o mais importante. Poderia resumi-lo numa pergunta: “Se não for Dilma, é quem?” Inexiste discurso organizado de oposição na esfera federal. Cadê o líder?

Reproduzo um trecho da análise que fiz da pesquisa Datafoolha, em janeiro:
“Ok, os aecistas do PSDB podem se regozijar. Hoje, e tudo o mais constante, o nome do PSDB para disputar a Presidência da República é Aécio Neves. Digamos que a questão interna esteja mais do que precocemente resolvida. E daí? Com que eleitor, e sobre quais temas, os tucanos pretendem conversar? Como é que vão convencer os brasileiros, COM QUAIS VALORES?, de que Dilma não merece uma segunda chance? FHC parece apostar que um “político tradicional”, aliancista, tem mais chances. Pode ser. Desde que a equação não ignore o eleitor…”

Encerrando
Uma coisa chama a atenção: a pesquisa foi feita entre os dias 16 e 19 de março. Por que foi divulgada só agora? Quanto tempo demora para computar 2002 entrevistas? Dois dias, não 17. Bem, se há um bom momento para demonstrar que Dilma está com tudo, convenham, é este.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 14:24

Chefe de gabinete do governador de Goiás pede demissão

Por Chico de Gois, no Globo:
Flagrada em conversas gravadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu demissão do cargo. Ela entregou ao governador a carta de exoneração na noite de terça-feira, depois que a assessoria do governo foi procurada pela imprensa pedindo explicações sobre o envolvimento de Eliane com o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.   Segundo relatório da Operação Monte Carlo da PF, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da PF à construtora Delta, conforme revelou nesta quarta-feira O GLOBO.

Na carta, Eliane sustenta não ser ela que a pessoa que aparece nas gravações conversando com Cachoeira. Na terça-feira, no entanto, admitiu que conhecia o contraventor desde 2003 e que até tinha um aparelho Nextel, mas que o equipamento não tinha sido dado por Cachoeira.

Numa das conversas com Eliane, Cachoeira antecipa informações sobre a operação Apate, desencadeada dia 13 de maio do ano passado, em Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. A operação teve como objetivo combater um esquema de fraude contra a Receita Federal, do qual participavam prefeituras.

Leia a íntegra da carta de demissão:

“Sr. Governador,

Como é do conhecimento de V. Excia, meu nome tem sido citado, nos últimos dias, a propósito de gravações telefônicas da Operação Monte Carlo e de vínculos de amizade exclusivamente pessoais com pessoas indiciadas na referida Operação.

Não tenho a temer. Injustamente, fui também vítima de um grande equívoco pela coincidência do meu nome com o de uma outra Eliane, que desconheço, e que protagoniza conversas telefônicas grampeadas na investigação. Mas a imprensa foi implacável e de todas as maneiras tentou me envolver, destacando as suas suspeitas em letras garrafais, no alto das páginas, e só corrigindo, após os meu esclarecimentos, em letras miúdas, em um canto qualquer das edições.

Em qualquer país civilizado, somente os tribunais aplicam penas e, mesmo assim, após um processo de apuração de culpas mediante o exercício do direito de defesa. Esse, não me é dado, diante das regras estabelecidas pela histeria coletiva em que se transformam as denúncias em nosso país, nos dias de hoje.

Por tudo isso, não possso colaborar em transformar o Governo do Estado, a que servi com dedicada abnegação, em alvo de especulações da mídia. Peço a minha exoneração do cargo de Chefe do Gabinete da Governadoria – agradecendo desde já a honra e o privilégio ímpar de ter trabalhado ao seu lado e tudo ter feito para o sucesso da sua administração, em benefício do povo goiano.

Goiânia, 3 de abril de 2012.

Eliane Gonçalves Pinheiro”

