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Arquivo de 18 de novembro de 2009

18/11/2009

às 19:49

VOTO DE BRITTO CHEIRAVA COMO QUEIJO, MAS É IMPRÓPRIO PARA CONSUMO HUMANO. OU: PARABÉNS, RENATA LO PRETE

O Painel da Folha, editado por Renata Lo Prete, publicou anteontem as duas notas que seguem. Comento depois:

Ataque…
É enorme a pressão para que o ministro Carlos Ayres Britto mude o voto no caso Battisti, ajudando a formar no STF, nesta quarta, maioria favorável ao entendimento de que caberia ao presidente da República a decisão final sobre a extradição.

…especulativo.
Desde a chegada ao Supremo, em 2003, Britto repete a colegas que deve sua indicação em boa medida ao jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, contratado pela defesa de Battisti especificamente para influenciar o pupilo.

Comento
Renata Lo Prete está de parabéns! Os espadachins da reputação alheia tentaram afirmar que as notas eram absurdas porque supunha coisas etc. Não! O que se tinha ali, vê-se, era apuração jornalística.

Hoje, pateticamente, Brito estendeu-se sobre o absurdo da concessão de refúgio a Battisti. Mas encontrou um caminho para fazer aquilo que as esquerdas queriam: votar, na prática, contra a extradição.

No seu voto, fez uma declaração de independência — referência à nota do Painel  —, mas votou rigorosamente como a nota, se bem lida, antecipava.

Tudo o mais constante, serão 5 votos a 4 para deixar a cargo de Lula extraditar ou não.

O voto do ministro Ayres Britto cheirava como queijo, mas não era queijo. Trata-se de matéria imprópria para consumo humano.

Parabéns, Renata Lo Prete!

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 19:34

Xiii…

Ayres Britto agora está afirmando que o STF não pode obrigar o Executivo a cumprir o Tratado de Extradição.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 19:31

Voto de Ayres Britto, até agora, cheira bastante mal… Tomara que o sabor seja bom, como certos queijos

Até agora, Ayres Britto está, como direi?, descrevendo um arco e evitando atracar no cais. Não sei se vem por aí um “mas”… O fato é que ele está afirmando que Lula não é obrigado a extraditar Battisti. E ele votou favoravelmente à extradição, é bom lembrar. Se for este seu voto definitivo e se nenhum dos quatro que votaram contra a extradição mudar de idéia (o que não deve acontecer), Lula manda o assassino para a Itália se quiser. Vou esperar mais um pouco. Vamos ver. Até agora, Britto não tocou na existência de um tratado de extradição.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 19:23

Problemas

Não é raio, não é curto-circuito, mas está difícil ficar no ar hoje. Vamos tentar.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 17:29

Lula tem de extraditar, sim, afirma Gilmar Mendes

Gilmar Mendes acaba de afirmar que, dado o tratado de extradição existente entre Brasil e Itália, o governo brasileiro é obrigado a entregar Battisti a seu país de origem, uma vez que o STF decidiu em favor da extradição. Não havendo mudança de votos, há, parece-me, um empate: quatro votaram contra a extradição, cinco votaram a favor, mas Ayres Britto não se posicionou sobre esse particular.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 17:12

A FILHA DE PRESTES QUER BRINCAR DE HISTÓRIA? COMO NO JOGO, ACEITO O TRUCO E AINDA CHAMO SEIS!!!

Elvira, uma das vítimas de Luiz Carlos Prestes

Elvira, uma das vítimas de Luiz Carlos Prestes

Podem achar alguns que sinto um especial prazer em desmoralizar as teses das esquerdas. Não! Parece que elas é que gostam de se desmoralizar. Afirmei que Anita Leocádia, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário, deveria ser mais cuidadosa quando se refere a crimes da esquerda e mesmo quando, nesse particular, evoca a memória dos pais. Até porque é historiadora. Peço que vocês leiam atentamente a história. que segue Ela reflete o que é a moral profunda de uma comunista. Quem não conhece ficará impressionado. Renderia um belo e terrível filme. Mas ninguém o fará.
*
Desde menina, Elvira Cupelo Colônio acostumara-se a ver, em sua casa, os numerosos amigos de seu irmão, Luiz Cupelo Colônio. Nas reuniões de comunistas, fascinava-se com os discursos e com a linguagem complexa daqueles que se diziam ser a salvação do Brasil. Em especial, admirava aquele que parecia ser o chefe e que, de vez em quando, lançava-lhe olhares gulosos, devorando o seu corpo adolescente. Era o próprio Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antonio Maciel Bonfim, o “Miranda”.

Em 1934, então com 16 anos, Elvira Cupelo tornou-se a amante de “Miranda” e passou a ser conhecida, no Partido, como “Elza Fernandes” ou, simplesmente, como a “garota”. Para Luiz Cupelo, ter sua irmã como amante do secretário-geral era uma honra. Quando ela saiu de casa e foi morar com o amante, Cupelo viu que a chance de subir no Partido havia aumentado.

Entretanto, o fracasso da Intentona, com as prisões e os documentos apreendidos, fez com que os comunistas ficassem acuados e isolados em seus próprios aparelhos.

