Blogs e Colunistas

Arquivo de 2 de Abril de 2012

02/04/2012

às 19:59

Reação anuncia disposição de se manter unida e disputar eleição em 2013. Que assim seja!

O post anterior é o segundo — o primeiro foi na manhã de sábado — sobre o resultado da eleição para o DCE na USP. A chapa Reação, que ficou em segundo lugar, divulgou uma mensagem aos estudantes, que está em sua página na Internet. Seguem trechos. Volto em seguida.
*
Agradecemos aos 2.660 estudantes que acreditaram em nosso projeto e confiaram seu voto à Reação, fazendo história como o melhor desempenho de uma chapa apartidária concorrente ao DCE da USP até hoje. Principalmente manifestamos nossa admiração e gratidão às dezenas de estudantes de diversos cursos e unidades que, mesmo não estando inscritos na chapa, colaboraram passionalmente no esforço eleitoral em prol da Reação.
(…)
Obtivemos uma vitória moral em novembro de 2011.
Desde o ano passado a Reação denunciou o golpe do adiamento das eleições originalmente marcadas para o final de novembro. Essa manobra perpetrada por nossos opositores foi claramente uma atitude de desespero para impedir que a grande massa indignada de uspianos manifestasse sua oposição à então greve. Para vencer a Reação nas urnas, foi necessário adiar em 4 meses o pleito e trabalhar ferozmente para que a greve e os absurdos de 2011 caíssem no esquecimento.

Tem início hoje a campanha pelo DCE-USP 2013.
Todos que colaboraram para a Reação nesta eleição estão convidados para integrar, em novembro próximo, a chapa de continuidade do projeto da Reação para o DCE-USP 2013 (…) Esta eleição não é um fim, mas sim um começo de uma jornada da qual sairemos todos vencedores; é apenas uma questão de tempo.

VIVA REAÇÃO!

Voltei
Que assim seja. Lembrando o que escrevi no post anterior, é difícil manter a mobilização porque os membros da Reação não são estudantes profissionais — quadros partidários infiltrados na universidade. Espero que consigam. A maioria silenciosa da USP ainda tem de se manifestar. Ou continuará refém da minoria barulhenta.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 19:44

REAÇÃO – Há duas novidades no meio discente da USP: uma é chapa de não-esquerdistas; a outra é o fato de ela já ter mais votos do que a dos petistas

Caras e caros,

Há mais de 250 comentários ainda na fila, como sabem os missivistas. E sei que prometi mais um texto sobre Agnelo Queiroz (PT), o governador do Distrito Federal, que escreverei.  Tinha me destinado a cuidar deste outro assunto na madrugada, mas vai agora. Expressei, sim simpatia — eu, e não a VEJA — pela chapa “Reação”, única não-esquerdista que disputava o DCE da USP. Defendi que a “maioria silenciosa” da universidade fosse às urnas. Dada a história, sempre soube que era difícil. Afinal, qual é a tradição na USP?

A Reação ficou em segundo lugar. Venceu a “Não vou me Adapatar”, uma união entre PSOL e PSTU, que se odeiam, diga-se. E eles se odeiam por quê? Ah, divergências sobre a leitura correta da… herança trotskista!!! Como vocês imaginam, tem tudo a ver com as necessidades dos estudantes da USP, né? Pior: a maioria não deve ter lido nem o “Programa de Transição”, de Trotsky. A propósito: qualquer um com miolos e que entenda do riscado sabe que a existência do trotskismo sem o stalinismo — ou, vá lá, o modelo soviético — é, assim, como naquela música, o Piu-piu sem o Frajola… Publiquei o resultado da disputa já na manhã de sábado. A Não Vou Me Adaptar obteve 6.964 votos, bem à frente da Reação: 2.660.

Aquela turma que janta com o Zé Dirceu — e que o Zé Dirceu janta — anuncia: “A VEJA perdeu a eleição do DCE…” Pfui… Tontos! A VEJA não apoiou ninguém. Eu emprestei meu apoio — que é nada além de moral. Afinal, à diferença dos esquerdistas, não tenho dinheiro para financiar essas aventuras. Quem realmente perdeu a eleição na USP foi o PT, cuja chapa obteve menos votos do que a Reação, que não tinha o apoio de partido nenhum.

Refresco a memória: o pleito estava marcado para novembro. Os esquerdistas de todas as tendências se juntaram para dar um golpe. E deram! Adiaram o confronto para março. Conforme deixaram registrado em e-mails, tinham receio de que a Reação — “a direita”, como eles dizem — vencesse. Era um receio fundado. Em 2009, a chapa Reconquista, com ideário semelhante, ganhou, mas não levou. Também daquela vez os golpistas se juntaram para impugnar votos e fraudar o pleito.

Atenção! Neste 2012, houve um comparecimento considerado recorde: 13.134 alunos — 2.660 deles para votar na Reação! As esquerdas empreenderam, com os recursos de seus respectivos partidos, uma impressionante campanha de demonização da chapa “de direita”. Os lances de baixaria estão na Internet. Que recorressem ao primitivismo de suas convicções ideológicas, vá lá… Mas não! Optaram pelo crime pura e simplesmente. O PCO chegou a divulgar um falso e-mail que teria sido enviado pelo comando do PSDB pedindo votos à Reação.

Muito bem! Não tenho aqui detalhes dos números — não sei se esse total comporta brancos e nulos, por exemplo. Não imposta. Dou de barato que 2.660 pessoas votaram na não-esquerda, e 10.474 nas esquerdas. A USP tem mais de 80 mil alunos. Eu estou absolutamente convicto de que há mais esquerdistas lá do que esses 13%. Assim como estou certo de que existem mais não-esquerdistas do que aqueles 3,3%. A verdade insofismável é que o tal “recorde” de comparecimento representa apenas 16% dos alunos! Nada menos de 84% nem sequer compareceram para votar porque não reconhecem o DCE como uma instância que os represente.