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 6:05

LEIAM ABAIXO

Dirceu vai montar equipe de campanha de Haddad; agora falta chamar Delúbio Soares para ser do caixa!;
Ao retornar a Brasília, Haddad é esquecido, em dia de anticandidato;
Gabriel, o que se pensa pensador;
Cachoeira vazava operações da PF para chefe de gabinete de Perillo;
“Máfia do jogo” foi ao apartamento funcional de Demóstenes em Brasília;
Da fábula “Ideli e as lanchas” – Pesca desviou emendas para comprar barcos;
Ideli e as lanchas, “meu amor”: Dirigente da Pesca, filiado ao PT, pediu que empresa doasse à sigla;
Ergam a mãos os surpresos: PR se une a PTB no Senado e volta à base do governo;
Defesa de Demóstenes deve pedir anulação de escutas depois do feriado;
A CUT dá início ao esforço para estrangular as demais centrais. Ou: Uma boa causa para maus propósitos. Ou: A CUT do PUN;
Comentários;
Lula e Falcão debatem eleições com ex-deputado, cassado por corrupção e acusado pela PGR de ser “chefe de quadrilha”. Como diria Ideli, faz sentido, “meu amor”!;
Notícias do fim do mundo – Trabalhadores da usina de Jirau incendeiam alojamentos;
Governo diz que pacote de estímulo à economia pode chegar a R$ 60,4 bilhões com as renúncias fiscais e novo aporte ao BNDES;
Eis Ideli Salvatti, “meu amor”!;
Em carta ao DEM, Demóstenes anuncia saída do partido;
Ainda o caso Demóstenes, a vingança dos imorais e a turma do bobó de camarão com caipirinha;
A agenda positiva ainda não veio; mas a negativa – dos outros – já está de bom tamanho;
Cachoeira pagou propina em troca de favor do Incra, diz PF;
Mantega recorre ao STF e MP suspende investigação;
As lanchas de Ideli – Doação ao PT “nunca deveria ter ocorrido”, diz ministro da Pesca

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:55

Dirceu vai montar equipe de campanha de Haddad; agora falta chamar Delúbio Soares para ser do caixa!

Escrevi ontem um texto sobre a reunião que Luiz Inácio Apedeuta da Silva manteve com José Dirceu e Rui Falcão na segunda para tratar da candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Apontei a imoralidade intrínseca daquele encontro no ano em que — espera-se, não é, ministro Ricardo Lewandowski? — o caso do mensalão vai ser julgado. Conta-se com um mínimo de compostura de um ex-presidente da República. É claro que pode conversar com o seu colega de partido. Discutir, no entanto, eleições com alguém acusado de ser chefe de quadrilha e que teve o mandato cassado por corrupção vai muito além das longas franjas éticas da política brasileira. É falta de vergonha na cara mesmo. Mas, como se escreveu aqui, ser petista é jamais ter de pedir perdão… Pois é! Ocorre que a informação de que dispunha ali não estava completa, não! A coisa é bem pior!

Na Folha desta quarta, Catia Seabra informa que o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) vai ser uma das pessoas encarregadas de montar a equipe de campanha de Haddad. Ora, onde quer que o Zé esteja — e isso não deixa de ser um elogio, né? —, ele nunca é “um dos”; ele sempre é “o”!!! Assim, tem-se que Haddad, que já é uma invenção eleitoral de Lula, será agora também um comandado de Dirceu. A sua equipe de campanha obedecerá as ordens do Zé e certamente se pautará pelas balizas éticas desse grande patriota e desse exemplo de ilibada reputação política. Uma coisa é certa: Haddad contará com o apoio entusiasmado daquela turma que digere bobó de camarão com caipirinha.

No momento em que o país é sacudido pela Operação Monte Carlo, que destruiu uma das figuras mais reluzentes do Senado — por conta de escolhas que ele fez, é bom que se destaque! — e que ameaça arrastar outros tantos (ver posts abaixo), também do PT, a principal personagem daquele que é ainda o pai de todos os escândalos assume o papel de protagonista na disputa pelo comando da principal cidade do país. Ora, deem uma boa razão para que Delúbio Soares não seja convidado para ser o caixa de campanha.

Se o chefe pode assumir tal papel de destaque, por que não o subordinado? A dupla já é colega de colunismo político. O tesoureiro da campanha de Lula de 2002 foi reintegrado ao partido e recuperou seu antigo prestígio da sigla. Se os petistas já decretaram a inocência de Dirceu, não têm por que não fazer o mesmo com Delúbio. É isto: em nome da justiça e da isonomia, vamos dar início a uma campanha: “Delúbio para caixa de campanha de Haddad”. Se o mensalão levou Dirceu a criar aquela frase de ecos hamletianos —  “Estou cada vez mais convencido da minha inocência” —, a Delúbio a gente deve o eufemismo de inflexão burocratizante para a pilantragem do caixa dois: “recursos não-contabilizados”.