Nos primeiros dias de janeiro de 1936, “Miranda” e “Elza” foram presos em sua residência, na Avenida Paulo de Frontin, 606, Apto 11, no Rio de Janeiro. Mantidos separados e incomunicáveis, a polícia logo concluiu que a “garota” pouco ou nada poderia acrescentar aos depoimentos de “Miranda” e ao volumoso arquivo apreendido no apartamento do casal. Acrescendo os fatos de ser menor de idade e não poder ser processada, “Elza” foi liberada. Ao sair, conversou com seu amante que lhe disse para ficar na casa de seu amigo, Francisco Furtado Meireles, em Pedra de Guaratiba, aprazível e isolada praia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recebeu, também, da polícia, autorização para visitá-lo, o que fez por duas vezes.

Em 15 de janeiro, Honório de Freitas Guimarães, um dos dirigentes do PCB, ao telefonar para “Miranda” surpreendeu-se ao ouvir, do outro lado do aparelho, uma voz estranha. Só nesse momento, o Partido tomava ciência de que “Miranda” havia sido preso. Alguns dias depois, a prisão de outros dirigentes aumentou o pânico. Segundo o PCB, havia um traidor. E o maior suspeito era “Miranda”.

As investigações do “Tribunal Vermelho” começaram. Honório descobriu que “Elza” estava hospedada na casa do Meireles, em Pedra de Guaratiba. Soube, também, que ela estava de posse de um bilhete, assinado por “Miranda”, no qual ele pedia aos amigos que auxiliassem a “garota”. Na visão estreita do PCB, o bilhete era forjado pela polícia, com quem “Elza” estaria colaborando. As suspeitas transferiram-se de “Miranda” para a “garota”.

Reuniu-se o “Tribunal Vermelho”, composto por Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha, Adelino Deycola dos Santos e José Lage Morales. Luiz Carlos Prestes, escondido em sua casa da Rua Honório, no Méier, já havia decidido pela eliminação sumária da acusada. O “Tribunal” seguiu o parecer do chefe e a “garota” foi condenada à morte. Entretanto, não houve a desejada unanimidade: Morales, com dúvidas, opôs-se à condenação, fazendo com que os demais dirigentes vacilassem em fazer cumprir a sentença. Honório, em 18 de fevereiro, escreveu a Prestes, relatando que o delator poderia ser, na verdade, o “Miranda”.

A reação do “Cavaleiro da Esperança” foi imediata. No dia seguinte, escreveu uma carta aos membros do “Tribunal”, tachando-os de medrosos e exigindo o cumprimento da sentença. Os trechos dessa carta de Prestes, a seguir transcritos, constituem-se num exemplo candente da frieza e da cínica determinação com que os comunistas jogam com a vida humana:

“Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária.” … “Por que modificar a decisão a respeito da “garota”? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido…?” … “Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar…” … “Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião.”

Ante tal intimação e reprimenda, acabaram-se as dúvidas. Lauro Reginaldo da Rocha, um dos “tribunos vermelhos”, respondeu a Prestes:

“Agora, não tenha cuidado que a coisa será feita direitinho, pois a questão do sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do P.”

Decidida a execução, “Elza” foi levada, por Eduardo Ribeiro Xavier (”Abóbora”), para uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá, onde já se encontravam Honório de Freitas Guimarães (”Milionário”), Adelino Deycola dos Santos (”Tampinha”), Francisco Natividade Lira (”Cabeção”) e Manoel Severino Cavalcanti (”Gaguinho”).

Elza, que gostava dos serviços caseiros, foi fazer café. Ao retornar, Honório pediu-lhe que sentasse ao seu lado. Era o sinal convencionado. Os outros quatro comunistas adentraram à sala e Lira passou-lhe uma corda de 50 centímetros pelo pescoço, iniciando o estrangulamento. Os demais seguravam a “garota”, que se debatia desesperadamente, tentando salvar-se. Poucos minutos depois, o corpo de “Elza”, com os pés juntos à cabeça, quebrado para que ele pudesse ser enfiado num saco, foi enterrado nos fundos da casa. Eduardo Ribeiro Xavier, enojado com o que acabara de presenciar, retorcia-se com crise de vômitos.

Perpetrara-se o hediondo crime, em nome do Partido Comunista.

Poucos dias depois, em 5 de março, Prestes foi preso em seu esconderijo no Méier. Ironicamente, iria passar por angústias semelhantes, quando sua mulher, Olga Benário, foi deportada para a Alemanha nazista.

Alguns anos mais tarde, em 1940, o irmão de “Elza”, Luiz Cupelo Colônio, o mesmo que auxiliara “Miranda” na tentativa de assassinato do “Dino Padeiro”, participou da exumação do cadáver. O bilhete que escreveu a “Miranda”, o amante de sua irmã, retrata alguém que, na própria dor, percebeu a virulência comunista:

“Rio, 17-4-40″
Meu caro Bonfim,
Acabo de assistir à exumação do cadáver de minha irmã Elvira. Reconheci ainda a sua dentadura e seus cabelos. Soube também da confissão que elementos de responsabilidade do PCB fizeram na polícia de que haviam assassinado minha irmã Elvira. Diante disso, renego meu passado revolucionário e encerro as minhas atividades comunistas.
Do teu sempre amigo, Luiz Cupelo Colônio”.