Foi o que a esquerda contemporânea conseguiu fazer com o movimento estudantil. A sua “democracia” é a da minoria “mobilizada”. O resto que se dane! Infelizmente, só uma pequena parcela da maioria silenciosa compareceu. Se querem saber, a Reação acabou dando alguma vida à disputa, que era apenas um jogo travado entre os mortos, entre correntes que não têm a menor importância ou expressão na sociedade. Ou então vejam: em que outro lugar do país PSOL e PSTU, unidos, são “poder”? Só em alguins DCEs. Ainda assim, no ano passado, levaram um olé da extrema esquerda heavy metal — PCO e LER-QI — e tiveram de apoiar a invasão doidivanas da Reitoria.

As novidades na USP
Não sei se o núcleo que forma a chapa Ração se manterá unido. Para pessoas que não são estudantes profissionais, que não são quadros de partidos infiltrados na universidade, é sempre mais difícil. À diferença daquela turma, os estudantes da Reação são… estudantes mesmo! Muitos deles trabalham; não são sustentados pelo pai “burguês”, pela máquina partidária ou pela grana de sindicatos. As esquerdas profissionalizaram os seus quadros. Os que as enfrentam, como vocês sabem, não.

Um comunicado da Reação anuncia que, como é mesmo?, “a luta continua”! Tomara que assim seja. Expressei, sim, o meu apoio moral à chapa Reação e apoiarei qualquer movimento que, ABRAÇANDO OS VALORES LIBERAIS E DEMOCRÁTICOS, tente expulsar, por meio do voto, aquele cancro de velharias lá instalado.

Há duas novidades na USP se querem saber: 1) uma é a existência de uma chapa de alunos não-esquerdistas, o que deixa aquela gente furiosa; 2) a outra é o fato de essa chapa ter hoje, na Universidade, mais votos do que a chapa do PT. E sem máquina partidária!

Não deu em 2012? Que se tente de novo em 2013, em 2014, até o fim dos tempos. A luta contra esse esquerdismo vagabundo, mixuruca, ignorante e financiado não tem data de vencimento, não tem prazo de validade. É uma questão civilizacional, onde quer que se dê: na rua, na chuva, na fazenda, na USP ou numa casinha de sapé…

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 17:56

Este é o homem que diz ter entregado a Agnelo a mochila com R$ 256 mil

No post anterior, vocês leem que saques reforçam a denúncia do motorista Geraldo Nascimento de Andrade. Ele afirma ter entregado, em 2007, uma mochila com R$ 256 mil em dinheiro vivo para o então ministro do Esporte, Agnelo Qeiroz, hoje governador do Distrito Federal, do PT. Vale a pena ver ou rever o vídeo com a denúncia de Andrade, que foi, sim, usado contra Agnelo na campanha eleitoral. Vejam. Volto em seguida.

Voltei
Caso você tenha alguma dúvida sobre o que viu acima ou não se lembre direito do episódio, publico um texto do Estadão, de 20 de novembro do ano passado, de autoria de Felipe Recordo. No próximo post, ainda volto ao assunto.
*
Um relato detalhado da entrega de uma mochila com R$ 256 mil de propina a Agnelo Queiroz, em agosto de 2007, e um bilhete encontrado na casa do policial militar João Dias Ferreira, dono da Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak), ligam o esquema de desvio de dinheiro do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, ao atual governador do Distrito Federal e ex-ministro do Esporte.

Por conta desses indícios, Agnelo será investigado pelo Ministério Público Federal e poderá ter o sigilo bancário e telefônico quebrado. Na terça-feira, a Justiça Federal enviou ao Superior Tribunal de Justiça o inquérito aberto para a apuração das denúncias.

Nos sete volumes do inquérito, está o depoimento de Geraldo Nascimento de Andrade, motorista de uma das empresas fornecedoras de notas falsas para encobrir o desvio de recursos do Segundo Tempo que está sob proteção policial. Ao delegado Giancarlos Zuliani, da Polícia Civil do DF, Nascimento contou ter sacado, nos dias 7 e 8 de agosto de 2007, aproximadamente R$ 330 mil em uma agência do Banco de Brasília (BRB).

Disse que pôs R$ 256 mil numa mochila e participou pessoalmente da operação de entrega do dinheiro, na cidade-satélite de Sobradinho, a Agnelo. Relatou ter seguido de carro com Eduardo Pereira Tomaz, assessor de João Dias nos projetos do Segundo Tempo, para o estacionamento de uma concessionária de motos.

Nascimento contou ter chegado ao local marcado às 20h30 do dia 8 de agosto de 2007. Pouco depois, um Honda Civic preto estacionou ao lado do carro em que estava. Eduardo, então, desceu do veículo. O passageiro do Honda perguntou-lhe: “Quanto ele mandou para mim?” Eduardo respondeu: “Vê com ele depois”. Eduardo pediu então a Nascimento que passasse a mochila, que logo foi entregue para o passageiro do Honda Civic.

Ao voltar para o carro, Eduardo perguntou a Nascimento: “Você sabe quem é esse cara aí?”, para em seguida ele mesmo responder: “É o Agnelo”. Nesse momento, contou Nascimento, olhou para o lado e confirmou que era Agnelo. Disse que isso foi possível porque o local “possuía boa iluminação”.

Gorjeta
Ainda de acordo com o depoimento, prestado à Polícia Civil em 3 de abril de 2010, o ex-ministro teria despejado o dinheiro no chão do carro, conferido e separado R$ 1 mil que foram dados a Eduardo como gorjeta.

Seis volumes do inquérito serão mantidos sob sigilo durante toda a investigação por conterem informações obtidas com quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados. Em um deles, há ligações de Ana Paula Oliveira, mulher de João Dias, para Agnelo. Segundo os investigadores, ela buscava ajuda para garantir a defesa do marido nos processos que respondia por desvio de recursos públicos.

Em nota, a Secretaria de Comunicação do governo do DF afirmou que a existência da investigação não é suficiente para “firmar premissa” de que Agnelo “praticou ato reprovável legal e eticamente”. “Há manifesta impropriedade na tentativa de formar juízo de valor aligeirado sobre a idoneidade pessoal ou legal de Agnelo Queiroz, com base em informações incompletas e descontextualizadas, principalmente porque a Justiça, único Poder constitucional para exercer a dicção de culpar ou inculpar os cidadãos, em momento algum o fez.”