A certeza da impunidade é de tal sorte; é tão ousada a aposta na memória curta do eleitorado, que o Zé é alçado ao posto de homem mais importante da campanha de Haddad, mesmo com o currículo que exibe — melhor ainda: POR CAUSA DO CURRÍCULO QUE EXIBE. Se fosse dado ao PT escolher entre a vitória em São Paulo e, sei lá, em 200 outros municípios, incluindo muitas capitais, a legenda não hesitaria um segundo: quer a maior cidade do país porque isso é considerado um passo importante para acabar com o PSDB. Os petistas consideram uma pena que não possam lograr esse intento usando a Polícia Federal — se é que vocês me entendem.

O Zé na área também é a certeza de que vem truculência por aí. O PSDB pode ir se preparando. Não será um jogo de salão. O mensalão, como sabem, foi a escolha de um método. E o homem que comandou aquele bordel político, segundo a Procuradoria Geral da República, foi Dirceu. Ele não mudou. A história demonstra que o tempo tem ressaltado e extremado os aspectos viciosos de sua ação — na hipótese, sou generoso, de que possa haver os virtuosos — um que seja…

Três semanas de noticiário bastaram para tirar Demóstenes do DEM e para liquidar com sua reputação política. Passados sete anos do mensalão, o Zé continua tão poderoso quanto antes e certamente muito mais rico, dado o dinheiro que ganhou como “consultor de empresas privadas”… Como ele mesmo disse numa entrevista ao repórter Fernando Mello, na revista Playboy, um telefonema seu para o Palácio do Planalto,  ”é um telefonema…”

Eis aí! Haddad é um títere criado por Lula e agora manipulado por Dirceu.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:53

Ao retornar a Brasília, Haddad é esquecido, em dia de anticandidato

Por Leonêncio Nossa, no Estadão:
Na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o petista Fernando Haddad fez ontem, em Brasília, um tour de anticandidato. Por quase duas horas, participou de uma solenidade no Superior Tribunal Militar, onde, à exceção do ministro da Defesa, Celso Amorim, e do ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, que não apareceu, foram homenageadas apenas autoridades de segundo e terceiro escalões do governo e generais.

 

Embora os assessores do tribunal tenham esquecido de citar o nome de Haddad nos anúncios de divulgação do evento, ele estava na lista dos que receberam a Comenda da Ordem do Mérito Judiciário. Após recebê-la, o pré-candidato petista cumprimentou jornalistas e, educadamente, disse que não iria dar entrevista.

A qualquer observação sobre a sua situação de pré-candidato, Haddad apenas sorria. E, com calma, se recusava a falar dos ataques de Marta Suplicy, que na semana passada o mandou “gastar sola de sapato”, e até da expectativa pela entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha. “Vocês não teriam outro assunto?”, questionou o pré-candidato.

Ao ir embora, Haddad voltou a minimizar os problemas na sua campanha e a discussão política. Ele disse que alguns debates são “irrelevantes” e que era preciso, por exemplo, falar da dificuldade de transporte dos “11 milhões de habitantes”. Haddad, no entanto, se recusou a dar uma entrevista sobre o assunto.

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:51

Gabriel, o que se pensa pensador

Gabriel Chalita, e não é tão incrível assim, caiu no gosto da imprensa paulistana. Ele descobriu que duas coisas rendem notícia: a) falar mal do tucano José Serra — serve qualquer coisa; sabe que o jornalismo não vai explicar mesmo — e b) fazer discursinhos politicamente corretos, afinados com a agenda tão clara quanto oculta do jornalismo.

Na noite desta terça, no Estadão Online, lá estava ele a criticar a operação da PM que desprivatizou a região de São Paulo que era conhecida como “Cracolândia” — estava sob o domínio paralelo dos traficantes de crack e viciados — e a atacar a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e do Serviço de Atenção Integral do Dependente (Said). Segundo este grande pensador, a ação da PM foi “midiática”. Quanto aos centros, ele diz temer que se transformem em manicômios.

Chalita atacou a ação da PM, mas preservou o governador Geraldo Alckmin (PSDB), como se não tivesse sido este a dar ordem — correta, diga-se! É que o pré-candidato do PMDB à Prefeitura gosta de alardear a sua amizade com o governador e a com a presidente Dilma. Entre PSDB e PT,ele estaria na coluna do meio, nem muito lá, nem muito cá — ou melhor: estaria lá e cá. Acha que pode prestar serviços aos dois lados.