Voltei
O relato acima está no site Ternuma. “Ah, eu sabia, é coisa da direita!”, gritará o petralha ignorante. Não! O caso está minuciosamente relatado nas páginas 238 a 243 do livro Combate nas Trevas, do esquerdista Jacob Gorender. O papel desempenhado por Prestes é ainda mais pusilânime, mais covarde, mais assustador. Deixa entrever suspeita de psicopatia.

Prestes morava, à época, numa casa da rua Honório em companhia justamente de Olga Benário. Todos sabem que ela era, por formação intelectual e decisão do Comintern, chefe dele. Portanto, mais ela do que ele decidiu a morte da garota Elvira, a “Elza”. Olga também foi assassinada, como sabemos. As duas tiveram uma morte terrível. Uma virou mito. A outra virou pó.

Olga, afinal, era uma mártir do comunismo. Como tal, merece ser reverenciada. Elvira/Elza era só uma coitada do povo, analfabeta, de que a outra foi juíza implacável. Nenhum delas teve direito à defesa. Mas só uma virou heroína. A outra foi para sempre esquecida, como costuma acontecer com as vítimas das esquerdas.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 16:17

Cinco a quatro a favor da extradição

Gilmar Mendes votou a favor da extradição. Pronto! Cinco a quatro. Ele suspendeu a sessão. No retorno, os ministros vão debater a entrega de Battisti à Itália. Em linguagem simples: Lula é ou não obrigado a extraditar Battisti?

Cezar Peluso, relator, diz que sim. Seguiram-no os ministros Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie. Ayres Britto ainda não se pronunciou sobre esse particular. Nem Mendes. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 15:50

A tese ridícula de Tarso Genro

Gilmar Mendes dá agora um direto no fígado do mérito técnico da justificativa de Tarso Genro para conceder o refúgio. O ministro da Justiça alegou que a condenação de Battisti derivou da delação premiada, expediente que ele considerou, vejam que coisa, de exceção, típica dos anos de chumbo. Assim, a delação premiada enfraqueceria as evidências contra Battisti.

Mendes foi cruel, mas técnico, com o saber jurídico de Tarso Genro. A delação premiada existe nas leis brasileiras!!! Está lá, no parágrafo 4º do artigo 159 do Código Penal, a saber:

§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do seqüestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. (Acrescentado pela L-008.072-1990) (Alterado pela L-009.269-1996).

E não só ali. O expediente também consta da Lei dos Crimes Hediondos, da Lei do Crime Organizado, da Lei de Proteção às Testemunhas, entre outras.

Será que isso caracteriza que o Brasil vive uma regime de exceção?

A tese é ridícula.

Por Reinaldo Azevedo

18/11/2009

às 15:37

MENDES DESMORALIZA TESE DE CRIME POLÍTICO

    O  presidente do STF, Gilmar Mendes, lê o seu voto sobre o caso Cesare Battisti. Não sobra pedra sobre pedra da tese do “crime político”. Além de descaracterizar, legalmente, tal avliação, fez uma indagação retórica que, reconheçamos, joga no ridículo tal hipótese. Pergunta ele: “O assassinato de Chico Mendes foi político? O assassinato de Dorohy Stang foi político? O assassinato de Martin Luther King foi político?” Os executores de todas essas pessoas poderiam alegar divergência de natureza ideológica?  Ora, é inegável que, em todos esses casos, havia uma motivação também política, não? Isso muda a natureza COMUM do homicídio que praticaram? No mérito, digamos, moral, o voto está dado. Mendes começa agora a avaliar a concessão do refúgio propriamente.

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 15:28

    COMPARAR BATTISTI COM OLGA BENÁRIO FAZ SENTIDO: HÁ DEFEITOS COMUNS

    Leia primeiro o post abaixo

    A reportagem da Agência Senado não deixa claro, mas Anita Leocádia fez um paralelo entre a situação de Cesare Battisti e a vivida por sua mãe, Olga Benário.

    Cada um faça o que quiser com a memória de sua família, mas a história a que ela se refere pode ser submetida a exame e evidencia: a comparação é esdrúxula, estúpida mesmo. Se semelhança há, é só uma: Olga Benário, hagiografia à parte, também era chegada a uma ação que poderia ser caracterizada de terrorista. Estava no Brasil a serviço do Comintern, preparando o levante comunista no Brasil, que resultou na Intentona de 1935. Se a ação foi atrapalhada, aí é outra coisa. Olga era uma executora da política comunista — e, como tal e já escrito aqui hoje, não via diferença entre sangue de homem e sangue de boi.

    A semelhança é só essa. O resto é pura vigarice intelectual. O Brasil que deportou Olga Benário era uma ditadura; tratou-se de uma decisão unipessoal, do ditador, que tinha simpatia pelo regime que solicitara a extradição: o nazismo. Brasil e Itália são democracias, onde vige plenamente o estado de direito.

    Se Anita Leocádia quer fazer o paralelo, digamos que Olga e Battisti, com efeito, partilham uma mesma falha moral: a morte do outro, sob certas circunstâncias, tem utilidade política. Mas os estados brasileiro e italiano não padecem das mesmas misérias de que padeciam o Brasil de Vargas e a Alemanha nazista.

    Ademais, Anita Leocádia deveria tomar cuidado em matéria de assassinato. Direi por que em outro post.