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 17:35

Saques bancários reforçam denúncia contra o petista Agnelo Queiroz, governador do DF

Confirmação de saques bancários relatados por testemunha: recursos teriam bancado propina para Agnelo

Por Hugo Marques e Gabriel Castro, na VEJA Online. Volto no próximo post:
A comprovação de dois saques bancários reforça a denúncia de que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, recebeu um pagamento de 256 mil reais de propina em agosto de 2007. Os recursos seriam oriundos de desvios no Ministério do Esporte, que foi comandado pelo petista entre 2003 e 2006.

A história não é nova: Geraldo Nascimento de Andrade, funcionário da Infinita Comércio e Serviços de Móveis, diz ter entregue 256 mil reais como propina a Agnelo. Os recursos viriam de convênios fraudados. Segundo o depoimento de Andrade anexado à denúncia do Ministério Público Federal, o esquema funcionava assim: o Esporte firmava parcerias com ONGs do policial militar João Dias e essas entidades contratavam a empresa Infinita Comércios e Serviços. A companhia emitia notas fiscais falsas e, dos recursos transferidos, boa parte se transformava em propina.

Suspeita-se que Andrade tenha realizado o pagamento em 8 de agosto de 2007. Ele contou, em depoimento ao Ministério Público, ter feito duas retiradas, nos dias 7 e 8, no valor total de 335 mil reais. Teriam saído daí os recursos pagos ao atual governador. Os dados financeiros da Infinita comprovam a existência dos dois saques. As datas e os valores batem com o depoimento de Andrade: houve um saque de 150 mil e outro de 185 mil reais. A confirmação foi obtida pela Procuradoria-Geral da República, que investiga o caso.

Em seu depoimento, Andrade dá detalhes de como teria sido a entrega do dinheiro: conduzido pelo motorista de Agnelo, o carro do ministro estacionou em frente a uma concessionária na cidade-satélite de Sobradinho. Lá, o corruptor teria entregue uma mochila com os 256 mil reais. Agnelo teria espalhado as notas pelo chão do carro, para contá-las. O funcionário da Infinita diz que fez as retiradas a pedido de Miguel Santos Souza, que é dono da empresa e trabalhou na campanha de Agnelo ao governo.

O governador deve ser chamado em breve para depor. A assessoria de Agnelo nega as acusações e diz que o depoimento de Andrade não tem credibilidade.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 15:34

Os vermelhos já estão nas ruas. Ou: Os ditos sem-teto são também sem-emprego ou devo entender que são funcionários do “partido”?

Os vermelhos: os ditos sem-teto unigormizados: eles também são "sem-emprego" ou são funcionários do partido?

Os vermelhos: os ditos sem-teto uniformizados: eles também são "sem-emprego" ou são funcionários do partido?

Vejam a foto que vai acima, com essa gente toda de roupa vermelha. Já explico.

No dia 25 de fevereiro, o Estadão informava que os movimentos de sem-teto, que são ligados ao PT (ou ou outro estão ainda mais à esquerda), preparavam-se para botar o bloco na rua. Inclusive se mostravam felizes com o fato de que o PT não fechara acordo com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), conforme queria Fernando Haddad…  Sem a aliança, o negócio era partir para a luta. Agora leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida.

Sem-teto se concentram em praça após passeata em SP; via é liberada

Os manifestantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) se concentravam por volta das 13h30 desta segunda-feira na praça Gomes Pedrosa, próxima ao Palácio dos Bandeirantes (sede do governo do Estado), na zona oeste de São Paulo. Eles protestam desde a manhã contra a ordem de despejo do movimento de dois terrenos ocupados na Grande São Paulo. Segundo assessoria do governo do Estado, o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, e o presidente do CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) estão reunidos com seis representantes do MTST para conversar sobre as solicitações do movimento. Mais cedo, eles interditaram a avenida Jorge João Saad, o que complicou o trânsito na região. Segundo a PM, cerca de 2.000 pessoas participam do protesto.

O grupo começou a caminhada em Taboão da Serra (região metropolitana) e chegou a São Paulo pela avenida Professor Francisco Morato, interditando duas faixas da via. A lentidão na avenida congestionamento por volta das 10h30. O sem-teto exigem a suspensão do despejo deles de dois terrenos ocupados em março deste ano, em Santo André e em Embu das Artes. “Vamos exigir do governo solução habitacional para essas pessoas”, disse Guilherme Boulos, um dos coordenadores MTST. De acordo com a PM, a passeata segue pacífica.
(…)

Voltei
Só uma pergunta, que os muito delicados não fazem: todos esses aí, especialmente os vermelhos, além de supostamente “sem-teto”, são também “sem-emprego”, é isso? Ninguém tinha de trabalhar, como pessoas normais, para ganhar o próprio sustento e, assim, poder comer, educar os filhos, morar — essas coisas que faz a esmagadora maioria dos brasileiros adultos? Ainda está faltando mão de obra em vários setores da economia. Descobri por quê… Estão todos brincando de “sem-teto”…

É claro que o povo pode “reivindicar”, né? Mas há uma diferença entre ser um sem-teto e ser um sem-teto profissional, um funcionário da causa, e estar paradão, em plena segunda-feira, “reivindicando”…

Entendi! Existem os aquinhoados pela sorte, aqueles que podem viver dos benefícios que os outros recolhem aos cofres públicos com o seu trabalho. Cada vez mais, a verdadeira luta de classes brasileira se dá entre o que eles chamam “direita” — a turma que trabalha — e essa “burguesia” de esquerda, que se apropria do que os outros produzem.

Pergunto de novo: os ditos sem-teto são também sem-emprego, ou devo entender que são funcionários uniformizados do partido?

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 15:11

“Oi, tudo beeeinnnn, beeeeinnn, beinnnn?” Ou: Um jantar com Dirceu

Vocês devem imaginar como é dura a vida de blogueiros progressistas. Ajoelhou, tem de… Bem, eles sabem como é duro.

Na segunda-feira passada, Paulo Henrique Amorim — “Oi, tudo beeeinnnn? Beinnnn, beinnnn, beinnn???” — recebeu cinco dos autodenominados “blogueiros progressistas” para jantar em seu apartamento em Higienópolis, em São Paulo. Ele adora demonizar a cidade e o bairro, que já tratou como um reduto de reacionários. Segundo se entende, o Rio é que vive seu momento de glória. Mas gosta de brindar os paulistanos com sua altitude — sobretudo a moral.