A equipe encarregada de construir a sua imagem o orienta a nunca dizer o que a cultura média do jornalismo repudia. Ela é majoritariamente contrária à intervenção na Cracolândia? É! Então Chalita também é contra. Ela vê com desconfiança centros de tratamento? Então Chalita logo fala em “manicômios”, palavra que provoca arrepios de ignorância em boa parte da moçada que está na, bem…, militância jornalística. O Movimento Antimanicomial foi amplamente vitorioso no Brasil. Em vez de humanizar os centros de tratamento de pessoas com graves distúrbios psíquicos, conseguiu acabar com eles. Resultado: sem ter como cuidar de sues doentes, as famílias os jogaram nas ruas. Isso é que é humanismo!

Chalita é contra os centros e diz ter uma solução: os convênios com entidades privadas!!! Com quais entidades privadas? Ele não diz, é evidente, porque elas simplesmente não existem. Há uma poucas clínicas particulares de recuperação de dependentes. Se tiverem qualidade, não são coisa para pobres. Custam uma fortuna. Se o Estado tem mesmo de tratar os viciados, como se tornou um quase consenso — eu, por exemplo, acho que eles têm mais é que arcar com o peso das escolhas que fizeram, mas sei que já perdi essa —, esse serviço terá de ser criado, praticamente inventado, como se vem fazendo na cidade de São Paulo. Nota: evidentemente, acho que cabe ao estado cuidar das crianças.

Em suma: este senhor se opõe aos tais centros porque ele precisa dizer alguma coisa, ter alguma ideia. No domingo, o Estadão publicou o enésimo texto sobre os dotes retóricos de Chalita em seus palestras — aquele seu tatibitate cafona, capaz de dizer larguezas como “tenho mais dúvidas do que certezas!” Sei, sei… Vai ficando a cada dia mais claro que esse cruzamento de Sócrates com para-choque de caminhão só sabe que nada sabe…

Aborto
Chalita adere à agenda politicamente correta, mas não é doido. No caso do aborto, ele ousa dissentir da metafísica influente e se diz contrário à mudança da lei. Mas todos sabem que decidiu ser o “lado católico” da então candidata Dilma Rousseff quando esse tema ganhou a sociedade, e a petista foi obrigada a desdizer o que antes dissera. Favorável à legalização, ela foi à cidade de Aparecida, errou aos se persignar, mas fez ares de boa cristã. E garantiu que tinha mudado de ideia. Chalita ficou a seu lado, como um diligente coroinha.

No Estadão de domingo, o neopeemedebista aparece afirmando que Serra foi o “único” político a regulamentar o aborto na rede pública quando foi ministro da Saúde. Está lá no jornal. Quem conhece o assunto sabe que ele está sendo leviano; quem não conhece ficou com a leviandade porque o jornal não se preocupou em explicar. Tivesse dito que o tucano é louro, cabeludo e de olhos azuis, talvez se procurasse resgatar a verdade… O aborto é legal no Brasil em caso de estupro e se a mãe estiver com a vida em risco.

Nesses casos, o sistema público de saúde é obrigado a interromper a gravidez se essa for a vontade da mulher. Pois bem: Serra cumpriu a sua obrigação e criou critérios para a aplicação da lei. Por quê? Sem eles, abortos ilegais poderiam ser facilmente praticados. Assim, Chalita mente ao sugerir que o tucano facilitou a prática do aborto. Ele fez o contrário: criou dificuldades para a burla da lei. “Ah, como esse Reinaldo é serrista!!!” Ainda que fosse, o que escrevo não deixaria de ser verdade, e o que sugeriu Chalita não deixaria de ser mentira. E a imprensa tem compromisso com a verdade, certo? Nesses casos, o “outro lado” nem precisa ser ouvido. É atribuição do jornalista deixar claro o que é e o que não é fato.

Vamos ver: Chalita já prometeu, se eleito, acabar com a inspeção veicular; acabar (suponho) com a criação dos centros de tratamento para viciados e, quero crer, devolver a cracolândia a seus antigos “donos”, que é o que aconteceria se a PM relaxasse a vigilância. É… Suas ideias precisam ser mais conhecidas, não é mesmo?

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:49

Cachoeira vazava operações da PF para chefe de gabinete de Perillo

Por Chico de Gois e Jailton de Carvalho, no Globo:
O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou sua rede de policiais para obter informações sobre operação da Polícia Federal e vazá-las para a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo relatório da Operação Monte Carlo da PF, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane Gonçalves Pinheiro que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da PF à construtora Delta.

Num dos trechos das gravações interceptadas com autorização judicial, o contraventor pergunta a Eliane se ela falou “pro maior” (sic). Ela responde que sim, e acrescenta: “Estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava”. Não fica claro se “o maior” é o próprio governador.