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 15:04

    Uma carta da filha de Prestes em defesa de Battisti

    Da Agência Senado, em reprodução autorizada. Comento no post seguinte:

    [Foto: senador José Nery (PSOL-PA)]

    O senador José Nery (PSOL-PA) leu em Plenário carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, em defesa do italiano Cesare Battisti, cuja extradição será decidida nesta quarta-feira (18) pelo Supremo Tribunal Federal. Ele foi condenado pela Justiça italiana por quatro assassinatos, mas parlamentares e entidades de direitos humanos do Senado e da Câmara dos Deputados afirmam que ele é inocente.

    José Nery leu carta do próprio Battisti a Lula e um manifesto assinado por professores da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em que eles defendem o refúgio político concedido pelo Estado, ponderando que o STF não pode ser transformado na última instância de reconhecimento ou não da condição política de um refugiado. Observam que o mecanismo está previsto na Constituição “como princípio de política externa visando à preservação dos direitos humanos e a democracia”.

    O senador comunicou ainda que, na tarde desta terça-feira (17), o italiano foi visitado no presídio da Papuda, no Distrito Federal, por parlamentares das Comissões de Direitos Humanos do Senado e Câmara, por sindicalistas e representantes de entidades de defesa de direitos humanos. Ele está em greve de fome há cinco dias.

    José Nery disse esperar que o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que dará voto de desempate sobre o caso, entenda que a pressão do governo italiano sobre o Brasil “é descabida” e que aquele país “trata o Brasil como se fosse sua colônia”.

    Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) leu carta que a escritora francesa Fred Vargas, defensora de Battisti, enviou ao ministro Gilmar Mendes, em que ela afirma que o italiano não cometeu os quatro assassinatos de que foi acusado e pelos quais foi condenado. O senador Paulo Paim (PT-RS) também manifestou esperança de que o STF mantenha o italiano no Brasil.

    Aposentados
    No mesmo discurso José Nery acusou o governo de “mentir” ao afirmar que não há dinheiro para pagar os reajustes dos aposentados do INSS em votação na Câmara dos Deputados. Ele lembrou que há dinheiro para “pagar juros aos banqueiros” e perguntou por que, não há para os aposentados.

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 14:57

    HAGIOGRAFIA ESTATO-CAPITALISTA, CINISMO E AQUELA CENA…

    Sabem aquele clichê de que o Brasil não é mesmo um país para amadores? Pois é. Não é. É um país para profissionais, se é que me entendem. O amadorismo, na sua versão benigna, supõe certo lirismo. O profissionalismo, como sempre souberam as profissionais, é sempre muito pragmático. Começa pelo preço.

    Antes que comecem a aparecer na tela os créditos de Lula, O Filho do Brasil, há uma aviso de que o filme não usou a lei de incentivo para o cinema nem tem o apoio de entes públicos. Entendo. No post da madrugada, aponto os financiadores, vejam lá: entre os mecenas estão empreiteiras, que dependem vitalmente do estado, e empresas de setores fortemente regulados, algumas com participação do BNDES, como é o caso da Oi, aquela que já financiou também a Gamecorp, a empresa do filho de Lula.

    Fábio Barreto, filho de Barretão, o produtor, rechaça qualquer apelo de natureza político-eleitoral. De jeito nenhum! “É obra de arte!”, assegura. E, como tal, o filme não poderia esperar para ser lançando, sei lá, em 2011, quando o sucessor de Lula já estivesse no poder. Obras de arte têm sentido de urgência, né? A mensagem fica pulsando…

    O tal aviso é um verdadeiro monumento ao farisaísmo.  Não deixa de ser um tanto cínico com outros cineastas, que, mesmo com as leis de incentivo, penam para conseguir recursos.  A Família Barretão, ao contrário, teve de administrar o interesse, tanta foi a disposição de empresas — que dependem da boa vontade do Estado  —de financiar uma “obra de arte” genuína.

    Ao evidenciar que o filme não é feito com lei de incentivo, produtores e diretor negam aquilo que asseveram: o filme não é obra de arte e se presta à exploração político-eleitoral. Ou que outra razão haveria para uma “obra de arte” recusar um benefício legal?

    Não! Eu não assisti ao filme ainda, mas confio no testemunho de pessoas que o viram — algumas simpáticas a Lula; outra nem tanto. Mesmo as do primeiro grupo se mostram um tantinho constrangidas. Lula, O Filho do Brasil retoma a máxima, sem saber naturalmente, do poeta Wordsworth, segundo a qual “o menino é o pai do homem” — mote que Machado de Assis retoma em Memórias Póstumas de Brás Cubas, não sem certa ironia. Não sei se isso está no livro que inspirou a “obra” porque aí vocês já exigiriam demais de mim…

    As dificuldades todas que Lula enfrentou vida afora teriam formado a têmpera de um bravo e preparado a personagem para o grande acontecimento. Perguntei a essas pessoas que viram o filme se não há a cena da manjedoura, com uma estrela anunciando o “Filho do Brasil”. Disseram-me que não…

    Lula,dadas a estética e abordagem do Vitimismo Triunfalista Estato-Capitalista, jamais deveria ter pedido indenização por ter sido um “perseguido da ditadura”, o que lhe garante R$ 5 mil todo santo mês. Afinal, aquilo tudo estava previsto na mente divinal da história, não é? Não fossem aqueles fatores condicionantes, entende-se, não teria chegado aonde chegou. Assim, por óbvio desdobramento lógico, deveria ser grato à pobreza, ao pai meio destrambelhado, ao Regime Militar — que, felizmente, nunca lhe tocou num fio de barba —, às dificuldades todas.