Amorim é chique no úrtimo!!!. O jantar era servido por garçons. Um grupo de rapazes, num espaço privado, servido por garçons. O socialismo à moda da casa não pode prescindir da elegância.

Havia um convidado de honra: José Dirceu — sim, o “colunista”, o “chefe de quadrilha”, segundo a Procuradoria Geral da República. É evidente que todos eles tratavam só do interesse público e discutiam maneiras de melhorar o Brasil, que é o que sempre faz o Zé quando janta a rapaziada.

Alguns vão ficar enciumados. Têm a mesma profissão de Paulo Henrique Amorim, mas sem direito a certas regalias. O prato na noite foi o mensalão e a certeza do Zé de que será absolvido. Ele já está quase totalmente convencido da própria inocência. Os outros já se convenceram plenamente.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:51

LEIAM ABAIXO

O destino de Demóstenes e a safadeza oportunista;
Apenas um homem honrado e livre – entre Delúbio e Dirceu;
Demóstenes Torres avalia renúncia para tentar evitar perda de direitos políticos;
ACM Neto cobra “explicações contundentes” de Demóstenes;
Outra da série “Dilma é ruim de serviço” – Projetos bilionários do PAC têm atraso de até 54 meses;
Países anunciam ajuda a rebeldes sírios;
Comentários;
A rede suja na Internet e a tentativa de melar o processo do mensalão e livrar a cara de José Dirceu;
Um pouco de elegância a um ex-admirador, agora colega de José Dirceu, que me chama de cão!;
Amigo de Alexandre Padilha admite em entrevista à VEJA ter recebido R$ 200 mil de propina quando era assessor especial do ministro da Saúde;
Da série “Dilma é ruim de serviço 1? – Saneamento: apenas 7% de 114 obras no PAC estão prontas;
Da série “Dilma é ruim de serviço 2? – Minha Casa, Minha Vida… às escuras;
Cachoeira gravado pela PF: “O Policarpo nunca vai ser nosso! Ele é foda!” Na mosca!;
EM VEJA – Um senador desce aos infernos. Ou: Investigação esbarra no governo petista do Distrito Federal e no governo tucano de Goiás;
Quando escroques escrevem para idiotas. Ou: Cadê o petista Rubens Ottoni? O noticiário o comeu?;
Nas águas de Ideli – Cobrar doação de empresa contratada por ministério é “malfeito”, acusa ex-ministro;
FIM DA LINHA – Comissão de Juristas, na prática, legaliza o terrorismo, desde que praticado por “movimentos sociais”. Não adianta tergiversar! É isso mesmo!;
Demóstenes e José Dirceu: dois casos emblemáticos da República. Ou: Como reagem os moralmente doentes e os moralmente saudáveis diante do caso

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:43

O destino de Demóstenes e a safadeza oportunista

Ainda que a defesa do senador Demótenes Torres (DEM-GO) consiga anular em juízo as evidências colhidas contra ele pela Polícia Federal — já que só poderia ter sido investigado com autorização do STF —, dificilmente conseguirá manter o mandato. Se não renunciar, a chance de que venha a ser cassado é gigantesca. O conteúdo de suas conversas com Carlinhos Cachoeira, que vieram a público, é incompatível com sua função, e ele certamente sabe disso. Até porque é quem é e construiu uma reputação no Senado de inimigo da corrupção — e também porque é um dos nomes mais visíveis da oposição —, o “caso pegou”. Não há como ele encontrar uma explicação virtuosa para o que se ouviu e se leu até agora. É evidente que não deixa de ser irônico, quase um escárnio, ver um José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, a afirmar que a situação do colega é muito difícil. Mas assim são as coisas.

É evidente que a proximidade de Demóstenes — e, veremos em breve, de muitos outros políticos — com Carlinhos Cachoeira era desconhecida. Os sites e blogs financiados pelo oficialismo petista e por estatais gritam suas ridicularias, afirmando que ele era protegido pela imprensa. Mentem para tentar proteger um chefe de quadrilha (já volto a esse ponto). Ora, por que eles próprios, tão íntimos dos sistemas de informação e de setores da “polícia política”, não denunciaram Demóstenes antes? Porque, como toda gente, também ignoravam as evidências que têm vindo a público. Ou alguém acredita que os esbirros do petismo teriam permitido que o senador fustigasse o governo, como de hábito fazia, se conhecessem suas ligações perigosas?

E isso explica por que afirmo que Demóstenes está politicamente liquidado ainda que mantenha seu mandato.  Mesmo o senador de reputação ilibada de há pouco mais de um mês jamais cairia do gosto do eleitorado que pende do petismo para a esquerda. Ele havia se tornado — e por bons motivos (os públicos) — uma referência, sim, para os que iam, no espectro ideológico, do centro para a direita. E essas pessoas, felizmente, repudiam o que conhecem agora.

É evidente que o episódio é péssimo para uma oposição parlamentar já raquítica. Exceção feita a alguns destemidos — e se acreditava que Demóstenes estivesse entre eles —, os verdadeiros oposicionistas do governo Dilma, convenham, estão mesmo é no PMDB. São eles que criam dificuldades para a governanta. Mas voltemos. O caso é ruim, sim, para a oposição, mas não deixa de revelar um traço saudável de parcela importante da opinião pública. A esmagadora maioria do eleitorado de Demóstenes e aqueles que ele conquistou com sua firme atuação no Senado — A PARTE CONHECIDA DESSA ATUAÇÃO — não votariam mais nele. Hoje ele não seria eleito nem por petistas (obviamente) nem por antipetistas. Já muitos “companheiros” que se identificam com o PT não teriam o menor pudor em votar em José Dirceu, por exemplo. NUNCA SE ESQUEÇAM, SENHORES! OS PETISTAS FIZERAM DO MENSALEIRO JOÃO PAULO CUNHA PRESIDENTE DO “CONSELHO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR” DA CÂMARA!!!