A ação em questão foi desencadeada no dia 13 de maio de 2011 com o nome de Operação Apate. O objetivo foi combater um esquema de fraudes contra a Receita Federal nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. Foram expedidos 82 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. A Receita Federal havia identificado indícios de que em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentadas por prefeituras e outros órgãos municipais, havia informações falsas sobre retenções do imposto de renda. Os operadores do esquema contavam com a colaboração de alguns prefeitos e servidores do primeiro escalão municipal. A estimativa da Receita Federal é que o prejuízo aos cofres públicos tenha alcançado cerca de R$ 200 milhões.

Antes do telefonema, o contraventor trocou mensagens de texto com a chefe de gabinete de Perillo, informando da ação da PF. O primeiro torpedo ocorreu no dia 12 de maio do ano passado, às 20h16. Ele anuncia: “vai ter busca na casa e prefeitura, ok”. E ela responde: “ok, entendi.” Depois, continua Carlinhos: “somente busca.” E ainda dá conselhos: “pede a ele que tire as filhas de lá.”. Eliane tranquiliza o interlocutor: “elas estão na casa dele em Taguatinga. Vc. acha q eles vão procurar lá tbem? Ele tem as duas residências”. Carlinhos responde: “acredito q não. Uruaçu, Minaçu”, informa, referindo-se a dois municípios onde deveriam se desencadear as ações da Polícia Federal. Depois encerra: “Entendeu? Falou pro chefe?”

Delta também pediu dados

Doze minutos depois da troca de torpedos, o contraventor telefona para Eliane para confirmar se ela recebeu as mensagens.

Carlinhos: Eliane?

Eliane: Estou ouvindo.

Carlinhos: Falou pro maior (sic)?

Eliane: Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava.

Antes de encerrar o diálogo, a chefe de gabinete de Marconi Perillo procura saber se a operação da Polícia Federal tem mais gente envolvida.

Carlinhos: Não. Já, já eu te falo. O que eu sei é esses aí (sic). Num (sic) tem ninguém grande não.

Mas Eliane insiste para que ele a avise sobre as novidades: Se você ficar sabendo, me fala. Tem uns pequenos aí que interessa (sic) a gente.

Por meio da assessoria de imprensa, Eliane confirmou que conhece Carlinhos desde 2003. Sobre os diálogos, ela afirma, que a Eliane citada em relatório da PF pode ser uma advogada. No relatório da PF, Eliane é identificada pelo sobrenome, número do CPF e até os telefones utilizados por ela. A chefe de gabinete de Marconi Perillo negou que tenha recebido um Nextel de Cachoeira e afirma que foi um amigo, Wladimir Garcez, que lhe emprestou um aparelho quando ela fez uma viagem ao exterior. Garcez é ex-vereador e, segundo a Polícia Federal, também integra o esquema de Carlinhos Cachoeira. Há vários diálogos interceptados entre os dois. O governador Marconi Perillo disse, por meio da assessoria, que desconhece qualquer relação entre sua chefe de gabinete e Carlinhos Cachoeira.

Relatório da Polícia Federal mostra que Cachoeira também repassou informações para Cláudio Dias Abreu, ex-diretor da construtora Delta em Goiás. Conversas interceptadas pela PF revelam que Abreu recorreu ao amigo para se proteger de eventual investigação sigilosa da Polícia Federal. Integrantes da organização conversam também sobre movimentação financeira supostamente irregular da empresa.

Abreu recorreu aos serviços de Cachoeira em 14 de julho do ano passado para saber sobre operação que a Polícia Federal faria no Pará.

- É deixa eu te falar, nós ficamos sabendo que vai ter uma operação lá no Pará, dá pra você levantar se vai ter reflexo aqui? – pede o executivo.

Cachoeira diz que, se houvesse reflexo, um dos delegados subordinados à organização já teria vazado a informação. Segundo relatório da polícia, Cachoeira tinha uma extensa rede de espionagem.