    Fábio Barretão que me desculpe, mas uma obra de arte pressupõe um mínimo de ambigüidade, o que não há em Lula, O Filho do Brasil. Admiradores e críticos do presidente avaliam que se trata de pura hagiografia cinematográfica. Até o oscarizado Gandhi, de Richard Attenborough, nos leva, muitas vezes, a dúvidas sem resposta sobre as escolhas do líder indiano. Isso era com aquele Gandhi lá. Com Lula, é diferente.

    Feito, sem medo de ser feliz, para o “povão”, o filme dos Barretões não abre espaço para  questionamentos. O herói construído com o dinheiro da AmBev, da Camargo Corrêa, da Embraer, da Suez, da Nestlé, da OAS, da Odebrecht, da Oi, da Volkswagen e de Eike Batista — e sem lei de incentivo!!! — não tem mácula nenhuma!

    Existe pra ser adorado.

    PS: Ainda não vi o filme, reitero, e esqueci de indagar os meus amigos a respeito. Mas aposto que há uma cena em que Lula está sendo interrogado por policiais que dizem clichês anticomunistas, numa saleta meio nojenta,  com paredes descascadas, decadente — a crise do regime, vocês sabem… —, com uma luz baixa, que incomoda os olhos do depoente. No clichê perfeito, a lâmpada tem uma luminária redonda e fica balançando pra lá e pra cá. Acuado, mas corajoso, o herói responde com verdades humanistas às agressões verbais dos policiais, que têm dizer, em algum momento, “Comunista, porra!” Todo filme sobre a ditadura em que esquerdista aparece como herói da democracia tem policial dizendo “Comunista, porra!”.

    “E se não tiver, Reinaldo, nem esse clichê nem o da manjedoura?”.Não se preocupem… Ainda sobram 198…

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 13:21

    “Lula, o Filme” no mundo

    Do leitor Leo, antecipando-se, com grande sutileza, às críticas que “Lula, O Filho do Brasil”, receberá mundo afora:

    1-) Trata-se de uma bela obra de ficção - The New York Times
    2-) Diálogos majestosos, personagens densos - Herald Tribune
    3-) Suspense e arrepios até o fim - Chicago Post
    4-) Assustador. A estória que eu queria escrever - Stephen King
    5-) Deixem-me fazer a continuação - Quentin Tarantino
    6-) Eu avisei - George Orwell

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 6:31

    LEIAM ABAIXO

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 6:19

    “LULA, O FILHO DO BRASIL” E A ESTÉTICA INAUGURADA PELO PT

    Foi o maior fuá ontem em Brasília. Mil e quatrocentas pessoas deveriam estar no Teatro Nacional para a pré-estréia de “Lula, O Filho do Brasil”, filme da família Barretão que inaugura a estética do lulo-petismo — sim, uma verdadeira revolução, como queria Trotsky, tem uma estética também revolucionária. Já volto ao ponto. Imaginem se onde cabem 1.400 puxa-sacos não se amontoam no mínimo 1.800! E foi o que aconteceu. Os adoradores de Lula se espalhavam pelos corredores. Barretão pai, o Luiz Carlos, tentou chamar os fiéis à razão: “Não há bombeiros aqui. Se estourar uma lâmpada, as pessoas estarão todas correndo risco de vida”. Foi vaiado. Barretão filho, Fábio, o diretor, reclamava: “Nós, equipe e atores, estamos sem lugar para sentar”. Inútil. Ficou todo mundo no mesmo lugar. Era o dia de celebrar a igualdade.

    Ao fim da sessão, aplausos e tal, como seria de se esperar numa platéia esmagadoramente petista — exceção feita a alguns jornalistas, poucos não-petistas, é verdade. Relata um amigo que a reação, no entanto, foi fria. Segundo ele, há momentos no filme, em especial alguns diálogos, que são constrangedores. Por que a relativa frieza? Não sei. Preciso ver o filme primeiro. A minha hipótese é a de que não há Lula de ficção que possa superar o de verdade na dor e na alegria. Que humorista tentaria sacanear o petista especulando sobre as eventuais vantagens que teria a Terra se fosse quadrada? E, no entanto, Lula se deu a tais divagações.

    O filme, diz-me esse amigo, é feito para emocionar, para chorar —  e não para chorar pouco. Pode estar aí um problema? Um clichê, escreveu Umberto Eco, incomoda; cem clichês podem comover — duzentos, acrescento eu, podem narcotizar. De todo modo, “Lula, O Filho do Brasil” não foi feito para sensibilizar aquela platéia. Ao contrário até: a esmagadora maioria se considera parte da construção do mito. Lá se encontravam o apparatchik e aquele misto de lobistas e homens de negócios que tão bem caracteriza Brasília. Muitos ali terão seus cineastas do coração — e não é a família Barretão. Devem achar que o filme é importante “para o povo”, entenderam?, apostando, obviamente, no seu efeito eleitoral.