Compreenderam como são as coisas? Um mensaleiro petista é presidente o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados! Nada menos!!! Por vontade, obviamente, do PT. Duvido que haja democracia no planeta que indicasse para tal função alguém que está sendo processado pela corte suprema do país. Mas acontece no Brasil. José Genoino,  presidente do PT no tempo do mensalão, é assessor especial do… Ministério da Defesa!!! Sim, Genoino comandava o partido quando se tomou a decisão, por exemplo, de pagar a campanha eleitoral de Lula com dinheiro de origem ilegal, em dólar, no exterior. E qualificou-se para dar palpites justamente na área de… Defesa!!!

Analfabetos morais
Os analfabetos morais — estimulados pelos esbirros do poder, que ficaram ricos mamando nas tetas públicas —, quando leem algo assim, acham que estou tentando pegar leve com Demóstenes. Não! É justamente o contrário! Que seja punido com a máxima severidade por aquilo que tiver feito. Mas e os outros? A minha pergunta permanece: quando esse método de acumular gravações — e depois vazá-las — vai contemplar também os “companheiros”? A moral de duas casacas dessa gente é um troço asqueroso. Já escrevi aqui: SAUDÁVEIS SÃO OS ANTIGOS ADMIRADORES E O ELEITORADO  DE DEMÓSTENES, QUE NÃO O PERDOAM. DOENTES, OU COISA PIOR, SÃO  OS ADMIRADORES E O ELEITORADO  DE ZÉ DIRCEU. Não veem a hora de que recupere seus direitos políticos para votar nele. Psicopatia. Sociopatia. Esquerdopatia.

Operação Mensalão
Carlinhos Cachoeira está no lugar certo por tudo o que se sabe de suas atividades: a cadeia. O senador Demóstenes Torres, dado o que veio a público sobre suas ligações subterrâneas com o contraventor, está conhecendo o inferno político — e sabe que dificilmente encontrará defensores entre seus antigos admiradores. A questão realmente intrigante é outra: QUE DIABOS ISSO TUDO TEM A VER COM O MENSALÃO, COMO BERRAM EM UNÍSSONO OS BLOGS E SITES DO JORNALISMO DA ESGOTOSFERA GOVERNISTA? A resposta é claríssima: NADA!!!

Trata-se apenas da tentativa de pegar carona no episódio para lançar uma grande sombra de suspeição sobre episódios que caracterizaram uma verdadeira operação criminosa: o mensalão! A síntese é mais ou menos esta: “Se Demóstenes é culpado, então somos todos inocentes”. Daqui a pouco alguém vai dizer que a tramoia dos aloprados, em 2006, também foi uma conspiração das oposições, da imprensa e de Carlinhos Cachoeira!!!

Todo mundo faz muito bem em exigir que Demóstenes pague por sua ligações com Cachoeira, tenham a extensão que tiverem. Mas isso não faz de Dirceu um não-Dirceu. Isso não faz de Delúbio um não-Delúbio. O país que rejeita o que se descobriu da atuação de Demóstenes é uma país saudável. O que aproveita o episódio para aplaudir aquele que a PGR chama de “chefe de quadrilha” e para proclamar a sua grandeza é doente ou safado.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:33

Apenas um homem honrado e livre — entre Delúbio e Dirceu

Há tempos venho sendo atacado com incrível virulência por um rapaz chamado Leonardo Attuch, que se dizia um “fãzaço” meu até outro dia. Ele comanda um site chamado “247″, do qual, acreditem, não sou leitor. Fico sabendo das agressões porque leitores sempre enviam links ou trechos — alguns deles, acredito, vindos de lá. Não dava bola a suas estripulias circenses porque sabia que, entre outras coisas, ele esperava ansiosamente uma resposta minha para ganhar visibilidade. Num texto escrito anteontem, este notável estilista da língua, do decoro e do confronto superior de ideias me acusou de “não debater e argumentar”, mas de “latir e rosnar”. E publicou uma foto minha entre dois cachorros, demonstrando o que entende por “debate e argumento”. Até outro dia, ele me xingava com patrocínio da Caixa Econômica Federal — parece que o do Banco do Brasil não rolou… No momento, ele me xinga com o apoio do governo do Distrito Federal, daquele patriota do petismo chamado Agnelo Queiroz. Ontem, atendi à expectativa de Attuch e lhe dei uma resposta. Resisti à metáfora zoológica. O texto está aqui.

Publiquei cinco de uma longa lista de e-mails que este rapaz me enviou ao longo do tempo, até 2011. Era um grande admirador do “caro Reinaldo”, como ele me chamava. E demonstrava estar bastante preocupado com a perseguição à imprensa livre, com a “chavização” do Brasil, com a satanização do Judiciário empreendida pelos petistas etc. Até o dia em que passou a me atacar, assim, do nada! O que havia mudado? O governador do DF, diga-se, é uma das personagens da investigação da Operação Monte Carlo. Parece que ele não contou isso a seus leitores.

Attuch decidiu me ofender afirmando que lato e rosno. Eu apenas o relato chamando-o de companheiro de colunismo de José Dirceu! Ontem, no entanto, leitores me alertaram para outro colunista da página — eu, de fato, ignorava. Já falo a respeito. Attuch decidiu responder a meu texto. Sei que estou tornando sua página um pouco mais conhecida. Não me importo. Quem, desconhecendo-a, for visitá-la e se encantar com o que lá vai merece mesmo ler aquilo. Reproduzo a sua resposta em vermelho e comenta-a em azul. Ele não se anime muito porque tenho mais o que fazer.