Em outros diálogos, aparecem referências a suposta lavagem de dinheiro utilizando fornecedores da empreiteira. Por intermédio da assessoria de imprensa, o presidente do conselho da Delta, Fernando Soares, negou qualquer vínculo da empresa com Cachoeira. Segundo ele, Abreu foi afastado em 8 de março, uma semana depois da deflagração da operação. “A Delta Construção está em atividade há 50 anos. Tem uma longa tradição no mercado de construção civil e hoje figura entre as sete maiores e mais respeitadas empresas do setor”, disse a assessoria da empresa.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:47

“Máfia do jogo” foi ao apartamento funcional de Demóstenes em Brasília

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
Grampos da Polícia Federal indicam que o apartamento funcional em que mora o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em Brasília serviu de ponto de encontro da cúpula da chamada “máfia dos caça-níqueis” em Goiás e no Distrito Federal. Em conversas interceptadas pela Operação Monte Carlo, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, relata uma reunião de integrantes do esquema no local.No telefonema de 17 minutos, gravado em 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza – segundo homem na hierarquia do esquema, responsável pela administração contábil do grupo, conforme a PF – que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília.

Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado. “Está aonde?”, indaga Lenine. “Aqui na 309, Bloco C, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul”, responde o sargento.

Segundo as transcrições, às quais o Estado teve acesso, foram ao local Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como “o homem”; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito como sócio do empresário em negócios ilegais, e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço direito, encarregado de obter facilidades nas Polícias Militar e Civil de Goiás. O Bloco C e o Bloco G, onde mora Demóstenes, são unidos e têm estacionamento e portaria comuns.

“Não posso sair”
Eram cerca de 16h40 e, na conversa, Dadá dizia estar em frente ao prédio desde a hora do almoço. “O homem está aqui, Cláudio, está aqui, não posso sair”, explicou a Lenine. Demóstenes estava em Brasília nesse dia, conforme registros do Senado. Procurado nesta terça-feira, 3, seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, não se pronunciou.

Segundo o inquérito, após o encontro no prédio, o grupo seguiu para reunião com um advogado não identificado. “Encontramos com o homem aqui na 309. A gente está indo lá pro Gustavo, advogado no Lago Sul”, diz o sargento.

O inquérito da Monte Carlo comprova a extensa teia de relações do grupo, que se valia de contatos nos mais diversos órgãos. Numa das conversas, Gleyb Ferreira da Cruz – elo de Cachoeira com o delegado da PF Deuselino Valadares – comenta com um interlocutor sobre a possibilidade de “entrar com um interesse” na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para resolver um negócio de R$ 300 mil.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

04/04/2012

às 5:45

Da fábula “Ideli e as lanchas” – Pesca desviou emendas para comprar barcos

Por Lúcio Vaz, na Folha:
O Ministério da Pesca usou como justificativa para a compra de 28 lanchas-patrulha emendas do Congresso que destinavam recursos, na verdade, para atividades produtivas no Pará e no Maranhão. A aquisição das embarcações, no valor total de R$ 31 milhões, é questionada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e algumas delas estão paradas há cerca de um ano. A empresa fornecedora também teria sido cobrada a fazer doação eleitoral ao PT de Santa Catarina.

Uma das emendas usada pela pasta foi da bancada maranhense, que destinou R$ 16,7 milhões do Orçamento federal para obras de infraestrutura pesqueira na região metropolitana de São Luís, visando a geração de renda. A maior obra seria a implantação de um mercado de peixe. A proposta foi dos deputados Domingos Dutra (PT), Julião Amin (PDT) e Ribamar Alves (PSB). Dutra negou saber do redirecionamento do dinheiro da emenda: “Se houve isso, vou entrar com ação judicial contra a Pesca. Ali é uma região que só tem urubu, cachorro leproso, rato, lixo e gente pobre. Isso foi desonestidade”.

Outra emenda usada foi da bancada paraense, no valor de R$ 28 milhões, que previa o apoio a unidades da cadeia produtiva pesqueira, como fábricas de gelo e mecanização de cultivos. Após a compra das lanchas, a empresa fornecedora, a Intech Boating, doou R$ 150 mil em 2010 para a campanha do PT de Santa Catarina, partido do então ministro, Altemir Gregolin, e da candidata ao governo Ideli Salvatti, que depois também seria ministra da Pesca. Das 28 embarcações, 16 foram entregues e distribuídas para 14 Estados e dois órgãos federais. Maranhão e Pará receberam uma cada um. Auditoria do TCU apontou “falhas graves de planejamento” da Secretaria da Pesca, tanto que 23 das 28 lanchas estão fora de operação. O patrulhamento das águas não é competência do órgão.

O Ministério da Pesca firmou acordo de cooperação com a Secretaria de Segurança do Maranhão, em junho do ano passado, para colocar uma lancha em atividade. Mas o barco também não estava em operação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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