    Financiamento ilegal de campanha
    A platéia estava coalhada de ministros. Quem deu o tom adequado para a coisa foi o do Planejamento, Paulo Bernardo. Respondendo a críticas dos que antevêem uso eleitoral do filme, mandou ver: “Não tem nada ilegal ou irregular nisso. Eles [os oposicionistas] também que façam um filme. Se procurarem, acham alguma história interessante”. Quanta delicadeza d’alma! Vamos pensar: o contrário de “oposição”, nesse contexto, é “governo”. Se Bernardo desafia a oposição a fazer um filme, então admite que se trata de um trabalho do… governo, de uma manifestação de oficialismo. A divulgação massiva do filme se dará em ano eleitoral. Assim como dois mais dois são quatro, estamos falando de uma peça da propaganda eleitoreira.

    Persigamos a lógica de tal raciocínio, o que acabará me levando àquela questão sobre a inauguração de uma nova estética. Barretão se orgulha de não ter recorrido a leis de incentivo.  Huuummm… Pra quê? O filme mais caro até agora feito no Brasil — R$ 16 milhões ao todo — contou com o apoio generoso das seguintes empresas: AmBev, Camargo Corrêa, Embraer, Suez, Nestlé, OAS, Odebrecht, Oi e Volkswagen. Eike Batista, o coruscante, contribuiu com R$ 1 milhão, mas como pessoa física. Consta que nem foi preciso pedir. As empresas fizeram questão de colaborar.

    Há uma lei maior e bem mais importante operando aí: a Lei do Poder. Vejam o caso da Oi, antiga Telemar. Se deu R$ 10 milhões para a empresa de Lulinha, por que não daria uma graninha para o filme sobre a vida do pai de Lulinha, que é quem manda? A contribuição estética certamente será irrelevante. Mas a contribuição ética de Barretão ao cinema e à política já é inigualável!” Estaríamos diante de uma sofisticada maneira de financiamento irregular de campanha?

    As centrais sindicais entraram na parada e vão levar o filme aos trabalhadores. Hugo Chávez já foi convidado para distribuí-lo — e financiar essa distribuição — entre seus companheiros bolivarianos da América Latina. Tenta-se comprometer o próprio Barack Obama com o apoio à fita nos EUA. Nesse caso, é bem possível. Sabem como é este moço. Já Chávez… Vai que Lula tome o lugar de Bolivar no coração dos chavistas…

    Estética
    Stálin era um conservador em estética. Teria dito certa feita: “Fizemos a revolução, mas conservamos a bela língua russa”. Lula não diria o mesmo sobre o português — especialmente com a expansão, do modo como se dá, de certo ensino universitário. A nossa revolução atinge a língua também. Trotsky, no exílio, chegou a flertar com uma arte transgressora. Mas, na URSS stalinista, triunfou o analfabetismo cafona do Realismo Socialista: os “homens do povo” passaram a ser as personagens da produção cultural, que tinha de ter uma mensagem edificante, que contribuísse para solidificar a moral revolucionária.

    Não vi o filme, mas parece que não se encaixaria bem nessa definição — e as fontes de financiamento, somada à confissão involuntária de Bernardo, sugerem outra estética: o lulo-petismo criou o Vitimismo Triunfalista Estato-Capitalista. O estado não põe dinheiro na propaganda petista. Quem faz isso é a iniciativa privada que ou faz negócios com esse estado ou não quer ficar de mal…

    A expectativa é a de que o povo saia chorando de emoção com Lula e, de coração “lavado e enxaguado”, vá votar em Dilma. Será? A mitificação do presidente contribui para fortalecê-la ou só reforça o contraste existente entre ambos? Verei certamente o filme — é obrigação profissional — e escreverei aqui as minhas impressões. Nos cinemas, os trailers têm sido recebidos com uma vaia meio preguiçosa — um muxoxo, um “hannn” de insatisfação. É uma vaia também fria, como o aplauso.

    “O filme é para o povo, não é pra você, Reinaldo”. Tá… Eu juro que preferiria chorar de raiva a chorar de melancolia.

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 6:17

    O SANGUE DO HOMEM E O SANGUE DO BOI

    O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, deve proferir hoje o seu voto no caso Battisti. Se votar contra a extradição, leva o placar para 5 a 4 em favor da permanência do assassino no Brasil como refugiado. Nessa condição, o governo brasileiro pode até dar ajuda material a este humanista reformador de mundos. Se votar a favor, o 5 a 4 será pela extradição. No voto de Cezar Peluso, até agora endossado por três ministros, é explícita a avaliação de que Lula tem de enviar o criminoso para seu país de origem porque está obrigado a seguir o Tratado de Extradição que existe entre Brasil e Itália. Battisti também responde por uso de documento falso no Brasil. O máximo de protelação pela qual Lula poderia optar seria decidir que, primeiro, ele tem de ser julgado pelo crime cometido aqui.

    Battisti está em greve de fome. Este senhor é mesmo quem é. Estaria escolhendo, assim, voluntariamente, a morte que, para suas vítimas, foi compulsória. Este senhor é uma dessas pessoas que me fazem ter piedade, sim. Mas sinto piedade é da condição humana, não dele.

    Vejam de novo a foto asquerosa publicada aqui ontem.