*
Reinaldo Azevedo não é um homem livre. Num texto publicado nesta manhã, em que ataca a mim e ao 247, ele revela ser escravo de seus preconceitos. E o que aponta como principal virtude, a suposta “coerência”, é também seu principal defeito. No mundo maniqueísta de Reinaldo, petistas serão sempre “petralhas”. E tucanos ou demistas serão homens honrados até o dia em que se revela a desonra.
Leonardo não tem medo do ridículo. É seu traço mais corajoso. Como ele sabe, jamais havia citado a sua página aqui e não “decidi” atacar ninguém. Respondi, e de maneira muito educada, a uma agressão. Suponho que não será Attuch um bom professor de liberdade. Numa homenagem a Millôr Fernandes, afirmo que não receberei lições, nessa área, de quem se mostra “livre como um táxi”. Attuch mente sobre o significado da palavra “petralha” e mente sobre os meus textos, como sabem os leitores. Os arquivos estão aí. Defendi, por exemplo, que o PSDB punisse exemplarmente o senador Eduardo Azeredo (MG) por conta do que ficou conhecido como “mensalão de Minas”. Com José Roberto Arruda, expulso do DEM, não foi diferente. Attuch, o que me cobria de elogios até outro dia e se mostrava crítico feroz dos petistas, só consegue sustentar a sua tese negando a realidade. Quando à palavra “desonra”, já, já…

No 247, ao contrário, cultua-se a liberdade. E, se aqui escreve um José Dirceu, como ele condena, também há espaço para representantes de todos os campos políticos, como Arthur Virgílio, César Maia, Walter Feldman, Jarbas Vasconcelos e Gabriel Chalita, entre tantos outros, como também haveria para o próprio Demóstenes Torres, caso este quisesse se defender no nosso portal. Um espaço que, ao contrário do blog de Reinaldo, é democrático e plural.
Ele esqueceu de incluir outro escriba em seu site: Delúbio Soares. Isto mesmo: este grande pluralista tem, entre seus colunistas, dois nomes processados pelo STF: um é acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o “chefe da quadrilha” do mensalão. O outro era seu operador. De fato, sou escravo da minha coerência — e raramente um amigo me elogiou com tanta precisão. Attuch é funcionário de um estranho tipo de pluralidade, que acolhe tipos como essa dupla.  No meu blog, com efeito, não há espaço para eles. Para o meu gosto, mas isto é com a Justiça, estariam em outro lugar. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), por exemplo, um homem honrado, não deixa de ser a virtude servida de bandeja ao vício.

Em companhia de Dirceu e Delúbio, Attuch tem a coragem de acusar a “desonra” alheia.

Que haja leitores que caiam nessa conversa, eis a verdadeira diversidade do mundo. Por que o superpoderoso José Dirceu, que tem o seu site, feito por uma equipe contratada para esse fim (dinheiro não falta ao “consultor de empresa privada”), precisa do “247″, de Attuch? Já tem o seu próprio “288″… Transformá-lo em colunista, reitero, é um caso de “171″. Quanto a Delúbio… Uau! O grande feito jornalístico de Attuch foi descobrir que este senhor tinha algo a dizer. Na CPI do Mensalão, se bem se lembram, ele só tartamudeava… Mas eu entendo: Delúbio, como foi amplamente noticiado na imprensa nacional, compra até a indicação de paraninfo de formandos universitários. Eles o convidam para o discurso, e o mensaleiro paga o baile. Não estou metaforizando, não! É assim mesmo.  

Na sua crítica, Reinaldo resgata emails pessoais antigos que trocamos, como se isso fosse gerar algum desconforto e constrangimento. Ao contrário. Do nosso ponto de vista, é possível sim concordar com Reinaldo em alguns pontos, e discordar em outros. Assim como também é possível concordar e discordar, pontualmente, de Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e de qualquer cidadão. Enquanto alguns colunistas preferem atirar pedras uns aos outros, como se fizessem parte de duas torcidas organizadas – PIGs versus JEGs -, nós preferimos pensar por conta própria.
Não, senhor! Eram (e são) e-mails, tanto os que publiquei como os que não publiquei, que traduziam uma visão de mundo, uma leitura do processo político, uma abordagem do que está em curso. Antigos? Numa homenagem a Chico Anysio, observo que não são de 1927, do tempo de Pantaleão… 2009, 2010, 2011. Outro dia, Attuch!!! Sim, eu lhe enviei algumas poucas respostas, que também tenho guardadas. Se quiser, pode publicá-las. Leonardo provará ao menos uma coisa que disse a meu respeito, agora que decidiu não gostar mais de mim: sou escravo da minha coerência. E ele? Em 21 de dezembro de 2008, por exemplo, escreveu:

Caro Reinaldo,
Fique atento ao Roda Viva de amanhã. Seja você o ombudsman do programa.
Quanto ao editorial da Folha, foi bom, mas podia ser mais literal, dizendo na última linha quem comprou quem. Para a petralhada, meia palavra só não basta.
Sobre o áudio do grampo, é só colocar uma perguntinha aos blogueiros de aluguel: por que eles nunca pedem o áudio da reunião dos delegados com o Humberto Braz (que, aliás, jamais apareceu). Simplesmente porque ele evidenciaria uma armação (flagrante forjado onde se pede dinheiro e não se oferece).
No mais, feliz Natal e um próspero e combativo 2009.
abs
Leonardo

Não sei se era apenas para demonstrar, mais uma vez, apreço por mim, mas notem que ele incorporou a seu vocabulário a palavra “petralhada”… Agora ele acha isso muito feio… Sem essa! Não são e-mails que tratam de questões pessoais — que não me dou a esses desfrutes. Ninguém jamais recebeu ou receberá mensagens minhas tratando de questões existenciais. Nem faço nem ouço confidências com ou de amigos. Se querem falar comigo, os temas são aqueles que dizem respeito a questões públicas.

Não se iludam. A suposta coerência de Reinaldo nada tem ver com liberdade intelectual. É apenas a camisa-de-força de um jornalista que decidiu ter lado. E que no caso em que foi objeto de nossa crítica, o das relações perigosas entre Veja e Carlos Cachoeira, ainda não apresentou argumentos consistentes. Apenas rosnou.
Attuch como juiz de “liberdade intelectual” é uma piada! Alguém que encerra um artigo afirmando que o outro “não apresenta argumentos consistentes”, mas “rosna”, convenham, está se definindo. O caso a que ele alude — e no qual insiste, agora com seus novos amigos — é só uma pilantragem, já está demonstrado, para tentar livrar a cara da turma do mensalão.

Eu rosno? Ok, farei uma concessão ao estilo zoológico do ex-admirador do “caro Reinaldo”. Posso rosnar, sim, mas não fico de quatro para Delúbio Soares e José Dirceu. Eu jamais os convidaria para paraninfo e para pagar as minhas cervejas.

PS – Em tempo: a presidente Dilma Rousseff já demitiu seis ministros sob suspeita de corrupção. Attuch tem outros potenciais colunistas. Afinal, ele é um homem livre.

PS2 – Sim, leitor, agora chega, que tenho mais o que fazer. A menos, claro!, que considere necessário.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:31

Demóstenes Torres avalia renúncia para tentar evitar perda de direitos políticos

Por Mariangela Gallucci, Andrea Jubé Vianna e Alana Rizzo, no Estadão:
Em um esforço para evitar a cassação – e a consequente perda dos direitos políticos -, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) convocou uma reunião com seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, para avaliar a possibilidade de renunciar ao mandato. A renúncia imediata foi cobrada neste domingo, 1, pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. Alvo de grampos telefônicos em que demonstra intimidade com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a quem chegou a chamar de “professor”, Demóstenes complicou-se ao tentar explicar as relações com o chefe de esquema de jogos de azar investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

A reunião entre o senador e o advogado ocorreu no domingo à noite. Nenhum dos dois se manifestou após o encontro. À tarde, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, pediu uma “medida extrema”. “O teor das conversas telefônicas mantidas com o empresário, divulgadas pela imprensa, evidenciam uma situação mortal para qualquer político”, afirmou, ao defender a renúncia. Mas a eventual renúncia de Demóstenes não o livra, automaticamente, do risco de se tornar inelegível. Pela Lei da Ficha Limpa, declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os políticos que renunciarem ao mandato após o oferecimento de representação por quebra de decoro ficam inelegíveis pelo período restante do mandato e pelos oito anos seguintes.

Controvérsia
Na semana passada, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) protocolou no Conselho de Ética do Senado uma representação contra Demóstenes por quebra de decoro. No entanto, a peça ainda não foi formalmente recebida, porque o colegiado está sem presidente desde setembro do ano passado. Como o vice-presidente do conselho, Jayme Campos (DEM-MT), se declarou incompetente para receber a representação, ela foi encaminhada para a consultoria jurídica do Senado.

“A não instauração do processo pela ausência do presidente abre uma brecha jurídica”, avalia Randolfe. Essa brecha permitiria ao senador escapar do enquadramento como “ficha suja”. Mas outra corrente de juristas entende o contrário, porque o texto da lei é expresso ao afirmar que o político fica inelegível se renunciar “desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:29

ACM Neto cobra “explicações contundentes” de Demóstenes

Por Cristiane Jungblut e Carolina Brígido, no Globo:
Integrantes do DEM pressionam para que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se afaste do partido e, assim, evite um processo de expulsão já em discussão na sigla. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi mais além e pediu neste domingo a renúncia do senador ao mandato. Mesmo com o esvaziamento do Congresso, devido ao feriado da Páscoa, o DEM deu um prazo entre segunda e terça-feira para que Demóstenes apresente explicações sobre suas ligações com o empresário do jogo Carlos Cachoeira, preso desde fevereiro.

A pressão maior dentro do DEM para que Demóstenes se desligue do partido definitivamente, ou peça uma licença, vem da Câmara dos Deputados. A intenção do partido é resolver o caso com urgência, para evitar maior desgaste.

Em caso de desfiliação, por iniciativa ou por expulsão, o DEM ficaria com um senador a menos. O partido tem cinco senadores. ACM Neto quer “defesa convincente e contundente”. Já em caso renúncia de Demóstenes ao seu mandato, assumirá a vaga um de seus suplentes. O primeiro suplente é o atual secretário de Infraestrutura do governo de Goiás, o empresário Wilder Pedro de Morais. Mas parlamentares não acreditam nessa possibilidade porque, com a renúncia, ele perderia o foro privilegiado, não sendo mais julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo, diante de novos diálogos revelados, a cúpula do partido cogitava uma reunião reservada segunda-feira para analisar o tema.

O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), elevou o tom e disse que o prazo para Demóstenes apresentar “explicações convincentes” termina na manhã de terça-feira. “O partido deu prazo até terça-feira, pela manhã, para ele apresentar argumentos contundentes, o que consideramos cada vez mais difícil, em função da quantidade de evidências que envolveram o senador. Se ele não apresentar uma defesa contundente e consistente, haverá abertura de processo de expulsão. A situação dele é muito difícil e, se ele não conseguir trazer elementos mais consistentes e contundentes, ficará insustentável”, disse ACM Neto.

Já o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), tem procurado manter uma posição mais cautelosa. Integrantes do partido consideraram que a situação de Demóstenes se agravou nos últimos dias, com a divulgação de diálogos com Cachoeira – como O GLOBO revelou na semana passada. Demóstenes, por meio de interlocutores, vem argumentando que é curto o prazo dado pelo DEM, porque somente agora ele está tendo acesso ao conteúdo da investigação. Na quinta-feira, Demóstenes prometeu ao partido dar explicações até segunda-feira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:27

Outra da série “Dilma é ruim de serviço” – Projetos bilionários do PAC têm atraso de até 54 meses

Por Hans von Manteuffel, no Globo:
Cinco anos após a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as maiores obras de infraestrutura do país têm atraso de até 54 meses em relação ao cronograma original. É o caso da Ferrovia Norte-Sul e do Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco. Entre as obras com orçamento acima de R$ 5 bilhões, os atrasos são de, pelo menos, um ano. Levantamento feito pelo GLOBO nos balanços do PAC mostrou que em dez megaobras, que somam R$ 171 bilhões, os prazos de conclusão previstos no cronograma inicial foram revistos.

Ontem, O GLOBO mostrou, a partir de um estudo da ONG Trata Brasil, que o atraso é comum também em grandes obras de saneamento, que beneficiariam cidades com mais de 500 mil habitantes. Apenas 7% de 114 obras estavam concluídas, e 60% apareciam como atrasadas, paralisadas ou não iniciadas. No caso das grandes obras bilionárias, há exceções, como as plataformas da Petrobras e as hidrelétricas do Rio Madeira, que estão com as obras andando no tempo previsto e, em alguns casos, até antecipadas. As usinas de Jirau e Santo Antônio, porém, colocaram seus cronogramas sob reavaliação por greves em seus canteiros na semana passada.