    No centro, de camisa branca, Battisti. A partir da esq: deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), com fitinha no braço; o senador José Nery (PSOL-PA), de gravata listrada de vermelho; o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), gravata listrada de cinza; o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), aquele com cara de Suplicy, e o deputado Luiz Couto (PT-PB). Foto de  José Cruz/Agência Brasil

    No centro, de camisa branca, Battisti. A partir da esq: deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), com fitinha no braço; o senador José Nery (PSOL-PA), de gravata listrada de vermelho; o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), gravata listrada de cinza; o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), aquele com cara de Suplicy, e o deputado Luiz Couto (PT-PB). Foto de José Cruz/Agência Brasil

    Sentem um cheio estranho? Sentem um cheiro de pólvora e sangue humano — que, segundo um primo médico, não é muito distinto do cheio que tem a carne crua de boi, quando a manipulamos?

    Porque, leitor, com efeito, não há grande diferença entre a carne e o sangue de um homem e a carne e o sangue de um boi. E há quem mate homens como se matam bois. Há até quem mate homens, embora considere uma barbaridade que se matem bois. Se você não reconhece que o outro é dotado de direitos e não pode, pois, ser eliminado como parte de suas fantasias de justiça, então você mata. Está aí a essência do chamado “crime político” numa democracia: o outro é bicho, é coisa!

    O carne e o sangue do homem, nesse caso, passam a ser como a carne e o sangue do boi ou do cordeiro servido em holocausto. Para um agnóstico, os direitos os distinguem. Para um religioso, além dos direitos, também a alma. Já o assassino vê no boi e no homem apenas um propósito: o seu propósito.

    O cheiro que a foto exala vem do sangue das personagens ocultas sob a sola dos sapatos daqueles patriotas. É o sangue derramado de Antonio Santoro, Pierluigi Torregiani, Lino Sabadin e Andrea Campagna, os homens que Battisti matou.

    Battisti e seus amigos da foto, certamente, jamais matariam bois.

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 6:15

    O OBAMA VERDE AMARELOU

    Daqui a pouco, até eu vou recomendar ao presidente dos EUA, Barack Obama, que faça um curso de marketing pessoal com, bem…, com Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente americano protagoniza, no momento, um vexame verdadeiramente global. Fechou um acordo com Hu Jintao, presidente da China, e os dois países mais poluidores do mundo decidiram que a reunião de Copenhague, em dezembro, servirá para que o mundo estabeleça, assim, uma espécie de compromisso moral, entenderam?, mas nada vinculativo. Ontem, o governo da Dinamarca e representantes da ONU fizeram a última reunião preparatória da cúpula e recomendaram: “Baixem as expectativas”.

    Bem, bem, bem… Acho que estou com Obama agora, não antes — e, nem por isso, o vexame é menor. Depois da crítica à guerra do Iraque, o ataque à dita insensibilidade de George W. Bush com as questões do meio ambiente foi o que mais mobilizou os partidários de Obama e contribuiu para criar a “obamababaquice” nos EUA e mundo afora. Bem, é inevitável propor a comparação: já imaginaram Bush no lugar dele agora?

    Lula estrilou. Afirmou que iria telefonar para Obama e para Hu Jintao cobrando uma posição. Ambos devem ter tremido… Bem, sou um homem bom como todo mundo e também amo a natureza, né? E, ainda que não os admire, duvido que Obama e Jintao queiram destruir o planeta. É que, todos sabem, conforme se escreveu aqui tantas vezes, esse papo de aquecimento global está esfriando, né?

    Descobriu-se que o planeta está passando por um “invernico” — isto é, a temperatura vem caindo, em vez de subir. Dizem que é só a esfriada antes da grande esquentada. Sei!!!  Mas o fato é que não estava no tal “modelo”. Aí se descobriu que os estudos sobre a temperatura do mar também apresentavam alguns problemas, e os maiores especialistas da área sustentam que é preciso rever os cálculos. Há cinco ou seis dias, cientistas da Universidade de Bristol constataram, e não com base em modelos de computador, mas com medição efetiva, que os oceanos e os ecossistemas da Terra podem absorver praticamente a totalidade dos gases causadores do tal efeito estufa. Também não estava no modelo do IPCC.

    Nenhum de nós viverá o bastante para assistir ao fim dos tempos antevisto pelos apocalípticos do IPCC, mas viveremos, se Deus quiser, o suficiente para assistir à contínua perda de prestígio desse assunto. E, não obstante, o combate à poluição será, evidentemente, necessário porque é melhor e mais saudável viver sem ficar espalhando substâncias tóxicas por aí. Mas sem o Apocalipse de São João a nos espreitar, não é?

    Lula diz que o Brasil manterá a sua meta. Huummm… Daremos exemplo ao mundo, claro!!! É possível que a única coisa em que Dilma não estivesse tão errada tenha sofrido uma inflexão de natureza puramente eleitoreira — para fazê-la “amiga do meio ambiente”. Vejam vocês: como sou bom, sou contra que se queime a floresta amazônica, é evidente. Mas também se desconfia que os dados sobre as queimadas estejam… errados!