Transnordestina adiada para 2014
Além de greves, ao longo desses cinco anos foram e continuam frequentes alguns poucos motivos que levaram a atrasos nas grandes obras. São eles: questionamentos no processo de licenciamento ambiental – o mais notório foi o da hidrelétrica Belo Monte -, gastos não previstos no projeto executivo que causaram questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU), atrasos em desapropriações ou falta de interesse da iniciativa privada em tocar ou acelerar as obras, caso do trem-bala.

A Nova Transnordestina, obra de R$ 5,3 bilhões, é um grande exemplo dos atrasos. A ampliação da ferrovia foi promessa de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas teve seu cronograma interrompido diversas vezes por problemas, principalmente, de desapropriações. No lançamento do PAC, sua conclusão estava prevista para o último ano do segundo mandato de Lula. Agora, a entrega está programada para o penúltimo dia do mandato de Dilma Rousseff, no fim de 2014. Na Ferrovia Norte-Sul, o atraso é de quatro anos e meio. No caso da Refinaria Premium I, do Maranhão, a obra mais cara do PAC (R$ 40,1 bilhões), o atraso deve-se principalmente ao ritmo da terraplenagem, que já consumiu mais de R$ 1 bilhão e, até o último balanço, estava com apenas 38% do andamento realizados.

O custo da obra de transposição do Rio São Francisco foi novamente questionado pelo TCU na semana passada. O governo federal já teve de relicitar parte dos trechos por conta de reclamações do tribunal, o que colaborou para o adiamento da entrega do Eixo Leste em mais de quatro anos. O custo da transposição disparou nos últimos anos: saiu de R$ 4, 8 bilhões e já está em R$ 7,8 bilhões – um valor também questionado pelo TCU, que indica um custo total de R$ 8,2 bilhões.

Embora a maioria dos atrasos no PAC seja motivada por problemas ambientais, de fiscalização ou gerenciais – ou seja, a princípio, não faltam recursos para as obras -, os entraves acabam atrasando os investimentos financeiros no âmbito do programa, acumulando um elevado volume de recursos já reservados, mas sem aplicação efetiva. Entre 2007 e 2011, segundo dados da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), do valor total empenhado para o PAC, R$ 125 bilhões, apenas R$ 86,7 bilhões foram gastos no período.

Descontente com tal resultado, a presidente Dilma Rousseff determinou agilidade na execução do programa em 2012 para que esses investimentos, de fato, acelerem o crescimento da economia. Para o ano, a previsão de gastos é de R$ 42,5 bilhões, metade do valor executado nos últimos cinco anos. Diante de críticas relacionadas aos atrasos, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse no último balanço do PAC, no dia 12 de março, que o trabalho do governo nestes cinco anos tem sido aperfeiçoar o monitoramento das obras e superar os obstáculos que se apresentam para cada uma. “Esse continuará sendo o nosso trabalho, de monitoramento mais global do PAC. A cada momento, vamos aperfeiçoando. O acompanhamento “in loco” vai ganhar mais relevância no nosso trabalho”, disse Miriam.

Os atrasos exigiram do governo agilidade para fiscalizar as obras. Recentemente, a presidente e ministros viajaram para canteiros da Transnordestina, da transposição do São Francisco, da Norte-Sul e da BR-101 no Nordeste, e planejam novas visitas. “Essas viagens são muito proveitosas porque todos os envolvidos sentam no campo e repassam o que está acontecendo, onde está pegando e por que está pegando”, disse Paulo Passos, ministro dos Transportes.

Restos a pagar se acumulam
A demora nas obras traz uma outra consequência para as contas públicas: o acúmulo dos chamados restos a pagar – despesas contratadas em um exercício para serem pagas nos próximos. Somente no ano passado, dos R$ 28 bilhões efetivamente pagos no âmbito do PAC, R$ 18,6 bilhões referiam-se a “restos a pagar” de anos anteriores. Ou seja, as despesas do passado acabaram ocupando espaço no orçamento do ano do programa. Em 2009, essa parcela de despesas passadas correspondia a menos da metade dos desembolsos, que somaram R$ 17,9 bilhões. Segundo a SOF, o estoque de restos a pagar acumulado no fim de 2011 era de R$ 36 bilhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2012

às 7:25

Países anunciam ajuda a rebeldes sírios

Por Marcelo Ninio, na Folha:
Em meio à descrença de que a mediação da ONU será capaz de parar a violência na Síria, potências ocidentais e países do golfo Pérsico prometeram aumentar a ajuda à oposição contra o regime do ditador Bashar Assad. A segunda conferência internacional dos Amigos do Povo Sírio reuniu ontem em Istambul representantes de 83 países com líderes da oposição síria. O Brasil participou como observador.  Embora ainda relutantes, diante da desunião entre os opositores, os países reconheceram o CNS (Conselho Nacional Sírio) como a principal frente anti-Assad.

A Arábia Saudita e outros países do golfo discutiram a criação de um fundo de ajuda aos rebeldes de milhões de dólares. Uma das ideias é oferecer uma recompensa a todo soldado do Exército sírio que desertar. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, confirmou pela primeira vez que os EUA estão fornecendo equipamentos de comunicação à oposição dentro da Síria, para ajudá-la a “se organizar e evitar os ataques do regime”. O comunicado final do encontro pede que o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, estabeleça um prazo para que o regime cumpra as condições de seu plano.

Na semana passada, o governo sírio indicou que aceitava a proposta de seis pontos apresentada por Annan, que incluía cessar-fogo imediato e a retirada do Exército dos centros urbanos. Desde então, porém, a repressão continuou. Ontem, 57 pessoas morreram em ataques do regime, relataram ativistas sírios. Em um ano de revolta contra Assad, 9.000 civis foram mortos na repressão, segundo a ONU.

CHINA E RÚSSIA
“O regime está aumentando sua longa lista de promessas não cumpridas”, disse Clinton. “O mundo deve julgar Assad pelo que ele faz, não pelo que fala. E nós não podemos mais ficar esperando sentados.” A ideia de fornecer armas aos rebeldes, defendida pelos sauditas, ainda é motivo de divergências, devido à fragmentação da oposição e aos riscos de que o gesto leve ao aumento da violência. Mas a ajuda financeira internacional servirá para pagar salários aos rebeldes, afirmou o presidente do CNS (Conselho Nacional Sírio), Burhan Ghalioun.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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