    E que fique claro: ninguém nega um certo aquecimento. Mas não se tem a certeza de que seja mesmo o homem a produzi-lo. Não! Escrevo de outro jeito: certeza mesmo, nunca se teve. Agora, o que se tem é uma grande desconfiança dos dados do IPCC. O “aquecimento global provocado pelo homem” entrará para a história como a primeira fantasia do mundo global. Ou a segunda: na globalização possível do século 16, com as grandes navegações, criou-se a fantasia do “bom selvagem das terras ignotas”…

    Al Gore, o pai da moderna histeria, declarou na semana passada: “Quero ser uma cotovelada em Copenhague. Uma pessoa que pressiona por mudanças”. É? Vai ter de tomar cuidado para não acertar o cotovelo no queixo de estátua de Barack Obama. O presidente do EUA certamente está informado sobre os dados que estão surgindo e que apontam para as conclusões, sejamos mansos, apressadas do IPCC. E está cheio de pepinos domésticos para resolver. Imaginem se iria se comprometer com metas que o exporiam ao contra-ataque dos fatos.

    O Green Peace, a WWF e outras ONGs menos influentes estão recebendo um duro golpe. Seus esbirros por aqui — não se esqueçam de que já existe uma economia do preservacionismo muito sólida, com alguns milhares de empregos, além de verdadeiros milionários da natureza… — vão reagir. Consultores disfarçados de pensadores insistirão no fim dos tempos. Mas terão tempo de ganhar muito dinheiro antes de o mundo acbar…  Obama parece que não está a fim de dividir o governo com eles — há muitos republicanos vigiando aquela democracia! Resultado: eles vão intensificar a patrulha que exercem no Brasil.

    Ai, não vejo a hora de ler o próximo artigo sobre quantos litros d’água são “desperdiçados” num único bife…

    Por Reinaldo Azevedo

    18/11/2009

    às 6:13

    AHMADINEJAD, O MATADOR

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    No próximo dia 23, um delinqüente internacional chamado Mahmaoud Ahmadinejad chega ao Brasil. Ele é presidente do Irã e expressão, vá lá, leiga, da ala dura do clero xiita que desenvolve um programa nuclear secreto. O Irã quer a bomba. Sem ela, o país já financia dois movimentos terroristas: o Hezbollah, que, na prática, governa o Líbano, e o Hamas, que tem o governo da Faixa da Gaza. Sem a bomba, o Irã já ameaça varrer Israel do mapa. Ahmadinejad, como se sabe, nega o Holocausto judeu e diz que tudo não passou de uma grande conspiração. Isso já seria o bastante para jogá-lo na lata do lixo. Não para o Itamaraty de Celso Amorim. Não para o governo Lula. Como não reconhecer? O governo brasileiro já adulou gente ainda pior. Um lulista poderia dizer: “Pô, a gente apóia o ditador do Sudão, que já matou 300 mil pessoas!”

    Ahmadinejad chega na segunda-feira, seis dias depois de a Justiça do Irã, controlada com mão de ferro pela ala radical que ele representa, ter condenado cinco pessoas à morte e outras 81 a penas que variam de seis meses a 15 anos de prisão. Seu crime: participaram de protestos contra a fraude nas eleições — fraude que foi reconhecida pelo aiatolás do Conselho da Revolução Islâmica. Só o aiatolá Lula disse não ter visto nada demais, comparando os protestos da oposição a uma torcida contrariada, cujo time tivesse sido derrotado. Agora, com a profundidade política habitual, ele poderia continuar na alegoria: “Veja bem: nos estádios brasileiros, infelizmente, também morre gente de vez em quando…”

    Tudo isso, dirão os pragmáticos, diz respeito à política interna do Irã, e o Brasil deve ser pragmático. Pragmatismo com um negador do Holocausto? Pragmatismo com um financiador do terrorismo? Pragmatismo com um governo que condena pessoas à morte por delito de opinião?

    Quando Shimon Peres, presidente de Israel, esteve por aqui, o governo fez saber que Lula defendeu a criação do estado palestino (é justo!) e o entendimento com o Irã: é uma estupidez porque é impossível haver entendimento com quem não o reconhece e promete destruí-lo. O Irã tem de se entender é com as normas do direito internacional.

    Vamos ver quais serão as mensagens de Lula a Ahmadinejad que vazarão para a imprensa. Posso adivinhar: o presidente brasileiro defende a paz e acredita que todo mundo tem o direito ao uso pacífico da energia nuclear…

    Quem defende a paz na conversa com um delinqüente está defendendo a paz dos delinqüentes. Já é comum citar, eu sei, mas vá lá. Quando Chamberlain e Daladier disseram a Hitler que ele poderia ficar com um naco da Checoslováquia desde que, depois, a Europa vivesse em paz, estavam fazendo, sem querer, a opção pela guerra. E com desonra. A “paz” a qualquer custo é coisa de bandidos. Os milhões de mortos da Segunda Guerra não deixam de ser uma magnífica obra do “pacifismo”.

    Volto à cena doméstica. Receber Ahmadinejad como líder de respeito, que tem o que dizer, corresponde, não tem jeito, a condescender com o terrorismo. É claro que um governo não precisa endossar práticas de outros para manter relações diplomáticas e comerciais. Ocorre que o presidente do Irã não é apenas “um outro”. Ele é o avesso da política; ele é a personificação do terror e, como se nota, esmaga o seu próprio povo.

    O vídeo abaixo traz a morte de Neda Soltani, a jovem alvejada no meio da rua porque protestava contra a fraude eleitoral que ajudou a reeleger Ahmadinejad. Outra boa maneira de demonstrar repúdio à presença deste senhor no Brasil é esfregar nas suas fuças a imagem de Neda. É ele o seu assassino.

    Por Reinaldo Azevedo


     

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